Como funcionam os remédios para atrasar a puberdade

Hormônios e reprodução: Hormônios sexuais, menstruação e pílula

Como funcionam os remédios para atrasar a puberdade

A reprodução humana é controlada pela ação de diversos hormônios, chamados, genericamente, de hormônios sexuais. Nos homens, o principal hormônio sexual é a testosterona, produzida no interior dos testículos por células especializadas, denominadas de células de Leydig.

A presença de testosterona no embrião determina que ocorra o desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos. Já a sua ausência leva à formação dos órgãos femininos. A testosterona também é responsável por características masculinas como pêlos corpóreos e maior massa muscular. Esses atributos são chamados de características sexuais secundárias.

Estrógeno e progesterona

Os principais hormônios sexuais femininos são o estrógeno (ou estrogênio) e a progesterona. O estrógeno é produzido pelos folículos do ovário, ou seja, pelos óvulos em formação.

É responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas e pelo controle do ciclo menstrual.

A progesterona é produzida pelo corpo lúteo (estrutura que se forma a partir do folículo) e, juntamente como estrógeno, atua nas diversas fases do ciclo menstrual.

Dois hormônios produzidos pela hipófise também atuam na regulação dos processos reprodutivos: o hormônio folículo estimulante, comumente chamado de FSH, e o hormônio luteinizante, ou simplesmente LH.

Nos homens, o FSH e o LH estimulam a produção de testosterona pelas células de Leydig e promovem a maturação dos espermatozóides. Nas mulheres, como veremos adiante, os dois hormônios atuam em diversas etapas do ciclo menstrual e também na gravidez.

Hormônios e ciclo menstrual

Na primeira fase do ciclo menstrual, a hipófise secreta o hormônio folículo estimulante (FSH), que, como o nome já diz, irá estimular o desenvolvimento de folículos ovarianos.

Por sua vez, os folículos produzem o estrógeno, que estimula o crescimento das células da parede interna do útero, o endométrio, que se torna mais espesso e vascularizado.

Essas mudanças preparam o útero para o caso da implantação de um embrião, ou seja, de uma gravidez.

A alta concentração de estrógeno na circulação sanguínea inibe a produção de FSH pela hipófise, num processo conhecido como feedback negativo. A queda nos níveis de FSH desestimula os folículos, provocando uma redução na produção de estrógeno.

Nesta fase, a hipófise passa a secretar o hormônio luteinizante (LH), que induz o rompimento do folículo ovariano e leva ao desenvolvimento do corpo lúteo. O corpo lúteo produz a progesterona, que irá auxiliar na manutenção do endométrio até o final do ciclo menstrual. A alta concentração de progesterona na circulação sanguínea inibe, por feedback negativo, a produção de LH pela hipófise.

A queda nos níveis de estrogênio e progesterona faz com que as células endometriais se desprendam da parede uterina. Estas células são expulsas do corpo, através do canal vaginal, causando o sangramento característico da menstruação.

Gravidez

Na gravidez, o embrião se fixa à parede do útero e o endométrio não sofre descamação. Isso ocorre devido à produção de um hormônio, chamado de gonadotrofina coriônica, pela placenta. Este hormônio estimula o corpo lúteo, mantendo o nível de progesterona elevado. Em muitos testes de gravidez a resposta é dada pela presença ou ausência da gonadotrofina coriônica em amostras de urina.

No quarto mês de gestação a própria placenta passa a produzir um hormônio com ação similar à da progesterona, chamado de progesterona 2, e que, deste ponto em diante, é responsável pela manutenção da gravidez.

Como funcionam as pílulas anticoncepcionais?

Os anticoncepcionais orais geralmente contêm uma mistura dos hormônios sexuais femininos, o estrógeno e a progesterona. A ingestão de doses contínuas destes dois hormônios faz com que suas concentrações na circulação sanguínea permaneçam constantes, inibindo a produção de FSH e LH pela hipófise e, conseqüentemente, impedindo a ovulação.

Embora este seja um método anticoncepcional considerado eficaz, os seus possíveis efeitos adversos, como aumento da incidência de acidente vascular cerebral (AVC) e de câncer de mama, fazem com que seu uso ainda seja muito debatido e estudado. Por isso, pesquisas recentes tentam desenvolver medicamentos com baixas dosagens hormonais, que evitem ou minimizem esses riscos.

Leia mais sobre reprodução humana no HowStuffWorks

Источник: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/hormonios-e-reproducao-hormonios-sexuais-menstruacao-e-pilula.htm

Faz mal usar o anticoncepcional para não menstruar?

Como funcionam os remédios para atrasar a puberdade

Este artigo está disponível também em: English, español

*Tradução: Mariana Rezende

Principais coisas que você deve saber:

  • Não tem problema usar pílulas anticoncepcionais para pular sua menstruação
  • Se você optar por pular sua menstruação continuamente, os efeitos colaterais podem incluir sangramentos de escape
  • Seu útero não ficará “entupido”
  • Antes de pular sua menstruação, confira o tipo de pílula que você usa: monofásica (dosagens idênticas de progesterona e estrogênio) ou multifásica (combinações de hormônios com dosagens diferentes)

Algumas pessoas que optam por deixar de menstruar experimentam uma diminuição nas cólicas menstruais e sintomas pré-menstruais (3).

