Como deve ser a alimentação para doença de Crohn

A alimentação na doença de Crohn: quais as evidências existentes?

Como deve ser a alimentação para doença de Crohn

A dieta e a nutrição são preocupações quase sempre presentes em indivíduos com doença de Crohn.

Com o objetivo de incentivar a adoção de um padrão alimentar que auxilie no controlo da doença, bem como aumentar a qualidade de vida de quem sofre de doença de Crohn, seguem algumas recomendações práticas sobre a alimentação na doença de Crohn, baseadas na evidência científica disponível.

Em que consiste a doença de Crohn?

A doença de Crohn pertence à família das doenças inflamatórias intestinais, doenças crónicas que afetam o trato gastrointestinal, como é também exemplo a Colite Ulcerosa (1).

A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal mas, na maioria dos casos, afeta principalmente o íleo e o cólon, podendo levar a défices de ingestão oral (consumo insuficiente de alimentos através da boca), à malabsorção (défices de absorção dos nutrientes no trato gastrointestinal), ao hipercatabolismo (aumento do gasto energético devido ao metabolismo aumentado pela inflamação do trato gastrointestinal) e, consequentemente, à desnutrição (2).

Alimentação na doença de Crohn: importância de uma boa dieta

Em primeiro lugar é necessário clarificar que a alimentação/dieta, não é a causa, nem será a cura da doença de Crohn. O que se sabe é que a alimentação de quem tem doença de Crohn afeta os sintomas da doença e tem um papel relevante nos mecanismos subjacentes aos processos inflamatórios característicos da doença de Crohn.

Uma boa dieta é fundamental na doença de Crohn por 3 principais ordens de razão:

1. Necessidades nutricionais do organismo aumentadas

Sendo a doença de Crohn uma doença inflamatória crónica, tende a aumentar as necessidades nutricionais do organismo, principalmente nas fases mais ativas da doença. Assim, a dieta de um indivíduo com doença de Crohn deverá ser ainda mais rica a nível nutricional do que a de um indivíduo saudável (3).

2. Existência de défices digestivos e na absorção de nutrientes

A doença de Crohn leva, usualmente, a défices digestivos e de absorção dos nutrientes, não só das vitaminas e minerais, mas também das proteínas, hidratos de carbono, gorduras e até de líquidos.

Um indivíduo com doença de Crohn pode ingerir uma dieta saudável com a mesma quantidade e qualidade de um indivíduo sem doença de Crohn mas, mesmo assim, não poderá não digerir e absorver todos os nutrientes de que necessita, simplesmente por possuir doença (4).

3. Sintomas que promovem falta de apetite

Quem tem doença de Crohn, frequentemente tem sintomas como falta de apetite, náuseas, dores abdominais, diarreias, alterações de paladar e até “medo de comer”, por receio de que esses alimentos causem mais sintomas ou agravem os mesmos.

Todos estes fatores promovem a chamada falta de apetite, que contribui para uma diminuída ingestão de alimentos, que aumenta o risco de perda de peso e desnutrição (5).

Para além do referido anteriormente, fazer uma boa alimentação na doença de Crohn irá fazer com que o organismo reaja de forma mais eficiente aos medicamentos.

Em crianças e adolescentes vai ainda evitar que existam défices no crescimento e desenvolvimento por causa da doença de Crohn.

Em mulheres evitará um impacto grande nas alterações hormonais que podem, inclusivamente, levar à ausência de menstruação.

Como deverá ser a alimentação na doença de Crohn?

A dieta de um indivíduo com doença de Crohn dependerá de diversos fatores: se há ou não estenoses intestinais, que partes do intestino estão mais afetadas e se a doença está ativa ou inativa.

