Afasia de Wernicke: sintomas, causas e tratamento

O que você sabe sobre afasia?

Afasia de Wernicke: sintomas, causas e tratamento

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segunda-feira, 02 de maio de 2016

A afasia1 (do grego: a = não + fasia = fala) é uma perturbação da fala que ocorre depois de ela ter sido adquirida de maneira normal. Consiste na dificuldade de expressão e/ou compressão da linguagem falada e/ou escrita.

É um enfraquecimento ou perda do poder de captação, manipulação e expressão das palavras. A afasia1 não é em si uma doença, mas um sintoma2 de uma condição subjacente.

Dentre os tipos de afasia1 existentes, encontram-se a afasia1 de Wernicke, afasia1 de Broca e afasia1 global.

Quais são as causas da afasia1?

A afasia1 ocorre em virtude de lesões3 em alguns centros cerebrais. Geralmente, está relacionada a uma lesão4 do lado esquerdo do cérebro5, em áreas responsáveis pela compreensão da linguagem.

As condições clínicas que mais frequentemente causam afasia1 são tumores cerebrais, acidente vascular cerebral6, doenças infecciosas como a meningite7, traumatismos cranioencefálicos, epilepsias e o uso de algumas medicações.

A causa mais comum é um acidente vascular cerebral6 cuja localização se dá junto à artéria cerebral média8 esquerda ou aos ramos junto à região do cérebro5 responsável pela linguagem.

Quais são as principais características clínicas da afasia1?

A afasia1 caracteriza-se por dificuldades de se expressar verbalmente e compreender o que está sendo dito.

Pode levar a um discurso vago ou vazio, caracterizado por longos circunlóquios e pelo uso excessivo de expressões indefinidas como “coisa”, “aquilo” etc.

Em alguns casos, pode apresentar-se como um comprometimento grave da linguagem escrita e falada e da repetição da linguagem. A afasia1 na maioria das vezes é caracterizada pela dificuldade em nomear pessoas e objetos.

Apesar de haver vários tipos de afasia1, distinguem-se dois grandes grupos: as afasias de expressão e as afasias sensoriais ou de recepção.

As afasias de expressão compreendem essencialmente (1) a afasia1 de Broca, descoberta por Paul Broca em 1861, que se caracteriza pela dificuldade ou incapacidade de articular um discurso oral ou escrito e de produzir linguagem eficiente, além de uma alteração ligeira a moderada da compreensão; (2) a afasia1 de condução, constituída por lesões3 que conectam as áreas de Broca e Wernicke, causa dificuldade de oferecer respostas adequadas, embora a compreensão esteja pouco alterada; (3) a afasia1 sensorial (receptiva) e (4) a afasia1 de Wernicke, que é uma afasia1 fluente, caracterizada por uma perturbação da compreensão do discurso, embora a fala esteja fluente, com poucas repetições espontâneas. Na afasia1 de Wernicke, normalmente o paciente apresenta dificuldade de compreensão e de expressão, mas consegue articular as palavras e se irrita quando não é compreendido.

Como o médico diagnostica a afasia1?

O diagnóstico9 da afasia1 é feito através da avaliação da capacidade de compreensão e expressão do paciente. O correto é iniciar pela avaliação sensorial, já que a deficiência auditiva pode interferir no processo de comunicação.

Nos casos de hemiplegia10, se faz necessário ter certeza de que apenas um lado do cérebro5 está comprometido. O diagnóstico9 das causas da afasia1 pode exigir exames laboratoriais bioquímicos (sangue11, urina12, líquor13 etc.

) e de imagens, como radiografias, ressonância magnética14, tomografia computadorizada15, eletroencefalograma16 e estudo da condução nervosa.

Como o médico trata a afasia1?

O tratamento para a afasia1 baseia-se em exercícios que estimulem a linguagem oral e escrita. Além do tratamento médico, dirigido para a enfermidade subjacente, existe também a opção de combinação das terapias fisioterápicas, fonoaudiológicas, ocupacionais e psicológicas para a afasia1 em si. A doença subjacente causal deve ser tratada pelos meios próprios.

Como evolui a afasia1?

Alguns pacientes afásicos recuperam-se em tempo relativamente curto, enquanto outros podem não se recuperar totalmente, dependendo da causa.

ABCMED, 2016. O que você sabe sobre afasia?. Disponível em: . Acesso em: 9 mar. 2021.

Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

1 Afasia: Sintoma neurológico caracterizado pela incapacidade de expressar-se ou interpretar a linguagem falada ou escrita. Pode ser produzida quando certas áreas do córtex cerebral sofrem uma lesão (tumores, hemorragias, infecções, etc.). Pode ser classificada em afasia de expressão ou afasia de compreensão.

2 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença.

O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal.

A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.

3 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo.

Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais.

Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.

4 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo.

Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais.

Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.

5 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.

6 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.

7 Meningite: Inflamação das meninges, aguda ou crônica, quase sempre de origem infecciosa, com ou sem reação purulenta do líquido cefalorraquidiano. As meninges são três membranas superpostas (dura-máter, aracnoide e pia-máter) que envolvem o encéfalo e a medula espinhal.

9 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.

10 Hemiplegia: Paralisia da metade do corpo. Compromete a metade da face, braço e pernas do mesmo lado. Relaciona-se a infartos, hemorragias ou tumores do sistema nervoso central.

11 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo.

Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares).

Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.

12 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.

13 Líquor: Líquido cefalorraquidiano (LCR), também conhecido como líquor ou fluido cérebro espinhal, é definido como um fluido corporal estéril, incolor, encontrado no espaço subaracnoideo no cérebro e na medula espinhal (entre as meninges aracnoide e pia-máter). Caracteriza-se por ser uma solução salina pura, com baixo teor de proteínas e células, atuando como um amortecedor para o córtex cerebral e a medula espinhal. Possui também a função de fornecer nutrientes para o tecido nervoso e remover resíduos metabólicos do mesmo. É sintetizado pelos plexos coroidais, epitélio ventricular e espaço subaracnoideo em uma taxa de aproximadamente 20 mL/hora. Em recém-nascidos, este líquido é encontrado em um volume que varia entre 10 a 60 mL, enquanto que no adulto fica entre 100 a 150 mL.

14 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.

16 Eletroencefalograma: Registro da atividade elétrica cerebral mediante a utilização de eletrodos cutâneos que recebem e amplificam os potenciais gerados em cada região encefálica.

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Источник: https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/828544/o+que+voce+sabe+sobre+afasia.htm

Afasia da Condução – Tudo sobre eseta Afasia

Afasia de Wernicke: sintomas, causas e tratamento

Coloquemo-nos na situação em que, após um acidente, de repente percebamos que não podemos repetir uma palavra que acaba de ser dita. Tentamos de todas as maneiras possíveis, mas não conseguimos reproduzir a palavra, no máximo aproximamos o seu significado. Embora possa parecer estranho, é uma situação real e acontece quando uma pessoa sofre de afasia de condução.

Conceito de afasia

A afasia é um distúrbio da linguagem resultante de uma lesão cerebral focal esquerda. Ou seja, é uma lesão adquirida (não de nascimento), geralmente localizada no lado esquerdo do cérebro. É uma síndrome, um conjunto de sintomas e sinais associados a uma lesão cerebral. Este distúrbio tem origem neurológica que acarreta a incapacidade de comunicação.

afasia é uma condição altamente incapacitante que afeta a comunicação, a participação social e a qualidade de vida. É uma perda total ou parcial da linguagem como resultado de lesões em certas áreas do cérebro. É um fenômeno heterogêneo de gravidade variável: varia de uma total incapacidade de se expressar ou compreender a uma leve dificuldade em encontrar palavras.

Existem diferentes tipos de afasias, são diferenciadas pelos sintomas que apresentam. O tratamento da afasia vai depender do diagnóstico, porém, todos requerem uma reabilitação profunda com o fonoaudiólogo.

Distúrbios da linguagem: o que é afasia de condução?

afasia de condução é caracterizada por uma linguagem fluida, mas com alteração significativa de repetição, com compreensão preservada ou quase, e uma expressão com dificuldade de encontrar as palavras (anomia), ou seja, substituir um fonema por outro (parafasias fonêmicas). 

Caracteristicamente, a pessoa faz aproximações sucessivas até que a palavra seja evocada, a leitura em voz alta e a escrita também são alteradas.

O distúrbio central da afasia de condução parece estar em repetição. Em casos mais graves, a repetição é nula. O paciente pode repetir palavras significativas (por exemplo, bicicleta), mas é incapaz de repetir palavras sem sentido ou pseudopalavras (por exemplo, basometo).

