Como é feito o tratamento para diabetes

Remédios naturais auxiliam tratamento para diabetes

Como é feito o tratamento para diabetes
Imagem de Tesa Robbins por Pixabay

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de diabéticos vem crescendo e, atualmente, quase 250 milhões de pessoas têm diabetes no mundo.

A doença já é considerada uma epidemia e cada ano cerca de sete milhões de pessoas entram nessa lista.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estima que 12 milhões de pessoas têm a doença, mas cerca de metade delas não sabe disso.

  • Diabetes: o que é, tipos e sintomas

A doença é classificada em dois tipos: diabetes tipo 1 e tipo 2. Na diabetes tipo 1, o pâncreas para de produzir insulina subitamente. Já a diabetes tipo 2 afeta a capacidade do organismo de converter o açúcar presente no sangue em energia, ou seja, o corpo não responde e nem produz a insulina como deveria.

O tipo 1 é autoimune e não há prevenção, já a diabetes tipo 2 poderia ser evitada na maioria dos casos com a prática regular de atividade física e uma alimentação saudável.

Segundo a diretora da Associação Diabetes Brasil, cerca de 90% dos pacientes possui diabetes tipo 2.

Esse dado é alarmante e nos faz repensar nosso poder sobre a nossa própria saúde e no controle de doenças por meio da alimentação.

Adquirir uma vida saudável é fundamental para todos, mas principalmente para quem descobre que tem diabetes, mesmo que a pessoa não apresente os sintomas. Desse modo, você evita que o quadro se agrave e afasta as temidas complicações, como cegueira, falência renal, problemas circulatórios e infarto.

Segundo balanço do Ministério da Saúde, a diabetes mata quatro vezes mais do que a Aids no Brasil. Entender como ela funciona e como causa alterações no organismo é fundamental para evitar as complicações.

Por isso, selecionamos receitas e alimentos que podem te auxiliar na prevenção e no controle da diabetes – eles não substituem o tratamento, mas são remédios naturais que atuam em conjunto com os fármacos para amenizar os sintomas da diabetes.

Lembrando que sempre é necessário consultar uma médica ou médico e informar sobre possíveis alterações em sua dieta e determinar estratégias adequadas ao tratamento do seu caso.

O principal objetivo no controle da diabetes é baixar os níveis de glicose no sangue. Medidas que podem auxiliar pessoas diabéticas a conseguir isso são: manter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas regularmente e tomar medicamentos.

Um estilo de vida saudável não significa cura, mas pode te oferecer uma qualidade de vida com a redução dos sintomas. O primeiro passo é a restrição calórica e a abstenção do consumo de açúcares simples.

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Existem diversas substâncias na natureza que vêm sendo estudadas por sua atuação na prevenção ou redução de sintomas da diabetes. Contudo, lembramos da necessidade de sempre monitorar seus níveis de açúcar no sangue e de consultar sua médica ou médico sobre a utilização de suplementos.

Confira aqui uma lista de dez alimentos que são remédios naturais capazes de auxiliar no tratamento para diabetes:

1. Ácido Alfa Lipóico

Ele está presente em alimentos como espinafre, brócolis, ervilha, fígado, batatas, levedura de cerveja, couve-de-bruxelas e farelo de arroz. Diversos estudos relacionam a substância a uma melhora do metabolismo da glicose e ao aumento da sensibilidade à insulina.

Além disso, pesquisas indicam que ele pode contribuir para a redução de lesões causadas por neuropatia periférica resultante da diabetes. Suplementos em cápsula de ácido alfa lipóico ajudam a reduzir os níveis de açúcar no sangue, sendo um ótimo remédio natural para diabetes. Eles estão disponíveis em lojas de alimentos naturais e em algumas farmácias.

Lembrando que é bom consultar sua médica sobre a possibilidade de tomar o suplemento.