1. Fase inativa da doença de Crohn

Os princípios nutricionais de um indivíduo com doença de Crohn inativa têm como base os princípios gerais de alimentação saudável, com vista à garantia da manutenção de um bom estado nutricional:

  • Proteínas como carnes magras (mesmo se forem carnes vermelhas que sejam as partes mais magras), aves (ex: frango e peru), peixes, ovos ou soja;
  • Hidratos de Carbono com fibra solúvel (ex: aveia e cevada);
  • Frutas (mas preferencialmente sem pele e grainhas);
  • Legumes cozidos;
  • Suplementos vitamínicos e minerais se aconselhados pelos profissionais de saúde que o acompanham;
  • Ingerir cerca de 2l de líquidos por dia (preferencialmente água ou infusões), para prevenir a desidratação. Por exemplo, se houver diarreia (o que pode acontecer recorrentemente) a ingestão de líquidos deverá ser superior.

2. Fase ativa da doença de Crohn

Durante a fase ativa da doença, relembrando que não será a alimentação que vai “estagnar”/curar a fase ativa da doença de Crohn, deverão ser evitados (5):

  • Alimentos que por experiências anteriores já identificou que lhe trazem desconforto ou agravam os sintomas;
  • Alimentos com teores de fibra alimentar elevados (ex: leguminosas, cereais integrais, ameixas secas);
  • Oleaginosas e sementes (ex: nozes, chia, linhaça);
  • Alimentos ou bebidas com álcool, cafeína ou picantes;
  • Frutas e vegetais crus;
  • Produtos lácteos (dentro das doses que sabe que poderá não tolerar);
  • Comer grandes quantidades de alimentos de uma vez.

No sentido contrário, durante as fases ativas da doença de Crohn é aconselhado:

  • Fazer refeições pequenas mas frequentes;
  • Tomar suplementos vitamínicos e minerais se aconselhados pelos profissionais de saúde que o acompanham;
  • Consumir como principais fontes de proteína carnes magras como aves, peixe e soja;
  • Vegetais ou fruta bem cozidos e sem pele, se for o caso (e.g. batata bem cozida e sem pele);
  • Cereais refinados e simples (e.g. arroz branco);
  • Refeições simples e pouco condimentadas.

É também de salientar que se aconselha um estilo de vida ativo, com a prática de exercício físico, e uma exposição diária de, pelo menos, 15 a 20 minutos de sol diariamente para evitar défices de vitamina D, usualmente encontrados nesta população (6).

Em conclusão…

Ressalta-se a importância da alimentação saudável na promoção da qualidade de vida do indivíduo com doença de Crohn, alertando para que cada indivíduo aprenda a conhecer a sua doença, que alimentos o fazem melhorar ou piorar os sintomas, e para que varie, dentro do possível, os alimentos e métodos de confeção que tem disponíveis.

O prazer da alimentação tem que continuar a estar presente no quotidiano alimentar de quem tem doença de Crohn, sob pena de tornar a alimentação numa prática repetitiva, sem sabor, penosa e que induz sofrimento e receio constante.

A informação presente neste artigo, não invalida a necessidade de um acompanhamento personalizado com o seu médico e nutricionista, sobre os princípios alimentares a seguir na sua situação específica.

Veja também:

Fontes

1. Yamamoto-Furusho, J.K. et al. (2016). Diagnóstico y tratamiento de la enfermedad inflamatoria intestinal: Primer Consenso Latinoamericano de la Pan American Crohn’s and Colitis Organisation. Disponível em:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0375090616300829
2. Donnellan, C. et al. (2013): Nutritional management of Crohn’s disease. Therap Adv Gastroenterol. 6(3):231–42.

Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23634187
3. Diestel, C. et al. (2012). Tratamento Nutricional nas Doenças Inflamatórias Intestinais. Rev do Hosp Univ Pedro Ernesto, UERJ. 52–8. Disponível em:
https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistahupe/article/view/9008
4. Mahan, L.K. et al. (2017). Krause´s Food & The Nutrition Care Process. 14a.

Disponível em:
https://evolve.elsevier.com/cs/product/9780323340755?role=student
5. Mowat, C. et al. (2011). Guidelines for the management of inflammatory bowel disease in adults. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21464096
6. Nair, R. et al. (2012). Vitamin D: The “sunshine” vitamin. J Pharmacol Pharmacother. 3(2):118-26. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.

gov/pubmed/22629085

Источник: https://www.vidaativa.pt/alimentacao-doenca-crohn/

Doença de Crohn

Como deve ser a alimentação para doença de Crohn

A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal que começa, geralmente, entre os 15 e os 30 anos de idade. Em Portugal, nos últimos anos, tem-se assistido a uma incidência crescente da doença. A prevalência estimada em Portugal é de 73 por 100 000 habitantes.

