CARNE VERMELHA PROVOCA CÂNCER?

OMS: carne vermelha, processada ou não, pode causar cancro

CARNE VERMELHA PROVOCA CÂNCER?

Última atualização às 15h30.

O consumo de carne vermelha, como vaca ou porco, foi considerado como “provavelmente carcinogénico para humanos” e o consumo de carne processada, como salsichas ou enlatados, como “carcinogénico para humanos”, concluiu o relatório da agência internacional da Organização Mundial de Saúde que se dedica ao estudo do cancro (International Agency for Research on Cancer, IARC).

A carne vermelha foi colocada no grupo 2A “com base em provas limitadas de que o consumo de carne vermelha provocava cancro em humanos e fortes provas do mecanismo que apoia o efeito carcinogénico”. Já a carne processada foi colocada no grupo 1 “baseada em provas suficientes em humanos” de que o consumo causa cancro colorretal

Por cada 50 gramas de carne processada ingerida diariamente, o risco de desenvolver cancro colorretal aumenta 18%, concluem os especialistas, segundo o comunicado de imprensa. Para o consumo de 100 gramas de carne vermelha por dia, o risco aumenta 17%.

O grupo 1, onde foi colocada a carne processada, inclui também o fumo do tabaco e o amianto, mas isto não quer dizer que o risco seja equivalente. A classificação da IARC descreve apenas a força da demonstração científica sobre o potencial de causarem cancro e não o nível de risco, como referido nas “perguntas e respostas” da instituição.

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Em Portugal não existem, neste momento, linhas orientadoras específicas para o consumo de carne vermelha ou carne processada, disse ao Observador Nuno Miranda, diretor do Programa para as Doenças Oncológicas da Direção-Geral de Saúde.

As recomendações gerais são que se consuma de forma moderada as carnes vermelhas e processadas, e que sempre que possível sejam substituídas por carnes brancas ou peixe. “[Mas] obviamente que vão ser tomadas as ações tendo em conta esta nova classificação.

” 

“Para um indivíduo, o risco de desenvolver cancro colorretal devido ao consumo de carne processada mantém-se pequeno, mas o risco aumenta com a quantidade de carne consumida”, disse Kurt Starif, diretor do Programa de Monografia do IARC, citado em comunicado. “Tendo em conta o elevado número de pessoas que consome carne processada, o impacto global da incidência do cancro tem importância para a saúde pública.”

O relatório contou com a participação de 22 especialistas, de 10 países, que reviram a bibliografia publicada sobre o consumo de carne vermelha – mais de 800 artigos que relacionam o consumo de carne com vários tipos de cancro, em diversas populações e dietas diferentes.

Foi feita uma associação entre o consumo de carne vermelha e o cancro colorrectal, tal como tem defendido Harald zur Hausen – prémio Nobel da Medicina 2008 por ter descoberto que o papiloma vírus humano pode causar cancro do colo do útero. O comunicado de imprensa da IARC refere que também foram encontradas associações ao cancro do pâncreas e da próstata.

“Esta é a avaliação mais complexa da literatura médica e científica alguma vez conduzida no que diz respeito ao risco de desenvolver um cancro em particular”, referiu Bernard Stewart, conselheiro científico do Conselho do Cancro australiano e o líder da comissão que conduziu a revisão para a OMS. “Esta descoberta fornece um novo grau de certeza para as autoridades que criam recomendações alimentares com base em evidências científicas.”

Em causa não está o valor nutricional da carne, nem foram apresentadas razões nutricionais para retirar a carne da dieta, lembrou Rosemary Stanton, nutricionista e membro do comité de recomendações alimentares do Conselho Nacional de Saúde e Investigação em Medicina australiano. Mas este relatório reforça as recomendações australianas para que se reduza o consumo de carne vermelha fresca para 450 gramas por semana e que o consumo de carnes processadas seja “omitido ou consumido apenas ocasionalmente ou em pequenas quantidades”.

