Artrite Reumatoide: sintomas, causas e tratamento

Artrite reumatoide

Artrite Reumatoide: sintomas, causas e tratamento

Cerca de 1% da população brasileira sofre de artrite reumatoide (AR), doença que causa inflamações nas articulações provocando dores intensas.

Conforme a inflamação avança, pode prejudicar alguns movimentos que até então eram simples de realizar, como agachar ou subir escadas, e até incapacitar a pessoa.

Descubra quais são os fatores de risco, o que fazer para se prevenir e como é o tratamento.

A artrite reumatoide é uma doença autoimune, o que significa que o sistema imunológico ataca o próprio organismo por engano. Ela não é contagiosa e, geralmente, atinge as mesmas articulações nos dois lados do corpo. Ou seja, se o joelho esquerdo está inflamado, é muito provável que o direito também esteja.

Além disso, ela aumenta as chances de desenvolver doenças cardiovasculares e pode atingir outras partes do corpo, como olhos, pulmões e nervos, provocando diferentes problemas de saúde. Dependendo da gravidade e das complicações, é possível que a doença diminua a expectativa de vida em cinco a dez anos.

Fatores de risco da artrite reumatoide

Não há causas comprovadas da AR, mas alguns fatores de risco de artrite reumatoide são conhecidos, veja quais são:

Fatores não controláveis

  • Sexo – mulheres são três vezes mais atingidas do que homens;
  • Idade – é mais frequente entre 30 e 50 anos;
  • Histórico familiar – ter parente de primeiro grau com artrite reumatoide aumenta o risco de desenvolver a doença.

Fatores controláveis

  • Tabagismo – tanto fumar quanto inalar a fumaça do cigarro aumenta o risco de artrite reumatoide;
  • Obesidade – também aumenta as chances de desenvolver a doença;

Prevenção da artrite reumatoide

Para a prevenção da artrite reumatoide, é importante evitar os fatores de risco controláveis adotando os seguintes hábitos:

Mantenha o peso ideal – procure manter o peso sugerido pelo médico. Peça para ele orientação sobre alimentação saudável e também sobre exercícios físicos que você possa praticar diariamente.

Pare de fumar – deixar o cigarro de lado pode ajudar a evitar não só a artrite reumatoide, mas também outras doenças, como enfisema e câncer de pulmão.

Sinais e sintomas da artrite reumatoide

No início, geralmente, a artrite reumatoide compromete as articulações que unem os ossos da palma da mão com os dedos e as mesmas juntas nos pés. Com o avanço da doença, joelhos, punhos, tornozelos, ombros e quadril também ficam inflamados. Veja os principais sinais e sintomas da artrite reumatoide:

  • Articulações doloridas, inchadas, avermelhadas e quentes;
  • Articulações rígidas, principalmente durante a manhã;
  • Articulações deformadas;
  • Perda de peso sem mudança de hábitos alimentares;
  • Fadiga;
  • Febre.

Mesmo que você tenha um ou mais dos sinais e sintomas relacionados, não significa que seja AR. Procure um médico para diagnosticar o problema e indicar o melhor tratamento para o seu caso.

Diagnóstico da artrite reumatoide

Além da avaliação no consultório, o médico pode pedir os seguintes exames para fazer o diagnóstico da artrite reumatoide:

Exames de sangue – não há um específico para identificar a doença. A presença de fator reumatoide pode ser um indicativo, embora a AR possa acontecer sem que o fator exista, bem como não se desenvolver mesmo que ele esteja presente. A proteína C Reativa (PCR), que indica se há inflamação, é outro sinal avaliado.

Exames de imagem – radiografias, ultrassonografias e tomografias permitem ver alterações nas articulações.

Se os exames não forem conclusivos para o diagnóstico da artrite reumatoide, isso não significa que você não esteja com a doença. Alguns casos só são identificados quando a AR avança um pouco.

