Anemia crônica: o que é, causas, como identificar e tratamento

Anemia da doença crônica

Anemia crônica: o que é, causas, como identificar e tratamento

Autor:

Rodrigo Antonio Brandão Neto

Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 29/10/2013

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A anemia da doença crônica, antigamente denominada anemia da inflamação crônica, ocorre associada com diversas condições, como doenças infecciosas, inflamatórias e neoplásicas. Relatos recentes verificaram que também pode estar associada a outras condições, como trauma, diabetes melito, entre outras.

Em todas essas condições, alguns achados são comuns, como nível de hemoglobina (Hb) entre 7 e 11 g/dL, associação com ferro (Fe) sérico baixo, depósitos de Fe aumentados e diminuição da capacidade total de ligação de ferro (CTLF). Também é conhecida como anemia sideropênica ou siderose reticuloendotelial. Esta anemia é tipicamente normocítica, normocrômica e hipoproliferativa.

Etiologia e patogênese

Várias alterações contribuem para o aparecimento da anemia em doenças crônicas, como metabolismo anormal do ferro com redução da absorção de ferro pelo trato gastrintestinal e retenção de ferro nos macrófagos.

A gravidade da anemia é proporcionalmente relacionada à severidade dos sintomas da doença associada (febre, perda de peso e debilidade geral). Existe ainda uma diminuição relativa na produção de eritropoietina, diferente do que ocorre na maioria das anemias.

As citocinas liberadas por inflamação apresentam um papel cada vez mais conhecido nestes casos; entre estas, vale destacar as IL-1 e IL-6, além do TNF-alfa. Essas citocinas podem desencadear uma cascata que inclui a secreção de interferon por linfócitos T.

Sabe-se, por exemplo, que o interferon-gama é associado com aparecimento de anemia com características de doença crônica em modelos animais. O papel da hepcidina na patogênese da anemia de doença crônica também é bem definido experimentalmente.

Esta proteína tem um papel importante no metabolismo do ferro, inibindo sua absorção pelos enterócitos e interrompendo sua liberação pelos macrófagos. A produção da hepcidina é estimulada pelas citocinas pró-inflamatórias, justificando seu papel neste tipo de anemia.

Para ocorrer a anemia, é necessário cerca de 1 a 2 meses de infecção sustentada; depois desse período, um novo balanço é estabelecido entre produção e destruição de células vermelhas até que os níveis de Hb se tornam estáveis.

Também é característica da anemia da doença crônica leve diminuição da vida das hemácias, embora tal diminuição pareça ter pouca importância na fisiopatologia.

A vida média das células vermelhas nestas condições é reduzida em 20 a 30%, também por ação das citocinas.

A resposta da medula óssea a eritropoietina e a outros estímulos é diminuída, e parte deste efeito parece ser mediado por supressão medular pela IL-1.

Há a descrição de uma forma aguda da anemia da doença crônica, que ocorre após algum evento agudo, como infarto do miocárdio, trauma ou sepse grave.

Laboratorialmente, apresenta muitas das características observadas na anemia de doença crônica.

Esses pacientes apresentam níveis altos de hepcidina, sobretudo elevação importante da IL-6, que se correlaciona com diminuição rápida dos níveis de Hb, maiores que a velocidade esperada na forma habitual da anemia

Achados clínicos e laboratoriais

A gravidade da anemia é severa. Em geral, os níveis de Hb variam entre 7 e 11 g/dL, não necessariamente com sintomas relacionados a anemia. Níveis de Hb abaixo de 8,5 g/dL são vistos em cerca de 20% dos casos. A contagem absoluta de reticulócitos é baixa, em geral com menos de 25.000 céls/mm3.

Níveis de ferritina abaixo de 15 g/dL são marcadores da ausência de depósitos de Fe, sendo, na prática, patognômonicos de anemia ferropriva.

Embora sensível, este ponto de corte é pouco específico para diferenciar entre a anemia por deficiência de ferro e a anemia da doença crônica. Utilizando um ponto de corte de 30 g/dL, tem-se um marcador melhor para diferenciar entre esses dois tipos de anemia.

Já a concentração de Fe sérico e os níveis de transferrinas são baixos, assim como o observado na anemia ferropriva.

Os pacientes podem apresentar anemia de doença crônica concomitantemente à anemia ferropriva; neste caso, a microcitose observada costuma ser maior que a normalmente observada na anemia ferropriva.

Em pacientes com níveis de ferritina acima de 100 g/dL, o diagnóstico de anemia ferropriva é praticamente descartado, mas se os níveis de ferritina se encontram entre 30 e 100 g/dL, o diagnóstico diferencial se torna mais difícil, sendo necessário verificar os níveis dos receptores solúveis da transferrina. Neste caso, tais níveis são aumentados na anemia ferropriva e normais na anemia da doença crônica. Pode-se utilizar uma fórmula para ajudar esta diferenciação: se a relação entre os níveis dos receptores da transferrina sobre o logaritmo da ferritina sérica for maior que 2, é provável que haja associação entre anemia ferropriva e doença crônica; se for menor que 1, provavelmente há anemia de doença crônica isolada. A concentração de ferro menor que 26 pg/célula é outro exame sugestivo de deficiência de ferro e pode ajudar a diferenciação.

