Cateterismo cerebral: o que é e possíveis riscos

Aneurisma cerebral

Cateterismo cerebral: o que é e possíveis riscos

Aneurisma cerebral é uma dilatação que se forma na parede enfraquecida de uma artéria do cérebro. Conheça os riscos associados e as formas de tratamento.

Aneurisma cerebral, ou aneurisma sacular, é uma dilatação que se forma na parede enfraquecida de uma artéria do cérebro.

A pressão normal do sangue dentro da artéria força essa região menos resistente e dá origem a uma espécie de bexiga que pode ir crescendo lenta e progressivamente.

Os maiores riscos desse afrouxamento do tecido vascular são ruptura da artéria e hemorragia ou compressão de outras áreas do cérebro.

Veja também: Leia uma entrevista sobre aneurismas

Uma pessoa pode nascer com tendência à fragilidade dos vasos e à formação de aneurisma cerebral, mas são raros os aneurismas congênitos. A maior parte deles ocorre por conta da pressão alta sem tratamento.

Problemas que afetam as fibras elásticas do organismo, como as síndromes de Marfan e de Ehlers-Danlos (relacionadas também à dissecção de aorta), também predispõem à formação de aneurismas cerebrais.

Em geral, os episódios de ruptura e sangramento ocorrem a partir dos 50 anos, afetam mais as mulheres e tornam-se mais comuns à medida que a pessoa envelhece.

Aneurisma cerebral é uma doença grave. Apenas 2/3 dos pacientes sobrevivem, e cerca de metade dos que sobrevivem permanece com sequelas importantes que comprometem a qualidade de vida.

Fatores de risco para aneurisma cerebral

  • Predisposição familiar (15% dos portadores de aneurisma pertencem a uma família em que a incidência da enfermidade é maior);
  • Hipertensão (pressão alta facilita tanto o desenvolvimento como a ruptura dos aneurismas);
  • Dislipidemia (aumento dos níveis de colesterol e triglicérides);
  • Diabetes;
  • Cigarro;
  • Excesso de álcool;
  • Mulheres têm prevalência um pouco maior desse problema.

Sintomas de aneurisma cerebral

Um aneurisma cerebral pequeno costuma ser assintomático. Quando cresce, pode comprimir uma estrutura cerebral e provocar sintomas que variam conforme a área do cérebro afetada.

A manifestação mais evidente dos aneurismas ocorre quando há ruptura seguida de hemorragia. O principal fator que leva ao rompimento é a hipertensão descontrolada. Quando o sangramento é abundante, ele pode ser fatal.

A intensidade dos sintomas está diretamente relacionada ao tamanho e a extensão do sangramento. Os mais comuns são:

  • Dor de cabeça súbita (aparecer de repente é mais característico que uma intensidade forte);
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Perda de consciência.

Diagnóstico de aneurisma cerebral

A angiotomografia e a angiorressonância magnética são exames fundamentais para o diagnóstico de aneurisma cerebral. O ideal seria que fossem detectados precocemente, antes de sangrarem, mas isso raramente acontece porque tal avaliação não está incluída na rotina dos check-up.

Tratamento do aneurisma cerebral

Diagnosticado o aneurisma cerebral, a indicação cirúrgica precisa levar em conta seu tamanho (geralmente indica-se cirurgia para aneurisma iguais ou maiores que 5 milímetros) e as condições clínicas do paciente, uma vez que o risco da cirurgia deve ser menor do que o oferecido pela história natural da evolução da doença.

Em geral, a cirurgia é uma possibilidade em casos de aneurismas Caso se opte pela cirurgia, o objetivo é fechar o aneurisma para excluí-lo, preservando a artéria que o nutre, porque todas as áreas do cérebro são nobres e morrem se não forem irrigadas.

O procedimento pode ser realizado de forma aberta ou por via endovascular.

Na primeira alternativa, é aberta uma janelinha no crânio para que se possa ter acesso ao cérebro e, com o uso de instrumentos específicos, a porção mais estreita do aneurisma é fechada por um clipe metálico.

