CAPSULITE ADESIVA (Ombro Congelado)

Tratamento para capsulite adesiva: remédios, fisioterapia (e outros)

CAPSULITE ADESIVA (Ombro Congelado)

O tratamento para capsulite adesiva, ou síndrome do ombro congelado, pode ser feito com fisioterapia, analgésicos e pode demorar de 8 a 12 meses de tratamentos, mas também é possível que haja uma redução completa do quadro cerca de 2 anos após o início dos sintomas, mesmo sem nenhum tipo de tratamento.

O médico pode indicar o uso de analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides ou infiltração de esteroides para alívio da dor, mas a fisioterapia também é indicada e quando não existe nenhuma melhora do quadro pode ser indicado realizar uma cirurgia.

A capsulite adesiva é uma inflamação da articulação do ombro que faz com que haja dor e intensa dificuldade de movimentar o braço, como se o ombro estivesse realmente congelado. O diagnóstico é feito pelo médico após análise dos exames de imagem, como raio X, ultrassonografia e artrografia, que são essenciais para avaliar a mobilidade do ombro.

O tratamento pode ser feito com:

1. Medicamentos

O médico pode receitar analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides e corticoides em forma de comprimidos para alívio da dor, na fase mais aguda da doença.

A infiltração de corticosteroide diretamente dentro da articulação também é uma opção para alívio da dor, e por ser realizada, à critério médio, ou a cada 4-6 meses, mas nenhum destes medicamentos exclui a necessidade de fisioterapia, sendo complementar.

2. Fisioterapia

A fisioterapia é sempre recomendada porque ajuda no combate à dor e no restabelecimento dos movimentos do ombro.

Na fisioterapia podem ser usados equipamentos para alívio da dor e compressas mornas para facilitar a movimentação desta articulação.

Várias técnicas manuais podem ser utilizadas, além de exercícios de alongamento (dentro do limite de dor) e posteriormente devem ser realizados exercícios de fortalecimento muscular.

O tempo de recuperação varia de uma pessoa para outra, mas geralmente dura de alguns meses à 1 ano, havendo melhora progressiva dos sintomas. Ainda que possa não haver uma melhora significativa na amplitude de movimentos com o braço afetado, nas primeiras sessões é possível não desenvolver contraturas musculares no músculo trapézio que podem causar ainda mais dor e desconforto.

Existem técnicas específicas que podem ajudar a quebrar as aderências e promover a amplitude, mas não é recomendado que o paciente fique tentando forçar muito a articulação para movimentar o braço, porque isso pode gerar pequenos traumatismos, que além de agravar a dor, não traz nenhum benefício. Em casa devem ser realizados apenas os exercícios recomendados pelo fisioterapeuta, que podem incluir o uso de pequenos equipamentos, como bola, bastão (cabo da vassoura) e faixas elásticas (theraband).

Bolsas de água quente são úteis para colocar antes de fazer os alongamentos porque relaxam os músculos e facilitam o estiramento muscular mas as bolsas com gelo picado são indicadas para o final de cada sessão porque diminuem a dor. Alguns alongamentos que podem ajudar são:

Estes exercícios devem ser realizados de 3 a 5 vezes por dia, com duração de 30 segundos a 1 minuto cada um mas o fisioterapeuta poderá indicar outros conforme a necessidade de cada pessoa.

Veja alguns exercícios simples que ajudam a aliviar a dor no ombro em: Exercícios de propriocepção para recuperação do ombro.

3. Bloqueio do nervo supraescapular

O médico pode realizar um bloqueio do nervo supraescapular, no consultório ou no hospital, o que traz um grande alívio da dor, sendo uma opção quando os medicamentos não tem efeito e dificultam a realização da fisioterapia. Esse nervo pode ser bloqueado, porque é responsável por fornecer 70% das sensações do ombro, e ao ser bloqueado existe uma grande melhora da dor.

4. Hidrodilatação

Uma outra alternativa que o médico pode indicar é a distensão do ombro com uma injeção de ar ou fluido (solução salina + corticosteroide) sob anestesia local o que ajuda a alongar a cápsula articular do ombro, o que promove alívio da dor e facilita a movimentação do ombro

5. Cirurgia

A cirurgia é a última opção de tratamento, quando não existe sinais de melhora com o tratamento conservador, que é feito com medicamentos e fisioterapia.

O médico ortopedista poderá realizar uma artroscopia ou uma manipulação fechada que poderão devolver a mobilidade do ombro.

Após a cirurgia a pessoa precisa voltar para fisioterapia para agilizar a cicatrização e continuar com exercícios de alongamento para a completa recuperação.

Источник: https://www.tuasaude.com/sindrome-do-ombro-congelado/

Capsulite adesiva (ombro congelado)

CAPSULITE ADESIVA (Ombro Congelado)

A capsulite adesiva, conhecida popularmente como ombro congelado, é uma doença que causa inflamação na cápsula articular do ombro e gera dor seguida de limitação dos movimentos do ombro. A causa da capsulite adesiva está relacionada à fatores genéticos e à reações auto-imunes, mas não se conhece exatamente como ela é originada.

