Ansiedade infantil: sinais e como controlar

Ansiedade infantil: sinais e como controlar

Ansiedade infantil: sinais e como controlar

A ansiedade é um sentimento normal e muito comum, tanto na vida dos adultos, como das crianças, no entanto, quando essa ansiedade é muito forte e impede a criança de viver sua vida normalmente ou de participar em diversas atividades, pode ser uma situação mais séria, que precisa ser abordada e tratada para permitir um desenvolvimento mais completo. É comum a criança apresentar sintomas de ansiedade quando os pais se separam, quando mudam de casa, mudam de escola ou quando algum ente querido morre, e por isso, os pais devem ficar atentos ao comportamento da criança, verificando se está se adaptando à situação ou se está desenvolvendo medos irracionais e excessivos.

Normalmente, quando a criança se sente segura, protegida e amparada, ela fica mais calma e mais tranquila. Conversar com a criança, olhando nos seus olhos, tentando entender ser ponto de vista, ajuda a entender os próprios sentimentos, contribuindo para o seu desenvolvimento.

Existem alguns sinais que podem ajudar os pais a identificar uma situação de ansiedade, como: estar mais irritada e chorosa que o normal; ter dificuldade para pegar no sono; acordar mais vezes que o normal durante a noite; voltar a chupar o dedo; fazer xixi nas calças ou ter pesadelos frequentes.

No entanto, se demorarem mais de 1 semana para passar, os pais ou cuidadores devem ficar atentos e tentar ajudar a criança a ultrapassar essa fase.

10 maneiras de ajudar uma criança ansiosa

Quando as crianças são ansiosas, até mesmo os pais mais bem intencionados podem cair num ciclo negativo e aumentar a ansiedade delas. Isto acontece quando os pais, antecipando os temores da criança, tentam protegê-la desses medos. Encontramos estas dicas do psiquiatra Clark Goldstein, especializado em tratamento de ansiedade, e achamos tudo bem pertinente. Dá só uma olhada:

1. O objetivo não é eliminar a ansiedade, mas ajudar a criança a controlá-la

Nenhum de nós quer ver uma criança infeliz, mas a melhor maneira de ajudar as crianças não é querer superar a ansiedade tentando remover o estresse que a provocam. É preciso ajudá-las a aprender a tolerar essa ansiedade. E como consequência disso, a ansiedade pode diminuir ou desaparecer ao longo do tempo.

2. Não evite fazer coisas, simplesmente, porque a criança está ansiosa

Ajudar as crianças a evitarem as coisas que elas têm medo, vai fazê-las se sentirem melhor num curto prazo, mas reforça a ansiedade a longo prazo.

Se uma criança em uma situação desconfortável fica chateada, começa a chorar e os pais decidem retirá-la de um determinado lugar ou remover a coisa que ela tem medo: ela aprende que é assim que as coisas funcionam. E este ciclo acaba se repetindo.

3. Expresse expectativas positivas, mas realistas

Você não pode prometer a uma criança que seus medos são irreais, que ela não vai falhar num teste, que ela vai se divertir em algo que a aflige ou que outra criança não vai rir dela durante sua apresentação na escola.

Mas você pode plantar nela a confiança de que ela vai ficar bem, de que ela será capaz de se controlar e, então, enfrentando seus medos, o nível de ansiedade vai cair ao longo do tempo.

Assim, ela terá a segurança de que as expectativas dela são realistas e que você não vai pedir pra ela fazer nada que ela não consiga suportar.

4. Respeite os sentimentos da criança, mas não os empodere

É importante compreender que validar algo, nem sempre, significa concordar com esse algo. Então, se uma criança está com medo de ir ao médico, porque tem medo da vacina, você não vai menosprezar isso, mas você também não vai aumentar esse sentimento.

Você vai precisar ouvir, ser compreensiva, ajudá-la a entender sobre o motivo da ansiedade e incentivar que ela enfrente os medos. A sua mensagem tem que ser: “Eu sei que você está com medo, e isso é bom, e eu estou aqui, e eu vou ajudá-la a passar por isso.

5. Não faça perguntas cruciais

Incentive seu filho a falar sobre seus sentimentos, mas não tente perguntar o “X” da questão. Evite perguntas do tipo: Você está ansiosa por causa da sua prova? Você está preocupada com a feira de ciências? Para evitar alimentar o ciclo de ansiedade é melhor optar por perguntas mais amplas: Como você está se sentindo sobre a feira de ciências?

6. Não reforce os medos da criança

Digamos que uma criança teve uma experiência negativa com um cão. Numa próxima vez que ela está perto de um cão, você, como mãe, pode estar ansiosa sobre como ela irá se comportar.

Aí, involuntariamente, querendo protegê-la, você acaba soltando uma frase do tipo: “Talvez seja melhor você tomar cuidado. É melhor ficar com medo dele para se proteger”.

Esse tipo de reforço do medo precisa ser evitado.

7. Encoraje a criança a tolerar sua ansiedade

Deixe o seu filho saber que você aprecia o trabalho dele em tentar tolerar a ansiedade, a fim de fazer o que ele quer ou precisa fazer. É realmente fazê-lo ter uma vida ativa e deixar a ansiedade tomar naturalmente outro rumo.

Esse rumo é chamado de “curva de adaptação” – vai caindo ao longo do tempo, à medida que a criança continua a ter contato com a ansiedade.

Não chega a cair a zero, nem tão rapidamente como a gente gostaria, mas é preciso entender que os medos devem ser encarados.

8. Encurte o período que antecede uma preocupação

Quando estamos com medo de alguma coisa, o momento mais difícil é aquele antes daquilo acontecer. Assim, outra regra de ouro para os pais é realmente tentar eliminar ou reduzir o período de antecipação.

Se uma criança está nervosa sobre ir a uma consulta médica, você não vai começar uma discussão sobre isto duas horas antes de ir. Assim, a tensão só vai aumentar. Então, basta tentar encurtar esse período.

9. Pense em estratégias por meio dos sinais que a criança nos dá

Às vezes ajuda falar a respeito de um medo que possa vir a existir de fato. Uma criança que está ansiosa sobre a separação de seus pais pode se preocupar se um deles esquecê-la na escola. Então, vamos falar sobre isso.

Se sua mãe não chegar no final da aula, o que você faria? Bem, eu diria para a professora que minha mãe não está aqui. E o que você acha que a professora faria? Bem, ela iria ligar para minha mãe ou pedir para eu esperar mais um pouco.

Uma criança que tem medo que um estranho vá buscá-la na escola pode ter uma “senha secreta” com os seus pais, que só eles saberiam. Para algumas crianças, ter um plano pode reduzir a incerteza de forma saudável e eficaz.

10. Tente ser um modelo saudável para os filhos contra a ansiedade

As crianças podem aprender de várias maneiras conosco, desde que a gente também demonstre a elas que estamos tentando lidar com as nossas próprias ansiedades e com os nossos medos. As crianças são perceptivas e adoram nos copiar.

É claro que elas vão prestar atenção se você, ao telefone, disser a uma amiga que não está dando conta de se controlar por algum motivo. Não é o caso de fingir que você não passa por nenhum estresse.

Mas tentar deixar as crianças ouvirem e identificarem em você coisas positivas, exemplos de que você, também, está tentando gerenciar o seu nervoso.

Источник: https://jardimdeinfancia304norte.com.br/ansiedade-infantil-sinais-e-como-controlar/

Como lidar com a ansiedade em crianças?

Ansiedade infantil: sinais e como controlar

A cena é um clássico do começo de ano nas escolas de todo o mundo. Enquanto algumas felizardas recebem apenas um aceno de longe, outras mães, tentando deixar as crianças, enfrentam choro e ranger de dentes de desespero.

Quem não conhece uma criança que parece birrenta? Ou que segue dormindo na cama dos pais depois de grande? Nossas lembranças de uma infância plenamente feliz são filtros. Crescer e adaptar-se ao mundo é essencialmente angustiante, o que causa ansiedade.

Mas, quando a criança não relaxa nunca, não quer sair de casa, não consegue ficar sozinha, sua ansiedade pode ter se tornado doença.

A ansiedade é uma das patologias psiquiátricas mais comuns nas crianças, atrás apenas dos Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e de conduta.

Cerca de 10% dos pequenos sofre de algum transtorno ansioso, e cinco em cada dez passarão por algum episódio depressivo por causa dela.

É necessário estar atento, também, à ansiedade que não chega a ser um transtorno, mas que traz sofrimentos e prejuízos cotidianos, como diminuição da autoestima.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) tem um novo olhar sobre os quadros psiquiátricos em geral, em particular os de ansiedade. Antes, separavam-se os de início específico na infância; hoje, estão todos catalogados sem divisão de faixa etária. Isso significa que os transtornos presentes em crianças e adolescentes não são mais vistos como menos graves.

Os mais frequentes na primeira fase da vida são o transtorno de ansiedade de separação, o transtorno de ansiedade generalizada e as fobias específicas (medo de animais, de avião, de elevador…), seguidos pela fobia social e o transtorno de pânico. Apesar da existência de um quadro clínico para cada um, a maioria das crianças apresentará mais de um transtorno ansioso – a chamada comorbidade.

Quando ansiedade é doença?

A terapia cognitivo-comportamental (TCC), que tem eficácia comprovada no tratamento de distúrbios ansiosos, vê que os indivíduos com ansiedade percebem o mundo como um lugar perigoso, que exige constante vigilância. Além disso, são sensíveis demais a estímulos que sugerem reprovação, e sofrem de autocrítica exagerada.

Coordenador do Programa de Transtornos de Ansiedade na Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, Fernando Ramos Asbahr compara a percepção do ansioso a um sensor desregulado de incêndio, que alaga um prédio inteiro por conta de um riscar de fósforo. “A ansiedade pode até atrapalhar o desenvolvimento, mas o problema é quando altera o dia a dia. A criança não consegue ir para a escola, não entra numa loja, tem problemas de convivência”, afirma.

Pais nervosos, filhos ansiosos

Tanto por características do ambiente em que são criados quanto pela herança biológica, a ansiedade dos pais tem influência crucial na saúde dos filhos.

“O maior fator de risco de uma criança ou adolescente é ter um pai ou mãe ansioso”, diz Asbahr. Há casos em que os pais sentem-se fragilizados frente à prole, e acabam não segurando a barra de ser um ponto de referência e segurança.

É também por isso que o envolvimento dos pais na terapia é fundamental para o sucesso do tratamento.

No transtorno de ansiedade da separação, os adultos têm um papel determinante. Com aparecimento precoce, ele é caracterizado pela dificuldade da criança em ficar sozinha e se adaptar na escola, incompatível com o seu nível de desenvolvimento.

Os sintomas, que acometem principalmente crianças na faixa dos 6 a 8 anos, caracterizam-se por preocupações excessivas quanto aos perigos que envolvem os pais ou a si próprio, relutância em estar desacompanhado deles e a dificuldade em adormecer ou dormir fora.

“O pai ou mãe ansioso, que acha que o filho vai sofrer na escola, deixa o filho ansioso”, diz Asbahr. Por outro lado, ele afirma que, em certos casos, a ansiedade auxilia no diagnóstico. “Pais que sofreram na infância pensam ‘eu sei o que ele está sentindo, eu tinha isso’. Se a pessoa teve prejuízo pela ansiedade, vai sentir empatia, e isso é bom.”

Usar técnicas de relaxamento e respiração com os pequenos, expor devagar os filhos a circunstâncias diferentes e, principalmente, não se zangar, mas trabalhar em conjunto com as crianças para superar as dificuldades são dicas importantes para os pais.

Tratamento

A TCC costuma ser a primeira escolha para os psiquiatras infantis. “O uso da medicação está associado à intensidade: se não é um quadro tão grave, trata-se de uma segunda opção. Mas se a pessoa não responde, se não há uma participação total do paciente e da família – principalmente no caso de crianças menores -, não funciona.”

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Quando esse tratamento não tem sucesso, a combinação de medicação e terapia costuma ser eficaz. São indicados antidepressivos inibidores da captação da serotonina, começando por um período de seis meses, um ano.

O tratamento não medicamentoso é de exposição: “se a criança tem medo de cachorro, vai se aproximando. O que está por trás da ideia é a pessoa ir se habituando, mudando o significado, tirando a importância do medo.”

Falta muito?

A vida agitada, a agenda lotada e a tecnologia sempre disponível tornaram a paciência uma qualidade que não se desenvolve sozinha. A formação atual das famílias faz com que os filhos, sem irmãos, não tenham que esperar a sua vez para nada.

Crianças não precisam nem ao menos aguardar seu desenho favorito passar na televisão: podem assisti-lo a qualquer hora, em qualquer plataforma e lugar. É comum observarmos os pequenos absortos em tablets e celulares em restaurantes, para que todos jantem em tranquilidade.

As soluções ao alcance de um clique causam ansiedade, e não apenas nas crianças. Isso piora quando os pais, para compensar a menor disponibilidade de tempo, satisfazem todas as vontades da criança. Crer que o mundo é um lugar adaptado aos seus desejos cedo ou tarde traz sofrimento, e constatar que o planeta não gira ao redor deles nem sempre é fácil.

Ensinar paciência exige envolvê-los nas situações: explicar a necessidade da espera e ensinar brincadeiras que não incluam tecnologia para que se distraiam. É preciso falar sobre o que está acontecendo quando estão no supermercado, por exemplo, em vez de excluí-los dessas atividades.

Ao compreenderem que existe um processo para que as coisas fiquem prontas ou aconteçam, crianças tornam-se mais felizes. A paciência melhora o aprendizado e diminui a ansiedade, já que elas aprendem a ouvir, pensar antes de falar e argumentar.

O gato comeu sua língua?

A timidez, tão comum nos pequenos, é um traço da personalidade em construção que deve ser monitorado. Você provavelmente teve um colega que não se manifestava na classe, ou foi um deles.

Não tirava suas dúvidas, tinha vergonha de falar besteira, de mostrar nervosismo, de se expor.

A inibição comportamental está associada ao medo de novidades, e inclui características como introversão, esquiva e medo de pessoas estranhas.

Protegidos em demasia pelos pais, meninos e meninas com esse perfil tornam-se ainda mais retraídos, formando um ciclo vicioso e ganhando cinco vezes mais chances de desenvolver fobia social. Portadores do transtorno têm pavor de passar vergonha e sofrem de medo persistente ou desproporcional em situações em que julgam estar expostas à avaliação dos outros.

O mutismo seletivo, quando a criança fracassa ao tentar falar com pessoas que não são de seu círculo mais próximo, também está associado ao temperamento tímido. Por não conseguirem iniciar conversas ou responder, além de se recusarem a abrir a boca na escola, podem ter prejuízos educacionais.

É normal que os problemas passem batido, já que o tímido ansioso não perturba tanto quanto o hiperativo. Mas a angústia ansiosa costuma se manifestar fisicamente.

Ao ouvirem reclamações constantes referentes a disparos do coração, mal-estar gástrico, tremores, certos pais rondam por emergências e hospitais pediátricos sem encontrar explicação para as queixas dos filhos, que está na cabeça e não no corpo.

Este conteúdo foi publicado originalmente na Superinteressante.

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Источник: https://saude.abril.com.br/familia/como-lidar-com-a-ansiedade-em-criancas/

Crises de Ansiedade em Crianças — Como Lidar?

Ansiedade infantil: sinais e como controlar

14 de setembro de 2020

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

A ansiedade em crianças precisa ser debatida mais amplamente. Segundo informações da revista Veja, cerca de 10% das crianças sofre com algum transtorno da ansiedade. Ela é a patologia psiquiátrica mais encontrada nos pequenos, sendo seguida pelo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). 

Assim como a saúde mental dos adultos ficou abalada em virtude da pandemia de COVID-19, a das crianças também se alterou. O compromisso de ir à escola todos os dias e fazer atividades extracurriculares no contraturno acabou, deixando-as com imenso tempo livre. A energia dos pais, porém, não se compara à energia dos filhos pequenos.

O resultado dessa distinção é o acúmulo de energia nas crianças, a qual é exteriorizada através de atitudes e brincadeiras às vezes inadequadas. Outra consequência é o excesso de estímulos das telinhas (celular, computador e TV), proveniente da tentativa dos pais de silenciar e distrair os pequenos o mais rápido possível, por mais tempo.

Essas posturas podem aumentar a ansiedade das crianças, que não possuem a mesma capacidade cognitiva dos adultos para compreender e gerir emoções. Logo, a possibilidade de uma crise ou de consequências severas tende a ser maior. 

Quando a ansiedade é normal nas crianças

Nesse período de quarentena, é normal as crianças apresentarem comportamentos um pouco diferentes dos usuais. É igualmente habitual que tenham um determinado grau de ansiedade, resultante de medos infantis. 

Alguns se manifestam de acordo com a idade da criança, correspondendo aos seus conhecimentos sobre o mundo em que habita. Eles podem ser medo de tempestades, animais de estimação, escuro, insetos, fogo, se perder dos pais, monstros, desastres naturais, entre outros. 

Crianças mais velhas, entre 7 a 12 anos, costumam ter mais medo de situações sociais, como o dia a dia na escola, interações com colegas e professores ou outros docentes. O medo excessivo pode indicar a existência de bullying ou de um transtorno ansioso. 

A insegurança resultante de experiências ruins na escola ou ambientes frequentados pela criança pode se transformar em ansiedade e afetar outras áreas de sua vida. 

Durante a pandemia da COVID-19, lidar com os medos é mais difícil. Eles podem se transformar em ansiedade, e surgir dos mais diversos locais, como notícias na TV ou de conversas de adultos mal interpretadas. Embora a criança não compreenda a magnitude da situação atual, entende que a vida está diferente e algo sério pode estar por trás disso.   

A ansiedade em crianças se mostra preocupante quando elas apresentam comportamentos muito diferentes dos habituais, como isolamento (mesmo dentro de casa), birras constantes e crises de choros incontroláveis. 

Cabe aos pais ficarem atentos às condutas demasiadamente atípicas ou que podem causar dano à saúde mental da criança. 

Sintomas de ansiedade em crianças

A criança demora mais que um adulto para processar um acontecimento ou uma mudança. Ela passa por um período maior de interpretação e adaptação à nova situação. Por isso, a ansiedade pode se manifestar “do nada”, dias ou meses depois do ocorrido. 

Os sintomas mais comuns de ansiedade em crianças são:

  • mudança nos hábitos alimentares, podendo ser comer muito ou menos que o habitual;
  • enxaquecas ou dores inexplicáveis;
  • pesadelos recorrentes;
  • distúrbios do sono;
  • pedir para dormir com os pais com frequência;
  • isolamento social;
  • fobias;
  • perda de vontade de fazer atividades e brincadeiras as quais gostava;
  • destruição de brinquedos ou objetos pessoais;
  • tristeza ou apreensão constante com temas além da sua compreensão;
  • problemas digestivos. 

Os pais não devem reagir com exasperação ou impaciência diante desses comportamentos. Se existir dúvida sobre quais são patológicos ou quais são ligados à manha infantil, o melhor a se fazer é procurar um psicólogo. Além de diagnosticar a ansiedade, a terapia previne que as crianças interpretem mensagens errôneas dos adultos e que traumas de infância se formem. 

Mensagens equivocadas costumam ser transmitidas inconscientemente. Afinal, muitos pais (e adultos, no geral) não compreendem o impacto de palavras e ações no emocional e psicológico das crianças. 

Como lidar com crises de ansiedade em crianças 

Quando a criança entra em crise, os pais ou tutores têm o importante papel de estabilizá-la emocionalmente. Como se trata de uma situação complicada, porém, é comum os pais cometerem alguns erros independentemente de terem as melhores intenções. 

Diferente de um adulto, uma criança não consegue entender o que está acontecendo com ela. Após vivenciar a crise de ansiedade repetidas vezes, pode desenvolver um pouco de consciência sobre os sintomas e as sensações, mas não consegue processar o possível transtorno em sua totalidade. Por isso, a ajuda dos pais ou tutores é essencial.  

Os sinais de uma crise ansiosa para ficar atento são: hiperventilação, tremores nas mãos ou em outros membros do corpo, choro descontrolado, transpiração, tensão muscular e palpitações. 

O que fazer diante de uma crise?

