Como é feito o teste de alergia e quando é indicado

Teste de alergia:Como é feito e pra que serve?

Como é feito o teste de alergia e quando é indicado

Conheça a importância de realizar o teste de alergia e saiba como lidar com as alergias das crianças.

Quem é alérgico ou tem filhos que o são, sabe o quanto a alergia pode ser uma constante na vida da pessoa. Entre procurar identificar o alérgeno até descobrir a melhor forma de controle, podem decorrer anos e muitas horas de incómodo. Por isso é tão importante realizar testes de alergia, que possam apontar as causas alérgicas e o melhor tratamento para cada adulto ou criança.

Resposta exagerada do sistema imunitário…

Algumas substâncias, inofensivas para a grande maioria das pessoas, podem ser, para outras, um gatilho que desencadeia uma resposta exagerada do sistema imunitário, isto é, uma reação alérgica. A essa condição damos o nome de alergia, e à substância que a desencadeia dá-se o nome de alérgeno, podendo ser pólenes, fungos, alimentos, medicamentos, picadas de insetos, etc.

Exemplos comuns de tipos de alergia e de doenças alérgicas são a asma, a rinossinusite, a dermatite atópica e a alergia a picadas de insetos ou a alimentos, entre outras.

Atualmente, as doenças alérgicas têm apresentando maior incidência a nível mundial, com sinais de que tendem a afetar mais as crianças, apesar dos adultos não estarem isentos. De qualquer forma, é evidente que as alergias causam grande impacto económico e na qualidade de vida das pessoas que delas sofrem, bem como da sociedade, como um todo.

Nem sempre é simples descobrir as substâncias que causam alergia. Por isso pode ser necessário realizar testes de despistagem que se dividem, de forma geral, em três tipos.

Tipos de testes de alergia

Os principais são os testes cutâneos, de sangue e de provocação. A escolha de qual será o melhor a aplicar depende dos sintomas, exame físico, e do historial médico do paciente.

É importante que todos esses testes sejam feitos por especialistas na matéria, para que não existam erros de interpretação, nos testes e diagnósticos, bem como para evitar uma prescrição excessiva de medicamentos, entre outros problemas.

É usado para investigar alérgenos inaláveis, alergias a comida, veneno, agentes ocupacionais (substâncias irritantes relacionadas com o tipo de trabalho, como pó, fumos, vapores, etc.) e medicamentos, entre outros.

A aplicação pode ser feita por meio de teste de picada na pele (superfície da pele), por teste intradérmico (abaixo da superfície da pele) ou, em casos específicos, por testes epicutâneos (geralmente nas costas).

O teste de picada é o mais comum, pois além de ser menos dispendioso testa vários alérgenos ao mesmo tempo e permite resultados mais rápidos. Ocasionalmente, sintomas de alergia como comichão e inchaço podem surgir no local do teste e, em casos raros, registarem-se reações mais fortes.

  • Teste de sangue específico

É usado para medir os anticorpos IgE (Imunoglobulina E) produzidos contra alérgenos específicos, sendo geralmente indicado quando o teste cutâneo não pode ser feito. Ele é capaz de ajudar a diagnosticar a alergia a pólenes, mofos, ácaros de poeira, alérgenos de animais, picadas de inseto, alimentos e alguns medicamentos.

No entanto, não costuma ser a opção mais comum, pois exige mais tempo para se obter o resultado, é mais caro e há a possibilidade de resultar num falso positivo.

Consiste basicamente em expor a pessoa a uma quantidade de alérgeno e verificar se há, ou não, uma reação alérgica. Essa quantidade é fornecida gradativamente até que a pessoa apresente sintomas, ou o profissional decida interromper o exame.

Destacam-se 3 tipos:

– Provocação oral, reportado às alergias alimentares – o alérgeno é oferecido em diferentes quantidades, após um período sem o consumir;

– Broncoprovocação – inalação de alguma substância broncoconstrictora;

– Provocação nasal – o alérgeno é aplicado na mucosa nasal.

Por serem mais arriscados, os testes de provocação devem ser feitos sob supervisão médica ou de profissionais de saúde especializados, e em locais adequados e preparados para uma eventual emergência.

Eliminando os alérgenos em casa…

Para deixar as alergias longe das crianças é fundamental mantê-las afastadas dos alérgenos.

