10 Efeitos colaterais da pílula anticoncepcional

Tudo o que você precisa saber sobre pílulas anticoncepcionais

10 Efeitos colaterais da pílula anticoncepcional

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*Tradução: Mariana Rezende

Coisas importantes a saber:

  • Atualmente, as pílulas combinadas têm menos estrogênio do que as pílulas originais compostas por estrogênio e progestagênio
  • O tipo de anticoncepcional que você usa depende de como você valoriza diferentes benefícios, efeitos colaterais e outros fatores
  • As pílulas anticoncepcionais genéricas são consideradas bioequivalentes e farmaceuticamente equivalentes a produtos de marca

Os anticoncepcionais orais são utilizados por mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo e os anticoncepcionais orais combinados (AOCs) contendo estrogênio e progestagênio são um dos 50 medicamentos mais comumente receitados nos EUA (1, 2). As pílulas anticoncepcionais são a forma mais comum de contracepção reversível nos Estados Unidos (3).

Existem três tipos de pílula:

  • o AOC cíclico que causa sangramento menstrual mensal,
  • o AOC de uso prolongado, que pode ser tomado por períodos mais longos com menos sangramento menstrual,
  • e a pílula à base de somente de progestagênio, que é livre de estrogênio (2).

A pílula cíclica do AOC que conhecemos e amamos (ou odiamos) foi aprovada como método anticoncepcional em 1960 e as pílulas à base de somente progestagênio surgiram cerca de 10 anos depois (2).

O uso prolongado de AOCs ficou disponível em 2003 (84 comprimidos ativos seguidos, depois 7 comprimidos de placebo), com comprimidos contínuos (sem comprimidos de placebo) chegando ao mercado em 2007 (4).

Neste artigo, abordaremos o que mudou desde a invenção da pílula, o que pode vir no futuro e como escolher uma pílula (ou outro tipo de contracepção) ideal para você.

As pílulas anticoncepcionais: passado e presente

Desde que foram inventadas, as pílulas anticoncepcionais evoluíram para muitos formatos diferentes:

  • Níveis mais baixos de hormônios: o AOC original continha mais estrogênio e progestagênio do que as versões atuais (2, 5). Como a quantidade de estrogênio na pílula foi associada ao aumento do risco de derrame, ataque cardíaco e outros cenários negativos, hoje as pílulas contêm cerca de 20% a 50% da quantidade original de estrogênio (você pode ler mais sobre os efeitos colaterais dos anticoncepcionais hormonais atuais aqui) (6). Os tipos de estrogênio e progestagênio nos anticoncepcionais orais também foram alterados e, por definição, os anticoncepcionais à base de somente progestagênio não contêm estrogênio.
  • Mais fases: o primeiro AOC era monofásico. Cada comprimido ativo tinha a mesma quantidade de estrogênio e progestagênio (2). Na década de 1980, as empresas farmacêuticas introduziram pílulas bifásicas (duas doses diferentes de hormônios em um ciclo de tratamento) e trifásicas (isso mesmo, três doses diferentes de hormônios por ciclo), e a primeira pílula de quatro fases ficou disponível nos EUA em 2010 (2, 7). Atualmente, parece que não existem grandes diferenças entre a pílula monofásica e as diversas pílulas multifásicas, embora não haja um número de pesquisas suficiente para comprovar (8–10).
  • Uso estendido: os AOCs foram criados inicialmente para imitar o ciclo menstrual de 28 dias, com 21 pílulas ativas contendo hormônios seguidas por sete pílulas inativas para provocar o sangramento de retirada. No momento, algumas opções de tratamento usam combinações diferentes de pílulas ativas e inativas, incluindo 84 pílulas ativas com sete pílulas inativas ou nenhuma pílula placebo, como os anticoncepcionais à base de somente progestagênio (4). Pesquisas mostram que, em comparação com as pílulas cíclicas, os AOCs de uso prolongado e contínuo têm aproximadamente o mesmo número de dias de sangramento, mas estão associados a melhorias nos sintomas relacionados ao sangramento, como dores de cabeça, cansaço, inchaço e cólicas (11).

Qual é o futuro das pílulas anticoncepcionais?

Todo tipo de pílula anticoncepcional exige que as pílulas ativas sejam tomadas diariamente. No entanto, nem sempre é isso que as pessoas procuram. Um estudo mostrou que 30% das pessoas que usam a pílula pararam de usar contraceptivos orais por insatisfação (12).

