10 SINTOMAS DO LÚPUS

10 SINTOMAS DO LÚPUS

10 SINTOMAS DO LÚPUS

Lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune de causa ainda desconhecida que pode afetar a pele, articulações, rins, pulmões, sistema nervoso e vários outros órgãos do corpo.

Uma doença autoimune é aquela onde o sistema imunológico equivocadamente passa a produzir anticorpos contra estruturas do nosso próprio corpo. São chamados de auto-anticorpos. Para saber mais sobre doenças autoimunes, leia: DOENÇA AUTOIMUNE.

Neste texto iremos focar nos principais sintomas do lúpus. Temos um texto mais abrangente sobre a doença, abordando não só os sintomas, mas também diagnóstico e tratamento, que pode ser acessado neste link: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO | Sintomas e tratamento.

É importante frisarmos que os pacientes com lúpus não necessariamente apresentam todos os sintomas descritos abaixo. O curso clínico do lúpus é muito variável e pode ser caracterizado por períodos de remissões e recidivas. A doença pode piorar ou melhorar ao longo dos anos, e sintomas que nunca existiram podem surgir de uma hora para outra.

A gravidade do lúpus depende de quais e quantos órgãos são afetados.

Há também uma escala de gravidade em relação ao acometimento de um mesmo órgão, por exemplo, o lúpus pode causar lesões renais muito graves ou praticamente assintomáticas.

Pacientes com  lesões graves de vários órgãos costumam apresentar um mau prognóstico. Já pacientes com  lesões leves e restritas a um ou poucos órgãos podem ter uma vida praticamente normal por décadas.

Sintomas constitucionais

Chamamos de sintomas constitucionais o grupo de sinais e sintomas inespecíficos, que atingem vários sistemas do organismos e são comuns a várias doenças. A principal característica dos sintomas constitucionais é nos dar ideia de que há algo de errado com a saúde sem, todavia, indicar precisamente o origem do problema.

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença que habitualmente manifesta-se com sintomas constitucionais na sua fase inicial. Entre eles os mais comuns são:

  • Cansaço e a intolerância ao exercício – são sintomas extremamente comuns e acometem mais de 80% dos pacientes com lúpus.
  • Dor muscular e sensação de fraqueza.
  • Perda de peso – ocorre de forma não intencional  e geralmente está associada à perda do apetite.
  • Febre.

Sobre a febre vale a pena falarmos um pouco mais. A febre no lúpus pode ocorrer quando a doença está em atividade ou porque há uma infecção em curso. A febre própria do lúpus, ou seja, causada pela doença e não por uma infecção, costuma ser baixa e associada aos outros sintomas do lúpus que serão explicados ao longo do texto.

Pacientes com lúpus apresentam maior susceptibilidade a doenças infecciosas, podendo a febre ser um sinal de infecção em andamento. A febre causada por uma infecção costuma ser mais alta e associada a outros sintomas típicos, como, por exemplo, tosse e expectoração na pneumonia, rigidez de nuca na meningite, dor lombar nas infecções renais (pielonefrite), etc.

Se o paciente já tem o diagnóstico de lúpus, é provável que ele esteja sob tratamento com anti-inflamatórios ou corticoides, medicamentos que diminuem a inflamação do lúpus e inibem a febre. Neste grupo de pacientes a presença de febre deve levantar a suspeita de uma infecção em curso, sendo pouco provável uma febre apenas por atividade da doença.

Alterações articulares

Aproximadamente 95% dos pacientes com lúpus apresentarão acometimento das articulações em algum momento da sua vida.

As manifestações articulares mais comuns são a artralgia (dor nas articulações sem sinais inflamatórios) e a artrite (inflamação das articulações) e costumam estar presentes já nas fases inicias do lúpus (Se você quiser saber mais sobre as diferenças entre artrite e artralgia, leia: ARTRITE e ARTROSE | Sintomas e diferenças).

A artrite no lúpus apresenta algumas características:

  • É uma poliartrite – acomete mais de quatro articulações ao mesmo tempo.
  • É uma artrite simétrica – costuma acometer ambos os joelhos, cotovelos, tornozelos e outras articulações simultaneamente.
  • É migratória – a inflamação de uma articulação pode desaparecer em apenas 24 horas e surgir em outra.
  • Não costuma causar deformidades graves nem cursa rigidez matinal prolongada, como na artrite reumatoide.
  • A dor é desproporcional à aparência física das articulações.

Lesão dos rins

3 em cada 4 pacientes com lúpus irão desenvolver alguma lesão nos rins durante o curso de sua doença. A manifestação renal mais comum é a perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria, caracterizada clinicamente por uma espumação excessiva da urina.

Outros sinais e sintomas do acometimento renal pelo lúpus são:

O acometimento renal mais comum é a glomerulonefrite (lesão do glomérulo renal) causada pela deposição de auto-anticorpos no tecido renal.

Existem cinco tipos de glomerulonefrite provocadas pelo lúpus, reunidas pelo termo nefrite lúpica. São elas:

  • Nefrite lúpica classe I – Glomerulonefrite mesangial mínima.
  • Nefrite lúpica classe II – Glomerulonefrite proliferativa mesangial.
  • Nefrite lúpica classe III – Glomerulonefrite proliferativa focal.
  • Nefrite lúpica classe IV – Glomerulonefrite proliferativa difusa.
  • Nefrite lúpica classe V – Glomerulonefrite membranosa.

