Anestesia (Geral, Local e Raquidiana e Peridural)

Anestesias: Conheça os tipos e complicações

Anestesia (Geral, Local e Raquidiana e Peridural)

Atendendo a pedido de leitores, escrevo hoje sobre a atuação do enfermeiro no processo anestésico-cirúrgico.

Com a evolução dos métodos para a aplicação de medicamentos e o surgimento de novos fármacos, a anestesia tornou-se mais segura e eficaz, quando relacionada ao alívio da dor, ao controle dos reflexos, ao bloqueio neuromuscular, entre outros.(Carvalho e Bianchi, 2007)

Apesar do enfermeiro não participar da escolha do método ou do fármaco utilizado no procedimento anestésico-cirúrgico, ele desenvolve atividades importantes que subsidiam o anestesiologista nesse processo, entre elas a visita pré-operatória, fundamental para o planejamento da assistência peri-operatória.

Além disso, o enfermeiro também é responsável, no intra-operatório, pela previsão, provisão e controle de materiais e equipamentos necessários, e pela atuação na indução anestésica, na monitorização, na intubação e extubação, no aquecimento e posicionamento adequado do paciente e, principalmente, nas situações de emergência.

Visita pré-operatória

Como a escolha do tipo de anestesia sofre influência multifatorial, a visita pré-operatória investiga esses fatores e as características individuais que aumentam o risco anestésico.

O que abordar na visita

  • Condições atuais da saúde
  • História de doenças pré-existentes, como por exemplo asma e bronquite (podem desencadear broncoconstrição aguda grave); hipertensão (pode aumentar a incidência de acidente vascular ou infarto do miocárdio); hérnia de hiato (aumenta o risco para broncoaspiração), infecções de vias aéreas superiores – IVAS – (risco de complicações pulmonares, broncoespasmo e obstrução das VAS)
  • História da doença atual: sinais e sintomas, exames e tratamento realizados
  • Uso de medicamentos – anticonvulsivantes, antiarrítmicos, hipotensores, vasodilatadores, anticoagulantes, etc
  • Tabagismo e etilismo
  • Reações adversas à fármacos
  • Alergias
  • Antecedentes familiares de complicações anestésicas
  • Histórico de hipertermia maligna e intercorrências em processos anestésicos anteriores

É importante que o enfermeiro tenha conhecimento sobre os tipos de anestesia e suas possíveis complicações para poder oferecer uma assistência segura.

Estágios da anestesia (Guedel)

  • Estágio I (Analgesia): paciente consciente, porém sonolento, há redução das respostas aos estímulos álgicos
  • Estágio II (Excitação ou delírio): perda de consciência e início do período de excitação com reações indesejáveis como vômito, tosse, laringoespasmo, pupilas dilatadas e respiração irregular
  • Estágio III: (Anestesia Cirúrgica): sem movimento espontâneo, respiração tornando-se irregular, relaxamento muscular, pupilas contraídas A anestesia é considerada adequada quando o estímulo doloroso não produz respostas somáticas autonômicas deletérias (p.ex., hipertensão, taquicardia)
  • Estágio IV: (Paralisia Bulbar): respiração superficial ou ausente, pupilas não reativas, hipotensão que pode progredir para parada circulatória e morte

