Angioedema hereditário: o que é, sintomas e tratamento

angioedema

Angioedema hereditário: o que é, sintomas e tratamento

O angioedema é a manifestação clínica de síndrome alérgica com edema localizado na camada de pele ou submucosa do trato gastrointestinal ou respiratório, que resulta de extravasamento de líquidos para os tecidos intersticiais. A primeira descrição amplamente reconhecida de angioedema foi de Heinrich Quincke, em 1882. Em homenagem a sua contribuição, às vezes o angioedema é referido como edema de Quincke.

angioedema não é uma doença; em vez disso, é uma manifestação de uma variedade de processos patológicos. Esses processos têm como resultado final ou a degranulação dos mastócitos ou a formação de cininas.

A incidência de angioedema é pouco conhecida. Para os pacientes que tomam inibidores de enzima conversora de angiotensina (ACE), a incidência é de 0,1% a 0,7%. A prevalência de várias formas de angioedema hereditário é estimada entre 1 em 10.000 e 1 em 50.000.

Etiologia e Fisiopatologia

Existem cinco categorias de angioedema, classificados desta forma com base em sua fisiopatologia:

• Hereditária;

• Adquirida;

• Imunológicas / alérgica inibidora da ECA induzida;

• Fisicamente induzida;

• Idiopática.

Para ocorrência do angioedema, os mediadores devem ser ativados, entre eles se destacam as bradicininas. A bradicinina é um peptídeo vasoativo que é formado como um produto final do sistema calicreína-quinina. Esse sistema ajuda a contrabalançar as propriedades vasoconstritoras do sistema renina-angiotensina-aldosterona.

A bradicinina é o mediador principal da maioria das formas não alérgicas de angioedema. Nesse sistema, o fator XII ativa a cascata de coagulação a partir de pré-calicreína convertendo a calicreína resultando na depleção de componentes como C4. A calicreína, por sua vez, forma o complexo cininogênio-bradicinina.

A meia-vida da bradicinina é de aproximadamente 15 a 30 segundos, e a concentração é tipicamente baixa.

A bradicinina ativa as células endoteliais através do receptor B2, que conduz a um aumento da permeabilidade vascular, vasodilatação e subsequente formação de edema.

O inibidor da C1 esterase (C1-INH) é uma alfa 2-globulina glicoproteína fracamente ligada à C1. O C1-INH inibe a função de C1r e C1s da via clássica do complemento. Também desempenha um papel importante na inibição de outros componentes, tais como calicreina,  fator Xla, Xlla, entre outros.

A histamina, por sua vez, é um derivado de aminoácido que se forma por descarboxilação da histidina. A maior parte da conversão ocorre dentro de grânulos de mastócitos nos tecidos ou basófilos que circulam na corrente sanguínea. A histamina tem muitas funções no corpo, mas a sua função principal é dentro do sistema imunológico.

Os mastócitos liberam histamina através de um processo conhecido como degranulação quando eles forem sensibilizados com anticorpos IgE e, em seguida, entrarem em contato com um antígeno apropriado. Certos fármacos são também capazes de causar a degranulação de mastócitos através de um mecanismo não imunológico.

Exemplos de tais fármacos incluem morfina e tubocurarina.

Existem quatro receptores conhecidos para histamina H1, no entanto, apenas os receptoes de H1 e H2 estão envolvidos na formação do edema, que pode conduzir a angioedema. Os receptores H1 estão localizados nas células do músculo liso e endoteliais, bem como no sistema nervoso central.

A ativação dos receptores H1 resulta em vasodilatação, broncoconstrição e prurido. Os receptores de H2 são encontrados em células do músculo liso vascular e células parietais do estômago. A ativação dos receptores H2 resulta em vasodilatação e estimulação da secreção de ácido gástrico.

Etiologias e Manifestações clínicas

O angioedema hereditário é uma forma genética de angioedema que é mais frequentemente devido a uma deficiência em qualquer um dos níveis quantitativos ou funcionais de C1-INH. William Osler foi o primeiro a demonstrar o padrão hereditário de angioedema, em 1888.