Pesquisadores estão tentando criar novos tipos de pílulas anticoncepcionais (uma pílula que é tomada apenas no momento do sexo e a inatingível pílula anticoncepcional masculina, por exemplo (13, 14)), mas o processo é lento devido ao alto custo e riscos potenciais do desenvolvimento de produtos inovadores (15).

Qual é o tipo certo de pílula para mim?

Existem vários motivos que fazem as pessoas optar por usar pílulas anticoncepcionais em vez de outros métodos. Por exemplo, as pessoas podem preferir tomar seus medicamentos por via oral, em vez de usar um adesivo ou injeção. Ou o custo inicial da pílula pode ser o mais acessível.

Se você não tiver tempo para esperar a pílula anticoncepcional masculina e as palavras monofásica, bifásica, trifásica, quadrifásica e uso prolongado confundem sua cabeça, você não está só. Muitos fatores contam na hora de escolher um método contraceptivo.

Ainda não há muitas pesquisas que comparem tipos de pílulas anticoncepcionais, mas segue uma pequena lista dos recursos que tornam cada um dos três principais métodos de contracepção oral únicos e que podem ajudar na hora de tomar a decisão:

  • Anticoncepcional oral combinado (AOC) cíclico: Comparado a outros tipos de pílulas, os AOCs cíclicos resultam em sangramentos que imitam a menstruação, com um bom controle da regularidade do ciclo de sangramentos (ou seja, menos escape) (16).
  • Anticoncepcionais à base de somente progestagênio: Ao contrário dos AOCs, os anticoncepcionais feitos somente de progestagênio podem ser usados por pessoas que não podem usar estrogênio, incluindo aquelas que estão amamentando (a partir de seis semanas após o parto), pessoas que fumam e têm mais de 35 anos, pessoas com obesidade e pessoas que desejam evitar sintomas relacionados ao estrogênio (16).
  • AOC de uso prolongado: como já aprendemos, as pílulas de uso prolongado podem resultar em menos dias de “fluxo” que os AOCs cíclicos, além de menos sintomas relacionados, como dores de cabeça, cansaço, inchaço e cólicas (11).

Além de prevenir a gravidez, as pílulas anticoncepcionais e os contraceptivos hormonais em geral podem ter outros benefícios.

Dentre eles, regularidade do ciclo, tratamento de sangramento intenso, tratamento de dores menstruais, eliminação de sangramento, tratamento da TPM, risco diminuído de certos cânceres, tratamento de acne ou padrão masculino de crescimento de pelos, densidade mineral óssea aprimorada e tratamento de dor pélvica devido a endometriose (17).

Converse com seu(ua) médico(a) sobre quais fatores são importantes para você para encontrar um método contraceptivo ideal para suas particularidades.

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Genérico ou de marca?

Nos primeiros dias da pílula, a Federação de Planejamento Familiar dos EUA não distribuia contraceptivos orais genéricos, provavelmente preocupando-se em como se comparavam às versões de marca (19). Essa regra já não é usada há muito tempo, mas ainda ouvimos falar de pessoas que experimentam novos sintomas quando mudam para genéricos (20).

Por outro lado, o uso de genéricos pode reduzir os custos e, para ser aprovado para uso nos EUA, as empresas precisam mostrar que seu medicamento genérico é bioequivalente (absorção semelhante pelo organismo) e farmaceuticamente equivalente (mesma potência e dosagem de ingrediente ativos) ao produto de marca (21).

O que isso significa para você? Veja o que o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) tem a dizer: “A Food and Drug Administration dos EUA considera produtos contraceptivos orais genéricos e de marca clinicamente equivalentes e intercambiáveis.

A [ACOG] apoia solicitações feitas por pacientes ou profissionais de AOCs de marca ou continuação dos mesmos contraceptivos orais genéricos ou de marca, se a solicitação for baseada na experiência clínica ou preocupações com relação à embalagem ou conformidade, ou se o produto de marca for considerado uma escolha melhor para esse paciente individual.

” (20) Trocando em miúdos: você deve poder usar um anticoncepcional seguro para você e que atenda às suas necessidades.

Oi, eu sou a Steph! Enviaremos histórias educativas e curiosas sobre saúde feminina, além de compartilhar dicas e truques para você aproveitar o Clue app ao máximo!

Источник: https://helloclue.com/pt/artigos/sexo/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-pilulas-anticoncepcionais

Trombose causada por anticoncepcional: sintomas e pílulas mais perigosas | Hospital Alemão Oswaldo Cruz

10 Efeitos colaterais da pílula anticoncepcional

O medo de ter trombose por uso de anticoncepcional faz com que muitas mulheres se preocupem quanto ao tipo de pílula usado e até busquem outros métodos contraceptivos.