Sabe-se que ela é muito mais frequente em pacientes com doenças hormonais, como o diabetes e as doenças da tireóide (hipo ou hipertireoidismo), mas pode ocorrer em indivíduos sem essas alterações. Também pode ocorrer em pacientes que permanecem com o ombro imobilizado por período prolongado ou em pacientes com hérnia de disco cervical.

A capsulite adesiva inicia-se com uma inflamação, mas diferentemente das bursites e tendinites, ocorre na cápsula articular, que é o tecido que reveste toda a articulação. Pode existir algum “gatilho” para o desenvolvimento da capsulite, como um pequeno trauma ou um esforço repetitivo. Mas ela pode ocorrer sem nenhuma causa aparente.

A capsulite adesiva ocorre em 3 diferentes fases, com características diferentes. Quando essa inflamação na cápsula ocorre inicia-se a primeira fase da capsulite, que é a fase inflamatória. A dor pode ser leve no início, mas em poucos dias ou semanas progride para uma dor muito forte e extremamente limitante.

Diferentemente das tendinites, bursites e da síndrome do impacto, qualquer movimento pode gerar a dor e não apenas os movimentos com os braços para cima. Nessa fase o movimento do ombro, apesar de doloroso, pode ainda estar normal. Essa fase dolorosa pode durar até 9 meses. Em seguida, inicia-se a fase de rigidez ou congelamento, em que há uma perda progressiva dos movimentos do ombro.

Ainda pode haver dor nessa fase, mas de menor intensidade. O indivíduo sente o ombro mais curto, não alcança locais altos que alcançava previamente e não perda os movimentos de rotação, não conseguindo colocar a mão nas costas, buscar o sinto de segurança ou prender o sutiã. Essa fase de rigidez pode durar até 12 a 18 meses.

Por último, vem a fase de descongelamento, com uma duração muito variável, em que o movimento do ombro melhora progressivamente, com a resolução da doença.

Gráfico dos sintomas da capsulite adesiva de acordo com a fase da doença

A capsulite adesiva sempre foi descrita como uma doença autolimitada. No entanto, não há estudos de sua história natural verdadeira, pois algum tipo de tratamento é realizado em todos os artigos publicados. Sabe-se que a maioria dos pacientes apresenta uma função satisfatória do ombro após 2 anos da doença, conforme publicado por alguns estudos científicos mais antigos.

Entretanto, isso não significa que todos os pacientes apresentam melhora espontânea e também não é indicado qual o grau dessa função satisfatória, principalmente de acordo com a demanda de cada faixa etária.

Alguns estudos demonstram que 30% dos pacientes não conseguem ter uma função mais intensa após longo seguimento, como colocar um objeto em uma prateleira ou carregar um objeto de 10kg com o braço acometido. Outros estudos também demonstram que até 50% de pacientes acompanhados por longo prazo (4 a 7 anos) apresentam alguma limitação residual do movimento ou dor leve.

Quais as outras doenças que podem causar limitação dos movimentos do ombro?

É importante lembrar que a capsulite adesiva não é a única causa de limitação dos movimentos dos ombros. Diversas outras doenças podem gerar rigidez do ombro, tais como:

  • Artrose do ombro: em geral a dor progride lentamente ao longo dos anos;
  • Osteonecrose: mais comum após alguma fratura do úmero proximal ou em pacientes com doenças como o lúpus, anemia falciforme ou nos pacientes com triglicérides muito alto. Também ocorre nos etilistas;
  • Rigidez após cirurgias: cirurgias do ombro podem gerar uma rigidez por diversos motivos. É uma limitação diferente pois nem sempre é auto-limitada como a capsulite adesiva.
  • Tendinite calcária: esse tipo de tendinite pode gerar um quadro clínico muito semelhante à capsulite adesiva. Exames simples como a radiografia podem fazer esse diferencial.

Como é feito o diagnóstico da capsulite adesiva ou ombro congelado?

O diagnóstico é feito tardio em muitos casos. É comum o paciente receber o diagnóstico de bursite, tendinite ou síndrome do impacto, mas na verdade estar em uma fase inicial da capsulite adesiva, pois o sintoma de dor é semelhante à essas doenças.

Para o diagnóstico precoce é essencial o exame físico, que já pode demonstrar uma perda dos movimentos e uma história clínica detalhada, avaliando os principais fatores de risco. Exames de imagem como a radiografia (rx) ou ultrasonografia (usg) não vão demonstrar alterações na capsulite adesiva, mas podem ser úteis para diferenciar de outras causas de rigidez.

Na presença de um quadro clínico característico e sendo possível afastar as outras causas não há necessidade de outros exames. Nos casos duvidosos ou em que se suspeita de outras doenças, a ressonância magnética pode ser indicada.

É importante ressaltar que mesmo a ressonância magnética pode não detectar a capsulite, dependendo da fase da doença, e que outras alterações como as tendinites, bursites e lesões dos tendões do manguito rotador podem coexistir com a capsulite.

Ressonância magnética de capsulite adesiva. As setas indicam os locais das aderências.

O tratamento é não operatório na imensa maioria dos casos e consegue obter ótimos resultados quando bem realizado. Existem diversas opções de tratamento para cada fase da capsulite.

Como princípios gerais, na fase dolorosa devem ser realizados tratamentos para diminuição da dor e inflamação, e na fase de rigidez o tratamento é voltado para o alongamento e ganho de movimentação.

Um erro comum é a de realizar alongamentos de forte intensidade na fase dolorosa, tentativa essa que pode piorar e prolongar essa fase.

Dentre as opções de tratamento para a fase dolorosa, estão os anti-inflamatórios não hormonais, corticóides (via oral ou injetável), acupuntura, infiltrações intra-articulares com corticóide ou os bloqueios do nervo-supraescapular. Cada opção tem suas vantagens e riscos e deverá ser individualizada pelo médico.

Alongamentos para a capsulite adesiva

Infiltração articular + distensão capsular + manipulação do ombro

A combinação de algumas medidas não cirúrgicas pode ter resultados rápidos e eficientes no tratamento da capsulite adesiva. O que chamamos de procedimento tríplice consiste em uma combinação de 3 medidas:

  1. Infiltração articular com corticoide
  2. Distensão hídrica da cápsula articular
  3. Manipulação do ombro para ganho rápido da amplitude do movimento.

Esse procedimento é realizado sob sedação do paciente (semelhante à sedação utilizada para um exame de endoscopia, por exemplo), melhorando a experiência do paciente, que não sente dor durante o procedimento. Além disso, o procedimento é realizado em regime de hospital-dia e o paciente recebe alta cerca de 3h após sua realização.

Todos os procedimentos descritos acima apresentam excelentes resultados na literatura médica. A combinação deles é ainda mais eficiente e resultados no ganho da amplitude podem ser obtidos logo após o procedimento.

Por não se tratar de um procedimento cirúrgico, os riscos são ainda menores. Nos dias iniciais após o procedimento, o paciente pode apresentar dor moderada ou intensa, sendo necessário o uso de medicações analgésicas.Após o procedimento, exercícios de alongamento são indicados para manter ou complementar o ganho do movimento obtido.

Clique aqui para ler mais sobre esse procedimento >

A cirurgia raramente é necessária nessa doença e na fase aguda inflamatória deve ser evitada. Em alguns pacientes, a cirurgia pode ser necessária na fase de rigidez, que pode ser mais grave e não apresentar melhora com alongamentos. Recomenda-se no mínimo 3 meses de alongamentos antes de partir para a cirurgia.

Existem diversos tipos de procedimentos, mas o que mais recomendamos é o chamado de liberação artroscópica. Esse procedimento é feito por artroscopia, com 2 a 3 orifícios de 0,5cm no ombro e permite que a cápsula espessada seja liberada, com uma melhora imediata dos movimentos.

Após esse procedimento é feita uma manipulação leve para melhorar a movimentação. Após a cirurgia, o paciente deverá realizar alongamentos de forma intensiva, sozinho ou com o auxílio de fisioterapeutas.

Vale lembrar que o tratamento da rigidez de ombro por outras causas que não a capsulite adesiva é completamente diferente do descrito nesse artigo.

Liberação artroscópica da capsulite adesiva

Neviaser AS, Hannafin JA. Adhesive capsulitis: a review of current treatment. The American journal of sports medicine. 2010 Nov;38(11):2346-56.

Shaffer B, Tibone JE, Kerlan RK. Frozen shoulder: a long-term follow-up. J Bone Joint Surg Am. 1992;74(5):738-746.

Hand C, Clipsham K, Rees JL, Carr AJ. Long-term outcome of frozen shoulder. J Shoulder Elbow Surg. 2008;17(2):231-236.

Binder AI, Bulgen DY, Hazleman BL, Roberts S. Frozen shoulder: a long-term prospective study. Ann Rheum Dis. 1984;43(3):361-364.

Miller MD, Wirth MA, Rockwood CA Jr. Thawing the frozen shoulder: the ‘‘patient’’ patient. Orthopedics. 1996;19(10):849-853.

Grey RG. The natural history of ‘‘idiopathic’’ frozen shoulder. J Bone Joint Surg Am. 1978;60(4):564.

June 03, 2019/ Mauro Gracitelli/ Direitos autorais reservados – Dr. Mauro Gracitelli. A reprodução parcial ou completa do texto, das imagens e dos vídeos é protegida por lei e proibida sem a autorização prévia do autor ou referência à fonte original desse site. Lei dos Direitos Autorais, de nº. 10.695, de 1º./7/2003.

Источник: https://maurogracitelli.com/blog/capsulite

Capsulite Adesiva/Ombro Congelado (Frozen Shoulder)

CAPSULITE ADESIVA (Ombro Congelado)

A capsulite adesiva, também conhecida como ombro congelado (Frozen shoulder), é definida como: “condição de etiologia idiopática (causa desconhecida), caracterizada por uma restrição significativa das amplitudes articulares ativas e passivas, que ocorre na ausência de um diagnóstico concreto de patologia na articulação do ombro”.(1,2)

Apresentação Clínica

Os utentes que apresentem esta condição normalmente têm como sintomas: rigidez, dor intensa (geralmente pior no período noturno) e perda quase completa de rotação externa ativa e passiva do ombro. (1) Esta resulta do espessamento e encurtamento da cápsula articular (porção superior e anterior) com a presença de fibrose e períodos de inflamação articular. (3)

Qual a sua Prevalência?

A taxa de prevalência da capsulite adesiva é de 2% a 5% e é predominante no género feminino. (1,2) Ocorre sobretudo entre os 40 e os 60 anos.

(1) Existe o risco de incidência bilateral (6% a 17% dos utentes desenvolve a condição no ombro contralateral), no entanto a incidência bilateral em simultâneo é muito raro, assim como a recorrência no mesmo ombro.

(5) A incidência desta condição tem sido tendencialmente crescente associado a doenças sistémicas (Diabete Mellitus), fatores intrínsecos e extrínsecos [p.e acidente vascular cerebral (AVC)] à articulação, e à adoção de estilos de vida que as desencadeiem. (2)

Qual é a Etiologia da Capsulite Adesiva?

A capsulite adesiva primária apresenta geralmente um início idiopático (ocorre quando não há uma causa exógena ou condição preexistente).

(1,5) A capsulite adesiva secundária resulta de causas conhecidas, fator predisponentes ou evento cirúrgico. Existem vários fatores predisponentes, nomeadamente, pós-cirúrgico, pós-AVC e pós lesão.

(6,7) Deste modo, a capsulite adesiva secundária pode subdividir-se em três categorias:

  • Sistémica (Diabete Mellitus e outras condições metabólicas); (1,5,6)
  • Fatores extrínsecos (doença cardiopulmonar, AVC, fraturas do úmero, doença de Parkinson); (6,7)
  • Fatores intrínsecos (patologias da Coifa dos Rotadores, tendinopatia da longa porção do bicípite, tendinopatia calcificada, artrite da articulação acromioclavicular). (6,7)

Como é diagnosticada?

Não há um teste Gold Standard para diagnosticar a capsulite adesiva. O diagnóstico da capsulite adesiva ou outras potenciais patologias do ombro deve ser baseado em:

  • Exame clínico, incluindo antecedentes pessoais do utente, história clínica atual e distribuição e severidade da dor; (5)
  • Exclusão de outras patologias; (5)
  • Exames complementares de diagnóstico (Raio-X, Ecografia, RMN) da articulação glenoumeral. (5)

Classificação

A capsulite adesiva pode ser dividida em três fases:

O que se pode fazer na Prática Clínica?

A avaliação médica (Fisiatra, Ortopedista, Reumatologista, entre outros) é importante para excluir outras etiologias, através da anamnese, exame objetivo e exames complementares de diagnóstico (imagem ou laboratoriais). (5)

A Fisioterapia é o tratamento de primeira linha, nos primeiros 6 meses, para muitos dos utentes com Capsulite Adesiva.(1) O tratamento definitivo desta patologia ainda não é consensual, embora várias intervenções tenham sido estudadas.

1.Educação

Esta é a fase mais inicial da resolução da Capsulite Adesiva e deve ser realizada pelo profissional de saúde. A explicação da história natural da patologia é essencial para ajudar a reduzir a frustração e estimular a adesão dos utentes.

É importante reforçar que, ainda que não seja impossível, a recuperação total das amplitudes articulares na sua totalidade é difícil.

Importa ainda referir as três fases da condição e apresentações clínicas, bem como os procedimentos que iremos realizar para os reverter.

2.Fisioterapia

A intervenção da Fisioterapia na Capsulite Adesiva divide-se em três fases, tal como a apresentação dos sintomas, devendo sempre adaptar-se a cada utente, cumprindo os conceitos de “individualidade e especificidade”.

Tem vindo a ser estudado, ao longo dos anos, que as técnicas mais eficientes nos utentes com Capsulite Adesiva são a combinação da mobilização articular, exercícios e reeducação da biomecânica articular (movimento “normal” do ombro).

(5,9) Porém, a Facilitação Neuromuscular Propriocetiva (PNF) é muito eficaz na redução da dor, aumento das amplitudes articulares, melhoria da função e redução da incapacidade.

(10) A fisioterapia pode ainda atuar em complementaridade com a administração de anti-inflamatórios não esteroides, glucocorticoides via oral ou por meio de injeções intra-articulares. (1)

2.1. Freezing

O foco principal durante esta fase é o alívio de dor, a diminuição da inflamação e a exclusão de outras causas potenciais de dor no ombro, além da Capsulite Adesiva. Deste modo, todas as atividades que causem dor devem ser evitadas. (1,9)

O utente nesta fase beneficia com mobilização articular passiva suave (livre de dor), alongamento de curta duração (1 a 6 segundos), libertação miofascial e utilização de calor húmido. (1,5)

Ainda nesta fase, podem ser realizados exercícios de baixa intensidade para o alívio de dor, nomeadamente: exercícios pendulares; exercícios com bastão e movimentos ativos-assistidos. (5) Nesta fase inicial é de considerar a elevada importância dos exercícios isométricos (realização de força sem movimento) para fortalecimento dos músculos estabilizadores do ombro. (11)

2.2. Fase de Rigidez ou Ombro Congelado (Freeze)

Nesta fase do programa de reabilitação os principais objetivos são: continuar a diminuir a dor, aumentar amplitudes articulares, progredir no fortalecimento muscular e facilitar o controlo neuromuscular. (11)

Os exercícios realizados na primeira fase podem, e devem ser continuados.