Tipos de anestesia

  • Anestesia local – consiste na infiltração de um anestésico local para bloquear a condução de impulsos nos tecidos nervosos. Os fármacos comumente utilizados são lidocaína, bupivacaína e ropivacaína. Pode ser tópica (aplicação de anestésicos em mucosas) ou infiltrativa (administrados no meio intra e/ou extravascular)
  • Anestesia geral – estado de inconsciência reversível resultante da ação de um fármaco no sistema nervoso central. Esse estado de inconsciência se caracteriza por amnésia, analgesia, depressão dos reflexos, relaxamento muscular e depressão neurovegetativa. Existem três tipos de anestesia geral:
    • Anestesia geral inalatória – o agente anestésico volátil é utilizado sob pressão e o estado de anestesia é alcançado quando o agente inalado atinge a concentração adequada no cérebro. Os agentes mais utilizados são o óxido nitroso (N2O) e halogenados (halotano, isoflurano, enflurano e outros). O óxido nitroso, analgésico fraco que potencializa o efeito dos hipnoanalgésicos e barbitúricos, produz vasodilatação periférica e hipóxia por difusão – por esse motivo deve ser administrado junto com o oxigênio
    • Anestesia geral intravenosa – a droga anestésica é infundida por uma acesso venoso. Podem ser utilizados os anestésicos não-opióides (ex.: Barbitúricos, Benzodiazepínicos, Cetamina, Etomidato, Propofol e opióides (ex.: Fentanil, Sufentanil, Alfentanil, Remifentanile) e bloqueadores neuromusculares
    • Anestesia geral balanceada – combinação de agentes anestésicos inalatórios e intravenosos
  • Anestesia regional – consiste na administração de um agente anestésico para bloquear ou anestesiar a condução nervosa a uma região do corpo. É definida como perda reversível da sensibilidade. Existem três tipos de anestesia regional:
    • Anestesia raquidiana – também chamada de raquianestesia ou anestesia espinhal, consiste na aplicação do agente anestésico (bupivacapina, lidocaína, procaína, mepivacaína, prilocaína) no espaço subaracnóide, atingindo o líquido cefalorradiquiano, resultando em bloqueio simpático, bloqueio motor, analgesia e insensibilidade aos estímulos
    • Anestesia peridural ou epidural – consiste na aplicação do agente anestésico no espaço ao redor da dura-máter, não atingindo o líquido cefalorradiano, bloqueando a condução nervosa e causando insensibilidade aos estímulos. Após a difusão o anestésico se fixa ao tecido nervoso, bloqueando as raízes nervosas intra e extradurais
    • Bloqueio de nervos periféricos – consiste na administração do agente anestésico em torno do plexo nervoso e consequente perda das funções motoras e sensitivas das áreas supridas por esse nervo. Exemplo: bloqueio do nervo isquiático
  • Anestesia combinada – associação de anestesia geral e regional

A sedação é comumente utilizada, independente do tipo de anestesia programada. Pode ser feita com a administração de fármacos como o propofol, midazolam, remifentanila.

Possíveis Complicações

Em relação a anestesia local:

  • Reações tóxicas locais
  • Reações tóxicas sistêmicas
  • Reações graves (se as reações tóxicas não forme atendidas rapidamente): hipotensão, bradicardia, arritmia, sudorese, palidez, ansiedade, tontura, convulsões, depressão respiratória e parada cardíaca

Em relação a anestesia geral:

  • Sedação insuficiente
  • Complicações respiratórias: hipóxia, broncoespasmo, aspiração do conteúdo gástrico (Síndrome de Mendelson), apnéia
  • Complicações cardiovasculares: bradicardias, arritmias, hipotensão, hipertensão, embolia, parada cardíaca
  • Complicações neurológicas: anóxia cerebral, cefaleia, convulsões
  • Complicações digestivas: parada da motilidade intestinal, insuficiência hepática
  • Hipertermia maligna – é uma desordem farmacogenética potencialmente fatal. Durante a crise, os anestésicos inalatórios, os relaxantes musculares (succinilcolina) são os gatilhos para desencadear um imenso acúmulo de cálcio (Ca2+) no mioplasma, o que leva a uma aceleração do metabolismo e atividade contrátil do músculo esquelético. Esse estado hipermetabólico gera calor e leva à hipoxemia, acidose metabólica, rabdomiólise e um rápido aumento da temperatura corporal, que pode ser fatal se não reconhecida e tratada precocemente (Correia et al, 2012)

Em relação a raquianestesia:

