Como funciona a anestesia geral e quais os riscos

Os Riscos da Anestesia Geral, explicados por anestesistas

Como funciona a anestesia geral e quais os riscos

“Quais são os riscos da anestesia geral?”

Trata-se de uma pergunta de todo dia, no consultório, nas mensagens e e-mails recebidos. Abaixo seguem os esclarecimentos para as dúvidas mais frequentes, respondidas pelos médicos anestesiologistas Flávia Orgler e Marcelo Vellozo Barreira, experientes na aplicação da anestesia geral, em adultos e crianças, para cirurgias do ouvido, nariz e garganta.

O que é Anestesia Geral?

A anestesia geral é um estado reversível de inconsciência e relaxamento que possibilita o paciente ser operado de forma segura e completamente indolor, permitindo que o cirurgião realize seu trabalho com tranquilidade e eficiência.

Quanto tempo ela dura?

A anestesia geral é administrada continuamente durante todo o procedimento cirúrgico. Assim, ela dura o tempo necessário para que o cirurgião realize seu trabalho completamente.

Quem pode aplicar a anestesia geral?

A anestesia geral deve ser realizada por médicos anestesiologistas, que cursam 6 anos de faculdade de medicina e 3 anos de residência médica em anestesiologia.

Eles não só aplicam a anestesia, mas também são responsáveis por cuidar do paciente durante todo o procedimento cirúrgico através da monitorização do ritmo cardíaco, da respiração, pressão arterial e temperatura, entre outros parâmetros.

De onde vem tanto medo da anestesia geral?

A anestesia geral é um procedimento temido por grande parte das pessoas. Isso se deve principalmente pelo medo do desconhecido e a divulgação alarmista de raros acidentes. Com o emprego de medicamentos, técnica e materiais adequados o anestesiologista reduz ao máximo os riscos da anestesia geral.

É possível acordar durante uma anestesia geral?

O risco de despertar durante a cirurgia é muito baixo (1 em cada 3.3oo cirurgias). Atualmente a maioria dos hospitais dispõe de um monitor (conhecido como BIS) que nos permite avaliar o nível de consciência durante todo o procedimento cirúrgico, reduzindo ainda mais o risco de despertar intra-operatório

Quais os riscos da anestesia geral?

Apesar de extremamente segura, a anestesia geral não está isenta de riscos ou complicações. A mortalidade relacionada a anestesia é rara e vem declinando significativamente nas últimas 5 décadas.

Os maiores riscos são os cardiovasculares e respiratórios. Sua incidência está diretamente relacionada ao estado de saúde prévio do paciente. Muitas dessas complicações podem ser previsíveis e prevenidas através da entrevista pré-anestésica. Nela podemos identificar os fatores de risco, otimizando o planejamento anestésico antes do procedimento cirúrgico.

A tosse é uma queixa comum entre os pacientes submetidos a anestesia geral, acometendo até 12,1% dos pacientes nas primeiras 24 horas.

Náuseas e vômitos podem ocorrer no pós-operatório, mas sua frequência diminuiu com o uso de medicamentos anestésicos mais modernos e o emprego de novas drogas anti-eméticas.

Sua incidência é maior em pacientes com uma pré-disposição individual (histórico de náusea e vômitos intensos em pós operatórios anteriores), doença do labirinto e no sexo feminino.

Também estão relacionados às medicações anestésicas utilizadas, bem como a duração e o tipo da cirurgia (laparoscópicas, de ouvido médio, abdominais e neurológicas estão entre as mais propensas).

Reações alérgicas são pouco frequentes, mas podem ocorrer. Porém reações alérgicas graves (anafilaxia, conhecido como “choque anafilático” ou “edema de glote”) são muito raras.

A risco de anafilaxia em pacientes sob anestesia geral é de 1 para cada 10 ou 20 mil cirurgias.

O conhecimento prévio, pelo anestesiologista, do histórico de alergia do paciente é extremamente importante na prevenção desses casos.

Como o paciente pode ajudar a diminuir os riscos da anestesia geral?

Durante a entrevista pré-anestésica é importante responder todas as perguntas de maneira completa e sincera. Não deixe de informar ao anestesiologista sobre problemas de saúde, uso de drogas e álcool. Enumere todos os remédios de uso regular e em especial aqueles que possam ter causado alguma alergia.

Cirurgias prévias, assim como possíveis reações à anestesias anteriores também devem ser relatadas.

Caso considere alguma informação importante que não tenha sido questionada, ela deve ser informada ao anestesiologista espontaneamente.