Tratamento da artrite reumatoide

Como é uma doença crônica, ou seja, não há cura, o tratamento da artrite reumatoide é voltado para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. O tipo de tratamento varia de acordo com a gravidade da doença, veja as possibilidades:

Medicamentos – existem algumas classes de medicamentos para diminuir a inflação e as dores, bem como alterar a evolução da doença e até a resposta do organismo a ela, tais como:

  • Anti-inflamatórios não hormonais (AINH) – diminuem a inflamação;
  • Analgésicos – aliviam a dor;
  • Corticoides – diminuem inflamação e dor;
  • Medicamentos modificadores do curso da doença sintéticos (MMCD) – aliviam sintomas e alteram a evolução da AR;
  • Medicamentos modificadores do curso da doença biológicos (MMCDbio) e sintéticos alvo-específicos (MMCDsae) – inibem uma substância responsável pela inflamação e danos controlando a inflamação, a dor e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Fisioterapia e terapia ocupacional – algumas técnicas diminuem a tensão nas articulações, aliviando as dores e a rigidez muscular, o que ajuda a recuperar os movimentos.

Exercícios físicos – exercícios aeróbicos que não tenham impacto nas articulações, exercícios de força com carga moderada e alongamentos fortalecem a musculatura e protegem as articulações. Mas só comece um treinamento depois que o médico fizer uma avaliação e indicar quais tipos de exercícios você pode fazer.

Repouso – contribui para diminuição das inflamações. Porém, ficar em repouso mais de 30 minutos piora a rigidez muscular. Siga as orientações do médico sobre intercalar períodos de repouso e exercícios físicos.

Cirurgia – pode ser indicada quando a artrite reumatoide causar deformações muito severas nas juntas e a pessoa não reagir bem ao tratamento com medicamentos ou fisioterapia.

Referências

PP-PFE-BRA-3223

Источник: https://www.muitobemvindo.com.br/content/artrite-reumatoide

Artrite Reumatoide – Sociedade Brasileira de Reumatologia

Artrite Reumatoide: sintomas, causas e tratamento

Assista o vídeo e confira mais informações sobre Atrite Reumatoide:

O que é?

A Artrite Reumatóide (AR) é uma doença inflamatória crônica que pode afetar várias articulações. A causa é desconhecida e acomete as mulheres duas vezes mais do que os homens. Inicia-se geralmente entre 30 e 40 anos e sua incidência aumenta com a idade.

Quais são os sintomas?

Os sintomas mais comuns são os da artrite (dor, edema, calor e vermelhidão) em qualquer articulação do corpo sobretudo mãos e punhos. O comprometimento da coluna lombar e dorsal é raro mas a coluna cervical é frequentemente envolvida.

As articulações inflamadas provocam rigidez matinal, fadiga e com a progressão da doença, há destruição da cartilagem articular e os pacientes podem desenvolver deformidades e incapacidade para realização de suas atividades tanto de vida diária como profissional.

As deformidades mais comuns ocorrem em articulações periféricas como os dedos em pescoço de cisne, dedos em botoeira, desvio ulnar e hálux valgo (joanete).

Além das articulações outros podem ser acometidos?

Sim, porém menos comumente outros órgãos ou tecidos como a pele, unhas, músculos, rins, coração, pulmão, sistema nervoso, olhos e sangue podem apresentar alterações. A chamada Síndrome de Felty (aumento do baço, dos gânglios linfáticos e queda dos glóbulos brancos em paciente com a forma crônica da AR) também pode ocorrer.

Como é feito o diagnóstico?

Segundo o Colégio Americano de Reumatologia, o diagnóstico de artrite reumatóide é feito quando pelo menos 4 dos seguintes critérios estão presentes por pelo menos 6 semanas:

  • Rigidez articular matinal durando pelo menos 1 hora
  • Artrite em pelo menos três áreas articulares
  • Artrite de articulações das mãos: punhos, interfalangeanas proximais (articulação do meio dos dedos) e metacarpofalangeanas (entre os dedos e mão)
  • Artrite simétrica (por exemplo no punho esquerdo e no direito)
  • Presença de nódulos reumatóides
  • Presença de Fator Reumatóide no sangue
  • Alterações radiográficas: erosões articulares ou descalcificações localizadas em radiografias de mãos e punhos.

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para o controle da atividade da doença, prevenção da incapacidade funcional e lesão articular e o retorno ao estilo de vida normal do paciente o mais rapidamente possível.

Quais os exames devem ser feitos?