Bernard Stewart não vai tão longe: “Ninguém propôs que se acabe com o bacon, que se ponha avisos nos cachorros quentes ou que se tire a carne dos churrascos, mas esta revisão da OMS fornece provas que o consumo a longo prazo de carne vermelha e carne processada aumenta o risco de cancro.”

Anualmente, 34 mil mortes por cancro em todo o mundo são atribuídas ao consumo excessivo de carne processada, referiu o Projeto sobre a Carga Global da Doença, citado pelo comunicado da IARC. Porém, o tabaco causa um milhão de mortes por cancro por ano, o consumo de álcool 600 mil e a poluição do ar 200 mil.

“É importante colocar o risco de cancro associado à carne vermelha e carne processada em perspetiva em relação a outras causas de cancro”, lembrou Kathy Chapman, do Comité de Nutrição e Atividade Física do Conselho de Cancro australiano. “Um estilo de vida saudável em geral, incluindo a dieta, é importante para reduzir o risco de cancro.” 

Cinco perguntas sobre a relação entre a carne e o cancro

1. O que é considerado carne vermelha?

Todos os tipos de carne que têm origem no músculo de mamíferos, como vaca e vitela, porco e leitão, carneiro e cordeiro, cabra e cabrito ou cavalo. A carne vermelha não processada inclui toda a carne fresca, mas também carne picada e congelada.

2. O que é carne processada?

Esta categoria não é exclusiva das carnes vermelhas.

Refere-se a todos os tipos de carne que tenham sido transformadas com o objetivo de intensificar o sabor ou aumentar o período de conservação, seja pela salmoura, secagem, fermentação ou defumação.

São exemplo de carne processada as salsichas, fiambres, chouriços, presuntos ou carne seca, mas também a carne enlatada e os molhos e preparados à base de carne.

3. Cozinhar a comida pode aumentar o risco de se tornar cancerígena?

Cozinhar a altas temperaturas, como durante a fritura ou no churrasco, pode fazer com que se criem certos compostos que provocarão, eventualmente, um aumento do risco de desenvolver cancro. Porém, o papel destes compostos ainda não está perfeitamente estudado.

Do mesmo modo, também ainda não existem estudos suficientes que demonstrem se comer carne crua é mais seguro. Nem tão pouco estão avaliados os riscos que podem estar associados ao consumo de carnes brancas ou peixe.

4. De que forma é que a carne vermelha e a carne processada são potencialmente cancerígenas?

Durante o processamento da carne ou enquanto é cozinhada, podem formar-se alguns compostos químicos com potencial cancerígeno, como nitrosaminas, nitrosamidas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.

Sabe-se que estes químicos podem danificar o ADN, mas ainda não existem provas diretas sobre porque é que o risco de desenvolver cancro aumenta com o aumento do consumo de carnes vermelhas ou processadas.

5. Que graus de risco cancerígeno existem? 

Existem cinco níveis de risco na classificação: do grupo 1 – carcinogénico para humanos, até ao grupo 5 – provavelmente não carcinogénico para humanos.

Quando há provas convincentes de que um agente pode causar cancro em humanos é classificado no grupo 1.

Quando há demonstrações menos consistentes de que o agente é carcinogénico em humanos ou nas experiências com animais, a classificação cai no grupo 2.

No caso do subgrupo 2A, há uma associação positiva, mas com provas limitadas, que cause cancro em humanos, ou seja, não foi possível descartar outros fatores.

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Источник: https://observador.pt/2015/10/26/oms-carne-vermelha-processada-nao-pode-causar-cancro-humanos/

CARNE VERMELHA PROVOCA CÂNCER?

CARNE VERMELHA PROVOCA CÂNCER?

Em Outubro de 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IACR, na sigla em inglês) no qual as carnes vermelhas processadas passaram a ser classificadas como carcinógenos do grupo 1 do IARC, o mesmo grupo ao qual o cigarro, o asbesto e a radiação ionizante pertencem. Para quem não está familiarizado com o termo, uma substância carcinógena é aquela que é capaz de estimular o desenvolvimento de um câncer no organismo.

