8 principais causas de diarreia crônica e o que fazer

Diarreia

8 principais causas de diarreia crônica e o que fazer

Quadros de diarreia podem ocorrer em algum momento da vida, mas é importante identificar quando é necessário intervenção médica, principalmente quando se trata de crianças e idosos, que podem desidratar muito depressa.

As principais características da diarreia são o aumento do número de evacuações e a perda de consistência das fezes, que se tornam aguadas. Uma das complicações mais perigosas é a desidratação. Adultos são mais resistentes, mas bebês, crianças e idosos desidratam-se com facilidade, até em menos de 1 dia.

Boca seca, lábios rachados, letargia, confusão mental e diminuição da quantidade de urina são sintomas de desidratação que, além de diminuir as reservas de água do corpo humano — constituído por cerca de 75% de água –, reduzem os níveis de dois importantes minerais: sódio e potássio.

Veja também: Listas de alimentos que devem ser consumidos e evitados em casos de diarreia

Causas de diarreia

Embora estejamos acostumados a relacionar diarreia à intoxicação alimentar (logo pensamos no que comemos antes do episódio, tentando identificar alguma comida diferente do habitual), há muitas causas possíveis:

  • Toxinas bacterianas como a do estafilococus;
  • Infecções por bactérias como a Salmonella e a Shighella;
  • Infecções virais;
  • Disfunção da motilidade do tubo digestivo;
  • Parasitas intestinais causadores de amebíase e giardíase;
  • Efeitos colaterais de algumas drogas, por exemplo, antibióticos, altas doses de vitamina C e alguns medicamentos para o coração e câncer;
  • Uso de antibióticos;
  • Abuso de laxantes;
  • Intolerância a derivados do leite pela dificuldade de digerir lactose (açúcar do leite);
  • Intolerância ao sorbitol, adoçante obtido a partir da glicose.

Tipos de diarreia

  • Diarreia comum: Caracteriza-se normalmente por provocar apenas fezes soltas e aguadas e durar no máximo 2 semanas. Ocorre mais em crianças. Pode estar associada a uma combinação de estresse, remédios e alimentos. Por exemplo, excesso de gorduras, de cafeína, mudança do tipo de água ingerida ou mesmo ansiedade diante de acontecimentos importantes podem provocar esse tipo de diarreia;
  • Diarreia infecciosa: Comum em crianças, provoca além dos sintomas da diarreia comum, febre, perda de energia e de apetite. É causada por vírus e bactérias. Se não for convenientemente tratada, pode demorar até 1 semana para os sintomas desaparecerem;
  • Diarreia crônica: Dura mais de 2 semanas seguidas, mesmo que os casos de evacuações típicas de diarreia sejam pontuais durante esse período. Nesses casos, é necessário investigar a causa. As mais frequentes são intolerâncias alimentares (como à lactose ou ao glúten) e a síndrome do intestino irritável.
  • Amebíase: Pode ocasionar desde leve dor de estômago e flatulência até febre, prisão de ventre, debilidade física e fezes aguadas com manchas de sangue. É causada por um protozoário que invade o sistema gastrintestinal transportado por água ou comida contaminada. Infecção típica dos trópicos, manifesta-se também nos habitantes de regiões de clima temperado;
  • Giardíase: Causada pela giárdia, um protozoário, seus sintomas variam da simples dor estomacal à diarreia persistente ou à presença de fezes pastosas. Outros sintomas também podem aparecer: desconforto abdominal, eructação (arroto), dor de cabeça e fadiga. A giárdia espalha-se no aparelho digestivo através da ingestão de água e alimentos contaminados. Também pode ser transmitida por relações sexuais ou por excrementos;
  • Intolerância à lactose: Algumas pessoas não conseguem digerir a lactose, açúcar encontrado no leite e seus derivados, porque não produzem uma enzima chamada lactase. Entre seus sintomas, destacam-se tanto diarreia quanto prisão de ventre, desarranjos estomacais e gases.

O que consumir e o que evitar se estiver com diarreia

  • Não deixe de comer. Em geral, pessoas com diarreia associam comida à disfunção gastrintestinal e suspendem toda a alimentação. Tal medida, além de agravar o quadro de desidratação, suspende o fornecimento dos nutrientes necessários para o organismo reagir. Prefira ingerir arroz, caldos de carne magra, bananas, maçãs e torradas. Esses alimentos dão mais consistência às fezes e a banana, especialmente, é rica em potássio;
  • Suspenda a ingestão de alimentos com resíduos: saladas, bagaço de frutas, sementes e outros que contenham fibras;
  • Beba muito líquido, de 2 a 3 litros por dia. Como a água não repõe a perda de sódio e potássio, procure suprir essa necessidade com soro caseiro ou outros líquidos que contenham tais substâncias. Chás de camomila, erva-doce e hortelã, por exemplo, podem ajudar;
  • Pessoas com pressão alta, diabetes, glaucoma, doenças cardíacas ou com histórico de derrames devem consultar o médico antes de ingerir bebidas que contenha sódio porque correm o risco de elevar a pressão;
  • Evite café, leite e sucos de frutas;
  • Evite consumir álcool, que é um desidratante poderoso;
  • Evite alimentos muito temperados ou com alto teor de gordura (frituras, alguns cortes de carne, embutidos etc.) até que as fezes voltem ao normal;
  • Não faça uso de adoçantes à base de sorbitol;
  • Evite consumir leite e derivados, principalmente se tiver intolerância à lactose. Lembre-se, porém, de suprir a necessidade de cálcio ingerindo alimentos como salmão, tofu etc.