2. Gymnema (Gymnema sylvestre)

A planta é utilizada no tratamento para diabetes na medicina Ayurveda há mais de dois mil anos.

O vegetal é natural das florestas tropicais da Índia e da África e tem sido muito estudado por suas propriedades de reduzir os níveis sanguíneos da glicose por diminuir sua absorção intestinal.

Outros efeitos secundários que também têm sido relacionados à ingestão da planta são relacionados às reduções de peso e de colesterol.

3. Crômio

O cromo ou crômio pode ser encontrado em alimentos, como na levedura de cerveja, em ostras, fígado, queijo, bananas, oleaginosas e batatas, na forma de crómio trivalente (Cr3+).

A deficiência desse mineral está associada a alterações relacionadas com a diabetes, como resistência à insulina, diminuição de seus receptores, intolerância à glicose e incapacidade de a utilizar como fonte de energia.

A suplementação de cromo aumenta a sensibilidade à insulina.

4. Canela

A canela, além de saborosa, pode ser uma aliada no tratamento da diabetes. O uso regular da especiaria auxilia na regulação dos níveis de açúcar no sangue e do colesterol.

5. Betaglucana

Ela é encontrada em cereais, como a aveia, em cogumelos, leveduras e na cevada. Fibras são muito importantes para a manutenção da saúde (saiba mais sobre os benefícios das fibras aqui).

As betaglucanas são fibras altamente viscosas e sua ingestão está relacionada à atenuação da resposta glicêmica e insulínica. Por isso, têm sido estudadas como eficientes na redução dos níveis de colesterol e dos níveis sanguíneos de glicose.

A fibra é um excelente remédio natural para diabetes e sua ingestão, aliada ao tratamento, é recomendada para modular a glicemia e a necessidade de insulina.

6. Mirtilo

O consumo de frutas está relacionado à redução da possibilidade de desenvolvimento de diversas doenças. O mirtilo ou blueberry está relacionado à prevenção da diabetes. Além disso, é útil no tratamento por apresentar propriedades que diminuem a resistência à insulina.

7. Ginseng

Você já deve ter ouvido falar dos benefícios do Ginseng e de sua utilização na medicina chinesa. Mas, entre outras propriedades, o ginseng da família Araliaceae tem sido pesquisado por suas potencialidades hipoglicemiantes, ou seja, ele atua diretamente como um remédio natural na redução da concentração de glicose no sangue.

8. Momordica charantia

Conhecido como melão amargo ou melão-de-são-caetano, o vegetal está relacionado com a tolerância a glicose em pacientes diabéticos.

Uma pesquisa, publicada no Journal of Ethnopharmacology, aponta que 73% dos pacientes analisados apresentaram uma tolerância à glicose superior após o tratamento com a planta.

Extratos da planta ou chás podem ser utilizados como remédio natural para diabetes.

9. Feno-grego

O feno-grego é uma erva utilizada há milhares de anos pela medicina oriental para o tratamento de diversas doenças. Um de seus usos é justamente como remédio natural para diabetes.

Pesquisas demonstram que a erva melhora a tolerância à glicose e reduz os níveis de açúcar no sangue devido a sua atividade hipoglicemiante.

Você pode encontrar suplementos de feno-grego, em pó e em cápsulas, em lojas de produtos naturais.

10. Rabanete

O delicioso vegetal de sabor picante combina muito em saladas e traz diversos benefícios para a saúde, como o auxilio na perda de peso. Seu uso não é tão popular, porém pesquisas apontam que ele é um vegetal que, se adicionado à dieta, pode ajudar no tratamento da diabetes. O rabanete auxilia na redução dos níveis glicêmicos do sangue.

Na medicina tradicional, diversos outros vegetais são utilizados como remédios naturais para diabetes.

Alguns exemplos são alfafa, aloe vera, cevada, bardana, óleo de prímula, óleo de linhaça, óleos de peixe, extrato de semente de castanha, alecrim e spirulina, entre outros.