Pular a menstruação também pode melhorar outros sintomas associados, incluindo: dores de cabeça, irritação genital, cansaço e inchaço (4).

Além disso, as pessoas que são impactadas negativamente pela perda mensal de sangue, como pessoas com anemia ou que têm distúrbios de tendência ao sangramento, também podem se beneficiar de “menstruar menos” (5).

Caso esteja tomando anticoncepcionais hormonais, como a pílula, o anel ou o adesivo, sua ovulação já está sendo suprimida todos os meses e sua menstruação não é realmente uma menstruação (nem está “atrasada”).

É um sangramento de retirada.

Esse sangramento de retirada é causado pelo declínio dos hormônios reprodutivos em seu corpo durante os dias em que você não está recebendo nenhum hormônio da pílula, adesivo ou anel (1,2).

Há muitos motivos pelos quais as pessoas optam por “deixar de menstruar”, como conveniência (por exemplo, um encontro ou férias de verão), alívio de sintomas ou apenas preferência pessoal.

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É seguro pular a menstruação com a pílula?

Pesquisas científicas não relataram efeitos negativos significativos para a saúde quando uma pessoa deixa de menstruar usando a pílula (4).

Dito isso, ainda é importante mencionar que não há estudos de longo prazo examinando a segurança de deixar de menstruar continuamente.

Às vezes, as repercussões médicas demoram mais tempo e/ou precisam de um tamanho de amostra populacional maior para começarem a aparecer.

Se você optar por interromper o anticoncepcional hormonal, seu ciclo menstrual natural e sua fertilidade voltarão ao normal depois de um mês, independentemente de quanto tempo você tenha “deixado de menstruar” (6).

Pular a menstruação continuamente causa efeitos colaterais?

O principal efeito colateral de ter longos períodos sem sangramento é o aumento do sangramento de escape (4). A boa notícia é que a frequência de sangramento de escape diminui com o tempo (3,4,7). Além do aumento dos sangramentos de escape, tomar sua pílula anticoncepcional consecutivamente, em vez de menstruar com a pílula, não altera nenhum efeito colateral (4,8).

Uma preocupação sobre não menstruar regularmente é perder a confirmação mensal de que não há uma gravidez. Embora deixar de menstruar com a pílula forneça a mesma proteção contraceptiva de antes, ela também apresenta os mesmos riscos se você não tomar sua pílula regularmente.

Meu corpo não ficará “entupido”?

Não, você não terá um entupimento. Uma coisa que deve saber é que, quando toma a pílula, na verdade você não tem uma menstruação normal.

Na verdade, a pílula anticoncepcional não permite que seu endométrio (o revestimento de seu útero) cresça com a espessura normal, e é por isso que as menstruações com uso de pílula (sangramento de retirada ou privação) são muito mais leves do que uma menstruação natural (9). Se você pular um ciclo, a exposição contínua de hormônios sintéticos manterá seu endométrio no mesmo nível de supressão (10).

Como pular minha menstruação com a pílula de forma segura?

Existem muitas pílulas anticoncepcionais contendo diferentes tipos e doses de hormônios sintéticos. Algumas pílulas são monofásicas – o que significa que elas têm a mesma dose de hormônios em cada pílula.

Outras pílulas são multifásicas – o que significa que a quantidade de hormônios das pílulas muda durante o ciclo. A cartela do anticoncepcional indicará que tipo de pílula você está tomando.

Você pode optar por pular sua menstruação com qualquer tipo de pílula, mas é melhor consultar um@ profissional de saúde antes de começar.

Se você estiver tomando uma pílula anticoncepcional monofásica:

  • Tome as pílulas hormonais normalmente.
  • Quando chegar nas pílulas de placebo (pílulas sem hormônio no final da cartela – costumam ter indicação diferenciada), basta pulá-las e iniciar a nova cartela no dia seguinte como Dia 1.
  • As pílulas anticoncepcionais de dose monofásica permitem flexibilidade no planejamento, já que você poderia tecnicamente programar sua menstruação para sempre que desejar. Basta parar de tomar a pílula por alguns dias (dependendo da marca, isso pode ser de quatro a sete dias), e você terá um sangramento de retirada (11).

Um estudo descobriu que, caso tenha três dias de sangramento consecutivo, optar por iniciar seu período naquele momento resultaria em menos dias de sangramento durante todo o ano (11).

Se você está tomando uma pílula multifásica:

  • Tome as pílulas hormonais normalmente,
  • Quando chegar às pílulas de placebo, simplesmente pule-as e comece a nova cartela no dia seguinte como Dia 1.
  • Com pílulas multifásicas, é ideal ter sua menstruação no final de uma cartela (em oposição à possibilidade das pílulas monofásicas de menstruar a meio da cartela).
  • Basta terminar a cartela atual e tomar as pílulas de placebo para menstruar.