Pela via endovascular, um cateter é introduzido pela virilha e guiado até a região do aneurisma. O cateter conduz pequenas molas delicadas, que se enrolam no interior do aneurisma e formam um coágulo que impede o sangramento.

A pessoa que não deve, não pode ou não quer ser operada precisa manter controle rigoroso da pressão arterial, não fumar e evitar esforços físicos.

No tratamento dos aneurismas cerebrais, a embolização por via endovascular é hoje uma importante forma terapêutica. Em geral, as equipes atuam de forma multidisciplinar na decisão de qual metodologia será a melhor e mais confortável abordagem para cada tipo de aneurisma e cada condição física do paciente.

Recomendações para lidar com aneurismas cerebrais

  • Mantenha em níveis adequados a pressão arterial;
  • Exerça controle efetivo sobre as taxas de colesterol e triglicérides;
  • Não fume;
  • Caso você tenha um aneurisma e não tenha indicação de cirurgia, evite esforço físico exagerado;
  • Esteja atento: dor forte de cabeça, que surge repentinamente, como se você tivesse levado uma pancada, seguida de enjoos e vômitos, indica a necessidade urgente de atendimento médico-hospitalar;
  • Informe seu médico sobre a ocorrência de casos de aneurisma em sua família, principalmente se for um irmão gêmeo ou houver dois ou mais familiares com o problema. Isso ajuda a organizar um planejamento preventivo de exames.

Perguntas frequentes sobre aneurisma cerebral

Qual a diferença entre aneurisma cerebral e AVC?

O acidente vascular cerebral (AVC) designa um evento que provoca problemas de vascularização do cérebro. Pode ser do tipo isquêmico (quando um vaso é obstruído) ou hemorrágico (quando um vaso se rompe). O aneurisma cerebral é uma das principais causas de AVC hemorrágico.

O que é aneurisma cerebral roto?

Esse é o termo usado para designar o aneurisma que se rompeu e casou um sangramento.

Estresse pode levar ao rompimento de um aneurisma?

O estresse em si, não. Contudo, como ele pode levar a alterações na pressão, é um fator de risco para o rompimento. O mesmo vale para esforço físico muito intenso.

Existem medicamentos para tratar aneurisma?

Não, o tratamento é cirúrgico.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/aneurisma-cerebral/

Aneurisma cerebral: o que é, sintomas e tratamentos

Cateterismo cerebral: o que é e possíveis riscos

Um aneurisma cerebral (CID 10 – I67.1) é a dilatação da parede de um vaso sanguíneo (artéria) no cérebro. O aneurisma pode gerar sequelas graves – como um acidente vascular cerebral (AVC).

Cerca de 1 a 6% da população têm algum tipo de aneurisma cerebral. Porém, de acordo com a Sociedade Brasileira de Neurologia, a mortalidade causada pelo aneurisma cerebral é pequena (cerca de 2%), quando o quadro é descoberto precocemente.

Apenas um pequeno número desses aneurismas causam sintomas, normalmente decorrentes de seu crescimento e/ou ruptura.

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Sintomas de Aneurisma cerebral

A maioria dos pacientes com aneurisma cerebral não apresentam sintomas. Nesses casos, a doença só é identificada quando a pessoa passa por uma ressonância magnética ou uma tomografia computadorizada por um outro motivo.

Os sintomas também podem ocorrer se o aneurisma no cérebro empurrar estruturas próximas ou se romper e causar sangramento interno.

Os sintomas do aneurisma cerebral dependem da localização onde ocorreu a ruptura do vaso, se ele se rompeu e da parte do cérebro que está sendo comprimida. De forma geral, os sintomas incluem:

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Uma dor de cabeça forte e súbita pode ser um sintoma de que um aneurisma se rompeu. Outros sintomas de rompimento de um aneurisma são:

Ilustração mostra parede da artéria dilatada (figura abaixo) e rompimento dessa artéria (acima) – Imagem: Shutterstock

  • Confusão mental, letargia, sonolência ou estupor
  • Queda da pálpebra
  • Dor de cabeça acompanhada de náusea e vômito
  • Fraqueza muscular ou dificuldade de mobilidade de qualquer parte do corpo
  • Dormência ou diminuição da sensibilidade de qualquer parte do corpo
  • Convulsões
  • Fala prejudicada
  • Rigidez no pescoço (ocasionalmente)

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Causas

O aneurisma cerebral surge quando há uma região enfraquecida na parede de um vaso sanguíneo. Um aneurisma pode estar presente desde o nascimento (congênito) ou pode se desenvolver mais tarde, como depois que um vaso sanguíneo é lesionado.