Diagnóstico de afasia de condução

O diagnóstico de afasia de condução é um dos mais simples, este tipo de distúrbio é um dos mais brandos dentro das afasias. No entanto, é importante realizar uma  avaliação neuropsicológica. Durante esta exploração, é importante considerar as variáveis ​​que influenciam a comunicação oral:

  1. Extensão da lesão: Existem vários graus dentro desse distúrbio, é necessário diagnosticar qual é o que o paciente apresenta. É importante verificar se existem outros déficits cognitivos, bem como quais são suas habilidades cognitivas em termos de memória, atenção, etc.
  2. Nível de escolaridade e idade: É avaliada levando-se em consideração o nível anterior no qual a pessoa iniciou.

Sintomas de afasia de condução

Como vimos, a afasia de condução está ligada à repetição. Portanto, um dos sintomas mais específicos e importantes é a dificuldade de repetição , ou seja, o paciente consegue entender tudo o que é dito, mas não consegue reproduzir.

Existem outros sintomas associados a este tipo de distúrbio, estes podem ser neurológicos e normalmente afetam a capacidade de ler e escrever.

Causas da afasia de condução

A afasia de condução é causada por uma lesão em uma área do cérebro chamada giro supramarginal.

 Também é produzida pela lesão do fascículo arqueado, geralmente na substância branca subjacente ao lobo parietal e abaixo da fissura de Silvio.

 Normalmente, esse tipo de distúrbio tem sua origem em um acidente vascular cerebral (acidente vascular cerebral ou hemorragia cerebral).

Embora o acidente vascular cerebral seja o mais comum, existem outras causas que podem levar a este trauma:

  • Traumatismo craniano: Após sofrer um acidente, essa circunstância pode ocorrer no paciente. Em alguns casos, pode levar à reabilitação total.
  • Tumores do sistema nervoso central:  um dos sintomas pode ser a incapacidade de reprodução. Embora nem sempre cause esse distúrbio, ele ocorre ocasionalmente.
  • Doenças degenerativas: (a doença de Alzheimer, Parkinson, etc.)
  • Infecções localizadas ou difusas do cérebro

Reabilitação da afasia de condução

A reabilitação na afasia de condução dependerá, como em qualquer afasia, da gravidade dos sintomas. É possível que vejamos uma recuperação no início de forma espontânea, porém, é a reabilitação que marcará a grande melhora.

O principal objetivo desta reabilitação consiste em:

  • Melhore a linguagem oral e as habilidades de repetição.
  • Melhorar a qualidade de vida do paciente e sua comunicação diária.

Para uma boa reabilitação da afasia de condução o fonoaudiólogo é imprescindível, pois é uma afasia fluida que afeta principalmente a repetição, por isso é fundamental seguir um tratamento marcado por um fonoaudiólogo. Embora seja verdade, uma reabilitação neuropsicológica também é importante, pois treinar outras habilidades cognitivas (memória, atenção, funções executivas … etc) pode ajudar muito na recuperação.

O mais importante para poder reabilitar o paciente é, antes de mais nada, fazer um bom diagnóstico e avaliar quais são as partes que estão danificadas.

Outros tipos de afasias

De acordo com o modelo clássico, as afasias são classificadas e definidas com base na localização da lesão cerebral. O critério de classificação da afasia é baseado na avaliação das seguintes capacidades: expressão, compreensão, repetição e nomeação.

Abaixo está uma lista dos tipos de afasia que existem além da afasia de condução:

Afasia de Broca

A área de Broca está localizada no lobo frontal  esquerdo do cérebro e é considerada o centro da linguagem expressiva.

 Nesta afasia, predomina a insuficiência dos aspectos motores da linguagem e da escrita, acompanhada de agrammatismo e, em alguns casos, distúrbios de compreensão da linguagem.

 Além disso, geralmente é acompanhado por outros problemas sensoriais do lado direito.

No caso mais agudo, o paciente fica praticamente mudo, incapaz de se comunicar e também não entende o que está dizendo. Esse tipo de afasia geralmente é acompanhado por um forte impacto emocional.

Nesse tipo de afasia, além da linguagem falada, há também um comprometimento da escrita devido à paralisia da mão direita.

Com o tempo o paciente melhora, observa-se que aos poucos ele consegue falar em voz alta, embora se expresse de forma lenta e com muito trabalho. Devido a esses aspectos a acentuação de palavras e frases é inadequada, às vezes há gagueira. Quanto à escrita, esses pacientes costumam aprender a escrever com a mão esquerda.