No entanto, o assunto ainda é envolto em detalhes e dúvidas que devem ser esclarecidas para prevenir – e às vezes remediar – o problema.

Por exemplo, você sabe como identificar riscos e sintomas? Esclarecemos esses e outros pontos a seguir.

O que é trombose?

Caracterizada pela formação de um coágulo na corrente sanguínea, a trombose pode bloquear o fluxo de artérias e veias de diversas partes do corpo.

No caso da trombose venosa, a obstrução costuma ser nos membros inferiores e, se o coágulo se desprender, pode causar complicações graves como a embolia pulmonar.

Já a trombose arterial pode parar o fluxo de importantes vias do cérebro, coração e outros órgãos, gerando Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou infarto agudo do miocárdio.

Por que anticoncepcional causa trombose?

De acordo com o cardiologista Rafael Belo Nunes, , do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, não há comprovação do real motivo da relação entre anticoncepcional e risco de trombose.

Contudo, estudos apontam a teoria de que esse contraceptivo causa resistência às proteínas C-reativas, que são anticoagulantes naturais do organismo. Com isso, o sistema circulatório fica desequilibrado e mais propício a criar coágulos e, consequentemente, eventos relacionados à trombose.

Vale lembrar que nem todas as fórmulas são perigosas, sendo que as pílulas combinadas com estrogênio são as que estão mais relacionadas ao aumento de acometimentos vasculares e ainda que há outros fatores que podem aumentar ainda mais essa incidência.

Chance de ter trombose causada por anticoncepcional

Segundo o cardiologista Rafael Belo Nunes, o uso de alguns tipos de pílula pode aumentar de 1,2 a 1,8 vezes a chance de desenvolver trombose arterial, quadro que causa AVC ou infarto agudo do miocárdio. Já o risco de ter trombose venosa fica de três a seis vezes maior ao tomar contraceptivo oral. Contudo, o especialista afirma que o risco absoluto é baixo mesmo com esses quadros.

O ginecologista e obstetra Élvio Floresti Junior complementa que a trombose normalmente ocorre em duas a três pessoas a cada 10 mil habitantes. Contudo, entre pessoas que usam pílulas perigosas, os números passam a ser de 5 a 9 eventos a cada 10 mil habitantes.

Fatores que aumentam ainda mais o risco da trombose

Um dos principais fatores para repensar o uso do anticoncepcional é a presença do histórico de doenças circulatórias e cardiovasculares na família.

A manifestação de trombofilia genética também é um motivo para considerar outros métodos contraceptivos. A condição é caracterizada pelo risco maior de eventos trombóticos devido a características genéticas que interferem na coagulação sanguínea.

Além disso, acometimentos que causam imobilização, como paralisia, aumenta a chance de desenvolver o problema pois diminuem a circulação do sangue, que é um dos grande motivadores para a formação de coágulos. Obesidade, diabetes, hipertensão e idade maior de 35 anos são outros fatores de risco.

Nestes casos, o ideal é optar por métodos que não apresentam risco de trombose, como pílulas apenas com progesterona, DIU, anel vaginal ou anticoncepcional injetável. Entretanto, apenas um médico saberá diagnosticar o quadro corretamente e indicar a melhor alternativa para evitar gravidez.

Tomar anticoncepcional e fumar faz mal?

Se o risco de trombose é normalmente baixo, mesmo para mulheres que usam contraceptivo oral, o quadro não é o mesmo para tabagistas, já que a combinação de pílula com estrogênio e cigarro eleva drasticamente a chance de ter trombose.

“O risco aumenta principalmente para quem fuma mais de 15 cigarros por dia, passando de 5 para 40 eventos a cada 100 mil habitantes!”, alerta Rafael Nunes.

Sintomas de trombose causada por anticoncepcional

A trombose desencadeada pelo uso de contraceptivo oral é diferente dos demais quadros da doença. Sendo assim, os sinais podem ser divididos de acordo com o tipo de quadro trombótico apresentado.

