ANTICONCEPCIONAL ENGORDA?

Tipos de pílulas: qual engorda, diferenças e as mais perigosas entre as 17 mais usadas

ANTICONCEPCIONAL ENGORDA?
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As marcas de pílulas mais usadas pelas brasileiras têm em suas composições uma infinidade de hormônios com características, indicações e efeitos colaterais distintos.  

Quais tipos existem?

Pílula combinada – une duas substâncias distintas – geralmente derivadas de progesterona e estrogênio (que pode se apresentar como etinilestradiol ou estradiol), reduzindo o fluxo menstrual e as cólicas.

Simples – São aquelas pílulas cuja fórmula contém apenas um hormônio, normalmente proveniente da progesterona, o que gera menos efeitos colaterais. 

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Apesar das diferenças, ambas as formas possuem 98 a 99% de eficácia se forem usadas corretamente, já que hábitos ruins podem diminuir a eficácia da pílula. 

A seguir, explicamos os principais detalhes que você precisa saber sobre os contraceptivos orais mais adotados pelas brasileiras:

Allestra 20 ou 30

Ambos são pílulas combinadas que têm etinilestradiol, um derivado sintético do estrogênio, e gestodeno, semelhante à progesterona.

A diferença dos números no final de cada nome se refere à dosagem de hormônio que cada cartela possui, sendo necessário consultar um especialista para definir qual é a melhor escolha para cada pessoa.

Com 21 comprimidos, o Allestra prevê uma pausa de sete dias mas também é possível emendar cartelas continuamente, impedindo a menstruação.

Belara

Possui 2 miligramas de acetato de clormadinona e 0,03 de etinilestradiol. O primeiro componente, de acordo com a bula, tem ação positiva sobre acne e seborreia. Cada cartela contém 21 comprimidos e requer um intervalo de sete dias.

Cerazette

Por não ser um anticoncepcional combinado, é indicado para casos em que há risco de trombose, como histórico da doença na família e tabagismo.

Chamado de “pílula da amamentação” ou minipílula, possui um tipo de progesterona denominado desogestrel e sua cartela contém 28 comprimidos de uso contínuo, que impedem que a mulher menstrue.

Apesar deste efeito, o ginecologista e obstetra Élvio Floresti afirma que este contraceptivo pode causar sangramentos chamados “escapes”, que acontecem mesmo durante o uso do remédio, e pode ainda aumentar a oleosidade e a acne no rosto.

Ciclo 21

Com 0,15 miligramas de levonorgestrel e 0,03 de etinilestradiol, é boa para regular o ciclo menstrual. Seu preço é atrativo, sendo um dos melhores do setor. Como o próprio nome sugere, tem 21 comprimidos e requer sete dias de pausa entre cada cartela.

Diane 35

Pílula combinada com 0,035 miligramas de etinilestradiol, uma espécie de estrogênio, e ciproterona, semelhante à progesterona. Com fórmula igual a do Selene, é indicada para melhorar a acne, controlar o crescimento de pelos no corpo e tratar ovários policísticos. A cartela possui 21 comprimidos que devem ser sucedidos de uma pausa de sete dias.

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Diminut

É semelhante ao Allestra 20, já que possui baixa dosagem hormonal. Contém etinilestradiol e gestodeno, sendo um contraceptivo oral combinado. Seu cronograma inclui a ingestão de um comprimido diário durante 21 dias, seguido de um intervalo de 7 dias.

Elani

O Elani Ciclo é combinado com 3 miligramas de drospirenona e 0,03 de etinilestradiol. Possui 21 comprimidos e, de acordo com a bula, além da ação contraceptiva é indicado para quem desenvolve acne, seborréia e retenção de líquido por fatores hormonais. Também há o Elani 28, que possui 28 drágeas e é indicado para uso contínuo.

Iumi

Com baixa dosagem, contém 0,02 miligramas de etinilestradiol e 3 de drospirenona, que por ser um derivado diurético pode evitar o acúmulo de líquido e o inchaço. Tem 24 comprimidos que precedem um intervalo de 4 dias. 