  • Cefaleia pós-raquianestesia
  • Retenção urinária
  • Hipontensão por bloqueio de nervos simpáticos
  • Lesão das raízes nervosas
  • Hematoma espinhal
  • Meningites sépticas – decorrente da contaminação do líquor por germes patogênicos
  • Meningites assépticas – decorrente da irritação meníngea
  • Síndrome da cada equina – disfunção vesical e intestinal, perda da sensibilidade do períneo e fraqueza de membros inferiores decorrentes do trauma das raízes nervosas, isquemia, infecção ou reações neurológicas

Em relação a anestesia peridural:

  • Cefaleia por punção subaracnóide acidental
  • Retenção urinária
  • Hipontensão e bradicardia por bloqueio de nervos simpáticos
  • Abscesso epidural – por infecção local
  • Hematoma peridural
  • Dor lombar

Em relação ao bloqueio de nervos periféricos:

  • Lesões de plexo
  • Hematomas

Os riscos relacionados à anestesia estão diretamente ligados às condições do paciente, ao tipo de cirurgia, aos fármacos utilizados, entre outros.

A classificação das condições físicas foi desenvolvida pela American Society Anestesiologist (ASA) para oferecer linhas gerais uniformes. Trata-se de uma avaliação da gravidade de doenças sistêmicas, anormalidades anatômicas ou disfunções fisiológicas.

ASA I:  paciente sadio, ausência de alterações fisiológicas, bioquímicas ou psiquiátricas
ASA II: paciente com doença sistêmica de grau leve ou moderado.
ASA III: paciente com doença grave que limita a atividade, mas não é incapacitante
ASA IV:  paciente com doença severa, incapacitante, contribuindo para ameaça à vida.
ASA V:  paciente em fase terminal, que não se espera sobreviver sem a cirurgia
ASA VI: paciente com morte cerebral declarada, doador de órgãos em potencial

Gerenciamento de riscos

Os profissionais de saúde precisam compartilhar da responsabilidade de garantir um ambiente seguro e livre de riscos.

A Sistematização da Assistência de Enfermagem Peri-operatória (SAEP) compreende o atendimento no período pré-operatório, trans-operatório e pós-operatório.

Segundo Gritten, existem algumas fases essenciais à aplicabilidade da SAEP: o enfoque de risco, o gerenciamento de casos, a prática baseada em evidências, planejamento baseado na programação cirúrgica e os diagnósticos de enfermagem.

Na fase intra-operatória o enfermeiro exerce a função na prevenção de riscos por meio de intervenções de enfermagem relacionadas ao procedimento anestésico-cirúrgico.

Apesar de ser um processo relevante, a SAEP ainda é pouco implementada em relação ao número de instituições que necessitam, frente a entraves como falta de tempo devido ao número escasso de profissionais (novamente a falta de dimensionamento de pessoal), despreparo e pouco conhecimento para a sua aplicação.

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN).

É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.

Источник: https://multisaude.com.br/artigos/anestesias-conheca-os-tipos-e-complicacoes/

Tudo sobre a Anestesia Parcial – CMIA ANESTESIOLOGISTAS

Anestesia (Geral, Local e Raquidiana e Peridural)
Imagem: Shutterstock

A anestesia parcial é uma técnica que consiste no bloqueio reversível da sensibilidade de uma área específica do corpo, através do uso de anestésicos locais, sem que o paciente perca a consciência. Esta metodologia anestésica é capaz de proporcionar conforto e segurança durante a intervenção, muitas vezes garantindo também uma analgesia prolongada durante o pós-operatório.

Existem diferentes tipos de anestesia parcial tais como a Anestesia Local, Bloqueio do Neuroeixo (raquidiana ou peridural) e Bloqueio de Nervos Periféricos.

A metodologia escolhida pode ser combinada com a sedação ou anestesia geral para que o paciente durma durante o procedimento.