Contudo, lembramos da necessidade de sempre monitorar seus níveis de açúcar no sangue e de conversar com seu médico ou médica sobre a utilização de suplementos.

A ingestão desses vegetais precisa estar acompanhada de uma alimentação saudável, com alta ingestão de fibras e da prática de exercícios físicos. Manter-se hidratado e relaxado também é muito importante.

O estresse e a depressão podem causar uma elevação dos níveis de açúcar no sangue. A diabetes é uma condição que te obriga a levar uma vida mais sudável.

Com o acompanhamento correto e as readequações na rotina, é possível aproveitar a vida com qualidade.

Veja também:

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Источник: https://www.ecycle.com.br/3709-remedio-natural-para-diabetes

Tratamento do Diabetes – Centro de Obesidade e Diabetes – Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Como é feito o tratamento para diabetes

Dados da Organização Mundial da Saúde divulgados em abril de 2016 estimaram que existem 422 milhões de diabéticos tipo 2 no mundo. Um número que quadruplicou desde 1980.

Este aumento alarmante pode estar relacionado ao crescimento do número de indivíduos com sobrepeso e obesidade, porém o fator muito mais importante é a distribuição inadequada da gordura abdominal, que pode estar relacionada a diversos fatores, incluindo hábitos de alimentação incorretos e falta de atividade física.

Os tipos de diabetes mellitus prevalentes são o tipo 1 e o tipo 2.

Diabetes Tipo 1

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, as próprias células de defesa do indivíduo passam a reconhecer o pâncreas como um corpo estranho e começam a “atacá-lo”, causando morte das células produtoras de insulina (células beta). Por esse motivo, o tratamento diabetes tipo 1 deve ser feito com insulina.

Os mecanismos responsáveis por este defeito nas células de defesa não são bem conhecidos e, por isso, ainda não é possível tratar a causa.

Diabetes Tipo 2

O diabetes tipo 2 tem como causa principal o aumento da gordura visceral (abdominal). Este acúmulo de gordura gera um processo inflamatório que aumenta a resistência à ação da insulina nas células do corpo. Isso faz com que o pâncreas necessite produzir cada vez mais insulina para vencer essa resistência, o que gera um processo lento de morte das células beta do pâncreas.

50% dos diabéticos não sabem que possuem a doença

Prevenção do Diabetes Tipo 2

A melhor maneira de prevenir o diabetes tipo 2 é manter hábitos de vida saudáveis e conservar um peso adequado, principalmente não deixando acumular a gordura no abdome.

Quando existe histórico de diabetes tipo 2 na família este cuidado deve ser maior, pois as chances de ser diagnosticado com a doença aumentam.

Existem também os pré-diabéticos, que são aqueles que possuem os níveis de glicose no sangue elevados, porém em níveis inferiores aos portadores de diabetes do tipo 2.

As glicemias maiores que 100 mg/dL e glicemias pós-prandial (após alimentação) de 2 horas entre 140 e 199 mg/dL fazem o diagnóstico de pré-diabetes.

Além de orientação nutricional e a prática de atividades físicas, pode-se iniciar medicação para impedir a piora da hiperglicemia. Isto deve ser decidido pelo endocrinologista que assiste o paciente.

Diabetes Tipo 1 X Diabetes Tipo 2

Diabetes Tipo 1Diabetes Tipo 2
Idade de inícioGeralmente em jovens, mas pode ocorrer em qualquer idade.Geralmente após os 40 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade, até em crianças (especialmente com obesidade).
InsulinaNão produz.Produz pouco e/ou é resistente à insulina.

Cirurgia metabólica

A partir de 2002, apareceram estudos em animais não obesos e diabéticos que melhoraram o controle da doença após cirurgias que “desviaram” o trajeto da comida no aparelho digestivo.