Quando procurar ajuda médica

Diarreia pode ser sintoma inicial de várias doenças graves: úlcera gastrointestinal, alguns tipos de câncer, aids e de patologias que acarretam a má absorção dos nutrientes. Não se descuide e procure assistência médica imediatamente:

  • Se os sintomas não passarem em 1 ou 2 dias. Crianças e idosos desidratam muito depressa. É preciso estar alerta;
  • Em caso de crianças, se elas tiverem mais de 3 ou 4 episódios de diarreia e estiverem bebendo pouco líquido. Caso estejam bebendo líquidos e urinando normalmente, procurar um médico se a criança estiver com diarreia por 2 dias ou se tiver mais que 6 a 8 episódios em um único dia;
  • Se houver sinais de desidratação, como apatia, boca seca e choro sem lágrimas;
  • Se houver presença de sangue nas fezes que adquirem coloração preta ou avermelhada;
  • Se as fezes adquiriram aspecto volumoso e com traços evidentes de gordura indicativos de má absorção;
  • Se os episódios de diarreia forem repetidos e, principalmente, se eles se alternarem com crises de prisão de ventre (sintomas sugestivos de tumores intestinais).

Recomendações para evitar a diarreia

  • Não se esqueça de lavar bem as mãos várias vezes por dia e, especialmente, antes das refeições;
  • Não deixe de ferver a água de rios, lagos, riachos ou mesmo a de torneiras nos locais em que não seja tratada, se tiver necessidade de bebê-la;
  • Não beba refrigerantes ou outra bebida qualquer no próprio vasilhame. Use um copo limpo;
  • Faça gelo com água tratada ou fervida.

Perguntas frequentes sobre diarreia

Como saber se a diarreia é sintoma de uma infecção?

Geralmente, diarreias decorrentes de infecções começam repentinamente. Outros sinais incluem febre, náuseas e vômito.

Diarreia é o mesmo que disenteria?

Não. A disenteria é um quadro clínico caracterizado por inflamação do intestino, o que causa dor abdominal e diarreia com sangue, muco ou pus.

A inflamação pode ter várias causas, geralmente infecções por bactérias e vírus ou verminoses. Uma das causas mais comuns é a ingestão de alimentos ou água contaminados pela bactéria Shigella.

Embora o tratamento geralmente seja simples, é necessário procurar ajuda médica imediatamente, pois há risco de desidratação.

Como identificar diarreia em crianças?

Bebês que ainda não ingerem alimentos sólidos podem ter fezes mais líquidas, mas ainda assim, em geral elas não são totalmente líquidas.

Nesses casos, fique atento ao número de evacuações e em mudanças na consistência. Também procure assistência se houver fezes aquosas por mais de 24 horas.

Lembre-se que bebês e crianças desidratam muito rapidamente, possivelmente em menos de 1 dia, daí a importância de estar sempre atento.

Como preparar o soro caseiro?

O soro é extremamente importante porque repõe não só a água, mas eletrólitos essenciais para o organismo. Use 1 litro de água mineral, filtrada ou fervida. Misture uma colher pequena (café) de sal e uma grande (sopa) de açúcar. Se usar água fervida, espere esfriar para fazer a mistura. Tome em colheradas ao longo de todo o dia.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/diarreia/

Diarreia constante: 6 principais causas e como tratar

8 principais causas de diarreia crônica e o que fazer

A diarreia constante pode ser causada por inúmeros fatores, sendo os mais frequentes infecções por vírus e bactérias, uso prolongado de medicamentos, alergias alimentares, distúrbios intestinais ou doenças, que geralmente provocam outros sintomas como mal estar, dor abdominal, enjoos e vômitos.

O tratamento depende da causa que está na sua origem, mas para todas elas é muito importante evitar a desidratação através da ingestão de líquidos ou de soluções de reidratação oral. Existem também remédios que podem ajudar a parar a diarreia, mas que só devem ser usados por indicação médica, podendo-se também fazer uso de remédios caseiros. 

1. Vírus, bactérias e parasitas

As infecções por vírus e bactérias geralmente causam o surgimento repentino de diarreia intensa, acompanhada de outros sintomas como náuseas e vômitos, dor de cabeça e dor muscular, febre, arrepios, perda de apetite, perda de peso e dor abdominal. Porém, no caso de infecções por parasitas, esses sintomas demoram mais tempo para surgir e duram por mais tempo, podendo levar ao surgimento de diarreia constante.

Este tipo de infecções geralmente ocorre devido à ingestão de água contaminada, peixe ou carnes crus ou mal cozidos que estejam contaminados ou por manusear alimentos sem lavar bem as mãos. Alguns dos alimentos mais frequentemente contaminados são o leite, carne, ovos e verduras. Saiba como identificar os sintomas de uma intoxicação alimentar.

Como tratar

No caso da infecção ser provocada por vírus, o tratamento consiste na prevenção da desidratação, através da ingestão de líquidos e soluções de reidratação oral. Em casos mais graves, pode ser necessário administrar fluídos na veia.

Já o tratamento da intoxicação alimentar por parasitas e bactérias depende da gravidade da infecção, e embora possa ser curado em casa, ingerindo muitos líquidos e evitando alimentos com gordura, lactose ou cafeína, em muitos casos é necessário consultar um médico, clínico geral, pediatra ou gastroenterologista, para iniciar o tratamento com antibióticos e remédios antiparasitários.