Tipos

Existem diversos tipos possíveis de aneurismas cerebrais. Os principais são:

  • Aneurismas saculares: dilatação de até 2 centímetros
  • Aneurismas saculares gigantes: costumam ter mais de 2 centímetros
  • Aneurismas saculares múltiplos: herdados com mais frequência do que os outros tipos

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Outro tipo de classificação de aneurismas cerebrais consiste em:

  • Aneurisma fusiforme: alargamento de um vaso sanguíneo inteiro
  • Aneurisma balão: parece como um “balão” na parte externa de um vaso sanguíneo

Tais aneurismas podem ocorrer em qualquer vaso sanguíneo que alimente o cérebro. Podem ser causados por várias razões, entre elas hipertensão arterial (aterosclerose), traumas e infecções, que podem lesionar a parede do vaso.

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Exame de imagem aponta paredes de artérias dilatadas no cérebro, indicando aneurisma cerebral – Foto: Shutterstock

O AVC é a perda de circulação e oxigenação no cérebro, que pode ser uma consequência de um aneurisma cerebral. Portanto, são doenças que podem estar interligadas, mas não são sinônimas.

Como no aneurisma cerebral ocorre um alargamento anormal na parede de uma artéria, é possível que haja um rompimento desse vaso sanguíneo e, então, ocorra um AVC.

Fatores de risco

Vários fatores podem contribuir para o enfraquecimento de uma parede arterial e, assim, aumentar o risco de aneurisma cerebral. Confira:

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  • Idade: adultos são mais propensos a ter um aneurisma cerebral do que uma criança
  • Sexo: mulheres são mais propensas a adquirir a doença do que homens
  • Tabagismo
  • Hipertensão
  • Aterosclerose
  • Uso de drogas, especialmente cocaína
  • Ferimento na cabeça
  • Consumo excessivo de álcool
  • Infecções sanguíneas específicas
  • Em mulheres, níveis inferiores de estrogênio após a menopausa

Buscando ajuda médica

Vá para o pronto-socorro ou ligue para o serviço de emergência local (como 192, no caso de São Paulo) caso ocorra uma dor de cabeça muito forte ou súbita, principalmente se vier acompanhada de náusea, vômito, convulsões ou qualquer outro sintoma neurológico.

Busque também a emergência se a dor de cabeça não for comum, principalmente se for grave.

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Atenção: o rompimento de um aneurisma é uma emergência médica. Procure ajuda imediatamente.

Na consulta médica

Aneurismas cerebrais são geralmente identificados quando já houve ruptura e quando se tornam um caso de emergência médica.

Por isso, é importante que o paciente anote todos os seus sintomas e descreva-os ao médico, bem como estar preparado para responder às perguntas que ele deverá fazer. Caso esteja com confusão mental, é importante ter um acompanhante que saiba descrever seus sintomas.

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Para aneurisma cerebral, algumas perguntas que o médico poderá fazer são:

  • Você fuma?
  • Você consome bebidas alcoólicas? Com que frequência e em quais quantidades?
  • Você faz uso de alguma droga?
  • Você está tomando medicamentos para hipertensão, colesterol alto ou outra condição cardiovascular?

Diagnóstico de Aneurisma cerebral

Um exame ocular pode mostrar pressão elevada dentro do cérebro (pressão intracraniana elevada), incluindo inchaço do nervo óptico ou sangramento na retina. Um exame neurológico pode revelar movimento anormal dos olhos, problemas na fala, na força e na sensibilidade.