  • validar as emoções e/ou sentimentos dos pequenos;
  • mostrar que estão lá para ajudá-las;
  • tentar distraí-las por meio de conversas casuais e questionamentos sobre como foi o dia, o que gostaria de comer no jantar e qual brincadeira gostaria de fazer com os pais;
  • evitar contato físico imediato. Observe o comportamento da criança para verificar o momento mais apropriado para abraçá-la ou tocá-la; 
  • remover brinquedos ou objetos que possam machucar a criançado cômodo. Ela pode se movimentar sem querer e esbarrar/pisar neles e se machucar;
  • fazer exercícios de respiração para a criança copiar, tentando fazê-la manter contato visual durante o processo; e
  • permanecer com a criança durante a crise. 

Após a identificação da primeira crise de ansiedade, é recomendado já marcar uma consulta com um psicólogo. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, mais fácil e rápido será o tratamento. 

Como lidar com a ansiedade infantil no dia a dia

A forma como a família lida com a ansiedade que se manifesta diariamente na criança pode amenizar os sintomas das crises, bem como reduzir a frequência com que ocorrem. 

Os pais ou tutores são os principais exemplos na vida dos pequenos, e suas condutas são ainda mais importantes para eles, que os enxergam como heróis. 

Embora não precisem manter essa postura de serem sobrenaturais e indestrutíveis, podem tentar dar exemplos positivos. Controlar o estresse de forma saudável, com exercícios físicos e uma alimentação balanceada, é um exemplo de conduta adequada que pode ser ensinada às crianças. 

Além disso, os pais podem tomar algumas atitudes para ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade no dia a dia. Como o tempo livre tende a ser maior na quarentena, vale a pena reservar momentos diários para interagir com os filhos e ajudá-los a extravasar as emoções e energia acumulada.

Em seguida, veja algumas maneiras de suavizar a ansiedade em crianças:

  1. Tomar cuidado com as palavras

Os pais devem cuidar do que falam a respeito da COVID-19 para não assustar ou preocupar os filhos. Essa cautela deve se estender para os demais assuntos do dia a dia. Respostas raivosas ou muito vagas podem alimentar a ansiedade da criança. Portanto, sempre opte pelo diálogo sincero, paciente e aberto com a criança. 

Em momentos de dificuldade, demonstre o seu apoio e as formas como pode ajudar a criança a superar os seus desafios.

Não reaja com o famoso “não é mais do que sua obrigação” ou passando o sentimento de que “é só uma fase” porque esse tipo de afirmação pode dar origem a comportamentos ansiosos e perfeccionistas no futuro.

Oriente-a para que saiba que poderá sempre contar com você e entenda que você confia no que ela sente.

  1. Seguir a rotina diária o mais adequadamente possível

Procure manter uma rotina diária consistente para fornecer uma sensação de controle à criança. Lembre-se que os filhos observam o comportamento dos pais e os interpretam como corretos.

Mantenha hábitos saudáveis na quarentena para ensiná-los sobre a importância da resiliência. 

  1. Não evitar por completo os medos da criança

As crianças podem apresentar medos muito imaginativos! Podem se originar de filmes ou desenhos animados, ou surgirem da própria imaginação. 

Embora seja necessário reassegurar a criança que não é preciso se preocupar, não descarte os medos como “coisa da cabeça dela”. A conduta mais adequada nesse cenário é ensinar maneiras saudáveis de lidar com o superar o medo. 

  1. Conversar sobre a situação que causa ansiedade

Se a criança apresenta preocupações excessivas, procure entender os sentimentos e as apreensões dela, mesmo se elas aparentarem ser irracionais.

Até mesmo em adultos é comum que a ansiedade seja alimentada por medos que não costumam fazer sentido para a maioria. 

Pergunte à criança como ela se sente e demonstre empatia antes de aconselhá-la. Dizer “Eu sei que é complicado/difícil. Está tudo bem se sentir triste/bravo” é uma maneira de validar a sua experiência e suas emoções. Só então forneça um conselho para lidar com o objeto da ansiedade. 

Novamente, ressalta-se a importância de procurar um psicólogo para fazer uma avaliação completa da condição da criança. 
Os pais também podem se beneficiar com o acompanhamento psicológico e as orientações do profissional!

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental.

Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.

Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

Источник: https://www.vittude.com/blog/lidando-com-crises-de-ansiedade-em-criancas-quais-os-cuidados-e-como-tranquiliza-las/

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