Afeta tanto homens como mulheres mas cerca de 20% dos pacientes com Doença de Crohn têm um familiar, mais frequentemente um irmão ou irmã, ou um pai, mãe ou filho, com alguma forma de doença inflamatória do intestino.

Uma vez iniciada, a doença de Crohn pode causar sintomas para toda a vida, evoluindo por períodos de agudização e remissão. A mucosa ou revestimento interno e as camadas mais profundas da parede intestinal ficam inflamados, com irritação, aumento de espessura ou erosão em algumas áreas.

A região terminal do intestino delgado, denominada íleo, é especialmente propensa a ser lesada pela doença de Crohn.

Causas

Ainda não se sabe o que causa a doença de Crohn.

Pensa-se que o processo patológico pode começar por uma infeção viral ou bacteriana que ativa o sistema imunitário de forma persistente, causando inflamação mesmo depois de a infeção ter sido eliminada.

Determinados genes que passam dos pais para os filhos podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver uma doença de Crohn na presença do fator desencadeante adequado.

São ainda fatores de risco:

  • A idade;
  • O tabaco (associa-se não só a um aumento do risco de desenvolver a doença como também a doença mais grave, pelo que todas as pessoas com o diagnóstico de Doença de Crohn devem parar de fumar);
  • O local de habitação (a doença é mais comum em indivíduos que residam em zonas urbanas de países industrializados);
  • O stress, pode agravar os sintomas da doença.

Sintomas

As queixas mais comuns desta patologia são a diarreia, a dor abdominal do tipo cólica e a perda de peso.
As complicações mais comuns desta doença são:

  • Oclusão intestinal;
  • Úlceras em qualquer zona do tubo digestivo, incluindo na boca, ânus e região genital;
  • Fístulas;
  • Osteoporose;
  • Inflamação da pele, olhos, articulações, fígado ou vias biliares;
  • Aumento do risco de cancro do cólon.

Algumas pessoas com doença de Crohn apresentam apenas cólicas ocasionais ou diarreia, sendo os seus sintomas tão ligeiros que nem procuram cuidados médicos.

No entanto, a maior parte das pessoas com doença de Crohn tem sintomas mais incómodos.

Podem existir períodos prolongados sem queixas, mas que são interrompidos por acessos de sintomas, denominados de exacerbação. A inflamação reaparece durante uma exacerbação.

Quando a doença de Crohn surge, ou durante uma exacerbação, o doente pode notar:

  • Dores abdominais, geralmente ao nível ou abaixo do umbigo, tipicamente mais acentuadas depois das refeições;
  • Diarreia que pode conter sangue;
  • Feridas em volta do ânus;
  • Drenagem de pús ou de muco pelo ânus ou da área anal;
  • Dor com a defecação;
  • Aftas na boca;
  • Perda do apetite;
  • Dores articulares ou nas costas;
  • Dores ou alterações visuais num ou em ambos os olhos
  • Perda de peso apesar da ingestão de uma dieta com um conteúdo normal de calorias;
  • Febre;
  • Fraqueza ou fadiga;
  • Atraso do crescimento e da puberdade nas crianças.

Tratamento

O tratamento adequado dependerá de vários factores como os sintomas, a localização, gravidade e extensão da doença, a resposta aos tratamentos já efetuados, etc. Deverá consultar o seu médico e ver qual o tratamento mais adequado.

Alimentação

A maioria dos doentes com doença de Crohn pode fazer uma alimentação normal e sem restrições alimentares, com exceção dos períodos em que ocorre diarreia. Nessas fases, deve ser efetuada uma dieta pobre em fibras e que não contenha lactose, devido à dificuldade digestiva da mesma.

Na doença ativa, uma alimentação com pouca fibra pode ser benéfica no controlo da diarreia e da dor abdominal. Nos doentes com má-absorção pode ser necessário administrar vitaminas e sais minerais.