No relatório original, ele descreveu achado clínicos de cinco gerações de uma mesma família  que desenvolvem angioedema. O angioedema hereditário é mais frequentemente herdado de forma dominante autossômica, com a maioria dos casos sendo heterozigotos (embora os indivíduos homozigotos têm sido descritos). O C1 INH serve como o principal regulador do sistema calicreína-quinina.

Como resultado da diminuição da quantidade de C1-INH ou de sua função, quando o sistema calicreína-bradicininas é ativado,  leva ao aumento da formação de bradicinina e o resultante aumento da permeabilidade vascular e edema. Os pacientes com angioedema hereditário têm variável frequência de episódios de angioedema.

Alguns presentes com episódios frequentes ocorrendo a cada duas semanas, enquanto outros vão passar anos sem ter um episódio. Existem pelo menos três formas de angioedema hereditário descritas.

Angiodema hereditário tipo I, que representa aproximadamente 85% dos casos de angioedema hereditário, existe uma diminuição significativa dos níveis de C1-INH em geral

Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/6586/angioedema.htm

ANGIOEDEMA – Causas, sintomas e tratamento

Angioedema hereditário: o que é, sintomas e tratamento

Angioedema é um inchaço que ocorre nas camadas mais profundas da pele por extravasamento de líquido dos vasos sanguíneos. Esse edema habitualmente afeta áreas que possuem um tecido mais “frouxo”, que seja mais passível de se distender, como a pele da face, os lábios, as pálpebras e as mucosas das vias aéreas, incluindo faringe, laringe e úvula. 

Alguns tipos, como o angioedema hereditário, também podem afetar a parede intestinal, provocando quadro de cólicas abdominais.

Os quadros de angioedema costumam ser localizados, afetando apenas uma parte do corpo, e autolimitados, com resolução espontânea mesmo sem tratamento.

O inchaço de um ou ambos os lábios, associado à edema da face ao redor da boca, é uma das apresentações mais típicas, principalmente no angioedema provocado pelos inibidores da ECA, um grupo de medicamentos muito usado no tratamento da hipertensão arterial.

Na maioria dos casos, os episódios de angioedema surgem de forma isolada, sem outras manifestações clínicas associadas. O paciente não sente mais nada além do edema localizado. Porém, nos angioedemas de origem alérgica, o paciente também pode desenvolver um quadro de urticária e/ou anafilaxia.

Apesar da maioria dos casos ter uma evolução benigna, o angioedema pode ser potencialmente fatal se houver edema relevante da laringe a ponto de obstruir a passagem de ar para os pulmões.

Como surge

O angioedema surge surge quando pequenos vasos sanguíneos, como arteríolas e vênulas, são expostos a mediadores inflamatórios que provocam dilatação e aumento da sua permeabilidade, permitindo que parte da água contida no sangue extravase em direção aos tecidos. Esse acúmulo de água no tecido subcutâneo é que provoca os inchaços típicos da doença.

A ação desses mediadores inflamatórios costuma ser localizada e, conforme já referido, tende a acometer mais a região dos lábios, pálpebras e as vias respiratórias, que são áreas que distendem facilmente, motivo pelo qual os edemas nesses locais costumam ser exuberantes.

Tipos

A histamina e a bradicinina são os mediadores inflamatórios mais associados ao surgimento do angioedema. O primeiro está relacionado a processos alérgicos e o segundo aos angioedemas hereditário, adquirido ou relacionado aos inibidores da ECA.

Angioedema mediado pela histamina (origem alérgica)

A histamina é o principal mediador inflamatório relacionado às alergias. Essa substância é produzida principalmente pelos mastócitos e pelos basófilos, duas das células de defesa do nosso sistema imunológico.

Nos angioedemas de origem alérgica, a liberação de histamina costuma ser provocada por determinados tipos de alimentos ou por picadas de insetos.

O quadro habitualmente se inicia logo após o contato com a substância alérgica e e pode durar de 24 a 48 horas.