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Os seguintes exames podem ser usados para diagnosticar aneurisma cerebral e para determinar a causa do sangramento no cérebro:

  • Tomografia computadorizada da cabeça
  • Ressonância magnética da cabeça
  • Angiografia cerebral ou angiografia por tomografia computadorizada espiral da cabeça para revelar a localização e o tamanho do aneurisma

Tomografia diagnóstica de aneurisma cerebral – Foto: Shutterstock

Tratamento de Aneurisma cerebral

Um aneurisma que se rompe é uma emergência que precisa de tratamento médico e muitas vezes requer cirurgia.

Um tratamento possível é a cirurgia de clipagem, uma forma de reparar um aneurisma. O procedimento consiste na realização de um pequeno corte no crânio (craniotomia) e colocação de um clipe metálico para fechar o aneurismo depois que é identificada a artéria dilatada e rompida.

Mesmo que não ocorram sintomas, seu médico poderá recomendar um tratamento para evitar uma futura ruptura fatal. Mas nem todos os aneurismas precisam ser tratados imediatamente. Os aneurismas muito pequenos têm menos probabilidade de se romper.

Em caso de o paciente estar muito doente para se submeter a uma cirurgia ou se a localização do aneurisma colocar grande risco à realização de uma cirurgia, o médico poderá optar, então, por outros meios de tratamento, como:

  • Repouso total e restrições a atividades físicas
  • Medicamentos específicos para evitar convulsões
  • Medicamentos para controlar dores de cabeça e a pressão arterial

Convivendo/ Prognóstico

Se não tiver acontecido o rompimento do aneurisma cerebral, o paciente deverá tomar algumas medidas para evitar que isso aconteça. Veja:

  • Não fume e não faça uso recreativo de drogas
  • Alimente-se corretamente e siga uma dieta saudável acompanhada de exercícios físicos regulares
  • Limite o seu consumo de cafeína: essa substância é um estimulante que pode contribuir para o aumento da pressão arterial

Complicações possíveis

Quando ocorre o rompimento de um aneurisma cerebral, o sangramento causado geralmente não dura mais que alguns segundos. No entanto, o sangue pode provocar danos irreversíveis às células do cérebro que estão localizados ao redor do aneurisma, incluindo a morte celular.

O rompimento do aneurisma pode, também, aumentar a pressão dentro do crânio. Nesse caso, se a pressão tornar-se muito elevada, o fluxo de sangue e de oxigenação no cérebro pode ser interrompido, causando perda de consciência e podendo levar a pessoa até mesmo a óbito.

Após o rompimento do aneurisma, outras complicações mais sérias podem ocorrer também, entre elas:

Um aneurisma que se rompeu e provocou sangramento pode voltar a sangrar novamente, o que pode causar ainda mais danos às células do cérebro.

Após a ruptura, os vasos sanguíneos do cérebro podem se contrair involuntariamente, num movimento conhecido como vasoespasmo. Isso pode interromper o fluxo sanguíneo para as células do cérebro e provocar um derrame, além de causar outros danos e morte celular.

Quando um aneurisma cerebral se rompe, geralmente ocorre uma hemorragia subaracnóidea, que é justamente o vazamento de sangue para o tecido cerebral ao redor do aneurisma. Nesses casos, pode ocorrer hidrocefalia, quando o sangue interrompe a circulação do líquido cefalorraquidiano.

Ainda, uma hemorragia subaracnóidea pode desregular a quantidade de sódio no sangue (hiponatremia) e causar danos irreversíveis às células do cérebro.

Após a ruptura do aneurisma cerebral, o paciente pode vir a entrar em coma e pode, muitas vezes, sofrer danos irreversíveis, como perda permanente de sensibilidade de qualquer parte da face ou do corpo e do movimento de uma ou mais partes do corpo.

Aneurisma cerebral tem cura?

O resultado do tratamento costuma variar de paciente para paciente. Aqueles que entram em coma profundo após o rompimento de um aneurisma geralmente não se recuperam tão bem, quando comparados a pacientes com sintomas menos graves.

Normalmente, a ruptura dos aneurismas cerebrais são fatais. Cerca de 25% das pessoas morrem em 24 horas, e outras 25% morrem em cerca de três meses. Além disso, dos sobreviventes, mais de 25% apresenta algum tipo de incapacidade permanente.