A partir desses experimentos, nosso grupo realizou um piloto de um protocolo de pesquisa de cirurgia sobre o aparelho digestivo em pacientes com Diabetes Tipo 2 (DMT2) e não portadores de obesidade grau 3 com o objetivo único de tratar o Diabetes Tipo 2 (DMT2).

A partir de então, no Brasil e no mundo, foram realizados vários estudos em animais e seres humanos de mecanismos de ação e resultados de operações sobre o aparelho digestivo para, junto com a medicação, controlar o diabetes foram publicados.

Define-se então cirurgia metabólica como qualquer intervenção do tubo digestivo, que tem como finalidade o controle do diabetes do tipo 2, com ou sem medicação através de mecanismos independentes da perda de peso, e também secundariamente por perda de peso.

 Complicações Crônicas do Diabetes tipo 2

AlteraçãoLocalConsequência
Acometimento de vasos pequenos e finos (microangiopatia diabética)RimDoença renal (Nefropatia)
OlhosAlteração na retina ou catarata: de dificuldade para ver até cegueira
Acometimento de vasos mais calibrosos (macroangiopatia diabética)CérebroDerrames
CoraçãoInfarto, Angina pectoris
Pernas e pésDeficiência de circulação, gangrena
Acometimento de nervos (neuropatia diabética)PeriféricaDiminuição ou perda de sensibilidade, formigamento, dores em pernas e pés
AutonômicaAlteração da pressão, tonturas, impotência, alterações de urina, diarreia, sensação de empachamento no estômago
Microangiopatia + Macroangiopatia + Neuropatia combinadasPésPé diabético: Feridas (úlceras), gangrenas, alterações em articulações (Artropatia de Charcot), edema
BocaÚlceras, língua fissurada, gengivite, abscessos recorrentes, infecções, dores

Mantendo seu diabetes sob controle, você consegue evitar as possíveis complicações da doença.

Источник: https://centrodeobesidadeediabetes.org.br/tudo-sobre-diabetes/tratamento-do-diabetes/

Retinopatia diabética

Como é feito o tratamento para diabetes

A retinopatia diabética é uma das complicações da diabetes e uma das principais causas de cegueira nos adultos, devida às alterações estruturais que ocorrem nos vasos sanguíneos da retina.

Com o evoluir da doença, estes vasos tornam-se incontinentes e libertam sangue ou fluido sanguíneo para o espaço retiniano ou para o vítreo causando problemas na visão.

A retinopatia diabética pode causar perda de visão de duas formas:

  1. Os vasos sanguíneos anormais (neo-formados), como são frágeis, rompem-se e libertam sangue na cavidade vítrea, obscurecendo ou tirando mesmo a visão. Isto, normalmente, acontece nos estadíos mais avançados da doença.
  2. O fluido sanguíneo pode exsudar para a região macular (parte da retina que corresponde à visão central), provocando edema e consequentemente perda de visão. Pode ocorrer em qualquer estadío da retinopatia diabética, embora seja mais provável que ocorra em fases avançadas da doença.

Esta doença tanto pode surgir nos diabéticos tratados com anti-diabéticos orais (diabetes tipo 2) como nos medicados com insulina (diabetes tipo 1).

A retiopatia diabética surge, geralmente, ao fim de alguns anos, manifestando-se mais cedo no caso da diabetes tipo 1 do que na diabetes tipo 2.

A retinopatia diabética não está só dependente dos valores da glicemia, mas também de outros fatores como a hipertensão arterial, colesterolemia, hábitos tabágicos e um outro extremamente importante que é o fator genético, nomeadamente, o hereditário.

Os doentes com diabetes tipo 1 e 2 apresentam grande probabilidade de vir a desenvolver retinopatia diabética, devendo, por isso, realizar exame de fundo ocular pelo menos uma vez por ano.

A retinopatia diabética está diretamente relacionada com os anos de evolução da diabetes.

Mediante o estadio da retinopatia diabética, o oftalmologista deve orientar o doente no sentido de impedir a sua progressão.