Sintomas de trombose venosa

Esse tipo de trombose pode ser assintomático. Contudo, uma parcela dos pacientes apresenta as seguintes manifestações:

  • Dores nos membros inferiores
  • Inchaço na perna afetada
  • Alteração da coloração da pele, que passa a ter uma tonalidade vermelha escura ou azulada

Casos que já evoluíram para embolia pulmonar podem apresentar:

  • Falta de ar aguda
  • Comprometimento da oxigenação do pulmão
  • Pressão baixa
  • Falência dos órgãos

Sintomas de trombose arterial

Os sintomas de trombose arterial estão associados ao tipo de quadro apresentado. Os mais comuns são AVC e infarto.

AVC

De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas mais comuns de AVC incluem:

  • Déficit de mobilidade, como paralisação, dormência ou fraqueza de um lado do corpo
  • Dificuldade na fala
  • Alterações visuais
  • Alguns tipos de dores de cabeça podem indicar AVC, como a cefaleia súbita e incomum

Infarto

Grande parte das pessoas que tem infarto não sabe que está passando pelo problema, visto que os sintomas costumam ser comuns a outros acometimentos, como:

  • Dor no peito
  • Arritmia
  • Formigamento unilateral
  • Mal-estar
  • Enjoo
  • Vômito
  • Suor frio
  • Dificuldade de respirar
  • Queimação no estômago

Um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet também indica que há alguns sintomas iniciais de infarto um mês antes de ele acontecer, como distúrbios respiratórios, dor no tórax não específica e desmaios.

Lista de anticoncepcionais que mais causam trombose

Nem todas as pílulas elevam o risco de trombose. As que aumentam a incidência da doença são as do tipo “combinado”, que unem derivados do estrogênio (geralmente na forma de etinilestradiol ou estradiol) a outro hormônio.

Os especialistas entrevistados nessa matéria explicam que mesmo assim não é preciso se preocupar demasiadamente, já que a chance de ter trombose é pequena mesmo para quem ingere esses medicamentos.

Apesar disso, especialmente quem apresenta fatores de risco deve ficar alerta e evitar marcas de anticoncepcionais combinados, como:

  • Selene
  • Diane
  • Allestra
  • Belara
  • Ciclo 21
  • Level
  • Stezza
  • Mercilon
  • Microvilar
  • Siblima

Também há indícios de que especialmente as pílulas combinadas com drospirenona aumentem chance de trombose.

É o que indica um relatório de 2012 do órgão governamental norte-americano Food and Drug Administration (FDA), que regula medicamentos nos Estados Unidos, após analisar seis estudos que atestaram o crescimento da incidência. Entre esses tipos, estão nomes famosos como Yaz, Yasmin e Elani.

Anticoncepcional com menos risco de trombose: minipílula

Mulheres que apresentam fatores de risco para trombose e não querem partir para outros métodos contraceptivos podem apostar em pílulas simples. Também chamadas de minipílulas, elas contém apenas o hormônio progesterona, que costuma surgir na forma de desogestrel, linestrenol ou noretisterona. Algumas marcas que apresentam esses compostos são:

  • Cerazette
  • Norestin
  • Juliet
  • Exluton

Data: 21/02/2018
Fonte: VIX

Источник: https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/imprensa/noticias/trombose-causada-por-anticoncepcional-sintomas-e-pilulas-mais-perigosas

10 Efeitos colaterais da pílula anticoncepcional

10 Efeitos colaterais da pílula anticoncepcional

A pílula anticoncepcional, também chamada de contraceptivo oral, é um método contraceptivo muito confiável, com uma taxa de sucesso ao redor dos 99%.

Além de impedir a gravidez, os anticoncepcionais também são benéficos em outras situações, como no tratamento do hiperandrogenismo (excesso de hormônio masculino), da dismenorreia (cólica menstrual), da menorragia (excesso de menstruação) e da tensão pré-menstrual.

Apesar de ser um fármaco seguro e em uso há muitas décadas, existem várias contra-indicações e possíveis efeitos colaterais relacionados ao uso do anticoncepcional.

A diminuição progressiva das doses de estrogênio e progestina (forma sintética da progesterona) desde a introdução da pílula no mercado na década de 1960 conseguiu obter uma relevante redução nos efeitos secundários, como tromboses e complicações cardiovasculares.

Este artigo vai abordar as principais contraindicações, riscos e efeitos colaterais da pílula anticoncepcional.

Sangramento de escape

Sangramentos escape, ou seja, perdas sanguíneas pela vagina fora do período menstrual, são o efeito colateral mais comum dos contraceptivos orais.

O sangramento de escape não indica falha na eficácia da pílula nem é considerado uma menstruação fora de hora. Ele geralmente ocorre nos primeiros ciclos de uso da pílula pela fragilidade da parede do útero, que costuma tornar-se atrofiado pelo uso do anticoncepcional.