Referências

Revisado por: André Felício, neurologista- CRM: 109665

Ministério da Saúde

Sociedade Brasileira de Neuropsicologia

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/aneurisma-cerebral

10 fatores de risco para o AVC

Cateterismo cerebral: o que é e possíveis riscos

Você está prestes a conhecer o maior e mais importante roteiro sobre como evitar um acidente vascular cerebral (AVC) – e seus sintomas – já elaborado até agora. É assim que pode ser definido o InterStroke, estudo publicado no renomado periódico científico The Lancet.

Capitaneado pela Universidade McMaster, no Canadá, ele reúne informações de 26 mil pessoas de 32 nações diferentes – incluindo o Brasil. Metade dos indivíduos analisados chegou ao hospital após sofrer o entupimento ou o rompimento de um vaso sanguíneo que irriga a cabeça. A outra parcela, por sua vez, não passou por esse baque e serviu de base para a comparação dos resultados.

A primeira conclusão a chamar a atenção: 90% dos casos de AVC não ocorreriam se controlássemos dez fatores que lesam as artérias cerebrais (pressão alta, tabagismo, diabetes…).

Se isso fosse seguido à risca, o número de atingidos todos os anos no mundo cairia de 15 milhões para 1,5 milhão. Só em nosso país reduziríamos em 450 mil episódios a taxa anual de eventos do tipo.

É o equivalente a salvar a cada 12 meses um contingente similar à população de Florianópolis, em Santa Catarina.

O derrame disputa com o infarto a cabeceira no inglório ranking das doenças que mais matam em todo o globo. Como se não bastasse, aqueles que sobrevivem ao ataque convivem com uma série de limitações, como dificuldades para falar e se locomover.

“Precisamos implementar com urgência as medidas de controle sobre esses dez fatores de risco”, afirma o cardiologista Álvaro Avezum, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo e coordenador do InterStroke em terras brasileiras.

A seguir, você confere detalhes e orientações em relação a cada um dos agentes promotores do AVC. Evitá-los é primordial para garantir vida longa e funcional ao cérebro.

1) Hipertensão

Se controlada, diminuiria as taxas de AVC em 47,9%

Ela é disparado o fator de risco campeão. Ajustar a pressão já faria cair ao meio as estatísticas de AVC. “A hipertensão desgasta e provoca lesões nas paredes dos vasos”, explica o médico Marcus Malachias, presidente daSociedade Brasileira de Cardiologia.

Imagine uma mangueira submetida por um bom tempo a uma pressão de água forte. Concorda que uma hora ela vai corroer e rasgar? Pois é algo parecido o que acontece com as artérias do cérebro.

“Para piorar, 90% dos hipertensos não apresentam sintomas e só 20% deles estão com os níveis de pressão equilibrados”, alerta Malachias.

O que você pode fazer

  • Não exagere no sal.
  • Capriche no consumo de vegetais.
  • Verifique a pressão de tempos em tempos.
  • Se for diagnosticado com hipertensão, tome direitinho os medicamentos prescritos.

2) Sedentarismo

Se controlado, diminuiria as taxas de AVC em 35,8%

Ficar parado por muito tempo é péssimo para a saúde como um todo. O desdobramento imediato do sedentarismo é o acúmulo das calorias dos alimentos.

Isso vai desembocar em ganho de peso, hipertensão, diabetes… Já percebeu onde vamos parar, não é? Na contramão, investir numa rotina de atividade física impede esse turbilhão de complicações e, mais importante, tem efeito direto no sistema vascular.

“Quem se exercita com regularidade se beneficia com a produção de substâncias que evitam a formação de placas de gordura e aumentam a capacidade de o vaso contrair e relaxar”, justifica a neurologista Gisele Sampaio, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

O que você pode fazer

  • Escolha um esporte que lhe dê prazer.
  • Crie uma programação semanal de treinos.
  • Busque suporte de profissionais de educação física para ter orientações.
  • Se persistência for seu fraco, forme grupos para suar a camisa. Assim um anima o outro.

3) Colesterol alto

Se controlado, diminuiria a taxa de AVC em 26,8%

“O LDL e os outros tipos do colesterol ruim são os principais responsáveis pelo surgimento de placas que obstruem os vasos”, avisa o cardiologista Raul Dias dos Santos, diretor da Unidade Clínica de Lípides do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.