Anestesia Local

Na anestesia local, os anestésicos são utilizados exatamente na região que será realizada a intervenção, para bloquear as terminações nervosas e impedir que o paciente sinta dor.

Ela pode ser tópica, através do uso de gel ou spray contendo anestésico local, sendo utilizada para anestesiar a mucosa do nariz, boca, árvore traqueobrônquica, esôfago e trato geniturinário; ou por infiltração, na qual é injetado o anestésico diretamente na pele e subcutâneo.

É uma técnica de anestesia que pode ser realizada por médicos não especialistas em anestesia. Ela é utilizada em cirurgias simples, pequenas e superficiais como, por exemplo, a retirada de uma cicatriz hipertrófica, cirurgias nas pálpebras, vasectomia, entre outros.

Essa modalidade anestésica é utilizada pelos anestesiologistas principalmente durante a anestesia realizada nas costas do paciente (anestesia raquidiana ou peridural), no qual é realizado um botão anestésico na área que será introduzida a agulha própria de cada procedimento.

Anestesia Raquidiana

Neste tipo de anestesia parcial, o medicamento é aplicado com uma agulha de pequeno calibre, que é inserida nas costas do paciente, entre as vértebras da coluna, em um local após perfurar a membrana chamada dura-máter, diretamente no espaço onde circula o líquido cefalorraquidiano (líquor), que envolve a medula espinhal e as raízes nervosas.

O bloqueio completo da dor, motor e tátil é iniciado rapidamente. Sua dose é única e o tempo de duração tem um limite devido à dose máxima de anestésico local que é permitida, para evitar complicações.

Em cirurgias, a anestesia raquidiana é frequentemente utilizada após sedação, sendo considerada uma prática indicada para cirurgias da parede abdominal localizadas abaixo do umbigo, ginecológicas, urológicas, ortopédicas de membros inferiores, cesariana, entre outros.

Quando utilizada na cesariana ela é aplicada sem sedação para que a mãe possa participar ativamente do nascimento do filho.

A anestesia raquidiana pode ter como efeitos colaterais a chamada cefaleia pós-raqui (dor de cabeça intensa, que pode ser controlada com repouso e uso de analgésicos), além de pressão baixa, sensação de não conseguir respirar, formigamento, coceira e sonolência.

Anestesia Peridural

Também chamada de epidural, esta é uma anestesia parcial aplicada em um espaço antes da dura-máter e pode ser introduzido um cateter para administração medicamentosa, permitindo que o anestésico seja reaplicado, de acordo com a necessidade do procedimento que está sendo realizado.

A anestesia peridural pode, inclusive, continuar a ser administrada no pós-operatório para controle da dor após a intervenção.

O início de ação é mais lento em relação à raquianestesia e, embora haja a supressão da sensibilidade dolorosa, a sensibilidade tátil pode não ser total, além de promover um bloqueio motor menor.

Trata-se de um tipo de anestesia frequentemente usado em partos normais, justamente por conta desta possibilidade de administrar anestésicos continuamente pelo cateter ao longo do dia.

Ela também é muito utilizada combinada com a anestesia geral em cirurgias de grande porte da região do tronco (tórax, abdome e pelve) e dos membros inferiores.

Bloqueio dos nervos periféricos

Os bloqueios periféricos promovem um controle da dor mais duradouro, reduzindo a necessidade do uso de medicamentos analgésicos sistêmicos, principalmente os opioides.

Esses bloqueios são realizados através de técnicas para localizar com mais precisão os troncos dos nervos que se deseja bloquear.  O conhecimento exato da anatomia aliado ao uso do ultrassom e neuroestimuladores, promovem um bloqueio periférico seguro e efetivo.

Diversas áreas do corpo podem ser bloqueadas com esse tipo de anestesia: cabeça, pescoço, face, tronco e membros.  Atualmente, ela é muito utilizada em cirurgias ortopédicas dos membros superiores.

Como é escolhida o tipo de anestesia regional para cada procedimento?