Habitualmente, as pílulas com doses baixas de estrogênio são as que mais provocam sangramento de escape. Com o tempo, porém, o sangramento tende a diminuir e desaparecer.

Uma causa comum de sangramento de escape nas mulheres em uso da pílula é o uso errado do anticoncepcional, principalmente quando a paciente se esquece de tomar o medicamento diariamente. Nestes casos, o sangramento se dá por variações súbitas nos níveis de hormônios e pode estar relacionado a uma falha no efeito protetor da pílula anticoncepcional.

Amenorreia – Ausência de menstruação

Amenorreia é o nome dado à ausência de menstruação. A amenorreia nas mulheres que usam pílula pode ser intencional ou não.

Nas formas de uso contínuo do anticoncepcional, sem intervalos, a ausência de menstruação é uma fato esperado e programado.

Porém, a amenorreia também pode surgir nas mulheres que fazem o uso das pílulas clássicas, aquelas com 4 ou 7 dias de pausa no final de cada cartela.

Nesta situação, a ausência de menstruação não é algo esperado, pois a pausa serve exatamente para que os níveis de hormônios caiam e a menstruação desça normalmente.

A ausência de menstruação nestes casos costuma estar relacionada ao uso de pílulas com baixa dose de estrogênio (20 mcg de etinilestradiol). Em geral, a troca por pílulas com doses mais altas (30 ou 35 mcg de etinilestradiol) costuma resolver o problema. É preciso esclarecer, contudo, que a presença da amenorreia de modo algum indica falha na ação contraceptiva da pílula.

Outro tipo de amenorreia que pode ocorrer é a chamada amenorreia pós-pílula, que é aquela que surge quando a mulher resolve parar de tomar a pílula anticoncepcional.

Um período de 1 ou 2 meses sem menstruação é comum em mulheres que fizeram uso da pílula por muito tempo. Mais de 90% das mulheres, porém, voltam a menstruar normalmente dentro de 3 meses. A ausência de menstruação por mais de 3 meses seguidos é indicação para uma consulta com o ginecologista para investigação da causa.

Ganho de peso

Historicamente e popularmente sempre se acreditou que o uso de anticoncepcionais estaria associado a um ganho de peso. É muito comum ouvir histórias de mulheres que afirmam ter engordado após iniciarem a pílula.

No entanto, os estudos disponíveis até o momento não confirmam esta relação.

Como exemplo, um estudo comparou 49 mulheres saudáveis que haviam iniciado recentemente um contraceptivo oral contendo 30 mcg de etinilestradiol e 75 mcg de gestodeno, com mulheres de idade e peso semelhantes, mas que não tomavam pílula.

Após 6 meses de seguimento, quando os dois grupos foram comparados, notou-se que não havia diferenças relevantes em relação ao ganho de peso, IMC, percentual de gordura e relação cintura-quadril.

Em ambos grupos, cerca de 30% das mulheres ganharam pelo menos meio quilo de peso neste intervalo e cerca de 20% perderam mais de meio quilo, demonstrando que a variação de peso não necessariamente tem a ver com uso da pílula.

Portanto, a famosa afirmação de que anticoncepcional engorda não possui sustentação científica. Para saber mais detalhes sobre o assunto, leia o seguinte artigo:  TOMAR ANTICONCEPCIONAL ENGORDA?

Redução do desejo sexual

Este é outro tema controverso. Popularmente, existe a crença de que o uso da pílula provoca redução da libido nas mulheres. Porém, os resultados dos estudos são contraditórios, pois enquanto alguns trabalhos mostram diminuição do desejo sexual, outros mostraram aumento da libido e da frequência de atos sexuais entre o casal.

Portanto, o efeito parece ser mais individual e estar relacionado a outros fatores de ordem psicológica que não apenas o uso dos anticoncepcionais orais. Algumas mulheres que relacionam a diminuição da libido com o início da pílula referem melhora quando trocam para uma marca com formulação de hormônios diferente.

Anticoncepcional e trombose

Já há alguns anos se conhece a relação entre anticoncepcional e trombose. Nas últimas décadas, a diminuição progressiva nas doses de hormônios existentes nas pilulas anticoncepcionais tem sido bastante eficaz na redução da incidência de complicações, porém, o risco de trombose venosa ainda existe.

Na verdade, em mulheres jovens e saudáveis, o risco de trombose associada à pílula é muito baixo.