Segundo o médico, ainda restavam poucas dúvidas sobre o papel do excesso de gorduras na probabilidade de um AVC dar as caras – e a nova publicação acaba com qualquer inquietação. Curiosamente, os estudiosos não mediram no trabalho o LDL e o HDL dos voluntários.

Eles preferiram usar a diferença entre a apolipoproteína B (ApoB) e a apolipoproteína A1 (ApoA1), partículas de proteína ligadas ao colesterol (entenda as razões à direita).

O que você pode fazer

  • Maneire nos alimentos gordurosos ou cheios de açúcar.
  • Faça checkups para ver a quantas anda o seu colesterol todos os anos.
  • Se o médico decidir lançar mão de remédios como as estatinas para abaixar os níveis, siga rigorosamente o tratamento.

4) Dieta ruim

Se controlada, diminuiria a taxa de AVC em 23,2%

Junto com a atividade física, a alimentação constitui o pilar fundamental de uma vida saudável.

“Alguns nutrientes, como o ômega-3 dos peixes e das nozes, têm ação nas artérias, preservando-as de processos inflamatórios e da formação de coágulos”, exemplifica a nutricionista Rosana Perim, do Hospital do Coração, em São Paulo.

O estudo tomou como base de uma dieta ideal o Alternate Healthy Eating Index, roteiro criado nos Estados Unidos que traz recomendações gerais de nutrição. Dá pra conferir as suas premissas à direita.

O que você pode fazer

O novo guia separa em três partes as diretrizes alimentares

Consumir seis componentes com frequência:

  • Verduras
  • Frutas
  • Grãos integrais
  • Castanhas
  • Legumes
  • Ômega-3

Usufruir de um item de forma moderada:

Ingerir com muita moderação:

  • Bebidas açucaradas
  • Carne vermelha e processada
  • Gordura trans
  • Sódio

5) Obesidade

Se controlada, diminuiria a taxa de AVC em 18,6%

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Os quilos extras andam de mãos dadas com hipertensão, colesterol nas alturas, diabetes… “Fora que a obesidade central, quando a gordura se acumula na região da barriga, é particularmente nociva porque libera substâncias perigosas para as artérias”, informa Malachias. No InterStroke, para saber se um voluntário estava acima do peso, foi levada em conta a relação cintura-quadril, uma medida simples e fácil de ser feita. “Ela é mais fidedigna que o popular índice de massa corporal, o IMC”, compara Malachias.

O que você pode fazer

  • Aprenda a calcular sua relação cintura-quadril: com uma fita métrica, meça o diâmetro de sua cintura, perto da altura do umbigo. Repita o procedimento para obter o tamanho do quadril, nas nádegas. Divida o primeiro valor pelo segundo. Números maiores que 0,8 para mulheres e 0,9 para homens são sinal de encrenca. Atenção: as brasileiras costumam ter o quadril largo, o que confundiria os prognósticos.
  • Se preciso, peça ajuda de um expert para emagrecer.

6) Estresse

Se controlado, diminuiria a taxa de AVC em 17,4%

Tensão exacerbada e transtornos como ansiedade e depressão figuram em sexto lugar no ranking dos malfeitores. “O InterStroke considerou como o estresse abala o sujeito em quatro domínios: família, sociedade, trabalho e finanças”, descreve Avezum.

A partir de entrevistas, os autores chegavam à conclusão de como se encontrava o bem-estar mental de cada um. Isso é significativo porque há uma relação direta entre nervosismo constante e alterações circulatórias capazes de gerar uma pane cerebral.

“No sentido contrário, quem é espiritualizado e calmo possui um risco menor de enfrentar o problema”, nota Sheila Martins. Motivo extra para descansar e esfriar a cabeça de uma vez por todas.

O que você pode fazer

  • Reserve um horário de seu dia para fazer coisas que deem prazer e alegria.
  • Não consegue se desligar? Que tal apostar em técnicas como a meditação e o mindfullness?