A divulgação do relatório OMS foi feita de forma pouco clara para quem não está acostumado com a linguagem dos estudos científicos, e, rapidamente, a imprensa leiga e as redes sociais trataram de transformar um fato já conhecido há pelos menos alguns anos em uma notícia sensacionalista. E o pior, alguns veículos passaram a tratar as carnes vermelhas como um carcinógeno semelhante ao tabaco.

Não é nenhuma novidade o fato do consumo diário de carnes vermelhas, sejam elas processadas ou não, ser considerado um fator de risco para o câncer de cólon e reto. Aqui mesmo no MD.Saúde nós já havíamos falado sobre isso em 2012, no artigo: DIETA PARA PREVENIR CÂNCER.

O que mudou foi que a OMS considerou que o nível de evidências científicas acumulado nos últimos anos tornou-se suficiente para autorizar a emissão de um relatório oficial sobre o assunto.

O atual relatório do IARC baseou-se na revisão de 800 estudos científicos sobre a relação entre carne vermelha e câncer e foi preparado por 22 especialistas de 10 países diferentes.

Neste artigo vamos esclarecer o relatório da OMS, explicando quais são os riscos do consumo de carnes vermelhas e quais são as diferenças entre o risco de câncer das carnes vermelhas e do cigarro.

Carnes vermelhas são tão perigosas quanto o cigarro?

Um dos conceitos que mais causam confusão na população é o real significado da expressão “fator de risco”.

Quando dizemos que determinado produto ou substância é um fator de risco para o desenvolvimento de câncer, isso significa apenas que, estatisticamente, quem consome o tal produto terá mais chance de desenvolver câncer ao longo da vida.

Isso de forma alguma significa que quem consome o produto obrigatoriamente irá ter câncer ou quem não consome o produto está livre do risco de ter câncer.

O fato de ser um fator de risco também não indica obrigatoriamente que o risco é elevado. Se uma substância aumenta o risco de câncer em apenas 5%, ela não deixa de ser um fator de risco por causa disso.

A grande confusão que o relatório da OMS provocou foi o fato das carnes vermelhas processadas terem sido alocadas no mesmo grupo de risco de substâncias muito mais perigosas para a saúde, tais como o cigarro, a radiação ionizante e o asbesto (amianto).

A divisão de grupos do IARC é feita pelo grau de evidências científicas acumuladas e não pelo tamanho do risco.

Ou seja, o que o novo relatório da OMS quis dizer é que atualmente já há evidências científicas suficientes para afirmar que a carne vermelha é um carcinógeno com tanta segurança quanto é possível afirmar que o cigarro é um carcinógeno.

É importante destacar que apenas as carnes vermelhas processadas (explico mais à frente quais são elas) foram classificadas como carcinogênicas do grupo I do IACR.

As carnes vermelhas não processadas foram classificadas no grupo 2A, que significa dizer que os estudos científicos sugerem fortemente que essas carnes sejam um fator de risco para o câncer de intestino, mas ainda são necessários mais estudos de qualidade para podermos afirmar isso com 100% de certeza.

O relatório em momento algum diz que as carnes vermelhas processadas são tão danosas à saúde quanto o tabaco. Só para se ter uma ideia da diferença de risco, estima-se que, anualmente, em todo o mundo, cerca de 34.

000 mortes por câncer podem estar associadas ao consumo frequente de carne vermelha processada. Já o cigarro é responsável por mais de 1 milhão de mortes anuais por câncer e o consumo de bebidas alcoólicas por mais de 600.

000.

Para reforçar ainda mais a comparação, a Cancer Research UK, uma organização não-governamental voltada para o estudo do câncer no Reino Unido, publicou um relatório no qual afirma que se toda a população do Reino Unido parasse de comer carne vermelha, o número de novos casos de câncer iria cair em cerca de 8800 por ano.

Por outra lado, se a população toda parasse de fumar, eles teriam menos 64.500 casos de câncer todos os anos. Ou seja, o cigarro provoca 7 vezes mais casos de câncer no Reino Unido que o consumo de carne vermelhas.

Além disso, cerca de 9 em cada 10 casos de câncer de pulmão são provocados pelo cigarro, enquanto que apenas 2 em cada 10 casos de câncer de cólon podem ser atribuídos às carnes vermelhas.