Como a liberação da histamina pode ser difusa pelo organismo, é comum o paciente ter outros sinais e sintomas de um processo alérgico, como urticária.

Angioedema provocado por inibidores da ECA

Os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) são um grupo de fármacos muito utilizado no tratamento da hipertensão arterial, na insuficiência cardíaca e nas doenças renais com proteinúria. Entre os IECA mais prescritos estão: captopril, enalapril, lisinopril, ramipril e perindopril.

A bradicinina é um mediador inflamatório que exerce várias funções no organismo, incluindo ações no sistema vascular, na árvore respiratória e nos intestinos.

Os IECA diminuem a velocidade de degradação da bradicinina, favorecendo o sua acúmulo no sangue.

Estudos mostram que pacientes com angioedema provocado pelos IECA apresentam níveis sanguíneos de bradicinina até 10 vezes acima do normal.

A maioria das pessoas que toma IECA não faz angioedema porque elas possuem outras vias de degradação da bradicinina que não sofrem interferência desses medicamentos. O angioedema parece surgir exatamente em pessoas predispostas, que apresentam naturalmente uma baixa ativação dessas vias alternativas.

Como essa forma de angioedema não possui origem alérgica, não é habitual haver coceira ou urticária associados.

Angioedema hereditário

O angioedema hereditário também está relacionado à bradicinina. Esse caso, porém, tem uma fisiopatologia bem complexa, que é difícil de ser explicada sem utilização de muitos termos técnicos e nomenclaturas científicas.

De forma bem resumida, podemos dizer que esses pacientes têm um defeito genético, de origem familiar, no qual há uma deficiente produção de uma proteína chamada inibidor de C1. Entre as diversas funções desse inibidor de C1 está a inibição da produção de bradicinina. Sem essa proteína, o paciente produz mais bradicinina que o necessário, aumentando o risco do surgimento de angioedema.

Angioedema adquirido

O angioedema adquirido é um distúrbio bem raro. Nesse caso, a deficiência do inibidor de C1 não tem origem genética, ela surge ao longo da vida provocada por um câncer, como linfoma, ou por doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico ou dermatomiosite.

Angioedema idiopático

Angioedema idiopático é aquele que surge sem causa aparente e os mecanismos fisiopatológicos não são claros. Há uma suspeita de que parte desses quadros possa ser provocada por ativação inespecífica de mastócitos, sem origem alérgica. Os gatilhos comuns para esse tipo de angioedema incluem calor, frio, estresse emocional e exercício.

Causas

As causas dos angioedemas mediados pela bradicinina são bem claras e foram explicadas no tópico anterior. Já nos casos mediados pela histamina, existem diversos gatilhos conhecidos. Os mais descritos são:

Sintomas

A apresentação clínica dos vários tipos de angioedema é parecida, mas algumas particularidades podem estar presentes de acordo com o mediador inflamatório envolvido.

Sintomas do angioedema mediado pela histamina

O angioedema mediado por histamina costuma ter origem alérgica. Os primeiros sinais costumam surgir minutos após a exposição ao alérgeno. Os sintomas vão evoluindo dentro de algumas horas e o quadro tende a desaparecer por completo após cerca de 24 a 48 horas.

Os sinais típicos são o inchaço dos lábios e da face ao redor da boca. Inchaço palpebral também pode ocorrer. Outros sintomas de alergia são comuns, princialmente a urticária, que se manifesta com rash avermelhado e coceira pelo corpo. Mãos, pés e a genitália também podem apresentar edema.

Apesar de ser benigno na maioria dos casos, a reação alérgica que provoca o angioedema também pode afetar as vias aéreas, principalmente a laringe, provocando obstrução da passagem de ar.
Rouquidão, edema da língua, dificuldade para engolir e sensação de aperto na garganta são sinais de alerta que sugerem edema de laringe (também chamado de edema de glote).