Level

Sua fórmula contém levonorgestrel (derivado da progesterona) e etinilestradiol. O uso pode acarretar em oleosidade, acne e aumento dos pelos no corpo, mas também fornece benefícios como o mantimento da libido para quem tem este fator afetado pelo uso de pílulas. Possui 21 comprimidos que antecedem a pausa de sete dias.

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Mercilon

Possui desogestrel e etinilestradiol em baixa quantidade, ajudando na saúde da pele. Contém 28 comprimidos de uso contínuo e evita que a mulher menstrue.

Microvlar

Seu baixo valor faz com que seja um dos anticoncepcionais orais mais usados no Brasil. Possui 0,15 miligramas de levonorgestrel e 0,03 de etinilestradiol. Seus 21 comprimidos ajudam a evitar a gravidez e ainda controlam o fluxo menstrual abundante. 

Selene

Possui o mesmo tipo e quantidade de hormônios do Diane 35, sendo indicado para pessoas com acnes, muitos pelos no corpo e ovários policísticos. 

Setzza

Pílula combinada com acetato de nomegestrol, semelhante à progesterona, e estradiol, que é o estrogênio em sua forma natural. Possui 24 comprimidos ativos e 4 placebos. 

Siblima

Possui baixíssima dosagem hormonal, contendo 0,060 miligramas de gestodeno e 0,015 de etinilestradiol. É composta por 24 comprimidos e a pausa entre cada cartela é de 4 dias.

Tamisa 20 ou 30

Possui os mesmos compostos que o Siblima, mas se apresenta em dosagens diferentes. Além de 0,075 miligramas de gestodeno, o Tamisa 20 conta com 0,02 de etinilestradiol e o Tamisa 30 contém 0,03 do mesmo hormônio, sendo que a quantidade deve ser escolhida com orientação médica. É uma cartela com 21 comprimidos e sete dias de pausa.

Yasmin

Semelhante ao Elani Ciclo, contém 21 comprimidos e sete dias de intervalo.

Yaz

Tem a mesma fórmula e ação que o Iumi e conta com 24 comprimidos que precedem uma pausa de 4 dias. 

Qual pílula anticoncepcional engorda?

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A ideia de que anticoncepcional engorda não é, exatamente, verdadeira. O ginecologista e obstetra Élvio Floresti Junior explica que estes compostos não mexem com a balança diretamente, mas podem aumentar a retenção de líquidos, deixando a mulher inchada, o que causa a impressão de que está mais acima do peso.

“O excesso hídrico em mulheres pode ter influência hormonal, principalmente de estrogênio e progesterona. A intensidade deste acúmulo vai depender da quantidade e tipo hormonal, mas não se pode afirmar qual é melhor ou pior, pois varia muito para cada mulher”, explica o doutor. Portanto, o ideal é procurar um especialista.

Qual não engorda?

Ainda segundo o médico, fórmulas com pouco estrogênio e progesterona – que geralmente contém a drospirenona, substância com ação diurética – na teoria causam menos retenção de líquido, mas ainda assim não é possível afirmar, pois cada organismo possui uma reação. 

Qual o melhor para cada efeito desejado?

Apesar de algumas desvantagens, a pílula anticoncepcional pode trazer benefícios para a pele e amenizar doenças de cunho feminino:

Para acne

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De acordo com o ginecologista e obstetra Élvio Floresti Junior, as indicadas para amenizar casos de acnes são as que possuem poder antiandrogênico, ou seja, que inibem hormônios que estimulam e fazem a manutenção de características masculinas no corpo.

Compostos combinados com ciproterona e progesterona são boas opções. Estes hormônios estão presentes em nomes comerciais de anticoncecpcionais como Diane, Selene, Diclin, Artemidis e outros.

Para ovários policísticos e endometriose

Qual pílula usar é uma das principais dúvidas sobre endometriose.