Isto inclui diversas medidas, desde restringir o acesso de animais a algumas dependências da casa, com destaque para os quartos de dormir (e mesmo de toda a área interna da casa, se possível), até fazer uso de purificadores de ar e de proteções anti-ácaros para colchões, travesseiros e almofadas.

Também é essencial promover uma boa ventilação no ambiente e controlar a temperatura e humidade – consertando infiltrações, aumentado a ventilação e recorrendo a desumidificadores.

Importante, igualmente, é a limpeza adequada das roupas e armários, bem como do ambiente em toda a casa – por exemplo, usando aspiradores de pó com filtros de alta eficiência.

Seguindo estas simples indicações poderá reduzir-se boa parte dos alérgenos de fungos, ácaros da poeira e de animais domésticos, entre outros.

… sem esquecer os cuidados a ter nas escolas!

No ambiente escolar, as causas de alergia são semelhantes às encontradas em casa, como ácaros, fungos, alimentos e medicamentos. É imprescindível que professores e diretores dos estabelecimentos de ensino tenham conhecimento das possíveis doenças dos alunos, saibam identificar uma reação alérgica e, se possível, possuam um plano de ação em caso desse tipo de crises.

Alguns cuidados que os pais devem ter:

  • Informar a escola sobre as alergias de que o estudante possa sofrer. Face a qualquer ocorrência, o aluno deve imediatamente ser submetido a atendimento médico.
  • Perguntar / verificar se o ambiente é limpo com frequência, assim como os filtros de ar-condicionado.
  • Dar preferência a escolas que utilizem quadros brancos com caneta hidrográfica, em vez do uso de lousa com giz, ou que pelo menos possam atender ao pedido de colocar a criança distante da lousa.
  • É importante manter os casos de asma e outras doenças alérgicas controlados e sob acompanhamento médico, para que as atividades físicas possam ser realizadas sem dificuldades.

Apesar de não ter cura, a alergia, quando controlada, pode ter um impacto reduzido na vida dos mais pequenos. É importante estar atento aos sintomas que as crianças apresentam e recorrer aos testes de alergia para ajudar ao diagnóstico, de forma a que um médico (alergologista) possa iniciar o tratamento adequado.

Источник: https://blog.airfree.pt/teste-de-alergia/

Testes cutâneos na alergia

Como é feito o teste de alergia e quando é indicado

Os testes cutâneos são exames realizados na pele (daí a designação: cutâneos) do doente para diagnóstico de alergia.

Nem todas as doenças alérgicas justificam fazer este tipo de exames. Deve ser feito por pessoas treinadas, em centros especializados e os resultados devem ser sempre interpretados por especialistas.

Tipos de testes cutâneos

Podemos encontrar 3 tipos de testes cutâneos, conforme resumimos na tabela seguinte:

Testes por picada

Aplica-se uma gota do alergénio sobre a pele do braço e realiza-se uma picada leve, com uma lanceta especial, sobre cada gota.

São positivos se surgir uma borbulha no local da picada ao fim de 15 minutos.

Úteis para alergias respiratórias, alergias alimentares, alergias a medicamentos e alergias a veneno de himenópteros.

Testes intradérmicos

Injeção intradérmica de uma pequenina quantidade do medicamento diluído, ou do veneno de himenóptero diluído, com aumentos progressivos da concentração até resultado positivo ou até atingir concentração máxima não-irritativa.

As leituras são realizadas aos 15-20 minutos para uma reação imediata, ou nos dias seguintes no caso de se tratar de uma reação tardia.

Testes epicutâneos

Consiste em aplicar uns adesivos nas costas que ficam colados durante 48 horas. 

As leituras destes testes são feitas às 48, 72 ou 96h.

Estes tipos de teste são bastante úteis em dermatites de contacto alérgicas, e algumas reações a medicamentos tardias.

Como são usados os testes cutâneos?

As provas cutâneas que mais se realizam são as de picada (testes por picada ou testes prick), habitualmente para diagnóstico de reações alérgicas imediatas, ou seja, possivelmente mediadas pela IgE.

Consistem na aplicação de uma gota do produto alergénico de que se suspeita sobre a pele do antebraço, seguida de uma ligeira picada com uma pequena lanceta.

Os testes cutâneos realizados por especialistas são a forma mais rápida (o resultado está pronto em 15 minutos!), simples e barata de identificar aquilo que nos causa alergia. Os testes por picada são sem sangue e praticamente indolores. Podem ser repetidos sempre que houver suspeita de uma nova alergia, ou ao longo do tempo para averiguar a evolução.