Sintomas do angioedema mediado pela bradicinina

O inchaço dos lábios e da face também são os sinais mais comuns nos casos de angioedema mediado pela bradicinina. O edema de laringe pode surgir, apesar de não ser muito comum. Já os sinais de alergia, como a urticária, não costumam acontecer nessa forma de angioedema.

Edema da parede dos intestinos é típico do angioedema mediado pela bradicinina, sendo mais comum na forma hereditária do que na provocada pelos inibidores da ECA. Os sintomas mais comuns do acometimento intestinal são cólicas e diarreia.

O angioedema induzido pelo inibidor da ECA geralmente surge após alguns dias do inicio do medicamento, mas pode levar semanas ou até meses. Os inchaços ocorrem de forma episódica, cada um deles com dois a cinco dias de duração. Os inchaços desaparecem espontaneamente, mesmo que o paciente não suspenda o uso do inibidor da ECA.

Com o tempo, porém, se o paciente mantiver a medicação, os episódios de angioedema vão ser tornando cada vez mais frequentes e de maior intensidade, aumentando o risco de haver edema de glote e risco de morte.

No angioedema hereditário, os primeiros episódios costumam surgir ainda na infância. A gravidade do quadro varia muito de caso a caso, mesmo entre parentes.

Há casos com episódios de angioedema quase que semanais e outros em que o paciente apresenta apenas um ou dois episódios por ano.

Estresse, medicamentos e procedimentos dentários são os gatilhos mais comuns das crises no angioedema hereditário.

Tratamento

Os paciente com angioedema, não importa o tipo, que apresentem uma crise com edema das vias aéreas ou sinais de anafilaxia (hipotensão, torpor e dificuldade respiratória) devem ser tratados em um serviço de emergência, devido ao risco de morte. Entubação orotraqueal, administração de soros intervenosos e de adrenalina intramuscular costumam ser as medidas emergenciais.

Nos pacientes com angioedema de origem alérgica, glicocorticoides e anti-histamínicos são os fármacos mais utilizados durante as crises.

Nos angioedemas provocados pelos inibidores da ECA, não há um tratamento específico para a fase aguda. Em geral, se o paciente não tiver sinais de acometimento das vias aéreas, a única orientação é suspender o medicamento. Como o quadro não tem origem alérgica, anti-alérgicos não surtem efeito.

Se o IECA for um medicamento importante para o paciente, ele pode ser trocado por um antagonista dos receptores da angiotensina II (ARA2), como losartana, telmisartana ou olmesartana, que apresentam ações e benefícios semelhantes aos IECA.

Nos angioedemas hereditários existem alguns medicamentos que podem ser usados nas crises, como inibidor de C1 purificado, Icatibanto ou Ecallantide.

Referências

  • Angioedema – Medscape.
  • Consensus Statement on the Diagnosis, Management, and Treatment of Angioedema Mediated by Bradykinin. Part I. Classification, Epidemiology, Pathophysiology, Genetics, Clinical Symptoms, and Diagnosis – JIACI.
  • Consensus Statement on the Diagnosis, Management, and Treatment of Angioedema Mediated by Bradykinin. Part II. Treatment, Follow-up, and Special Situations – JIACI.
  • Urticaria and angioedema – Allergy, Asthma & Clinical Immunology.
  • A focused parameter update: Hereditary angioedema, acquired C1 inhibitor deficiency, and angiotensin-converting enzyme inhibitor–associated angioedema – JIACI.
  • Multicenter study of patients with angiotensin-converting enzyme inhibitor-induced angioedema who present to the emergency department – Annals of Allergy, Asthma & Immunology.
  • An overview of angioedema: Clinical features, diagnosis, and management – UpToDate.
  • Hereditary angioedema: Epidemiology, clinical manifestations, exacerbating factors, and prognosis – UpToDate.
  • Acquired C1 inhibitor deficiency: Management and prognosis – UpToDate.

Источник: https://www.mdsaude.com/alergoimunologia/angioedema/

Angioedema

Angioedema hereditário: o que é, sintomas e tratamento

O angioedema consiste em “inchaços” das zonas finas da pele, tipicamente lábios, escroto, olhos, etc.

Este “inchaço” pode ser tão intenso que provoca deformação completa da cara ou outros órgãos.

Mais raramente pode ocorrer na língua ou na glote e nestes casos pode dificultar a respiração, requerendo assistência imediata no Serviço de Urgência. O angioedema pode acompanhar a urticária.

Neste tema abordaremos apenas as situações de angioedema isolado, que não se acompanham de pápulas urticariformes. Nestes casos, o edema tende a ser menos pruriginoso, mais doloroso, e é frequentemente precedido por uma sensação de “encortiçamento” da zona onde se vai manifestar.

O angioedema ocorre porque se libertam uma série de mediadores que induzem a dilatação dos vasos sanguíneos da pele e consequentemente a saída de líquido plasmático para o tecido extravascular.

De acordo com o mediador responsável pela sua ocorrência, o angioedema pode ser histaminérgico, quando o mediador envolvido é a histamina, ou pode ser bradicinérgico, quando a bradicinina é o mediador implicado.

No primeiro caso as lesões são mais avermelhadas (eritematosas) e responde bem ao tratamento com anti-histamínicos e corticosteróides; no segundo caso a lesão é mais pálida e não responde habitualmente a estes fármacos.

O angioedema pode ser uma doença por si só, ou ocorrer como manifestação de outras doenças.

Angioedema – sinais e sintomas

O angioedema pode ser agudo ou recorrente e cada episódio de angioedema pode ter uma duração de algumas horas até alguns dias.

Os sinais e sintomas de angioedema incluem o aparecimento de “inchaços” das zonas finas da pele, tipicamente lábios (angioedema labial), escroto (angioedema genital), região à volta dos olhos (angioedema ocular), etc.. Este “inchaço” pode ser tão intenso que pode provocar mesmo deformação completa da cara ou outros órgãos. Veja fotos superiores.

O angioedema gastrointestinal é relativamente frequente nos casos hereditários, tipicamente cursa com cólicas abdominais de tal forma violentas que fazem suspeitar até de necessidade de cirurgia abdominal.

É fundamental que estes doentes estejam identificados com relatórios do seu Imunoalergologista explicando a sua doença na eventualidade de precisarem de atendimento no Serviço de Urgência, uma vez que o tratamento se faz por reposição de C1 inibidor, e não por cirurgia.

Tipos de angioedema

De acordo com a mais recente classificação publicada pela Academia Europeia de Alergologia e Imunologia Clínica, consideram-se dois tipos de angioedema: hereditário e adquirido. Dentro de cada tipo, existem subtipos diferentes.

angioedema hereditário é uma doença genética rara, causada por uma mutação. Pode demorar vários anos até se manifestar.

angioedema adquirido, por sua vez, pode ser provocado por várias circunstâncias, nomeadamente fármacos, deficiência de C1-inibidor causada por outras doenças, ou mesmo não ser possível identificar uma causa (maioria das situações). Nos casos em que não há identificação de uma causa, é fundamental avaliar a resposta a anti-histamínicos para categorizar essa forma de angioedema.

É comum classificar o angioedema que responde a anti-histamínicos como angioedema alérgico, mediado ou não pela IgE.

Tal não é necessariamente verdade, uma vez que existem outras formas de libertação de histamina que não têm a ver com processos alérgicos, e por isso se tem preferido a utilização do termo “histaminérgico” em vez de “alérgico”.

É frequente as pessoas associarem o angioedema a alergia. De facto, pode ocorrer angioedema como manifestação de alergia alimentar, medicamentosa, ou ao veneno de insetos, mas nesses casos habitualmente a ocorrência é rápida logo após a exposição e desaparece também de forma rápida, reaparecendo apenas quando se repete a exposição.

Classificação da gravidade

Não existe propriamente uma classificação de gravidade, mas considera-se angioedema grave aquele cuja localização coloca em risco a vida, ou seja se ocorrer na língua ou na glote, porque nesses casos significa que pode dificultar a respiração provocando asfixia, requerendo assistência imediata no Serviço de Urgência.

O angioedema é contagioso?

Não! O angioedema não é contagioso, por isso, não se transmite ou se “pega” ou “passa” de uma pessoa para outra.

O angioedema hereditário é uma doença transmissível mas de forma genética, por isso não se pode controlar se os filhos vão herdar dos pais.

O angioedema adquirido não tem qualquer risco de contágio.

Diagnóstico do angioedema

O diagnóstico do angioedema é clínico, após a observação pelo Médico das lesões de “inchaço” típicas (convém agendar consulta durante a crise, ou levar fotos que registem a ocorrência). Para a confirmação e para distinguir entre os vários tipos de angioedema, é feito estudo através de análises sanguíneas, que mostram padrões típicos de cada situação (ver quadro abaixo).

Resultados das análises esperados nos vários tipos de angioedema:

Tipo de angioedema

C1 inibidor

Função C1 inibidor

C4

C1q

Hereditário I

Baixo

Baixo

Baixo

Normal

Hereditário II

Normal

Baixo

Baixo

Normal

Hereditário III

Normal

Normal

Normal

Normal

Adquirido

Normal ou Baixo

Baixo

Baixo

Baixo

Complicações do Angioedema

O angioedema pode causar complicações dependendo da sua localização, por exemplo se ocorrer na língua ou na glote, pode dificultar a respiração provocando asfixia e requer assistência imediata.

Apesar de se falar muito na associação de angioedema a neoplasias, ou a doenças auto-imunes como é o caso do lúpus eritematoso sistémico, na verdade estas doenças não são uma complicação do angioedema mas sim a sua causa, embora se trate de situações raras.

O angioedema tem cura?

Não! Na maior parte das situações não tem cura. A exceção são os casos de angioedema adquirido induzido por fármacos ou provocado por outras doenças, porque nesses casos a evicção do fator desencadeante ou o tratamento da doença fazem desaparecer o angioedema.

Nos restantes tipos de angioedema, apesar de não haver cura, existem tratamentos. Saiba, de seguida, como tratar o angioedema.

Angioedema – tratamento

O tratamento depende do tipo de angioedema.

Exceto os casos de angioedema adquiridos por indução de fármacos ou provocados por outras doenças, em que a evicção do fator desencadeante (por exemplo os IECAS, como é o caso do lisinopril) ou o tratamento da doença fazem desaparecer o angioedema, nos restantes casos o objetivo do tratamento medicamentoso é aliviar os sintomas e acabar com a ocorrência de crises.

Os anti-histamínicos não-sedativos são a primeira e melhor linha de tratamento nos casos de angioedema adquirido idiopático. Os corticosteróides orais ou endovenosos podem ser necessários em situações de edema mais grave ou localizações mais perigosas.

Se não houver redução das crises com os anti-histamínicos, então assume-se um mecanismo não-histaminérgico e será prudente iniciar tratamento com anti-fibrinolíticos (mais eficazes na profilaxia a longo prazo nestas situações do que os androgénios, e com menos efeitos laterais); o concentrado de C1 inibidor é o tratamento de eleição nas crises.

Os antagonistas dos leucotrienos podem em teoria ter alguma eficácia, embora pouco demonstrada, e outros fármacos como a ciclosporina ou o omalizumab mostraram eficácia em casos esporádicos.

Nos casos de angioedema hereditário, existem duas classes principais de medicamentos (ou remédios) para prevenção (anti-fibrinolíticos e androgénios), e nas situações de crise utiliza-se concentrado de C1 inibidor ou icatibant (medicamento antagonista do recetor 2 da bradicinina).

Não existe, com eficácia comprovada, qualquer tipo de tratamento caseiro ou natural (alimentos, substâncias naturais, pomadas, etc) no tratamento do angioedema. O doente nunca deve em caso algum automedicar-se, sendo de enorme importância o acompanhamento médico e o cumprimento rigoroso da prescrição.

Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/medicina/alergologia/angioedema/

Sobre a Medicina
Deixe uma resposta

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!: