Como curar a prisão de ventre

PRISÃO DE VENTRE – constipação intestinal

Como curar a prisão de ventre

A constipação intestinal, também conhecida como obstipação ou prisão de ventre, é um quadro que ocorre quando o paciente evacua com dificuldade e pouca frequência, geralmente menos que três vezes por semana e com necessidade de fazer grande esforço para que as fezes consigam passar.

A constipação intestinal pode ser aguda, quando é um evento isolado e de curta duração, ou crônica, quando ela é persistente e dura meses ou até mesmo anos. Quase todo mundo já teve, pelo menos, um episódio de constipação aguda durante a vida, e uma em cada seis pessoas sofre de prisão de ventre crônica.

De forma simples, podemos dizer que prisão ventre é uma dificuldade para evacuar, que faz com que a pessoa fique vários dias sem conseguir ir ao banheiro. Porém, nem sempre a frequência de evacuações isoladamente é um parâmetro confiável para dizer que alguém tem constipação.

Classicamente, consideramos normal que um indivíduo evacue com frequências que variam de 3 vezes por dia até 3 vezes por semana. Portanto, seguindo essa lógica, a constipação seria diagnosticada sempre que alguém defecasse menos de 3 vezes por semana.

Todavia, uma definição tão simplista assim não funciona de forma universal. Um dos motivos é o fato da frequência de evacuações ser geralmente subestimada pelo próprio paciente. Se o indivíduo não faz um diário pessoal relatando suas evacuações, dificilmente ele consegue definir adequadamente o número de vezes que defeca durante a semana.

Outro problema é a interpretação que cada um dá ao termo constipação intestinal. Estudos feitos com pacientes que se queixam de prisão de ventre demonstraram que até 60% dos que se classificam como constipados conseguem evacuar diariamente ou quase diariamente.

Esses indivíduos, na maioria das vezes, queixam-se, na verdade, de esforço na defecação e/ou sensação de defecação incompleta. Uma evacuação de pequeno volume e com fezes em bolinhas também pode ser um sinal de pisão de ventre (leia: Muco nas fezes, fezes verdes, fezes em bolinha e outras alterações na aparência das fezes).

À vista disso, torna-se fácil entender por que uma definição exata do termo constipação intestinal não é tão simples quanto parece. Prisão de ventre pode ter significado diferente para pessoas diferentes.

Para muitos, constipação significa simplesmente evacuações pouco frequentes ou em pouca quantidade.

Para outros, constipação significa fezes duras, dificuldade para fazer as fezes passarem (frequentemente com dor e sangramento anal) ou uma sensação de esvaziamento incompleto após a evacuação.

Critérios de Roma III para constipação

Para padronizar o termo, um grupo formado por diversos especialistas internacionais elaborou critérios para o diagnóstico da constipação, que ficaram conhecidos como critérios de Roma III para constipação.

Portanto, o diagnóstico da constipação intestinal deve basear-se na presença, por pelo menos três meses, dos três seguintes critérios:

Critério 1:

Pelo menos uma em cada quatro evacuações deve apresentar duas das seguintes características:

  • Esforço para conseguir defecar.
  • Fezes em “bolinhas” ou endurecidas.
  • Sensação de evacuação incompleta.
  • Sensação de obstrução ou bloqueio na passagem das fezes.
  • Necessidade de manobra manual ou digital para facilitar a evacuação.
  • Menos de três evacuações por semana.

Critério 2:

Necessidade do uso de laxantes para ter fezes amolecidas.

Critério 3:

Ausência de critérios clínicos para o diagnóstico da síndrome do intestino irritável.

Causas

A prisão de ventre ocorre sempre que o transito intestinal encontra-se lentificado, fazendo com que a fezes permaneçam por mais tempo que o necessário no intestino, o que as torna ressecadas e duras.

Em geral, no paciente com queixas de constipação intestinal, o transito intestinal mostra-se normal durante a passagem das fezes no intestino delgado, mas torna-se lento ao chegar ao cólon ou na região anorretal.

As causas para essa lentificação do trânsito intestinal são diversas, variando desde situações simples, como pouca ingestão de água e dieta pobre em fibras, até casos mais graves, como tumores do intestino ou doenças neurológicas.

Na maioria dos casos, a constipação não é um sinal de uma doença grave, sendo muito comum não haver uma causa claramente identificável.

Esses casos de prisão de ventre crônica e sem causa aparente são classificados como constipação intestinal idiopática ou funcional.

Entre as causas possíveis de prisão de ventre, podemo citar:

  • Ingestão insuficiente de líquidos.
  • Dieta inadequada, com elevado consumo de proteína animal e carboidratos, e baixo consumo de fibras (causa muito comum de prisão de ventre).
  • Alterações na rotina diária do indivíduo, como, por exemplo, viagens.
  • Sedentarismo.
  • Imobilidade, como no caso das pessoas que ficam restritas à cama.
  • Consumo excessivo de laticínios.
  • Gravidez.
  • Estresse emocional.
  • Frequentemente não evacuar na hora que sente vontade. Isso pode ocorrer em pessoas com hemorroidas ou fissura anal, pois, como a evacuação é dolorosa, o indivíduo acaba segurando a fezes com receio de sentir dor.
  • Uso abusivo de laxantes, que a longo prazo podem enfraquecer a musculatura intestinal.
  • Alterações na musculatura pélvica.
  • Pseudo-constipação, que é o caso do paciente que refere constipação, mas, na verdade, não preenche critérios para esse diagnóstico.

