Como é feita a Endoscopia Digestiva Alta (EDA)?

Diagnóstico da infecção por Helicobacter pylori

Como é feita a Endoscopia Digestiva Alta (EDA)?

Em 1982 os pesquisadores australianos Marshall e Warren conseguiram isolar bacilos gram negativos espiralados da mucosa gástrica, e comprovaram ser patogênicos e causas de gastrites, e posteriormente descoberta sua associação com câncer gástrico. Originalmente foi denominado GCLO (Gastric Campilobacter Organism) e posteriormente, recebeu nomes de Campylobacter pyloridis, C. pyloricus, C. pylori, e em 1989, o nome definitivo de Helicobacter pylori.

PATOGENIA

Habitualmente não é invasiva, permanecendo na superfície da mucosa gástrica.

Uma pequena proporção de bactérias adere ao epitélio da mucosa gástrica e libera substâncias que provocam alterações no epitélio e reações imunológicas com resposta inflamatória.

A forma espiralada e os flagelos a tornam móvel no ambiente mucoso e sua capacidade de produção de urease a protege contra o ácido por catalisar a hidrólise de uréia em amônia, produzindo um meio alcalino em sua proximidade.

EPIDEMIOLOGIA

A prevalência de infecção por H. pylori correlaciona-se com o status socioeconômico e de condições sanitárias da população, sendo maior nos países ou comunidades em desenvolvimento.

Em países desenvolvidos, como nos EUA e Europa, a prevalência da infecção em indivíduos adultos  situa-se em torno de 30%. Por outro lado, a prevalência da infecção em países em desenvolvimento, como no Brasil situa-se acima de 50%.

Estudo realizado no HC-FMUSP em pacientes submetidos a exame endoscópico no ano de 2005 demonstrou positividade para H. pylori em  53 % dos casos pesquisados. Há uma tendência de queda na prevalência decorrente de melhorias nas condições sanitárias e de tratamentos para erradicação da infecção.

DIAGNÓSTICO HELICOBACTER PYLORI

O diagnóstico da infecção por H. pylori pode ser feito por meio de testes invasivos, obtidos por biópsias gástricas e não invasivos, sem a necessidade de biópsias.

1. Exame endoscópico

Por meio do exame endoscópico é possível prever a presença de infecção, especialmente com os avanços tecnológicos nos novos aparelhos com alta definição, filtros de luz e magnificação de imagens.

No corpo a presença de enantema e exsudato aumenta a probabilidade de infecção e no antro a nodularidade de mucosa tem correlação com infecção por H. pylori em mais que 90% dos casos.

Imagens obtidas por magnificação associadas a filtros de luz de banda estreita, como NBI (Narrow Band Imaging, Olympus Co.) e BLI (Blue Laser Imaging, Fujinom Co.

) avaliam alterações da superfície epitelial e de microvasos provocados pela infecção, corroborando para diagnóstico da infecção com taxas de sensibilidade em torno de 90% e especificidade de 80-85%.

No corpo gástrico há alteração da superfície epitelial em forma em favo de mel além de alterações nas vênulas coletoras.

A infecção também pode ser comprovada por equipamentos de elevada magnificação, como endomicroscopia confocal a laser (Cellvizio) e endocitoscopia.

2. Teste de urease

Dos métodos invasivos, o teste de urease é o mais simples e de boa acurácia. Nesse método, fragmentos da mucosa gástrica são colocados em um meio contendo uréia e um indicador de pH, em meio ácido. A presença de urease do H. pylori provoca hidrólise da uréia em amônia, que aumenta o pH da solução e modifica a cor da solução.

O teste de urease realizado com apenas um fragmento de mucosa antral em pacientes sem qualquer tratamento medicamentoso, apresenta sensibilidade de 90% a 95% e especificidade de 98%.

Estudos comparando a sensibilidade desse método entre grupos de pacientes recebendo diferentes tipos de medicações inibidoras de secreção gástrica mostraram que um fragmento de biópsia antral apresenta sensibilidade superior a 90% em pacientes sem tratamento, 70% em pacientes com uso de bloqueadores de receptores H2, e em torno de 60% em pacientes em uso de inibidores de bomba de prótons. Neste caso, a adição de um fragmento de mucosa de corpo aumenta significativamente a positividade do teste para em torno de 70-80%.

3. Estudo anatomopatológico

O exame histológico das amostras de biópsias gástricas fornece outras informações além da comprovação de infecção, incluindo grau e padrão de inflamação, atrofia, metaplasia intestinal e displasia do epitélio gástrico.

Esse exame apresenta sensibilidade e especificidade para diagnóstico da infecção por H. pylori em torno de 98% quando dois fragmentos de biópsia são avaliados.

Como no teste de urease, a sensibilidade reduz significativamente com o uso de medicamentos inibidores da secreção gástrica, em especial quando os sítios das biópsias são da região antral, pois além da redução na densidade bacteriana, pode ocorrer mudança da forma curva para cocóide.

Em pacientes com uso de IBP a sensibilidade reduz de forma significativa, em torno de 60% e deve-se realizar biópsias de segmentos gástricos mais proximais (corpo e fundo).

 O emprego de técnicas especiais de coloração como Giemsa e prata  ou ainda, a utilização de imuno-histoquímica aumentam a sensibilidade do teste.

4. Cultura

A cultura para H. pylori de fragmentos de biópsias gástricas é dispendiosa, demorada, e recomendada, principalmente, nos casos em que a sensibilidade aos antimicrobianos deve ser determinada.

Tem sensibilidade baixa, em torno de 60%, mas com especificidade de 100%.

Os meios de cultura com melhores resultados são os que utilizam ágar sangue e ambiente microaerófico, com 5% oxigênio e 5-10% de gás carbônico.

5. PCR

A técnica de biologia molecular por PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) é outro método invasivo que permite analisar a informação genética da H. pylori e informações sobre fatores de patogenicidade, como a genotipagem do gene vacA, com alelos nas porções s (sinal) que codifica o sinal peptídico com 2 alelos, s1 (s1a, s1b, s1c) e s2, porção i (intermediária) e m (média), m1, m2.

A região de maior importância é a ilha de patogenicidade  de cag-A (cag-PAI), um locus de 31 genes, dos quais o principal é o gene cag-A, responsável pela síntese da citotoxina CagA.

Ao ser secretada esta citotoxima é injetada dentro das céulas epiteliais do hospedeiro e provocam alterações que geram alterações celulares em microfilamentos, adesão celular, junções celulares, porosidade e respostas inflamatórias, que associam-se a formas mais intensas de gastrite, maiores riscos de atrofia, metaplasia intestinal e câncer gástrico.

Apesar de caro, pode-se estudar resistência a antibióticos relacionados a alterações nos genes por PCR, como à claritromicina (A2143G, gene 23S rRNA), levofloxacino (C261A/G, gene gyrA) e furazolidona (C347A/T/G, gene porD).

1. Sorologia

Dos principais métodos diagnósticos não invasivos, os sorológicos são os mais simples, por meio da determinação dos níveis séricos de IgG específica. Apresenta sensibilidade de aproximadamente 90-95% e especificidade de 85% a 95%.

Não sofrem alterações por uso de antisecretores gástricos e podem ser úteis em pacientes com estágios avançados de atrofia e metaplasia intestinal, nos quais os demais testes apresentam baixa sensibilidade.

No entanto, deixam cicatriz sorológica, permanendo positivos em um grande intervalo de tempo naqueles pacientes que foram erradicados da infecção, não servindo como controle de cura.

2. Teste respiratório

Outro método relevante é o teste respiratório, no qual o paciente ingere uma cápsula contendo 50mg de uréia marcada com C13 (não radioativo) ou C14 (radioativo, pouco usado).

Na presença de urease bacteriana a uréia é hidrolisada e o carbono dióxido proveniente desta molécula (com C13 ou C14) é detectado nas amostras expiratórias. Os testes respiratórios são altamente sensíveis (95%) e específicos (98%) para diagnóstico da infecção por H.

pylori, mas assim como nos métodos invasivos, os medicamentos antisecretores e antibióticos devem ser suspensos pelo menos duas semanas antes da realização do exame para evitar falso negativo.

3. Teste de antígeno fecal

O teste de antígeno fecal é elaborado com anticorpos monoclonais (mais sensíveis) ou policlonais que se ligam a antígenos da bactéria H. pylori presente nas fezes.

Estudos demonstram sensibilidade em torno de 94% e especificidade de 97%, e são usados principalmente em crianças por serem menos invasivos e ultimamente é o principal método não invasivo para controle de cura da infecção.

Também tem a sensibilidade reduzida com uso de antisecretores gástricos.

O gráfico abaixo compara a sensibilidade dos diferentes métodos diagnósticos:

  • Em azul = sem uso de IBP
  • Em vermelho = com o uso de IBP

Calvet X. Diagnosis of Helicobacter pylori infection in the proton pump inhibitor era. Gastroenterol Clin N Am 44 (2015) 507–518.

Bibliografia

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Источник: https://endoscopiaterapeutica.com.br/assuntosgerais/diagnostico-infeccao-helicobacter-pylori/

Como é feita a Endoscopia Digestiva Alta (EDA)?

Como é feita a Endoscopia Digestiva Alta (EDA)?

A endoscopia digestiva alta (EDA) é um exame cujo objetivo é visualizar diretamente a parte superior do trato gastrointestinal, composta pelo esôfago, estômago e o duodeno (primeira porção do intestino delgado).

A endoscopia também pode ser chamada de esofagogastroduodenoscopia, pois é um exame endoscópico que permite a visualização direta do interior do esôfago, estômago e duodeno.

A EDA é um procedimento habitualmente feito pelo médico gastroenterologista e pode ser usada tanto como meio diagnóstico quanto para tratamento de diversos problemas do sistema digestivo alto.

Como é o aparelho de endoscopia digestiva?

O exame é feito através um aparelho chamado endoscópio, um longo e fino tubo flexível que possui um câmera na sua extremidade, permitindo que o interior dos órgãos digestivos sejam filmados. Os endoscópios atuais têm alta definição de imagem e podem filmar em HDTV.

Os endoscópios modernos têm cerca de 1 metro de comprimento e 8 a 11 milímetros (0,8 a 1,1 cm) de diâmetro. Já existem endoscópios ultrafinos que possuem apenas 0,5 cm de diâmetro, mas ainda não estão tão difundidos.

O endoscópio possui uma câmera de alta resolução e uma fonte de luz própria, que serve para iluminar o interior dos órgãos. O aparelho também é capaz de aspirar e injetar água para limpar secreções que possam estar atrapalhando a visualização direta da mucosa do esôfago, estômago ou duodeno.

A endoscopia digestiva não serve apenas para ver e filmar o interior do esôfago, estômago e duodeno, ela também pode ser usada para realização de biópsias e tratamento de alguns problemas, como úlceras ou varizes sangrantes.

Através do endoscópio é possível introduzir uma série de ferramentas, como pinças de biópsia, laços, agulhas, sondas para escleroterapia ou eletrocautério, balão para dilatação, redes e cestos. Deste modo, uma variedade de procedimentos podem ser realizados durante uma endoscopia digestiva alta.

Indicações

A endoscopia digestiva alta é um procedimento habitualmente indicado nas seguintes situações:

  • Investigação de quadros de dor ou desconforto inexplicável no abdome superior (leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas).
  • Avaliação da gravidade da doença do refluxo gastroesofágico, que não responde ao tratamento clínico inicial. (leia: HÉRNIA DE HIATO | Refluxo gastroesofágico).
  • Exame de rastreio de câncer em pacientes com diagnóstico prévio de esôfago de Barrett.
  • Investigação de quadro de náuseas e vômitos persistentes.
  • Avaliação e possível tratamento para quadros de sangramentos do trato gastrointestinal superior (como vômitos com sangue ou sinais de sangue digerido nas fezes, sugerindo o estômago como causa).
  • Investigação de varizes de esôfago em pacientes com cirrose e/ou hipertensão portal.
  • Investigação de quadros de anemia por carência de ferro sem causa definida (leia: ANEMIA FERROPRIVA | Carência de ferro).
  • Investigação de quadros de dificuldade de engolir alimentos ou sensação de comida entalada no esôfago.
  • Remoção de corpo estranho acidentalmente engolido.
  • Avaliar gravidade da lesão do esôfago em pacientes que ingeriram soda cáustica, água sanitária (lixívia) ou qualquer outra substância corrosiva.
  • Avaliar cura ou evolução de pólipos, tumores ou úlceras encontradas em endoscopias anteriores.

A endoscopia digestiva alta também pode ser usada para diagnosticar infecções pela bactéria H.pylori, apesar de já existem outros métodos diagnósticos menos invasivos que podem ser usados em substituição à endoscopia (leia: H.PYLORI (Helicobacter pylori) | Sintomas e tratamento).

Preparação

Para maximizar os resultados e diminuir os riscos de complicações, todo paciente que será submetido a uma endoscopia digestiva deve realizar uma preparação para o exame.

O paciente que tem uma endoscopia digestiva alta programada não deve se alimentar nas 4 a 8 horas que antecedem o exame. O tempo certo será decidido pelo gastroenterologista, de acordo com a situação clínica do paciente.

Água pode ser ingerida até 2 horas antes do procedimento. É importante que o estômago esteja vazio para que não haja risco do paciente vomitar durante o exame e para que o médico possa visualizar todo interior sem ser atrapalhado por restos de alimentos.

A maioria dos medicamentos pode ser mantida até o momento da endoscopia, devendo apenas se ter o cuidado de tomá-los com pequenos goles de água para não chegar na hora do exame com o estômago cheio.

Alguns remédios podem necessitar de ajustes na dose, tais como medicamentos para a diabetes, devido ao jejum que deve ser feito por até 8 horas antes da endoscopia.

A decisão de suspender medicamentos antiplaquetários (ex: clopidogrel ou ticlopidina) ou anticoagulantes (ex: heparina ou varfarina) deve ser individualizada, tendo em conta o risco de hemorragia durante a endoscopia. Os pacientes que usam aspirina em dose baixa geralmente não precisam suspendê-la antes do procedimento.

Não é preciso tomar antibióticos antes de se fazer uma endoscopia digestiva, mesmo nos pacientes com risco de endocardite infecciosa (leia: ENDOCARDITE | Sintomas e tratamento).

Obviamente, se a endoscopia for indicada de urgência, como nos pacientes com sangramento digestivo ativo, o exame acaba sendo realizado sem preparo algum.

Sedação e anestesia

A endoscopia digestiva alta pode ser feita com ou sem sedação. Na maioria dos casos o exame é feito com o paciente acordado, apenas com uma leve sedação e um analgésico opioide (da família da morfina). Um spray anestésico também costuma ser usado na garganta para o paciente tolerar melhor a passagem do endoscópio.

Muitos pacientes acabam dormindo durante o exame e outros encontram-se tão relaxados que quase não se incomodam com o procedimento.

Os endoscópios ultrafinos podem ser introduzidos através do nariz e não necessitam de sedação, pois causam mínimo desconforto. Todavia, como já foi dito, eles ainda não são usados em todos os casos.

Ao final da endoscopia, o paciente permanece sendo observado por um curto período de tempo, geralmente inferior a uma hora, enquanto o efeito da medicação sedativa desaparece.

Alguns dos medicamentos usados podem causar alguma sensação temporária de cansado ou dificuldade de concentração. O paciente costuma ser instruído a não dirigir e não voltar a trabalhar até o dia seguinte.

O desconforto mais comum após o exame é uma sensação de distensão abdominal, que ocorre como resultado do ar introduzido durante o exame. Este incomodo geralmente se resolve rapidamente.

Algumas pessoas podem se queixar de uma leve dor de garganta após o exame. A maioria dos pacientes são capazes de comer logo após chegarem em casa.

Como é feita a endoscopia digestiva alta?

A endoscopia é exame relativamente rápido, com duração total de 10 a 20 minutos. Não é preciso internação hospitalar, e o paciente pode voltar para casa logo após o final do exame.

Para se realizar a endoscopia digestiva, o paciente é colocado de lado e uma veia do braço é puncionada para administração de medicamentos sedativos e analgésicos. Um protetor bucal de plástico costuma ser colocado entre a boca e o endoscópio para impedir o paciente de mordê-lo.

O exame inicia-se com a introdução do endoscópio pela boca, sendo empurrado lentamente através da orofaringe, esôfago, estômago e duodeno.

Enquanto avança ao longo do sistema digestivo, o gastroenterologista vai avaliando o estado da mucosa e procurando por lesões.

O endoscópio é introduzido apenas no trato digestivo, não havendo nenhuma interferência no trato respiratório; o paciente não sente dificuldade alguma em respirar.

Caso encontre lesões suspeitas, o médico pode realizar biópsias, retirando pequenos pedaços da mucosa para posterior avaliação por um médico patologista. A biópsia é procedimento indolor.

Se o médico encontrar pólipos, os mesmos podem ser retirados. No caso de lesões sangrantes, o gastroenterologista pode cauterizar a lesão, estancando a perda de sangue.

O endoscópio também serve para dilatar constrições do esôfago ou para retirar objetos estranhos que tenham sido engolidos.

Complicações

A endoscopia digestiva é um procedimento bastante seguro, com baixo risco de complicações na maioria dos pacientes. A atual taxa de complicações de 0,0002% nas endoscopias apenas diagnósticas e 0,15% nas endoscopias em que uma intervenção é realizada. O risco de perfuração do esôfago ou estômago é menor que 0,03%.

Se os aparelhos forem devidamente esterilizados, seguindo protocolos internacionais, não há risco de contrair infecções, como hepatite ou HIV após uma endoscopia digestiva.

Dúvidas comuns

Qual é a diferença entre endoscopia e colonoscopia?

Ambos são procedimentos endoscópicos do trato gastrointestinal. O que muda é a via de entrada e os órgãos investigados.

Na endoscopia digestiva alta, o aparelho é introduzido pela boca, passa pelo esôfago, estômago e chega, no máximo, até o duodeno (porção inicial do intestino delgado).

Na colonoscopia, o equipamento é introduzido pelo ânus, passando pelo reto e cólon, chegando, no máximo, até o íleo terminal (porção final do intestino delgado).

É possível fazer endoscopia e colonoscopia no mesmo dia?

Sim, não há nenhum problema em se fazer a endoscopia e a colonoscopia no mesmo dia. Em geral, ambos são feitos seguidamente, sendo necessário sedar o paciente apenas um vez.

Se você está à procura de informações sobre a colonoscopia, leia: EXAME COLONOSCOPIA.

Quanto demora para sair o resultado da biópsia feita durante a endoscopia?

O resultado depende do serviço de patologia clínica. Em geral, 2 a 5 dias são suficientes.

Quanto tempo depois de fazer endoscopia posso dirigir?

O ideal é vir acompanhado de algum familiar ou amigo para que ele possa levá-lo de volta pra casa, pois os sedativos causam redução da atenção e da coordenação motora. O ideal é esperar, pelo menos, 5 a 6 horas após o fim do procedimento para conduzir algum veículo.

Источник: https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/endoscopia-digestiva-alta/

Endoscopia digestiva alta

Como é feita a Endoscopia Digestiva Alta (EDA)?

A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é um exame realizado para observar a porção superior do tubo digestivo: esófago, estômago e parte do duodeno (segmento inicial do intestino delgado). 

O médico que o realiza (Gastrenterologista) utiliza um aparelho tubular, fino e flexível, que tem uma lente e uma fonte de luz, que capta imagens no interior do tubo digestivo e as transmite para um monitor. A este aparelho dá-se o nome de endoscópio ou videoendoscópio.

Indicações da endoscopia digestiva alta

É um exame que serve para avaliar sintomas tais como: dor abdominal, azia, vómitos, dificuldade em engolir, etc. É também o exame indicado para identificar a causa de uma hemorragia digestiva; para detectar inflamação do estômago (gastrite), úlceras e tumores do esófago, estômago e duodeno. Veja exemplo de imagem do estômago.

Pode ser usado simplesmente como método de rastreio de cancro, em pessoas sem sintomas relevantes e com história familiar deste tipo de tumor.

Endoscopia com biópsia

Através deste exame podem ser recolhidas pequenas amostras de tecido (biópsias) para fazer a distinção entre patologias benignas e malignas.

É muito importante não esquecer que as biópsias podem ser feitas por motivos absolutamente benignos, por exemplo, para pesquisa ou deteção de infeção por Helicobater pylori (uma bactéria associada ao aparecimento de úlceras e que aumenta o risco de cancro).

As pequenas amostras de tecido recolhidas são posteriormente enviadas para o laboratório para análise.

Endoscopia como método de tratamento

A EDA pode ser usada como método de tratamento de certas doenças do tubo digestivo. Através de instrumentos muito finos que passam por um canal no interior do endoscópio é possível ao médico resolver alguns problemas: apertos (estenoses), remover pólipos ou parar hemorragias.

Preparação para a endoscopia

Um estômago vazio e limpo é fundamental para um exame seguro e eficiente.

O doente não deve ingerir alimentos sólidos nas últimas 6 a 8 horas antes do exame. Só pode beber pequenas quantidades de água (podendo ser açucarada) até 2 a 3 horas antes do exame.

Ou seja, não é necessário fazer qualquer tipo de jejum ou dieta (evitar alguns alimentos ou restrições na alimentação) nos dias que antecedem o exame.

No entanto, é muito importante seguir a recomendação de não ingerir (não comer) alimentos sólidos de qualquer tipo, nas últimas 6 a 8 horas que precedem o exame.

O doente deve sempre avisar o médico sobre toda a medicação que está a tomar. Alguns medicamentos devem ser interrompidos ou substituídos alguns dias antes da realização do exame, especialmente medicamentos “para o sangue”, que podem levar ao aparecimento de hemorragias durante ou após o procedimento.

Problemas de alergias a medicamentos, problemas cardíacos ou pulmonares devem ser sempre notificados. O médico deve ser informado se o doente necessita de tomar antibióticos previamente a tratamentos dentários, porque também podem ser necessários antes da endoscopia.

Procedimentos da endoscopia

No caso de o exame ser realizado sem anestesia (com o doente acordado), o médico ou o enfermeiro vão iniciar o procedimento com a aplicação de um spray na garganta do doente (anestesia local) seguido da aplicação de um bocal entre os dentes incisivos (para manter a boca aberta e o aparelho protegido).

No caso de o exame ser realizado com anestesia (com o doente a dormir), o doente é previamente puncionado (colocado um cateter numa veia para administrar os medicamentos), monitorizado (registo dos batimentos e ritmo cardíacos, da tensão arterial, dos níveis de oxigénio no sangue) e aplicado igualmente o bocal entre os dentes.

O doente é deitado numa maca, sobre o lado esquerdo e com as pernas dobradas.

O exame é feito através da colocação do endoscópio ou videoendoscópio (aparelho tubular, fino e flexível, que tem uma lente e uma fonte de luz) que passa através da boca diretamente para o esófago e que permite captar as imagens do interior do tubo digestivo, transmitindo-as para um monitor de modo a serem observadas pelo médico. Veja exemplo de uma imagem do duodeno captada durante a realização do exame.

A colocação deste aparelho não interfere com a respiração do doente. A anestesia local tem uma duração média de 15 a 20 minutos e, enquanto sentir a garganta adormecida, não deve comer ou beber.

Endoscopia com sedação

A maior parte dos doentes (não anestesiados) refere apenas algum desconforto. Contudo, a tolerância ao exame é altamente variável e pode também depender de algumas condições clínicas (hérnia do hiato, problemas respiratórios ou cardíacos, stress, …).

Os doentes anestesiados (anestesia geral) não têm qualquer percepção da realização do exame.

A duração da anestesia geral é variável, contudo, estará acompanhado e monitorizado até acordar. Neste caso não vai poder conduzir mesmo que se sinta capaz de o fazer.

A anestesia pode afectar a sua capacidade de reacção e de atenção, por isso, deve sempre trazer um acompanhante que o leve a casa.

Este exame pode ser realizado tanto a adultos como a crianças. Neste caso, a endoscopia em idade infantil é, habitualmente, efetuada sob sedação / anestesia.

O que acontece depois do exame?

Após a realização da endoscopia pode sentir algum desconforto ou dor na garganta e sensação de peso no estômago (enfartamento) devido à passagem do endoscópio e ao ar que se introduziu. Vai poder beber ou comer uma refeição ligeira a menos que lhe sejam dadas indicações contrárias.

Após o exame, o Gastrenterologista poderá transmitir-lhe alguma informação sobre o procedimento e o resultado parcial da endoscopia, contudo, há outros resultados (por exemplo de biópsias) que poderão demorar vários dias. Assim sendo, deve sempre agendar uma consulta com o seu médico assistente para uma avaliação final.

Riscos da endoscopia digestiva alta

As complicações são raras mas podem acontecer:

  • Hemorragia após a realização de biópsias ou remoção de pólipos podem ocorrer. Geralmente são de pequeno volume e controladas durante o procedimento. Contudo, podem surgir hemorragias tardias (algumas horas ou alguns dias após o procedimento), especialmente nos doentes de maior risco (exemplo, doentes que tomam medicamentos “para o sangue” – antiagregantes ou hipocoagulantes);
  • Reações aos medicamentos anestésicos;
  • Complicações respiratórias, cardíacas e perfurações do tubo digestivo;
  • É muito importante reconhecer precocemente sintomas de possíveis complicações: se tem febre, dor abdominal persistente, dificuldade em engolir ou em respirar deve informar rapidamente o médico.

Quanto custa uma Endoscopia Digestiva Alta?

O preço de uma endoscopia digestiva alta varia conforme se trata de um exame com anestesia ou sem anestesia, se realizada a título particular, com um subsistema de saúde (SNS; ADSE; ADMG, etc) ou com um seguro de saúde.

A realização de biópsias, polipectomias (remoção de pólipos) ou outras técnicas terapêuticas (dilatações, mucosectomias,…) têm custos acrescidos.

Veja mais informação sobre preços e clínica onde fazer o exame, seleccionando o seu concelho.

Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/gastrenterologia/endoscopia-digestiva-alta/

Endoscopia digestiva alta: o que é, preparo e cuidados | Alta

Como é feita a Endoscopia Digestiva Alta (EDA)?

A endoscopia é um exame capaz de diagnosticar várias doenças. O processo é simples e dura poucos minutos, mas pode ocorrer algumas dúvidas ou medos por conta de o paciente precisar passar por uma sedação e precisar “engolir” uma microcâmera.
 

O que é endoscopia e para que serve?

A endoscopia é um exame capaz de analisar a mucosa do esôfago, estômago e duodeno (primeira parte do intestino delgado). É feita através de um tubo flexível (conhecido por endoscópio) que possui um chip responsável por capturar as imagens do sistema digestivo através de uma câmera.

É um exame importante para o diagnóstico de diversas doenças, como: gastrite, esofagite, tumores, sangramentos e doenças mais graves como hérnia de hiato e estágios iniciais do câncer de estômago.
 

Quando preciso fazer uma endoscopia digestiva alta?

O seu médico pode solicitar esse exame quando você apresentar sintomas, como:

  • Azia ou pirose (queimação no estômago);
  • Náuseas e vômitos frequentes;
  • Fezes escuras;
  • Vômito acompanhado de sangue;
  • Dores na região superior do abdômen;
  • Refluxo;
  • Anorexia ou perda de peso sem motivo aparente.

Pré-requisitos para fazer uma endoscopia digestiva alta

É imprescindível que o paciente esteja acompanhado de um adulto no dia do exame. Por conta da sedação, é normal o paciente tenha dificuldades em se locomover por sentir-se sonolento após o exame.
 

Preparo do exame de endoscopia digestiva alta

Para realizar o exame, é necessário fazer uma dieta leve no dia anterior e não ingerir alimentos difíceis de digerir, como carne vermelha. O estômago deve estar completamente vazio para que seja possível ter visão completa dos órgãos. Deve ser feito um jejum absoluto de oito horas antes da realização do exame.

Em alguns casos, médicos podem pedir para suspender algum medicamento que possa alterar a coagulação do sangue.
 

Contra-indicações

Não há contraindicações para realizar o exame. Pessoas que apresentam problemas cardíacos, respiratórios ou neurológicos, devem expor isso aos seus médicos anteriormente para que ele dê a melhor alternativa.
 

Tempo de duração

A endoscopia dura em torno de 5 a 20 minutos, dependendo da complexidade do caso.
 

Periodicidade do exame

Geralmente é realizada uma vez, porém a periodicidade do exame é determinada pelo médico e pode variar de acordo com o tratamento de alguma doença já instalada ou para analisar o andamento de um tratamento.
 

Broncoscopia 

Ideal para analisar a região da traqueia, brônquios e parte dos pulmões. O exame é realizado através do broncoscópio na boca ou no nariz.

Cistoscopia

Exame realizado através de um cistoscópio na região da uretra, introduzindo uma quantidade de soro fisiológico para que a bexiga seja expandida e seja possível analisar o órgão de maneira mais eficiente. Tem como finalidade relatar casos de cálculos, tumores, endometriose, infecções urinárias, inflamações e entre outros.

Colonoscopia

Identifica a região interna do cólon, podendo diagnosticar: úlcera, tumores, lesões e até mesmo o câncer de cólon. É realizado através do colonoscópio que é inserido no ânus do paciente e direcionado até o intestino delgado.

Gastroscopia

Conhecida popularmente como endoscopia. Tem a finalidade de avaliar os órgãos do sistema digestivo e diagnosticar doenças, como: gastrite, esofagite, tumores, sangramentos e outras doenças mais graves.
 

Endoscopia com biópsia: o que é e para que serve?

Quando são encontradas áreas anormais, é realizada uma biópsia, através de instrumentos que são colocados no endoscópio. Consiste na coleta de uma amostra de tecido retirado do esôfago, estômago ou duodeno.

Essas amostras de tecido são retiradas e enviadas para uma análise anatomopatológica, que analisará a alteração e forma do tamanho das células para poder identificar células cancerígenas ou outras doenças, como a gastrite por H.

pylori.
 

Gestantes podem fazer exame de endoscopia?

Para gestantes, é recomendado realizar o exame apenas se houver alguma doença presente no intestino que ameace a vida. Deve-se atentar a alguns sinais, como: dores abdominais, dificuldade de engolir, vômitos recorrentes e sangramento gastrointestinal.

Mesmo que as chances sejam mínimas, o medicamento utilizado para sedação durante o exame, pode causar malformação do feto e às vezes até interrupção da gestação.

Quais são os riscos de fazer uma endoscopia? O que pode acontecer depois de fazer o exame?

Embora a realização desse exame geralmente seja bem segura e os riscos sejam mínimos, pode acontecer algumas complicações, como por exemplo:

  • Perfuração gastrointestinal;
  • Hemorragia no local da biópsia;
  • Desconforto na garganta;
  • Dores abdominais severas;
  • Febre;
  • Fezes negras;
  • Dificuldade de deglutir.

Dentre esses, também pode acontecer de o paciente sentir fraqueza, desorientação e mal estar após o exame, portanto, é recomendado que o paciente tire o resto do dia para repouso.
 

Quais os efeitos colaterais da anestesia da endoscopia digestiva?

Pode ocorrer do paciente ter alguma reação por conta do anestésico usado na realização do exame, os que merecem atenção e se persistirem necessitam de uma análise médica, são:

  • Dificuldade para respirar;
  • Batimento cardíaco lento;
  • Espasmos de laringe;
  • Transpiração excessiva;
  • Baixa pressão arterial.

Источник: https://altadiagnosticos.com.br/saude/exames/endoscopia-digestiva-alta

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