Afasia global

Nesses casos, a comunicação geralmente é afetada em alto grau. Existem problemas de fluência e compreensão, e os distúrbios da fala são graves.

 Pacientes com esse tipo de afasia costumam dizer poucas palavras e a compreensão é limitada.

 Embora possa ser por diferentes causas, quando se trata de: paralisia pós-convulsiva, edema, alteração metabólica ou hipertermia transitória, a recuperação geralmente é possível e geralmente rápida.

Afasia motora transcortical

Seus sintomas são muito semelhantes aos da afasia de Broca. Nesse caso, há uma lesão subcortical acima da área de Broca. Esse tipo de afasia acarreta déficit na produção da fala, principalmente no início da frase e quando é algo esporádico.

 A repetição não é afetada, porém, observam-se dificuldades relacionadas à organização das sentenças ou ao seu início. A produção de nomes de pessoas ou locais não é afetada com frequência.

 Geralmente é mais relacionado quando o paciente tem que responder com várias frases seguidas.

Afasia de Wernicke

A afasia de Wernicke geralmente depende de uma lesão na porção posterior do primeiro giro temporal do hemisfério esquerdo. A fala geralmente é fluente neste caso, embora haja uma frequência de substituições. Além disso, muitas vezes existem dificuldades de compreensão.

Os estudos científicos falam de Wernicke como a encruzilhada de todas as associações entre significados e sons. Por esse motivo, nesses casos, a compreensão da linguagem costuma ser muito prejudicada; em casos muito agudos, pode haver um mal-entendido total.

Normalmente, quando você tem uma lesão na afasia de Wernicke, não há lesões na área motora, portanto, não há paralisia do lado direito. Pacientes com esse problema podem escrever, embora o conteúdo seja freqüentemente desorganizado e confuso, lembrando a fala.

Nesse tipo de afasia, uma vez que as fases aguda e subaguda tenham passado, a compreensão auditiva tende a melhorar e a parafasia é reduzida. Muitos pacientes estão cientes de seus próprios erros e se corrigem.

Источник: https://fonoaudiologiabh.com.br/afasia-de-conducao-o-que-e-sintomas-causas-e-tratamento/

Afasia: que é e como identificar?

Afasia de Wernicke: sintomas, causas e tratamento

– ResumoO presente artigo tem o objetivo de falar sobre a Afasia. Questões como o conceito, a etiologia e as principais situações em que se pode reconhecer algum dos sintomas também são trazidas à luz do texto.

Por meio de referências consolidadas na área, as explicações mostram, por exemplo, as particularidades da Afasia de Wernicke e da Afasia de Broca. Diagnósticos e tratamento também são pontos importantes para o entendimento da Afasia na vida de uma pessoa.

– Introdução

A palavra Afasia é nova para você? Embora o nome não seja tão divulgado ou tenha tanta familiaridade como o Autismo, a Afasia também merece ganhar a atenção para o que ela significa.É importante que falemos um pouco sobre sua etiologia. A Afasia é proveniente de distúrbios que geralmente não geram danos progressivos (situações como acidente vascular cerebral, a encefalite e o traumatismo craniano). Além disso, interessante salientar que nesses casos a Afasia tende a não se agravar.

Por outro lado, a Afasia pode piorar consideravelmente quando ela resulta de algum distúrbio progressivo, tal como a demência ou um tumor cerebral que se expande, por exemplo.

Afinal, o que é Afasia?                                                                               

Ela pode ser considerada como um comprometimento adquirido da linguagem e que tem como resultado problemas de compreensão e de produção tanto de palavras quanto de frases e discursos. A Afasia também é responsável pela disfunção dos chamados centros de linguagem no córtex cerebral e no núcleo de base.

Importante saber
Os especialistas apontam o que eles chamam de classificação da Afasia em via ventral e dorsal. Para Hickock (2012), as lesões na via ventral, pela Afasia, interrompem o fluxo da palavra, assim como a compreensão da frase.

Já na via dorsal, as lesões são responsáveis pela interrupção do fluxo da palavra; e também da compreensão da fala.

Quais são os sintomas mais comuns da Afasia?

É impossível mencionar os sintomas sem falar sobre a Afasia de Wernicke e a Afasia de Broca, pois cada uma delas mostra uma particularidade; e os sinais estão presentes nela. Portanto, veja os principais pontos que estão incluídos nesses tipos.

– Afasia de Wernicke (pertence ao grupo das afasias fluentes)Nesse caso, o paciente geralmente utiliza um discurso fluente e cheio de jargões, mas é notável a ocorrência de palavras e de fonemas muitas vezes sem uma sequência. Por isso, é comum que haja uma espécie de amontoado de palavras. Outra característica muito frequente é a não consciência da clareza da pronúncia.

Ou seja, as pessoas incluídas nessa tipologia não têm ciência se seu discurso está sendo compreensível aos seus interlocutores.O comprometimento da função auditiva e da escrita também pode ser notado. Esta última, para se ter ideia, pode ser fluente. No entanto, a escrita tende a mostrar muitos erros e a não contar com palavras substantivas.

– Afasia de Broca (pertence ao grupo das afasias não fluentes)As pessoas que estão incluídas nessa tipologia costumam ter uma boa compreensão e conceituam relativamente bem. Porém, sua capacidade de formar as palavras pode ficar prejudicada.

O indivíduo tende a enfrentar algumas situações de frustração provenientes de sua tentativa de tentar se comunicar, pois a Afasia interfere na execução da fala e da escrita.

Além disso, a incapacidade de nomear objetos (chamada de anomia) pode ser notada em pacientes. A repetição e a prosódia prejudicada também são claramente percebidas.

O diagnóstico

É interessante ressaltar que para se chegar ao diagnóstico da Afasia, podemos ter dois eixos para seguir: o comum e o incomum. Porém, vale salientar que isso se refere ao que chamamos de diagnóstico diferencial.

Veja a seguir:
– Diagnóstico diferencial comum – – Acidente vascular cerebral isquêmico;– Hemorragia intracerebral;– Doença de Alzheimer;– Traumatismo cranioencefálico traumático;

– Diagnóstico diferencial incomum –

– Hematoma subdural;– Hemorragia subaracnoide;– Enxaqueca;– Encefalite herpética.Além disso, o diagnóstico também pode ser possibilitado a partir de uma investigação feita pela exclusão de outros problemas de comunicação, testes à beira do leito e testes neuropsicológicos, exames de imagem do cérebro.

Tratamento

Para proporcionar uma intervenção eficaz da Afasia, é interessante fazer uma abordagem mais ampla. “O tratamento deve ser individualizado para abordar os déficits residuais, as necessidades e prioridades de comunicação do indivíduo, além dos recursos disponíveis” (BMJ Best Practice, 2020). Vale lembrar que o especialista também pode tratar certas lesões causas pela Afasia (lesão de massa, por exemplo). Fonoaudiólogos e instrumentos amplificadores de comunicação também são indicados. 

Referências

BMJ Best Practice. Avaliação da afasia. 2018. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/973#referencePop8. Acesso em: 09 jan. 2020.
HICKOCK, George. The cortical organization of speech processing: Feedback control and predictive coding the context of a dual-stream model. NCBI – National Center for Biotechnology Information. Bethesda, v. 45, n. 6, p. 393 – 402, Nov. 2012.

Источник: https://institutoneurosaber.com.br/afasia-que-e-e-como-identificar/

Afasia: Causas, sintomas, tratamentos e tipos de afasia

Afasia de Wernicke: sintomas, causas e tratamento

Afasia é uma condição, causada por lesão neurológica ou doença, em que a capacidade anterior da pessoa de compreender ou expressar linguagem é prejudicada. A capacidade de falar, ouvir, ler ou escrever pode ser afetada dependendo do tipo de afasia envolvido.

Em contraste com problemas neurológicos que afetam a capacidade física de falar ou executar outras funções linguísticas, afasia envolve a capacidade mental para manipular sons da fala, vocabulário, gramática e significado. Existem vários tipos de afasia diferentes. Cada um tem sintomas diferentes e é causadoa por danos a uma parte diferente do cérebro.

  • Afasia de Broca resulta de danos no lobo frontal da área do cérebro de dominação de linguagem. 
  • Afasia de Wernicke é causada por danos no lobo temporal da mesma área de dominação de linguagem.

A grande maioria das afasias são causadas por danos no hemisfério esquerdo do cérebro, que é o dominante na linguagem em aproximadamente 95% das pessoas destras e 60 a 70% das pessoas canhotas.