A escolha da anestesia que será utilizada varia de acordo com a região que será submetida a intervenção, bem como o tipo de procedimento a ser realizado e as características clínicas do paciente.

O anestesiologista, juntamente com o restante da equipe médica responsável pela intervenção cirúrgica, se responsabiliza por discutir as necessidades anestésicas de cada indivíduo, levando em conta aspectos como:

  • Controle da dor (antes e após o procedimento);
  • Momento esperado para a alta hospitalar;
  • Possíveis eventos adversos;
  • Manutenção do conforto e bem-estar do paciente;
  • Preservação da autonomia e capacidade de decisão do paciente;
  • Minimização do tempo de internação;
  • Contraindicações ao procedimento (coagulopatias, doença neurológica em progressão, infecção no local da punção, entre outros).

Essas são algumas informações acerca da anestesia parcial, falaremos em breve com mais detalhes sobre todos os tipos.

Источник: https://cmia.com.br/anestesias/anestesia-parcial-regional/

Anestesia (Geral, Local e Raquidiana e Peridural)

Anestesia (Geral, Local e Raquidiana e Peridural)

Cirurgia e anestesia

A anestesia é um procedimento médico que visa bloquear temporariamente a capacidade do cérebro de reconhecer um estímulo doloroso. Graças à anestesia, os médicos são capazes de realizar cirurgias e outros procedimentos invasivos sem que o paciente sinta dor.

A anestesia pode ter ação local, regional ou geral.

Para entendermos como funcionam as anestesias, vale a pena uma rápida explicação sobre o que é a dor.

Sensação de dor

A dor é um dos mecanismo de defesa mais importantes do nosso organismo, sendo ativada toda vez que um tecido nosso esteja sofrendo algum tipo de estresse ou injúria.

Inicialmente, pode parecer estranho pensar que um mecanismo que serve para nos proteger provoque um sensação tão ruim quanto a dor.

Mas, pense bem, se você encostar em uma superfície muito quente, o seu cérebro precisa lhe avisar para retirar a mão o mais depressa possível, antes que você sofra queimaduras graves.

O melhor modo para que você responda imediatamente, sem pensar e sem questionar, é fazer-lhe sentir que aquela ação de encostar no calor seja algo extremamente desconfortável. Com a dor, você não só vai retirar a mão o mais rápido possível, como não irá querer pô-la de volta de modo algum.

Para podermos sentir dor, é preciso haver receptores para identificar lesões dos tecidos e nervos sensitivos especializados em transportar a sensação de dor. Nossa pele, por exemplo, é amplamente inervada por nervos sensitivos capazes de reconhecer eventos traumáticos mínimos.

Quando sofremos um corte, uma queimadura, uma picada ou qualquer outra injúria do tecido da pele, esses nervos são ativados, enviando rapidamente sinais elétricos em direção à medula espinhal, que, por sua vez, transporta-os para o cérebro, onde a sensação de dor é reconhecida.

Portanto, se quisermos bloquear a sensação de dor, podemos agir em três pontos:

1. No local exato onde a injúria está ocorrendo, através do bloqueio dos receptores da dor presentes na pele.2. Na medula espinhal, bloqueando um sinal doloroso vindo de um nervo periférico, impedindo que o mesmo continue seu trajeto e chegue ao cérebro.

3. No cérebro, impedindo que o mesmo reconheça os sinais dolorosos que chegam a si.

Esse três modos de agir sobre a dor são os mecanismos básicos da anestesia local, regional e geral, respectivamente.

Objetivos

O objetivo principal de qualquer uma das três modalidades de anestesia é bloquear a sensação de dor.

Nos procedimentos simples, nos quais apenas uma anestesia local é necessária, o única objetivo do procedimento é mesmo cortar a dor.

Todavia, em casos de cirurgia, principalmente as de grande porte, não basta apenas retirar a dor.