Portanto, apesar do cigarro e da carne vermelha terem graus de evidências científicas semelhantes para serem considerados carcinógenos, de forma algum o perigo que eles oferecem à saúde pode ser equiparado. O cigarro é muito mais danoso à saúde que as carnes vermelhas.

Qual é o risco de consumir carnes vermelhas em grande quantidade?

O relatório do IACR apontou que para cada 50 gramas de carne vermelha processada que um indivíduo consome por dia, ele aumenta o risco de desenvolver câncer de cólon ou reto em até 18%. Já para carnes vermelhas não processadas, o risco aumenta 17% para cada 100 gramas consumidas diariamente.

Esse número pode parecer grande, mas trata-se de risco relativo e não risco absoluto. Vamos pôr em números para facilitar a compreensão.

Nos países ocidentais, a média de casos novos de câncer entre os indivíduos que consomem baixa quantidade de carne vermelha é de 56 casos para cada 1000 pessoas.

Já entre aqueles que consomem grandes quantidades de carne vermelha, a incidência é de 66 casos para cada 1000 pessoas. Ou seja, para cada 1000 pessoas que deixam de comer carne vermelha, teremos 10 casos a menos de câncer colorretal.

O relatório mostra que o aumento do risco de câncer colorretal é pequeno, mas eleva-se progressivamente conforme a quantidade de carne vermelha consumida diariamente aumenta. O relatório, porém, não encontrou evidências suficientes que permitam a estipulação de uma quantidade segura de carne vermelha que possa ser consumida por dia.

Atualmente, o recomendado é um consumo diário de no máximo 70 gramas de de carne vermelha (500 gramas por semana no total). Sendo assim, se você hoje comeu aquele bifão de 200 gramas, o ideal é que nos próximos 3 dias, a sua fonte de proteínas animal seja ovos, aves ou peixes.

Alguns nutricionistas são mais radicais e sugerem o consumo de apenas 300 mg de carne vermelha por semana.

Infelizmente, como já foi referido, as evidências científicas nos mostram claramente que a redução do consumo de carnes vermelhas pode evitar novos casos de câncer, mas os estudos ainda não conseguiram demonstrar a quantidade exata de carne que pode ser consumida diariamente ou semanalmente com segurança.

Dúvidas comuns

Quais são as carnes que são consideradas carnes vermelhas?

São consideradas carnes vermelhas as carnes de vaca, porco, carneiro, cavalo e cabra.

Quais são as carnes que são consideradas carnes vermelhas processadas?

Carne processada é qualquer carne que tenha sido salgada, curada, defumada ou fermentada com intuito de melhorar o sabor ou otimizar a sua conservação. Neste processo estão incluídos alimentos como: salsichas, linguiças, salame, presuntos, carne enlatada, bacon e molhos à base de carne.

Carnes processadas de outros animais, como o peru, também são perigosas?

O relatório da OMS só diz respeito às carnes vermelhas. Não há evidências de que as carnes não processadas de peixe, frango e peru provoquem câncer.

Entretanto, quando falamos de carnes brancas processadas (salgada, curada ou defumada), existem sim algumas evidências de que há um maior risco de câncer.

Estas evidências, porém, não tão fortes como as da carne vermelha, a ponto de classificá-las no grupo 1.

É indicado parar de comer carne vermelha?

Não, os estudos não apontam para uma necessidade de interromper completamente o consumo de carne vermelha.

O que os estudos mostram é que a carne vermelha não é a melhor opção de proteína animal, e que o seu consumo excessivo está claramente ligado a um maior risco de câncer do intestino.

A carne vermelha pode continuar sendo consumida, mas ela não deve ser a principal fonte de proteína animal da sua dieta ao longo da semana.

Se eu parar de comer carne vermelha não posso ter algum carência de vitamina ou nutrientes?

Não, contanto que a sua dieta seja balanceada, não há nenhuma substância essencial à nossa saúde que seja exclusiva das carnes vermelhas.