A retinopatia diabética, nas grávidas (diabetes gestacional), pode evoluir mais rapidamente, sendo aconselhável que todas as grávidas efetuem exame de fundo ocular no início da gravidez e no pós – parto.

Em relação a outras doenças dos olhos que afetam os diabéticos é de destacar a catarata (turvação do cristalino) que pode desenvolver-se mais precocemente nas pessoas portadoras de diabetes.

O glaucoma (aumento da pressão intra-ocular) também é mais frequente no diabético e pode conduzir à atrofia do nervo ótico e consequente perda de visão.

O diabético possui cerca de duas vezes mais probabilidade de vir a desenvolver glaucoma do que um indivíduo não diabético.

A retinopatia diabética pode ser dividida em vários estadíos, consoante as lesões apresentadas na retina e pode causar perda de visão severa ou até mesmo conduzir à cegueira. Podemos entender os estadíos da doença como as sua fases ou graus de gravidade (classificação da evolução da doença).

Retinopatia diabética proliferativa

A retinopatia diabética proliferativa é a fase mais avançada da doença, sendo caracterizada pelo aparecimento de novos vasos na superfície da retina e da papila. Estes vasos sanguíneos são frágeis e constituídos apenas por endotélio.

Crescem ao longo da retina e em direção ao vítreo sem causar qualquer sintomatologia ou perda de visão, no entanto, como têm finas e frágeis paredes podem romper e libertar sangue na cavidade vítrea, provocando perda de visão severa e até mesmo cegueira.

A retinopatia diabética proliferativa, se não for tratada atempadamente, pode causar perda severa da visão.

Cerca de metade das pessoas com retinopatia proliferativa também possui edema macular. O edema macular pode ocorrer em qualquer estadio da retinopatia diabética, constituindo a principal causa de perda visual nos diabéticos. O edema macular é causado por acumulação de líquido na zona mais importante da retina, a mácula.

Saiba, aqui, tudo sobre edema macular.

Retinopatia diabética não proliferativa

A retinopatia diabética não proliferativa é o estadío menos avançada da doença, podendo-se dentro desta também identificar diferentes graus de evolução da retinopatia. Muitas vezes, estes estadíos iniciais também são apelidados por retinopatia diabética preproliferativa.

Na retinopatia diabética incipiente como o próprio nome indica, a doença encontra-se numa fase inicial e não acarreta alterações visuais. No entanto, a perda de visão pode acontecer, afetando ambos os olhos, se ocorrer a evolução da retinopatia diabética.

A retinopatia diabética não proliferativa ligeira é o estadío precoce da doença. Nesta fase da retinopatia diabética são visíveis microaneurismas (pequenas dilatações vasculares) na retina posterior.

Na retinopatia não proliferativa moderada, à medida que a doença vai progredindo são visíveis para além dos microaneurismas, hemorragias, exsudados moles e duros na retina posterior.

Na retinopatia não proliferativa severa ou grave para além dos sinais da retinopatia moderada, são também visíveis vasos sanguíneos obstruídos, privando diversas áreas da retina do suprimento sanguíneo. Estas áreas da retina isquémicas vão estimular a formação de novos vasos sanguíneos.

Sintomas na retinopatia diabética

Na retinopatia diabética os sintomas variam bastante com o estadío da doença (proliferativa ou não proliferativa). Na fase inicial, a retinopatia diabética é assintomática (sem sintomas). Por este motivo, o doente com diabetes não deve esperar pelo aparecimento de sintomas visuais, devendo realizar exame de fundo ocular, pelo menos uma vez por ano.

A visão turva é um dos sintomas de retinopatia diabética mais frequentes e ocorre, habitualmente, na fase proliferativa da doença, quando a mácula possui edema e quando os neo-vasos se rompem e sangram para o vítreo. A hemorragia pode reaparecer e causar visão muito turva.