2. Uso prolongado de remédios

Alguns medicamentos, como os antibióticos, remédios para o câncer ou antiácidos contendo magnésio podem causar diarreia.

A diarreia provocada pelos antibióticos acontece porque estes atacam as bactérias boas e más do organismo, destruindo assim a microbiota intestinal e dificultando a digestão.

Dependendo do tipo de medicamento, a diarreia pode ser constante, especialmente se o medicamento precisar ser ingeridos todos os dias por muito tempo.

Como tratar

No caso dos antibióticos, uma boa solução para evitar ou atenuar a diarreia é tomar junto um probiótico, que tem na sua composição bactérias boas para o intestino que vão ajudar a restabelecer a flora intestinal. Veja outros benefícios dos probióticos. No caso dos antiácidos com magnésio, o ideal é optar por associações que além desta substância ativa, contenham também alumínio, que ajuda a reduzir a diarreia.

3. Intolerância à lactose

A lactose é um açúcar que pode ser encontrado no leite e derivados.

Algumas pessoas são intolerantes a este açúcar porque não têm ou têm quantidade insuficiente de uma enzima chamada lactase, que é responsável por degradar este açúcar em açúcares mais simples, para depois serem absorvidos.

 Por isso, nestes casos, se forem ingeridos frequentemente lacticínios é comum o desenvolvimento de diarreia constante. Veja como saber se tem intolerância à lactose.

Os bebês também podem ter diarreia quando ingerem lactose porque como o seu sistema digestivo é ainda imaturo, podem não ter quantidades de lactase suficientes para digerir corretamente o leite, por isso, é importante que a mãe que está a amamentar reduza a ingestão de produtos lácteos e que não substitua o leite materno por leite de vaca, por exemplo, em bebês menores de 6 meses.

Como tratar

Para evitar os efeitos gastrointestinais provocados pela lactose, deve-se reduzir o consumo de leite e derivados ou optar por aqueles que não tenham lactose na composição, em que esta foi degradada industrialmente em açúcares mais simples. Existem também remédios como o Lactosil ou Lactaid, que têm esta enzima na composição, que podem ser tomados antes das refeições.

4. Distúrbios intestinais

Pessoas com distúrbios e doenças intestinais como doença de Crohn, colite ulcerativa, doença celíaca ou síndrome do cólon irritável, têm muitas vezes episódios de diarreia constante, enjoos e vômitos, principalmente em situações em que haja ingestão de alimentos mais fortes ou contra-indicados para estes distúrbios.

Como tratar

Muitas destas doenças não têm cura e o tratamento consiste geralmente no alívio dos sintomas com medicamentos para a dor abdominal, náuseas e vômitos e soluções de reidratação oral.

Além disso, dependendo do tipo de doença em questão, devem ser evitados alimentos com cafeína, verduras cruas e frutas com casca, lacticínios, aveia, gorduras e fritos, doces ou carnes vermelhas, por exemplo.

5. Alergias alimentares

A alergia alimentar é uma reação exagerada do sistema imune a determinados alimentos como ovo, leite, amendoim, trigo, soja, peixe ou frutos do mar por exemplo, que pode manifestar-se em várias regiões do corpo como pele, olhos ou nariz e provocar vômitos, dor abdominal e diarreia. É importante saber distinguir alergia alimentar de intolerância alimentar, já que a alergia é uma situação mais grave, que pode pôr em risco a vida da pessoa. Saiba como identificar uma alergia alimentar.

Como tratar

O tratamento para a alergia alimentar depende da gravidade dos sintomas, podendo ser feito com remédios anti-histamínicos como Allegra ou Loratadina ou com corticoides como a Betametasona. Nos casos mais graves, quando ocorre choque anafilático e falta de ar, pode ser necessário tomar uma injeção de adrenalina e usar uma máscara de oxigênio para ajudar na respiração.

Além disso, devem-se evitar os alimentos que provocam alergia alimentar. Para saber quais os alimentos que podem provocar a alergia, pode realizar-se um teste de intolerância alimentar. Saiba mais sobre o tratamento.

6. Câncer do intestino

Geralmente o câncer do intestino causa diarreias frequentes com presença de sangue, associadas a dor de barriga, cansaço, perda de peso sem causa aparente e anemia. Caso estes sintomas persistam por mais de um mês deve-se ir ao médico para que seja estabelecido um tratamento o mais rápido possível. Confira 8 sintomas que podem indicar câncer intestinal.

Como tratar

O tratamento para câncer de intestino pode ser feito com cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia, dependendo da localização, tamanho e desenvolvimento do tumor.

Assista ao seguinte vídeo e veja que alimentação deve fazer durante os períodos de diarreia:

Источник: https://www.tuasaude.com/diarreia-constante/

Diarreia: uma visão geral! – Sanar Medicina

8 principais causas de diarreia crônica e o que fazer

A diarreia é uma alteração do hábito intestinal com diminuição da consistência das fezes, que podem ser amolecidas ou até mesmo líquidas, acompanhada na maioria das vezes do aumento da frequência de dejeções diárias (≥ 2 por dia) e aumento do volume fecal.

A diarreia aguda tem duração < 2 semanas, a partir deste ponto de corte se classifica como persistente e > 4 semanas como crônica.

Epidemiologia da diarreia

Aproximadamente um bilhão de pessoas no mundo apresentam pelo menos um episódio de diarreia aguda por ano e é uma das principais causas de mortalidade infantil, representando aproximadamente 8% de todas as mortes de crianças menores de 5 anos em todo o mundo em 2016. Isso se traduz em mais de 1.300 crianças morrendo a cada dia, ou cerca de 480.000 crianças por ano, apesar da disponibilidade de tratamento.