Medicamentos que podem causar constipação intestinal:

  • Analgésicos opioides (derivados da morfina).
  • Anti-histamínicos.
  • Anti-inflamatórios.
  • Antidepressivos.
  • Antiepiléticos.
  • Antiespasmódicos.
  • Antipsicóticos.
  • Suplementos de ferro.
  • Antiácidos à base de alumínio.
  • Bário (usado em exames radiológicos).
  • Anti-hipertensivos, principalmente da classe dos inibidores dos canais de cálcio.

A prisão de ventre em mulheres jovens e saudáveis costuma não ter uma causa grave por trás e, na maioria das vezes, não necessita de uma investigação médica muito profunda.

Por outro lado, a constipação intestinal em idosos deve ser avaliada com mais cuidado, pois ela pode ser o primeiro sinal de um tumor do cólon ou do reto. Os idosos também costumam ser medicados com múltiplas drogas, podendo ser uma delas a origem da sua constipação.

Sintomas

Os sintomas da constipação intestinal são aqueles utilizados nos critérios de Roma III. Isso significa, portanto, que você pode ter constipação mesmo sem ficar vários dias sem evacuar.

Ter fezes rígidas ou em bolinhas, ter de fazer muita força para conseguir defecar, sentir que há um bloqueio na região retal que impede a evacuação, sensação de não conseguir esvaziar completamente o seu reto e necessidade de usar as mãos ou dedos para facilitar a saída das fezes são todos sinais de prisão de ventre. Evacuar menos de 3 vezes durante a semana também é um forte indicador de constipação, mas sozinho não é suficiente para fechar o diagnóstico.

É bom destacar que se um indivíduo ficar 1, 2 ou até 3 dias sem evacuar, mas quando o fizer, as fezes forem bem moldadas, moles, úmidas e não demandem esforço algum para sair, isso não significa que ele tenha prisão de ventre. É apenas um padrão diferente de evacuação, que é perfeitamente normal.

Há um mito muito propagado nos meios de comunicação que diz que o normal é evacuar todos os dias; que não evacuar diariamente faz com que o corpo absorva as impurezas e toxinas das fezes, causando doenças, problemas de pele e envelhecimento precoce. Isso não existe.

O resultado desta falsa propaganda é um consumo desnecessário, e às vezes exagerado, de laxantes por parte de indivíduos que têm um ritmo intestinal perfeitamente aceitável. E o pior, o próprio uso constante de laxantes por longos períodos pode levar à prisão de ventre.

Resumindo, um paciente que não tem prisão de ventre (ou a tem de forma leve) é levado a crer que apresenta constipação severa, passa a fazer uso de uma medicação que não precisa e, a longo prazo, acaba desenvolvendo ou agravando o problema que ele queria evitar desde o início.

Complicações

A prisão de ventre pode causar basicamente dois tipos de complicações. A primeira, que é derivada do esforço e da dificuldade de fazer passar as fezes, é o desenvolvimento de lesões na região anal, que variam desde hemorroidas, fissura anal até o prolapso do reto.

O segundo problema é a impactação de fezes na ampola retal. Se as fezes ficarem muito duras e secas e formarem um grande volume, elas criam o que a gente chama de fecaloma, ficando impactadas no reto, sem possibilidade de serem eliminadas sem ajuda mecânica, seja dos dedos ou através de um enema.

Diagnóstico

A utilização dos critérios de Roma III é suficiente para o diagnóstico da constipação intestinal na maioria dos casos.

Porém, o médico precisa estar atento para alguns sinais que podem indicar que a prisão de ventre é um sintoma de alguma outra doença, como distúrbios metabólicos ou um tumor do do intestino.

Nestes casos, não basta diagnosticar a constipação, é preciso identificar a sua causa.

Em pessoas jovens e saudáveis, principalmente mulheres, e sem nenhuma outra queixa ou achado ao exame físico, não é preciso fazer nenhuma grande investigação.

Em geral, medidas simples, como reeducação alimentar, aumento do consumo de fibras, consumir mais água e praticar exercícios ajudam no controle da prisão de ventre.

Por outro lado, em pessoas com mais de 50 anos, a existência de perda de peso involuntária, anemia, sangramento nas fezes, início súbito da constipação, alternância de diarreia com constipação, etc., costuma ser um sinal que possa haver algo por trás da prisão de ventre.

Para a investigação da constipação, além do toque retal, o médico pode solicitar uma colonoscopia ou retossigmoidoscopia, que são exames que permitem a visualização do interior do cólon e do reto, à procura de lesões que possam ser a origem da prisão de ventre.

A avaliação do funcionamento do músculo do esfíncter anal pode ser feita através da manometria anorretal.

Neste procedimento, o médico insere um fino tubo flexível no reto e, em seguida, infla um pequeno balão na ponta do tubo.

Este procedimento permite aferir a coordenação dos músculos ao redor do ânus no momento da evacuação, de forma a esclarecer se a dificuldade para defecar é devido à alguma fraqueza ou incoordenação da musculatura.

O estudo de trânsito no cólon é um procedimento feito para avaliar a velocidade do trânsito intestinal.

Neste estudo o paciente engole uma cápsula contendo 24 marcadores que se dispersam ao longo dos intestinos e podem ser identificados através de radiografias simples do abdômen.

O paciente após 6 dias faz uma radiografia do abdômen para saber quantos marcadores ainda estão presentes e quantos já foram eliminados.

A identificação de pelo menos 5 marcadores presentes no cólon após os 6 dias é um sinal de lentificação do trânsito intestinal.