Diagnóstico da retinopatia diabética

A retinopatia diabética e o edema macular são detetados durante o exame oftalmológico. O teste de acuidade visual serve para averiguar a visão do doente.

O exame de fundo ocular (fundoscopia), com dilatação (gotas midriáticas), permite ao oftalmologista uma melhor observação do polo posterior e da periferia da retina. Esta observação deve ser efetuada com lentes especiais de modo a examinar em detalhe a retina e o disco ótico.

A tonometria é outro exame que é realizado com um instrumento (Tonómetro de Goldmann) que mede a pressão no interior do olho. Gotas anestésicas são aplicadas na córnea para que o teste seja possível.

A angiografia fluoresceínica é um exame que permite detetar sinais precoces da doença na retina. Neste exame é injetado num vaso do braço um corante especial. As imagens retinianas são captadas sequencialmente, logo que o corante passe pelos vasos sanguíneos da retina. Este exame permite a visualização de:

  • Exsudação dos vasos sanguíneos;
  • Edema retiniano (edema macular); 
  • Depósitos esbranquiçados na retina (exsudados duros) – sinal de incontinência dos vasos sanguíneos;
  • Exsudados moles, que correspondem a áreas da retina isquémicas (enfarte).

Retinopatia diabética tem cura?

A retinopatia diabética não tem cura. Contudo, se for tratada de forma adequada é possível reduzir a perda de visão.

As maiores ou menores complicações ocorridas nos olhos provocadas pela diabetes estão diretamente relacionadas com o estadío da doença.

Para prevenir o aparecimento e a progressão da retinopatia diabética, os doentes com diabetes devem controlar com regularidade os níveis de açúcar, a pressão arterial e o colesterol no sangue. Veja, de seguida, como tratar a retinopatia diabética.

Tratamento da retinopatia diabética

Na retinopatia diabética o tratamento depende do estadío da doença (proliferativa ou não proliferativa). Veremos, de seguida, de que forma é que o tratamento difere em cada um dos estadíos da doença.

Como vimos, e nunca é de mais referir, o melhor tratamento para a retinopatia diabética é, naturalmente, a prevenção. Infelizmente, a doença progride, muitas vezes, para fases em que a perda de visão é irreversível porque não existe uma correta prevenção ou não existe um tratamento atempado.

Durante os primeiros estadios da retinopatia diabética, não se verifica a necessidade de efetuar, normalmente, nenhum tratamento, a menos que se verifique edema macular.

Na retinopatia diabética proliferativa, o tratamento médico é fundamental de modo a não permitir a progressão da doença.

Um dos tratamentos disponíveis na retinopatia diabética é o laser árgon. Este tratamento provoca a destruição dos vasos sanguíneos anormais, assim como das áreas da retina isquémicas.

Normalmente, são necessárias 3 longas sessões de laser, mais duas sessões para completar o tratamento.

Embora possa haver complicações com o tratamento com laser, como diminuição de visão e campo visual periférico, redução da visão das cores e da visão noturna, a acuidade visual que resta permanece estável ou pode até melhorar.

O tratamento com o laser árgon é mais eficaz, antes dos novos vasos sanguíneos sangrarem. É, por isso, que é importante realizar, regularmente, exames oftalmológicos com dilatação pupilar. Mesmo que haja hemorragia na retina e/ou no vítreo, o tratamento com laser deve, apenas, ser realizado se a retina for visualizada.

Se, eventualmente, a hemorragia vítrea for grave, pode ser necessário efetuar cirurgia (vitrectomia). Com a vitrectomia, o sangue e o vítreo são removidos da cavidade vítrea e substituídos por soro.

O edema macular pode ser tratado com laser árgon também designado de tratamento de laser focal (grelha macular). Os spots de laser na retina provocam atrofia dessas áreas evitando saída (leakadge) de fluido dos vasos, reduzindo ou eliminando o edema da retina. A sessão de laser é, normalmente, realizada uma única vez embora possa ser necessário tratamento adicional.