Para fumantes, o ideal é que se interrompa o cigarro pelo menos 2 semanas antes da cirurgia. Mas se não conseguir deve-se reduzir bastante (no máximo 1 a cada 4-5 horas).

Respeite rigorosamente o tempo de jejum, que é essencial para sua segurança (8 horas para sólidos, 6 horas para leite e 3 a 4 horas para líquidos claros). Essa recomendação visa evitar o risco de vômito com aspiração pulmonar durante a indução da anestesia geral.

Esclareça sempre TODAS as sua dúvidas com a sua equipe médica. A maioria das queixas e insatisfações no pós-operatório se deve à falta de comunicação.

Flávia Orgler – CRM  52.77877-0

Marcelo Vellozo Barreira – CRM  52.65598-8

Saiba mais sobre riscos:

Das cirurgias de amígdalas

Das cirurgias do nariz

Da cirurgia de implante coclear

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Pandit JJ, Cook TM, Jonker WR, et al. A national survey of anaesthetists (NAP5 Baseline) to esti- mate an annual incidence of accidental awareness during general anaesthesia in the UK. Anaesthesia 2013;68:343–53.
2.

Bainbridge D, Martin J, Arango M, et al. Perioperative and anaesthetic-related mortality in developed and developing countries: a systematic review and meta-analysis. Lancet 2012;380:1075–81.3. Harris M, Chung F. Complications of general anesthesia.

Clin Plast Surg. 2013 Oct; 40(4):503-13.

4.Harper NJ, Dixon T, Dugue ? P, et al. Suspected anaphylactic reactions associated with anaesthesia. Anaesthesia 2009;64:199–211.

Источник: https://portalotorrino.com.br/riscos-da-anestesia-geral/

Anestesias: Conheça os tipos e complicações

Como funciona a anestesia geral e quais os riscos

Atendendo a pedido de leitores, escrevo hoje sobre a atuação do enfermeiro no processo anestésico-cirúrgico.

Com a evolução dos métodos para a aplicação de medicamentos e o surgimento de novos fármacos, a anestesia tornou-se mais segura e eficaz, quando relacionada ao alívio da dor, ao controle dos reflexos, ao bloqueio neuromuscular, entre outros.(Carvalho e Bianchi, 2007)

Apesar do enfermeiro não participar da escolha do método ou do fármaco utilizado no procedimento anestésico-cirúrgico, ele desenvolve atividades importantes que subsidiam o anestesiologista nesse processo, entre elas a visita pré-operatória, fundamental para o planejamento da assistência peri-operatória.

Além disso, o enfermeiro também é responsável, no intra-operatório, pela previsão, provisão e controle de materiais e equipamentos necessários, e pela atuação na indução anestésica, na monitorização, na intubação e extubação, no aquecimento e posicionamento adequado do paciente e, principalmente, nas situações de emergência.

Visita pré-operatória

Como a escolha do tipo de anestesia sofre influência multifatorial, a visita pré-operatória investiga esses fatores e as características individuais que aumentam o risco anestésico.

O que abordar na visita

  • Condições atuais da saúde
  • História de doenças pré-existentes, como por exemplo asma e bronquite (podem desencadear broncoconstrição aguda grave); hipertensão (pode aumentar a incidência de acidente vascular ou infarto do miocárdio); hérnia de hiato (aumenta o risco para broncoaspiração), infecções de vias aéreas superiores – IVAS – (risco de complicações pulmonares, broncoespasmo e obstrução das VAS)
  • História da doença atual: sinais e sintomas, exames e tratamento realizados
  • Uso de medicamentos – anticonvulsivantes, antiarrítmicos, hipotensores, vasodilatadores, anticoagulantes, etc
  • Tabagismo e etilismo
  • Reações adversas à fármacos
  • Alergias
  • Antecedentes familiares de complicações anestésicas
  • Histórico de hipertermia maligna e intercorrências em processos anestésicos anteriores

É importante que o enfermeiro tenha conhecimento sobre os tipos de anestesia e suas possíveis complicações para poder oferecer uma assistência segura.