7) Tabagismo

Se controlado, diminuiria a taxa de AVC em 12,4%

Eis um vilão antigo e que ainda cobra campanhas. O cigarro lesa a camada interna dos vasos, deixa os tubos sanguíneos mais estreitos e acelera o aparecimento de placas de gordura – quadro propício para infartos e AVCs. “Felizmente, o hábito de fumar vem diminuindo bastante no Brasil nos últimos anos, graças ao movimento de conscientização e às novas leis”, comemora Sheila.

O que você pode fazer

  • Existem diversos métodos e até remédios que auxiliam a largar o vício.
  • Elabore uma lista com fatos decisivos para desistir do tabaco. Assim, fica mais fácil resistir se vier a tentação de voltar.
  • Grupos de apoio apaziguam as aflições da abstinência.

8) Doenças cardíacas

Se controladas, diminuiriam a taxa de AVC em 9,1%

A arritmia, distúrbio em que as batidas do coração ficam fora de ritmo, dáum incentivo danado para o surgimento de coágulos.

“E, algumas vezes, eles viajam até o cérebro e causam AVC”, relata o neurologista Márcio Bezerra, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Para evitar essa repercussão, pessoas diagnosticadas com a condição necessitam engolir alguns comprimidos, como anticoagulantes.

O que você pode fazer

  • Visite o cardiologista de tempos em tempos. Um simples eletrocardiograma é suficiente para flagrar arritmias.
  • Uma vez que a falha no peito é detectada, converse com o doutor sobre os recursos terapêuticos disponíveis.

9) Alcoolismo

Se controlado, diminuiria a taxa de AVC em 5,8%

“Em pequenas quantidades diárias, o que significa no máximo uma taça de vinho, as bebidas levam a um relaxamento dos vasos”, adianta Rosana Perim. Se exceder no álcool, porém, dá-lhe encrenca.

“As artérias ficam mais apertadas e rígidas, o que dificulta e até trava o transporte de nutrientes”, completa a nutricionista. O recado, mais uma vez, é moderação: fique esperto e nada de abusar dos drinques.

Caso não tenha o costume de beber, não há necessidade de criar o hábito pensando em saúde.

O que você pode fazer

  • Maneire nas doses
  • Se for o caso, converse com um profissional

10) Diabetes

Se controlado, diminuiria a taxa de AVC em 3,9%

O relato dos participantes e o exame de hemoglobina glicada (que mostra a variação nas taxas de açúcar de três meses)serviram para determinar quem era diabético.

Mas a influência desse problema no risco de AVC ficou abaixo do esperado, o que gerou estranheza.

“Sabemos que o diabetes faz subir o risco de lesões nos vasos, mas talvez seu peso seja inferior ao da pressão e do colesterol”, reflete o cardiologista Otavio Gebara, diretor médico do Hospital Santa Paula, na capital paulista.

O que você pode fazer

  • Seja comedido nos doces e nos carboidratos em geral.
  • Adotar uma vida ativa mantém a glicose dentro dos parâmetros saudáveis.
  • A glicemia de jejum precisa sempre estar menor que 99 mg/dl. Entre 100 e 125 mg/dl é pré-diabetes. Acima de 126 mg/dl já se instalou a doença.
  • Se for diabético, monitore a glicemia e siga o esquema terapêutico.

O papel do ambiente

Outro estudo de peso recém-publicado no The Lancet foi o Global Burden Disease, que fez uma análise da mortalidade de uma série de enfermidades pelo mundo. E os dados apontam que 29% dos casos de AVC são atribuíveis à poluição. De 1990 a 2013, houve um aumento de 33% na atuação das partículas tóxicas como estopins de derrames. O combate à poluição é crucial inclusive à saúde pública.

Como socorrer alguém que teve um derrame?

A dica é ficar atento aos sinais.

“Entre eles, destacam-se perda de força e dormência nos membros, dificuldade para enxergar ou se comunicar, tontura, falta de equilíbrio e dor de cabeça súbita e insuportável”, enumera a neurologista Sheila Martins, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Se você notar alguns deles, ligue para o serviço de emergência. O atendimento rápido poupa vidas e a maioria das sequelas graves.

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Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/conheca-10-fatores-de-risco-para-o-avc/

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