Tratamento

O tratamento inicial da constipação deve ser sempre com alterações da dieta, incluindo maior consumo de fibras, frutas, legumes e verduras.

Granola, cereais enriquecidos com fibras, farelo de trigo, mamão, kiwi e ameixa preta são alimentos que podem ajudar bastante na prisão de ventre. Carnes e carboidratos podem ter o efeito oposto.

Outro ponto essencial é aumentar o consumo de água. Pelo menos 1,5 litro de água deve ser ingerido ao longo do dia.

Um forma de aliviar a prisão de ventre, que costuma ser negligenciada, é a prática de exercícios físicos. A atividade física regular melhora o funcionamento da musculatura intestinal e abdominal, além de estimular a própria motilidade do cólon.

Entre os laxantes naturais, o psyllium, policarbofil de cálcio e a metilcelulose são os mais indicados. Esse produtos são fibras capazes de absorver grande quantidade de água, o que forma um bolo fecal grande e úmido, ideal para ser expulso no momento da defecação.

Também é importante explicar para o paciente que o mesmo deve evacuar sempre que tiver vontade. Ficar segurando as fezes aumenta o tempo que as mesmas ficam no intestino, fato que favorece a absorção de água do bolo fecal, tornando-o cada vez mais ressecado e rígido.

Laxantes para prisão de ventre

Se as medidas acima não surtirem efeito, o uso de laxantes pode estar indicado. É bom lembrar, porém, que o uso abusivo de laxantes a longo prazo pode perpetuar a constipação, tornando a resolução do problema mais difícil.

O laxantes são para serem usados de vez em quando, em períodos de maior necessidade.

Se você precisa recorrer aos laxantes de forma regular, o ideal é procurar ajuda de um gastroenterologista em vez de ficar se automedicando de forma contínua.

Entre as opções de laxantes, as mais usadas são a lactulose, sorbitol, óleo mineral, bisacodil (lacto purga ou dulcolax) e senna. Nos casos mais resistentes, supositórios de glicerina ou bisacodil, ou enemas podem ser tentados.

Se nada der jeito, a desimpactação manual é o próximo passo. Muitas vezes, o paciente forma um bolo de fecaloma tão grande e duro, que é fisicamente impossível do mesmo ser eliminado sem ser fragmentado de forma mecânica antes.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/prisao-de-ventre/

Prisão de ventre: idade, doenças metabólicas e até neurológicas são causas

Como curar a prisão de ventre

Muita gente pensa que não evacuar todos os dias é sinal de prisão de ventre. Mas segundo o CAG (Colégio Americano de Gastroenterologia), isso é um mito.

Se o seu intestino funciona até 3 vezes por semana, ou mesmo 3 vezes ao dia, relaxe por que está tudo bem.

Na constipação, pouco importa você “ser um reloginho”: o que a define é a presença de fezes duras, seu pequeno volume e a sensação de evacuação incompleta.

A constipação intestinal ou prisão de ventre é considerada uma queixa bastante comum que afeta cerca de 16% da população em todo o mundo. As mulheres são as mais acometidas pelo problema, que pode se manifestar em qualquer idade, desde a infância até a maturidade, quando a sua prevalência aumenta entre os indivíduos com mais de 65 anos.

Parte desses grupos ainda sofrerá com o esforço da evacuação e também apresentará distensão abdominal.

A maioria convive com a prisão de ventre por anos, portanto, de forma crônica, mas a dificuldade para evacuar pode aparecer de repente, especialmente nos períodos em que ocorrem mudanças na alimentação, viagens, ou entre pacientes acamados. Nestes, o intestino se movimenta mais lentamente pela falta de atividade física ou o uso de medicamentos.

Para 8 em cada 10 pessoas, o problema se relaciona a maus hábitos de vida, ou seja, dieta inadequada, sedentarismo e hidratação deficiente.

“Outra causa muito comum, especialmente no sexo feminino, é a chamada constipação funcional: não se identifica uma origem física para a enfermidade” explica Joaquim Prado P. Moraes Filho, professor de Gastroenterologia da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e membro da diretoria da G (Federação Brasileira de Gastroenterologia).

Conheça outras causas, algumas raras, outras mais frequentes:

Metabólicas

Neurológicas

Enfermidades estruturais do cólon ou reto (obstrução de saída)

  • Tumores
  • Doenças ano-retais

Medicamentosas

  • Anti-inflamatórios
  • Antiespasmódicos
  • Medicações com cálcio
  • Antidepressivos
  • Opioides

Psicogênicas

  • Problemas emocionais ou psíquicos

Idade

  • Entre os idosos, perda de força muscular abdominal, uso de medicamentos e doenças degenerativas (Alzheimer e Parkinson)
  • Nas crianças, as mesmas causas dos adultos, destacando-se erros alimentares e fatores psicogênicos, além da Doença de Hirschsprung.

Gestação

  • Alterações hormonais e do metabolismo

Como reconhecer os sintomas

Além da dificuldade de evacuar, você pode também observar os seguintes sinais:

  • Cólicas abdominais;
  • Dificuldade para eliminar gases;
  • Náuseas;
  • Distensão abdominal;
  • Dor anal devido ao ressecamento das fezes e o aumento do bolo fecal, o que provoca fissuras anais que podem sangrar.

Quando é a hora de procurar ajuda?

José Joaquim Ribeiro da Rocha, docente da Divisão de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) relata que, geralmente, as pessoas se “ajeitam” com uma solução caseira ou se automedicam, e podem passar anos sem procurar atendimento médico. O que esses indivíduos não sabem é que a “a automedicação é imprecisa, não trata a causa da constipação, e ainda piora o quadro”, diz.

De acordo com o especialista, o ideal é marcar uma consulta ao perceber que os sintomas persistem por mais de 30 dias, sem melhora.

Fique atento também aos sinais de alarme: a constipação começou depois dos 40 anos de idade, há sangue nas fezes; perda de peso; endurecimento do abdome ou impactação fecal (endurecimento das fezes). Ao notar qualquer uma dessas situações, marque uma consulta imediatamente para uma avaliação de um gastroenterologista ou proctologista.

Entre as crianças, os pais devem procurar o pediatra quando os sintomas persistam por mais de 2 semanas ou aumentem, progressivamente, logo após o nascimento.

Como é feito o diagnóstico

O médico levantará os dados da sua história clínica, seus hábitos de vida e antecedentes pessoais e familiares, e ainda fará exame físico e proctológico. Exames complementares podem ser solicitados, não só para conhecer do seu estado geral de saúde, mas também para detectar alguma doença relacionada à sua queixa.

A depender de cada caso, os testes mais importantes são a radiografia contrastada do intestino grosso (Enema Opaco), o tempo de trânsito colônico, exames de sangue e colonoscopia (eventualmente), além de biópsia do reto e manometria anoretal —para avaliar a pressão dos músculos da região anal.

Entre os idosos, além das peculiaridades da idade, é preciso investigar tumores colorretais.

Como é feito o tratamento

Uma vez definido o diagnóstico, a abordagem terapêutica é sempre personalizada. A gastroenterologista Sandra Beatriz Marion, professora do curso de medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), explica que, na maioria dos casos, a terapia consiste em mudar os hábitos de vida.

Os pacientes recebem orientações sobre dieta, hidratação e atividade física, bem como estratégias para estabelecer uma nova rotina evacuatória. Medicamentos naturais à base de fibra também podem ser úteis e poderão ser de uso contínuo.

“A primeira coisa que é preciso saber é que não existe remédio milagroso que faça o intestino funcionar a vida inteira”, fala a médica. “Se não houver parceria do paciente, se ele não se conscientiza da importância desses cuidados essenciais, ele não alcançará o resultado que deseja”, completa.

Para as pessoas que não respondem a essa estratégia, há uma série de fármacos disponíveis, como os que umidificam as fezes (laxantes osmóticos) ou as deixam mais oleosas (emolientes). Existem ainda medicamentos que atuam no equilíbrio de um tipo de serotonina do intestino.

As últimas opções são os laxantes irritantes, exatamente os que as pessoas utilizam em primeiro lugar na automedicação. Muito potentes, têm efeito imediato, mas se usados por longo período lesionam os nervos do intestino (mioentérico). O resultado é que a prisão de ventre só piora.

Terapias para casos mais complexos

Quando a constipação é mais grave, especialmente entre as mulheres, e não se conheça a causa, além de todas as possibilidades acima descritas, o tratamento poderá ter solução cirúrgica com a remoção do intestino grosso ou colectomia total (retirada do cólon).

Mais recentemente tem-se utilizado a neuromodulação sacral, um marca-passo na região lombar que emite estímulos elétricos nos nervos modulares.

Saiba como adequar a dieta

O correto consumo de fibras solúveis está relacionado à adequada formação do bolo fecal, com fezes mais macias e volumosas, enquanto as fibras insolúveis aceleraram o trânsito intestinal. O consumo diário indicado delas é de 25g/dia. E não adianta comer 5 folhas de alface americana e 1 tomate por dia! Esses itens têm 0,9g 1,5g de fibra, respectivamente.

Às fibras, junte o consumo adequado de água (ele deve ser calculado de acordo com o seu peso: 0,35ml por quilo) e evite o sedentarismo. Até a introdução de probióticos e prebióticos na alimentação pode ser benéfica e necessária.

A orientação de um nutricionista é bem-vinda.

Isso porque “nem todos respondem à mesma dieta e, assim, devem ser avaliados individualmente, sempre considerando seus hábitos, restrições e preferências alimentares, a fim de garantir um melhor resultado”, explica a nutricionista Camila Naegeli Caverni, nutricionista clínica e mestranda da EPM-Unifesp (Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo).

Note-se que, para algumas pessoas, a mudança de hábitos alimentares é de grande ajuda, mas não resolve totalmente o problema. Nesse caso, gastroenterologista e nutricionista devem trabalhar juntos para garantir melhores resultados.

Como colaborar com o tratamento

Nem sempre é possível prevenir a prisão de ventre. Contudo, caprichar no consumo de fibras deve ser um hábito para toda a vida. Além disso, mantenha-se sempre bem hidratado e pratique atividades físicas regulares.

Você também pode adotar as seguintes medidas para evitar o desconforto de uma crise ou colaborar com a terapia:

  • Organize-se para ter um horário certo para ir ao banheiro, de preferência pela manhã, após o café –ou depois das refeições;
  • Vá ao banheiro quando sentir necessidade de evacuar. Evite adiar essa urgência;
  • Prefira alimentos naturais e integrais;
  • Beba ao menos 1 litro e ½ de líquidos ao dia;
  • Aprenda a ler o rótulo dos produtos que consome para neles identificar o teor de fibras;
  • Evite o consumo de alimentos industrializados e ultraprocessados, como arroz branco, farinha de trigo refinada, fubá, polvilho;
  • Priorize, à mesa: feijão, lentilha, ervilha, arroz integral, linhaça, aveia, milho, farinha de centeio, verduras e legumes (todos), frutas (todas);
  • Mantenha uma atividade física satisfatória – 30 minutos, 4 vezes por semana.