Estágios da anestesia (Guedel)

  • Estágio I (Analgesia): paciente consciente, porém sonolento, há redução das respostas aos estímulos álgicos
  • Estágio II (Excitação ou delírio): perda de consciência e início do período de excitação com reações indesejáveis como vômito, tosse, laringoespasmo, pupilas dilatadas e respiração irregular
  • Estágio III: (Anestesia Cirúrgica): sem movimento espontâneo, respiração tornando-se irregular, relaxamento muscular, pupilas contraídas A anestesia é considerada adequada quando o estímulo doloroso não produz respostas somáticas autonômicas deletérias (p.ex., hipertensão, taquicardia)
  • Estágio IV: (Paralisia Bulbar): respiração superficial ou ausente, pupilas não reativas, hipotensão que pode progredir para parada circulatória e morte

Tipos de anestesia

  • Anestesia local – consiste na infiltração de um anestésico local para bloquear a condução de impulsos nos tecidos nervosos. Os fármacos comumente utilizados são lidocaína, bupivacaína e ropivacaína. Pode ser tópica (aplicação de anestésicos em mucosas) ou infiltrativa (administrados no meio intra e/ou extravascular)
  • Anestesia geral – estado de inconsciência reversível resultante da ação de um fármaco no sistema nervoso central. Esse estado de inconsciência se caracteriza por amnésia, analgesia, depressão dos reflexos, relaxamento muscular e depressão neurovegetativa. Existem três tipos de anestesia geral:
    • Anestesia geral inalatória – o agente anestésico volátil é utilizado sob pressão e o estado de anestesia é alcançado quando o agente inalado atinge a concentração adequada no cérebro. Os agentes mais utilizados são o óxido nitroso (N2O) e halogenados (halotano, isoflurano, enflurano e outros). O óxido nitroso, analgésico fraco que potencializa o efeito dos hipnoanalgésicos e barbitúricos, produz vasodilatação periférica e hipóxia por difusão – por esse motivo deve ser administrado junto com o oxigênio
    • Anestesia geral intravenosa – a droga anestésica é infundida por uma acesso venoso. Podem ser utilizados os anestésicos não-opióides (ex.: Barbitúricos, Benzodiazepínicos, Cetamina, Etomidato, Propofol e opióides (ex.: Fentanil, Sufentanil, Alfentanil, Remifentanile) e bloqueadores neuromusculares
    • Anestesia geral balanceada – combinação de agentes anestésicos inalatórios e intravenosos
  • Anestesia regional – consiste na administração de um agente anestésico para bloquear ou anestesiar a condução nervosa a uma região do corpo. É definida como perda reversível da sensibilidade. Existem três tipos de anestesia regional:
    • Anestesia raquidiana – também chamada de raquianestesia ou anestesia espinhal, consiste na aplicação do agente anestésico (bupivacapina, lidocaína, procaína, mepivacaína, prilocaína) no espaço subaracnóide, atingindo o líquido cefalorradiquiano, resultando em bloqueio simpático, bloqueio motor, analgesia e insensibilidade aos estímulos
    • Anestesia peridural ou epidural – consiste na aplicação do agente anestésico no espaço ao redor da dura-máter, não atingindo o líquido cefalorradiano, bloqueando a condução nervosa e causando insensibilidade aos estímulos. Após a difusão o anestésico se fixa ao tecido nervoso, bloqueando as raízes nervosas intra e extradurais
    • Bloqueio de nervos periféricos – consiste na administração do agente anestésico em torno do plexo nervoso e consequente perda das funções motoras e sensitivas das áreas supridas por esse nervo. Exemplo: bloqueio do nervo isquiático
  • Anestesia combinada – associação de anestesia geral e regional

A sedação é comumente utilizada, independente do tipo de anestesia programada. Pode ser feita com a administração de fármacos como o propofol, midazolam, remifentanila.

Possíveis Complicações

Em relação a anestesia local:

  • Reações tóxicas locais
  • Reações tóxicas sistêmicas
  • Reações graves (se as reações tóxicas não forme atendidas rapidamente): hipotensão, bradicardia, arritmia, sudorese, palidez, ansiedade, tontura, convulsões, depressão respiratória e parada cardíaca

Em relação a anestesia geral:

  • Sedação insuficiente
  • Complicações respiratórias: hipóxia, broncoespasmo, aspiração do conteúdo gástrico (Síndrome de Mendelson), apnéia
  • Complicações cardiovasculares: bradicardias, arritmias, hipotensão, hipertensão, embolia, parada cardíaca
  • Complicações neurológicas: anóxia cerebral, cefaleia, convulsões
  • Complicações digestivas: parada da motilidade intestinal, insuficiência hepática
  • Hipertermia maligna – é uma desordem farmacogenética potencialmente fatal. Durante a crise, os anestésicos inalatórios, os relaxantes musculares (succinilcolina) são os gatilhos para desencadear um imenso acúmulo de cálcio (Ca2+) no mioplasma, o que leva a uma aceleração do metabolismo e atividade contrátil do músculo esquelético. Esse estado hipermetabólico gera calor e leva à hipoxemia, acidose metabólica, rabdomiólise e um rápido aumento da temperatura corporal, que pode ser fatal se não reconhecida e tratada precocemente (Correia et al, 2012)

Em relação a raquianestesia:

  • Cefaleia pós-raquianestesia
  • Retenção urinária
  • Hipontensão por bloqueio de nervos simpáticos
  • Lesão das raízes nervosas
  • Hematoma espinhal
  • Meningites sépticas – decorrente da contaminação do líquor por germes patogênicos
  • Meningites assépticas – decorrente da irritação meníngea
  • Síndrome da cada equina – disfunção vesical e intestinal, perda da sensibilidade do períneo e fraqueza de membros inferiores decorrentes do trauma das raízes nervosas, isquemia, infecção ou reações neurológicas

Em relação a anestesia peridural:

  • Cefaleia por punção subaracnóide acidental
  • Retenção urinária
  • Hipontensão e bradicardia por bloqueio de nervos simpáticos
  • Abscesso epidural – por infecção local
  • Hematoma peridural
  • Dor lombar

Em relação ao bloqueio de nervos periféricos:

  • Lesões de plexo
  • Hematomas

Os riscos relacionados à anestesia estão diretamente ligados às condições do paciente, ao tipo de cirurgia, aos fármacos utilizados, entre outros.

A classificação das condições físicas foi desenvolvida pela American Society Anestesiologist (ASA) para oferecer linhas gerais uniformes. Trata-se de uma avaliação da gravidade de doenças sistêmicas, anormalidades anatômicas ou disfunções fisiológicas.

ASA I:  paciente sadio, ausência de alterações fisiológicas, bioquímicas ou psiquiátricas
ASA II: paciente com doença sistêmica de grau leve ou moderado.
ASA III: paciente com doença grave que limita a atividade, mas não é incapacitante
ASA IV:  paciente com doença severa, incapacitante, contribuindo para ameaça à vida.
ASA V:  paciente em fase terminal, que não se espera sobreviver sem a cirurgia
ASA VI: paciente com morte cerebral declarada, doador de órgãos em potencial

Gerenciamento de riscos

Os profissionais de saúde precisam compartilhar da responsabilidade de garantir um ambiente seguro e livre de riscos.

A Sistematização da Assistência de Enfermagem Peri-operatória (SAEP) compreende o atendimento no período pré-operatório, trans-operatório e pós-operatório.

Segundo Gritten, existem algumas fases essenciais à aplicabilidade da SAEP: o enfoque de risco, o gerenciamento de casos, a prática baseada em evidências, planejamento baseado na programação cirúrgica e os diagnósticos de enfermagem.

Na fase intra-operatória o enfermeiro exerce a função na prevenção de riscos por meio de intervenções de enfermagem relacionadas ao procedimento anestésico-cirúrgico.

Apesar de ser um processo relevante, a SAEP ainda é pouco implementada em relação ao número de instituições que necessitam, frente a entraves como falta de tempo devido ao número escasso de profissionais (novamente a falta de dimensionamento de pessoal), despreparo e pouco conhecimento para a sua aplicação.

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN).

É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.

Источник: https://multisaude.com.br/artigos/anestesias-conheca-os-tipos-e-complicacoes/

5 coisas que você deve saber sobre anestesia

Como funciona a anestesia geral e quais os riscos

Sedação: que tem o objetivo de reduzir a ansiedade do paciente; 

Anestesia geral: que pode ser feita por injeção de medicamentos na veia (venosa) ou através da inalação de gases anestésicos (inalatória); e

Bloqueios: em que uma determinada parte do corpo fica anestesiada e são utilizados geralmente para cirurgias de membros (braços e pernas) e parte inferior do abdômen.

Em artigo do portal Health Essencials (EUA), o anestesista Christopher Troianos, diretor do setor de anestesiologia da Cleveland Clinic (EUA), falou dos riscos do procedimento, para ajudar a separar fato de ficção. O especialista destacou cinco pontos-chave da anestesia que por vezes, são mal compreendidos ou mudaram nos últimos anos.

1. Anestesia nem sempre significa que você vá dormir

“Existem três tipos diferentes de anestesia, e você está apenas inconsciente em uma delas”.

 – A anestesia geral é o que muitas pessoas pensam quando se trata de anestesia. Isso coloca você para dormir durante a cirurgia. Ela é geralmente usada para cirurgias em áreas como o abdômen, peito ou cérebro. Os médicos também podem recomendar anestesia geral se esperam uma cirurgia longa ou complexa.

– A anestesia local envolve uma parte específica do corpo para evitar a dor durante a cirurgia ou outros procedimentos. É muitas vezes usada para o trabalho dental – o dentista entorpece apenas a parte da boca onde o paciente precisa de uma extração ou outro procedimento.

– A anestesia regional bloqueia a dor em uma parte maior do corpo, como um braço ou uma perna, ou abaixo da cintura. O exemplo mais comum é na analgesia epidural, que bloqueia a dor durante o parto.

Em alguns casos, os médicos usam sedação juntamente com anestesia local ou regional, para deixar a pessoa mais relaxada e confortável, mas não totalmente adormecida.

2. A anestesia é muito segura

Isso é verdade atualmente, mas não foi sempre assim, diz o Dr. Troianos. “Nos anos 1960 e 1970, não era incomum ocorrer morte relacionada à anestesia na proporção em cada um em 10.000 ou 20.000 pacientes”, diz ele. “Agora é mais como um em cada 200.000 pacientes – é muito raro”. O especialista diz que a anestesia é mais segura hoje por causa dos avanços na tecnologia e da medicação.

– “Anestesiologistas usam um oxímetro de pulso para garantir que o paciente receba oxigênio suficiente durante a cirurgia. Isso ajuda a garantir que o tubo de respiração usado para anestesia geral entre na traqueia e não no esôfago – algo que era mais difícil de determinar no passado.

– Outra coisa que anestesiologistas observam é a hipertermia maligna. Esta é uma reação rara que algumas pessoas têm com drogas anestésicas, que causa febre alta e pode resultar em complicações e até morte. “Anestesiologistas estão agora em melhores condições para tratar isso, graças a uma melhor medicação”, diz Dr. Troianos.

3. Os efeitos colaterais são relativamente menores

É comum a experiência seguinte ao acordar da anestesia:

– Náusea

– Dor de garganta por causa do tubo de respiração (para anestesia geral)

– Menor dor no local da injeção (para a anestesia local ou regional)

Embora a maioria das anestesias passe seus efeitos rapidamente, o paciente ainda pode sentir-se tonto ou ter sua capacidade de avaliação prejudicada após a cirurgia. “Nós costumamos dizer às pessoas para não fazerem quaisquer decisões importantes da vida ou dirigir um carro ou operar máquinas durante as primeiras 24 horas após a cirurgia”, ressaltou o Dr. Troianos.

4. Há muito pouco risco de paralisia em analgesias epidurais

No passado, as pessoas que passavam por uma anestesia peridural ou raquidiana tinham um risco de paralisia por causa da anestesia, diz o especialista.

“O anestésico ficava em garrafas de vidro e a equipe fazia a limpeza delas com uma solução à base de álcool”, diz ele. “O álcool pode causar danos nos nervos. Portanto, se o álcool ficou dentro da garrafa, pode causar paralisia”.

Desde que as garrafas já não são esterilizadas desta forma, o risco desapareceu, diz ele.

5. Não há razão para temer estar acordado durante a cirurgia

“Algumas pessoas se preocupam em acordar ou ficarem paralisados durante a anestesia geral”.

Filmes recentes têm usado isso como um ponto para enredos, mas é algo extremamente raro, diz o Dr. Troianos. E anestesistas usam muitas estratégias para evitar isso. “Normalmente, a taxa de pressão arterial e do coração do paciente vai subir antes de recuperar a consciência. Então, monitoramos essas coisas para orientar a quantidade de anestésico que usamos”, explicou.

Источник: https://setorsaude.com.br/5-coisas-que-voce-deve-saber-sobre-anestesia/

Afinal, como funciona e quais são os riscos da anestesia geral?

Como funciona a anestesia geral e quais os riscos

Quem está planejando fazer uma cirurgia plástica, provavelmente, já ouviu falar na famosa anestesia geral. Temida por boa parte das pessoas, esse medicamento é específico para bloquear a dor e evitar sofrimento durante um procedimento cirúrgico e invasivo.

Além de inibir desconfortos, o componente também promove a paralisia dos músculos e dos reflexos e promove a inconsciência. Ou seja, a pessoa não sente absolutamente nada após sua aplicação. Contudo, boa parte da insegurança entre os pacientes é devido aos mitos que foram criados a respeito da substância, principalmente, entre o público mais leigo no assunto.

Mas não se preocupe! Neste post, explicaremos tudo o que você precisa saber sobre esse tipo de sedação: o que é, como funciona e seus principais riscos. Siga a leitura e descubra!

O que é anestesia geral?

A anestesia geral é uma sedação frequentemente utilizada em cirurgias demoradas e de grande porte, como lipoaspiração, rinoplastia, aumento de mamas, dentre outras. Já para os tratamentos menores, é possível indicar outras opções de sedação — a anestesia local e a peridural são algumas delas.

Com esse medicamento, é possível bloquear a sensibilidade, bem como os reflexos corporais do paciente, evitando dor ou desconforto ao longo do procedimento.

Atualmente, podemos dizer que existem dois tipos de anestesia geral: a inalatória e a venosa, cabendo ao anestesista decidir qual será a mais indicada para cada caso. A seguir, falaremos mais sobre essas opções.

Anestesia inalatória

Como o nome já revela, a anestesia inalatória é realizada por meio da inalação de gases compostos por substâncias anestésicas. Para fazer efeito, essa sedação percorre os pulmões, cai na corrente sanguínea e, por fim, chega ao cérebro — onde, de fato, vai atuar.

Por essa razão, o resultado tende a ser um pouco demorado, levando alguns minutos para mostrar os primeiros sinais. Quem determinará a quantidade de gás inalado será, unicamente, o anestesista. Essa medição deverá ser feita conforme o porte e a duração do procedimento.

Anestesia venosa

Por sua vez, a anestesia venosa é injetada diretamente na veia do paciente, promovendo sua sedação instantânea. A intensidade do efeito dependerá de um estudo profundo por parte do especialista. Antes da cirurgia, o profissional deverá avaliar, com muita atenção, o tempo de duração do procedimento, bem como o histórico de saúde, a idade, a altura, o peso e a sensibilidade da pessoa.

Como a anestesia geral funciona?

O nível de intensidade da sedação da anestesia geral dependerá da cirurgia que será realizada. Vamos aos exemplos? Um procedimento mais superficial composto apenas por incisões na pele, por exemplo, requer uma menor quantidade de medicamento do que as técnicas que envolvem a manipulação de vísceras.

Para apresentar um efeito satisfatório e seguro, a anestesia ainda conta com quatro fases, sendo elas: a pré-medicação, a indução, a manutenção e a recuperação. Conheça mais sobre cada uma a seguir.

Pré-medicação

Nessa etapa, o paciente recebe uma espécie de ansiolítico, ou calmante, leve e de curta duração. Esse remédio é administrado para que o indivíduo fique calmo enquanto é conduzido ao centro cirúrgico.

Indução

Na indução, a substância é aplicada no paciente por via intravenosa. Assim que a droga é injetada, o paciente é sedado imediatamente, perdendo a consciência e entrando no estado de coma induzido.

Apesar de estar inconsciente, é possível que, durante esse período, a pessoa ainda sinta dor. Por conta disso, é importante que o especialista intensifique ainda mais o anestésico para que a cirurgia seja realizada sem problemas.

Em seguida, o paciente relaxa completamente os músculos, sendo incapaz de controlar suas vias aéreas. Nessa hora, é necessário fazer a intubação — instalando uma ventilação mecânica para que o corpo consiga receber oxigênio ao longo da cirurgia.

Manutenção

Na manutenção, os medicamentos utilizados na indução começam a perder o efeito. Para evitar que o paciente acorde ou sinta dor, o anestesista aplica novas substâncias, de preferência, por via inalatória. Em boa parte das vezes, a sedação é administrada por meio do tubo orotraqueal (intubação) e junto com o oxigênio. Esse processo terá continuidade durante todo o procedimento cirúrgico.

Recuperação

Assim que a cirurgia vai chegando ao fim, o especialista passa a reduzir a sedação. Nessa etapa, também são injetados novos anestésicos para impedir que o indivíduo acorde com muitas dores no local de incisão. Conforme o paciente for recuperando a consciência e conseguir respirar sozinho, é possível retirar o tubo orotraqueal e aguardar até que ele acorde.

Quais são os riscos que a anestesia geral pode acarretar?

A afirmação de que a anestesia geral oferece riscos para a saúde, na verdade, é um mito. Hoje em dia, podemos dizer que esse método de sedação é altamente seguro, e as chances de complicações são mínimas, ainda mais em pacientes que estão saudáveis.

Muitas vezes, os problemas causados após a anestesia são originários de outras condições já preexistentes, como é o caso de doenças renais, cardíacas, pulmonares ou hepáticas. Por essa razão, é fundamental que, antes de investir nessa ideia, o médico responsável faça uma análise profunda sobre a saúde do indivíduo, com o objetivo de descartar a presença de doenças graves.

Vale ainda destacar que a anestesia geral faz parte de um procedimento um tanto complexo. Por conta disso, deve ser administrada somente por profissionais capacitados no assunto.

Fatores de risco

Ao longo da consulta com o anestesista, o profissional deverá fazer uma busca detalhada para garantir que não há nenhum indício de risco cirúrgico, sempre visando à segurança do paciente. Além das doenças graves, existem outros fatores de risco que podem impedir a realização do procedimento. São eles:

  • alergias a determinados alimentos ou medicamentos;
  • alcoolismo;
  • uso de drogas ilícitas, como cocaína;
  • histórico de tabagismo;
  • obesidade;
  • distúrbios do sono.

Efeitos colaterais

Como já mencionamos, as complicações causadas pela anestesia geral são raras. No entanto, alguns pacientes apresentam efeitos colaterais durante a sedação ou, até mesmo, algumas horas após o fim da cirurgia.

Os sintomas mais comuns são:

  • dor de cabeça;
  • enjoo;
  • vômito;
  • alergias.

Há ainda situações mais graves que podem acarretar parada cardíaca, comprometimento da respiração ou, inclusive, danos neurológicos.

Contudo, lembre-se de que esses sintomas relacionados à anestesia geral não são rotineiros e tendem a surgir em pessoas com o quadro clínico bastante debilitado, seja por doenças cardíacas, seja por problemas nutricionais, renais ou uso frequente de drogas e medicamentos.

Então, após a leitura deste post exclusivo, você conseguiu tirar suas dúvidas e perder o medo da anestesia geral? Aproveite que está por aqui e saiba mais sobre 3 hospitais de São Paulo para fazer cirurgia plástica. Boa leitura!

Источник: https://sercirurgiaplastica.com.br/afinal-como-funciona-e-quais-sao-os-riscos-da-anestesia-geral/

Anestesia Geral é Perigosa?

Como funciona a anestesia geral e quais os riscos

A anestesia geral é uma técnica anestésica que promove abolição da dor (daí o nome anestesia), paralisia muscular, abolição dos reflexos, amnésia e, principalmente, inconsciência. Essa forma de anestesia faz com que o paciente torne-se incapaz de sentir e/ou reagir a qualquer estímulo do ambiente, sendo a técnica mais indicada nas cirurgias complexas, longas e de grande porte.

A anestesia geral é muito temida pela população em geral, mas essa má fama é bastante injusta. Conforme veremos mais à frente, o risco de alguém vir a falecer por causa da anestesia é muitíssimo baixo, principalmente se o paciente for saudável e a cirurgia não for complexa.

Nesse artigo iremos focar exclusivamente na anestesia geral. Se você procura informações sobre outras formas de anestesia, acesse o seguinte artigo: Tipos de Anestesia – Geral, Local e Raquidiana e Peridural.

Informações em vídeo

Antes de seguirmos em frente, assista a esse curto vídeo sobre a anestesia geral produzido pela nosso canal do .

Como é feita a anestesia geral?

A anestesia geral possui quatro fases: pré-medicação, indução, manutenção e recuperação.

Riscos

Existe um mito de que a anestesia geral é um procedimento perigoso. Complicações exclusivas da anestesia geral são raras, principalmente em pacientes saudáveis.

Na maioria dos casos, as complicações são derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como doenças cardíacas, renais, hepáticas ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesão/falência de órgãos vitais.

Só como exemplo, um trabalho canadense de 1997, apenas com cirurgias odontológicas com anestesia geral, ou seja, cirurgias de baixo risco realizadas em pacientes saudáveis, detectou uma taxa de mortalidade de apenas 1,4 a cada 1 milhão de procedimentos. Esse tipo de estudo nos mostra que a anestesia em si é muito segura.

Em geral, a taxa de mortalidade da anestesia geral é de apenas 1 em cada 100.000 a 200.000 procedimentos, o que significa um risco de morte de míseros 0,0005% a 0,001%.