A maioria das mortes por diarreia ocorre entre crianças com menos de 2 anos de idade que vivem no sul da Ásia e na África subsaariana.

De 2000 a 2016, o número total anual de mortes por diarreia entre crianças menores de 5 anos diminuiu em 60%, sendo que muito mais crianças poderiam ter sido salvas através de intervenções básicas.

Nos Estados Unidos, 83% das mortes por diarreia aguda ocorrem em adultos com 65 anos de idade ou mais.

Fisiopatologia da diarreia

A diarreia ocorre quando há desequilíbrio entre absorção e secreção de fluidos pelo intestino devido a uma enterotoxina ou lesão que acarrete uma diminuição da absorção, mediada por agressão direta pelo micro-organismo ou citotoxina. Podemos classificar as diarreias pelo seu mecanismo fisiopatológico:

Osmótica

Presença de solutos osmoticamente ativos que não absorvíveis pelo intestino, o que causa um acúmulo de líquidos e diarreia.

  • Exemplos: lactulose, manitol, induzida por magnésio (antiácidos), disabsorção de carboidratos e uso de antibióticos.

Secretória

Há distúrbio no transporte hidroeletrolíticos na mucosa intestinal, geralmente causado por uma toxina, droga ou patologias intestinais e sistêmicas.

  • Exemplos: Cólera, coli enterotoxigênica, Clostridium difficile, Shigella, Salmonela; IECA, furosemida, cafeína, fluoxetina; Venenos; Doença celíaca, doença inflamatória intestinal;

Inflamatória

Alteração na absorção da mucosa por alteração inflamatória, que lesiona e leva a morte dos enterócitos, e não consegue absorver ou transportar açúcares, aminoácidos ou eletrólitos, ocorre a diarreia.

  • Exemplos: Colites, tuberculose, doença inflamatória intestinal;

Esteatorreia

Quadros em que há uma disabsorção de lipídios secundária a má absorção ou má digestão.

  • Exemplos: Insuficiência exócrina do pâncreas, isquemia mesentérica.

Funcional

A hipermotilidade intestinal está associada a outros mecanismos de diarreia, mas como uma causa primária não é comum e é um diagnóstico de exclusão.

As diarreias agudas estão mais associadas a gastroenterites virais, como o rotavírus, bacterianas, como E. coli, Shigella, Campylobacter, Cólera, ou parasitarias, helmintos e protozoários.

Já as diarreia crônicas, estão mais associadas a parasitoses não tratadas, doença inflamatória intestinal e intolerâncias alimentares à lactose ou glúten, por exemplo.

OBS: Atenção para os pacientes que estão fazendo uso de antibiótico e desenvolvem quadro diarreico! A microbiota bacteriana normal pode ter sido destruída, permitindo a proliferação do Clostridium Difficile, causando uma colite pseudomembranosa na mucosa intestinal.

Clínica

Na investigação clínica, é preciso atentar para algumas informações que irão guiar o raciocínio clínico:

  • Quanto tempo do início do quadro
  • Quantidade e volume das dejeções
  • Presença de sinais de gravidade ou comorbidades associadas (Insuficiência cardíaca, Doença renal crônica, câncer)
  • Sintomas associados: febre, anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal
  • Característica das fezes: líquida, pastosa, presença ou ausência de alimentos, muco ou sangue
  • Medicamentos em uso
  • Condições socioeconômicas e de saneamento básico

Classificação

De acordo com as características das dejeções e frequência por dia, podemos classificar como alta ou baixa e se possui características inflamatórias:

  • Alta: poucas dejeções ao dia, fezes volumosas, presença de restos alimentares e ausência de muco. Geralmente acompanhada de cólicas abdominais.
  • Baixa: múltiplas dejeções ao dia, pouco volumosas, sem restos alimentares e com presença de muco, pus e pode conter sangue. Geralmente acompanhadas de urgência e tenesmo.
  • Não-inflamatória: fezes aquosas, volumosas, sem sangue muco ou pus, geralmente sem febre.
  • Inflamatória: evacuações frequentes, pequeno volume, com muco ou pus, algumas com sangue. É comum febre, toxemia, dor abdominal intensa, tenesmo e leucocitose associada.

Quando acompanhada de náuseas, vômitos e dor abdominal difusa, a diarreia aguda compõe a síndrome de gastroenterite aguda, uma condição habitualmente causada por infecções virais ou intoxicação alimentar.

Nos casos em que há sangue concomitante, se constitui como um quadro de disenteria e está mais associada a infecções por bactérias, como Shigella e Salmonella.

Ao exame físico, o paciente pode se apresentar com sinais de desidratação e não podemos deixar passar os quadros mais graves:

  • Mucosas desidratadas e pele seca
  • Olhos fundos e turgor cutâneo diminuído
  • Pulso radial fraco
  • Incapacidade de ingerir líquidos
  • Diminuição do nível de consciência

Diagnóstico da diarreia

É importante levar em conta as características das dejeções e os patógenos mais associados:

  • Diarreia aquosa: vírus, toxinas, coli, Cólera e Clostridium difficile.
  • Diarreia com sangue: Shigella, Salmonella, Campylobacter, E. coli êntero-hemorrágica.