Fontes: Joaquim Prado P.

Moraes Filho, professor livre-docente de Gastroenterologia da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e membro da diretoria da G (Federação Brasileira de Gastroenterologia); José Joaquim Ribeiro da Rocha, docente da Divisão de Coloproctologia do Departamento de Cirurgia e Anatomia do Hospital das Clínicas da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo), e médico responsável técnico pela Proctogastroclínica de Ribeirão Preto; Sandra Beatriz Marion, professora do curso de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), especialista em Gastroenterologia e endoscopista titulada; Camila Naegeli Caverni, nutricionista clínica da Headache Center Brasil, e mestranda da EPM-Unifesp (Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo). Revisão técnica: Sandra Beatriz Marion.

Referências: Ministério da Saúde; ACG (American College of Gastroenterology); Maria Vazquez Roque, Ernest P Bouras. Epidemiology and management of chronic constipation in elderly patients.

Clin Interv Aging. 2015; Treatments for Constipation: A Review of Systematic Reviews. Rapid Response Report: Summary with Critical Appraisal.

Ottawa (ON): Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health; 2014.

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/11/19/idade-doencas-metabolicas-e-ate-neurologicas-podem-causar-prisao-de-ventre.htm

Prisão de ventre nos cães: Causas, sintomas, diagnóstico e prevenção

Como curar a prisão de ventre

A prisão de ventre nos cães ou, recorrendo ao termo médico, obstipação, é um problema comum nos animais. Significa que o seu cão tem problemas na defecação, o que impede o animal de excretar as fezes, que se acumulam no cólon.

Nestes casos, os sinas são notórios: o cão tenta fazer as suas necessidades, mas sem sucesso. Além disso, é possível notar o desconforto e as dores no cão. Posto isto, existem dois tipos de prisão de ventre nos cães:

  • Prisão de ventre aguda: ocorre por um curto período de tempo
  • Prisão de ventre crónica: verifica-se por períodos mais extensos

De forma geral, a obstipação aguda é menos grave. Logo, é também a mais fácil de tratar e a que causa menos complicações no animal. Quanto à prisão de ventre nos cães crónica, esta deve ser diagnosticada e tratada rapidamente. Caso contrário, os sintomas persistentes podem levar a sérias consequências na saúde do animal.

Uma má alimentação e uma má postura estão entre as causas de prisão de ventre nos cães mais comum. Contudo, há outras causas de prisão de ventre nos cães, que deverá considerar:

  • Ingestão insuficiente de líquidos ou perda de líquidos – em consequência de uma febre, por exemplo
  • Presença de corpos estranhos no organismo
  • Atividade física deficiente
  • Dieta pobre em fibras

Também as seguintes causas podem contribuir para a prisão de ventre no cão e, nestes casos, deverá consultar um médico veterinário. As causas são:

  • Dores no sistema locomotor
  • Inflamação da glândula adanal
  • Fracturas na zona pélvica
  • Tumores e outras massas, como gânglios linfáticos ou hematomas, que pressionam o reto
  • Doenças da próstata
  • Efeitos secundários de medicamentos
  • Enfraquecimento da parede intestinal – através de protuberâncias, por exemplo
  • Distúrbios metabólicos, como hipotiroidismo e perturbações neurológicas do intestino grosso

Importante: A prisão de ventre é um problema comum em cães enfraquecidos ou idosos. Nestes casos, consulte um veterinário, de modo a identificar rapidamente a causa da obstipação e dar início ao tratamento.

Na maioria dos casos, a prisão de ventre nos cães torna-se evidente para os donos, que veem o animal a tentar defecar repetidamente, sem o conseguir. Pode haver casos, em que o cão até consiga ser bem sucedido e excretar alguns cíbalos (bocados de fezes secas e duras), mas com dor.

E, também é comum, que este tipo de fezes venha acompanhado por sangue ou muco. Em casos pontuais, o cão excreta 'pseudodiarreia', que ocorre quando o sangue e o muco são excretados com tanta pressão, que passam através dos cíbalos.

Há também sintomas, em que a acumulação de fezes no intestino grosso é de tal forma persistente, que motiva a dilatação da parede intestinal. Nestes casos, ocorre o megacólon, uma perturbação intestinal séria.

Face a esta realidade, além da lesão dos músculos do intestino, ocorre também a peristalse, ou seja, as contrações intestinais cessam. Infelizmente, este tipo de episódios de obstipação crónica não é reversível, causando problemas permanentes no cão. Outros sintomas, como perda de apetite, apatia, indisposição e flatulência, podem também ocorrer.

Por norma, o médico veterinário consegue facilmente comprovar as suspeitas de obstipação. Para isso, contribuem os relatos do dono e uma rápida análise clínica.

No entanto, muitas vezes o diagnóstico da causa é mais difícil de determinar, especialmente em casos de prisão de ventre prolongada.

Nestes casos, para fazer um diagnóstico completo, o veterinário colocará questões sobre o historial clínico do animal e pode levar a cabo alguns exames.

