Como é feito o tratamento da Sífilis (em cada fase)

Tratamento e Cura da Sífilis

Como é feito o tratamento da Sífilis (em cada fase)

Sífilis Sífilis Congênita

Como é feito o tratamento da Sífilis (em cada fase)

Reproduzido de:

Dermatologia na Atenção Básica de Saúde / Cadernos de Atenção Básica Nº 9 / Série A – Normas de Manuais Técnicos; n° 174 [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Políticas de Saúde

Departamento de Atenção Básica

Área Técnica de Dermatologia Sanitária

BRASÍLIA / DF – 2002

Sífilis / Sífilis Congênita

CID-10:

A50-A53

Sífilis Adquirida

A sífilis é uma doença infecto-contagiosa, sistêmica, de evolução crônica, com manifestações cutâneas temporárias, provocadas por uma espiroqueta.

A evolução da sífilis é dividida em recente e tardia. A transmissão da sífilis adquirida é sexual e na área gênito-anal, na quase totalidade dos casos.

Na sífilis congênita, há infecção fetal via hematogênica, em geral a partir do 4º mês de gravidez.

Sífilis Adquirida Recente

Esta forma compreende o primeiro ano de evolução, período de desenvolvimento imunitário na sífilis não-tratada e inclui sífilis primária, secundária e latente. A sífilis primária caracteriza-se por apresentar lesão inicial denominada cancro duro ou protossifiloma, que surge em 1 a 2 semanas, ocorrendo adenite satélite.

O cancro duro, usualmente, desaparece em 4 semanas, sem deixar cicatrizes. As reações sorológicas para sífilis tornam-se positivas entre a 2ª e a 4ª semanas do aparecimento do cancro. A sífilis secundária é marcada pela disseminação dos treponemas pelo organismo.

Suas manifestações ocorrem de 4 a 8 semanas do aparecimento do cancro. A lesão mais precoce é constituída por exantema morbiliforme não pruriginoso: a roséola (Figura 1).

Posteriormente, podem surgir lesões papulosas e pápulo-escamosas palmo-plantares (Figura 2), placas mucosas, adenopatia generalizada, alopécia em clareira e os condilomas planos. As reações sorológicas são sempre positivas.

No período de sífilis recente latente, não existem manifestações visíveis, mas há treponemas localizados em determinados tecidos. Assim, o diagnóstico só é obtido pelas reações sorológicas. Pode ocorrer com freqüência polimicroadenopatia, particularmente de linfonodos cervicais, epitrocleanos e inguinais.

Figura 1: Sífilis.

Figura 2: Sífilis palmo-plantar.

Sífilis Adquirida Tardia

É considerada tardia após o primeiro ano de evolução e ocorre em doentes que não receberam tratamento adequado ou que não foram tratados. Suas manifestações clínicas surgem depois de um período variável de latência e compreendem as formas cutânea, óssea, cardiovascular, nervosa e outras.

As reações sorológicas são positivas. A sífilis tardia cutânea caracteriza-se por lesões gomosas e nodulares, de caráter destrutivo. Na sífilis óssea, pode haver osteíte gomosa, periostite osteíte esclerosante, artralgias, artrites, sinovites e nódulos justa-articulares.

O quadro mais freqüente de comprometimento cardiovascular é a aortite sifilítica (determinando insuficiência aórtica), aneurisma e estenose de coronárias.

A sífilis do sistema nervoso é assintomática ou sintomática com as seguintes formas: meningovascular, meningite aguda, goma do cérebro ou da medula, crise epileptiforme, atrofia do nervo óptico, lesão do sétimo par, paralisia geral e tabes dorsalis.

Sífilis Congênita

É conseqüente à infecção do feto pelo Treponema pallidum, por via placentária. A transmissão faz-se no período fetal a partir de 4 a 5 meses de gestação.

Antes dessa fase, a membrana celular das vilosidades coriais parece constituir obstáculo intransponível para o treponema.

Após sua passagem transplacentária, o treponema ganha os vasos do cordão umbilical e se multiplica rapidamente em todo o organismo fetal.

Sífilis Congênita Precoce

É aquela em que as manifestações clínicas se apresentam logo após o nascimento ou pelo menos durante os primeiros 2 anos. Na maioria dos casos, estão presentes já nos primeiros meses de vida. Assume diversos graus de gravidade, sendo sua forma mais grave a sepse maciça com anemia intensa, icterícia e hemorragia.

Apresenta lesões cutâneo-mucosas, como placas mucosas, lesões palmo-plantares (Figura 3), fissuras radiadas periorificiais e condilomas planos anogenitais; lesões ósseas, manifestas por periostite e osteocondrite, lesões do sistema nervoso central e lesões do aparelho respiratório, hepatoesplenomegalia, rinites sanguinolentas, pseudoparalisia de Parrot (paralisia dos membros), pancreatite e nefrite.

Figura 3: Sífilis congênita.

Sífilis Congênita Tardia

É a denominação reservada para a sífilis que se declara após o segundo ano de vida.

Corresponde, em linhas gerais, à sífilis terciária do adulto, por se caracterizar por lesões gomosas ou de esclerose delimitada a um órgão ou a pequeno número de órgãos: fronte olímpica (Figura 4), mandíbula curva, arco palatino elevado, tríade de Hutchinson (dentes de Hutchinson (Figura 5) + ceratite intersticial + lesão do VIII par de nervo craniano), nariz em sela (Figura 6) e tíbia em lâmina de sabre.

Figura 4: Sífilis congênita: fronte olímpica.

Figura 5: Sífilis congênita: dentes de Hutchinson.

Figura 6: Sífilis congênita: nariz em sela.

SINONÍMIA

Lues, doença gálica, lues venérea, mal gálico, sifilose, doença britânica, mal venéreo, peste sexual.

ETIOLOGIA DA SÍFILIS

Treponema pallidum, um espiroqueta de alta patogenicidade.

MODO DE TRANSMISSÃO DA SÍFILIS

Da sífilis adquirida é sexual, na área genital, em quase todos os casos. O contágio extragenital é raro. Na sífilis congênita, há infecção fetal por via hematogênica, em geral a partir do 4º mês de gravidez. A transmissão não sexual da sífilis é excepcional, havendo poucos casos por transfusões de sangue e por inoculação acidental.

DIAGNÓSTICO DA SÍFILIS

Clínico, epidemiológico e laboratorial. A identificação do Treponema pallidum confirma o diagnóstico. A microscopia de campo escuro é a maneira mais rápida e eficaz para a observação do treponema, que se apresenta móvel. O diagnóstico sorológico baseia-se fundamentalmente em reações não treponêmicas ou cardiolipínicas e reações treponêmicas.

A prova de escolha na rotina é a reação de VDRL, que é uma microaglutinação que utiliza a cardiolipina. O resultado é dado em diluições, e esse é o método rotineiro de acompanhamento da resposta terapêutica, pois nota-se uma redução progressiva dos títulos. Sua desvantagem é a baixa especificidade, havendo reações falso-positivas em numerosas doenças.

Rotineiramente, é utilizado o FTA-abs, que tem alta sensibilidade e especificidade, sendo o primeiro a positivar na infecção. O comprometimento do sistema nervoso é comprovado pelo exame do líquor, podendo ser encontradas pleocitose, hiperproteinorraquia e a positividade das reações sorológicas.

O RX de ossos longos é muito útil como apoio ao diagnóstico da sífilis congênita.

Cancro Primário

Cancro mole, herpes genital, linfogranuloma venéreo e donovanose.

Lesões Cutâneas na Sífilis Secundária

Sarampo, rubéola, ptiríase rósea de Gibert, eritema polimorfo, hanseníase virchowiana e colagenoses.

Sífilis Tardia

Se diferencia de acordo com as manifestações de cada indivíduo.

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