A avaliação da medula óssea pode ser de grande ajuda. Classicamente, os macrófagos da medula óssea contêm quantidades normais ou aumentadas dos depósitos de ferro, refletindo redução da exportação de ferro pelos macrófagos.

Além disso, os precursores eritroides apresentam diminuição ou ausência de coloração para ferro (ou seja, diminuição do número de sideroblastos), refletindo a menor disponibilidade de ferro para a produção de glóbulos vermelhos.

De qualquer forma, em virtude da concomitância de doenças que acometem esses pacientes, é difícil interpretar o aspirado de medula óssea nessas circunstâncias.

A anemia nesses pacientes é tradicionalmente normocrômica e normocítica, mas um grande número de pacientes apresentam volume corpuscular médio (VCM) e concentração de hemoglobina corpuscular média (ChbCM) discretamente diminuídos. A Tabela 1 mostra as características da anemia da doença crônica comparada a pacientes com deficiência de ferro.

Tabela 1. Características da anemia da doença crônica

CaracterísticasNormalDeficiência de Feanemia da doença crônica
Fe plasmático70 a 1903030
Capacidade ligação Fe250 a 40450200
% saturação Fe30715
Fe no macrófago da medula óssea2 +03+
Ferritina sérica20 a 20010150 ou +
Receptores de transferrina sérica8 a 28AumentadaNormal

Os sintomas relacionados à anemia de doença crônica são, em geral, aqueles das doenças de base, podendo ter piora por causa de eventual anemia sintomática. Em particular, nos pacientes com comprometimento pulmonar, febre ou debilidade física, uma redução moderada do transporte de O2 causada pela queda de Hb pode agravar sobremaneira os sintomas do paciente.

Diagnóstico diferencial

O primeiro diferencial é com a anemia ferropriva. Cmo já comentado, nos casos em que existem dúvidas, alguns autores recomendam a terapia com reposição de ferro com reavaliação conforme a resposta.

Vale lembrar que os pacientes apresentam, em geral, anemia normocítica e normocrômica hipoproliferativa, o que tem como diagnósticos diferenciais importantes a doença renal crônica.

Eles também podem apresentar quadro de anemia similar a doenças endócrinas, como hipertireoidismo, hipotireoidismo, pan-hipopituitarismo e hiperparatireoidismo primário e secundário.

A anemia dilucional que ocorre em pacientes com doenças avançadas, principalmente em neoplasias avançadas, e a supressão da medula óssea induzida por medicamentos, que elimina siderose nos macrófagos, também é um diferencial importante.

Quando o paciente apresenta anemia microcítica e principalmente em casos mais severos, o diagnóstico diferencial se torna mais extenso, devendo-se considerar talassemia minor, variantes sideropênicas das síndromes mielodisplásicas, mieloftise por invasão de medula óssea, entre outras condições.

Tratamento e prognóstico

O tratamento de escolha é o da doença de base, seja cirurgia ou quimioterapia para neoplasias ou antibioticoterapia para doenças infecciosas ou qualquer outra modalidade de tratamento cabível para as doenças associadas.

A anemia nestes pacientes costuma ser moderada e compatível com as limitações funcionais das doenças de base.

Deve-se avaliar a possibilidade de outros fatores complicadores associados, como deficiência de vitamina B12, ácido fólico ou ferro.

Pode haver alguma melhora dos sintomas com o uso da eritropoietina. Caso se decida pelo seu uso, é importante ter em mente a necessidade de repor o ferro para manter a saturação de transferrina acima de 20% e ferritina sérica acima de 100 ng/mL. Tais recomendações valem para qualquer condição com a indicação do uso de eritropoietina, a qual  pode ser dada em dose de 10.

000 U 3 vezes/semana, por via subcutânea. Essa dose pode ser aumentada ou diminuída conforme a resposta, ou seja, aumento da Hb e diminuição dos níveis de ferritina em 2 a 3 semanas. A darbopoietina também pode ser utilizada, mas se não houver resposta satisfatória, recomenda-se descontinuar o tratamento.

Os níveis de Hb desejados são aqueles que aliviem a sintomatologia do paciente.

A transfusão de concentrado de hemácias é recomendada em casos de anemia sintomática, sobretudo se os níveis de Hb estiverem abaixo de 7 g/dL, apesar do tratamento com agente estimulador da eritropoiese.

Bibliografia recomendada

1.    Weiss G, Goodnough LT. Anemia of chronic disease. N Engl J Med 2005; 352:1011.

2.    Schrier SL, Camaschella C. Anemia of chronic disease. Disponível em www.uptodate.com.

Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/5571/anemia_da_doenca_cronica.htm

Anemia provoca cansaço e falta de apetite; como combater a doença?

Anemia crônica: o que é, causas, como identificar e tratamento

A anemia é uma condição caracterizada pela queda no conteúdo de hemoglobina, o pigmento que dá cor aos glóbulos vermelhos no sangue. Isso pode ocorrer pela carência de um ou mais nutrientes essenciais, como ferro (de longe o mais comum), zinco, vitamina B12 e proteínas. Também pode ser consequência da perda de sangue ou de diferentes doenças ou condições adquiridas ou hereditárias.

Os glóbulos vermelhos, também chamados de hemácias ou eritrócitos, têm a nobre função de transportar oxigênio dos pulmões para todas as células do corpo. Daí que, com pouca hemoglobina, todo o organismo fica deficitário, embora o sofrimento seja mais pronunciado para músculos, coração e sistema nervoso central.

A queda de hemoglobina no sangue pode ser aguda, quando há perda de sangue ou destruição de glóbulos vermelhos por alguma doença, ou pode ser crônica, o que ocorre lentamente e pode ter várias causas.

Prevalência

A anemia é um problema extremamente comum.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 30% da população mundial é anêmica, em especial crianças abaixo de 2 anos e mulheres de diferentes faixas etárias, embora também possa ocorrer em homens e idosos.

Além disso, estima-se que de 27% a 50% da população seja afetada pela deficiência de ferro, principalmente em populações com menor renda e desenvolvimento.

No Brasil, os dados variam de acordo com o estudo e o grupo populacional analisado. Mas, de modo geral, estima-se que 40% a 50% das crianças tenham anemia.

Tipos de anemia

1. Anemias por carências nutricionais

– Anemia ferropriva Causada pela deficiência de ferro, representa cerca de 90% de todos os casos de anemia.

É que esse mineral, presente em carnes, leguminosas e vegetais verde-escuros, atua na fabricação de células vermelhas e no transporte de oxigênio.

A cor vermelha do sangue, por sinal, se deve à reação química que acontece entre o oxigênio e o ferro contidos na hemoblobina. Esse tipo de anemia pode ocorrer devido à má absorção do mineral, restrições alimentares ou por hemorragias.

– Anemia megaloblástica Provocada pela carência de vitamina B12 e ácido fólico, importantes para o sistema nervoso.

A falta de B12, encontrada em alimentos de origem animal, pode ocorrer devido a restrições na dieta ou por alterações intestinais que impedem sua absorção —como as doenças de Crohn ou celíaca, a proliferação anormal de bactérias ou a cirurgia da obesidade.

Muitas vezes, a deficiência ocorre pela ausência de uma proteína secretada no estômago que se chama “fator intrínseco” e nesse caso é chamada de anemia perniciosa. A condição pode estar ligada a características hereditárias ou reações autoimunes.

A deficiência de ácido fólico (ou folato), presente em frutas e vegetais com folhas verdes, também pode ser ligada a restrições na dieta, doenças intestinais, cirurgia de obesidade ou uso de álcool ou certos medicamentos, entre outros motivos. Sua demanda aumenta bastante na gravidez e amamentação, por isso a suplementação é indicada nessa fase.

2. Anemia provocada por perdas sanguíneas

O quadro é provocado pela perda crônica ou aguda de sangue em situações diversas, como período menstrual, verminoses, cirurgias, ferimentos hemorrágicos, sangramentos gastrointestinais (muitas vezes imperceptíveis), entre outras.

3. Anemia provocada por doenças

– Anemia ou doença falciforme Condição genética que leva a uma mudança no formato das células vermelhas, que assumem a forma de foice e perdem flexibilidade. Com isso, elas tendem a morrer mais rapidamente, gerando um quadro frequente de anemia e crises dolorosas. É uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil, devido à presença de afrodescendentes.

– Talassemia É outra doença genética que causa anemia crônica, devido à produção diminuída de um tipo de cadeia que forma a molécula de hemoglobina. A condição faz parte de um grupo de doenças do sangue (hemoglobinopatias) e pode provocar problemas ósseos, crescimento inadequado e aumento do baço e do fígado.

– Doenças da medula óssea Leucemias e tumores na medula podem ocasionar anemias frequentes.

– Anemia aplástica Doença rara da medula óssea caracterizada pela produção insuficiente não só de glóbulos vermelhos, mas também de glóbulos brancos e plaquetas, que pode ter causas diversas, como infecções, condições autoimunes e até pela exposição a produtos químicos.

– Anemia hemolítica Neste caso, os glóbulos vermelhos são destruídos mais rapidamente do que deveriam, e a medula óssea não consegue repô-los.

Outras doenças Outras enfermidades crônicas podem causar anemia, como a doença renal ou hepática, doenças reumatológicas e câncer, entre outras, porque a inflamação altera o metabolismo de ferro e a produção de glóbulos vermelhos diminui.

Perfis de risco

  • Mulheres em idade fértil, por causa da menstruação (aquelas que possuem fluxo intenso ou miomas podem ser mais propensas a ter anemia pela perda de sangue)
  • Gestantes ou em fase de amamentação
  • Crianças durante períodos de crescimento
  • Adolescentes em fase de crescimento
  • Idosos (que tenham a alimentação prejudicada por doenças ou dificuldades de mastigação, por exemplo)
  • Pacientes submetidos à cirurgia da obesidade
  • Indivíduos com doenças que causam perda sanguínea
  • Indivíduos que seguem dietas restritivas ou desbalanceadas (como pessoas com transtornos alimentares, veganos que não suplementam a vitamina B12, populações de baixa renda etc.)
  • Indivíduos com doenças crônicas, como câncer, doença renal ou hepática, alterações da tireoide, doença inflamatória intestinal (como Crohn ou colite ulcerativa), artrite reumatoide e outras condições autoimunes (que podem afetar os glóbulos vermelhos ou envolver tratamentos que tenham esse efeito colateral)

Sintomas de anemia

Os sintomas da anemia são inespecíficos, por isso às vezes podem ser confundidos com outras doenças. Veja algumas manifestações possíveis:

  • Cansaço generalizado
  • Falta de apetite
  • Palidez de pele e mucosas (parte interna dos olhos e gengivas)
  • Tontura
  • Falta de ar
  • Coração acelerado
  • Dor de cabeça
  • Mãos e pés frios
  • Dor no peito
  • Desejo de comer coisas estranhas, como terra, tijolo ou gelo

Algumas pessoas com anemia leve podem até não apresentar qualquer sinal e descobrir a condição numa consulta de rotina. Quanto os níveis de hemoglobina ainda não estão muito baixos, sinais como cansaço e palpitação podem aparecer somente se a pessoa realiza algum esforço. Já nos casos mais intensos as manifestações aparecem mesmo em repouso.

Possíveis consequências da anemia ferropriva

  • Comprometimento do sistema imune, com aumento da predisposição a infecções
  • Aumento do risco de doenças e mortalidade de mães e recém-nascidos
  • Redução do crescimento, desenvolvimento neuropsicomotor e dificuldades de aprendizagem das crianças
  • Redução da produtividade em adultos

Diagnóstico

A partir da conversa com o paciente, análise do histórico médico e familiar e exame físico, o médico deve solicitar um exame de sangue com realização de hemograma, que permite identificar a quantidade de glóbulos vermelhos e avaliar seu formato, o que já ajuda a estabelecer possíveis causas. Outros exames podem ser solicitados para determinar outras possíveis causas, como dosagem de ferro e vitamina B12, entre outros.

Valores de referência

Os valores para concentração de hemoglobina considerados normais são de:

  • 13 g/dL para homens
  • 12 g/dL para mulheres
  • 11 g/dL para gestantes e crianças entre 6 meses e 6 anos

Como tratar a anemia

Quando a anemia é causada por carência de nutrientes, eles são repostos por meio de suplementos (como sulfato ferroso, vitamina B13 e folato) e correção da dieta. Doenças que provocam perda de sangue terão tratamento específico, bem como as que afetam diretamente a produção de glóbulos vermelhos.

Condições autoimunes demandam uso de imunossupressores, mulheres com fluxo menstrual intenso podem ser orientadas a adotar métodos contraceptivos e portadores de anemias hereditárias devem ser acompanhados para eventuais reposições de sangue e suplementação, para citar alguns exemplos.

Como deve ser a dieta de quem tem anemia?

As recomendações dietéticas dependem da causa da anemia.

Na mais comum, a ferropriva, é sugerido o consumo de carnes vermelhas, vísceras (fígado, coração e miúdos), aves, peixe, carne suína, leguminosas (como feijão e lentilha) e hortaliças verde-escuras.

Alguns alimentos industrializados são enriquecidos com ferro (como leite e as farinhas de trigo e milho), com o objetivo de minimizar o problema.

Alimentos de origem animal são as únicas fontes de vitamina B12, por isso veganos devem receber a suplementação. Já o ácido fólico é encontrado em alimentos como espinafre e outras folhas verde-escuras, feijão branco, aspargos, soja e derivados, laranja, melão e maçã.

Ferro heme e não heme

Existem dois tipos de ferro nos alimentos: o heme está presente nas carnes e subprodutos e é melhor aproveitado pelo organismo.

O ferro não heme é encontrado nos alimentos de origem vegetal, e sua absorção depende de alguns fatores, como a ingestão (na mesma refeição) de alimentos ricos em vitamina C e A.

Deve-se evitar, também, o consumo de chá, lácteos ou café na refeição rica em ferro, pois esses itens dificultam sua absorção.

Como prevenir a anemia

– Procure ter uma alimentação balanceada e variada, rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais, leguminosas, leite, carnes e ovos. Veganos devem ter acompanhamento nutricional para evitar carências de ferro e vitamina B12.

– Ao consumir fontes vegetais de ferro (como feijão e lentilha), consuma junto alguma fonte de vitamina C, como laranja, para otimizar a absorção do mineral.

– Evite o excesso de álcool, que também pode levar à anemia.

– Não exagere no consumo de medicamentos com ácido acetilsalicílico, que podem causar sangramentos gastrointestinais.

– Mulheres com fluxos menstruais intensos devem ter acompanhamento médico periódico para monitorar os níveis de hemoglobina.

Fontes:Alex Freire Sandes, hematologista do Fleury Medicina e Saúde; Elisabete Rocha, nutricionista do Centro Terapêutico Equilybrium; American Society of Hematology; Ministério da Saúde

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Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/07/09/anemia-quais-as-causas-sintomas-e-como-tratar-o-problema.htm

Anemia

Anemia crônica: o que é, causas, como identificar e tratamento

A anemia é uma patologia que se caracteriza por uma deficiência no tamanho ou número de glóbulos vermelhos (também chamados de hemácias ou eritrócitos) no sangue ou na quantidade de hemoglobina que estes contêm.

A anemia é um problema de saúde pública que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que afete cerca de 42% das crianças com menos de 5 anos de idade e 40% das mulheres grávidas, no entanto para Portugal não existem ainda números concretos.

Os glóbulos vermelhos possuem na sua constituição hemoglobina, que é uma proteína responsável pelo transporte de oxigénio no sangue. Na anemia esta deficiência provoca uma limitação na troca do oxigénio e do dióxido de carbono entre o sangue e as células.

A concentração de hemoglobina necessária para as necessidades fisiológicas do organismo depende de vários fatores e varia com a idade, sexo, hábitos tabágicos e gravidez.

Para que ocorra a produção de glóbulos vermelhos e hemoglobina pelo corpo são necessários alguns nutrientes obtidos através da dieta, tais como: o ferro, vitamina B12 e ácido fólico, sendo que a maioria das anemias é causada pela falta destes nutrientes.

Tipos de anemia

Existe vários tipos de anemia, sendo que a classificação é baseada no tamanho da célula.

1. Macrocítica (grande) – esta é caracterizada por hemácias maiores do que o normal e um aumento do volume corpuscular médio:

  • Magalobástica;
  • Perniciosa;
  • Anemia de Fanconi.

2. Normocítica (normal) – esta pode ter na sua origem uma perda de sangue aguda, doença crónica ou numa falha na produção:

  • Aplástica;
  • Falciforme;
  • Hemolítica.

3. Microcítica (pequena) – esta é caracterizada por hemácias menores do que o normal e menos hemoglobina circulante, como em casos de deficiência de fero e na talassemia

  • Ferropriva;
  • Sideroblástica;
  • Talassemia.

Causas da anemia

A anemia pode ter na sua origem diferentes causas, existindo diversos fatores que podem promover ou facilitar o seu aparecimento.

Para a produção de glóbulos vermelhos e da hemoglobina é necessário que existam disponíveis alguns nutrientes, sendo que uma das causas mais comuns de anemia são as carências nutricionais, em especial a carência de ferro, mas também a de vitamina B12.

A anemia pode surgir devido a uma baixa produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea, uma destruição elevada dos glóbulos vermelhos pelo corpo ou devido a uma perda de glóbulos vermelhos através de hemorragias (sangramento).

Entre os principais fatores que podem levar ao surgimento da anemia temos:

  • Carência de ferro;
  • Doenças crónicas (como por exemplo cancro, infeção por VIH / SIDA, artrite reumatóide, insuficiência renal);
  • Doenças intestinais (em especial quando existe comprometimento da absorção de nutrientes);
  • Hereditariedade (componente genética);
  • Atividade física intensa;
  • Outros fatores (como por exemplo menstruação, gravidez, alcoolismo ou alguns tipos de medicamentos).

Diagnóstico da anemia

O diagnóstico de anemia é efetuado com recurso a análises ao sangue, através da realização de um hemograma.

Uma vez identificada a presença de anemia poderá ser necessário recorrer a exames adicionais de forma a identificar a causa da mesma e, desta forma direcionar o tratamento.

Sinais e sintomas da anemia

Os sintomas da anemia podem passar despercebidos durante a fase inicial ou, até ser inicialmente confundida com cansaço ou fadiga.

À medida que a anemia vai avançando começam a surgir cada vez mais sintomas. Numa fase mais avançada os principais sintomas que se podem manifestar são:

  • Falta de força generalizada;
  • Palidez;
  • Dores de cabeça;
  • Alterações do sono;
  • Tonturas;
  • Dificuldade de concentração;
  • Depressão;
  • Tensão arterial baixa;
  • Ritmo cardíaco acelerado;
  • Respiração acelerada com sensação de opressão;
  • Desmaios;
  • Unhas quebradiças;
  • Perda de apetite;
  • Extremidades frias.

Tratamento da anemia

O tratamento da anemia deve ser orientado conforme o tipo de anemia e a sua causa, mas passa pela reposição dos níveis normais de glóbulos vermelhos e de hemoglobina.

No caso da anemia originada pela carência de ferro ou de vitamina B12, o tratamento baseia-se na administração de suplementos de ferro ou de vitamina B12, respetivamente.

Paralelamente, é necessário a adoção de uma dieta equilibrada e que permita suprimir as necessidades nutricionais do indivíduo, nomeadamente as necessidades diárias de ferro.

Abordagem nutricional

Para além da suplementação de ferro, a adoção de uma dieta equilibrada e que suprima as necessidades nutricionais do indivíduo é essencial e, pode ajudar a reverter a anemia, dependendo da sua causa, ou a prevenir o seu desenvolvimento.

A abordagem nutricional passa pela inclusão de alimentos fornecedores de ferro na alimentação, potenciar a sua absorção pelo organismo, como por exemplo, através da inclusão de mais vitamina C na dieta e através da redução dos alimentos que interferem na absorção do ferro.

Dieta rica em ferro

Sendo que uma grande maioria das anemias tem na sua origem uma carência de ferro, a adoção de uma dieta rica neste nutriente e que suprima as necessidades diárias do indivíduo é essencial.

As recomendações de ferro por dia variam de homem para mulher e são de 8mg de ferro por dia para homem e 18mg de ferro por dia para mulheres. No caso dos indivíduos vegetarianos os valores recomendados são maiores, sendo recomendada uma ingestão de 14mg de ferro por dia para homem e 32mg de ferro por dia para mulheres.

Os alimentos com um maior teor de ferro e os quais deverão ser incluídos em maior quantidade na alimentação diária são:

De origem animal:

  • Carne, em especial as carnes vermelhas;
  • Vísceras, como fígado, rim e coração;
  • Ovos.

De origem vegetal:

  • Cereais integrais (trigo, milho, centeio, aveia, cevada);
  • Leguminosas (feijão, grão, lentilhas, ervilhas, favas, tremoços);
  • Legumes verde escuros (como por exemplo, salsa, espinafres, agrião, brócolos, couve);
  • Frutos oleaginosos (como por exemplo amêndoa, avelã, noz);
  • Sementes (sésamo, cânhamo, abóbora);
  • Tofu.

Aumentar o consumo de vitamina C

A vitamina C não contribui para a produção de hemoglobina, mas promove a absorção de ferro pelo organismo. A absorção de ferro é assim maior quando os alimentos ricos em ferro são acompanhados por fontes alimentares de vitamina C.

Como tal, é essencial a conjugação de alimentos ricos de vitamina C com os alimentos ricos em ferro.

A grande maioria dos legumes e frutas são excelentes fontes de vitamina C, no entanto podemos destacar os seguintes:

  • Frutas: kiwi, frutas cítricas, morangos, abacaxi, melão, papaia, goiaba e uvas;
  • Legumes: brócolos, couve portuguesa, couve de Bruxelas, couve flor, pimento, tomate e legumes verde escuro, como por exemplo espinafres, rúcula, agrião.

Reduzir o consumo de alimentos que prejudicam a absorção de ferro

Existem determinados alimentos que promovem a diminuição da absorção de ferro pelo organismo, tais como: chá, café e cacau. Estes alimentos são ricos em compostos como os taninos e polifenóis que interferem com a absorção de ferro pelo organismo.

Para evitar a diminuição da absorção de ferro é assim recomendado:

  • Evitar ingerir chá ou café com a refeição ou pelo menos 1 a 2 horas após o término da mesma;
  • Evitar tomar suplementos de cálcio ou leite e derivados com ou após a refeição, uma vez que estes são fontes de cálcio que diminui a absorção de ferro.

Correção dos níveis de Vitamina B12

Para a produção de glóbulos vermelhos pelo organismo também é necessária a existência de níveis adequados de vitamina B12, podendo também surgir anemia no seguimento de baixos níveis de vitamina B12, como a anemia megaloblástica.

Caso a anemia tenha origem numa baixa ingestão de vitamina B12, paralelamente à suplementação recomendada, também é necessário o reforço desta vitamina na alimentação.

Os principais alimentos fornecedores de vitamina B12 são:

  • Fígado;
  • Ostras;
  • Marisco;
  • Ovos;
  • Levedura nutricional.

Caso suspeite que tenha anemia deverá informar o seu médico. O seu diagnóstico é feito através de análises ao sangue e o tratamento adaptado à causa da mesma.

Paralelemente, a consulta de nutrição com um nutricionista pode ajudar a ajustar a sua alimentação às suas necessidades nutricionais e garantir que suprime as necessidades de vitaminas e minerais, como o ferro e a vitamina B12, potenciando o tratamento efetuado com o seu médico.

Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/blog/nutricao/anemia/

O QUE É ANEMIA – Tipos, causas e sintomas

Anemia crônica: o que é, causas, como identificar e tratamento

A anemia é um dos distúrbios mais frequentes na medicina. Apesar de ser uma condição comum, ela é muitas vezes mal diagnosticada, mal tratada e quase sempre mal explicada aos pacientes.

Popularmente, a anemia é conhecida como falta de sangue. Esse conceito não está de todo errado, mas podemos ser um pouco mais precisos. Anemia é a redução do número de glóbulos vermelhos (também chamados de hemácias ou eritrócitos) no sangue. As hemácias são as células que transportam o oxigênio, levando-o para todos os órgãos e tecidos do corpo.

A anemia não é uma doença, ela é um sinal de doença. Se o paciente é diagnosticado com anemia, o próximo passo é investigar a causa, pois com certeza há alguma doença por trás provocando a queda no número glóbulos vermelhos no sangue.

Para ficar mais fácil de entender, vamos explicar o que é o sangue.

De que é feito o sangue?

O sangue pode ser dividido didaticamente em duas partes: plasma e células.

O plasma sanguíneo é a parte líquida, correspondendo a 55% do volume total de sangue. O plasma é basicamente água (92%), com alguns nutrientes diluídos, como proteínas, anticorpos, enzimas, glicose, sais minerais, hormônios, etc.

Composição do sangue após centrifugação

Os outros 45% do sangue são compostos por células: hemácias, leucócitos e plaquetas. Destas células, 99% são hemácias.

A anemia surge quando o percentual de hemácias no sangue fica reduzido, deixando-o mais diluído (as causas serão explicados mais à frente).

O diagnóstico da anemia é feito basicamente pela dosagem das hemácias no sangue, realizada através de em um exame de sangue chamado hemograma. Na prática, a dosagem das hemácias é feita através dos valores do hematócrito e da hemoglobina.

Para entender como se diagnostica uma anemia é preciso estar familiarizado com os termos hematócrito e hemoglobina. Vamos a eles, então.

O que é hematócrito?

O hematócrito é o percentual do sangue que é ocupado pelas hemácias (glóbulos vermelhos). O hematócrito normal fica ao redor de 40 a 45%, indicando que 40 a 45% do sangue são compostos por hemácias.

As hemácias são produzidas na medula óssea e têm uma vida de apenas 120 dias. As hemácias velhas são destruídas pelo baço (órgão situado à esquerda na nossa cavidade abdominal). Isso significa que após quatro meses nossas hemácias já foram todas renovadas. A produção e a destruição das hemácias  são constantes, de modo a se manter sempre um número estável de hemácias circulantes no sangue.

O que é hemoglobina?

A hemoglobina é uma molécula portadora de ferro que fica dentro da hemácia. A hemoglobina é o componente mais importante da hemácia por ser ela a responsável pelo transporte de oxigênio pelo sangue.

O ferro é um elemento essencial da hemoglobina. Pessoas com carência de ferro não conseguem produzir hemoglobinas, que por sua vez são necessárias para a produção das hemácias. Portanto, uma diminuição das hemoglobinas obrigatoriamente leva a uma diminuição das hemácias, ou seja, à anemia.

Na prática, a dosagem de hemoglobina acaba sendo a mais precisa na avaliação de uma anemia, uma vez que o hematócrito pode ser influenciado por uma sangue mais ou menos diluído.

Diagnóstico

O diagnóstico de anemia é feito quando os valores da hemoglobina e do hematócrito estão abaixo dos seguintes valores de referência:

  • Hematócrito normal: 41% a 54% nos homens ou 35% a 47% nas mulheres.
  • Hemoglobina normal: 13 a 17 g/dL nos homens ou 12 a 16 g/dL nas mulheres.

É importante salientar que os valores de referência podem variar de um laboratório para o outro, e resultados um pouco abaixo do normal devem ser interpretados pelo seu médico, uma vez que não necessariamente indicam doença. Mulheres com grande fluxo menstrual podem ter valores menores que estes, sem causar qualquer dano à saúde. Uma leve queda no hematócrito nas mulheres pode não ter relevância clínica.

Bom, explicado o básico, vamos ao que interessa.

Causas

A anemia tem três causas básicas:

  • Pouca produção de hemácias pela medula óssea.
  • Elevada destruição de hemácias pelo corpo.
  • Perda de hemácias e ferro através de sangramentos.

Como já referido, é importante entender que anemia não é uma doença, mas sim um sinal de doença. Ao se deparar com um hemograma evidenciando queda do hematócrito, o médico deve investigar qual das três causas acima é a responsável pelo quadro. Não basta prescrever ferro e achar que está tudo bem.

Exemplos de causas de anemia que não se resolvem apenas com reposição de ferro:

1- Um câncer de intestino pode causar sangramentos e perda de hemácias, levando à anemia.

Esta anemia é causada por perda de sangue e, apesar do paciente realmente ter carência de ferro, uma simples reposição não irá estancar o sangramento, nem tratar o tumor.

Na verdade, repor ferro sem investigar a causa da anemia pode melhorar os valores do hematócrito temporariamente, levando à falsa impressão de resolução do problema, o que só irá atrasar o diagnóstico final.

2- Uma infecção que atinge a medula óssea impede a produção de hemácias, levando à anemia. Neste caso, a queda do hematócrito ocorre por falta de produção de hemácias na medula. Do mesmo modo, repor ferro não irá tratar a causa.

3- Um medicamento que seja tóxico para as hemácias e cause sua destruição antes de 120 dias, também leva à anemia. Anemia por rápida destruição das hemácias também não vai ser tratada com ferro.

Portanto, o simples diagnóstico de anemia não encerra a investigação. Pelo contrário, ele é apenas o primeiro passo para se obter o diagnóstico final. Se o paciente tem uma queda no hematócrito, existe uma causa por trás.

A reposição de ferro só está indicada nos casos de anemia por carência ferro, chamada de anemia ferropriva.

Ainda assim, a reposição não elimina a necessidade de se investigar o que está causando a perda de ferro. O paciente pode perder sangue por úlceras no estômago, tumores no intestino, sangramento vaginal, etc.

Para saber mais sobre anemia por carência de ferro, leia: ANEMIA FERROPRIVA | Carência de ferro.

Doenças que podem causar anemia

Na verdade, qualquer doença que curse com inflamação crônica pode inibir a função da medula óssea e cursar com queda das hemácias, uma situação que chamamos de anemia de doença crônica. Portanto, qualquer doença mais arrastada pode causar anemia.

Anemias primárias

Na maioria dos casos, a anemia surge devido a alguma doença, como nos exemplos citados acima. Todavia, existem também as anemias primárias, ou seja, causadas por defeitos próprios na produção das hemácias. As anemias primárias são aquelas que não são causadas por outras doenças, elas são a própria doença.

Estas anemias são normalmente doenças de origem genética. As mais comuns são:

  • Anemia falciforme.
  • Talassemia.
  • Anemia sideroblástica.
  • Esferocitose.
  • Hemoglobinúria paroxística noturna.
  • Deficiência de G6PD.

Apenas para reforçar os conceitos: na anemia primária, o paciente tem um defeito genético que o impede de produzir hemácias saudáveis. O paciente nasce com esse problema. Nas anemias secundárias, o paciente passa a apresentar anemia depois de contrair algum problema de saúde ao longo da sua vida.

Anemia vira leucemia?

NÃO! nenhuma anemia causa leucemia, assim como nenhuma anemia vira leucemia. Na verdade, anemia não só não vira leucemia como nenhum outro tipo de câncer. Entretanto, como já foi explicado, a queda dos valores do hematócrito pode ser um sinal da existência de um câncer, entre eles a própria leucemia. Portanto, a leucemia leva à anemia e não o contrário.

Explicamos melhor o porquê da anemia não virar leucemia no artigo: Anemia pode virar leucemia?

Sintomas

Como as hemácias são as transportadoras de oxigênio do nosso corpo, a falta delas leva aos sintomas de uma oxigenação deficiente dos nossos tecidos. O principal sintoma da anemia é o cansaço. A anemia pode ser tão grave que tarefas simples como pentear o cabelo ou mudar de roupa tornam-se extenuantes.

Quanto mais rápido se instala a anemia, mais cansaço e fraqueza o paciente sente. Anemias que se instalam lentamente dão tempo ao paciente se adaptar e podem só causar sintomas em fases bem avançadas.

Apenas como exemplo, se o paciente perde sangue rapidamente e sua hemoglobina cai de 13 para 9,0 g/dL em dois ou três dias, o paciente sentirá um cansaço grande.

Se por outro lado houver um sangramento pequeno mas constante, fazendo com que a hemoglobina caia de 13 para 8,0 g/dL em três ou quatro meses, o paciente pode não notar muito cansaço a não ser que tente fazer esforços mais intensos.

Outro sinal de anemia é a palidez cutânea, muitas vezes identificadas até por leigos. Em pacientes de pele negra, a palidez cutânea é difícil de ser identificada.

Um jeito simples de identificar a anemia é olhar a conjuntiva, a membrana que recobre o olho e a região de dentro da pálpebra. Em pessoas normais ela é bem vermelhinha. Já em anêmicos ela é quase da cor da pele.

Anemia – conjuntiva pálida

Além do cansaço e da palidez cutânea, outros sintomas da anemia incluem palpitações, falta de ar, dor no peito, sonolência, tonturas e hipotensão. Nos idosos pode haver algum grau de perda da atenção e dificuldades no raciocínio.

Para saber mais sobre os sintomas da anemia, leia: SINTOMAS DA ANEMIA.

Conclusão

Como se pôde notar, a anemia é uma situação complexa que pode indicar dezenas de doenças diferentes. O importante é procurar ajuda médica sempre que houver suspeita de anemia.

Não se satisfaça apenas com o diagnóstico de anemia e a prescrição de ferro para tratamento. Pergunte ao seu médico qual é a causa da queda do seu hematócrito e o que está sendo feito para diagnosticá-lo e tratá-lo.

Referências

  • Anemia – American Society of Hematology.
  • Anemia – Lab Tests Online – American Association for Clinical Chemistry.
  • Your Guide to Anemia – The National Heart, Lung, and Blood Institute.
  • Approach to the adult with anemia – UpToDate.
  • Anemia in the older adult – UpToDate.
  • Greer, J. P., Arber, D. A., Glader, B. E., List, A. F., Means, R. T., Rodgers, G. M., Fehniger, T. A. (2018). Wintrobe’s clinical hematology: Fourteenth edition. Wolters Kluwer Health Pharma Solutions (Europe) Ltd.

Источник: https://www.mdsaude.com/hematologia/anemia/

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