Colecistite aguda e crônica: o que são, sintomas e tratamento

Pedra na vesícula (cálculo biliar) – Casusas, Sintomas e Tratamentos

Colecistite aguda e crônica: o que são, sintomas e tratamento

Pedra ou cálculo da vesícula é uma doença extremamente comum na população mundial. Cerca de 20% das pessoas tem pedra (cálculo) na vesícula. Mais de 30 milhões de brasileiros tem esse problema.

Causas da pedra na vesícula

  • Idade: Apesar desta doença poder acometer até crianças, ela aumenta com idade e é mais comum nos adultos e idosos.
  • Mulher: As pedras da vesícula são mais comuns nas mulheres do que nos homens. Principalmente nas multíparas.
  • Obesidade: Quanto mais gordo, maior a possibilidade de ter pedras na vesícula. Entretanto, os magros também podem ter cálculos de vesícula.
  • Hereditariedade: Pessoas que tem familiares com cálculos possuem mais chance de ter essa doença do que os que não tem.

Sintomas de pedra na vesícula

A pedra na vesícula pode ocasionar sintomas intensos e graves, sendo os mais comuns:

  • Dor intensa na barriga, geralmente do lado direito ou na boca do estomago. Esta dor geralmente dura de 30 minutos a 2 horas, mas quando for mais prolongada pode indicar complicações. Neste caso, procure o seu médico com urgência.
  • Náuseas (enjoo) e vômitos
  • Inflamação ou infecção da vesícula
  • Icterícia (amarelão)
  • Pancreatite aguda

A maioria dos pacientes que tem pedra na vesícula nunca tiveram sintomas.

Não existem dados médicos que permitam determinar quais pacientes terão sintomas. Entretanto, quando o paciente apresenta um dos sintomas acima citados, a possibilidade de repetir o mesmo sintoma ou apresentar uma complicação é muito grande. Assim, nesta situação é importante procurar o seu médico.

A possibilidade de uma pessoa apresentar sintomas ou complicações independe do número ou tamanho das pedras. Às vezes, apenas uma pedra pequena pode ocasionar complicações muito graves, como pancreatite aguda.

Diagnostico de pedra na vesícula

O método mais frequente utilizado para diagnosticar pedra na vesícula é a ultrassonografia de abdome.

A tomografia computadorizada pode não visualizar cálculos em um grande número de pacientes. A ecoendoscopia digestiva alta fica reservada para avaliação de casos seletos, principalmente os correlacionados a microcalculos.

Tratamento de pedra na vesícula

A única forma de tratamento da pedra ou calculo de vesícula é a retirada da vesícula biliar (colecistectomia).

Com o passar dos anos modificamos a forma de abordagem cirúrgica da doença. Inicialmente preconizada a cirurgia aberta vem tornando – se exceção em nosso meio, nos anos 90 padronizada como laparoscopia e nos dias de hoje com a cirurgia minimamente invasiva e aparecimento da cirurgia robótica pode ser realizada com apenas um orifício na região umbilical.

Todos que possuem pedras na vesícula, devem operar?

A maioria dos pacientes que possuem pedra na vesícula não precisam de tratamento. Os que já apresentaram algum sintoma devem ser operados, porque a possibilidade de apresentar complicações torna se elevada.

Pacientes portadores de microcalculos (cálculos < 1 cm) devem ser operados por possuírem resco elevado de migração do calculo e desenvolvimento de pancreatite aguda.

O seu médico ira lhe auxiliar e explicar se a cirurgia for a melhor opção para você.

Após a cirurgia de vesícula devo alterar minha alimentação?

Você não deve alterar sua alimentação após a realização da retirada da vesícula. A vesícula serve apenas para armazenamento da bile e a produção do fígado não será afetada.

Vantagens do tratamento cirúrgico

  • Recuperação rápida do paciente
  • Resolução definitiva da doença
  • Pouca dor pós operatória
  • Mínima cicatriz cirúrgica
  • Mínimo risco infeccioso

Complicações

Apesar dos resultados da cirurgia minimamente invasiva serem excelentes, alguns pacientes podem apresentar complicações, como em qualquer procedimento cirúrgico.

As complicações mais frequentes são

  • Lesões de vísceras loco regionais,
  • Lesões de vias biliares,
  • Infecção,
  • Sangramento,
  • Risco anestésico.

Orientações pós-operatórias

A recuperação da operação é geralmente muito rápida e a maioria dos pacientes retorna as atividades habituais em poucos dias.

Segue algumas dicas para que você tenha uma excelente recuperação:

  • Não existe dieta especial. Uma dieta leve deve ser recomendada pois alguns pacientes podem apresentar náuseas e vômitos nas primeiras 48 horas pós cirúrgicas. Nesse caso dieta a base de líquidos e hidratação deve ser mantida.
  • Dor no ombro é frequente nesse tipo de cirurgia. Está relacionado a irritação do nervo da transição do tórax para o abdome. Nesses casos os analgésicos devem ser intensificados. Esta dor costuma ter curta duração.
  • Geralmente uma cola chamada dermabond é utilizada nos cortes. Você deve lavar o abdome no banho com sabonete liquido e secar com toalha habitual.
  • Você deve realizar curtas caminhadas e inspiração profunda a cada hora para evitar complicações e tromboses.
  • Poderá dirigir após o 3 dia de cirurgia, mas esse ponto deve ser debatido com seu médico.
  • Deve restringir a 10 kg o esforço máximo no primeiro mês. Após esse período você está liberado.
  • Lembre – se as suas duvidas devem ser sanadas antes do procedimento cirúrgico. A sua orientação e colaboração será muito importante para sua recuperação
  • Em caso de complicações você deve entrar em contato com a clinica, e se não for possível deve então retornar ao hospital aonde foi realizado o procedimento e solicitar contato com equipe.

Podemos te ajudar

Muito embora as características principais sejam iguais, os sintomas e até as soluções podem variar bastante entre cada pessoa e por isso a avaliação médica é essencial.

O que é um cirurgião do aparelho digestivo?

Cirurgiões do aparelho digestivo são especialistas no tratamento cirúrgico e não cirúrgico de doenças do aparelho digestivo alto (esôfago, estomago, intestino delgado, pâncreas, vias biliares. Eles completaram o treinamento cirúrgico avançado no tratamento dessas doenças, assim como a formação completa em cirurgia geral.

Os cirurgiões certificados pelo Colégio brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) completam residências em cirurgia geral e cirurgia do aparelho digestivo, e devem passar por testes intensivos (prova de titulo) realizados pela Sociedade Brasileira de cirurgia digestiva. Estes cirurgiões têm conhecimento no tratamento das doenças benignas e malignas do aparelho digestivo, e tem capacidade para realizar exames de detecção rotineiros e tratar cirurgicamente estes problemas caso seja necessário.

Источник: https://www.institutojorgereina.com.br/especialidades/aparelho-digestivo-alto/pedra-na-vesicula/

Colecistite

Colecistite aguda e crônica: o que são, sintomas e tratamento

 A colecistiteaguda é definida como inflamação aguda da vesícula biliar, que geralmente ocorrecomo complicação de um cálculo biliar, embora possa ocorrer sem presença decolelitíase. Os fatores de risco para colecistite são semelhantes àqueles paracolelitíase, como sexo feminino, idade, muitas gestações anteriores eobesidade.

A colecistiteaguda é definida pela presença de dor em quadrante superior direito de abdome,febre e leucocitose associadas a inflamação da vesícula biliar. Cerca de 5 a10% dos casos ocorrem sem cálculo biliar, quadro que é denominado colecistiteacalculose.

colecistite crônica é o termo utilizado para descrever a inflamaçãocrônica com infiltração celular da vesícula biliar. A significância clínica da colecistitecrônica é questionável, e a correlação entre inflamação histológica da vesículabiliar e sintomas é muito pobre.

Em uma revisão sistemática, colecistite agudaocorreu em 6 a 11% dos pacientes com colelitíase em um seguimento médio de 7 a11 anos.

Aobstrução do ducto cístico parece ser o fator crítico no desenvolvimento dainflamação da vesícula biliar, mas não é explicado apenas pela obstrução ealgum outro fator irritativo usualmente; e presente para ocorrer a colecistiteaguda.

Os cálculos biliares são identificados em 95% dos pacientes comcolecistite e podem estar localizados no ducto biliar comum em muitos indivíduoscom colecistite acalculosa.

As causas de obstrução do ducto cístico nãorelacionadas à doença de pedra incluem tumor, linfadenopatia, fibrose,parasitas e torção do ducto, o que leva ao preenchimento e à distensão davesícula biliar.

A reação inflamatória resultante pode estar relacionada àisquemia da mucosa decorrente do aumento da pressão hidrostática ou à ação deprodutos citotóxicos do metabolismo biliar (p. ex., lisofosfatidilcolina), quesão irritantes significativos para via biliar.

Embora as bactérias sejamisoladas da bile das vesículas inflamadas na maioria dos casos, o papel dainfecção não é completamente compreendido. Coliformes (p. ex., E. coli)representam os agentes isolados mais comuns, mas os anaeróbios foramidentificados em até 40% dos casos. Prostaglandinas envolvidas na contração devesícula biliar e absorção de fluidos têm um papel importante nodesenvolvimento da colecistite aguda. As alterações histológicas na colecistiteaguda variam desde edema leve, processo inflamatório agudo até necrose comgangrena.

Achados Clínicos

O sintomamais comum de colecistite é a dor, geralmente no quadrante superior direito,podendo também ocorrer no epigástrio e ser confundida com úlcera péptica.Embora a dor inicialmente possa ser em cólica, ela se tornará constante empraticamente todos os casos, e os episódios de dor são prolongados e duram de 4a 6 horas, geralmente severos.

História anterior de sintomas semelhantes, porémmenos graves e autolimitados, é uma pista diagnóstica valiosa, assim como adocumentação de cálculos biliares anteriores. Náuseas e vômitos sãocaracterísticas típicas, e o paciente pode apresentar febre ou descreverradiação da dor, geralmente na ponta da escápula direita, o que indicairritação peritoneal.

Os achadosfísicos incluem sensibilidade no quadrante superior direito do abdome ou naregião epigástrica, geralmente com proteção ou rebote.

O sinal de Murphy(sensibilidade e pausa inspiratória provocada pela palpação do quadrantesuperior direito durante respiração profunda) é compatível com, mas nãodiagnóstico para, a inflamação da vesícula biliar.

A sensibilidade e a especificidadedo sinal de Murphy em um estudo foram de 97% e 48%, respectivamente.

Ospacientes com colecistite aguda podem se apresentar toxemiados, mas febre e taquicardiasão frequentemente ausentes; assim, a colecistite continua sendo umaconsideração diagnóstica na ausência desses achados em pacientes com dorabdominal e dor no quadrante superior direito e hipersensibilidade à palpação.

Acolecistite aguda tem sido cada vez mais encontrada como complicação dasíndrome da imunodeficiência adquirida avançada (aids), geralmente secundária àinfecção por citomegalovírus (CMV) ou Cryptosporidium.

Em comparaçãocom a doença calculosa, a colecistite acalculosa tende a ter um curso maisagudo e maligno, com alta taxa de mortalidade.

As mesmas técnicas são usadaspara diagnosticar doença acalculosa e outras formas de colecistite, mas sãomenos sensíveis e específicas para essa entidade.

Os achados ultrassonográficosincluem espessamento da parede da vesícula biliar, líquido pericolecístico efalta de resposta à colecistoquinina. Os achados cintilográficos são os mesmosda doença calculada.

Ospacientes com complicações podem apresentar quadro de sepse (gangrena devesícula biliar), peritonismo (perfuração de vesícula biliar), crepitaçãoabdominal (colecistite enfisematosa) ou obstrução intestinal (íleo biliar).

Diagnóstico Diferencial

Condiçõesque cursam com dor em quadrante superior direito ou epigástrio são diagnósticosdiferenciais da coleciste, como úlcera péptica e outras causas de síndromedispéptica.

Outras considerações diagnósticas incluem hepatite, abscessohepático, síndrome de Fitz-Hugh-Curtis (peri-hepatite associada a infecçãogonocócica), pielonefrite, pneumonia ou pleurite do lobo inferior direito,pancreatite, úlcera péptica do duodeno com perfuração ou penetração eapendicite. O diagnóstico preciso geralmente requer o uso de ultrassonografiaou ultrassonografia.

Exames Complementares

Leucocitosecom predomínio de neutrófilos e com desvio à esquerda é comum, mas contagem deleucócitos na faixa normal foi observada em até 40% dos pacientes.

Também é recomendadaa dosagem dos níveis séricos de aminotransferases, bilirrubina, cálcio efosfatase alcalina, que podem estar levemente elevados, mas mais frequentementeestão dentro dos limites normais. Nível elevado de lipase ou amilase sugere odiagnóstico de pancreatite, associada ou não a colecistite.

Radiografiasabdominais simples podem revelar cálculos calcificados, gás na vesícula biliarou uma alça sentinela no quadrante superior, mas estes são incomuns einespecíficos.

A ultrassonografiaé o teste mais útil no departamento de emergência. A visualização da vesículabiliar sem identificação de cálculos tem valor preditivo negativo extremamentealto para colecistite, ao passo que a presença de cálculos, parede espessa davesícula biliar e líquido pericolecístico tem valor preditivo positivo superiora 90%.

Outros estudos revelam sensibilidade de 88% com especificidade de 80%.Pode-se verificar, na ultrassonografia, espessamento da parede da vesículabiliar geralmente maior que 4 a 5 mm ou edema com sinal de dupla parede.

Osinal de Murphy ultrassonográfico pode ser reproduzido com a compressão com otransdutor de ultrassom e é mais acurado que o obtido com a palpação abdominal.

Acintilografia nuclear com ácido iminodiacético marcado com tecnécio-99m (ISIDA)geralmente é considerado o exame de imagem mais sensível e específico paracolecistite, sendo indicado quando a ultrassonografia de vesícula biliar temresultados negativos. O contraste administrado é absorvido pelos hepatócitos esecretado nos canais biliares.

A falha em obter um esboço da vesícula biliardentro de 1 hora após a administração de contraste na presença de visualizaçãohepática e do ducto comum comprova obstrução do ducto cístico. No contextoclínico apropriado, esse achado é diagnóstico de colecistite.

Por sua vez, avisualização da vesícula biliar e do ducto comum dentro de 1 hora deadministração tem alto valor preditivo negativo.

A cintilografia com ISIDAperde sua sensibilidade à medida que o nível sérico de bilirrubina aumentaacima de 5 a 8 mg/dL; no entanto, a cintilografia com di-isopropil IDA (ácidodi-isopropil iminodiacético ou mebrofenina) permite a visualização da árvorebiliar em pacientes com bilirrubina sérica total na faixa de 20 a 30 mg. Asensibilidade da cintilografia com ISIDA é de 90 a 97%, com especificidadeentre 71 e 90%.

Resultadosfalso-positivos ocorrem nas seguintes circunstâncias:

– obstruçãodo ducto cístico por tumor ou cálculo;

– pacientesem jejum ou em nutrição parenteral total;

– esfincterotomiabiliar prévia;

– hiperbilirrubinemiasignificativa.

Embora nãoseja a modalidade de imagem preferida, a tomografia computadorizada (TC) podeidentificar colecistite com sensibilidade de 92% e especificidade de 99%, sendoparticularmente útil nos casos de colecistite enfisematosa e hemorrágica.

Manejo

Medidas desuporte fornecem a base para o manejo inicial da colecistite aguda, com administraçãode cristaloides IV para otimizar o status volêmico e o uso de  agentes antieméticos para controlar náuseas evômitos. Alterações eletrolíticas devem ser corrigidas.

O controleda dor pode ser abordado com AINEs ou analgésicos opioides. O cetorolaco é umadas medicações mais utilizadas para esse propósito, em dose de 30 a 60 mg, ajustadapara idade e função renal, com alívio dos sintomas em 20 a 30 minutos.

Opioidescomo morfina podem ser usados em pacientes com contraindicações a AINEs ou comdor refratária. A meperidina era o opioide de escolha, devido à menor ação nacontração do esfincter de Oddi, mas estudos demonstram que os efeitos de todos osopioides são similares no esfincter de Oddi.

A aspiração nasogástrica pode tero benefício adicional de diminuir o estímulo à secreção e à excreção biliares,aumentando, assim, o alívio da dor.

Apesar dopapel questionável da infecção microbiana na patogênese da colecistite, osantibióticos são recomendados e devem ser continuados até 1 dia após a remoçãoda vesícula biliar. A menos que exista evidência clínica de sepse, recomenda-sea cobertura com um único antibiótico de amplo espectro, como piperacilina-tazobactamIV (3,375 g 4 vezes ao dia).

Acomplicação mais grave da colecistite é a gangrena da vesícula biliar, comnecrose e perfuração. A perfuração localizada pode levar a abscessopericolecístico ou formação de fístula, com a última predispondo ao íleo biliarem data posterior. Pacientes com diabetes melito têm risco aumentado de invasãobacteriana da parede da vesícula biliar e colecistite enfisematosa.

Acolecistectomia de emergência é indicada a todos os pacientes com colecistiteaguda complicada ou com progressão da doença.

Em outros pacientes, acolecistectomia é adiada, e estudos indicam que um tempo de 7 dias após oinício dos sintomas pode ser um tempo cirúrgico ótimo para esses pacientes, masa intervenção deve idealmente ser realizada quando eles ainda estão hospitalizados.

A colecistectomia imediata é reservada para o caso complicado em que o pacienteapresenta gangrena ou perfuração. A abordagem cirúrgica ideal é a colecistectomialaparoscópica.

Considerações Especiais

A colecistiteé incomum em crianças; no entanto, quando ocorre, deve ser manejada como emadultos. A colecistite na gestante apresenta desafios no diagnóstico e notratamento. A terapia inicial é idêntica à do paciente não gestante, mas aquestão da intervenção cirúrgica requer uma consulta individualizada entre umcirurgião e um obstetra.

Bibliografia

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Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/7845/colecistite.htm

PANCREATITE – Causas, Sintomas e Tratamento

Colecistite aguda e crônica: o que são, sintomas e tratamento

Pancreatite é o termo usado para descrever a inflamação do pâncreas, órgão localizado no abdômen e que faz parte dos sistemas endócrino e gastrointestinal.

Quando a inflamação do pâncreas ocorre de modo súbito, ou seja, agudamente, estamos diante de uma pancreatite aguda. Quando a inflamação é recorrente e há sinais de lesão persistente do pâncreas, chamamos de pancreatite crônica.

Quais são as funções do pâncreas?

O pâncreas é uma grande glândula de formato achatado, com mais ou menos 20 cm de comprimento, localizado no abdômen, logo atrás do estômago. Apresenta íntima ligação com as vias biliares e o com duodeno (parte inicial do intestino delgado).

O pâncreas possui duas funções básicas: participa do processo de digestão de alimentos e produz hormônios importantes no controle da glicemia (taxa de glicose do sangue), como a insulina e o glucagon.

O órgão produz enzimas que auxiliam no processo da digestão de proteínas, gorduras e carboidratos.

Essas enzimas digestivas, diluídas em uma solução chamada de suco pancreático, são lançadas diretamente no duodeno onde encontrarão os alimentos recém saídos do estômago.

O suco pancreático também é rico em bicarbonato, que serve para neutralizar a acidez dos alimentos vindos do estômago, que possuem um pH muito baixo.

Do mesmo modo que a alimentação estimula a produção do suco pancreático para auxiliar na digestão dos nutrientes, ela também induz a produção de hormônios, que são lançados na corrente sanguínea. Os dois principais hormônios sintetizados pelo pâncreas são a insulina e glucagon, produzidos por um grupo de células chamado de ilhotas de Langerhans.

A insulina é o hormônio que permite que as células captem a glicose do sangue e a use como fonte de energia.

O principal estímulo para a produção de insulina é o aumento dos níveis sanguíneos de glicose que ocorre geralmente após as refeições.

Quando a glicose do sangue se eleva, a insulina produzida no pâncreas é liberada para a corrente sanguínea, permitindo que as células consigam captar a glicose que está chegando, vinda dos alimentos.

Se por algum motivo não houver insulina, não há como as células consumirem a glicose presente no sangue, permanecendo, assim, a taxa sanguínea de glicose constantemente elevada. Este processo dá origem à famosa diabetes mellitus (leia: O QUE É DIABETES?).

O glucagon é um hormônio antagonista da insulina, ou seja, faz a função inversa. Quando os níveis de glicose estão muitos baixos, o pâncreas impede a liberação de insulina e estimula a produção de glucagon, que além de impedir a captação da glicose pelas células, age no fígado, estimulando a produção de glicose pelo mesmo.

Quando os níveis de glicose voltam a subir, os níveis de glucagon começam a cair e os de insulina voltam a subir novamente. Deste modo, o pâncreas consegue manter nossa taxa glicemia sempre na faixa entre 60mg/dl a 140 mg/dl, mesmo após as refeições.

Pancreatite aguda

As enzimas digestivas produzidas no pâncreas só se tornam ativas após chegarem ao duodeno. A pancreatite ocorre quando por algum motivo, essas enzimas se ativam quando ainda estão dentro do pâncreas, fazendo com que o mesmo comece a ser digerido.

Causas

Em mais de 75% dos casos, a pancreatite aguda ocorre por abuso de bebidas alcoólicas (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO) ou por uma pedra da vesícula, que fica presa na saída do ducto pancreático, impedindo a drenagem das enzimas para o duodeno (leia: PEDRA NA VESÍCULA E COLECISTITE).

Outras causas menos comuns de pancreatite aguda incluem:

  • Hipertrigliceridemia – a pancreatite pode ocorrer quando os níveis de triglicerídeos ficam muito elevados, ultrapassando a barreira dos 1000 mg/dl (leia: O QUE SÃO OS TRIGLICERÍDEOS?).
  • Hipercalcemia – níveis elevados de cálcio sanguíneo também podem causar pancreatite aguda. .
  • Drogas – alguns medicamentos, como azatioprina, corticoides, pentamidina, metronidazol, clomifeno, pravastatina, ácido valproico, omeprazol, losartan, tamoxifeno, isoniazida, furosemida e enalapril já foram descritos como causas de pancreatite. Também é bem conhecida a relação entre consumo de cocaína ou maconha com a ocorrência de pancreatite aguda.
  • HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)) e outras infecções como citomegalovirose, caxumba, salmonelose, amebíase, toxoplasmose, etc., também podem atacar o pâncreas.
  • Traumas abdominais.
  • Malformações do pâncreas.
  • Fibrose cística.
  • Lúpus eritematoso sistêmico (leia:LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO).
  • Idiopático – em alguns casos não se consegue identificar nenhum fator para a pancreatite.

Sintomas

O sintoma universal da pancreatite aguda é a dor abdominal. A dor costuma se localizar difusamente na parte superior do abdômen, podendo irradiar para as costas. Normalmente é uma dor desencadeada e agravada pela alimentação.

Ao contrário da cólica biliar que também costuma surgir após alimentação e dura de 6 a 8 horas, a dor da pancreatite aguda pode durar vários dias (leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas).

Outra característica da dor da pancreatite aguda é o alívio parcial quando o paciente curva-se para frente.

A dor costuma vir acompanhada de náuseas e vômitos em 90% dos casos e pode ser tão intensa que o paciente rapidamente procura atendimento médico. Porém, existem casos de pancreatite aguda com dor não tão intensa,o que muitas vezes dificulta o diagnóstico, pois o paciente demora a procurar ajuda médica.

A pancreatite aguda alcoólica é mais comum nos indivíduos que bebem cronicamente e costuma surgir dentro de 24 e 72 horas após um episódio de consumo excessivo de álcool.

A pancreatite aguda em mais de 80% dos casos se cura com o tempo e com apoio médico. Em certos pacientes, entretanto, ela pode se transformar em uma emergência médica. Em alguns casos mais graves, a inflamação pode ser tão intensa que se espalha por todo o organismo, levando o paciente a um quadro de choque circulatório e falência múltipla dos órgãos.

Diagnóstico

O diagnóstico da pancreatite costuma ser feito com a dosagem sanguínea de duas enzimas pancreáticas que se encontram muito elevadas nos casos de inflamação do pâncreas: amilase e lipase.

A tomografia computadorizada (TC) é um exame complementar importante, não só para ajudar no diagnóstico dos casos duvidosos, mas também para avaliar a presença de complicações, como necrose e abscessos no pâncreas. Através dos achados na TC gradua-se alfabeticamente a gravidade da pancreatite de A a E, sendo A o quadro mais leve e E um quadro grave com sinais de complicações.

A ressonância magnética nuclear (RMN) pode ser usada no lugar da TC (leia: RESSONÂNCIA MAGNÉTICA – Riscos, Contraindicações e Vantagens). A ultrassonografia é muito inferior a TC e a RNM para avaliar problemas no pâncreas.

Tratamento

Em geral, todo paciente com pancreatite aguda deve permanecer internado. Se o caso for leve a moderado, a resolução é espontânea. Administra-se soros e controla-se a dor.

Neste período inicial, o paciente deve se manter em jejum total por no mínimo 3 a 7 dias, uma vez que a alimentação estimula a produção das enzimas pancreáticas que acabam por lesar ainda mais o pâncreas.

Para o paciente não desnutrir, faz-se necessária a alimentação enteral.

Para tal, introduzimos uma sonda até o intestino delgado fazendo com que a comida só chegue aos intestinos após o duodeno, não havendo assim estímulo à produção de enzimas pancreáticas.

Se mesmo com a nutrição enteral o paciente apresentar sinais de atividade da pancreatite, a solução é a alimentação parenteral, administrada pelas veias.

Conforme o pâncreas vai se regenerando, a alimentação por via oral pode ser reintroduzida lentamente.

Se a causa da pancreatite aguda for obstrução por cálculos biliares, os mesmos devem ser retirados por via cirúrgica ou endoscópica. Como a recorrência da pancreatite aguda por cálculos biliares chega a 50%, o mais indicado é a remoção da vesícula, o que torna a formação de novos cálculos um evento incomum.

Em casos mais graves, com infecção e/ou necrose extensa do pâncreas, antibióticos e cirurgia para retirada do tecido morto podem ser necessários. Como já citado anteriormente, às vezes, o quadro é tão intenso que o doente desenvolve choque circulatório, complicações renais e pulmonares, necessitando ficar internado em uma UTI (leia: ENTENDA O QUE ACONTECE COM OS PACIENTES NA UTI).

Pancreatite crônica

Se o quadro de pancreatite aguda for muito extenso ou se o paciente apresenta repetidos episódios de pancreatite aguda, esta inflamação intensa e repetida pode causar lesão irreversível do tecido pancreático, levando ao que chamamos de pancreatite crônica.

A principal causa de pancreatite crônica é o consumo exagerado e prolongado de álcool. Porém, qualquer situação que imponha quadros repetidos de pancreatite aguda pode levar à lesão permanente do pâncreas.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/pancreatite/

Tire suas dúvidas sobre o tratamento para colecistite aguda

Colecistite aguda e crônica: o que são, sintomas e tratamento

Cerca de 10% da população ocidental sofre com os cálculos de vesícula e a incidência tende a aumentar com a idade.

A colecistite aguda é uma inflamação aguda da vesícula biliar, que ocorre pela obstrução do ducto cístico (via de entrada e saída de bile para a vesícula biliar) geralmente causada por um cálculo biliar.