Exames de diagnósticos que poderão ser feitos pelo veterinário:

  • Realização de ecografias de diagnóstico.
  • As análises ao sangue ajudam a determinar a presença de doenças do metabolismo ou inflamações.
  • Sobretudo em casos crónicos, devido à dilatação, é comum a parede intestinal encontrar-se danificada. Se for este o caso, são necessários cuidados acrescidos, como um exame retal ao animal.
  • Havendo a suspeita de um tumor no cólon ou da presença de um corpo estranho no intestino, uma colonoscopia será executada. Durante este exame, o intestino é examinado a partir de dentro, com o auxílio de um aparelho, que possui uma câmara de vídeo na extremidade. Sempre que necessário, serão extraídas amostras de tecido.
  • Em situações de maior gravidade, poderá efetuar-se uma cirurgia.

Concluindo: para o tratamento eficaz da prisão de ventre nos cães,  as causas do problema devem ser primeiro identificadas.

Primeiramente, é essencial diferenciar entre os casos de obstipação inofensiva e de curta duração, dos casos complicados, recorrentes e permanentes.

Enquanto, os primeiros requerem uma alteração a curto prazo na dieta alimentar – lactulose, leite, psyllium e a ingestão de muitos líquidos serão o suficiente; os outros implicam um tratamento mais complexo.

Assim sendo, nas situações mais graves, o veterinário providenciará ao animal, através de terapia intravenosa, a quantidade de líquidos que este necessita. De seguida, as fezes são removidas com a ajuda de um enema especial, terminando com uma suave massagem.

 Contudo, há casos em que o animal é submetido a cirurgia.

7 Dicas para prevenir a prisão de ventre nos cães

    1. A prisão de ventre nos cães pode ser prevenida através de uma alimentação equilibrada e rica em fibra.
    2. Monitorizar o peso do seu patudo é também muito importante. Cães com excesso de peso apresentam uma maior tendência para a obstipação, do que os restantes.
    3. Outra forma de prevenir a prisão de ventre nos cães, é através do exercício físico regular.
    4. Ingestão frequente de água.
    5. No caso de cães seniores com dores musculares, a prisão de ventre pode ser prevenida através do tratamento da dor.
    6. Embora não seja um trabalho agradável as fezes devem ser examinadas com frequência pelos donos. Deste modo, terá a oportunidade de intervir de imediato.
    7. Se o seu cão é desses que come tudo o que encontra, tente controlá-lo ao máximo. Não só pelas razões mais óbvias, mas também porque há um risco acrescido de sofrerem de prisão de ventre.

Источник: https://www.zooplus.pt/magazine/caes/saude-do-cao-e-cuidados/prisao-de-ventre-nos-caes

Prisão de ventre (constipação intestinal)

Como curar a prisão de ventre

Prisão de ventre é um distúrbio caracterizado pela dificuldade persistente para evacuar. As causas mais comuns são dieta pobre em fibras, pouca ingestão de líquidos, sedentarismo e consumo excessivo de proteína animal. 

Prisão de ventre e intestino preso são os nomes populares pelos quais é conhecida a constipação (ou obstipação) intestinal, um distúrbio comum caracterizado pela dificuldade persistente para evacuar. É preciso considerar, entretanto, que não existe um padrão rígido para classificar a frequência normal de funcionamento dos intestinos, que pode variar de 3 a 12 vezes por semana.

Veja também: Incontinência fecal

Só se considera um quadro típico de constipação, quando ocorrem duas ou menos evacuações por semana e/ou o esforço para evacuar é grande demais e pouco produtivo.

Algumas pessoas se queixam de que o intestino não funciona regularmente em ambientes estranhos, ou quando quebram a rotina, como ocorre durante as viagens, por exemplo. Essa alteração, porém, costuma desaparecer tão logo a pessoa retoma suas atividades habituais.

A constipação é um transtorno mais comum nas mulheres, especialmente durante a gravidez, nas crianças e nos idosos.

Causas

As causas mais comuns da prisão de ventre costumam ser a dieta pobre em fibras, a pequena ingestão de líquidos, o sedentarismo, assim como o consumo excessivo de proteína animal e de alimentos industrializados. Não atender à urgência para evacuar, quando ela se manifesta, também pode comprometer o funcionamento regular dos intestinos.

A prisão de ventre pode, ainda, estar associada a doenças do cólon e do reto, como diverticulose, hemorroidas, fissuras anais e câncer colorretal.

Pode, igualmente, ser provocada pelo uso de certos medicamentos e por alterações neurológicas e do metabolismo.

Estresse, depressão e ansiedade são outras ocorrências capazes de interferir nos hábitos intestinais.

Veja também: Leia entrevista sobre estresse

A complicação mais comum da constipação é o fecaloma, massa compacta de fezes endurecidas, que se deposita no reto ou no cólon-sigmoide, e interrompe o trânsito intestinal. A tendência é o fecaloma aparecer mais nas pessoas com dificuldade de locomoção, como os idosos acamados e os cadeirantes.

Sintomas

Os sintomas da prisão de ventre podem variar de uma pessoa para outra ou na mesma pessoa nas diferentes crises. Os mais característicos são:

  • Número reduzido de evacuações;
  • Dificuldade para eliminar as fezes que se apresentam ressecadas, muito duras e pouco volumosas;
  • Sensação de esvaziamento incompleto dos intestinos.

No entanto, esses não são os únicos sintomas. Desconforto, distensão e inchaço abdominal, mal-estar, gases e distúrbios digestivos são manifestações  que também podem estar correlacionadas com a prisão de ventre.

Diagnóstico

O levantamento da história do paciente, seguido de um exame clínico minucioso, é o passo fundamental para o diagnóstico da constipação.

Exames de laboratório, como hemograma e sangue oculto nas fezes, e de imagem – enema opaco, colonoscopia e tempo de trânsito das fezes – são importantes para determinar as causas do distúrbio, estabelecer o diagnóstico diferencial e conduzir o tratamento.