Alimentos estimulantes como cacau, chá, café, picantes, e gengibre podem agravar os sintomas, sobretudo numa fase de doença ativa.

Esta ficha é apenas informativa, não dispensando o conselho do seu médico ou técnico de saúde.
Para qualquer esclarecimento adicional contacte tel.: 21 854 31 21 ou e-mail: [email protected]

Источник: https://www.celeiro.pt/cuide-de-si/fichas-de-saude/doenca-de-crohn

Vida saudável – Dicas de dieta para pessoas com DII

Como deve ser a alimentação para doença de Crohn

Como deve ser a alimentação nas doenças Inflamatórias Intestinais? Essa é uma dúvida recorrente. Não existe uma dieta padrão nas DIIs,, mas algumas dicas podem ser aplicadas a todas as pessoas com Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa.

Manter um estilo de vida saudável – se alimentar direito, praticar exercícios físicos e manter os maus hábitos o mais longe possível – traz benefícios para todos. Quando se tem DII, levar uma vida saudável também pode ajudar a controlar seus sintomas e manter a sensação de bem-estar.

Pessoas com DII geralmente terão:

  • Perda de apetite: Como resultado da sensação de mal-estar, dor e náusea e também da diarreia
  • Perda de peso: Como resultado da diarreia e da falta de apetite
  • Absorção alterada de líquidos, nutrientes e eletrólitos (“sais”) devido à inflamação no intestino delgado e/ou no cólon (intestino grosso)
  • Crises relacionadas à dieta (em algumas pessoas)

Dieta

Uma dieta bem equilibrada pode ajudar a impedir deficiência nutricional, principalmente em pacientes com doença de Crohn.

Alimentação não é a causa de DII, mas certos alimentos podem desencadear uma crise ou piorar os sintomas. Esses alimentos podem variar muito de pessoa para pessoa e nenhum tipo de comida ou bebida agrava os sintomas para todas as pessoas com retocolite ulcerativa ou doença de Crohn.

Embora não haja uma dieta “mágica” que funcione para todo mundo com DII, uma dieta saudável geralmente ajudará a controlar sua DII e reduzir os efeitos de crises.

Uma dieta saudável se refere mais ao que você mantém na sua dieta e nem tanto ao que você corta. Se você excluir alimentos, mas não observar diferença real em seus sintomas, então, você poderá tentar reintroduzi-los de volta em sua dieta.

Para determinar quais alimentos tendem a provocar sintomas e crises, pode ser útil manter um diário alimentar. Isso pode o(a) ajudar a ver como sua dieta se relaciona com seus sintomas.

De um modo geral, pessoas com retocolite ulcerativa ou doença de Crohn devem:

  • Comer porções menores regularmente. Dividir a ingestão diária em 5-6 porções menores e coma a cada 2-3 horas. É melhor do que comer menos frequentemente e porções maiores. Porções menores ajudarão a reduzir a carga no trato digestivo, ajudando a digerir melhor os alimentos.
  • Reduzir a ingestão de gordura. Gorduras podem aumentar as contrações intestinais e, consequentemente, as dores do tipo cólica. Reduzir a ingestão de óleo, manteiga, gorduras endurecidas e margarina, creme, mas também sobremesas e bolachas recheadas, podem ajudar a minimizar a ingestão de gordura.
  • Reduzir a ingestão de açúcar simples. Este é encontrado no mel, nas sobremesas, nos bolos e em sucos de frutas concentrados. Eles podem causar ou aumentar a chance de diarreia.
  • Reduza ou evite a ingestão de leite e laticínios. Laticínios (leite, creme, queijo processado, um pouco menos com iogurtes integrais ou desnatados) podem agravar os sintomas de DII. Eles devem ser evitados durante crises e, em seguida, reintroduzidos gradualmente na dieta de acordo com sua tolerância pessoal a laticínios.
  • Evitar refeições conservadas e produtos embutidos
  • Evitar refeições picantes e apimentadas
  • Evitar adoçantes artificiais – principalmente sorbitol – que podem causar ou aumentar a chance de diarreia.
  • Evitar nozes e sementes
  • Evitar alimentos gordurosos e fritos, que podem causar gases e diarreia
  • Restringir alimentos com alto teor de fibra, como frutas frescas e legumes e grãos integrais, pois estes podem agravar os sintomas (principalmente quando o intestino está inflamado). Durante uma crise, é necessário evitar flocos de aveia e de milho, bem como legumes, vegetais e frutas com alto teor de fibra (principalmente repolho, couve, frutas cítricas, ameixas, uvas e pêssegos). As frutas e os legumes devem ser descascados, ter suas sementes retiradas e tratados no calor (por exemplo, maçã cozida é ideal)
  • Cozinhar alimentos com alto teor de fibra antes de ingeri-los: Em vez de eliminar esses alimentos necessários de sua dieta, cozinhe frutas e legumes e evite comê-los crus.
  • Evite alimentos que possam causar gases, como feijão, repolho, brócolis, cafeína e refrigerantes

Se um alimento em particular causar problemas, converse com seu médico ou nutricionista antes de eliminar permanentemente esse alimento da sua dieta. Talvez você precise adicionar um suplemento vitamínico ou mineral para substituir os nutrientes necessários.

Próximas etapas

  • Crie uma lista de compras que incorpore os alimentos que você aprendeu e acha que poderá gostar.
  • Converse com sua família ou com as pessoas que moram com você sobre quais alterações você fará a sua dieta.

Eu preciso me alimentar de modo diferente durante uma crise?

Durante uma crise, você talvez queira “dar um tempo” para seu intestino e restringir sua ingestão de alimentos.

No entanto, como resultado, você poderá deixar de consumir nutrientes importantes, principalmente proteínas que ajudam o organismo a lidar com o processo inflamatório.

Além disso, alguns medicamentos (principalmente corticoides) podem interferir com o metabolismo proteico. Pode ser mais fácil digerir o alimento se ele for cozido na forma de purê.

Após a crise ter sido resolvida, é importante que você reintroduza os alimentos que evitou no espaço de 3-5 dias, um por vez.

Há uma maneira especial de cozinhar minha comida?

Para ajudar a reduzir a pressão em seu sistema digestivo, os alimentos devem ser tratados no calor e de fácil digestão. Cozinhar em estufa, em vapor, refogar ou grelhar moderadamente são boas maneiras de cozinhar os alimentos. Você deve evitar fritá-los sempre que possível.

O que é uma dieta saudável e variada?

Os princípios básicos para uma dieta em DII são os mesmos para o restante da população.

Isso significa que a dieta deve incluir uma mistura de alimentos contendo carboidratos (batatas, massa, arroz, pão, aveia, milho), alimentos ricos em proteína (carne vermelha, peixe, leite, ovos e queijo) e pouca quantidade de gordura, principalmente gordura animal. Junto com frutas, legumes e líquidos, esses fornecem a energia, vitaminas e oligoelementos que são necessários para garantir uma boa saúde.

Eu devo evitar leite?

Algumas pessoas não conseguem digerir a lactose adequadamente, o açúcar presente no leite e em muitos derivados do leite, independentemente se têm DII ou não. Isso ocorre por que eles não produzem uma enzima digestiva o suficiente, chamada lactase.

A fraca digestão da lactose pode levar a cólicas, dor abdominal, gases, diarreia e inchaço. Se não tiver certeza se é intolerante a lactose ou não, peça um “teste de tolerância a lactose” para identificar o problema.

Se tiver retocolite ulcerativa ou doença de Crohn, você também pode tentar limitar a ingestão de laticínios e ver se isso faz alguma diferença. Se você achar que é intolerante à lactose, você pode tentar adicionar suplementos de lactase para ajudar seu organismo a digerir esse tipo de alimento.

Laticínios são uma boa fonte de nutrição, principalmente cálcio e proteína, portanto, você deve, sempre que possível, manter a ingestão desse grupo alimentar.

Eu preciso tomar vitaminas extras?

Pessoas com doença de Crohn podem precisar tomar suplementos vitamínicos uma vez que a condição afeta o intestino delgado, a área responsável pela absorção das vitaminas dos alimentos.

A vitamina B12 é absorvida no íleo inferior. Se você tiver ileíte (a doença de Crohn que afeta o íleo), você pode precisar tomar vitamina B12, pois seu organismo não consegue absorver o suficiente dos alimentos.

Se estiver em uma dieta com baixo teor de fibras, você talvez não esteja recebendo certas vitaminas encontradas em frutas o suficiente, como a vitamina C, e poderá precisar de suplementação.

De um modo geral, é provavelmente muito útil para pessoas com DII tomarem um preparo multivitamínico regularmente.

Se você sofre de problemas digestivos ou foi submetido(a) à cirurgia intestinal, outras vitaminas, principalmente a vitamina D, podem ser necessárias principalmente em países onde não há muito sol e a ingestão de cálcio pode ser necessária. O uso de corticoides e a própria doença de Crohn estão relacionados ao afinamento dos ossos e à osteoporose, portanto, a ingestão adequada de cálcio e vitamina D é muito importante.

No geral, pessoas com DII não sofrem de deficiência mineral.

Porém, suplementos de cálcio, fósforo e magnésio podem se mostrar necessários em pessoas com doença extensiva do intestino delgado ou com grandes porções do intestino removidas por meio de cirurgia.

A terapia com ferro é útil para corrigir anemia. O ferro oral deixa as fezes escuras, o que algumas vezes pode parecer com sangramento intestinal.

Devo beber bastante líquido?

Uma vez que pessoas com doença inflamatória intestinal geralmente apresentam diarreia, há um risco de desidratação e possível problema renal. Inicialmente, a desidratação e a perda de sal criam uma sensação de cansaço.

Se sua ingestão de líquidos não for o suficiente para a sua diarreia, sua função renal pode ser afetada. Pacientes com doença de Crohn podem ter maior incidência de cálculos renais.

Por esses motivos, pessoas com DII devem consumir muito líquido, principalmente em tempo quente, quando a perda de sal e água pela pele pode ser alta.

Atividade física

Se estiver passando por uma crise de sua retocolite ulcerativa e doença de Crohn, você talvez não sinta vontade de se exercitar, mas você não deve utilizar seus sintomas como uma desculpa para não se exercitar.

Permanecer ativo(a) é bom para você psicológica e fisicamente. Osteoporose, uma condição na qual os ossos ficam fracos e quebradiços, é uma possível complicação da DII.

Há evidências que mostram que a atividade física fortalece os ossos e ajuda a impedir a osteoporose. Se conseguir se exercitar, você não correrá o risco de “exagerar” só porque tem DII.

Você terá uma boa ideia de quais tipos de exercícios você pode e não pode fazer.

⇒ Lembre-se:

  • Você não precisa praticar exercícios intensos para obter os benefícios
  • Atividades menos intensas (muitas das quais podem ser feitas próximo a banheiros) podem incluir alongamento e tonificação, caminhada, natação, bicicleta e golfe.

A prática de atividades mais vigorosas quando você está se sentindo bem é excelente – há uma série de atletas de elite com DII cuja condição não os impede de competir no mais alto nível.

Fonte: Minha DII

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Источник: http://alemdii.org.br/vida-saudavel-dicas-de-dieta-para-pessoas-com-dii/

6 alimentos proibidos na dieta durante a fase ativa da doença de Crohn

Como deve ser a alimentação para doença de Crohn
Postado em 31 de janeiro de 2019 | Autor: Redação Nutritotal

Manter um cardápio saudável é preciso, embora nem sempre seja fácil. Saiba agora o que cortar do cardápio de quem tem o diagnóstico

Dor abdominal, diarreia grave, fadiga, perda de peso e desnutrição estão entre os principais sintomas da fase ativa da doença de Crohn, uma doença inflamatória intestinal.

Embora ainda não tenha cura, o paciente com a doença de Crohn pode controlar todos os desconfortos da inflamação com medicamentos anti-inflamatórios e imunossupressores.

Durante a chamada fase de remissão, o paciente não apresenta inflamação intestinal, portanto, não sente as dores e desconfortos típicos da doença e não precisa de restrições alimentares (com exceção, claro, daqueles com intolerâncias e alergias diagnosticadas).

Mas a alimentação na doença de Crohn não é tão simples quanto parece. E, em sua fase ativa, quando os sintomas se fazem presente, todo cuidado com a dieta passa a ser prioridade.

 Certos alimentos e bebidas – até mesmo alguns considerados saudáveis! – podem agravar os sintomas e até desencadear uma crise.

Para se prevenir dessas complicações maiores, listamos o que deve ser evitado ou ingerido com moderação durante a fase ativa da dieta da doença de Crohn. Confira:

A dieta da doença de Crohn

Seguindo uma alimentação balanceada e saudável é possível controlar as crises decorrentes da doença de Crohn e ter mais qualidade de vida.

Laticínios devem ser substituídos | Imagem: Shutterstock

1. Limite o consumo de leite e seus derivados

A intolerância à lactose pode estar associada à doença de Crohn. Isso significa que ao ingerir alimentos que contenham esse açúcar, presente no leite e seus derivados, o paciente pode ter diarreia, dor abdominal e gases.

Para controlar ou evitar uma crise, limite o consumo, ou até mesmo abandone de vez, leite, queijo, manteiga e derivados que contenham lactose.

Como substitutos dessa fonte de cálcio priorize produtos sem lactose na sua composição, ou troque o leite por leite de soja e o queijo por tofu.

2. Evite alimentos fritos e gordurosos

A gordura da batata frita, a carne processada presente em um lanche e até mesmo o conservante de certos alimentos não são totalmente absorvidos pelo intestino do paciente com Crohn durante a fase ativa da doença, levando a sintomas como cólicas e diarreia. Nessa fase, ao escolher a composição de uma refeição, o ideal é preferir alimentos assados, grelhados ou cozidos no vapor e manter uma dieta saudável e equilibrada.

3. Cuidado com verduras e hortaliças

Embora sejam alimentos saudáveis, para pacientes com Crohn durante a fase ativa da doença verduras e hortaliças precisam ser restringidas da dieta. Como esses alimentos são ricas fontes de fibras, podem acabar por aumentar a velocidade do trânsito intestinal, o que piora ainda mais quadros de diarreia típicos dessa fase.

4. Prefira comida menos picante e mais natural

Alimentos apimentados e picantes podem ser a válvula para desencadear uma crise de dor. No entanto, essa reação é diferente de pessoa para pessoa.

Por isso é importante o paciente identificar qual a reação ao ingerir comida com especiarias, como pimenta, gengibre, canela e curry.

Se sentir qualquer irritação após o consumo, o ideal é optar por temperos feitos com ervas finas e pequenas quantidades de sucos cítricos.

5. Nada de açúcares não absorvíveis

Também chamados de álcool de açúcar, o sorbitol e o manitol podem ser encontrados em gomas e balas sem açúcar, além de sorvetes de algumas frutas. A ingestão pode causar diarreia, inchaço e gases. Então, mais uma vez, vale ler com atenção a lista de ingredientes antes de incluir os produtos na dieta da doença de Crohn.

6. Fruta, só se for sem casca

Uma maçã por dia pode trazer vários benefícios para a saúde, desde que seja consumida sem a casca! O mesmo vale para legumes, como o pepino. Apesar dos nutrientes presentes nessa parte do vegetal, pacientes com Crohn devem evitá-la, assim como a ingestão de frutas e vegetais crus, por aumentarem a chance de quadros de diarreia.

Este conteúdo não substitui a orientação com o especialista. Agenda uma consulta com o nutricionista de sua confiança.

Referências bibliográficas:

Mayo Clinic, EUA. Acesso em 23 de Janeiro de 2019.

Diet, Nutrition, and Inflamatory Bowel Disease. Crohn’s & Colitis Foundation of America.

Nutritotal Pro. Acesso em 23 de Janeiro de 2019.

Источник: https://nutritotal.com.br/publico-geral/material/6-alimentos-proibidos-na-dieta-da-doenca-de-crohn/

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