Nesses, o procedimento anestésico também tem outras funções, como bloquear a musculatura do paciente, impedindo que o mesmo se mexa durante a cirurgia, e provocar amnésia, fazendo com que o paciente se esqueça de boa parte dos acontecimentos durante a cirurgia, mesmo que ele permaneça acordado durante o ato cirúrgico.

Tipos

Como já referido, existem basicamente três tipos de anestesia: geral, regional e local. Vamos falar resumidamente sobre cada uma delas.

Anestesia geral

A anestesia geral é a modalidade anestésica indicada para as cirurgias mais complexas e de grande porte. Indicamos a anestesia geral quando o procedimento cirúrgico é muito complexo, não sendo viável anestesiar apenas uma região do corpo.

É importante notar que o tipo de anestesia indicado para cortes na pele é completamente diferentes da anestesia que precisa ser feita quando se vai cortar uma parte do intestino ou retirar um órgão do abdômen.

Em cirurgias extensas não é possível bloquear diferentes camadas e tecidos do organismos apenas com anestésicos locais.

Na anestesia geral, o paciente fica inconsciente, incapaz de se mover e, habitualmente, intubado e acoplado a um respirador artificial. Um dos motivos do paciente não sentir é pelo fato do mesmo estar profundamente sedado, como se o cérebro estive parcialmente “desligado” (leia: O QUE É O COMA INDUZIDO?).

Existe o mito de que a anestesia geral seja um procedimento anestésico perigoso. Não é verdade. Atualmente, a anestesia geral é procedimento bastante seguro.

Na maioria dos casos, quando o paciente submetido a uma cirurgia extensa apresenta complicações, o motivo não é a anestesia geral.

As complicações são geralmente derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como problemas cardíacos, renais, hepáticos ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesão/falência de órgãos vitais.

Em pacientes saudáveis, a taxa de complicação da anestesia geral é de apenas 1,4 para cada 1 milhão de cirurgias. Portanto, problemas com anestesia geral são semelhantes a acidentes de avião: são raros, mas assustam, porque quando ocorrem, há intensa exposição na mídia, levando à falsa impressão de que são frequentes.

Se você quiser saber mais detalhes sobre a anestesia geral, temos um artigo exclusivo sobre esse tipo de anestesia: ANESTESIA GERAL – Quais são os riscos?

Anestesia regional

A anestesia regional é um procedimento anestésico usado em cirurgias mais simples, onde o paciente pode permanecer acordado. Este tipo de anestesia bloqueia a dor em apenas uma determinada região do corpo, como um braço, uma perna ou toda região inferior do corpo, abaixo do abdômen.

Os dois tipos de anestesia regional mais usados são:

  • Anestesia raquidiana (ou raquianestesia).
  • Anestesia peridural.

Anestesia raquidiana

Para realizar a anestesia raquidiana, uma agulha de pequeno calibre é inserida nas costas, de modo a atingir o espaço subaracnoide, dentro da coluna espinhal. Em seguida, um anestésico é injetado dentro do líquido espinhal (liquor), produzindo dormência temporária e relaxamento muscular.

A presença do anestésico dentro da coluna espinhal bloqueia os nervos que passam pela coluna lombar, fazendo com que estímulos dolorosos vindos dos membros inferiores e do abdômen não consigam chegar ao cérebro.

A raquianestesia é muito usada para procedimentos ortopédicos de membros inferiores e para cesarianas.

Anestesia peridural

A anestesia peridural é muito semelhante a anestesia raquidiana, porém há algumas diferenças:

1. Na anestesia peridural o anestésico é injetado na região peridural, que fica ao redor do canal espinhal, e não propriamente dentro, como no caso da raquianestesia.2. Na anestesia peridural, o anestésico é injeto por um cateter, que é implantado no espaço peridural.