Tratamento

Posto que a prisão de ventre é apenas um sintoma e não uma doença em si, o objetivo do tratamento é corrigir as causas do distúrbio. A maioria dos pacientes se beneficia com mudanças na dieta e no estilo de vida.

Basicamente, a primeira delas consiste na maior ingestão de fibras (legumes, verduras, frutas, cereais integrais, etc.

), de alimentos com propriedades laxativas, como o mamão e a ameixa, de farelos em pó misturados aos alimentos ou diluídos em água ou em sucos e de suplementos com fibra na forma de biscoitos ou comprimidos.

A segunda, é beber bastante líquido (aproximadamente dois litros por dia, se não houver contraindicação médica, pois pessoas com insuficiência cardíaca ou renal, por exemplo, podem não tolerar esse volume de líquido).Praticar atividade física é outra medida essencial para o bom funcionamento dos intestinos.

Em alguns casos, porém, pode ser necessário prescrever o uso de supositórios e de enemas (lavagens intestinais) para facilitar a eliminação das fezes. Em virtude de possíveis efeitos adversos, o uso de laxativos deve ser criteriosamente orientado por um médico. Finalmente, só em situações muito especiais e raras, é preciso recorrer à cirurgia para retirada do fecaloma endurecido.

Recomendações

  • Vá ao banheiro sempre que tiver vontade;
  • Beba muito líquido, mas álcool com moderação, porque ele ajuda a desidratar as fezes;
  • Saiba que a ingestão de farelo em pó pode aumentar a produção de gases;
  • Coma frutas, se possível com casca, nos intervalos entre as refeições;
  • Tente administrar as situações de estresse e as crises de ansiedade. Se precisar de ajuda, não se acanhe. As emoções podem ter influência sobre o funcionamento dos intestinos. Lembre-se de que esse órgão já foi chamado de segundo cérebro;
  • Procure assistência médica se notar mudanças significativas nos hábitos intestinais. Não deixe também de ir ao médico, se as fezes estiverem muito ressecadas ou muito finas, se houver sinais de sangramento, ou se você estiver emagrecendo sem nenhuma explicação aparente.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/prisao-de-ventre-constipacao-intestinal/

Os alimentos que ajudam a combater a prisão de ventre

Como curar a prisão de ventre

No início de 2019, a atriz e apresentadora Maisa Silva, de 17 anos, revelou, em tom de desabafo, que dava para contar nos dedos quantos dias do mês seu intestino funcionava direito.

“Uma coisa que me choca são pessoas que conseguem fazer cocô rápido”, escreveu em uma rede social. Embora nem todos falem sobre o tema abertamente, a prisão de ventre é bem comum.

Segundo o gastroenterologista Ricardo Barbuti, do Hospital das Clínicas de São Paulo, estima-se que entre 20 e 30% da população brasileira sofra de constipação.

Tradicionalmente, uma pessoa é considerada constipada quando evacua menos de três vezes por semana. Mas, para Barbuti, a frequência não é mais tão relevante assim. “O importante mesmo é estar satisfeito com seu ritmo”, diz.

A médica Elaine Moreira, da Federação Brasileira de Gastroenterologia (G), concorda: “Se a pessoa vai todos os dias ao banheiro, mas passa muito tempo sentada, faz bastante força e as fezes saem em bolinhas, já dá para pensar em constipação”.

Por outro lado, caso a visita ao vaso ocorra duas vezes na semana, mas não há esforço nem dor e as fezes saem bem constituídas, provavelmente está tudo bem.

Após relatar os apuros com o intestino, Maisa recebeu todo tipo de conselho — a jovem, que começou sua carreira na infância, soma cerca de 6 milhões de seguidores só no , onde rolou a confissão. O correto, no entanto, é marcar uma consulta. “É preciso investigar se existe alguma doença por trás da constipação”, avisa Elaine.

Não custa checar. Mas, de acordo com o gastro Sergio Alexandre Liblik, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, o mais corriqueiro é que o trânsito travado seja resultado de hábitos de vida inadequados, com destaque para uma dieta pobre em fibras e água, além de sedentarismo.

“Mexer na alimentação é a grande chave para quase todos os constipados”, afirma Liblik. Por isso, o ideal é ter a orientação de um profissional — nada de apostar em dicas da internet e dos vizinhos.

“Muitas receitas miraculosas são baseadas em substâncias irritantes da mucosa intestinal”, aponta a nutricionista Ana Luísa Faller, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Elas até têm capacidade de aumentar a velocidade de funcionamento do órgão e favorecer a evacuação, mas são agressivas e podem gerar danos às células”, justifica Ana. Entre os desfechos estão entraves na absorção de nutrientes e eliminação excessiva de água nas fezes, um passo para a desidratação.

Melhor testar saídas consagradas, como elevar o consumo de certos alimentos e maneirar no de outros — ou investir em estratégias para transformar itens pró-constipação em parceiros do intestino. Abaixo, mostramos o que entra nesse menu desentupidor. E, se quiser, clique aqui para ver os alimentos que podem causar a prisão de ventre.

Legumes e hortaliças

Estão aí alimentos lotados de fibras, substâncias que resistem à digestão e, como consequência, auxiliam na constituição do bolo fecal e na labuta do intestino. “O ideal é manter a casca de legumes como berinjela, pepino, beterraba, tomate e companhia”, sugere Fabiana. Afinal, é aí que boa parte do conteúdo fibroso se acumula.