Estudos mostram que a incidência de eventos trombóticos em mulheres que usam pílula é de 10 casos para cada 10.000 mulheres contra 5 casos para cada 10.000 que não usam contraceptivos orais.

Portanto, o risco de trombose com o anticoncepcional pode até dobrar, mas ainda assim continua a ser bem baixo, ao redor dos 0,1%.

Só como comparação, o risco de trombose venosa em mulheres grávidas é de pelo menos 30 a cada 10.000. Logo, estar grávida acarreta em um risco 3 vezes maior de trombose do que o uso da pílula.

Em geral, o risco de eventos trombóticos é maior durante o primeiro ano de uso da pílula anticoncepcional. Alguns fatores, contudo, elevam o risco de trombose além do habitual, entre os mais comuns podemos citar:

  • Obesidade.
  • Idade acima de 35 anos.
  • Ser fumante.
  • História familiar de trombofilias ou outras doenças que interfiram na coagulação, como deficiência de proteína S, proteína C ou antitrombina, Fator V de Leiden, hiper-homocisteinemia, anticorpo antifosfolipídeo e síndrome nefrótica.
  • Cirurgias, principalmente as ortopédicas dos membros inferiores.
  • História prévia de eventos trombóticos.

A composição hormonal das pílulas também parece ter influência sobre o risco de trombose. A minipílula, por exemplo, não acarreta em maior risco. Por outro lado, a novas pílulas com progestinas de 3ª geração, como a desogestrel ou o gestodeno, parecem apresentar um risco ligeiramente maior de trombose que as pílulas com progestinas de 2ª geração, como o levonorgestrel.

Para ler sobre trombose, acesse o link:  O QUE É TROMBOSE VENOSA PROFUNDA (TVP).

Anticoncepcional e doenças cardiovasculares

Historicamente, uma grande preocupação em torno do uso de contraceptivos orais era o aumento de eventos cardiovasculares (infartos ou AVC) associados ao uso da pílula. Esse problema, contudo, ocorria com mais frequência décadas atrás, quando as pílulas eram compostas por elevadas doses de hormônios.

A redução do teor de estrogênio nos últimos anos aumentou substancialmente a segurança da pílula. Hoje em dia, o infarto do miocárdio é um evento extremamente raro em mulheres saudáveis em idade reprodutiva. O risco atual é de cerca de 2 casos a cada 10.000 mulheres, ou seja, 0,02%.

Anticoncepcional e hipertensão arterial

Pílulas que contém estrogênio em doses iguais ou maiores que 50 mcg apresentam maior risco de provocar hipertensão arterial, principalmente em mulheres fumantes e/ou com mais de 35 anos.

Atualmente recomenda-se evitar pílulas com estrogênio nas mulheres com as seguintes características:

  • Hipertensão conhecida, mesmo se controlados
  • Cardiopatia isquêmica conhecida ou cardiomiopatia.
  • 35 anos de idade ou mais.
  • Fumantes.
  • Histórico de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar.

Anticoncepcional e câncer

A utilização de contraceptivos orais não está associada com um risco aumentado de câncer em geral. Todavia, há cânceres que parecem ser mais comuns em quem usa pílula, e há cânceres que parecem ser menos comuns.

Por exemplo, os cânceres de cólon, reto, ovário e útero (câncer de endométrio) parecem ser menos comuns em mulheres que usam pílula anticoncepcional. Por outro lado, o câncer de colo de útero e do sistema nervoso central parecem ser mais comuns.

Em relação ao câncer de mama há controvérsias. Exceto nas mulheres que possuem mutação nos genes BRCA 1 ou 2, não há evidências seguras de que o uso dos anticoncepcionais orais aumente o risco de câncer

Infertilidade

Apesar da crença popular, o uso dos anticoncepcionais hormonais não aumenta o risco de infertilidade a longo prazo. Exceto pelos primeiros 2 ou 3 meses de amenorreia, as mulheres que interromperam o uso da pílula, mesmo após anos de uso, conseguem engravidar sem problemas. Na verdade, há estudos que apontam que o uso de anticoncepcionais aumenta a taxa de fertilidade e não o oposto.

Portanto, se a gravidez demorar a acontecer, o casal deve ser investigado para infertilidade, mas é pouco provável que a pílula seja a responsável pelo problema (leia também: COMO ENGRAVIDAR MAIS RÁPIDO).

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/ginecologia/anticoncepcionais/efeitos-colaterais-anticoncepcionais/

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