Os cientistas vivem mudando de ideia sobre as orientações dietéticas, quem garante que daqui a alguns anos a carne vermelha não deixará de considerada danosa?

Essa ideia de que a ciência vive mudando de ideia é, na verdade, consequência da falta de entendimento de uma parcela relevante da população sobre como a ciência funciona. Existe uma diferença grande entre consenso científico e aquilo que a imprensa leiga vive divulgado para a sociedade.

Toda e qualquer recomendação científica deve ser graduada de acordo com o seu grau de evidência.

Quando dizemos que a associação da carne vermelha processada com o câncer tem nível 1 de evidência, isso significa que a recomendação é baseada em evidências muito convincentes, o que significa que é muito pouco provável que no futuro essa orientação possa mudar.

Muitas vezes vemos estudos de pouca qualidade ganharam destaque na imprensa leiga simplesmente porque os seus resultados são curiosos ou inesperados. A ciência não é feita apenas com um ou dois estudos.

Um exemplo simples é o risco de câncer associado ao uso de telefone celular. Todo mundo já ouviu falar de estudos que apontam para um risco maior de câncer de cérebro associado ao uso de telefones celulares.

Porém, o que ninguém diz é que nenhum dos estudos foi considerado de grande qualidade, motivo pelo qual as ondas de radiofrequência dos celulares são classificadas pelo IACR apenas com grupo 2B, que é o grupo mais baixo em termos de evidências científicas desta classificação.

Portanto, apesar de existirem alguns estudos sugerindo uma associação entre câncer e telefones celulares, do ponto de vista científico ninguém pode afirmar que essa relação esteja comprovada.

Que tipos de cânceres estão associados ao consumo de carne vermelha processada?

O Grupo de Trabalho da IACR concluiu que a ingestão de carne processada provoca câncer colorretal. Uma associação com o câncer de estômago também foi observada, mas, neste caso, as evidências não são conclusivas até o presente momento. São necessários mais estudos para que possamos confirmar ou descartar essa associação.

Que tipos de cânceres estão associados ao consumo de carne vermelha não processada?

As evidências, ainda que não tão fortes quanto as das carnes processadas, apontam para uma associação da ingestão de carne vermelha não processada com maior um risco para o câncer colorretal.

Há também evidências, bem mais fracas porém, de que as carnes vermelhas possam também aumentar o risco de câncer de pâncreas e câncer de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento).

Источник: https://www.mdsaude.com/nutricao/carne-vermelha-cancer/

5 razões para comer menos carne vermelha

CARNE VERMELHA PROVOCA CÂNCER?

As carnes vermelhas provenientes de amimais como boi, ovelha, carneiro e porco são uma excelente fonte de proteínas, vitamina B3, B6 e B12 e minerais essenciais para o organismo como o ferro, zinco e selênio, podendo ter diversos benefícios para a saúde quando fazem parte de uma alimentação saudável e balanceada.

No entanto, quando consumida diariamente e em excesso, e quando se consome cortes com maior teor de gordura, as carnes vermelhas podem causar problemas de saúde, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, principalmente.

Esse risco é maior quando se consome carnes vermelhas processadas, como a salsicha, o salame e o chouriço, por exemplo, já que possuem elevado nível de sódio, conservantes e outros aditivos químicos que acabam sendo mais danosos ao organismo que a carne vermelha em si, estando associada a um maior risco de morte prematura.

As principais razões pelo qual se recomenda diminuir o consumo de carnes vermelhas durante a semana são:

1. Aumenta o risco de doenças cardíacas

O consumo diário de carnes vermelhas aumenta o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, podendo haver alteração no funcionamento do coração, aumento do colesterol, aterosclerose e pressão alta. Isso acontece devido ao fato desse tipo de carne conter gorduras saturadas, colesterol e no caso das carnes processadas, sódio e aditivos como nutratos e nitritos, que são prejudiciais para a saúde.

É importante mencionar que mesmo com a retirada do excesso de gordura visível na carne antes e depois do cozimento, a gordura permanece entre as fibras musculares.

O que é recomendado: É recomendado dar preferência aos cortes de carne vermelha com menos gordura, reduzir o consumo entre 2 a 3 vezes por semana e grelhada, evitando as frituras e molhos. Também é importante restringir ao máximo o consumo de carnes processadas, pois são as mais prejudiciais à saúde.

2. Aumenta o risco de câncer

O excesso de carne vermelha, principalmente quando acompanhado de um baixo consumo de frutas, legumes, verduras e grãos integrais, aumenta o risco de câncer de cólon, principalmente. Além disso, alguns estudos também relacionaram o excesso de carne vermelha com outros tipos de câncer, como o de estômago, faringe, reto, mama e próstata.

Isso acontece porque esse tipo de carne aumenta a inflamação no intestino, principalmente as carnes processadas como bacon, salsicha e linguiça, favorecendo alterações nas células que podem gerar inflamação e câncer.

Os estudos sobre o tema são bastante limitados, no entanto alguns sugerem que é possível que esse efeito não seja de fato da carne, mas sim de alguns componentes que foram formados durante o seu cozimento, principalmente quando cozinhada a elevadas temperaturas.

O que é recomendado: É indicado evitar que a carne cozinhe por muito tempo e que fique exposta diretamente à chama, assim como o cozimento em elevadas temperaturas deve ser evitado. Também é importante evitar o consumo de carne fumada ou queimada e, caso isso aconteça, é recomendado retirar essa parte.

Além disso, preparar a carne com cebola, alho e/ou azeite de oliva poderia ajudar a eliminar um dos componentes danosos que é formado durante o cozimento. O ideal é preparar as carnes em uma superfície quente para evitar adicionar algum tipo de azeite ou gordura vegetal, permitindo que a própria carne libere a dua própria gordura.

3. Poderia aumentar a acidez do sangue

As dietas mais ácidas que contém um elevado consumo de carnes vermelhas, açúcares e um baixo consumo de frutas e vegetais, estão associadas com um aumento do risco de desenvolvimento de doenças renais e diabetes, diferentemente das dietas mais alcalinas, em que há maior consumo de frutas, vegetais, frutos secos e menor teor de proteína.

Alguns estudos indicam que o consumo em excesso de carnes vermelhas, principalmente as processadas, poderiam aumentar a acidez no organismo.

Acredita-se que isso poderia causar dano nos tecidos, o que pode sua vez iniciaria um processo inflamatório, resultando em diversas consequências para a saúde.

No entanto, os resultados desses estudos científicos são variados, sendo necessária a realização de mais investigações à respeito.

O que é recomendado: Aumentar o consumo de frutas, vegetais, nozes, pescados, carnes brancas e alimentos ricos em fibras, diminuindo o consumo de carnes vermelhas, principalmente as processadas.

4. Poderia favorecer infecções intestinais resistentes aos antibióticos

O uso frequente de antibióticos nos animais pode estimular o aparecimento de bactérias mais resistentes nesses animais. Após o abatimento e durante o processamento para a alimentação, as bactérias resistentes desses animais podem contaminar a carne ou outros produtos de origem animal, aumentando o risco de infecção intestinal nas pessoas por microrganismos resistentes.

O que é recomendado: Lavar as mãos logo após manipular carnes cruas, lavar os utensílios antes de utilizar com outros alimentos (para evitar a contaminação cruzada), evitar o consumo de carnes cruas e evitar manter a carne sem refrigeração por mais de 2 horas.

Além disso, o ideal é que a carne vermelha seja proveniente de produtores ecológicos, já que os animais são alimentados de forma mais natural possível, são criados ao ar livre e não são utilizados medicamentos ou substâncias químicas e, por isso, sua carne é mais saudável não só para as pessoas mas também para o meio ambiente.

Источник: https://www.tuasaude.com/5-razoes-para-comer-menos-carne-vermelha/

Estudos mostram a relação entre carne vermelha e câncer

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Com cada vez mais frequência, pesquisadores de todo o mundo encontram relação direta entre o consumo de carne vermelha e câncer. Por exemplo, um relatório recente da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontou que o consumo excessivo de bacon e outras carnes processadas pode ser tão nocivo à saúde quanto o cigarro, no que diz respeito ao aparecimento de tumores.