Outra coisa: de olho nessa substância, não deixe faltar vegetais folhosos, ou seja, o time representado por rúcula, alface, almeirão, acelga, espinafre etc. Se der para comê-los crus, melhor ainda.

Recentemente, Maisa relatou que, após virar vegetariana, visita o banheiro todo dia. Não é coincidência.

Café e chás preto, verde e mate

Essa seleção de bebidas apresenta uma coisa em comum: cafeína. Considerada estimulante, ela não acorda só a mente. O intestino também recebe um chacoalhão. “A substância incentiva os movimentos peristálticos”, reforça Barbuti. Ou seja, dá aquele gás para que o bolo alimentar finalmente avance pelo tubo digestivo.

Para Fabiana, a estratégia pode dar uma força, mas não deve ser considerada o foco das ações. “O excesso é capaz de causar alguns problemas, como azia e refluxo, além de prejudicar a absorção de minerais”, observa.

“O café faz bem, mas com moderação”, concorda Liblik.

Água e sucos naturais

A nutricionista Mariana Del Bosco, de São Paulo, conta que a água torna o bolo fecal mais viscoso. Sem ela, o cocô fica ressecado. “Aí é preciso fazer muita força para evacuar”, nota. Por isso, não adianta se entupir de fibras se os goles do líquido não seguirem o ritmo. Na verdade, isso até piora o quadro, tornando cada ida ao banheiro um martírio.

“Se eu pudesse dar apenas um conselho para a pessoa constipada, seria: beba mais água”, salienta Elaine. Ela costuma indicar 30 mililitros por quilo de peso. Para alguém de 70 quilos, dá 2,1 litros por dia.

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Sucos naturais de frutas dão sua contribuição — mas não entram no cálculo da água pura, tá?

Sementes

A nutricionista Andrea Esquivel é fã de linhaça e chia. Isso porque elas concentram um tipo de fibra que tem capacidade de absorver água e não soltar mais — perfeita para fabricar um cocô macio e deslizante.

Mas, para tirar proveito dessa característica, tem que investir na ingestão hídrica em paralelo. Ou adicionar esses alimentos a receitas como sopas e sucos, que levam água.

“Também dá para usar a farinha das sementes”, sugere Andrea. Uma ideia é engrossar o caldo de feijão com o ingrediente.

Frutas

Outro grupo que é reduto fibroso. Algumas variedades têm uma aura de laxativas, como mamão e ameixa, mas a realidade é que qualquer fruta se mostra aliada. Pasme: até a maçã. Se comer com a casca, o intestino agradece.

Segundo Mariana, um bom número são três porções ao dia — de preferência, alternando os tipos. Só evite a fruta ainda verde. Aí pode travar.

Cereais integrais

Arroz integral, trigo em grãos, milho em espiga, aveia… Essa turma é exímia fonte de fibras. Mas, para Andrea, a posição de mais prestígio dentro do grupo é ocupada pela aveia. “É barata e fácil de usar”, elogia.

Vai bem crua ou cozida, em salgados e doces. “O mais vantajoso é colocar em sopas e mingaus, receitas que já têm água”, frisa. Aí, duas questões são resolvidas.

Iogurte com probióticos

É assim que são chamadas as bactérias consideradas benéficas ao aparelho digestivo. “Caso esses micro-organismos de fato colonizem o intestino, irão contribuir no processo de digestão e na fermentação das fibras da alimentação”, esclarece Ana Luísa.

No fim das contas, seriam capazes de melhorar inclusive a prisão de ventre. “Mas sua introdução não deve ser realizada a qualquer custo, sem o monitoramento do paciente”, pondera Maria Tereza.

Leguminosas

A família composta de feijão, ervilha, grão-de-bico, soja e lentilha também é de grande valia para os donos de um intestino pouco ativo, já que reúne belas doses de fibras.

“Esses alimentos podem, no entanto, gerar gases em quem não está acostumado a consumi-los. Mas isso não piora a constipação”, esclarece Ana Luísa.

Entre os truques para escapar da flatulência estão deixar os grãos de molho antes de cozinhar, usar folha de louro no preparo do feijão, mastigar bem e evitar líquidos no momento da refeição.

Laxantes e suplementos: quando usar?

Esses recursos podem ter muita utilidade se o intestino é devagar-quase-parando. O gastro Rodrigo Surjan explica que eles costumam entrar em cena quando mudanças de hábito não são suficientes para normalizar a evacuação. Porém, quem define que chegou esse momento é o médico.

“Quando falamos em laxantes, há um leque imenso de opções”, justifica Liblik. E, dependendo do paciente, algumas delas serão mais eficientes do que outras. O mesmo raciocínio cabe para os suplementos de fibras.

“Certos produtos contêm laxativos. Então, precisamos ter cuidado com o conteúdo e a procedência”, pontua.

A questão psicológica por trás do intestino preso

Não adianta incorporar hábitos anticonstipação se, na hora em que o intestino dá o sinal de que engatou, você freia esse impulso. Aí o órgão acaba aprendendo a ficar estacionado. Logo, não se reprima.

Segundo Barbuti, certas táticas ajudam a garantir um funcionamento apropriado à sua rotina. “O mais fisiológico é evacuar após uma refeição do dia”, nota.

Por isso, ao incluir determinados itens no desjejum, como café, sobe a chance de a visita ao vaso ocorrer de manhã, antes de ir ao trabalho.

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Источник: https://saude.abril.com.br/alimentacao/os-alimentos-que-ajudam-a-combater-a-prisao-de-ventre/

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