Os exames complementares iniciais que podem ser solicitados para avaliação do quadro clínico e suspeita diagnóstica são:

  • Coprocultura
  • Hemograma, eletrólitos e função renal
  • Pesquisa de marcadores inflamatórios nas fezes e toxina do difficile
  • Parasitológico de fezes, se:
    • Diarreia > 10 dias
    • Endemia ou surto com origem comum de fonte de água
    • HIV
  • Colonoscopia com biópsia
  • Endoscopia digestiva alta
  • Teste de tolerância a lactose
  • Anticorpos anti-transglutaminase IgA, antiendomísio IgA

Esses exames devem ser solicitados em pacientes com > 70 anos, diarreia persistente, ≥ 6 episódio/dia, desidratação grave, toxemia, imunossupressão, etiologia hospitalar ou sinais de diarreia inflamatória.

A colonoscopia e a endoscopia nas diarreias crônicas devem ser solicitadas quando há suspeita de doença inflamatória intestinal, doença celíaca, doença de Whipple e neoplasias.

Tratamento da diarreia

O tratamento inicial é:

  1. Hidratação oral nos casos mais leves e uso de sintomáticos naqueles que possuem náuseas e dores abdominais.
    • Dipirona e hioscina, se dor abdominal
    • Metoclopromida ou ondasentron, se vômitos
  2. Antibioticoterapia nos pacientes com quadros mais graves com suspeita de agente bacteriano, com comorbidade associada, idade avançada e fezes com características de diarreia inflamatória.
    • Ciprofloxacino 500mg, VO, 12/12h/levofloxacino 500mg, VO, 1x ao dia ambos durante 3 dias, ou azitromicina dose única de 1.000mg
    • Sintomáticos
  3. Reposição de potássio nos pacientes com hipotensão, diarreia persistente ou com sintomas sugestivos que possuem comprovação laboratorial.
  4. Hidratação parenteral nos pacientes com alteração do nível de consciência, incapazes de ingerir líquidos, com sinais de desidratação severa, com comorbidade associada, idade avançada e fezes com características de diarreia inflamatória.

Leitura complementar: Manejo da diarreia aguda em crianças.

Referências bibliográficas

  1. Martins HS et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 12a edição. São Paulo: Manole, 2017.
  2. Diarrhoea remains a leading killer of young children, despite the availability of a simple treatment solution. WHO, New York, 2018.
  3. One is too many: Ending child deaths from pneumonia and diarrhea, UNICEF, New York, 2016.
  4. WHO and UNICEF. United Nations Inter-agency Group for Child Mortality Estimation (IGME), Levels and Trends in Child Mortality: Report 2015, UNICEF, New York, 2015.
  5. Hebert L, DuPont MD. Acute Infectious Diarrhea in Immunocompetent Adults. N Engl J Med 2014; 370:1532-40.
  6. Hebert L, DuPont MD. Bacterial Diarrhea. N Engl J Med 2009; 361:1560-9.
  7. Acree M, Andrew MD. Acute Diarrheal Infections in Adults. Jama 2017; 318.10:57-958.
  8. Hebert L, DuPont MD. Persistent Diarrheal – A Clinical Review. Jama 2016;315(24):2712-2723.

Источник: https://www.sanarmed.com/diarreia-uma-visao-geral

Diarreia: alimento infectado é principal causa; veja como evitar e tratar

8 principais causas de diarreia crônica e o que fazer

Quase todo mundo já passou pela situação e sabe o quanto é desagradável: a vontade é incontrolável e não dá coragem de ficar longe de um banheiro.

Embora existam inúmeras doenças ou situações capazes de provocar diarreia, a maior parte dos quadros agudos tem origem infecciosa, ou seja, é uma reação do organismo contra bactérias, vírus, parasitas, toxinas. Os agentes podem ser transmitidos por bebida ou comida contaminada, ou ainda de pessoa para pessoa, por hábitos inadequados de higiene.

Sintomas

Para ser definido como diarreia, o quadro deve incluir:

  • Fezes amolecidas ou líquidas;
  • Necessidade de evacuar mais de três vezes ao dia.

Também podem estar presentes:

  • Dor abdominal em cólica;
  • Suor frio;
  • Febre;
  • Náuseas e vômitos;
  • Sensação de peso no abdômen;
  • Sensação de esvaziamento incompleto do intestino;
  • Presença de sangue e/ou pus nas fezes.

O problema pode ser:

  • Agudo: durar apenas de um a 14 dias;
  • Crônico: quando dura quatro semanas ou mais.

Complicações

O grande temor relacionado à diarreia aguda é a desidratação (perda de água no organismo), além da perda de eletrólitos no sangue (como sódio e potássio) ou até perda de sangue. Todas essas complicações podem levar à morte se não tratadas a tempo.

Já as diarreias crônicas podem afetar a absorção de nutrientes, gerando desnutrição, emagrecimento e queda da função imunológica.

Ocorrências

As chamadas doenças diarreicas, associadas a infecções, são a nona principal causa de morte no mundo todo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) referentes a 2016, ano em que essas enfermidades causaram 1,4 milhão de mortes.

A maior preocupação é com as crianças —após a pneumonia, essa é a segunda principal causa de mortalidade infantil.

Como o tema faz parte das chamadas Metas do Milênio, da Organização das Nações Unidas (ONU), as estatísticas mais confiáveis para diarreia são para essa população.

Cerca de 1,7 bilhão de crianças têm o quadro a cada ano, e 525 mil indivíduos menores de 5 anos morrem por causa dela.

O Brasil registrou a morte de 2.738 crianças por diarreia em 2000. Em 2015, foram 1.564 e, em 2016, 1.593.