Uma variação do teste prick é, por vezes, necessário na investigação de algumas alergias alimentares. Chama-se prick-prick ou picada-picada, e utiliza os alimentos em natureza, que são picados com lanceta e em seguida aplicados no antebraço.

No caso da suspeita de alergia a venenos de himenópteros (abelha e/ou vespa) ou a medicamentos (por exemplo a penicilina) ou se os testes por picada forem negativos, o passo seguinte é realizar testes intradérmicos, habitualmente com leitura imediata (15-20 minutos).

Estes consistem na introdução por baixo da pele, com uma pequena agulha, de uma pequenina quantidade do alergénio diluído. Pode ser necessário ir repetindo as injeções intradérmicas com aumentos progressivos da concentração até resultado positivo ou até atingir concentração máxima não-irritativa.

Existem várias concentrações que estão padronizadas, e que devem ser respeitadas para não provocar irritações de pele que não significam alergia.

É importante notar que existe o risco de reação generalizada com este tipo de procedimentos pelo que deverão ser realizados apenas por profissionais com experiência e em meio hospitalar. Estes testes são um pouco mais dolorosos, mas também podem ser realizados em qualquer idade, dependendo da tolerância individual. Possuem uma maior sensibilidade.

Também de administração intradérmica, existe o teste do soro autólogo, mas tem apenas utilidade em alguns tipos específicos de urticária e não é muito usado por rotina na prática clínica.

Os testes epicutâneos, também designados testes cutâneos de contato (patch tests), consistem na aplicação dos testes em formato de um adesivo nas costas.

Estes testes são importantes no estudo da dermatite de contacto alérgica provocada por vários produtos que contactam com a pele, nomeadamente, metais, cosméticos, também medicamentos tópicos (em pomada ou creme).

Devem ser feitos entre 6 semanas a 6 meses após terminarem os sintomas.

Os resultados destes testes só são conhecidos depois de 48 e 96h após aplicação (ou 7 dias na suspeita de reação a corticosteroides) e a interpretação dos resultados requer experiência, sobretudo porque pode acontecer reação irritativa da pele que não significa alergia! O risco destes testes é baixo, mesmo em doentes com história de reações graves aos medicamentos. Resultados negativos falsos podem dever-se a má penetração cutânea (moléculas de maiores dimensões) ou baixa concentração.

Que tipos de alergénios são testados?

Podemos testar quase todo o tipo de alergénios, dependendo da suspeita médica. É importante ter a noção de que os testes a escolher devem ser adequados a cada suspeita clínica, ou seja, só faz sentido proceder à sua realização se o doente apresentar sintomas compatíveis com uma alergia:

Alergias respiratórias

São apenas adequados os testes cutâneos por picada: pode identificar-se alergia aos ácaros, animais, fungos, pólens de gramíneas, pólens de ervas ou árvores, etc.. Em Portugal todos estes alergénios são causa frequente de sintomas respiratórios e, por isso, é habitual testar uma bateria típica que os inclui todos – entre 10 a 14 alergénios habitualmente.

Saiba, aqui, tudo sobre alergia aos ácaros.

Saiba, aqui, tudo sobre alergia aos pólens.

Alergias alimentares

São habitualmente usados os testes cutâneos prick se disponível o extrato comercial (que vem nos frascos). Neste caso não são recomendadas baterias de testes como no caso da alergia respiratória.

Estes exames detetam a maioria dos casos de alergia alimentar, mas o principal problema é que nem todos os resultados positivos são uma verdadeira alergia! Ou seja, é possível ter resultados positivos sem ter alergia! Devem ser apenas realizados testes para os alimentos que se suspeita terem relação com sintomas porque estes exames apresentam muitos resultados falsos-positivos, isto é, existem muitas pessoas com resultados positivos, mas sem qualquer alergia! Quando falamos de alimentos, isso pode ter implicações muito graves! E o facto de ser alérgico a um dos alimentos do teste não implica que seja aos restantes.

Os resultados devem ser interpretados por um Alergologista, até porque também podem existir situações em que estão negativos e isso não necessariamente exclui a existência de alergia nem o risco de reações graves.

Por exemplo, a alergia pode não ser mediada por IgE; além disso, os extratos de alguns alimentos nem sempre existem comercializados em frascos e estes extratos nem sempre dão resultados fidedignos, isto é, podem ser negativos mesmo em doentes com alergia! Nesses casos podemos utilizar o método prick-prick com o alimento se não houver disponível extrato, se tivermos um resultado no método prick negativo, ou se pretendermos avaliar diferentes apresentações do alimento (por exemplo cru versus cozinhado).

Muito raramente e em situações muito específicas são, por vezes, utilizados os testes epicutâneos com alimentos.

Saiba, aqui, tudo sobre alergias alimentares.

Alergias a medicamentos

No caso da suspeita de alergia a medicamentos o procedimento diagnóstico inicia-se pelos testes prick, e se negativos seguem-se os testes intradérmicos de leitura imediata. Nos casos suspeitos de reação tardia, são utilizados os testes intradérmicos de leitura tardia ou os testes epicutâneos.

Existem medicamentos para os quais não temos testes cutâneos disponíveis, ou não são fidedignos.

Saiba, aqui, tudo sobre alergia medicamentosa.

Picada de himenópteros (abelha ou vespa)

Neste caso também iniciamos pelos testes prick, e se forem negativos seguem-se os testes intradérmicos de leitura imediata com várias concentrações dos venenos.

Alergias cutâneas

São utilizados os testes epicutâneos na suspeita de dermatite de contacto alérgica.

Existe uma bateria standard com 30 alergénios, que deve ser bem conhecida, porque em algumas situações a suspeita envolve alguns alergénios que não estão aí contidos e pode ser necessário utilizar baterias específicas como é o caso de reações a próteses, alguns cosméticos, filtros solares, produtos de cabeleireiro, metais, plantas, etc..

Quem pode fazer os testes?

Podem ser realizados em qualquer idade, desde o bebé de meses até ao idoso! Não são os anos de idade que importam, mas sim a suspeita clínica!

Na infância é frequente precisarmos de testes prick devido a suspeita de alguma alergia alimentar ou medicamentosa. Na criança maior é frequente precisarmos de testes prick para alergia respiratória, e em adultos encontramos todas as situações.

Suspensão de medicação e preparação

Temos de suspender os medicamentos anti-alérgicos nos dias anteriores ao exame.

Para além da suspensão destes medicamentos, não é necessário realizar qualquer tipo de preparação prévia nem é preciso cumprir jejum.

Quanto tempo demora um teste?

A duração depende dos testes, os prick, prick-prick e intradérmicos são rápidos a aplicar e a leitura dos resultados faz-se após 15-20 minutos.

Os testes epicutâneos são rápidos a aplicar, mas devem ficar colados nas costas durante 48-72 horas, e só depois ao remover se faz a leitura dos resultados.

E se os testes cutâneos forem negativos?

Pode haver alergia com testes negativos. As situações mais comuns são:

  • Crianças muito pequenas quando o componente alérgico ainda não está bem definido (isto verifica-se na alergia respiratória, mas é raro no caso de alergia alimentar);
  • Quando se toma anti-histamínicos nos dias anteriores;
  • Quando os testes são mal-executados (é por isso que deve procurar sempre ajuda de um Alergologista – é a melhor maneira de evitar erros!);
  • Quando o mecanismo não é mediado por IgE.

Nos casos em que os testes são negativos pode ser necessário fazer análises ou até mais importante, fazer uma prova de provocação para confirmar ou excluir a suspeita de alergia.

Saiba, aqui, o que é uma prova de provocação.

Outros exames / análises

As análises de sangue permitem medir a quantidade de anticorpos para cada um dos alergénios. Existem para alimentos, respiratórios, venenos de himenópteros (abelha e vespa) e alguns medicamentos.

Ao avaliar o nível dos anticorpos específicos para o alergénio, ou seja, os anticorpos que provocam as reações alérgicas (IgE), conseguimos identificar o que causa alergia e, por isso, podem ser uma alternativa aos testes cutâneos.

No entanto, estes exames são mais demorados, de preço mais elevado e menos sensíveis do que os testes cutâneos.

Todavia, adquirem valor em algumas situações:

  • Em doentes com problemas de pele (nesses casos, os testes cutâneos podem ser mais difíceis);
  • Em doentes que se encontram a tomar anti-histamínicos (estes medicamentos anulam o resultado dos testes);
  • Para completar a avaliação diagnóstica de casos mais complexos, nomeadamente quando existe reatividade cruzada, ou algumas proteínas específicas dos alimentos;
  • Para acompanhar a evolução da alergia, isto é, para percebermos se a alergia está a “passar” ou não.

Outros exames / Testes de intolerância aos alimentos

Os testes de intolerância alimentar não demonstraram até à data validade para o diagnóstico de alergia ou intolerância a alimentos (exceto o teste de intolerância à lactose).

Apesar de se terem tornado uma moda muito difundida, são exames caros e não existem publicados estudos científicos devidamente fundamentados que justifiquem este tipo de exames – exame da unha, do cabelo, ao sangue, biorressonância, etc….

Os resultados positivos não provaram que exista doença, muitas vezes apenas traduzem uma resposta normal do organismo perante os alimentos ingeridos. Por esse motivo não estão atualmente recomendados.

Muitas sociedades científicas em todo o mundo, incluindo Portugal, têm feito comunicados à população sobre este tema.

Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/medicina/alergologia/testes-cutaneos/

Testes cutâneos: como fazer bons diagnósticos em alergologia? – Blog IPEMED

Como é feito o teste de alergia e quando é indicado

Sabemos que os testes cutâneos são uma das principais alternativas para identificar alergias em um paciente, facilitando a prática clínica do médico alergista e a resolução dos seus diagnósticos.

Por isso, entender mais sobre a sua metodologia e demais aspectos é essencial para obter melhores resultados em sua rotina profissional. Então, aproveite para conferir o conteúdo a seguir e aprimorar seus conhecimentos.

Quando um teste cutâneo é mais recomendado?

Apresentando algum sintoma alérgico, em primeiro lugar a pessoa deve procurar um especialista na área, o médico alergista, para investigar quais as possíveis causas desse tipo de manifestação.

Depois de uma anamnese completa e de avaliar o histórico de saúde do paciente, o médico deve decidir se há algum tipo de suspeita que pode ser confirmada com a ajuda do teste cutâneo.

Esse tipo de exame é simples e eficiente no diagnóstico de diversos tipos de alergias. São preparados diversos extratos biológicos alergênicos que devem ser colocados em contato com a pele do paciente.

Normalmente, isso pode ser feito pelos dois métodos a seguir:

Teste de Puntura

Também conhecido como Prick Test, consiste em aplicar diversas substâncias com uma pequena perfuração na superfície da pele do antebraço, verificando depois de aproximadamente 15 a 20 minutos se há algum tipo de reação de acordo com cada substância.

Quando a pessoa é alérgica a certa substância, é comum que ela apresente vermelhidão e/ou inchaço nas regiões aplicadas, indicando que há presença do anticorpo IgE contra o alérgeno testado.

Teste de Contato

Já no caso do Teste de Contato de Leitura Tardia (ou Patch Test), coloca-se uma espécie de fita adesiva nas costas do paciente, com pequenas câmaras que contém os alérgenos.

Depois disso, o médico pode avaliar quais as reações positivas e negativas para cada espaço. É comum que as substâncias que provocam alergia em cada pessoa ocasionem irritações na pele.

Esse tipo de exame é realizado em 3 tempos ou etapas. Além do momento inicial, o profissional ainda deve avaliar as reações após 48 e 72 horas (e, se achar necessário, depois de 96 horas). Assim, ele conseguirá fornecer um laudo mais completo e preciso.

A escolha entre um procedimento e outro depende da avaliação do médico, principalmente porque são as evidências clínicas que levam à recomendação (ou não) dos testes cutâneos — que podem ser realizados em pessoas de qualquer idade.

De acordo com o presidente da ASBAI-MG (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia), o único detalhe nesse sentido é que em idosos e crianças os resultados podem não ser tão fidedignos, devido a especificidades dos sistemas imunológicos dessas faixas etárias.

De forma geral, não há grandes restrições para realizar os testes de alergia. No entanto, é bom lembrar que eles geralmente não são recomendados em casos como:

  • pacientes que fazem uso de determinados medicamentos (como antidepressivos, corticoides, anti-histamínicos etc);

  • gestantes (sobretudo sem recomendação do médico que acompanha a gravidez);

  • pessoas que possuem alta sensibilidade e podem acabar desencadeando uma reação com risco de vida (anafilaxia);

  • pessoas que apresentam condições de pele que dificultem a conclusão de resultados confiáveis.

Há ainda a possibilidade de fazer esse tipo de diagnóstico por exames de sangue. Outra novidade muito comentada no meio é a tecnologia molecular, que possibilita resultados ainda mais precisos para mais de 100 componentes de mais de 50 alérgenos, mas que, por enquanto, está em fases iniciais de aplicação.

Contudo, vale ressaltar que tudo isso depende de fatores como a gravidade do problema, tipo de manifestação alérgica, idade do paciente, disponibilidade, entre outros.

Quais substâncias os testes cutâneos não conseguem detectar?

Segundo o padrão sugerido pelo Grupo Brasileiro de Estudo em Dermatite de Contato (GBEDC), há cerca de 30 substâncias básicas que devem ser avaliadas pelos testes cutâneos.

Isto é, a princípio, os exames servem para identificar o tipo de reação entre as principais substâncias que causam alergias, como:

  • ácaros;

  • alimentos (tipo leite, glúten, ovo, trigo, etc);

  • fungos;

  • pólen;

  • látex;

  • animais (tipo insetos, epitélio de cães, gatos, etc);

  • bactérias, vírus, etc.

Porém, ainda existem casos que estão relacionados a componentes de cosméticos ou outras substâncias químicas. O sulfato de níquel, por exemplo, presente em bijuterias e objetos metálicos, é uma das substâncias que mais apresenta reações positivas.

De toda forma, é fundamental o acompanhamento do médico para saber se o teste cutâneo é o mais indicado para cada caso.

Como dar um diagnóstico completo de alergia ao seu paciente?

Por fim, ainda que os testes cutâneos e os exames de sangue sejam eficazes no diagnóstico de uma alergia, o médico não pode dar sua palavra final com base apenas nos resultados apresentados por eles.

Sua finalidade é somente descobrir se a pessoa é sensível em relação a uma determinada substância, já que eles conseguem detectar a presença de sinais locais, como a vermelhidão e inchaço, que são a resposta do sistema imunológico contra os alérgenos.

Inclusive, há muitas pessoas que apresentam um resultado positivo no teste cutâneo, mas não chegam a desenvolver um quadro de alergia. Logo, a interpretação dos resultados e a formação do diagnóstico completo requer maior dedicação — até porque constatar a sensibilidade não é o suficiente para prever a gravidade da reação alérgica e prescrever os tratamentos mais adequados.

Outro detalhe que precisa ser lembrado: não é recomendável fazer esses testes simplesmente para investigar a possibilidade de alergias em pacientes que não apresentam nenhum sintoma alérgico relevante.

O diagnóstico de uma alergia envolve muita responsabilidade, sobretudo no que diz respeito ao contexto do problema e ao histórico de saúde de cada pessoa. A supervisão de um profissional especialista é essencial para acompanhar todo esse processo, oferecendo conforto e segurança para os seus pacientes.

Aliás, há outros métodos que podem ser utilizados de forma complementar (sempre a pedido do médico) para identificar a causa ou mesmo como tratamento — a exemplo dos períodos de restrições alimentares e das terapias alternativas, como a acupuntura.

Portanto, é extremamente importante ter muito cuidado nessas situações. Segundo relatório publicado por alergistas do John’s Hopkins Children’s Center (EUA), esse tipo de diagnóstico de fato não pode se restringir aos exames de sangue ou testes cutâneos. Eles apenas deveriam ser utilizados para:

  • confirmar suspeitas após observar reações clínicas sugestivas;

  • monitorar a evolução de alergias alimentares de forma periódica;

  • confirmar alergias a venenos de insetos depois de uma picada que possa causar choque anafilático;

  • determinar alergias a certas vacinas (no caso, apenas os testes cutâneos).

Enfim, deve-se ter a consciência de que tudo isso é imprescindível para oferecer um diagnóstico completo e seguro na área de alergologia. As alergias costumam ser uma condição do paciente e, apesar de nem sempre haver cura, ao identificar suas motivações com seriedade é possível prescrever tratamentos eficazes para que se possa controlar o problema.

E então, entendeu melhor a importância dos testes cutâneos e de como fazer um bom diagnóstico de um quadro alérgico? Se você tem interesse pelo assunto, não deixe de conhecer a nossa Pós-Graduação em Alergologia — aproveite também para baixar o Manual do Aluno e ficar por dentro de tudo!

Источник: https://ipemed.com.br/blog/testes-cutaneos-como-fazer-bons-diagnosticos-em-alergologia/

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