É importante destacar que muitas cirurgias sob anestesia geral são realizadas em pacientes com doenças graves ou em cirurgias complexas de alto risco. Porém, na imensa maioria dos casos, quando o desfecho é trágico, raramente a culpa é da anestesia geral.

Também há que se destacar que a anestesia geral é um procedimento complexo, devendo ser feita somente por profissionais qualificados e em ambientes com ampla estrutura para tal.

Fatores que aumentam o risco de complicações

Antes de qualquer cirurgia, um anestesista irá consultá-lo para avaliar o seu risco cirúrgico. Além do reconhecimento prévio de doenças graves que podem complicar o ato cirúrgico, é importante para o anestesista saber algumas informações pessoais do paciente que possam aumentar o risco da anestesia, tais como:

Efeitos colaterais possíveis

A maioria dos efeitos colaterais da anestesia geral ocorre imediatamente após a cirurgia e desaparece em questão de horas. Eventualmente, porém, podem surgir casos de efeitos adversos que demoram mais tempo para melhorar ou que se tornam permanentes.

Efeitos adversos imediatos

Os efeitos imediatos da anestesia geral costumam ser aqueles que são notados logo que o paciente acorda. Em geral, eles são de curta duração, com duração inferior a um dia. Os mais comuns são:

  • Náusea e vômitos.
  • Boca seca.
  • Calafrios.
  • Dor muscular.
  • Coceira pelo corpo.
  • Dificuldade para urinar.
  • Tontura.

Rouquidão após anestesia

Cerca de 5 a 10% podem apresentar um quadro de rouquidão no pós-operatório. Essa complicação ocorre devido à lesão das cordas vocais pela intubação orotraqueal necessária durante a cirurgia. Na imensa maioria dos casos, o quadro é brando e melhora espontaneamente após alguns dias, como qualquer rouquidão comum.

Raramente, pode haver uma lesão mais séria das cordas vocais, provocando rouquidão a longo prazo. Cirurgias prolongadas e pacientes fumantes são os fatores de risco mais comuns para rouquidão pós-anestesia geral.

O uso de corticoides ajuda a reduzir o edema das cordas vocais e reduz o risco de rouquidão a longo prazo.

Confusão mental e delirium

A confusão mental é um efeito colateral comum, mas que costuma durar muito pouco tempo, principalmente nos pacientes jovens. Nos idosos, o risco maior é o desenvolvimento de delirium.

O delirium é um quadro transitório de redução da capacidade de concentração, alterações da memória, confusão mental e alteração da percepção do ambiente, que é bastante comum nos pacientes idosos que estão hospitalizados (explicamos o delirium em detalhes no artigo: Delirium – Confusão Mental nos Idosos).

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de delirium pós-operatório são:

  • Idade avançada.
  • Tabagismo.
  • História prévia de doença psiquiátrica.
  • Uso de medicamentos psicotrópicos.
  • História prévia de AVC.
  • Demência.
  • Cirurgia de emergência.

O delirium não é provocado exclusivamente pela anestesia geral. Ele surge com frequência em pacientes idosos internados por qualquer motivo, princialmente nos casos mais graves e prolongados.

A ocorrência de delirium no pós-operatório aumenta a taxa de complicações e o tempo de internação.

Todos os idosos melhoram após alguns dias, mas cerca de 40% nunca retornam totalmente ao estado cognitivo pré-operatório.

Problemas de memória

Os pacientes idosos também apresentam maior risco de desenvolverem um quadro chamado disfunção cognitiva pós-operatória, que é um quadro de redução das capacidades cognitivas e problemas de memória. Os fatores de risco são basicamente os mesmos descritos acima para o delirium.

Assim como ocorre no delirium, a disfunção cognitiva pós-operatória não provocada diretamente pela anestesia e não costuma ocorrer em pessoas jovens e previamente saudáveis.

Hipertermia maligna

A hipertermia maligna é uma raríssima e potencialmente fatal complicação que pode ocorrer durante a cirurgia. O quadro ocorre em 1 a cada 100 mil anestesias, geralmente tem origem familiar e cursa com febre alta, alterações respiratórias e contrações musculares que se iniciam logo após a administração de anestésicos inalatórios.

Conclusões

A anestesia geral é um procedimento extremamente seguro quando realizado por uma equipe capacitada, sendo habitualmente o método anestésico mais indicado para cirurgias de médio/grande porte. A taxa de mortalidade é muito baixa e as complicações após o procedimento costumam ser brandas e de curta duração.

Referências bibliográficas:

Источник: https://www.mdsaude.com/cirurgia/anestesia-geral/

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