Enquanto na raquianestesia o anestésico é administrado por uma agulha uma única vez, na peridural o anestésico fica sendo administrado constantemente através do cateter.3. A anestesia peridural pode continuar a ser administrada no pós-operatório para controle da dor nas primeiras horas após a cirurgia.

Basta manter a infusão de analgésicos pelo cateter.

4. A quantidade de anestésicos administrados é bem menor na raquidiana.

A anestesia peridural é comumente usada durante o parto normal.

A complicação mais comum das anestesias raquidianas e peridurais é a dor de cabeça, que ocorre quando há extravasamento de liquor pelo furo feito pela agulha no canal espinhal.

Essa perda de líquido provoca uma redução da pressão do liquor ao redor de todo o sistema nervosos central, sendo esta a causa da dor de cabeça.

Para saber mais sobre a cefalia pós-ráqui, leia: CEFALEIA PÓS-RAQUI OU PUNÇÃO LOMBAR

Anestesia local

A anestesia local é o procedimento anestésico mais comum, sendo usado para bloquear a dor em pequenas regiões do corpo, habitualmente na pele. Ao contrário das anestesias geral e regional, que devem ser administradas por um anestesiologista, a anestesia local é usada por quase todas as especialidades.

A anestesia local é habitualmente feita com a injeção de lidocaína na pele e nos tecidos subcutâneos. Ela serve para bloquear a dor em uma variedade de procedimentos médicos, como biópsias, punções de veias profundas, suturas da pele, punção lombar, punção de líquido ascítico ou de derrame pleural, etc.

A anestesia local também pode ser feita através de gel ou spray, como nos casos das endoscopias digestivas, onde o médico aplica um spray com anestésico local na faringe de modo a diminuir o incômodo pela passagem do endoscópio.

A anestesia local funciona bloqueando os receptores para dor na pele e os nervos mais superficiais, impedindo que os mesmos consigam enviar sinais doloroso para o cérebro.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/cirurgia/tipos-de-anestesia/

Riscos da anestesia geral, local, peridural e raquidiana

Anestesia (Geral, Local e Raquidiana e Peridural)

A anestesia é uma estratégia utilizada com o objetivo de prevenir a dor ou alguma sensação durante uma cirurgia ou procedimento doloroso por meio da administração de medicamentos através da veia ou por meio da inalação. A anestesia normalmente é realizada em procedimentos mais invasivos ou que possam provocar qualquer tipo de desconforto ou dor no paciente, como cirurgia do coração, parto ou procedimentos odontológicos, por exemplo.

Existem vários tipos de anestesia, que afetam o sistema nervoso de várias formas através do bloqueio de impulsos nervosos, cuja escolha vai depender do tipo de procedimento médico e do estado de saúde da pessoa.

É importante que seja informado ao médico qualquer tipo de doença crônica ou alergia para que seja indicado o melhor tipo de anestesia sem que haja qualquer risco. Veja quais são os cuidados antes da cirurgia.

1. Anestesia geral

Durante a anestesia geral, são administrados medicamentos anestésicos que sedam a pessoa profundamente, para que a cirurgia realizada, como cirurgia no coração, pulmão ou abdominal, não provoque qualquer dor ou desconforto.

Os medicamentos utilizados deixam a pessoa inconsciente e causam insensibilidade à dor, promovendo relaxamento muscular e causando amnésia, para que tudo o que acontece durante a cirurgia seja esquecido pelo paciente.

O anestésico pode ser injetado na veia, tendo um efeito imediato, ou inalado através de uma máscara na forma de gás, chegando na circulação sanguínea através dos pulmões. A duração do seu efeito é variável, sendo determinado pelo anestesista, que decide a quantidade do medicamento anestésico a administrar. Saiba mais sobre anestesia geral.

Os medicamentos mais usados na anestesia geral são: benzodiazepinas, narcóticos, sedativos e hipnóticos, relaxantes musculares e gases halogenados.

Quais os riscos

Embora a anestesia seja um procedimento bastante seguro, poderá ter alguns riscos associados dependentes de alguns fatores, como o tipo de cirurgia e da condição médica da pessoa. Os efeitos colaterais mais comuns são enjoo, vômitos, dor de cabeça e alergias ao medicamento anestésico.

Em casos mais graves, podem ocorrer complicações como parada da respiração, parada cardíaca ou mesmo sequelas neurológicas em pessoas com saúde mais debilitada devido a desnutrição, problemas cardíacos, pulmonares ou renais, por exemplo.

Embora seja muito raro, pode acontecer que a anestesia tenha um efeito parcial, como tirar a consciência mas permitir que a pessoa se mova ou a pessoa não se conseguir mover mas sentir os acontecimentos à sua volta.

2. Anestesia local

A anestesia local envolve uma área muito específica do corpo, não afeta a consciência e é normalmente usada em cirurgias pequenas como procedimentos dentários, cirurgia do olho, nariz ou garganta, ou em conjunto com outra anestesia, como anestesia regional ou de sedação. 

Este tipo de anestesia pode ser administrado de duas formas, aplicando um creme ou spray anestésico numa pequena região da pele ou mucosa, ou injetando o medicamento anestésico no tecido a anestesiar. A lidocaína é o anestésico local mais comum.

3. Anestesia regional

A anestesia regional é usada quando é necessário anestesiar apenas uma parte do corpo, como um braço ou uma perna, por exemplo e existem vários tipos de anestesia regional: 

Na anestesia raquidiana, o anestésico local é administrado com uma agulha fina, no líquido que banha a medula espinhal, chamado de líquido cefalorraquidiano. Neste tipo de anestesia o anestésico mistura-se com o fluído espinhal e contacta com os nervos, levando à perda da sensibilidade dos membros inferiores e da zona inferior do abdômen. 

Também conhecida por anestesia epidural, este procedimento bloqueia a dor e as sensações de apenas uma região do corpo, geralmente da cintura para baixo. 

Neste tipo de anestesia, o anestésico local é administrado através de um cateter que é colocado no espaço epidural que se encontra ao redor do canal espinhal, levando à perda de sensibilidade dos membros inferiores e do abdômen. Veja mais sobre anestesia epidural e para que serve. 

Neste tipo de anestesia regional, o anestésico local é administrado ao redor dos nervos responsáveis pela sensibilidade e pelo movimento do membro onde vai ser realizada a cirurgia, podendo ser administrada uma variedade de bloqueadores do nervo.

Os grupos de nervos, chamados de plexo ou gânglio, que causa dor a um órgão ou região do corpo específicos, são então bloqueados levando à anestesia de áreas do corpo como o rosto, nariz, palato, pescoço, ombro, braço, entre outros.

A anestesia intravenosa é um procedimento em que se coloca um cateter numa veia de um membro, para que o anestésico local seja administrado, colocando-se ao mesmo tempo um torniquete acima da área para que a anestesia permaneça no lugar. A sensibilidade é recuperada quando se retira o torniquete.

A anestesia regional é normalmente utilizada durante procedimentos cirúrgicos simples como durante um parto normal, em cirurgias pequenas como cirurgias ginecológicas ou estéticas ou em ortopedia, por exemplo.

Saiba como a anestesia elimina as dores do parto.

4. Anestesia de sedação

A anestesia de sedação é administrada por via intravenosa e é geralmente usada em associação com uma anestesia regional ou local, de forma a aumentar o conforto da pessoa.

A sedação pode ser leve, em que a pessoa está relaxada mas acordada, podendo responder a perguntas do médico, moderada em que a pessoa normalmente dorme durante o procedimento, mas pode ser acordada facilmente quando se faz uma pergunta ou profunda em que a pessoa dorme durante todo o procedimento, não se lembrando do que se passou desde que foi administrada a anestesia. Sendo leve, moderada ou profunda, este tipo de anestesia é acompanhada de suplemento de oxigênio. 

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