Apenas o médico especialista pode avaliar quais exames devem ser solicitados a cada paciente. Na avaliação laboratorial o fator reumatóide pode ser encontrado em cerca de 75% dos casos já no início da doença.

Anticorpos contra filagrina/profilagrina e anticorpos contra peptídio citrulinado cíclico (PCC) são encontrados nas fases mais precoces da doença mas apresentam um custo maior. As provas de atividade inflamatória como o VHS e a proteína C reativa correlacionam-se com a atividade da doença.

Exames de imagem como radiografias, ultrassonografias, tomografias, ressonância, etc podem ser solicitados pelo médico reumatologista após a avaliação de cada quadro clínico individualmente.

Como é o tratamento?

O tratamento medicamentoso vai variar de acordo com o estágio da doença, sua atividade e gravidade, devendo ser mais agressivo quanto mais agressiva for a doença.

Os antiinflamatórios são a base do tratamento seguidos de corticóides para as fases agudas e drogas modificadoras do curso da doença, a maior parte delas imunossupressoras. Mais recentemente os agentes imunobiológicos passaram a compor as opções terapêuticas.

O tratamento com antiinflamatórios deve ser mantido enquanto se observar sinais inflamatórios ou o paciente apresentar dores articulares. O uso de drogas modificadoras do curso da doença deve ser mantido indefinidamente.

O tratamento medicamentoso é sempre individualizado e modificado conforme a resposta de cada doente. Em alguns pacientes há indicação de tratamento cirúrgico, dentre eles cita-se a sinovectomia para sinovite persistente e resistente ao tratamento conservador, artrodese, artroplastias totais, etc.

Fisioterapia e terapia ocupacional contribuem para que o paciente possa continuar a exercer as atividades da vida diária.

A proteção articular deve garantir o fortalecimento da musculatura periarticular e adequado programa de flexibilidade, evitando o excesso de movimento.

  O condicionamento físico, envolvendo atividade aeróbica, exercícios resistidos, alongamento e relaxamento, deve ser estimulado observando-se os critérios de tolerância de cada paciente.

E o acompanhamento médico?

Na artrite reumatóide, assim como em várias outras doenças reumáticas crônicas, o seguimento pelo médico reumatologista é imprescindível e deve ser contínuo. Os intervalos entre as consultas variam de paciente para paciente.

Em alguns casos avaliações mensais são necessárias enquanto em outros casos, com doenças de menor gravidade ou controladas, intervalos maiores entre as consultas podem ser estabelecidos.  Exames de acompanhamento são feitos com freqüência para avaliar a atividade da doença e efeitos colaterais das medicações.

Apenas o médico pode diminuir ou aumentar a dose das medicações, modificar o tratamento quando necessário ou indicar a terapia de reabilitação mas adequada a cada caso.

Источник: https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/artrite-reumatoide/

Dor e rigidez nas juntas podem ser sinais de artrite

Artrite Reumatoide: sintomas, causas e tratamento

A artrite é uma inflamação das articulações que gera sintomas como dor, deformidade e dificuldade no movimento, que ainda não tem cura. Em geral, seu tratamento é feito com medicamentos, fisioterapia e exercícios, mas, em alguns casos, pode-se recorrer à cirurgia.

A osteoartrite, como também é chamada, pode ser causada por um traumatismo, excesso de peso, alimentação, desgaste natural da articulação ou devido a uma alteração no sistema imune de indivíduos com pré-disposição genética para isso.

Ela pode ser de diversos tipos, como artrite reumatoide, artrite séptica, artrite psoriática, artrite gotosa (gota) ou artrite reativa, dependendo da sua causa. Por isso, para o diagnóstico da artrite é necessário fazer exames específicos.

Artrite e artrose são a mesma doença

A nome Artrite é mais genérico porque não define qual a sua causa ou fisiopatologia, por isso o termo artrite agora indica o mesmo que artrose.

Essa mudança na nomenclatura aconteceu porque foi descoberto que em todo caso de artrose existe sempre uma pequena inflamação, que era a principal característica de artrite.

No entanto, quando se refere a artrite reumatoide, artrite psoriática ou artrite juvenil, os termos continuam sendo os mesmos.

Mas sempre que se refere somente a Artrite, isso é na verdade, Artrose, embora os termos mais corretos para estas duas doenças sejam Osteoartrite e Osteoartrose.

Sintomas de artrite

Se acha que pode estar com artrite, assinale os seus sintomas e descubra o risco de ter a doença:

Estes sintomas podem surgir em pessoas de qualquer idade, inclusive crianças, e é muito comum que mais de uma articulação seja afetada ao mesmo tempo. A osteoartrite é uma das doenças inflamatórias crônicas mais comuns em mulheres, obesos e em indivíduos com mais de 40 anos de idade. No entanto, alguns tipos são mais comuns em homens, como é o caso da artrite gotosa.

Artrite tem cura?

A artrite ainda não tem cura e por isso é uma doença crônica, mas o indivíduo pode recorrer a diversas formas de tratamentos sempre que ela se tornar dolorosa e comprometer suas atividades diárias.

Conviver diariamente com uma doença crônica não é fácil, sendo este um processo delicado e demorado, que exige muito esforço e dedicação. Veja algumas dicas que podem ajudar em Aprenda a Conviver com uma Doença que não tem cura. 

Para trazer o alívio da dor e melhora da capacidade de movimentos, recomenda-se uma alimentação cuidada, onde bebe-se bastante água e evita-se o consumo exagerado de alimentos ricos em proteína, além de recorrer a medicamentos anti-inflamatórios, imunossupressores, receitados pelo médico reumatologista, e à fisioterapia. A cirurgia para a colocação de uma prótese articular pode, em muitos casos, representar a cura da artrite naquela articulação, como ocorre na artrite séptica, por exemplo, mas não é sempre que ela pode ser realizada.

Exames para confirmar se é artrite

Para o diagnóstico da Osteoartrite, o médico ortopedista poderá, além de observar os sinais clínicos da doença, como a deformidade articular e as características inflamatórias, pedir um exame de raio-x para comprovar o inchaço local e a deformidade articular. Pode-se necessitar de exames como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, mas ouvir as queixas do paciente costuma ser suficiente para o diagnóstico.

Em alguns casos, os exames laboratoriais que podem ser solicitados pelo reumatologista, para descobrir qual tipo de artrite a pessoa possui, são:

  • Fator reumatoide para saber se é artrite reumatoide;
  • Punção do líquido sinovial da articulação afetada para saber se é artrite séptica;
  • Avaliação dos olhos pelo oftalmologista para saber se é artrite juvenil.

A osteoartrite não leva a alterações no hemograma comum, e por isso existe uma forma popular de dizer que a artrite não é um reumatismo no sangue.

Tratamentos para artrite

O tratamento para artrite visa basicamente aliviar os sintomas da doença e melhorar sua função, porque o desgaste articular não pode ser totalmente revertido.

Para tal, pode-se recorrer a medicamentos e mudanças no estilo de vida, onde preconiza-se evitar esforços físicos.

A dieta também deve ser rica em anti-inflamatórios e pobre em alimentos industrializados, como salsichas e bacon. Confira outras dicas de alimentação para artrite.

Os principais tratamentos para Osteoartrite são:

1. Remédios para artrite

Podem ser receitados pelo médico clínico geral ou ortopedista Paracetamol, Ibuprofeno, além de pomadas contendo cetoprofeno, felbinaco e piroxicam, e outras substâncias como sulfato de glucosamina ou cloroquina. Quando estes não são suficiente, pode ser usado ainda uma injeção de corticoide a cada 6 meses ou 1 vez ao ano.

Para impedir a progressão da doença podem ser indicados remédios como Infliximabe, Rituximabe, Azatioprina ou Ciclosporina, por exemplo.

2. Fisioterapia para artrite

A fisioterapia pode em muito ajudar o paciente com artrite. Através do tratamento fisioterapêutico, a inflamação poderá diminuir e será mais fácil realizar os movimentos. Poderão ser utilizados recursos anti-inflamatórios, analgésicos e exercícios de alongamento e de mobilização articular para preservar os movimentos da articulação e evitar que novas deformidades se instalem.

A fisioterapia deve ser realizada no mínimo 3 vezes por semana, até a completa remissão dos sintomas da artrite. Cabe ao fisioterapeuta decidir que recursos usará para tratar esta doença.

A prática de exercícios como natação, hidroginástica e Pilates também é indicada, pois ajudam no combate à inflamação e ajudam no fortalecimento muscular.

Veja mais detalhes sobre a fisioterapia para artrite.

3. Cirurgia para artrite

Se o médico achar que a articulação está muito desgastada e se não houver outros inconvenientes, ele poderá sugerir que se faça uma cirurgia para a colocação de uma prótese no local da articulação afetada. Uma das articulações que mais têm indicação cirúrgica é a do quadril e, em seguida, a do joelho.

4. Tratamento natural para artrite

Um ótimo tratamento natural para complementar o tratamento habitual da artrite é tomar chás e infusões de plantas medicinais, como, por exemplo, o gengibre e o açafrão.

O consumo de pimenta caiena e de orégano diariamente também atua como um poderoso anti-inflamatório natural, assim como massagear os locais afetados com óleo essencial de lavanda ou de unha-de-gato. 

Veja quais os analgésicos naturais que pode tomar para aliviar a dor na artrite:

Atenção: o tratamento natural não exclui o tratamento medicamentoso e fisioterapêutico da artrite, ele somente contribui para um resultado mais rápido e mais satisfatório.

O que pode causar artrite

O desgaste natural da articulação é uma das causas mais comuns da artrite, mas esta doença também pode ser causada pelo excesso de peso, super uso, idade, traumatismo direto ou indireto, fator genético e devido a fungos, bactérias ou vírus, que se instalam através da corrente sanguínea na articulação, gerando o processo inflamatório. Se esse processo não for revertido a tempo, pode levar à completa destruição da articulação e consequente perda da função.

Se está em dúvida sobre o que está causando sua artrite converse com o médico ou fisioterapeuta.

Geralmente a osteoartrite surge a partir dos 40 anos de idade, mas pessoas mais jovens também podem ser afetadas. Um tipo de artrite que se manifesta em crianças é a artrite juvenil. No entanto, sua forma mais comum, afeta especialmente idosos com mais de 65 anos de idade.

Источник: https://www.tuasaude.com/artrite/

Artrite Reumatoide: sintomas, causas e tratamento

Artrite Reumatoide: sintomas, causas e tratamento

A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, que acomete mais as mulheres adultas e  pode atacar vários órgãos e tecidos do corpo, mas apresenta uma clara preferência pelas articulações, principalmente as dos membros superior e inferior.

O que é artrite?

Damos o nome de artrite à inflamação de uma ou mais articulações. Uma articulação com artrite se apresenta inchada, avermelhada, quente e extremamente dolorida.

Quando apenas uma articulação está inflamada, chamamos de monoartrite. Quando ocorre inflamação de várias articulações estamos diante de uma poliartrite. A artrite pode ainda ser simétrica quando acomete simultaneamente duas articulações irmãs como joelhos, punhos, tornozelos, etc.

A articulação é a região onde há conexão de dois ou mais ossos distintos. Exemplos: joelhos, cotovelo, punhos, tornozelo, ombros, etc.

As articulações ao longo do corpo não são todas iguais.

Algumas articulações são conectadas por um tecido fibroso, que cola um osso ao outro, tornando-os imóveis, como no caso dos ossos do crânio; outras são ligadas por cartilagens e permitem uma pequena mobilidade como os discos vertebrais que unem as vértebras da coluna; há ainda as articulações móveis, que normalmente são ligadas por uma cartilagem e uma bolsa cheia de líquido (líquido sinovial) permitindo amplo movimento dos ossos com mínimo atrito entre eles, como é o caso do joelho, cotovelo, ombros, etc.

Quando a articulação apresenta-se inflamada damos o nome de artrite. Quando a articulação encontra-se dolorida, mas sem sinais clínicos de inflamação (inchaço, calor e rubor) dizemos que há uma artralgia. Para saber mais, leia: DIFERENÇAS ENTRE ARTRITE e ARTROSE.

Várias outras doenças acometem as articulações, manifestando-se com quadros de artrite, fazendo parte do diagnóstico diferencial da artrite reumatoide, entre elas podemos citar:

Uma característica típica da inflamação articular da artrite reumatoide é o acometimento da sinóvia, tecido cheio de líquido que localiza-se no centro das articulações, servindo para diminuir o atrito entre os ossos, como uma espécie de óleo lubrificante.

Não se sabe ainda o que causa a artrite reumatoide, mas fatores autoimunes estão presentes. (leia: DOENÇA AUTOIMUNE).

Por que o organismo passa a atacar as próprias articulações ainda é um mistério, mas o resultado final é a destruição de tecidos pelo próprio sistema imune.

Fatores genéticos parecem ser importantes e a presença de determinados genes está associada a um maior risco de se desenvolver a doença. Parentes de 1º grau de doentes, apresentam até 3 vezes mais chances de também apresentar AR.

A artrite reumatoide é mais comum em mulheres e em caucasianos (brancos). O pico de aparecimento da doença é entre 30 e 55 anos. Até 5% das mulheres acima de 65 anos apresentam AR.

O ato de fumar está associado a um maior risco de AR e a uma maior gravidade da doença. A nuliparidade (ausência de filhos) também parece ser outro fator de risco.

Sintomas

O quadro de artrite reumatoide costuma iniciar-se de forma insidiosa, com sintomas leves e pouco específicos como cansaço, dor muscular, perda de peso, febre baixa, formigamento nas mãos, e, por vezes, pequenas dores articulares. É muito comum haver um intervalo de meses entre o início dos sintomas e a procura por atendimento médico.

Quando o quadro de artrite se inicia ele é caracteristicamente uma poliartrite simétrica. As articulações das mãos são, em geral, as primeiras a serem acometidas.

Conforme a doença progride, mais articulações são acometidas. Punhos, ombros, joelhos, pés, tornozelos, coluna, articulação da mandíbula, quadril e outras podem ser atacadas pelo sistema imune. O sintomas podem ser cíclicos, alternando-se períodos de melhora com momento de grande piora, ou contínuos. Se não houver tratamento, deformidades podem surgir ao longo do tempo.

Uma lesão típica da AR deformante é desvio lateral dos dedos associado a uma deformidade chamada de pescoço de cisne.

O acometimento das articulações é típico, mas a artrite reumatoide é uma doença sistêmica que pode também se apresentar com inflamação do pericárdio (membrana que envolve o coração), inflamação do pulmão e da pleura, inflamações dos olhos, lesões nos nervos periféricos, aumento do baço, sinais de vasculite e formação de nódulos subcutâneos, principalmente na região do antebraço e cotovelo.

Pacientes com artrite reumatoide apresentam maior risco para infarto do miocárdio e para síndrome do túnel do carpo.

Diagnóstico

O Colégio Americano de Reumatologia estabeleceu critérios para AR. Para se fechar o diagnóstico o paciente precisa ter pelo menos 4 dos 7 critérios abaixo.

  • Rigidez matinal: rigidez das articulações ao acordar com duração de pelo menos 1 hora.
  • Artrite em pelo menos 3 articulações simultaneamente.
  • Artrite de mãos e punhos
  • Artrite simétrica
  • Nódulos subcutâneos
  • Fator reumatoide (FR) positivo em análise de sangue.
  • Alterações típicas de AR nas radiografias de mãos e punhos

Os critérios de 1 a 4 devem estar presentes por pelo menos 6 semanas. Esses critérios só servem para pacientes com doença plenamente estabelecida. Como já foi dito, no início do quadro, esses achados podem não estar presentes.

A artrocentese é a coleta de líquido sinovial através da punção com agulha de uma articulação inflamada. Este exame serve para se avaliar a composição do líquido sinovial e descartar outras causas de artrite. A artrocentese também pode ser usada para se injetar medicamentos para alívio da artrite.

Pesquisa de auto-anticorpos no sangue

Até 80% dos pacientes com artrite reumatoide apresentam pesquisa positiva do Fator Reumatoide (um auto-anticorpo).

Esse anticorpo sozinho, porém, não é suficiente para se estabelecer o diagnóstico. Outras doenças como lúpus, Sjögren e crioglobulinemia também podem apresentar fator reumatoide positivo.

Além disso, até 10% da população saudável pode ter FR positivo sem que isso indique qualquer doença.

Um novo anticorpo foi descoberto há pouco tempo. Trata-se do anti-CCP. Este anticorpo é mais específico para a artrite reumatoide que o Fator Reumatoide, sendo que até 95% dos pacientes com resultado positivo têm AR.

Quando os auto-anticorpos estão presentes, há um maior risco de doença mais grave e deformante.

O FAN (fator antinuclear) pode estar positivo em até 40% dos casos. Este é um anticorpo que ajuda pouco no diagnóstico da artrite reumatoide já que costuma estar positivo em várias outras doenças que cursam com artrite e, portanto, fazem parte do diagnóstico diferencial. Porém, ele serve para se sugerir a presença de uma doença autoimune como causa dos sintomas.

Tratamento

Não existe cura para artrite reumatoide. O tratamento é voltado para redução dos processos inflamatórios e prevenção das deformidades.

O tratamento não medicamentoso inclui exercícios físicos controlados, fisioterapia e orientação nutricional para se evitar sobrepeso e controlar o colesterol. Não existe dieta específica para a AR.

A terapia com drogas é o principal tratamento da artrite reumatoide. Existem 4 classes diferentes de medicamentos que podem ser usados de acordo com a gravidade do caso.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINES)

São drogas que agem aliviando os sintomas da artrite. Os mais usados são o Ibuprofeno e o Naproxeno.

Os anti-inflamatórios demoram de 2 a 4 semanas para se alcançar o efeito máximo e apresentam muitos efeitos colaterais quando são usados a longo prazo. Além disso, eles não impedem que ocorram lesões deformantes nas articulações.

Drogas anti-reumáticas modificadoras de doença (DMARDs)

Este é o grupo de drogas capaz não só de diminuir o processo inflamatório das artrites, mas também de impedir a progressão para doença deformante.

As principais drogas deste grupo são a hidroxicloroquina, metotrexate, sais de ouro, penicilamina, sulfassalazina, azatioprina, leflunomide e ciclosporina.

Muitos desses medicamentos são drogas imunossupressoras e devem ser usadas sob estrito controle médico. Os efeitos dos DMARDs só são sentidos após semanas/meses de tratamento.

Modificadores da resposta biológica

São o grupo mais novo de drogas para a artrite reumatoide. São medicamentos que agem diretamente nos mediadores inflamatórios e nas células envolvidas na artrite. Também têm efeito imunossupressor. Sua ação é mais rápida que dos DMARDs, aparecendo já em 2 semanas.

No entanto, são drogas caríssimas cujo custo anual beira os 15.000 dólares. Por isso, são reservadas para os casos mais graves, não responsivos a terapia convencional. São todos drogas por via injetável o que dificulta ainda mais o uso domiciliar.

As principais drogas desta categoria são:

  • Etanercept (Enbrel®).
  • Infliximab (Remicade®).
  • Adalimumab (Humira®).
  • Anakinra (Kineret®).
  • Abatacept (Orencia®).
  • Rituximab (Rituxan®).

Corticoides

Glicocorticoides, como a prednisona, agem rapidamente reduzindo o processo inflamatório e aliviando os sintomas da artrite reumatoide. Podem ser tomadas por via oral ou injetadas diretamente nas articulações acometidas. Sua capacidade de prevenir deformidades é restrita e seus efeitos colaterais são inúmeros.

O seu uso é indicado no início do tratamento, normalmente junto com os AINES, para um rápido alívio dos sintomas enquanto se espera o efeito completo dos DMARDs.

Medicina alternativa para artrite reumatoide

Até o momento nenhum dos tratamentos ditos alternativos conseguiu se mostrar superior ao efeito placebo.

Medicamentos do tipo colágeno ou cartilagem de tubarão não apresentam nenhuma evidência científica de que funcionem.

Todos os trabalhos com homeopatia e acupuntura não conseguiram evidenciar qualquer benefício com o uso destas modalidades terapêuticas.

Pulseiras magnéticas também não servem para nada.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/doencas-autoimunes/artrite-reumatoide/

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