Devido a alta taxa de incidência da doença, o tratamento para colecistite costuma ser muito buscado. Por isso, hoje queremos esclarecer as principais dúvidas relacionadas ao assunto.

Neste conteúdo, mostraremos uma série de informações importantes sobre a colecistite, seus principais sintomas e forma de tratamento. Quer saber mais sobre o assunto? Então, continue acompanhando a leitura do artigo para conferir!

O que é colecistite aguda?

É uma enfermidade comum em emergências do mundo inteiro. Geralmente, é causada quando ocorre inflamação na parede da vesícula secundária e a obstrução no ducto cístico por um cálculo, o que causa dor aguda. A colecistite é considerada crônica quando os episódios de cólica biliar, causados por cálculos de vesícula, ocorrem repetidamente.

Quando o cálculo deixa de obstruir a saída da vesícula, esses episódios resolvem-se sozinhos. Contudo, com o decorrer do tempo, as paredes da vesícula sofrem um espessamento. Logo, sérias complicações podem aparecer – como fístulas – aumentando significativamente as dificuldades do tratamento cirúrgico.

Quais são os sintomas da colecistite aguda?

O sintoma mais característico é uma dor aguda e intensa no quadrante superior direito do abdômen. Diferentemente das crises de cólica biliar, a dor não passa espontaneamente. Além disso, é comum que o paciente apresente sintomas como:

  • Febre baixa (geralmente 38°C);
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Anorexia;
  • Icterícia (amarelamento de tecidos).

Existem casos em que, mesmo que não existam cálculos na vesícula, o indivíduo apresenta colecistite aguda. Conhecida como colecistite alitiásica, a doença se manifesta em pacientes com diversas complicações clínicas, em especial, naqueles que se encontram internados em UTI.

Como a colecistite é diagnosticada?

Quando a pessoa sente dores abdominais em cólica no lado superior direito do abdômen, deve-se procurar atendimento médico para avaliação. Para o diagnóstico, deverá ser solicitado uma ultrassonografia do abdômen. Na maioria dos casos, o exame será suficiente, descartando-se a necessidade de uma ressonância ou tomografia, por exemplo.

Por se tratar de um quadro de  inflamação, é possível que o paciente esteja com uma quantidade maior de glóbulos brancos, por isso, o médico poderá solicitar também exames de sangue para o diagnóstico.

Como é o tratamento para colecistite?

Quando diagnosticada a colecistite aguda, na grande maioria das vezes, é necessária internação hospitalar para a remoção da vesícula biliar. Antes da cirurgia, antibióticos serão também administrados. A cirurgia de colecistite é conhecida como colecistectomia e consiste na retirada do órgão (vesícula biliar).

Colecistectomia videolaparoscópica

Sob efeito de anestesia geral, o procedimento é realizado por meio dos seguintes passos:

  1. Uma agulha é introduzida por meio de uma pequena incisão no umbigo, para que a cavidade abdominal seja enchida de gás carbônico. Isso é necessário para que seja criado um espaço e a cirurgia possa ser feita;
  2. Uma câmera de vídeo é introduzida através de um tubo metálico e as imagens da cavidade são visualizadas em um monitor;
  3. Para que as pinças que serão utilizadas durante a cirurgia sejam colocadas, são feitas mais três pequenas incisões de 5 mm;
  4. Uma radiografia do canal biliar é feita durante a cirurgia para detectar cálculos biliares. Caso sejam identificados, serão removidos durante a cirurgia;
  5. Se nenhum cálculo no canal for identificado pela radiografia, a vesícula será descolada de seu local. Então, o canal da vesícula e a artéria cística serão ligados e, ao final, o órgão é removido pelo orifício feito para entrada da câmera.

Neste texto, falamos sobre os principais pontos relacionados ao tratamento para colecistite. Esperamos que suas dúvidas tenham sido sanadas. No entanto, este artigo não substitui a consulta médica. Caso apresente qualquer sintoma da doença, consulte um médico especialista.

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Источник: https://guilhermenamur.com.br/tratamento-para-colecistite/

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