Pular sua menstruação usando pílulas multifásicas não é tão bem estudado como nas preparações monofásicas, algo que deve ser levado em consideração quando se pensa em pular menstruação.

Em um estudo, embora não houvesse efeitos adversos relacionados ao ato contínuo de deixar de menstruar usando a pílula multifásica, quatro entre dez participantes relataram efeitos colaterais de sensibilidade mamária e sangramento de escape (12).

Também existem pílulas anticoncepcionais contínuas no mercado. Algumas pílulas têm 84 dias de hormônios ativos seguidos por 7 dias de placebo, fazendo com que a menstruação venha somente quatro vezes por ano. Outra marca vai ainda mais longe, proporcionando um ano completo de supressão menstrual (4).

Portanto, não tem problema deixar de menstruar usando a pílula?

No geral, o consenso é sim, não há problema em pular o sangramento de retirada com a pílula. Mas, como existem muitas pílulas anticoncepcionais de dosagens diferentes, é sempre melhor discutir primeiro a opção de pular sua menstruação com um(a) médico(a) para garantir que essa seja uma opção segura e saudável para você.

Existe alguma preocupação de que, ao normalizar a ausência de menstruação, as pessoas verão sua menstruação mensal como desnecessária, um incômodo e até mesmo anormal (13). As menstruações não são nem uma maldição nem uma doença.

Um ciclo menstrual é como um sinal vital, assim como a pressão sanguínea, a temperatura ou a frequência respiratória. Atua como um indicador da saúde geral (13).

Se você está tomando pílulas anticoncepcionais e quer menstruar sempre, às vezes ou nunca, a escolha depende de você e de sua preferência.

Se “eliminar”, “pular”, ou “atrasar” sua menstruação e o sangramento de escape com a pílula é algo importante para você, então talvez as pílulas anticoncepcionais tradicionais não sejam a melhor opção.

Há outras formas de contracepção, como as injeções hormonais, os DIUs, o implante hormonal, ou as pílulas contínuas, que podem fazer sua menstruação diminuir em frequência e quantidade, e até mesmo cessar de vez (A).

Fale com profissionais de saúde sobre qual seria a melhor opção.

Artigo originalmente publicado em 05 de outubro de 2017.

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  1. Munro MG. Practical aspects of the two FIGO systems for management of abnormal uterine bleeding in the reproductive years. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol. 2017 Apr 01;40:3-22.
  2. Sulak PJ, Cressman BE, Waldrop E, Holleman S, Kuehl TJ. Extending the duration of active oral contraceptive pills to manage hormone withdrawal symptoms.

    Obstetrics & Gynecology. 1997 Feb 1;89(2):179–83.

  3. Legro RS, Pauli JG, Kunselman AR, Meadows JW, Kesner JS, Zaino RJ, et al. Effects of continuous versus cyclical oral contraception: a randomized controlled trial. J Clin Endocrinol Metab. 2008 Feb;93(2):420-9.
  4. Edelman A, Micks E, Gallo MF, Jensen JT, Grimes DA.Continuous or extended cycle vs.

    cyclic use of combined hormonal contraceptives for contraception. Cochrane Database Syst Rev. 2014 Jul 29;(7):CD004695.

  5. Adams Hillard, PD. Menstrual suppression: current perspectives. Int J Womens Health. 2014 Jun 23;6:631–637.
  6. Davis AR, Kroll R, Soltes B, Zhang N, Grubb GS, Constantine GD.

    Occurrence of menses or pregnancy after cessation of a continuous oral contraceptive. Fertility and Sterility. 2008 May 1;89(5):1059-1063.

  7. Anderson FD, Hait H. A multicenter, randomized study of an extended cycle oral contraceptive. Contraception. 2003 Aug;68(2):89-96.
  8. Nappi RE, Kaunitz AM, Bitzer J.

    Extended regimen combined oral contraception: A review of evolving concepts and acceptance by women and clinicians. Eur J Contracept Reprod Health Care. 2016;21(2):106-115.

  9. The ESHRE Capri Workshop Group. Ovarian and endometrial function during hormonal contraception. Human Reproduction. 2001 Jul 01;16(7):1527–1535.
  10. Anderson FD, Feldman R, Reape, KZ.

    Endometrial effects of a 91-day extended-regimen oral contraceptive with low-dose estrogen in place of placebo. Contraception. 2008 Feb;77(2),91-96.

  11. Jensen JT, Garie SG, Trummer D, Elliesen J. Bleeding profile of a flexible extended regimen of ethinylestradiol/drospirenone in US women: an open-label, three-arm, active-controlled, multicenter study. Contraception.

    2012 Aug;86(2):110-8.

  12. Shulman LP. The use of triphasic oral contraceptives in a continuous use regimen. Contraception. 2005 Aug;72(2), 105-110.
  13. Adams Hillard PJ. Menstruation in adolescents: what do we know? And what do we do with the information?. J Pediatr Adolesc Gynecol. 2014 Dec;27(6):309-19.
  14. A.

    Curtis KM, Jatlaoui TC, Tepper NK, Zapata LB, Horton LG, Jamieson DJ, Whiteman MK. U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, 2016. MMWR Recomm Rep. 2016 Jul 29;65(4):1-66.

Источник: https://helloclue.com/pt/artigos/ciclo-a-z/faz-mal-usar-o-anticoncepcional-para-nao-menstruar

O que são bloqueadores de puberdade e por que estão no centro de uma controvérsia

Como funcionam os remédios para atrasar a puberdade

Nos primeiros dias de 2020, chegou à Suprema Corte britânica um processo movido por uma mãe e uma enfermeira contra a Tavistock and Portman NHS Trust, fundação que comanda o único serviço britânico voltado à identidade de gênero, chamado Gids.

De um lado do processo, advogados argumentam que seria ilegal receitar bloqueadores hormonais — que restringem os hormônios ligados a mudanças no corpo durante a puberdade, como a menstruação ou o surgimento de pelos faciais — a menores de idade do Reino Unido, sob a percepção de que esses jovens não estariam aptos a consentir de modo informado ao tratamento.

De outro, a fundação Tavistock afirmou que adota uma abordagem “cautelosa e atenciosa” no tratamento com crianças e jovens.

Veja, a seguir, o que são esses medicamentos e em que consiste o processo judicial no Reino Unido, bem como as mudanças em relação ao acompanhamento de jovens trans no Brasil.

O que são e para que servem os remédios

Bloqueadores de puberdade são receitados para algumas crianças e adolescentes vivenciando a disforia (ou incongruência) de gênero, descrita como a situação em que “a pessoa sente desconforto ou sofrimento por haver uma desconexão entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero”. Isso significa que elas se sentem presas em um corpo que não reflete sua identidade.

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Transexualidade é definida como casos em que a pessoa sente desconforto ou sofrimento por haver uma desconexão entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero. — Foto: Getty Images

Transexualidade é definida como casos em que a pessoa sente desconforto ou sofrimento por haver uma desconexão entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero. — Foto: Getty Images

“A identificação de gênero ocorre, na maior parte das vezes, em algum momento entre 3 e 5 anos de idade.

Trata-se de como a pessoa se sente e como se identifica (se do gênero feminino ou masculino)”, explica à BBC News Brasil o urologista Tiago Elias Rosito, cirurgião-chefe do Programa de Identidade de Gênero (Protig) do Hospital de Clínicas em Porto Alegre, um dos que são considerados referência no assunto no Brasil.

Dito isso, Rosito lembra que a transexualidade — ou a não identificação com o próprio corpo — é totalmente independente da orientação sexual da pessoa. Também é diferente do travesti, que embora se identifique com o sexo oposto, aceita a genitália de seu próprio corpo.

De volta aos bloqueadores, esses medicamentos impedem, temporariamente, o desenvolvimento do corpo ao suprimir a liberação de estrogênio (hormônio relacionado à ovulação e a características femininas) ou testosterona (hormônio masculino), que começam a ser produzidos em maior quantidade durante a puberdade.

São esses hormônios que orientam o corpo no desenvolvimento de seios, menstruação, pelos faciais e voz mais grossa, por exemplo.

O Gids britânico informa que, ao “pausar” a puberdade, dá-se às crianças e adolescentes com disforia de gênero mais tempo para avaliar suas opções — sem a necessidade de passar pelo estresse adicional de vivenciar mudanças em um corpo em um gênero com o qual não se identificam.

Quando elas param de tomar os bloqueadores, a puberdade é retomada — embora Rosito destaque que pode haver sequelas, a depender da idade em que se iniciou o tratamento.

Os dados disponíveis ainda são poucos no Reino Unido, mas mostram por enquanto que a maioria dos jovens prefere manter a ingestão de bloqueadores, e muitos acabam, depois dos 16 anos, aderindo também a hormônios que ajudem a mudar de sexo.

Ao paralisar a puberdade e o desenvolvimento de características específicas de cada sexo, essas pessoas que aderem à terapia de mudança de sexo evitam ter de passar por tratamentos cirúrgicos mais invasivos (por exemplo, de remover seus seios via mastectomia, caso queiram mudar do sexo feminino para o masculino).

Por que esses remédios causam polêmica?

O processo legal movido contra a Tavistock no Reino Unido foca na questão de se crianças e adolescentes são capazes de dar consentimento informado ao tratamento com bloqueadores, ou seja, se são plenamente capazes de tomar essa decisão.

Durante a puberdade, hormônios estão relacionados a mudanças não só no corpo, mas também no cérebro.

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Conselho Federal de Medicina brasileiro acaba de publicar resolução ampliando o acesso ao atendimento de pessoas com incongruência de gênero. — Foto: Getty Images

Conselho Federal de Medicina brasileiro acaba de publicar resolução ampliando o acesso ao atendimento de pessoas com incongruência de gênero. — Foto: Getty Images

O Gids informa que ainda não se sabe se bloqueadores de puberdade “alteram o curso de desenvolvimento do cérebro adolescente” e explica que os efeitos piscológicos desses medicamentos ainda não são plenamente conhecidos.

Dados preliminares de um estudo mostram que algumas pessoas que ingeriram esses medicamentos relataram ter tido mais pensamentos suicidas e de automutilação. Mas essas pessoas não souberam especificar se esses pensamentos eram causados pelos remédios ou por fatores externos.

Além disso, o estudo foi alvo de críticas por questões técnicas, mas alimentou o debate no Reino Unido.

O NHS afirma que as informações disponíveis sobre os impactos de longo prazo dos bloqueadores são “limitadas”.

Embora eles sejam considerados um tratamento “totalmente reversível”, já que a puberdade pode ser retomada, os medicamentos podem ter efeitos de longo prazo — por exemplo, o Instituto Britânico de Saúde e Excelência em Cuidados (Nice, na sigla em inglês) lista a queda na densidade óssea como um possível efeito colateral do triptorelin, a droga usada pelo Gids.

O processo judicial em andamento alega, ainda, que bloqueadores de puberdade podem afetar a fertilidade e o funcionamento dos órgãos sexuais dos pacientes, embora não haja provas conclusivas sobre isso.

Em 9 de janeiro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução ampliando o acesso ao atendimento de pessoas com incongruência de gênero e permitindo que o tratamento hormonal cruzado (ou seja, tomar hormônios que ajudem na transição de gênero) agora seja feito a partir dos 16 anos — antes, era aos 18 anos.

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Em Uberlândia (MG), em 2017, um garoto de 12 anos que se identificava como menina ganhou na Justiça o direito de interromper sua puberdade. — Foto: Getty Images

Em Uberlândia (MG), em 2017, um garoto de 12 anos que se identificava como menina ganhou na Justiça o direito de interromper sua puberdade. — Foto: Getty Images

Procedimentos cirúrgicos, porém, só podem ocorrer depois dos 18 anos, e pacientes têm de ter passado por “no mínimo um ano de acompanhamento por uma equipe multiprofissional e multidisciplinar”. Essa equipe incluiria, no mínimo, psiquiatra, endocrinologista, ginecologista, urologista e cirurgião plástico.

Segundo o CFM, a resolução é fruto de mais de dois anos de análises e discussões, que levaram em conta “além de aspectos éticos e legais, diferentes estudos clínicos sobre o assunto”.

Para o urologista Tiago Rosito, a resolução é benéfica ao permitir atenção médica a pessoas que desde cedo se identificam como transgênero “e evitar que elas passem por grande sofrimento ou mesmo caiam em mãos erradas” de tratamentos irregulares. “É seguro e melhor começar mais cedo.”

Dito isso, Rosito destaca que o Brasil tem estrutura insuficiente para lidar com toda a demanda por acompanhamento médico especializado.

No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde ele atua, são atendidos pacientes de todo o país. “Estamos sobrecarregados até o pescoço”, diz o médico.

Ali, diz ele, foram operados 250 pacientes transgêneros nos 25 anos de existência do Programa de Identidade de Gênero.

Em meio a isso, outras situações se espalham no Brasil. Em Uberlândia (MG), em 2017, um garoto de 12 anos que se identificava como menina ganhou na Justiça o direito de interromper sua puberdade, depois de um laudo de uma equipe médica confirmar sua transexualidade.

Em São Paulo, o tema é discutido na Assembleia Legislativa estadual. Uma emenda da deputada Janaina Paschoal (PSL) a um projeto de lei da deputada Erica Malunguinho (PSOL) propõe proibir a terapia hormonal a jovens transgênero com menos de 18 anos na rede pública e privada do Estado.

E o que está em discussão no Reino Unido?

A enfermeira por trás do processo judicial britânico, Sue Evans, trabalhou no Gids uma década atrás e pediu demissão dizendo-se preocupada com o fato de crianças e adolescentes que querem fazer a transição para um gênero diferente do seu estavam recebendo medicamentos bloqueadores de puberdade.

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Bloqueadores hormonais restringem os hormônios ligados a mudanças no corpo durante a puberdade, como a menstruação ou surgimento de pelos faciais. — Foto: Getty Images

Bloqueadores hormonais restringem os hormônios ligados a mudanças no corpo durante a puberdade, como a menstruação ou surgimento de pelos faciais. — Foto: Getty Images

Na opinião de Evans, essas receitas não seriam precedidas de avaliações psicológicas adequadas — algo que o Gids nega.

“Eu costumava me preocupar quando (bloqueadores) eram dados a jovens de 16 anos. Mas agora esse limite é ainda menor, e crianças de talvez 9 ou 10 anos têm acesso a um tratamento completamente experimental cujas consequências de longo prazo não são conhecidas”, afirmou Evans.

A mãe que também participa do processo, identificada apenas como A., tem uma filha de 15 anos que se apresenta como menino e está na lista de espera do Gids. Ela se disse preocupada com a possibilidade de sua filha (que é do espectro autista) receber drogas com efeito duradouro sobre seu desenvolvimento físico.

“Tenho medo que olhem para a idade dela e digam, 'ela diz que é isso o que ela quer, então vamos colocá-la em tratamento médico'”, diz A. à BBC News.

“E como a comunicação do que ela sente por dentro é um pouco diferente por causa do espectro autista, temo que o que ela diz e o que ela quer dizer sejam coisas muitas vezes diferentes. Quando somos adolescentes, o que achamos que vai nos fazer feliz não necessariamente vai nos fazer feliz.”

A Tavistock não comentou o processo judicial, mas afirmou que o Gids é “um dos serviços do tipo mais estabelecidos no mundo, com reputação internacional de ser cauteloso e atencioso.

Nossas intervenções clínicas são ditadas por padrões nacionais.

Nosso serviço é monitorado de perto pelo NHS, tem um alto nível de satisfação e foi avaliado como bom pela (agência reguladora) Comissão de Qualidade em Atendimento”.

Em seu site, o Gids informa ainda que, para menores de 16 anos, busca o consentimento dos jovens e de ao menos um dos pais. “Tentamos nos assegurar de que os jovens e a família tenham um bom entendimento das informações existentes e das intervenções (médicas) que estão solicitando, incluindo tratamentos hormonais.”

“Também levamos em conta as questões emocionais e sociais envolvendo o tratamento.

Ajudamos a avaliar os benefícios e riscos de qualquer tratamento solicitado e levamos em conta as alternativas ao tratamento proposto (inclusive a opção de não se fazer nenhum tratamento).

” O serviço agrega que, para crianças que possam ter dificuldades cognitivas, é primeiro avaliada a sua capacidade de decisão antes de se iniciar o tratamento.

Para o urologista brasileiro Tiago Rosito, o debate britânico “é mais uma questão bioética do que científica, o que a torna mais complexa”.

“O fato é que não posso bloquear a puberdade sem ter certeza absoluta (de que o paciente é transgênero)”, diz Rosito. “Por isso é preciso vê-lo da maneira mais neutra possível, deixando de lado questões religiosas ou sociais que causam uma névoa. A questão é se cercar dos melhores especialistas e estrutura (para avaliar cada caso).”

Ele destaca, porém, “que em boa parte das vezes, com profissionais especializados e incluindo psiquiatras infantis, é possível identificar desde cedo” que uma criança é transgênera. “Claro que para isso é preciso descartar outras possibilidades e sempre levar em conta que um tratamento que acabe em cirurgia (de mudança de sexo) é praticamente sem volta.”

https://www..com/watch?v=NFOnUdZ6EQ0

https://www..com/watch?v=gquWQf9Dju0

https://www..com/watch?v=ATYf2G1Af5w

Источник: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/01/16/o-que-sao-bloqueadores-de-puberdade-e-por-que-estao-no-centro-de-uma-controversia.ghtml

Cada vez mais comum, puberdade precoce gera problema físico e emocional

Como funcionam os remédios para atrasar a puberdade

Aparecimento das mamas, evolução dos testículos, surgimento de pelos na região pubiana e nas axilas, elevação da oleosidade da pele, acne, mudança de voz nos meninos e primeira menstruação nas meninas.

Ao ler essa lista de sintomas, logo vem à cabeça a imagem de um adolescente. Mas, em alguns casos, os sinais podem fazer parte da vida de uma turminha bem mais nova.

É a chamada puberdade precoce que, segundo evidências e a experiência cotidiana de muitos médicos, está ficando cada vez mais frequente.

“Há sinais de que o número de casos aumenta a cada dia”, confirma a endocrinologista Rosália Padovani, médica assistente do departamento de endocrinologia da Santa Casa de São Paulo.

Cerca de 80% das crianças com puberdade precoce têm a condição em sua forma clássica, chamada puberdade central verdadeira. Nela, a hipófise, uma região do cérebro, começa a liberar antes da hora o hormônio luteinizante (LH) e o folículo-estimulante (FSH).

Essas substâncias estimulam os ovários a produzirem estrógeno e os testículos a fabricarem testosterona, desencadeando a maturidade sexual física antecipadamente –ou seja, antes da adolescência, que normalmente acontece entre os 8 e 13 anos no time feminino e os 9 e 14 anos no masculino.

Veja também:

Os outros 20% dos casos de puberdade precoce são conhecidos como periféricos e estão diretamente associados a doenças, como tumores nos ovários e nos testículos, cistos ovarianos, disfunção nas glândulas adrenais, que estão ligadas à fabricação de hormônios, e hipotireoidismo.

“Os meninos são menos acometidos pelo problema, ele ocorre entre cinco e dez vezes mais nas meninas, mas o risco de haver uma causa mais grave por trás dele nos garotos é maior”, alerta o médico pediatra Luis Eduardo Calliari, professor assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. 

Sobrepeso e casos graves de estresse familiar causam a condição

Imagem: iStock

Quais são as causas?

A ciência ainda não sabe explicar exatamente o que desencadeia o problema e o que está levando a esse aumento no número de casos, mas já tem algumas pistas.

Nas meninas, público no qual o avanço está acontecendo com mais intensidade, um dos fatores que pode ser associado a esse quadro é a elevação na ocorrência de sobrepeso e obesidade”, acredita Calliari.

O tecido gorduroso secreta estrógeno (hormônio feminino), desencadeando alterações hormonais que podem servir de gatilho para a puberdade antes da hora nas garotas. A influência genética também deve ser levada em consideração, já que as filhas tendem a ter a primeira menstruação com uma idade próxima a que a mãe teve, apesar de isso não ser uma regra.

Outro item que pode estar ligado ao desenvolvimento do distúrbio são os casos graves de estresse familiar, um episódio de violência ou a morte de um ente querido, por exemplo.

Algumas linhas de pesquisa ainda apontam que a condição pode ser causada por certos tipos de pesticidas e o bisfenol A, presente em alguns recipientes plásticos.

Há também a associação, em menor escala, ao uso de produtos tópicos para reposição hormonal utilizados por mulheres que tenham muito contato com a criança.

“Alguns agentes estão sendo cogitados, entre eles os estímulos relacionados à sexualidade presentes em filmes e músicas, por exemplo, contaminações químicas ambientais e hormônios presentes em alguns alimentos, como o leite e a carne vermelha, mas a verdade é que ainda não se sabe ao certo o que está por trás do aparecimento cada vez mais cedo da puberdade”, diz Padovani.

“A ingestão de frangos criados com o uso de hormônios, o que preocupa muitas mães quando se fala de puberdade precoce, não tem ligação com o problema, pois esses animais não têm estrógeno”, garante Calliari.

É importante fica atento a mudanças de comportamento dos filhos

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O distúrbio merece atenção

Independentemente do que tenha levado ao surgimento da puberdade precoce, é muito importante que ela seja avaliada por um médico o quanto antes, pois pode desencadear quadros mais graves.

“As crianças correm o risco de apresentar alterações no crescimento, levando à diminuição da sua estatura final, e têm mais chances de sofrer com obesidade, hipertensão, diabetes do tipo 2, infarto e acidente vascular cerebral (AVC)”, esclarece Padovani.

É possível ocorrer também transtornos psicológicos e emocionais ligados a mudanças de comportamento provocados pelas alterações hormonais, constrangimentos na escola ou na rua por causa das modificações físicas e a falta de sintonia entre o amadurecimento físico e emocional. Para piorar o quadro, os pais costumam ter muita dificuldade para lidar com o problema. Por isso, o acompanhamento de um psicólogo pode ser interessante. 

Dá para evitar o problema?

Não existe uma forma 100% eficaz de impedir que a puberdade precoce dê as caras, mas já se sabe que combater o excesso de peso ajuda a diminuir o risco nas meninas. “É importanteficar atento aos sintomas da condição para que, se houver a necessidade de uma intervenção, ela seja iniciada rapidamente”, diz Calliari.

Se for constatado que o quadro está ligado à puberdade precoce central verdadeira, os médicos costumam lançar mão de um medicamento que é capaz de bloquear a liberação dos hormônios que estão provocando o quadro e fazer com que ele regrida. O procedimento deve ser realizado de acordo com a orientação do especialista e costuma ser mantido até que a criança chegue à puberdade real.

Por outro lado, se houver alguma doença de base desencadeando os sintomas, um tumor, por exemplo, é preciso tratá-lo.

De qualquer forma, o mais importante é que os pais fiquem muito atentos ao desenvolvimento dos seus filhos, se mostrem abertos para conversar sobre as mudanças que o corpo dos pequenos está enfrentando e procurem um especialista diante de qualquer dúvida ou sinal de alteração física e emocional drástica na criança.

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Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2018/03/25/cada-vez-mais-comum-puberdade-precoce-gera-problema-fisico-e-emocional.htm

Puberdade precoce – quais os sinais e quando procurar um médico?

Como funcionam os remédios para atrasar a puberdade

A puberdade normal é uma sequência de mudanças físicas que resultam na maturidade sexual da pessoa e na sua capacidade de se reproduzir. Normalmente, essas alterações ocorrem em sequência, resultando na transformação da criança num adolescente e posteriormente num adulto.

O início da puberdade ocorre quando o hipotálamo1 começa a estimular a hipófise2 a secretar o hormônio3 liberador de gonadotrofina, que estimula o crescimento dos órgãos sexuais em ambos os sexos.

Estes órgãos então passam a secretar hormônios sexuais, como a testosterona e/ou o estrogênio, que causam a puberdade.

Nos meninos, os primeiros sinais4 de puberdade ocorrem entre os 12 e 14 anos e são o crescimento do escroto5 e dos testículos6, seguido pelo alongamento do pênis7. A seguir, ocorre o aparecimento de pelos púbicos e nas axilas.

Nas meninas, os sinais4 aparecem entre os 8 e os 13 anos e a primeira mudança da puberdade é o início do crescimento das mamas8. Pouco depois, pelos pubianos e das axilas começam a crescer.

Em ambos os sexos, é a glândula9 adrenal que começa a secretar hormônios que causam o aparecimento de pelos púbicos e nas axilas. Esses hormônios adrenais são controlados por sinais4 químicos diferentes dos outros hormônios da puberdade.

Nos últimos anos, a puberdade normal tem começado cada vez mais cedo e os padrões tradicionais estão sendo reavaliados. Nos últimos 30 anos, a idade da menarca10 caiu em média 3 meses.

O que é a puberdade precoce?

A puberdade precoce é a condição em que o corpo de uma criança começa a maturação sexual mais cedo que o normal. Geralmente ocorre antes dos oito anos nas meninas e antes de nove anos em meninos.

Os sintomas11 em meninas incluem o desenvolvimento da mama12 e um primeiro período menstrual.

Os sintomas11 em meninos incluem testículos6 e pênis7 alargados, voz grossa e pelo facial, muitas vezes acima do lábio13 superior.

Leia sobre “Menarca10”, “Crises da adolescência”, “Ginecomastia14” e “Crescimento infantil15 – Quanto cresce uma criança”.

Quais são as causas da puberdade precoce?

Na maioria das meninas afetadas, não é possível identificar uma causa específica. Nos meninos é mais fácil reconhecer uma lesão16 identificável subjacente, como tumores intracranianos, especialmente na região do hipotálamo1 ou da glândula pineal17. A neurofibromatose e algumas outras doenças raras também podem estar relacionadas à puberdade precoce.

A puberdade precoce central também pode ser decorrente de causas iatrogênicas18 como, por exemplo, cirurgia, radioterapia19 ou quimioterapia20 para tratamento de câncer21.

Na modalidade independente do hormônio3 liberador de gonadotrofina (GnRH – do inglês gonadotropin-releasing hormone), a puberdade precoce está sujeita ao efeito do hormônio3 sexual predominante, estrogênico ou androgênico22, e as alterações físicas são mais discordantes do desenvolvimento puberal normal.

Qual é o substrato fisiológico23 da puberdade precoce?

Há dois tipos de puberdade precoce:

(1) puberdade precoce central, dependente do hormônio3 liberador de gonadotrofina

(2) puberdade precoce independente do GnRH

O tipo dependente de GnRH é o mais comum de modo geral e 5 a 10 vezes mais frequente nas meninas que nos meninos. Nesse tipo, o eixo hipotálamo1-hipofisário é ativado, resultando em aumento e maturação das gônadas24, desenvolvimento das características sexuais secundárias e produção de espermatozoide25 e óvulo26 (espermatogênese e oogênese, respectivamente).

A puberdade precoce independente do GnRH, muito menos comum, é o resultado de níveis circulantes elevados de andrógenos27 ou estrogênios, sem ativação do eixo hipotálamo1-hipofisário.

Quais são as características clínicas da puberdade precoce?

Os sinais4 e sintomas11 da puberdade precoce são os mesmos da puberdade normal, apenas ocorrendo muito cedo.

Nas meninas inclui desenvolvimento mamário, alteração corpórea, crescimento uterino e, eventualmente, menarca10.

E, nos meninos, inclui aumento do volume testicular, crescimento fálico, aparecimento de pelos pubianos, faciais e axilares, odor adulto do corpo, pele28 facial oleosa ou acne29.

Um desenvolvimento puberal incompleto, que não envolve todos os órgãos igualmente, é comum e na maioria das vezes apresenta-se na forma de crescimento das mamas8 ou produção hormonal prematura isolada.

O limite inferior de normalidade puberal para as meninas é de 7 anos. A média para o desenvolvimento mamário nas meninas é entre os 8 anos e meio e os 10 anos.

Como o médico diagnostica a puberdade precoce?

A suspeita da puberdade precoce é clínica, baseada em sinais4 e sintomas11.

O diagnóstico30 de puberdade precoce é feito por comparação com os padrões comuns na população, usando-se radiografia das mãos31 e do punho para avaliar a idade óssea e avaliação dos níveis séricos das gonadotrofinas e esteroides gonadais e das suprarrenais. Também devem ser apurados níveis séricos dos hormônios e tomadas uma ultrassonografia32 pélvica33 e uma ressonância cerebral.

Como o médico trata a puberdade precoce?

O tratamento da puberdade precoce depende da sua causa.

Normalmente, o tratamento consiste em um medicamento para atrasar a progressão do processo, o que pode ser feito por agonista34 do GnRH, antagonista35 de andrógenos27 ou estrógenos ou retirada de tumor36, se necessário.

Se os eventos da puberdade discreparem apenas um ano dos padrões populacionais, o tratamento pode não ser necessário e reexames de rotina serão suficientes para monitoramento.

Veja também sobre “Sinéquia dos pequenos lábios ou 'vagina37 fechada'”, “Hiperplasia38 adrenal congênita39”, “Síndrome40 de Turner” e “Ovários41 policísticos”.

Источник: https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/1381333/puberdade+precoce+quais+os+sinais+e+quando+procurar+um+medico.htm

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