Duas áreas no hemisfério esquerdo – área de Broca e área de Wernicke –  são especialmente importantes para a capacidade linguística, e os danos a estas áreas é a causa mais comum de afasia.

Afasia de Broca

A área de Broca, localizada no lobo frontal do hemisfério esquerdo, é nomeada por causa do médico francês do século 19, Paul Broca (1824-1880), um dos pioneiros no estudo da lateralização (o funcionamento especializado do lado direito e esquerdo do cérebro).

Afasia resultante de danos a esta área, conhecida como afasia de Broca, é caracterizada por um lento e difícil, discurso “telegráfico”, a partir do qual as palavras e função gramaticais comuns, como preposições e artigos, estão em falta (“Eu fui médico”).

Em geral, no entanto, a compreensão da linguagem falada e escrita é relativamente pouco afetada.

Afasia de Wernicke

Área de Wernicke, na parte traseira superior do lobo temporal esquerdo, é nomeada por Carl Wernicke (1848-1905), que descreveu pela primeira vez em 1874. A afasia associadas a esta área é chamada de afasia de Wernicke e difere drasticamente de afasia de Broca.

Enquanto a fala na afasia de Broca é excessivamente concisa, na afasia de Wernicke ela é preenchido com uma abundância de palavras (logorreia), mas são palavras que não conseguem transmitir o significado do falante.

Mesmo que o seu tom e ritmo soem normais, muitas das palavras são usadas incorretamente ou são confeccionadas palavras sem nenhum significado (jargão afásico). Além de suas dificuldades de fala, as pessoas com afasia de Wernicke também têm dificuldade para compreender a linguagem, repetir discurso, nomear objetos, leitura e escrita.

Uma exceção interessante para sua deficiência de compreensão é a sua capacidade de responder prontamente aos comandos diretos que envolvem o movimento corporal, como “Feche os olhos.”

Certos tipos de afasia, chamados de afasias de desconexão, são causados por danos nas conexões das zonas de Broca e de Wernicke,ou uns aos outros, ou a outras partes do cérebro.

Afasia de condução resulta de danos nos feixes de fibras que ligam as duas áreas de linguagem e é caracterizada por discurso fluente, mas um pouco sem sentido, e uma incapacidade de repetir frases corretamente.

Na afasia transcortical sensorial, as ligações entre a área de Wernicke e o resto do cérebro são cortadas, mas a área em si é deixada intacta. Pessoas com esta condição têm dificuldade para entender a linguagem e expressar seus pensamentos, mas podem repetir o discurso, sem qualquer problema.

Outro tipo de afasia, a “surdez de palavras” (word deafness), ocorre quando a informação auditiva é impedida de alcançar a área de Wernicke.

Pessoas afetadas pela “Surdez de palavras” podem ouvir sons de todos os tipos e compreender a linguagem escrita, mas a linguagem falada é incompreensível para eles, uma vez que os sinais auditivos não podem alcançar a parte do cérebro que os decodifica.

A maioria dos tipos de afasia são acompanhados por alguma dificuldade em nomear objetos. No entanto, quando esse problema é o único sintoma, a condição é chamada de afasia anômica.

Pessoas com afasia anômica podem compreender e repetir o discurso dos outros e expressar-se razoavelmente bem, embora sejam incapazes de encontrar algumas das palavras que necessitam.

No entanto, elas se saem mal quando questionadas para nomear objetos específicos.

Afasia semântica é causada por danos no hemisfério esquerdo que não afetam área de Broca ou de Wernicke. Geralmente ocorre depois de um ferimento na cabeça e também na doença de Alzheimer.

Afasia global é causada por danos generalizados no hemisfério cerebral dominante, esquerdo ou direitoa. Esta condição é caracterizada por uma perda quase total de todos os tipos de habilidade verbal, fala, compreensão, leitura e escrita.

É possível que as pessoas que sofrem de afasia na sequência de um acidente vascular cerebral ou traumatismo craniano possam recuperar algumas das suas capacidades linguísticas com a ajuda de um fonoaudiólogo. No entanto, há pouca chance de recuperação a partir de casos graves de afasia.

Referências

Browning, Elizabeth. I Can’t See What You’re Saying. New York: Coward, McCann & Geoghegan, 1973.

Hughes, Kathy. God Isn’t Finished With Me Yet. Nashville: Winston-Derek, 1990.

Howard, David. Aphasia Therapy: Historical and Contemporary Issues. Hillsdale, NJ: Erlbaum, 1987.

Fonte: Psychology Encyclopedia

Источник: https://psicoativo.com/2015/12/afasia-causas-sintomas-tratamentos-tipos-afasia.html

Afasia infantil: causas, sintomas e tratamentos

Afasia de Wernicke: sintomas, causas e tratamento

A afasia é um distúrbio causado por lesões nas zonas do cérebro que controlam a linguagem, e que pode dificultar a escrita, a compreensão, a forma de expressão e a comunicação. A afasia faz parte dos distúrbios infantis de linguagem de carácter adquirido.

Ou seja, não se trata de um distúrbio de processo evolutivo como aqueles que podem ser causados por surdez ou atraso mental.

A afasia infantil é um distúrbio adquirido, o que significa que deriva de um traumatismo craniano, de um tumor ou doença infecciosa entre outras.

Quais são as causas da afasia infantil?

Ao nascer, o cérebro é extremamente frágil, principalmente nos bebés prematuros, o que facilita que sejam várias as causas que podem provocar uma lesão cerebral. É portanto nas lesões cerebrais que devemos procurar as causas da afasia infantil, que podem ser as seguintes:

  • Traumatismo craneoencefálico (TCE).
  • Tumores: os principais tumores infantis habitualmente surgem no cerebelo.
  • Infeções, como a encefalite (inflamação do cérebro).
  • Acidente vascular cerebral (AVC).
  • Anoxia cerebral aguda (falta de oxigénio no cérebro).
  • Hidrocefalia (acumulação excessiva de líquido no cérebro).
  • Epilepsia

(Também lhe interessa: Autismo: tudo o que deve saber)

Tipos de afasia infantil

Existem quatro tipos de afasia infantil:

  • ·Afasia expressiva: a criança sabe o que quer dizer, mas tem dificuldade em dizê-lo ou escrevê-lo.
  • · Afasia recetiva: a criança ouve a voz e pode ler uma história, mas não entende o sentido, nem do que lê, nem do que ouve.
  • ·Afasia anómica: a criança tem dificuldade na escolha das palavras corretas para descrever as coisas.
  • ·Afasia global: a criança não consegue falar, compreender o que se lhe diz, ler ou escrever.

Além do mais, a afasia infantil pode desenvolver-se em duas fases diferentes: antes do nascimento e depois do nascimento, dependendo do momento em que se deu a lesão. Portanto podemos distinguir entre afasia perinatal e afasia infantil adquirida.

  • ·Afasia infantil perinatal: a lesão cerebral dá-se durante a gravidez ou no momento do parto. Este tipo de lesões tem um prognóstico favorável a nível de aprendizagem da linguagem.
  • Afasia adquirida infantil: a lesão cerebral dá-se entre os dois e os 8 ou 9 anos, quando a linguagem já foi adquirida de modo parcial ou total.

Existe tratamento para a afasia?

Se a lesão sofrida é perinatal, focal e unilateral, não costuma ser necessária a intervenção do terapeuta da fala, embora se deva vigiar atentamente o desenvolvimento da linguagem da criança, para garantir que não aparecem outras dificuldades à medida que cresce e se desenvolve.

Por outro lado, se a afasia for adquirida, a criança mantém algumas das suas capacidades sem problemas enquanto que outras sofrem alterações.

Neste caso, o tratamento a seguir será indicado pelo especialista, já que depende do momento em que se deu a lesão cerebral, da idade da criança, dos seus pontos fortes, etc.

Em geral, se a afasia se produzir antes do primeiro ano de vida, a recuperação é considerada muito favorável.

No caso das lesões focais e unilaterais, quanto mais pequena for a criança no momento em que se produz a lesão, melhor é o prognóstico graças à plasticidade cerebral.

Pelo contrário, as lesões difusas, apresentam uma pior recuperação nos casos mais precoces, já que afetam o cérebro do bebé de um modo geral, e este é todavia bastante imaturo.

Portanto, podemos concluir que não existe um padrão único no défice linguístico da afasia infantil.

As diferentes variações do distúrbio de linguagem, o seu prognóstico e tratamento, dependem de muitas variáveis: causas da afasia, idade da criança, dificuldades manifestadas na aprendizagem da linguagem, etc.

O mais importante, em caso de suspeitar que o seu filho tem afasia, é consultar o médico, que, se considerar necessário, se encarregará de contactar um especialista.

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