O tratamento com laser focal estabiliza ou melhora a visão, reduzindo o risco de perda de visão em 50% dos casos, apesar de alguns doentes poderem perder alguma visão.

Durante o procedimento com o laser, o doente pode ter a sensação de ardor ou calor que pode ser desconfortável. Após o laser a visão fica ligeiramente diminuída, devido à dilatação pupilar que permanece durante uma a duas horas, sendo aconselhável o uso de óculos de sol, durante esse período.

No entanto, o tratamento com laser não recupera a visão perdida, na maioria das vezes. É, por isso, que detetar a retinopatia diabética precocemente é a melhor maneira de prevenir a perda de visão.

Atualmente, quando se verifica edema macular está indicado, apresentando bons resultados, a associação da laserterapia com anti-angiogénicos, em tempos diferentes.

Os resultados desta associação são melhores do que o tratamento apenas com laser ou com injeções de corticóides.

Quando se injeta na cavidade vítrea anti-angiogénicos verifica-se redução da saída de fluido dos vasos da retina e também necrose dos neo-vasos sanguíneos da retina.

Se houver hemovítreo (sangue no vítreo), o doente pode precisar de realizar uma vitrectomia para recuperar a visão.

A vitrectomia é realizada sob anestesia local ou geral. Um pequeno instrumento (vitrectomo) é utilizado para remover o vítreo com sangue. O gel vítreo é substituído por solução salina (BSS). Em virtude do vítreo ser constituído por 99% de água, o doente não vai notar nenhuma mudança na visão com a troca do vítreo pela solução salina.

A vitrectomia é, habitualmente, realizada em regime de ambulatório. O olho pode ficar vermelho, ligeiramente mais sensível e a oclusão ocular é de apenas 12-24 horas. No pós-operatório são administrados colírios (gotas) de antibióticos e anti-inflamatórios durante cerca de 2 semanas.

Saiba, aqui, tudo sobre vitrectomia.

Como prevenir a retinopatia diabética?

O tratamento com laser e a vitrectomia na retinopatia diabética proliferativa são ambos muito eficazes na redução da perda de visão, apresentando altas taxas de sucesso, todavia, não curam a retinopatia diabética.

Se perdeu a maioria da visão pela retinopatia diabética, existem formas de melhorar a sua qualidade de vida, através de vários meios designados de ajudas de baixa visão (óculos, lupas, telescópios, computadores, etc). Peça encaminhamento para um oftalmologista especializado em baixa visão.

Sendo a retinopatia diabética uma das possíveis complicações da diabetes, o melhor tratamento é a prevenção. As consequências da diabetes podem ser devastadoras não só para os olhos, mas também em muitos outros órgãos vitais.

Um controlo adequado dos níveis de açúcar no sangue retarda não só o aparecimento e a progressão da retinopatia como a necessidade de tratamentos médicos ou cirurgia, de forma a preservar a visão.

O diabético deve fazer exame de fundo ocular no oftalmologista, pelo menos uma vez por ano e deve saber que a retinopatia diabética proliferativa pode desenvolver-se de forma assintomática (sem sintomas).

O facto de não existirem sinais e sintomas leva, por vezes, muitos doentes que padecem de diabetes a não atribuir a importância devida às complicações nos olhos. Nesta fase avançada da retinopatia diabética, todo o diabético apresenta risco muito elevado de perda de visão súbita.

O doente deve estar consciente que em casos extremos, a diabetes causa cegueira

A deteção precoce da retinopatia diabética e o respetivo tratamento podem evitar a evolução e perda de visão. As pessoas com retinopatia diabética proliferativa podem reduzir o risco de cegueira em 95%, se o tratamento for conveniente e os cuidados de acompanhamento adequados.

Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/oftalmologia/retinopatia-diabetica/

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