As classes III, IV e V são as mais graves, sendo a glomerulonefrite proliferativa difusa (classe IV) a que apresenta pior prognóstico. A glomerulonefrite mesangial mínima (classe I) é a mais branda.

A nefrite lúpica é classifica em classes porque cada uma dessas lesões apresenta prognóstico e tratamentos distintos. Por isso, a identificação de qual tipo de nefrite lúpica o paciente possui é de grande importância.

Apenas com os dados clínicos não é possível se estabelecer qual tipo de nefrite lúpica estamos lidando, já que proteinúria, hematúria e insuficiência renal são achados comuns nas nefrites tipo II, III,IV e V.

Portanto, todo paciente com lúpus manifestando sinais de doença nos rins deve ser submetido à biópsia renal para se identificar qual tipo de lesão no glomérulo que os auto-anticorpos estão causando.

É perfeitamente possível que um paciente apresente mais de uma classe de nefrite lúpica ao mesmo tempo.

As classes I e II não costumam necessitar de tratamento específico, porém, as classes III, IV e V como apresentam pior prognóstico e grande risco de insuficiência renal terminal, são normalmente tratadas com drogas imunossupressoras pesadas. As mais comuns são corticoides (cortisona), ciclofosfamida, ciclosporina, micofenolato mofetil e azatioprina.

Os pacientes não tratados ou que não apresentam boa resposta às drogas, inevitavelmente acabam precisando de hemodiálise.

Lesões de pele

Outro órgão muito frequentemente acometido é a pele. Até 80% dos pacientes com lúpus apresentam algum tipo de envolvimento cutâneo, principalmente nas áreas expostas ao sol.

As lesões típicas incluem o rash malar ou rash em asa de borboleta. Trata-se de uma área avermelhada que encobre as bochechas e o nariz como pode ser visto na foto ao lado (ver imagem no início do artigo).

O rash malar aparece em pelo menos 50% dos pacientes, costuma durar alguns dias e recorre sempre que há exposição solar. Exposição prolongada a luzes fluorescentes também pode desencadear lesões cutâneas.

Outra lesão dermatológica comum é o lúpus discoide, que se caracteriza por placas arredondadas e avermelhadas, mais comuns na face, pescoço e couro cabeludo.

O lúpus discoide pode fazer parte do quadro do lúpus sistêmico, ou ser a única manifestação da doença. Neste último caso, o prognóstico é melhor, já que não há envolvimento de outros órgãos.

Pacientes com lúpus discoide isolado apresentam 10% de chance de evoluírem para o lúpus eritematoso sistêmico. Quanto mais numerosas forem as lesões discoides, maior o risco de evolução para outros órgãos.

Outras lesões dermatológicas comuns são a perda de cabelo, que pode acometer não só o couro cabeludo, mas também sobrancelhas, cílios e barba.

Ulceras orais semelhantes às aftas são comuns, porém, com a diferença de serem normalmente indolores.

Anemia e outras alterações hematológicas

Os auto-anticorpos também podem atacar as células sanguíneas produzidas pela medula óssea. A alteração mais comum é a anemia, que ocorre não só pela destruição das hemácias, mas também pela inibição da produção na medula óssea.

Outra alteração hematológica comum é a diminuição dos glóbulos brancos (leucócitos), chamada de leucopenia. O mecanismo é o mesmo da anemia, destruição e inibição da sua produção. Seguindo o mesmo raciocínio também podemos encontrar a redução do número de plaquetas, chamado de trombocitopenia.

Quando temos queda das três linhagens sanguíneas ao mesmo tempo (hemácias, leucócitos e plaquetas) damos o nome de pancitopenia. Estas alterações podem ser detectadas pelo exame de hemograma.

Qualquer uma dessas alterações nas células do sangue pode ser fatal, seja por grave anemia , por infecções devido à baixa contagem de glóbulos brancos ou por sangramentos espontâneos devido à queda das plaquetas.

Aumento dos linfonodos e do baço também são um achado comum no lúpus e podem ser confundidos com linfoma.

Vasos sanguíneos

Os vasos sanguíneos, principalmente as artérias, também são frequentemente acometidos pelo lúpus.

O fenômeno de Raynaud é uma alteração na coloração dos membros, geralmente mãos ou pés, causado por espasmos dos vasos sanguíneos. O espasmo das artérias provoca uma súbita falta de sangue deixando a mão pálida.

Se o espasmo persistir, a falta de sangue faz com que a mão que estava pálida comece a ficar arroxeada. Esta isquemia pode causar muita dor.

Quando o espasmo desaparece, o rápido retorno do sangue deixa a pele quente e bem avermelhada.

O fenômeno de Raynaud não é exclusivo do lúpus e pode ocorrer mesmo em pessoas sem doença alguma diagnosticada. Frio, cigarro e cafeína podem ser gatilhos para esse sintoma.

Outro problema vascular comum no lúpus é o surgimento de tromboses. A síndrome do anticorpo antifosfolípide é uma doença que ocorre com frequência nos pacientes com lúpus e está associada à formação de múltiplos trombos, tanto nas artérias como nas veias, podendo levar a quadros de AVC, infarto renal, isquemia dos membros, trombose venosa das pernas e embolia pulmonar.

Além das tromboses que ocorrem com a síndrome do anticorpo antifosfolípide, os auto-anticorpos do lúpus podem atacar os vasos sanguíneos diretamente, causando o que chamamos de vasculite. A vasculite pode acometer qualquer vaso do corpo, podendo lesar pele, olhos, cérebro, rins, etc.

Alterações oculares

Os olhos são outros órgãos frequentemente afetados pelo lúpus. A manifestação mais comum é a ceratoconjuntivite sicca, conhecida também como síndrome do olho seco, muito comum na doença de Sjögren, mas que pode ser também um sintoma de lúpus.

Outros sintomas do lúpus relacionado à visão são a vasculite da retina, uveíte anterior (inflamação da íris, parte colorida dos olhos) e a episclerite (inflamação da esclera, parte branca dos olhos).

Alterações neurológicas

O lúpus pode cursar com síndromes neurológicas e psiquiátricas.

As lesões neurológicas ocorrem por tromboses e vasculites, que acabam por provocar AVC.

Alterações psiquiátricas também podem ocorrer devido ao lúpus. As mais comuns são a psicose, onde o paciente começa a ter pensamentos bizarros e alucinações, e a demência, com perda progressiva da memória e da capacidade de efetuar tarefas simples.

Alterações pulmonares

O pulmão e a pleura também são órgãos susceptíveis ao lúpus. Derrame pleural, pneumonite, doença intersticial pulmonar, hipertensão pulmonar e hemorragia alveolar são as manifestações pulmonares mais comuns. Como explicado acima, a embolia pulmonar é uma complicação que pode surgir em pacientes com anticorpos antifosfolípides.

Alterações cardíacas

Doenças cardíacas são comuns entre pacientes com lúpus eritematoso sistêmico. O envolvimento cardíaco pode se manifestar como:

  • Doença valvular, na maioria das vezes como uma regurgitação mitral leve.
  • Endocardite (inflamação das válvulas cardíacas) não infecciosa, chamada de endocardite de Libman-Sacks.
  • Doença do pericárdio (fina membrana que envolve o coração). A manifestação mais comum é a pericardite, inflamação do pericárdio.
  • Doença da artéria coronária.
  • Miocardite, inflamação do músculo cardíaco, que pode levar à insuficiência cardíaca.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/doencas-autoimunes/sintomas-lupus/

Lúpus: já ouviu falar desta doença?

10 SINTOMAS DO LÚPUS

O Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) é uma doença inflamatória crónica autoimune que se carateriza pela produção de anticorpos que atuam contra as células do próprio organismo. Ou seja, é uma doença para toda a vida. Afeta 0,07% da população portuguesa principalmente mulheres em idade reprodutiva, apesar de poder ocorrer em qualquer idade. 

Natália Oliveira

Não é uma doença contagiosa, nem pode ser considerada hereditária. Contudo, existe uma predisposição familiar, que aumenta o risco de os descendentes dos doentes com doença autoimune sofrerem desta patologia. 

Uma doença difícil de diagnosticar 

Diagnosticar o Lúpus não é fácil, admite a médica Natália Oliveira. Porém, é essencial controlar a doença o mais precocemente possível de forma a reduzir o aparecimento de possíveis complicações e danos irreversíveis. 

“O diagnóstico é um desafio. Não existe propriamente nenhum exame que isoladamente confirme o diagnóstico de LES.

Mas a verdade é que existem determinadas caraterísticas no doente com lúpus, desde as manifestações cutâneas, articulares (a chamada artrite, que é o inchaço das articulações), mas também outros sintomas chamados de constitucionais, como a fadiga, a febre, o emagrecimento, a perda de apetite.”

Os chamados sintomas constitucionais são os que podem levar o doente a procurar ajuda médica, mas são também os que tornam mais difícil o diagnóstico da doença.

“Temos que ligar várias coisas, temos de estar atentos à história clínica do doente, quando aparecem os sintomas, se são sintomas permanentes ou se têm poucos dias de evolução, e depois completar com um exame físico minucioso e com um estudo analítico direcionado, à procura de firmar o diagnóstico ou de excluir outras causas alternativas”. 

Esta dificuldade em diagnosticar a doença levou Sofia, de 32 anos, a consultar vários médicos. Refere, de imediato, que o diagnóstico “foi conturbado”, devido em parte “à falta de informação clínica que os próprios médicos sentiram no início”. 

“Havia dificuldades em reconhecer todos os sintomas e tornarem-nos num só”, conta.

Sofia começou a sentir os sintomas em dezembro de 2010, mas só conseguiu chegar a um diagnóstico em junho de 2011. 

Os sintomas

O lúpus afeta, principalmente, a pele e as articulações (cerca de 90% dos doentes têm estes sintomas), mas pode prejudicar qualquer órgão, como por exemplo, os rins, o sistema nervoso central, o coração, os pulmões e os vasos sanguíneos.

Deve prestar principal atenção a estes sinais: fadiga, febre, emagrecimento, perda de apetite, dor, edema (inchaço) nas articulações, fotossensibilidade (sensibilidade excessiva da pele à luz solar), lesões na pele, especialmente manchas vermelhas no rosto em forma de borboleta e lesões em forma de disco. 

Por exemplo, Sofia tinha hemorragias muito facilmente, apresentava muitos hematomas no corpo – “aquelas pancadinhas que a gente volta e meia dá no dia a dia, tornavam-se hematomas enormes” – sentia muito cansaço, algumas alterações de humor e alguma queda de cabelo.

“Eu habituei-me aos sintomas”, conta a doente em resposta à dificuldade dos médicos em estabelecer um diagnóstico. “Acabava por dar uma desculpa. Aquela fadiga, aquele cansaço, a queda de cabelo, a nível clínico era sempre justificada com stress diário.”

Porque aparece mais em mulheres?

Não existe uma causa específica, começa por dizer Natália Oliveira. No entanto, sabe-se que há um conjunto de fatores ambientais, hormonais, imunológicos e genéticos que podem influenciar o aparecimento da doença  .

“O facto de ser mais comum nas mulheres tem a ver com a questão hormonal, as hormonas femininas estão mais elevadas e estão em maior circulação nas mulheres em idade fértil.”, explica. 

Nove em cada dez doentes com lúpus são do sexo feminino e, em termos de prevalência, é mais comum nas mulheres jovens, coincidindo com a idade fértil. Alguns tratamentos exigem o recurso a terapêuticas imunossupressoras, podendo ter um efeito chamado gonadotóxico, que pode causar infertilidade temporária ou permanente, ou pode ter também efeitos na gravidez e ser tóxico para o feto. 

A gravidez e o lúpus

De acordo com a Natália Oliveira, uma mulher com lúpus pode engravidar. Contudo, o ideal é que seja uma gravidez planeada e durante uma fase em que a doença está inativa ou silenciosa. 

“Durante a gravidez pode haver um agravamento do lúpus, ou seja, é importante que a gravidez ocorra numa fase em que a doença esteja mais silenciosa. É preciso um acompanhamento com uma equipa multidisciplinar e uma vigilância mais apertada”, refere. 

Quando descobriu que tinha lúpus, uma das maiores preocupações de Sofia era saber se podia ser mãe.

“Ao sabermos que temos uma disfunção no nosso sistema imunitário, ao gerarmos a criança, temos logo o princípio que a doença poderá atacá-la”. 

“Recordo-me que uma das coisas que a minha médica me dizia na altura é que podiam acontecer duas coisas: a doença poderia acordar e poderia atacar, ou a gravidez podia ser uma lua-de-mel das doenças.

E foram os melhores nove meses da minha vida, não só por estar grávida, mas porque não sentia aquele cansaço.

Sentia-me com uma energia terrível, uma energia que não tinha há algum tempo, misturada com a satisfação de vir a ser mãe.”

Sofia, que tem agora um filho com quatro anos e meio, admite que o acompanhamento médico e a toma rigorosa da medicação foram os ingredientes principais para que a gravidez tivesse corrido bem. 

 Os surtos 

O lúpus pode apresentar fases de atividade, entre elas, os chamados “surtos”, que são períodos de exacerbação da doença, e a fase silenciosa, em que a doença se encontra inativa/adormecida. Há até casos raros em que a doença se pode tornar permanentemente inativa, ou seja, em remissão total. 

Contudo, a remissão “parcial” é a mais frequente, principalmente quando a doença está a ser tratada e se previnem os surtos com as medidas adequadas. Para isso, os doentes devem aderir à terapêutica, evitar situações de stress, usar protetor solar, deixar de fumar e prevenir e tratar infeções que possam surgir.  

“É importante explicar ao doente que pode ter uma vida perfeitamente normal se for devidamente acompanhado e cumprir as terapêuticas. Explicarmos que a doença pode ficar inativa, mesmo que não fique em remissão completa, e que a pessoa pode ter qualidade de vida, é fundamental”, esclarece Natália Oliveira. 

Sofia encontra-se em fase de remissão do lúpus e diz que o único surto que teve foi no início da doença, quando sentiu com maior intensidade os sintomas, as dores articulares e muito cansaço.

“Posso dizer que estou em remissão há cerca de oito anos.”

A autoestima 

O lúpus é facilmente associado à imagem de umas manchas vermelhas em forma de borboleta no rosto. Apesar de nem todas as pessoas apresentarem este sintoma, conhecido como “rash malar”, sabe-se que a doença pode trazer outro tipo de lesões cutâneas.

“Também apresento algumas vezes esse rash malar”, confessa Sofia, acrescentando que essas lesões aparecem, normalmente, quando apanha sol.

“As pessoas comentam: olha, estás muito vermelha. Mas não sabem o que é, pensam que pode ser um problema de pele, que posso estar mais corada, mas não associam ao lúpus.”

Porém, não são estas lesões que mais incomodam Sofia.

“Acho que a questão do lúpus que mexe mais com a nossa autoestima tem a ver com os tratamentos e, no meu caso, foram os corticoides, que me fizeram inchar e perder o meu aspeto normal”, conta. 

Terapêutica

O LES é uma doença incurável, mas pode ser controlada sob tratamento adequado. Embora a sua evolução seja imprevisível, quando bem orientado e tratado, a pessoa com LES pode viver com boa qualidade de vida. Sem tratamento pode tornar-se grave e fatal.

O tratamento inclui terapêutica farmacológica (medicamentos), adequado ao equilíbrio entre exercício e repouso, e uma dieta saudável e equilibrada. É ainda de extrema importância, evitar a exposição aos raios ultravioletas (solares ou artificiais), o uso do protetor solar, evitar situações de stress, e a cessação tabágica.

Dos medicamentos com eficácia comprovada no tratamento do LES, destacam-se os antimaláricos (ex: Hidroxicloroquina), os corticoesteroides e os imunossupressores, em especial o metotrexato, a azatioprina, o micofenolato de mofetil, a ciclofosfamida e mais recentemente, e em situações muito específicas, o Belimumabe.

A terapêutica biológica, no seu conjunto, já existe há alguns anos, porém, para o lúpus é uma situação mais recente. Entre este tipo de medicamento com eficácia comprovada no tratamento do lúpus, está o Belimumabe, fármaco que não pode ser utilizado em todos os doentes  

“O Belimumabe é utilizado em situações muito específicas, com elevada atividade da doença. Ou seja, não é um fármaco de primeira linha. É administrado a doentes que não tiveram uma resposta adequada ao tratamento de primeira linha e em doentes que estão dependentes de doses altas de corticoterapia”, esclarece Natália Oliveira. 

Este tipo de terapêutica é sempre usada em associação com a terapia dita “standard”, ou seja, não é usada isoladamente e até há situações em que o seu uso não é recomendado.

As novas linhas de tratamento relativas ao lúpus serão abordadas na 1.ª edição das Jornadas de Medicina Interna dos Hospitais Trofa Saúde do Minho, que se vão realizar no Hospital Trofa Saúde Braga Centro, que identifica e debate as doenças que mais afetam os portugueses.

Источник: https://sicnoticias.pt/saude-e-bem-estar/2019-10-16-Lupus-ja-ouviu-falar-desta-doenca-

Lúpus: 9 perguntas e respostas sobre a doença

10 SINTOMAS DO LÚPUS

Trata-se de uma doença inflamatória crônica de origem autoimune – isto é, ocorre uma produção excessiva de anticorpos contra as próprias células do organismo ou contra proteínas existentes no núcleo celular. Há dois tipos principais: o lúpus cutâneo, que se restringe à pele, e o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), que também atinge outros órgãos.

Pesquisas apontam que a prevalência do lúpus varia entre 1 a cada 2 mil pessoas e 1 a cada 10 mil. Não há estudos epidemiológicos feitos aqui no Brasil, mas especialistas acreditam que os números sejam os mesmos de outros países.

3. O lúpus atinge mais o sexo masculino ou feminino?

“90% dos casos são em mulheres, principalmente naquelas entre 15 e 45 anos de idade”, informa a médica Emilia Inoue Sato, professora titular de reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Isso porque é nessa faixa etária que os hormônios estão mais atuantes. E, nesse caso, o estrógeno chama a atenção. “Ele é um facilitador de linfócitos, células produtoras de anticorpos”, explica a reumatologista.

4. O que pode desencadear o lúpus?

Fatores genéticos, hormonais e também ambientais – a exposição ao sol, por exemplo, é um deles. “É que a luz ultravioleta pode ativar o lúpus”, conta Emilia. Além disso, outros elementos podem servir de pontapé para o aparecimento do problema, como infecções virais e até medicamentos.

5. Quais são os sintomas?

Nem todas as pessoas manifestam o lúpus da mesma maneira, pois os sintomas variam de acordo com a fase em que a enfermidade se encontra (atividade ou remissão) e o local onde ocorre a inflamação. Mas é comum que pacientes com LES apresentem cansaço, desânimo, febre e perda de peso nos períodos em que a doença está ativa. Além disso, são comuns:

Continua após a publicidade

  • Dor e inchaço nas articulações (principalmente nas mãos);
  • Manchas vermelhas na pele, em especial nas maçãs do rosto e que pioram ao tomar sol;
  • Inchaço ou dificuldade para urinar devido à inflamação nos rins;
  • Dores no peito ou para respirar decorrentes de inflamações nas membranas que recobrem os pulmões e o coração;
  • Problemas neurológicos – a exemplo de convulsão e psicose -, em virtude de comprometimento do sistema nervoso central.

6. Como é feito o diagnóstico?

A identificação do lúpus é baseada em manifestações clínicas e alterações notadas em testes laboratoriais, principalmente os de sangue. Não há um exame que tenha alta especificidade e sensibilidade para o diagnóstico do LES.

7. Existe um tratamento?

Por ser uma doença crônica, o lúpus não tem cura. No entanto, é possível controlá-lo não só com medicamentos, mas também com a adoção de certos hábitos.

“Entre eles estão evitar exposição ao sol, prevenir-se de infecções e praticar atividade física nas fases em que a doença não estiver ativa”, recomenda a reumatologista Lilian Tereza Lavras Costallat, professora titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista.

Quanto aos remédios usados no tratamento, os pacientes devem tomar hidroxicloroquina, substância que previne a doença de entrar em atividade. Já os corticoesteroides são indicados para a fase inflamatória aguda do lúpus.

Se mesmo assim não houver controle, a indicação é associar outro medicamento que ajude a atenuar o processo inflamatório ou a reduzir a resposta imunológica do organismo.

“Mas o tratamento depende muito das manifestações que o paciente apresenta”, pondera Lilian Costallat.

Se afetar o rim, por exemplo, é possível que a pessoa tenha de passar por um transplante. Foi o que aconteceu com a cantora americana Selina Gomez, para citar um caso famoso.

8. A pessoa com lúpus precisa de cuidados especiais?

Sim.

Entre eles estão evitar exposição ao sol; parar de fumar, já que o cigarro reduz a ação da hidroxicloroquina; fazer exercícios; adotar uma dieta rica em cálcio para prevenir a osteoporose, associada ao uso de corticoesteroides; e não consumir alimentos ricos em gordura e açúcar, afastando, assim, os picos de colesterol e triglicérides e o risco de aumento da glicemia, também ligado a esses medicamentos.

9. A mulher com lúpus pode ter filhos?

Sim, desde que a doença esteja controlada por, no mínimo, seis meses e a paciente não faça uso de medicamentos que possam fazer mal ao feto. Mesmo assim, a gravidez precisa de cuidados e acompanhamento médico mais rigorosos. “Pessoas que ficaram com disfunções importantes em órgãos como rim, coração ou pulmão não devem engravidar”, alerta Emilia Inoue Sato.

Continua após a publicidade

  • Doenças em geral
  • Lúpus
  • Medicina

Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/lupus-9-perguntas-e-respostas-sobre-a-doenca/

Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) – Sociedade Brasileira de Reumatologia

10 SINTOMAS DO LÚPUS

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas lúpus) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, cujos sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (em meses) ou mais rapidamente (em semanas) e variam com fases de atividade e de remissão.

São reconhecidos dois tipos principais de lúpus: o cutâneo, que se manifesta apenas com manchas na pele (geralmente avermelhadas ou eritematosas e daí o nome lúpus eritematoso), principalmente nas áreas que ficam expostas à luz solar (rosto, orelhas, colo (“V” do decote) e nos braços) e o sistêmico, no qual um ou mais órgãos internos são acometidos.

Por ser uma doença do sistema imunológico, que é responsável pela produção de anticorpos e organização dos mecanismos de inflamação em todos os órgãos, quando a pessoa tem LES ela pode ter diferentes tipos sintomas e vários locais do corpo. Alguns sintomas são gerais como a febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo.

Outros, específicos de cada órgão como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação da pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins.

Quem tem lúpus?

O lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém as mulheres são muito mais acometidas. Ocorre principalmente entre 20 e 45 anos, sendo um pouco mais freqüente em pessoas mestiças e nos afro-descendentes. No Brasil, não dispomos de números exatos, mas as estimativas indicam que existam cerca de 65.

000 pessoas com lúpus, sendo a maioria mulheres. Acredita-se assim que uma a cada 1.700 mulheres no Brasil tenha a doença. Desta forma, em uma cidade como o Rio de Janeiro teríamos cerca de 4.000 pessoas com lúpus e em São Paulo aproximadamente 6.000.

Por essa razão, para os reumatologistas, o lúpus é uma doença razoavelmente comum no seu dia-a-dia.

O que causa o lúpus?

Embora a causa do LES não seja conhecida, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais participam de seu desenvolvimento.

Portanto, pessoas que nascem com susceptibilidade genética para desenvolver a doença, em algum momento, após uma interação com fatores ambientais (irradiação solar, infecções virais ou por outros micro-organismos), passam a apresentar alterações imunológicas.

A principal delas é o desequilíbrio na produção de anticorpos que reagem com proteínas do próprio organismo e causam inflamação em diversos órgãos como na pele, mucosas, pleura e pulmões, articulações, rins etc.).

Dessa forma, entendemos que o tipo de sintoma que a pessoa desenvolve, depende do tipo de autoanticorpo que a pessoa tem e, que como o desenvolvimento de cada anticorpo se relaciona às características genéticas de cada pessoa, cada pessoa com lúpus tende a ter manifestações clínicas (sintomas) específicas e muito pessoais.

Quais são os sintomas da doença?

Os sintomas do LES são diversos e tipicamente variam em intensidade de acordo com a fase de atividade ou remissão da doença. É muito comum que a pessoa apresente manifestações gerais como cansaço, desânimo, febre baixa (mas raramente, pode ser alta), emagrecimento e perda de apetite.

As manifestações podem ocorrer devido à inflamação na pele, articulações (juntas), rins, nervos, cérebro e membranas que recobrem o pulmão (pleura) e o coração (pericárdio).

Outras manifestações podem ocorrer devido à diminuição das células do sangue (glóbulos vermelhos e brancos), devido a anticorpos contra essas células. Esses sintomas podem surgir isoladamente, ou em conjunto e podem ocorrer ao mesmo tempo ou de forma seqüencial.

Crianças, adolescentes ou mesmo adultos podem apresentar inchação dos gânglios (ínguas), que geralmente é acompanhada por febre e pode ser confundida com os sintomas de infecções como a rubéola ou mononucleose.

As manifestações clínicas mais freqüentes são:

a) Lesões de pele: ocorrem em cerca de 80% dos casos, ao longo da evolução da doença. As lesões mais características são manchas avermelhadas nas maçãs do rosto e dorso do nariz, denominadas lesões em asa de borboleta (a distribuição no rosto lembra uma borboleta) e que não deixam cicatriz.

As lesões discóides, que também ocorrem mais frequentemente em áreas expostas à luz, são bem delimitadas e podem deixar cicatrizes com atrofia e alterações na cor da pele. Na pele também pode ocorrer vasculite (inflamação de pequenos vasos), causando manchas vermelhas ou vinhosas, dolorosas em  pontas dos dedos das mãos ou dos pés.

Outra manifestação muito característica no LES é o que se chama de fotossensibilidade, que nada mais é do que o desenvolvimento de uma sensibilidade desproporcional à luz solar. Neste caso, com apenas um pouco de exposição à claridade ou ao sol, podem surgir tanto manchas na pele como sintomas gerais (cansaço) ou febre.

A queda de cabelos é muito frequente mas ocorre tipicamente nas fases de atividade da doença e na maioria das pessoas, o cabelo volta a crescer normalmente com o tratamento.

b) Articulares: a dor com ou sem inchaço nas juntas ocorre, em algum momento, em mais de 90% das pessoas com LES e envolve principalmente nas juntas das mãos, punhos, joelhos e pés, tendem a ser bastante dolorosas e ocorrem de forma intermitente, com períodos de melhora e piora. Às vezes também surgem como tendinites.

c) A inflamação das membranas que recobrem o pulmão (pleuris) e coração (pericardite) são relativamente comuns, podendo ser leves e assintomáticas, ou, se manifestar como dor no peito. Caracteristicamente no caso da pleuris, a dor ocorre ao respirar, podendo  causar também tosse seca e falta de ar. Na pericardite, além da dor no peito, pode haver palpitações e falta de ar.

d) Inflamação nos rins (nefrite): é uma das que mais preocupam e ocorrem em cerca de 50% das pessoas com LES. No início pode não haver qualquer sintoma, apenas alterações nos exames de sangue e/ou urina.

Nas formas mais graves, surge pressão alta, inchaço nas pernas, a urina fica espumosa, podendo haver diminuição da quantidade de urina.

Quando não tratada rapidamente e adequadamente o rim deixa de funcionar (insuficiência renal) e o paciente pode precisar fazer diálise ou transplante renal.

e) Alterações neuro-psiquiátricas: essas manifestações são menos frequentes, mas podem causar convulsões, alterações de humor ou comportamento (psicoses), depressão e alterações dos nervos periféricos e da medula espinhal.

f) Sangue: as alterações nas células do sangue são devido aos anticorpos contra estas células, causando sua destruição.

Assim, se os anticorpos forem contra os glóbulos vermelhos (hemácias) vai causar anemia, contra os glóbulos brancos vai causar diminuição de células brancas (leucopenia ou linfopenia) e se forem contra as plaquetas causará diminuição de plaquetas (plaquetopenia). Os sintomas causados pelas alterações nas células do sangue são muito variáveis.

A anemia pode causar palidez da pele e mucosas e cansaço e a plaquetopenia poderá causar aumento do sangramento menstrual, hematomas e sangramento gengival. Geralmente a diminuição dos glóbulos brancos é assintomática.

Como o diagnóstico é feito?

O diagnóstico é feito através do reconhecimento pelo médico de um ou mais dos sintomas acima. Ao mesmo tempo, como algumas alterações nos exames de sangue e urina são muito características, eles também são habitualmente utilizados para a definição final do diagnóstico.

Exames comuns de sangue e urina são úteis não só para o diagnóstico da doença, mas também são muito importantes para definir se há atividade do LES.

Embora não exista um exame que seja exclusivo do LES (100% específico), a presença do exame chamado FAN (fator ou anticorpo antinuclear), principalmente com títulos elevados, em uma pessoa com sinais e sintomas característicos de LES, permite o diagnóstico com muita certeza.

Outros testes laboratoriais como os anticorpos anti-Sm e anti-DNA são muito específicos, mas ocorrem em apenas 40% a 50% das pessoas com LES. Ao mesmo tempo, alguns exames de sangue e/ou de urina podem ser solicitados para auxiliar não no diagnóstico do LES, mas para identificar se há ou não sinais de atividade da doença.

Existem critérios desenvolvidos pelo Colégio Americano de Reumatologia, que podem ser úteis para auxiliar no diagnóstico do LES, mas não é obrigatório que a pessoa com LES seja enquadrada nesses critérios para que o diagnóstico de LES seja feito e que o tratamento seja iniciado.

Conheça o projeto Falando de Lúpus e descubra tudo sobre a doença:

https://www..com/falandodelupus/

Источник: https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/lupus-eritematoso-sistemico-les/

Lúpus Eritematoso Sistêmico: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamentos

10 SINTOMAS DO LÚPUS

Abaixo neste texto, (com vídeos, fotos e informações do programa Bem Estar), o G1 responde:

  • O que é o lúpus?
  • Existe causa para o lúpus?
  • Quais os principais tratamentos
  • Os tipos de lúpus
  • Sintomas e sinais de alerta
  • Diagnóstico
  • É uma doença grave?
  • Tratamento
  • Cuidados básicos

O Lúpus é uma doença inflamatória crônica, de origem autoimune (quando o sistema imunológico ataca o próprio organismo). De acordo com o reumatologista da UERJ Evandro Mendes Klumb, o lúpus é uma doença do desequilíbrio. O conjunto das alterações ambientais, com fatores genéticos e hormonais, desequilibram o organismo, que passa a apresentar alterações imunológicas.

A principal é a produção desregulada de anticorpos que reagem com proteínas do próprio organismo e causam inflamação em diversos órgãos, como pele, mucosas, pulmões, articulações e rins.

Não existe uma causa estabelecida e não existem maneiras conhecidas de impedir o aparecimento da doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais contribuem para seu desenvolvimento.

O lúpus tem dois tipos: cutâneo (manchas na pele) e sistêmico (atinge um ou mais órgãos).

Astrid Fontenelle fala sobre o lúpus

Sintomas do lúpus e sinais de alerta

Os sintomas podem variar, mas é comum que o paciente apresente cansaço, febre baixa, emagrecimento e perda de apetite. Também pode haver inchaço dos gânglios.