Caracterizada pelo escape de células da mucosa que recobre a face do útero, chamada de endométrio, para fora da cavidade uterina, a doença pode ser amenizada com o uso de anticoncepcionais combinados.

O mesmo vale para ovários policísticos, problema hormonal que dilata os ovários e propicia cistos. Fórmulas com estrogênio e progesterona inibem a ovulação e a produção de hormônios, o que controla os sintomas destas doenças.

Para quem amamenta

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Quem está amamentando pode usar pílula anticoncepcional 40 dias após o parto, mas há restrições. O ideal é evitar compostos que contém estrogênio, hormônio que diminui a produção de leite materno. Portanto, as lactantes devem escolher contraceptivos orais que possuam apenas progesterona.

Quanto aos compostos combinados, que unem estrogênio à progesterona, as mulheres que amamentam podem usá-los após o sexto ou sétimo mês pós-parto, quando passam a não influenciar a produção de leite.

Para pele

Os melhores tipos de anticoncepcionais para a pele são os que possuem ação antiandrogênica, ou seja, que controlam o aparecimento de características masculinas no corpo das mulheres e consequentemente ajudam a reduzir oleosidade, acne e presença de pelos. Compostos com ciproterona, desogestrel e clormadinona possuem essas características.

Para quem nunca tomou

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Não é possível determinar qual é o melhor tipo de hormônio para quem nunca tomou anticoncepcional sem consultar um ginecologista, já que cada organismo tem suas próprias peculiaridades e reações, como acne, cólicas menstruais intensas e obesidade. Porém, alguns especialistas indicam começar com uma pílula de baixa dosagem, que contém pouco hormônio, e caso não surjam efeitos, apostar em uma mais forte.

Qual tem menos hormônio?

Entre os anticoncepcionais mais usados há vários tipos de dosagens hormonais, sendo que as mais baixas apresentam menos de 0,03 miligramas de etinilestradiol, que é o estrogênio sintético.

Porém, de acordo com o obstetra e ginecologista Élvio Floresti Junior, não é porque uma fórmula tem menos hormônio que também possuirá menos efeitos colaterais. O ideal é visitar um médico que poderá ajudá-la a escolher o tipo de pílula ideal para você.

Entre as pílulas com baixa dosagem de etinilestradiol (estrogênio) estão Iumi, Allestra 20, Diminut, Siblima, Tamisa 20 e Mercilon.

Pílulas mais perigosas

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Assim como a dosagem de hormônio, a classificação de pílulas melhores ou piores é controversa, pois a escolha do medicamento deve ser individualizada de acordo com as características, hábitos e preferências de cada mulher.  

Por exemplo, mulheres fumantes devem ter atenção ao usar contraceptivos orais, pois esta combinação pode aumentar o risco de coágulos no sangue. 

Mesmo assim, há pesquisas que indicam efeitos secundários graves relacionados a alguns anticoncepcionais. O órgão americano que regula a distribuição de medicamentos, Food and Drug Administration (FDA), informou em 2012 que mulheres que tomam pílulas com drospirenona têm mais risco de trombose. Seria o caso dos remédios Yaz, Yasmin e Elani.

O ideal é sempre se informar com um médico para decidir o melhor tipo de método anticoncepcional para você.

Trombose

A trombose é o pesadelo das mulheres que tomam pílula, sendo um dos principais motivos pela procura de outros métodos anticoncepcionais.

A condição ocorre pela formação de coágulo nas veias, geralmente nos membros inferiores, que bloqueia o sangue causando dor e inchaço.

Todavia, o verdadeiro perigo é quando este coágulo se solta e viaja pela corrente sanguínea, podendo parar em órgãos como o pulmão e o cérebro, em um processo chamado embolia, que pode levar à morte.

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Combinadas com estrogênio podem aumentar a chance de desenvolver esta doença, já que seus efeitos podem interferir no fluxo sanguíneo.

Entre as principais pílulas com essa formulação estão Selene, Diane, Iumi, Allestra, Yasmin, Elani, Belara, Ciclo 21, Level, Mercilon, Microvilar, Stezza, Siblima e Yaz. Porém, o risco é pequeno.

De acordo com o ginecologista Élvio Floresti Junior, a ocorrência de trombose na população normal é de 2 a 3 casos a cada 10 mil habitantes, já para quem faz uso de comprimidos combinados o índice passa para 5 a 9 casos. 

Ainda segundo o especialista, o ideal é observar se a mulher possui fatores de risco, como tabagismo ou histórico de doenças vasculares na família e, na presença dessas contraindicações, optar por uma fórmula apenas com progesterona ou por outros tipos contraceptivos, como anel vaginal, DIU e anticoncepcional injetável.

Vale lembrar que consultar um médico é o jeito certo para definir qual é a melhor opção para você e mantê-la longe de problemas.

Riscos: quais os outros?

Assim como outros métodos contraceptivos, a pílula pode causar efeitos colaterais como dores de cabeça, azia, mal-estar, retenção de líquido e até mesmo diminuição da libido. Estes efeitos ocorrem a curto prazo. Segundo o doutor Élvio Floresti Junior, o que mais deve ser posto em cheque são os efeitos a longo prazo causados por pílulas combinadas.

O uso de estrogênio por muitos anos pode aumentar o risco de problemas vasculares, como trombose, principalmente se a mulher já tiver outros fatores de risco como diabetes, pressão alta, seja fumante ou obesa.

Mais métodos contraceptivos

Источник: https://www.vix.com/pt/saude/539793/tipos-de-pilulas-qual-engorda-diferencas-e-as-mais-perigosas-entre-as-17-mais-usadas

ANTICONCEPCIONAL ENGORDA?

ANTICONCEPCIONAL ENGORDA?

Um dos maiores mitos acerca do uso da pílula é em relação a um suposto ganho de peso que as mulheres apresentam após iniciarem o anticoncepcional. Infelizmente, queixas de ganho de peso talvez sejam o principal motivo para o abandono das pílulas.

Mas, afinal, a pílula anticoncepcional realmente engorda ou isso é apenas uma percepção errada sem embasamento científico? A resposta curta e grossa é: não, não há evidências de que pílula anticoncepcional engorde.

Bom, aposto que você não está convencida. Quando dizemos que o ganho de peso relacionado ao uso da pílula é um mito, muitas mulheres torcem o nariz.

Provavelmente, a sua experiência própria lhe diz exatamente o oposto. Se for o caso, você não está sozinha, milhares de mulheres juram que engordaram após terem iniciado o uso de anticoncepcionais hormonais.

Estudos mostram que mais de 80% das mulheres acham que a pílula anticoncepcional faz engordar. Mais que isso, há muitos médicos que também acreditam nesta relação e contribuem para a perpetuação do mito.

Porém, é importante destacar que milhares de mulheres também afirmam que o seu peso não se alterou com a pílula, e outras milhares garantem que até emagreceram com o anticoncepcional. E agora, baseado em experiências pessoais, podemos dizer que anticoncepcional engorda, emagrece, ou será que o efeito é individual?

A verdade é que o assunto é polêmico. Não bastam relatos pessoais. Não é assim que a ciência funciona. Precisamos dissecar um pouco mais a questão e apresentar o que os estudos científicos já nos mostraram. Vou citar alguns estudos e, ao final, farei breves comentários, resumindo os seus resultados.

Neste artigo abordaremos apenas o ganho de peso relacionado ao uso da pílula anticoncepcional. Se você quiser ler sobre outros efeitos colaterais da pílula, acesse: EFEITOS COLATERAIS DOS ANTICONCEPCIONAIS.

Estudos sobre a relação entre ganho de peso e o uso de anticoncepcionais

Nas últimas décadas, dezenas de estudos foram publicados tentando esclarecer a relação entre ganho de peso e uso de pílulas anticoncepcionais.

Um famoso estudo realizado pelo departamento de obstetrícia e ginecologia da Hebrew-University Hadassah Medical School, em Jerusalém, Israel, resolveu acompanhar 80 mulheres jovens e magras que nunca haviam tomado anticoncepcionais antes.

As mulheres foram divididas em 2 grupos. O primeiro, com 31 mulheres, continuou sem tomar nenhum medicamento.

O segundo grupo, composto por 49 mulheres, passou a tomar uma pílula contendo 30 mcg etinilestradiol mais 75 mcg de gestodeno, uma formulação bastante comum no mercado.

A quantidade de estrogênio presente nessas pílulas é semelhante a que existe em marcas como o Yasmin, e menor do que em outras, como Diane e Selene.

Depois de 6 meses, os médicos responsáveis pelo estudo foram avaliar peso, índice de massa corporal, percentual de gordura, percentual de água e tamanho da circunferência do quadril e do abdômen. Pois bem, os resultados foram os seguintes:

  • 30,6% das mulheres que iniciaram a pílula ganharam mais de 0,5 kg de peso neste intervalo.
  • 35% das mulheres que não iniciaram os anticoncepcionais ganharam mais de 0,5 kg de peso neste intervalo.
  • 20,4% das mulheres que iniciaram a pílula haviam perdido pelo menos 0,5 kg de peso.
  • 19,3% das mulheres que não iniciaram os anticoncepcionais  haviam perdido pelo menos 0,5 kg de peso.

Em ambos os grupos, cerca de metade das mulheres mantiveram o mesmo peso que tinham 6 meses antes.

A comparação entre percentual de gordura, tamanho do quadril e abdômen, percentual de água, IMC e variação do peso foram semelhantes em ambos os grupos. Portanto, neste estudo, o uso de pílulas anticoncepcionais com doses de estrogênio semelhantes àquelas contidas nas marcas mais famosas não pôde ser considerada responsável por ganhos ou perdas de peso.

Uma grande revisão feita com 49 estudos publicados até 2011 chegou à mesma conclusão.

Uma meta-análise da Cochrane Database of Systematic Reviews de 2016 com 22 estudos incluindo um total de 11.

450 mulheres também não conseguiu demonstrar qualquer evidência de que os anticoncepcionais hormonais sejam responsáveis por relevante ganho de peso.

Nessa meta-análise foram estudadas não só mulheres que faziam uso da pílula conjugada com estrogênio e progesterona, mas também de implantes, minipílula, anticoncepcional injetável ou DIU mirena.

Apesar da percepção de muitas mulheres, e até de médicos, de que o uso da pílula anticoncepcional esteja relacionado a ganho de peso, quando se vai estudar a sério a questão, com criteriosa observação do peso e de outros índices relacionados ao ganho de gordura, como percentual de gordura e IMC, conclui-se que não há bases científicas para culpar a pílula por relevantes ganhos de peso.

Mesmo naquelas mulheres que ganharam 1 ou 2 quilos, não se conseguiu provar que a culpa era da pílula, pois os grupos que não tomavam o anticoncepcional também apresentaram mulheres com ganhos de peso dessa magnitude.

O que os estudos mostram é que as mulheres podem engordar ou emagrecer por diversos fatores. Ao longo de 6 a 12 meses é muito comum haver variações no peso das pacientes, estejam elas tomando ou não contraceptivos hormonais. O problema é que quando essas variações ocorrem em quem está tomando a pílula, o medicamento acaba recebendo a culpa injustamente.

Qual anticoncepcional engorda mais?

Junto com o mito que diz que anticoncepcional engorda, há também o mito de que certas marcas de contraceptivos orais fazem engordar mais que outras. Segundo essa crença popular, se você engordou tomando uma pílula, basta trocar de marca até encontrar aquela que não vai lhe fazer ganhar peso.

Essa teoria também não tem nenhum sustentação científica. Na verdade, lá no início da década de 1960, quando as primeiras pílulas anticoncepcionais começaram a ser comercializadas, as doses de estrogênio e progesterona chegavam a ser 10 vezes maiores que as de hoje.

Naquela época, os anticoncepcionais realmente engordavam. E não só isso, a taxa de efeitos colaterais e complicações era elevadíssima. Muitos dos medos que as mulheres têm dos contraceptivos orais vêm de problemas causados por estas drogas há décadas atrás.

Dentre os 49 trabalhos científicos revisados que não mostraram nenhuma relação entre ganho de peso e uso da pílula, as doses de estrogênio (etinilestradiol) estudada variava de 20 mcg a 50 mcg, o que engloba praticamente todas as pílulas do mercado, incluindo as famosas, Diane, Selene, Yasmin, Belara, Cerazette, Yaz, Nordete e outras.

Portanto, não foi possível reconhecer nenhum benefício particular em relação às atuais formulações dos anticoncepcionais. Você pode até ter a impressão que determinado anticoncepcional engorda mais que outro, porém, essa afirmação carece de sustentação científica.

O que fazer se o anticoncepcional provocar ganho de peso

É possível que você ainda não esteja convencida, principalmente se o seu peso tiver aumentado enquanto você tomava anticoncepcionais.

Portanto, alguns passos podem ser tomados. O primeiro é saber que a maioria dos efeitos colaterais da pílula desaparece após 3 meses de uso. Se você jura que ganhou peso, não desista da pílula com menos de 6 meses de uso. A tendencia é que o seu peso se estabilize e você note que a interferência do contraceptivo oral não foi tão grande quanto você imaginou nos primeiros meses.

É sempre bom lembrar que os anticoncepcionais podem provocar alguma retenção de líquido nos primeiros meses, sendo esta a responsável por discretos ganhos de peso. Neste caso, você ganhou peso, mas não engordou. A tendência é a retenção desparecer após o 3º mês e o peso retornar ao seu valor anterior.

O segundo passo é fazer uma honesta autocrítica. Algumas perguntas podem ajudar a entender o que aconteceu.

  • Durante o seu ganho de peso você estava praticando atividades físicas de forma regular?
  • Estava controlando corretamente a ingestão de calorias?
  • Você tem feito uma dieta equilibrada?
  • Tem dormido pelo menos 7 horas por noite?
  • Tem evitado beliscar doces ou outras fontes de carboidratos durante o dia, fora das refeições?
  • Essa é a primeira vez na vida que seu peso se altera?
  • Você nunca engordou antes, mesmo sem estar tomando a pílula?

É muito mais fácil e cômodo culpar a pílula pelo ganho de peso do que fazer uma autocrítica e perceber que o fato de ter engordado provavelmente ocorreu por culpa dos hábitos de vida e alimentares da própria paciente.

Nas décadas anteriores, quando os anticoncepcionais realmente engordavam, a causa era um aumento do apetite.

Portanto, o que engordava não era a pílula em si, mas o aumento do consumo de calorias ao longo do dia.

Logo, se ao mesmo tempo que você jura que a pílula lhe fez engordar, também jura que não está comendo mais do que antes, há algo que não fecha na sua história.

No final das contas, a pessoa só engorda se estiver constantemente ingerindo mais calorias do que consegue gastar. Isso é uma regra (leia: Calorias para emagrecer).

Como já foi dito, as pessoas podem engordar de um mês para o outro sem ter muita noção do motivo. Às vezes, pequenos hábitos do dia a dia, como beliscar, passam despercebidos e o paciente jura que tem controlado sua ingestão de caloria.

Portanto, concluindo, a pílula anticoncepcional não engorda. Não há como culpar a pílula por ganhos de peso acima de 2 kg e ganhos mais discretos costumam desaparecer após alguns meses de uso.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/ginecologia/anticoncepcionais/anticoncepcional-engorda/

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