Equilíbrio é sempre fundamental. E isso também vale para o consumo de carnes de vaca, de cordeiro e de porco, as mais associadas ao surgimento de câncer colorretal e de pulmão, entre outros.

Relação entre carne vermelha e câncer

O nutricionista Javier Vilanova falou sobre o assunto em uma palestra na feira Gluten Free, que aconteceu em julho em São Paulo. O evento teve patrocínio da Jasmine.

Segundo o especialista, há diversos estudos que associam o consumo elevado desse tipo de proteína animal a um maior risco de desenvolver câncer. Homens que comem carne têm duas vezes mais chances de desenvolver câncer de próstata.

“O consumo em excesso de carne vermelha ainda pode aumentar em 40% as chances de ter câncer de cólon”, afirma Javier.

O nutricionista lembra que o Uruguai, grande consumidor de carne vermelha, é o país que mais apresenta esse tipo de câncer na América Latina. No Brasil, o Rio Grande do Sul está entre os estados com as mais altas taxas de câncer colorretal, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer). O estado é conhecido pelo alto consumo de churrasco.

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É preciso, no entanto, ter em mente que esses riscos estão ligados ao consumo excessivo do alimento.

Especialistas definem como ingestão excessiva de carne vermelha o consumo diário acima de 85g de carne bovina, cordeiro ou porco para homens e de 56g para mulheres.

  Já o consumo em excesso de carne processada (presunto e outros embutidos, bacon, salsicha) é definido como 28g cinco vezes por semana para homens e duas vezes por semana para mulheres.

O Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos divulgou que a ingestão desse tipo de carne está ligada a outras doenças, como diabetes e doenças cardíacas.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas norte-americanos avaliaram 534 mil adultos com idades entre 50 e 71 anos.

O resultado mostrou que as pessoas que consumiram mais carne vermelha tiveram um risco 26% maior de morrer por uma variedade de causas do que aquelas que comeram menos. Em contrapartida, aquelas que ingeriram mais carne branca tiveram 25% menos chances.

Preparo da carne

O principal risco em relação à carne vermelha está relacionado à forma como é preparada. Quando o alimento é exposto a elevadas temperadas, especialmente ao fritar, são formadas substâncias cancerígenas, chamadas aminas heterocíclicas.

O mesmo acontece com o churrasco. Isso porque a fumaça do carvão libera outras substâncias cancerígenas, chamadas alcatrão e hidrocarbonetos policíclicos. Por isso, deve-se tirar as partes tostadas mais escuras da carne assada antes de consumi-la.

Para reduzir esses riscos, a melhor opção é consumir a carne vermelha cozida. Vale ainda mariná-la no limão, alho e cebola, uma vez que essa combinação previne a formação dessas substâncias.  Para inibir as formações das aminas heterocíclicas, outra alternativa é levar a carne ao micro-ondas, antes de ir ao forno. Assim, ela ficará menos tempo exposta ao fogo.

Embora a carne tostada aumente as chances de desenvolver essa doença, não é indicado o consumo da carne malpassada. Isso porque há mais chances de o alimento conter parasitas.

Tantos fatores levam a crer que a melhor forma de prevenção é mesmo reduzir o consumo da carne vermelha. O INCA sugere que o consumo total de carne de boi, porco, cordeiro e bode não ultrapasse 300 gramas por semana.

Excesso de ferro

Embora seja um mineral importante para o organismo, o excesso de ferro também é visto como um fator desencadeante para o câncer. Isso porque o nutriente pode agredir as células do intestino grosso.

Quem deseja reduzir o consumo de carne e não sofrer com carência de ferro deve aumentar o consumo de outros alimentos ricos nesse mineral.

A quinoa, o feijão e os vegetais folhosos verde-escuros (como couve e espinafre) são boas opções e devem ser ingeridos sempre com um alimento rico em vitamina C, para aumentar a absorção de ferro pelo organismo.

Источник: https://www.jasminealimentos.com/alimentacao/relacao-entre-carne-vermelha-e-o-cancer/

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