(1,5) Nesta fase, os exercícios de fortalecimento devem ser adicionados com uma intensidade ligeiramente crescente, mas sempre fora do limiar da dor, conforme o tolerado pelo utente, para manter a força muscular.

(1,11) Os exercícios de mobilidade e alongamento, cumprindo com os mesmos padrões que os de fortalecimento, também devem aumentar de intensidade.

2.3. Fase do Degelo ou Descongelamento (Thawing)

Esta fase é caracterizada pelo retorno gradual das amplitudes articulares, no entanto, em conjunto com a força muscular, devem retornar ao normal o mais rápido possível.

(1) Deste modo, os exercícios de fortalecimento são importantes, pois o ombro fica consideravelmente enfraquecido após alguns meses de poucos movimentos, conjugados com mais exercícios de mobilidade e alongamentos.

(1) Devem ser introduzidos exercícios para correção postural.(1,11,12)

3. Tratamento Fisiátrico

Dentro das opções terapêuticas disponíveis, surge o tratamento fisiátrico clássico.

Ele recorre habitualmente a agentes físicos e cinesioterapia, nomeadamente, infiltração intra-articular com corticoesteróides de forma a diminuir o grau de inflamação e proporcionar analgesia; infiltração intra-articular com ácido hialurónico; corticoterapia oral; acupuntura; manipulação sob anestesia; libertação capsular sob anestesia e, mais recentemente, distensão capsular sob controlo imagiológico (fluroscopia ou ecografia). (4)

3.1Manipulação sob anestesia 

O médico força o movimento do ombro, para libertação de aderências capsulares. Este movimento envolve a rotura passiva da cápsula articular que se encontra inflamada e espessada. É realizada principalmente sob anestesia geral. (2)

3.2 Cirurgia

A Atrólise Artroscópica ou Libertação Capsular artroscópica é o método cirúrgico mais utilizado. Ele pode ser realizado em utentes que não respondem de forma positiva aos tratamentos de fisioterapia num período de 6 meses. (14)

Conclusão

A Capsulite Adesiva é uma condição comum que causa défice de mobilidade significativa e prolongada para os utentes e traz implicações económicas amplas.

O tratamento para a Capsulite Adesiva permanece um desafio, havendo necessidade de evidências de alto nível científico para sugerir um método de tratamento em detrimento de outra.

No entanto, até ao momento há evidências moderadas para a abordagem conservadora nos estádios iniciais e, em caso de resistência da condição, técnicas mini-invasivas e cirúrgicas. Astécnicas mini-invasivas e cirúrgicas devem ser sempre complementadas por reabilitação para otimizar os resultados obtidos. (12)

Autor

Rui Silva Fisioterapeuta (C-065971078) no CMM-Centro Médico de Alverca: ERS Nº E106065 | Lic. Func.: 10860/2015| Tlf: 219583501

Artigo revisto em parceria com o Dr. Luís Boaventura (OM 48618) , Médico Especialista em Medicina Física e de Reabilitação

Bibliografia e Referências Bibliográficas

1.Chan, H., Pua, P. and How, C., 2017. Physical therapy in the management of frozen shoulder. Singapore Medical Journal, 58(12), pp.685-689.

2.Cho, C., Bae, K. and Kim, D., 2019. Treatment Strategy for Frozen Shoulder. Clinics in Orthopedic Surgery, 11(3), p.249.

3.Whelton, C. and Peach, C., 2017. Review of diabetic frozen shoulder. European Journal of Orthopaedic Surgery & Traumatology, 28(3), pp.363-371.

4.Bryant, M., Gough, A., Selfe, J., Richards, J. and Burgess, E., 2017. The effectiveness of ultrasound guided hydrodistension and physiotherapy in the treatment of frozen shoulder/adhesive capsulitis in primary care: a single centre service evaluation. Shoulder & Elbow, 9(4), pp.292-298.

5.Lewis, J., 2014. Frozen Shoulder Contracture Syndrome – Aetiology, Diagnosis And Management.

6.Walmsley, S., Rivett, D. and Osmotherly, P., 2009. Adhesive Capsulitis: Establishing Consensus on Clinical Identifiers for Stage 1 Using the Delphi Technique. Physical Therapy, 89(9), pp.906-917.

7.Robinson, C., Seah, K., Chee, Y., Hindle, P. and Murray, I., 2012. Frozen shoulder. The Journal of Bone and Joint Surgery. British volume, 94-B(1), pp.1-9.

8.Alsubheen, S., Nazari, G., Bobos, P., MacDermid, J., Overend, T. and Faber, K., 2019. Effectiveness of Nonsurgical Interventions for Managing Adhesive Capsulitis in Patients With Diabetes: A Systematic Review. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 100(2), pp.350-365.

9.Jain, T. and Sharma, N., 2014. The effectiveness of physiotherapeutic interventions in treatment of frozen shoulder/adhesive capsulitis: A systematic review. Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation, 27(3), pp.247-273.

10.Shanker Tedla, J. and Rani Sangadala, D., 2019. Proprioceptive neuromuscular facilitation techniques in adhesive capsulitis: a systematic review and meta-analysis. JMNI, 19(4), pp.482-491.

11.Wilk, K. and Macrina, L., 2014. Nonoperative and Postoperative Rehabilitation for Injuries of the Throwing Shoulder. Sports Medicine and Arthroscopy Review, 22(2), pp.137-150.

12.Date, A. and Rahman, L., 2020. Frozen shoulder: overview of clinical presentation and review of the current evidence base for management strategies. Future Science OA, 6(10), p.FSO647.

13.Tang, H., Wei, W., Yu, T. and Zhao, Y., 2019. Physical Therapy For The Treatment Of Frozen Shoulder.

14.C A Hanchard, N., M. Goodchild, L., Thompson, J., O’Brien, T., Richardson, C., Davison, D., Watson, H., Wragg, M., Mtopo, S. and Scott, M., 2011. Evidence-based clinical guidelines for the diagnosis, assessment and physiotherapy management of contracted (frozen) shoulder: Endorsed by the Chartered Society of Physiotherapy. The Chartered Society of Physiotherapy.

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Capsulite adesiva

CAPSULITE ADESIVA (Ombro Congelado)

A capsulite adesiva ou “ombro congelado” é um quadro clínico caracterizado por dor e rigidez da articulação do ombro (o doente possui dificuldade em mover o braço, como se estivesse “congelado”).

Mesmo após 150 anos sobre a sua 1ª descrição, o seu significado como doença continua incerto e a sua etiologia controversa. Clinicamente, a rigidez é, por vezes, comum a outros diagnósticos e poderá fazer pensar, por exemplo, em artrose, mas as características da dor a esta associada são habitualmente bastante diferentes da que caracterizam a capsulite.

A capsulite adesiva atinge 2 a 5% da população geral, principalmente entre a 4ª e 6ª década de vida e com uma particular incidência sobre o ombro não dominante.

Ou seja, se a pessoa é destra atinge mais frequentemente o ombro esquerdo, por sua vez, se a pessoa é canhota é mais afetado o ombro direito.

O atingimento bilateral é raro, embora seja possível atingir os dois ombros de uma forma faseada, com um intervalo geralmente inferior a 5 anos.

Fases da capsulite adesiva

As fases da capsulite adesiva ou “frozenshoulder” são três:

  1. Fase inicial aguda, “freezingphase” – é caracterizada pelo aparecimento insidioso de dor difusa e limitação da amplitude dos movimentos (ativos e passivos) da articulação gleno-umeral. Possui uma duração de cerca de 2 a 9 meses.
  2. Segunda fase, “frozenphase” – nos 4 a 12 meses seguintes, a dor diminui progressivamente, mas a limitação de movimentos mantém-se, com perda quase total da rotação externa.
  3. Fase de resolução, “thawingphase” – ocorre espontaneamente, com melhoria gradual da amplitude de movimentos e resolução da dor. Possui uma duração média de 2 a 3 anos.

Capsulite adesiva – causas

A capsulite adesiva é habitualmente idiopática, pelo que por definição não possui causa conhecida. Existem, no entanto, algumas situações em que o fator causal é identificado e, então, a capsulite denomina-se de secundária.

Dentro das causas conhecidas mais frequentes de capsulite adesiva ou retrátil, encontram-se o traumatismo, com ou sem fratura associada, a cirurgia ou causas sistémicas, como a diabetes ou doenças da tiróide.

Todos os quadros inflamatórios junto à articulação do ombro, como as bursites e tendinites, poderão estar também relacionados com a fisiopatologia desta entidade clínica.

Saiba, aqui, o que é bursite do ombro.

Saiba, aqui, o que é tendinite do ombro.

Normalmente o que ocorre na situação inflamatória crónica é uma progressiva fibrose capsular por aumento da deposição de mediadores químicos inflamatórios (denominados citoquinas), com a consequente capsulite retrátil.

Capsulite adesiva – fatores de risco

Como referido, a diabetes é das patologias mais vezes associada à capsulite adesiva, estando presente em 20% dos casos em que esta ocorre.

Capsulite adesiva – sintomas

O quadro clínico é caracterizado por dor difusa a todo o ombro, com início insidioso e evolução de algumas semanas. Existe habitualmente agravamento noturno e pode também originar uma limitação da amplitude de movimentos ativos e passivos da articulação que, no limite, levam a um bloqueio completo da mobilidade.

O agravamento destes sintomas pode provocar uma grande limitação e mesmo interferir com as atividades da vida diária, tornando-se extremamente incapacitante também para a atividade profissional.

Capsulite adesiva – diagnóstico

O diagnóstico é feito pelo médico ortopedista (especialista em ortopedia) com base na história e exame clínico e recorrendo a alguns exames auxiliares. Não existe nenhum teste específico para diagnosticar esta doença.

O exame clínico é a base do diagnóstico, juntamente com uma radiografia (RX) ou tomografia axial computorizada (TAC) normais, excluindo assim outras patologias, como tendinopatia calcificante da coifa, osteoartrose, necrose avascular ou fraturas que também podem originar restrição dolorosa de movimentos.

A ressonância magnética (RM) pode fazer o diagnóstico precoce aorevelar alterações muito sugestivas desta patologia, como o espessamento das estruturas no intervalo dos rotadores, nomeadamente o ligamento coracoumeral, assim como da capsula no recesso axilar e sinais de inflamação da sinovial articular.

Embora não seja diagnóstico, alguns autores defendem que se possa correlacionar o grau de espessamento capsular, medido por RM no recesso axilar, com o estadio clínico da capsulite adesiva.

Capsulite adesiva tem cura?

A capsulite adesiva ou “ombro congelado” é uma patologia que habitualmente se resolve com tratamento não cirúrgico. Embora a resolução definitiva do quadro seja demorada, com a orientação adequada, a recuperação da mobilidade é completa.

Saiba de seguida, como tratar a capsulite adesiva.

Capsulite adesiva – tratamento

Na capsulite adesiva, o tratamento numa fase inicial é baseado em anti-inflamatórios, isto é medicamentos ou remédios dirigidos para o controle da inflamação e dor. A fisioterapia precoce também pode ajudar nestes objetivos, assim como fazer a aplicação de gelo e/ou calor alternados.

O tratamento fisioterapêutico, numa fase em que a dor já esteja controlada, baseia-se na realização de exercícios para a recuperação da amplitude articular normal. Este processo é, por vezes, muito longo e poderá demorar entre 9 a 12 meses.

Para além dos exercícios recomendados pelo seu médico especialista de Fisiatria, de forma complementar poderá realizar exercícios aeróbicos, exercícios de pilates supervisionados pelo seu treinador pessoal com vista à reabilitação completa ser atingida de uma forma mais rápida e natural.

Nos casos mais resistentes aos tratamentos não invasivos, poderemos recorrer à realização de uma infiltração com lidocaína e corticosteroides ou a uma hidrodistensão capsular com soro fisiológico, realizada com controle de ecografia.

Nos casos em que a abordagem conservadora não esteja a ser eficiente, ou bem tolerada pelo paciente, poderá ser necessário recorrer a anestesia para manipulação ou tratamento cirúrgico.

Capsulite adesiva – cirurgia

A cirurgia é sempre o último recurso nestas situações e quando todos os restantes tratamentos falharam. A operação a realizar pelo seu médico especialista de ombro consiste numa artroscopia do ombro para fazer a distensão capsular e eventualmente capsulotomias circulares.

Como qualquer outra cirurgia, esta também não é isenta de riscos, nomeadamente a de lesão iatrogénica de estruturas nervosas próximas à articulação. Outras complicações poderão também ocorrer no pós operatório, sendo a mais frequente a recidiva do quadro de rigidez se a recuperação não for reiniciada o mais precocemente possível.

Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/ortopedia/capsulite-adesiva/

CAPSULITE ADESIVA (Ombro Congelado)

CAPSULITE ADESIVA (Ombro Congelado)

A capsulite adesiva, conhecida popularmente como “ombro congelado”, é um quadro que se caracteriza por limitação dos movimentos e intensa dor no ombro, que pode durar de vários meses até anos. A capsulite adesiva é provocada por uma inflamação da cápsula que reveste a articulação do ombro.

O ombro congelado é um problema relativamente comum, acometendo cerca de 3 a 5% da população geral. A doença torna-se mais frequente a partir dos 55 anos, sendo rara antes dos 40 anos de idade. As mulheres são mais acometidas que os homens.

Estudos mostram que o ombro do braço não dominante é ligeiramente mais susceptível à capsulite adesiva; portanto, canhotos têm mais risco de lesão no ombro direito e destros têm mais chances de ter capsulite no ombro esquerdo.

Independentemente de qual ombro foi acometido primeiro, em cerca de 10% dos pacientes, o ombro contralateral também torna-se doente dentro de um intervalo de 5 anos.

Como surge

O ombro é uma articulação formada por 3 ossos: o úmero (osso do braço), a clavícula e a espátula (também conhecida como omoplata).

Acompanhe a ilustração acima para entender melhor a anatomia do ombro.

A extremidade superior do úmero, chamada de cabeça do úmero, tem a forma de um globo e se encaixa na cavidade glenoide, que é uma fossa em formato esférico na lateral da escápula.

O encaixe de um osso com extremidade convexa em uma fossa côncava cria uma articulação que permite ao osso mover-se de forma multiaxial, nos possibilitando uma grande amplitude de movimentos.

A articulação do ombro é envolvida pela cápsula articular do ombro, que é uma membrana que ao mesmo tempo cria estabilidade e permite a livre movimentação da articulação.

A capsulite adesiva é uma doença que provoca inflamação, fibrose, espessamento e rigidez da cápsula articular, levando à dor e à impotência funcional do ombro. A capsula, que normalmente é um tecido elástico, torna-se rígida e bastante dolorosa.

A capsulite adesiva é uma lesão ombro diferente da bursite e da tendinite do ombro. A bursite do ombro é provocada pela inflamação da bursa sinovial, que é uma espécie de almofada localizada no interior da articulação. Já a tendinite do ombro, como o próprio nome diz, é uma inflamação dos tendões do ombro.

Causas

A capsulite adesiva pode estar relacionada a traumas do ombro ou a doenças sistêmicas, que nada têm a ver a articulação do ombro, tais como diabetes, hipotireoidismo ou doenças cardiovasculares. O ombro congelado também pode ser uma doença idiopática, isto é, um problema que surge sem que possamos identificar uma causa clara.

Não sabemos exatamente qual é o mecanismo fisiopatológico que leva à formação da capsulite adesiva, mas alguns fatores de risco já estão bem estabelecidos. São eles:

Sintomas

Os dois principais sintomas do ombro congelado são a dor e a incapacidade funcional, que é a dificuldade de fazer os movimento habituais do ombro.

A capsulite adesiva habitualmente se desenvolve em três fases:

Fase dolorosa ou inflamatória

O quadro de capsulite adesiva inicia-se com progressiva dor ao movimento, que torna-se muito intensa e causa também gradual perda da capacidade de mover o ombro.

Os sintomas agravam-se ao longo de semanas e costumam ser piores à noite.

Ao contrario da bursite e da tendinite, cuja dor estão associadas a determinados movimentos do ombro, a dor da capsulite surge com qualquer tipo de movimento. Essa fase dura de 2 a 9 meses.

Fase de congelamento ou rigidez

Após meses de agonia, a dor começa a reduzir. Por outro lado, a rigidez do ombro torna-se mais intensa, impedindo a sua mobilidade.

Nesta fase, que dura de 4 a 12 meses, a incapacidade funcional não está diretamente ligada à dor, o paciente simplesmente não consegue mover o ombro como antigamente porque ele encontra-se rígido ou “congelado”.

Levantar o braço, coçar as costas, vestir um casaco ou fechar o sutiã podem se tornar tarefas impossíveis. Nesta fase, a dor só costuma surgir quando o paciente tenta mover o ombro para além do possível.

Fase de recuperação ou descongelamento

Após mais de 1 ano de dor e incapacidade funcional, o ombro começa a “descongelar”. O paciente vai, aos poucos, retomando a capacidade de mover os ombros de forma ampla e a dor desaparece completamente. Essa fase pode demorar de 5 a 24 meses para ficar completa.

O tempo de evolução da doença varia de caso a caso, mas é muito comum que o ombro congelado atrapalhe as atividades normais da vida do paciente por pelo menos 2 anos. Alguns pacientes podem ficar com sequelas, perdendo de forma definitiva cerca de 15% da mobilidade do ombro.

Diagnóstico

O diagnóstico do ombro congelado é feito habitualmente pelo médico ortopedista, através do exame físico e de exames complementares.

Um teste que pode ser utilizado para distinguir a capsulite adesiva de outras patologias dolorosas do ombro é o teste da injeção. O médico injeta uma quantidade de anestésico na articulação e nota se o paciente consegue voltar a mover o ombro de forma normal. Nos pacientes com ombro congelado, a anestesia alivia a dor, mas não melhora a mobilidade.

A radiografia e a ultrassonografia não são bons exames para o diagnóstico da capsulite adesiva, mas eles ajudam no diagnóstico diferencial, pois podem identificar outras causas de dor no ombro, como bursite e tendinites.

Se após o exame físico, teste da injeção e exames de imagem, o médico ainda estiver na dúvida do diagnóstico, a ressonância magnética é o exame mais adequado para avaliar a saúde da cápsula articular. Nas fases inciais da doença, porém, a ressonância pode não conseguir identificar a capsulite.

Tratamento

Como a capsulite adesiva é uma doença autolimitada, que resolve-se sozinha após vários meses, o tratamento inicialmente visa o controle da dor e o restabelecimento de parte dos movimentos do ombro.

Fase dolorosa

A dor pode ser inicialmente tratada com analgésicos comuns, tais como paracetamol ou dipirona (metamizol).

Anti-inflamatórios são medicamentos com boa eficácia, mas o seu uso diário por vários meses seguidos deve ser desencorajado devido aos efeitos colaterais gástricos, renais e cardiovasculares. Em casos de dor de difícil controle, o médico pode prescrever analgésicos mais fortes, à base de derivados da morfina.

A injeção intra-articular de corticoides (infiltração) é uma boa opção para o controle da dor nos primeiros meses, principalmente para aqueles pacientes que não melhoram com o uso de analgésicos ou anti-inflamatórios diariamente. Corticoides por via oral não são indicados pelo elevado risco de efeitos colaterais.

Fase de rigidez

Após o alívio da dor, o médico pode indicar exercícios e fisioterapia para melhorar a mobilidade do ombro afetado. Os exercícios devem ser começados de forma leve, sempre utilizando a dor como parâmetro.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico, habitualmente feito por artroscopia, costuma ficar restrito apenas aos casos mais graves e que não obtêm resposta satisfatórias com outros tipos de tratamento.

O objetivo da cirurgia é “libertar” a cápsula, permitindo que a articulação possa voltar a se mover livremente. Em geral, a cirurgia é feita apenas após um ano de doença, numa fase em que há menos inflamação e mais fibrose da cápsula.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/ortopedia/capsulite-adesiva-ombro-congelado/

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