O número de mortes por diarreia vinha apresentando queda ao longo da última década, mas voltou a crescer associada à pneumonia, gripe e, principalmente, à desnutrição.

A água contaminada é o maior fator de risco e o problema se concentra onde não existe água encanada e saneamento básico.

Causas

Veja as causas mais comuns de diarreia:

– Bactérias: os microrganismos podem se multiplicar nos alimentos ou na água e causar infecções quando ingeridos. Os mais frequentes são por Salmonella spp, Shiguella spp e Escherichia coli.

Toxinas: substâncias naturais produzidas por bactérias como S.aureus, Clostridium spp, B.cereus, Vibrio spp (vibrião da cólera), entre outras.

– Vírus: como o da hepatite A, rotavírus e norovírus.

Parasitas: como Cryptosporidium enteritis, Entamoeba histolytica (amebíase) e Giardia lamblia (giardíase).

– Outros agentes: fungos, substâncias químicas, metais pesados e agrotóxicos também podem causar diarreia.

Medicamentos: remédios como antibióticos, laxantes, antiácidos, drogas contra o câncer, orlistat (remédio para emagrecer) podem interferir no funcionamento do intestino.

– Síndrome do intestino irritável (SII): uma alteração exclusivamente da motilidade do trato gastrointestinal por causas que ainda não são totalmente conhecidas.

– Intolerância alimentar: a intolerância à lactose (açúcar do leite) acomete grande parte da população, chegando a 70% em algumas regiões do Brasil. Flatulência e dor abdominal costumam acompanhar o quadro. Certos tipos de açúcar, como frutose, sorbitol, manitol ou xilitol, também podem causar diarreia em algumas pessoas.

– Alergia alimentar: a alergia ao leite de vaca ocorre em lactentes, quando começam a ingerir fórmula, ou, mais raramente, pelo próprio leite materno, quando a mãe ingere leite de vaca.

A alergia é um processo imunológico relacionado à proteína do leite e as consequências podem ser anemia, baixo ganho de peso, quadros pulmonares e de pele. A diarreia pode ser aquosa ou sanguinolenta.

Soja, certos cereais, ovos ou frutos do mar também podem causar alergia e provocar diarreia em algumas pessoas.

– Doenças inflamatórias intestinais: são doenças autoimunes crônicas (como doença de Crohn e retocolite ulcerativa) que necessitam de tratamento específico e acompanhamento com especialista. Apresentam-se com quadro de diarreia crônica, sanguinolenta, dor abdominal, eventualmente febre e perda de peso.

– Doença celíaca: é uma doença geneticamente determinada e mediada por um processo imunológico, mas não é uma alergia. Pacientes com a doença têm uma lesão na mucosa do intestino delgado, desencadeada pela ingestão de glúten (proteína presente no trigo, cevada e centeio). Essa lesão leva à má absorção dos nutrientes com consequente diarreia e desnutrição.

– Cirurgias do trato gastrointestinal: procedimentos cirúrgicos como a retirada de apêndice ou vesícula.

– Ansiedade: pessoas que sofrem desse transtorno mental ou passam por uma situação de estresse agudo podem ter uma liberação tão forte de adrenalina que afeta a motilidade do trato gastrointestinal.

– Cafeína ou álcool em excesso: quem exagera no café ou na bebida alcoólica pode ter o problema.

Quando ir ao pronto-socorro?

Os sinais de alerta que determinam avaliação médica são:

  • Febre alta, normalmente maior que 38,5 ºC;
  • Diarreia severa que não melhora após 24h;
  • Desidratação*;
  • Presença de vômitos que impedem a hidratação;
  • Diarreia com sangue;
  • Diarreia por mais de duas semanas;
  • Diarreia em crianças menores de 1 ano, pacientes idosos e/ou imunossuprimidos;
  • Crianças que recusam hidratação ou alimentação durante o quadro de diarreia;

*Sinais de desidratação: olhos fundos, boca seca, muita sede, diminuição da diurese e em bebês afundamento da fontanela (moleira).

Atenção: crianças e idosos devem ser levados ao pronto-socorro antes (se os sintomas não melhorarem em 24 horas ou conforme orientação do profissional de saúde), pois podem se desidratar com maior facilidade. Além disso, também é importante reportar a ocorrência de mais casos na família ou conhecidos, pois pode se tratar de um surto, onde outras medidas de controle podem ser realizadas e evitar novos casos.

Quem tem diarreias brandas com frequência deve procurar o médico?

A maior parte das doenças que causam diarreia e que necessitam de atenção e cuidados com tratamentos específicos são quadros graves, acompanhados de perda de peso, anemia, comprometimento da capacidade de trabalho ou estudo e da vida pessoal do indivíduo. Alguns sinais alertam para necessidade de investigação da diarreia, nesse caso:

  • Duração superior a 30 dias, presença de febre;
  • Perda de peso;
  • Presença de sangue nas fezes.

Porém, mesmo não sendo um quadro grave, algumas patologias quando diagnosticadas e com as orientações adequadas ao paciente possuem melhora significativa da qualidade de vida, como por exemplo, a intolerância à lactose.

Diagnóstico

Em muitos casos de diarreia aguda não é necessário nenhum exame, apenas o relato do paciente, pois a maioria dos quadros é viral e autolimitada (ou seja, passa sozinha de três a sete dias, em média).

Já quando o quadro é grave ou de longa duração, o diagnóstico do agente causador da diarreia é feito por testes laboratoriais, que pode incluir exames de fezes, de sangue, cultura de bactérias ou pesquisa de vírus.

Também pode ser necessária a coleta de urina ou líquor, de acordo com a suspeita, ou análises de amostras de alimentos ou água, em casos de suspeita de contaminação. Os exames são importantes no caso de surtos, para orientar medidas de controle.

Nos casos de diarreia crônica, outros tipos de exames também podem ser solicitados, como teste de tolerância à lactose, exames para detectar alergias, anemia, presença de sangue oculto nas fezes ou anticorpos no sangue, endoscopia ou colonoscopia (em alguns casos com biópsia), tomografia computadorizada do abdômen ou ressonância magnética, entre outras.

Tratamento

A maioria dos quadros de diarreia aguda infecciosa não requer tratamento medicamentoso específico, por se tratar quase sempre de vírus, apenas cuidados com hidratação —ingestão de muito líquido, como água potável e sucos naturais.

Para evitar a desidratação, o profissional de saúde deve receitar o uso de Soluções de Reidratação Oral ou soro caseiro* após as evacuações. Eles estão disponíveis em qualquer farmácia ou posto de saúde.

Para os casos mais graves, o paciente deve ficar no hospital ou até ser internado para receber soro por via endovenosa (pela veia), além de outros cuidados. Nos casos de suspeita de bactérias ou parasitas (que, em geral, envolvem febre e sangue nas fezes), são indicadas drogas específicas (antibióticos ou antiparasitários).

Analgésicos também podem ser prescritos em casos de dor e febre, bem como probióticos que ajudam a recompor a flora intestinal.

Já para as doenças não infecciosas, o tratamento depende do diagnóstico e costuma ser de longo prazo. Doenças inflamatórias intestinais envolvem terapias individualizadas, com medicamentos que atuam no sistema imunológico.

Nos casos de intolerância à lactose recomenda-se a exclusão desse tipo de açúcar da dieta ou o uso de enzimas por via oral ao ingerir o alimento. Nas alergias alimentares é preciso eliminar o causador da reação, bem como nos casos de doença celíaca, a intolerância grave e permanente ao glúten (presente no trigo e na cevada).

Também podem ser indicados suplementos alimentares para corrigir eventuais deficiências nutricionais decorrentes do quadro.

*Como preparar o soro caseiro

Em um litro de água mineral, filtrada ou bem fervida (mas já fria), misture uma colher pequena (tipo cafezinho) de sal e uma colher grande (tipo sopa) de açúcar. Mexa bem e ofereça o dia inteiro em pequenas colheradas.

Como ajudar quem está com diarreia?

É importante ficar atento aos sinais de alerta para levar a pessoa com diarreia ao pronto-socorro, se necessário, e oferecer água, sucos e, eventualmente, soro ou soluções de reidratação.

Apesar de alguns profissionais sugerirem que se evite refeições gordurosas ou condimentadas durante a diarreia, a recomendação oficial é que a dieta habitual seja mantida (bem como a amamentação, no caso dos lactentes).

Não ofereça antidiarreicos ou remédios para enjoo sem orientação médica.

Prevenção

Infelizmente não há vacinas para a maioria dos agentes causadores de doença diarreica, exceto para determinados tipos de rotavírus e contra a hepatite A —ambas fazem parte do calendário oficial do Ministério da Saúde. Portanto, a principal forma de se evitar uma infecção intestinal é adotar todos os cuidados possíveis no preparo dos alimentos e beber apenas água potável, tratada ou fervida. Confira algumas dicas:

Verduras cruas e frutas devem sempre ser higienizadas e desinfetadas antes do consumo;

Lave bem as mãos com água e sabão após usar o banheiro, antes das refeições, ao trocar fraldas, cuidar do animal de estimação e antes de preparar a comida. Quem trabalha em refeitórios ou restaurantes deve utilizar luvas ao manipular os alimentos;

Lave bem as superfícies da pia e os utensílios;

Não deixe os alimentos preparados muito tempo fora da geladeira, em temperatura ambiente —duas horas depois já é possível que bactérias e toxinas se multipliquem;

Evite consumir produtos de origem animal (como carnes bovina e suína, aves, ovos, peixes e frutos do mar) crus ou mal cozidos se não tiver certeza de como foram conservados; também evite leite e derivados que não sejam pasteurizados;

– A implantação de sistemas públicos de água tratada e de esgoto reduziu drasticamente os casos de diarreia, mas águas de bica, fontes e mesmo algumas águas engarrafadas produzidas sem os devidos cuidados ou clandestinas são responsáveis por grande parte dos surtos veiculados por água.

Fontes:Alexandre Naime Barbosa, infectologista, professor da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia); Márcia Wehba, assessora médica em gastroenterologia do Fleury Medicina e Saúde; Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo; OMS (Organização Mundial da Saúde); National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos).

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Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/02/05/diarreia-alimento-infectado-e-principal-causa-veja-como-evitar-e-tratar.htm

Diarreia | SNS24

8 principais causas de diarreia crônica e o que fazer

A diarreia é uma alteração no volume e consistência das fezes. Está associada a um aumento do número de dejeções diárias.

Existe mais do que um tipo de diarreia?

A diarreia pode ser classificada de diferentes formas. Pode ser classificada de acordo com o seu mecanismo (como por exemplo, a diarreia de causa inflamatória, que acompanha a inflamação da mucosa intestinal) e pode ser categorizada em aguda ou crónica, de acordo com o tempo de evolução.

O que diferencia uma diarreia aguda de uma crónica?

A diarreia aguda tem uma duração inferior a duas semanas e é uma situação muito frequente e mais facilmente tratada. A diarreia crónica ocorre durante um período superior a quatro semanas e poderá ter diversas causas.

Como se diagnosticam os casos de diarreia?

O diagnóstico da diarreia baseia-se na história clínica do doente e na frequência da realização dos exames complementares de diagnóstico, como:

A avaliação médica e a seleção dos exames complementares de diagnóstico a realizar deverá ser sempre individualizada, tendo em conta:

  • a duração/persistência da diarreia
  • a presença de dor abdominal, febre, perda de peso ou outros sinais de alarme
  • o contexto clínico do doente, como a idade ou outras doenças associadas

Quais as causas da diarreia aguda?

As causas de diarreia aguda são variáveis, sendo fundamental encontrar outros dados, como a história de viagens recentes, ingestão de alimentos potencialmente contaminados e contacto com indivíduos com sintomas semelhantes. Causas frequentes de diarreia aguda são:

  • intoxicação alimentar – por ingestão de alimentos ou água contaminados
  • gastroenterite aguda – geralmente causada por vírus, bactérias ou protozoários
  • diarreia associada a antibióticos (durante ou após o tratamento com antibióticos)
  • excesso de ingestão de álcool
  • abuso no consumo de alguns alimentos (como consumo excessivo de fibras na dieta) e suplementos / medicamentos com efeito laxante (como substitutos do açúcar e vários medicamentos utilizados em regimes de controlo do peso)

Quais as causas da diarreia crónica?

A diarreia crónica poderá ser causada por diversas situações:

  • síndrome do intestino irritável, muitas vezes designado por “colite espástica” ou “colite nervosa”
  • intolerância à lactose
  • doença celíaca
  • doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn ou a colite ulcerosa
  • cancro colorretal
  • pancreatite crónica
  • alterações hormonais – diabetes ou aumento no funcionamento da glândula tiroideia
  • algumas operações gástricas e à vesícula
  • efeitos adversos a medicamentos
  • consumo em excesso de alimentos e bebidas com adoçantes artificiais

Em que situações devo procurar um médico?

Na maioria dos casos a diarreia não causa problemas graves, sendo resolvida em alguns dias. No entanto, deverá ligar para o SNS 24 – 808 24 24 24 – caso apresente:

  • diarreia prolongada (com duração superior a duas semanas)
  • dor intensa no abdómen
  • febre superior a 39ºC
  • sangue nas fezes
  • sinais de desidratação (sede, boca seca, pouca ou nenhuma urina, fraqueza, dores de cabeça ou urina escura)
  • emagrecimento

A diarreia pode ser contagiosa?

Sim. A diarreia pode ser contagiosa quando é de origem infeciosa.

Se viajar para o estrangeiro corro riscos de sofrer diarreia?

Sim. As pessoas que se deslocam para o estrangeiro podem ter episódios de diarreia, denominando-se como diarreia do viajante. Esta é geralmente causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados com bactérias, vírus ou parasitas.

Qual o tratamento da diarreia?

O tratamento vai depender das suas causas, porém durante a diarreia é importante:

  • evitar a desidratação – ter atenção à hidratação nos meses mais quentes do ano, na população idosa e nos doentes crónicos
    • se necessário, pode recorrer a soluções com eletrólitos para corrigir défices iónicos eventuais. Esta avaliação e prescrição deve ser sempre orientada por um médico
  • comer bananas, de forma a compensar as perdas de potássio
  • evitar alguns alimentos como o leite, gorduras e fibras em excesso
  • redobrar os cuidados de higiene, como lavar as mãos, em casos de diarreia infeciosa de forma a evitar transmitir a outras pessoas
  • o médico pode receitar um antibiótico em casos de infeção grave

É possível prevenir o aparecimento da diarreia?

Sim. As principais medidas preventivas passam por:

  • cuidados de higiene, como a lavagem frequente das mãos, em particular antes das refeições e após o contacto com crianças ou adultos com sintomas de gastroenterite
  • lavagem e confeção adequada dos alimentos

Antes de viajar para um país tropical ou subdesenvolvido (por exemplo, Guiné-Bissau, Moçambique, Haiti, etc.) é importante realizar uma consulta do viajante, para conhecer as medidas preventivas de doenças infectocontagiosas.

O que devo comer e beber quanto tenho diarreia?

A dieta recomendada depende do diagnóstico e da situação clínica do doente. No geral, devem ser evitados:

  • alimentos ricos em fibra (como os vegetais, sementes, frutos secos, leguminosas e cereais processados)
  • gorduras
  • leite e derivados (iogurtes, queijos, etc.)
  • alimentos ricos em açucares simples (como produtos de pastelaria) e bebidas açucaradas.

A diarreia na criança pode ser perigosa?

Sim. A diarreia aguda pode ter consequências graves no recém-nascido e criança, podendo ocorrer desidratação grave após 1 ou 2 dias de diarreia pelo que, nestes casos, se deve ter especial atenção às medidas de reidratação. A criança deve ser observada urgentemente pelo médico, caso se verifique:

  • sangue ou pus misturado nas fezes
  • dor abdominal intensa
  • febre elevada ou sinais de desidratação como boca e língua secas
  • ausência de lágrimas ao chorar
  • olhos encovados ou fontanela deprimida
  • irritabilidade

Fonte: Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

Источник: https://www.sns24.gov.pt/tema/sintomas/diarreia/

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