A doença provoca uma inflamação nos vasos sanguíneos, e como eles estão por toda parte do corpo, pode disseminar para qualquer lugar do organismo, tendo consequências mais sérias quando atinge os rins e o sistema neurológico.

  • dor articular
  • cansaço desproporcional e sem explicação
  • manchas na pele
  • queda de cabelo (porque o folículo fica inflamado)
  • dor para respirar, parece uma dor muscular, mas não vai embora
  • febre

1 de 3
Mancha em formato de borboleta é um dos sinais da doença. — Foto: Reprodução/Bem Estar

Mancha em formato de borboleta é um dos sinais da doença. — Foto: Reprodução/Bem Estar

Esses sintomas não precisam se manifestar ao mesmo tempo. Outros sintomas são: emagrecimento, anemia, perda de apetite, desânimo e fraqueza.

Também pode ocorrer mudanças no corpo:

  • Lesões na pele (80% dos casos): a mais característica é a ‘borboleta’
  • Dores com ou sem inchaço nas articulações das mãos, punhos, joelhos e pés
  • Inflamação das membranas que recobrem o pulmão e coração (pode não ter sintoma ou apresentar dor no peito, tosse seca e falta de ar)
  • Inflamação nos rins (nefrite)

Entenda como funciona o tratamento de lúpus

Geralmente, são 18 meses entre o aparecimento do primeiro sintoma e diagnóstico de lúpus. Não existe um exame único que afirme a presença da doença. É uma junção de fatores. Exames e sintomas clínicos do paciente são analisados para fechar diagnóstico.

O lúpus é uma doença grave?

O lúpus grave ou agudo atinge menos de 20% dos portadores da doença. Mais de 90% dos pacientes que tratam o lúpus e levam as orientações médicas a sério respondem bem ao tratamento e quase não sofrem com os sintomas da doença.

O tempo médio de tratamento é de cinco anos e há casos de pessoas que, depois de tratadas, não voltam a manifestar a doença.

O tratamento depende do tipo de manifestação da doença. O tratamento inclui remédios para regular as alterações imunológicas e medicamentos para tratar outras alterações decorrentes da doença, como hipertensão, febre, dor, entre outras.

Para tratar as alterações imunológicas, são usados medicamentos como corticóides, antimaláricos e imunossupressores. Outros sintomas podem ser tratados com analgésicos ou anti-inflamatórios. Os pacientes devem evitar exposição ao sol, que pode desencadear uma reação imunológica nos pacientes.

2 de 3
Foto mostra como são as lesões na pele de quem tem lúpus. A mais característica é a ‘borboleta’. — Foto: BSIP via AFP/Arquivo

Foto mostra como são as lesões na pele de quem tem lúpus. A mais característica é a ‘borboleta’. — Foto: BSIP via AFP/Arquivo

A doença não tem cura, mas pode ser controlada com remédios e alguns cuidados básicos, como:

  • protetor solar;
  • alimentação saudável e equilibrada;
  • evitar condições que provoquem estresse;
  • medidas de higiene;
  • suspensão do uso de anticoncepcional com estrogênio;
  • não fumar e não abusar do álcool;
  • praticar atividade física.

As medicações para o lúpus se dividem em três categorias, organizadas como uma pirâmide. A base é composta por hidroxicloroquina, substância adotada, praticamente, em todos os tratamentos. No meio estão os corticoides e imunossupressores, usados em momentos de crises. No topo ficam os remédios para manifestações específicas, de acordo com o órgão afetado pela doença.

“A vantagem é que a gente começa a ter um arsenal terapêutico muito mais importante para lidar com a manifestação. Se eu tenho uma doença que é extremamente heterogênea, se ela se apresenta de diversas formas, eu posso atuar nela também de diversas formas”, explica o reumatologista do laboratório de lúpus da UNIFESP Edgard Reis.

Para o lúpus ficar controlado, só a medicação não basta. É fundamental fazer atividade física, de acordo com a capacidade do corpo, manter uma alimentação saudável e sempre se proteger do sol. Também é importante fazer acompanhamento médico com regularidade, porque, mesmo com os cuidados, a doença pode despertar e apresentar sinais diferentes a cada crise.

Quem é afetado pelo lúpus?

O lúpus atinge 9 mulheres para cada homem, normalmente entre 20 e 45 anos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, estima-se que, no Brasil, existem cerca de 100 mil pessoas com lúpus.

Diagnóstico do lúpus pode demorar

Presidente do Instituto Dé Mendonça (Lupuscare), Eliana Mendonça é mãe da Daniella. Foram nove meses até o diagnóstico do lúpus, em 1982, aos 15 anos. Daniella morreu aos 50 anos, depois de 35 anos de luta. Eliana criou o instituto para homenagear a filha e também ajudar outras mães e portadores de lúpus a ter mais informação, atendimento e qualidade de vida.

3 de 3
Lúpus – entenda como ocorre, tratamentos e o que é a doença. — Foto: Editoria de Arte/G1

Lúpus – entenda como ocorre, tratamentos e o que é a doença. — Foto: Editoria de Arte/G1

Médicas tiram dúvidas sobre lúpus e psoríase (Relembre como foi o chat exclusivo para a web em março de 2012)

Lúpus foi o principal tema do Bem Estar desta quinta-feira (10/05/2018) – Veja a íntegra do programa

Источник: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/lupus-sintomas-diagnostico-e-tratamentos.ghtml

Sobre a Medicina
Deixe uma resposta

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!: