Anestesia Geral é Perigosa?

5 coisas que você deve saber sobre anestesia

Anestesia Geral é Perigosa?

Sedação: que tem o objetivo de reduzir a ansiedade do paciente; 

Anestesia geral: que pode ser feita por injeção de medicamentos na veia (venosa) ou através da inalação de gases anestésicos (inalatória); e

Bloqueios: em que uma determinada parte do corpo fica anestesiada e são utilizados geralmente para cirurgias de membros (braços e pernas) e parte inferior do abdômen.

Em artigo do portal Health Essencials (EUA), o anestesista Christopher Troianos, diretor do setor de anestesiologia da Cleveland Clinic (EUA), falou dos riscos do procedimento, para ajudar a separar fato de ficção. O especialista destacou cinco pontos-chave da anestesia que por vezes, são mal compreendidos ou mudaram nos últimos anos.

1. Anestesia nem sempre significa que você vá dormir

“Existem três tipos diferentes de anestesia, e você está apenas inconsciente em uma delas”.

 – A anestesia geral é o que muitas pessoas pensam quando se trata de anestesia. Isso coloca você para dormir durante a cirurgia. Ela é geralmente usada para cirurgias em áreas como o abdômen, peito ou cérebro. Os médicos também podem recomendar anestesia geral se esperam uma cirurgia longa ou complexa.

– A anestesia local envolve uma parte específica do corpo para evitar a dor durante a cirurgia ou outros procedimentos. É muitas vezes usada para o trabalho dental – o dentista entorpece apenas a parte da boca onde o paciente precisa de uma extração ou outro procedimento.

– A anestesia regional bloqueia a dor em uma parte maior do corpo, como um braço ou uma perna, ou abaixo da cintura. O exemplo mais comum é na analgesia epidural, que bloqueia a dor durante o parto.

Em alguns casos, os médicos usam sedação juntamente com anestesia local ou regional, para deixar a pessoa mais relaxada e confortável, mas não totalmente adormecida.

2. A anestesia é muito segura

Isso é verdade atualmente, mas não foi sempre assim, diz o Dr. Troianos. “Nos anos 1960 e 1970, não era incomum ocorrer morte relacionada à anestesia na proporção em cada um em 10.000 ou 20.000 pacientes”, diz ele. “Agora é mais como um em cada 200.000 pacientes – é muito raro”. O especialista diz que a anestesia é mais segura hoje por causa dos avanços na tecnologia e da medicação.

– “Anestesiologistas usam um oxímetro de pulso para garantir que o paciente receba oxigênio suficiente durante a cirurgia. Isso ajuda a garantir que o tubo de respiração usado para anestesia geral entre na traqueia e não no esôfago – algo que era mais difícil de determinar no passado.

– Outra coisa que anestesiologistas observam é a hipertermia maligna. Esta é uma reação rara que algumas pessoas têm com drogas anestésicas, que causa febre alta e pode resultar em complicações e até morte. “Anestesiologistas estão agora em melhores condições para tratar isso, graças a uma melhor medicação”, diz Dr. Troianos.

3. Os efeitos colaterais são relativamente menores

É comum a experiência seguinte ao acordar da anestesia:

– Náusea

– Dor de garganta por causa do tubo de respiração (para anestesia geral)

– Menor dor no local da injeção (para a anestesia local ou regional)

Embora a maioria das anestesias passe seus efeitos rapidamente, o paciente ainda pode sentir-se tonto ou ter sua capacidade de avaliação prejudicada após a cirurgia. “Nós costumamos dizer às pessoas para não fazerem quaisquer decisões importantes da vida ou dirigir um carro ou operar máquinas durante as primeiras 24 horas após a cirurgia”, ressaltou o Dr. Troianos.

4. Há muito pouco risco de paralisia em analgesias epidurais

No passado, as pessoas que passavam por uma anestesia peridural ou raquidiana tinham um risco de paralisia por causa da anestesia, diz o especialista.

“O anestésico ficava em garrafas de vidro e a equipe fazia a limpeza delas com uma solução à base de álcool”, diz ele. “O álcool pode causar danos nos nervos. Portanto, se o álcool ficou dentro da garrafa, pode causar paralisia”.

Desde que as garrafas já não são esterilizadas desta forma, o risco desapareceu, diz ele.

5. Não há razão para temer estar acordado durante a cirurgia

“Algumas pessoas se preocupam em acordar ou ficarem paralisados durante a anestesia geral”.

Filmes recentes têm usado isso como um ponto para enredos, mas é algo extremamente raro, diz o Dr. Troianos. E anestesistas usam muitas estratégias para evitar isso. “Normalmente, a taxa de pressão arterial e do coração do paciente vai subir antes de recuperar a consciência. Então, monitoramos essas coisas para orientar a quantidade de anestésico que usamos”, explicou.

Источник: https://setorsaude.com.br/5-coisas-que-voce-deve-saber-sobre-anestesia/

Anestesia geral é segura ao paciente?

Anestesia Geral é Perigosa?

Publicado em 29 de agosto de 2018

No Hospital SOS Cárdio, praticamente todos os procedimentos médicos são acompanhados pela equipe de anestesiologia.

E, diferente do que muitos pensam, o médico especialista nessa área, o anestesiologista (popularmente chamado de anestesista) não é responsável apenas por aplicar a anestesia.

Ele estuda, caso a caso, o melhor tipo de medicação e técnica anestésica a ser utilizada, de acordo com cada pessoa e necessidade. Acompanha o paciente durante todo o procedimento, monitorando de perto os seus sinais vitais, garantindo sua segurança e seu conforto.

“Um bom exemplo do cuidado com a segurança do paciente é o cateterismo cardíaco. Na maior parte do mundo, ele é realizado sem a presença do anestesiologista. Aqui, no Hospital SOS Cárdio, 100% dos cateterismos cardíacos são realizados com a presença do anestesiologista.” Dr. Adilson José Dal Mago (CRM­/SC 6970 RQE 3023), Médico Anestesiologista.

Consulta Pré-anestésica

Nos casos eletivos, o cuidado com a segurança e com o conforto do paciente começa antes mesmo do procedimento, na consulta pré-anestésica. Nela, os especialistas têm a oportunidade de tirar todas as dúvidas e de conhecer de perto o estado de saúde de cada pessoa.

“Cada procedimento médico possui um protocolo de segurança a ser seguido. No entanto, cada pessoa possui características próprias. É a partir da consulta pré-anestésica que o anestesiologista pode fazer o planejamento efetivo, com base nas necessidades de cada paciente e do procedimento a ser realizado.” Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM­/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.

A consulta pré-anestésica é fundamental para que os profissionais possam identificar fatores de risco para o paciente.

Para isso, o médico anestesiologista pode solicitar exames específicos, avaliações especializadas e tratamentos pré-cirúrgicos com cardiologistas ou pneumologistas, por exemplo.

Assim, evita riscos para o paciente e complicações que poderiam surgir no procedimento decorrente de algum problema de saúde prévio.

Alergia ao látex, hipertermia maligna, sopros no coração e dores no peito são exemplos de fatores que podem ser identificados nas consultas pré-anestésicas. Das cirurgias de menor porte até aquelas com anestesia geral, a otimização do paciente é decisiva no sucesso dos procedimentos.

“Caso o paciente não esteja otimizado, o médico anestesiologista pode adiar o procedimento médico, até que o paciente esteja em situação de segurança para realizá-lo.” Dr. Adilson José Dal Mago (CRM­/SC 6970 RQE 3023), Médico Anestesiologista.

Também é com base na consulta pré-anestésica e nos exames que podem vir a ser realizados que os médicos anestesiologistas definem – dentro das possibilidades – o melhor tipo de anestesia para cada indivíduo. Os pacientes podem participar da decisão, discutindo prós e contras das técnicas anestésicas propostas.

O plano de ação para o pós-cirúrgico começa então a ser traçado. Além do tipo de anestesia, são definidos o tempo de duração e as ações profiláticas a serem tomadas. Diminui-se, assim, a ocorrência de complicações e reações como náusea e vômitos, geralmente provocados pela anestesia geral.

Sempre com o Paciente

Um dos principais medos dos pacientes em relação à anestesia geral é a impossibilidade de se comunicar. No entanto, o anestesiologista permanece junto ao paciente durante todo o procedimento, monitorando de perto os seus sinais vitais.

Durante cirurgias de grande porte realizadas no Hospital SOS Cárdio, como a cardiovascular, a bariátrica ou a da coluna, o anestesiologista utiliza recursos de monitorização especiais. Com o transdutor elétrico, por exemplo, acompanha em tempo real a pressão média e venosa do paciente. As informações aparecem de forma constante em uma tela, para a leitura do especialista.

Através de um sensor colocado junto ao tubo respiratório, também já é possível ter dados precisos da respiração do paciente. Assim, é possível saber, imediatamente, se houve ou não queda na taxa de CO2. Com essas informações, o anestesiologista pode agir rapidamente no caso de qualquer anormalidade.

Um dos grandes avanços na segurança na monitorização dos pacientes durante as cirurgias, como a cirurgia cardiovascular, é o uso do ecocardiograma trans operatório.

Ele permite que a equipe de anestesiologia possa ver, ainda durante a cirurgia, a imagem do funcionamento do coração.

Assim, caso alguma região do músculo cardíaco venha apresentar alguma irregularidade, a equipe cirúrgica pode intervir imediatamente.

“A imagem do ecocardiograma nos mostra em tempo real a ocorrência de alguma isquemia e se o paciente está precisando de mais soro ou sangue, por exemplo.” Ranulfo Goldschmidt (CRM­/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.

“A equipe de anestesiologia trabalha para a segurança do paciente e para a tranquilidade dos demais profissionais envolvidos no procedimento médico.

Nosso objetivo é ter todas as informações vitais e agir para manter o paciente estável. Assim, todos podem trabalhar da melhor forma possível. As chances de sucesso aumentam.

” Ranulfo Goldschmidt (CRM­/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.

Além de todos esses cuidados, a técnica de anestesia geral, utilizada pela equipe de anestesiologia do Hospital SOS Cárdio, podem proteger o coração contra os efeitos da isquemia. Nela, as medicações anestésicas são administradas por via venosa e inalatória, de forma contínua.

As pesquisas mostram que os pacientes que têm o tubo retirado precocemente, apresentam uma recuperação mais rápida e com menos complicações – principalmente, as respiratórias. Porém, para que isso seja feito da forma adequada, o paciente precisa estar em condições de respirar por conta própria, estabilizado e sem os efeitos da anestesia geral.

Diante de um procedimento que precise de anestesia geral, esclareça suas dúvidas com o anestesiologista. A anestesia geral é segura e diversas técnicas podem ser utilizadas. Siga as orientações médicas e realize seu procedimento com tranquilidade.

Sobre os autores: Os anestesiologistas Dr. Adilson José Dal Mago (CRM­/SC 6970 RQE 3023) e Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM­/SC 7189 RQE 3155) fazem parte da equipe Anestesiologistas Associados. Com especialização em anestesia atuando principalmente com cirurgia cardíaca, atendem os procedimentos realizados no Hospital SOS Cardio, em Florianópolis/SC.

Источник: https://soscardio.com.br/anestesia-geral-e-segura/

Como funciona a anestesia geral e quais os riscos

Anestesia Geral é Perigosa?

A anestesia geral age sedando uma pessoa profundamente, de forma que se perde a consciência, a sensibilidade e os reflexos do corpo, para que sejam realizadas cirurgias sem que se sinta dor ou desconfortos durante o procedimento.

Ela pode ser injetada pela veia, tendo um efeito imediato, ou inalada através de uma máscara, chegando na circulação sanguínea após passar pelos pulmões. A duração do seu efeito é determinada pelo anestesista, que decide qual será o tipo, a dose e a quantidade do medicamento anestésico. 

Entretanto, nem sempre a anestesia geral é a primeira escolha para as cirurgias, sendo reservada para aquelas cirurgias maiores e mais demoradas, como a abdominal, torácica ou cardíaca.

Já em outros casos, pode ser indicada uma anestesia de apenas parte do corpo, como a local, em casos de cirurgia dermatológica ou remoção de dentes, ou anestesia peridural, para partos ou cirurgias ginecológicas, por exemplo.

Saiba mais sobre os principais tipos de anestesia e quando usar.

A anestesia geral pode ser feita pela veia ou por inalação, e não há um tipo melhor que o outro, sendo que a escolha vai depender da potência do medicamento para o tipo de cirurgia, preferência do anestesista ou da disponibilidade no hospital.

Existem diversos tipos de medicamentos utilizados, que, geralmente, são combinados para, além de deixarem a pessoa inconsciente, provocarem insensibilidade à dor, relaxamento muscular e amnésia, para que tudo o que acontece durante a cirurgia seja esquecido pela pessoa.

1. Anestesia inalatória

Esta anestesia é feita pela inalação de gases que contêm medicamentos anestésicos, e, por isso, demora alguns minutos para fazer efeito, porque a medicação precisa passar primeiro pelos pulmões até chegar na corrente sanguínea e, em seguida, ao cérebro.

A concentração e a quantidade do gás inalado são determinadas pelo anestesista, a depender do tempo da cirurgia, que pode ser de alguns minutos até várias horas, e da sensibilidade de cada pessoa ao medicamento.

Para cortar o efeito da anestesia, deve-se interromper a liberação dos gases, já que o corpo elimina naturalmente os anestésicos, que estão nos pulmões e na corrente sanguínea, através do fígado ou rins.

  • Exemplos: alguns exemplos de anestésicos inalatórios são Tiometoxiflurano, Enflurano, Halotano, Éter dietílico, Isoflurano ou Óxido nitroso. 

2. Anestesia pela veia

Este tipo de anestesia é feito ao injetar o medicamento anestésico diretamente na veia, causando uma sedação quase imediata. A profundidade da sedação depende do tipo e da quantidade de medicamento injetado pelo anestesista, que também irá depender da duração da cirurgia, da sensibilidade de cada pessoa, além da idade, peso, altura e condições de saúde.

  • Exemplos: exemplos de anestésicos injetáveis incluem Tiopental, Propofol, Etomidato ou Quetamina. Além disso, os efeitos de outros medicamentos podem ser aproveitados para potencializar a anestesia, como os sedativos, os analgésicos opióides ou os bloqueadores musculares, por exemplo. 

Quanto tempo dura a anestesia

O tempo de duração da anestesia é programado pelo anestesista, a depender do tempo e do tipo da cirurgia, e da escolha do medicamento utilizado para a sedação. 

O tempo que leva para acordar leva de alguns minutos a poucas horas após o término da cirurgia, diferentes dos que eram usados antigamente, que duravam o dia inteiro, já que, hoje em dia, os medicamentos estão mais modernos e eficientes. Por exemplo, a anestesia feita pelo dentista tem uma dose bem fraca e dura poucos minutos, enquanto que a anestesia necessária para uma cirurgia do coração pode durar 10 horas.

Para a realização de qualquer tipo de anestesia, é importante que o paciente seja monitorizado, com aparelhos para medir os batimentos cardíacos, a pressão arterial e a respiração, pois, como a sedação pode ser muito profunda, é importante controlar o funcionamento dos sinais vitais.

Possíveis complicações

Alguns pessoas podem apresentar efeitos colaterais durante a realização da anestesia ou até algumas horas depois, como enjoo, vômitos, dor de cabeça e alergias ao princípio ativo da medicação.

As complicações mais graves, como parada da respiração, parada cardíaca ou sequelas neurológicas, são raras, mas podem surgir em pessoas com a saúde muito debilitada, por desnutrição, doenças cardíacas, pulmonares ou renais, e que usam muitos medicamentos ou drogas ilícitas, por exemplo.

É ainda mais raro acontecer de a anestesia ter efeito parcial, como tirar a consciência, mas permitir que a pessoa se mova, ou até o contrário, quando a pessoa não consegue se mover, mas pode sentir os acontecimentos à sua volta. 

Источник: https://www.tuasaude.com/anestesia-geral/

Anestesia Geral é Perigosa?

Anestesia Geral é Perigosa?

A anestesia geral é uma técnica anestésica que promove abolição da dor (daí o nome anestesia), paralisia muscular, abolição dos reflexos, amnésia e, principalmente, inconsciência. Essa forma de anestesia faz com que o paciente torne-se incapaz de sentir e/ou reagir a qualquer estímulo do ambiente, sendo a técnica mais indicada nas cirurgias complexas, longas e de grande porte.

A anestesia geral é muito temida pela população em geral, mas essa má fama é bastante injusta. Conforme veremos mais à frente, o risco de alguém vir a falecer por causa da anestesia é muitíssimo baixo, principalmente se o paciente for saudável e a cirurgia não for complexa.

Nesse artigo iremos focar exclusivamente na anestesia geral. Se você procura informações sobre outras formas de anestesia, acesse o seguinte artigo: Tipos de Anestesia – Geral, Local e Raquidiana e Peridural.

Informações em vídeo

Antes de seguirmos em frente, assista a esse curto vídeo sobre a anestesia geral produzido pela nosso canal do .

Como é feita a anestesia geral?

A anestesia geral possui quatro fases: pré-medicação, indução, manutenção e recuperação.

Pré-medicação

A fase de pré-medicação é feita para que o paciente chegue ao ato cirúrgico calmo e relaxado. Normalmente é administrado um ansiolítico (calmante) de curta duração, como o midazolam, deixando o paciente já com um grau leve de sedação. Deste modo, ele entra na sala de operação sob menos estresse.

Indução

A fase de indução é normalmente feita com drogas por via intravenosa, sendo o Propofol a mais usada atualmente.

Após a indução, o paciente rapidamente entra em sedação mais profunda, ou seja, perde a consciência, ficando em um estado popularmente chamado de coma induzido.

O paciente apesar de estar inconsciente, ainda pode sentir dor, sendo necessário aprofundar ainda mais a anestesia para a cirurgia poder ser realizada.

Para tal, o anestesista também costuma administrar um analgésico opioide (da família da morfina) como o Fentanil.

Neste momento o paciente já apresenta um grau importante de sedação, não sendo mais capaz de proteger suas vias aéreas das secreções da cavidade oral, como a saliva.

Além disso, na maioria das cirurgias com anestesia geral é importante haver relaxamento dos músculos, fazendo com que a musculatura respiratória fique inibida.

O paciente, então, precisa ser intubado* e acoplado à ventilação mecânica para poder receber uma oxigenação adequada e não aspirar suas secreções.

* Em algumas cirurgias mais rápidas, ou que não abordem o tórax ou o abdômen, pode não ser necessária intubação, ficando o paciente apenas com uma máscara de oxigênio.

Manutenção

No início da fase de manutenção, as drogas usadas na indução, que têm curta duração, começam a perder efeito, fazendo com que o paciente precise de mais anestésicos para continuar o procedimento. Nesta fase, a anestesia pode ser feita com anestésicos por via inalatória ou por via intravenosa.

Na maioria dos casos, a via inalatória é a preferida. Os anestésicos são administrados através do tubo orotraqueal na forma de gás (vapores) junto com o oxigênio, sendo absorvidos pelos alvéolos do pulmão, passando rapidamente para a corrente sanguínea.

Alguns exemplos de anestésicos inalatórios são o óxido nitroso e os anestésico halogenados (halotano, sevoflurano e desflurano), fármacos que são administradas continuamente durante todo o procedimento cirúrgico.

A profundidade da anestesia depende da cirurgia. O nível de anestesia para se cortar a pele é diferente do nível para se abordar os intestinos, por exemplo.

Conforme o procedimento cirúrgico avança, o anestesista procura deixar o paciente sempre com o mínimo possível de anestésicos. Uma anestesia muito profunda pode provocar hipotensão e desaceleração dos batimentos cardíacos, podendo diminuir demasiadamente a perfusão de sangue para os tecidos corporais.

Recuperação

Quando a cirurgia entra na sua fase final, o anestesista começa a reduzir a administração das drogas, já planejando uma cessação da anestesia junto com o término do procedimento cirúrgico. Se há relaxamento muscular excessivo, drogas que funcionam como antídotos são administradas.

Nesta fase de recuperação, novamente analgésicos opioides são administrados para que o paciente não acorde da anestesia com dores no local onde foi cortado.

Conforme os anestésicos inalatórios vão sendo eliminados da circulação sanguínea, o paciente começa a recuperar a consciência, passando a ser capaz de voltar a respirar por conta própria. Quando o paciente já se encontra com total controle dos reflexos das vias respiratórias, o tubo orotraqueal pode ser retirado.

Nesse momento, apesar do paciente já ter um razoável grau de consciência, ele dificilmente se recordará do que aconteceu devido aos efeitos amnésicos das drogas.

Riscos

Existe um mito de que a anestesia geral é um procedimento perigoso. Complicações exclusivas da anestesia geral são raras, principalmente em pacientes saudáveis.

Na maioria dos casos, as complicações são derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como doenças cardíacas, renais, hepáticas ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesão/falência de órgãos vitais.

Só como exemplo, um trabalho canadense de 1997, apenas com cirurgias odontológicas com anestesia geral, ou seja, cirurgias de baixo risco realizadas em pacientes saudáveis, detectou uma taxa de mortalidade de apenas 1,4 a cada 1 milhão de procedimentos. Esse tipo de estudo nos mostra que a anestesia em si é muito segura.

Em geral, a taxa de mortalidade da anestesia geral é de apenas 1 em cada 100.000 a 200.000 procedimentos, o que significa um risco de morte de míseros 0,0005% a 0,001%.

É importante destacar que muitas cirurgias sob anestesia geral são realizadas em pacientes com doenças graves ou em cirurgias complexas de alto risco. Porém, na imensa maioria dos casos, quando o desfecho é trágico, raramente a culpa é da anestesia geral.

Também há que se destacar que a anestesia geral é um procedimento complexo, devendo ser feita somente por profissionais qualificados e em ambientes com ampla estrutura para tal.

Fatores que aumentam o risco de complicações

Antes de qualquer cirurgia, um anestesista irá consultá-lo para avaliar o seu risco cirúrgico. Além do reconhecimento prévio de doenças graves que podem complicar o ato cirúrgico, é importante para o anestesista saber algumas informações pessoais do paciente que possam aumentar o risco da anestesia, tais como:

Efeitos colaterais possíveis

A maioria dos efeitos colaterais da anestesia geral ocorre imediatamente após a cirurgia e desaparece em questão de horas. Eventualmente, porém, podem surgir casos de efeitos adversos que demoram mais tempo para melhorar ou que se tornam permanentes.

Efeitos adversos imediatos

Os efeitos imediatos da anestesia geral costumam ser aqueles que são notados logo que o paciente acorda. Em geral, eles são de curta duração, com duração inferior a um dia. Os mais comuns são:

  • Náusea e vômitos.
  • Boca seca.
  • Calafrios.
  • Dor muscular.
  • Coceira pelo corpo.
  • Dificuldade para urinar.
  • Tontura.

Rouquidão após anestesia

Cerca de 5 a 10% podem apresentar um quadro de rouquidão no pós-operatório. Essa complicação ocorre devido à lesão das cordas vocais pela intubação orotraqueal necessária durante a cirurgia. Na imensa maioria dos casos, o quadro é brando e melhora espontaneamente após alguns dias, como qualquer rouquidão comum.

Raramente, pode haver uma lesão mais séria das cordas vocais, provocando rouquidão a longo prazo. Cirurgias prolongadas e pacientes fumantes são os fatores de risco mais comuns para rouquidão pós-anestesia geral.

O uso de corticoides ajuda a reduzir o edema das cordas vocais e reduz o risco de rouquidão a longo prazo.

Confusão mental e delirium

A confusão mental é um efeito colateral comum, mas que costuma durar muito pouco tempo, principalmente nos pacientes jovens. Nos idosos, o risco maior é o desenvolvimento de delirium.

O delirium é um quadro transitório de redução da capacidade de concentração, alterações da memória, confusão mental e alteração da percepção do ambiente, que é bastante comum nos pacientes idosos que estão hospitalizados (explicamos o delirium em detalhes no artigo: Delirium – Confusão Mental nos Idosos).

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de delirium pós-operatório são:

  • Idade avançada.
  • Tabagismo.
  • História prévia de doença psiquiátrica.
  • Uso de medicamentos psicotrópicos.
  • História prévia de AVC.
  • Demência.
  • Cirurgia de emergência.

O delirium não é provocado exclusivamente pela anestesia geral. Ele surge com frequência em pacientes idosos internados por qualquer motivo, princialmente nos casos mais graves e prolongados.

A ocorrência de delirium no pós-operatório aumenta a taxa de complicações e o tempo de internação.

Todos os idosos melhoram após alguns dias, mas cerca de 40% nunca retornam totalmente ao estado cognitivo pré-operatório.

Problemas de memória

Os pacientes idosos também apresentam maior risco de desenvolverem um quadro chamado disfunção cognitiva pós-operatória, que é um quadro de redução das capacidades cognitivas e problemas de memória. Os fatores de risco são basicamente os mesmos descritos acima para o delirium.

Assim como ocorre no delirium, a disfunção cognitiva pós-operatória não provocada diretamente pela anestesia e não costuma ocorrer em pessoas jovens e previamente saudáveis.

Hipertermia maligna

A hipertermia maligna é uma raríssima e potencialmente fatal complicação que pode ocorrer durante a cirurgia. O quadro ocorre em 1 a cada 100 mil anestesias, geralmente tem origem familiar e cursa com febre alta, alterações respiratórias e contrações musculares que se iniciam logo após a administração de anestésicos inalatórios.

Conclusões

A anestesia geral é um procedimento extremamente seguro quando realizado por uma equipe capacitada, sendo habitualmente o método anestésico mais indicado para cirurgias de médio/grande porte. A taxa de mortalidade é muito baixa e as complicações após o procedimento costumam ser brandas e de curta duração.

Referências bibliográficas:

Источник: https://www.mdsaude.com/cirurgia/anestesia-geral/

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