Como identificar e tratar a Inflamação do Intestino

Colite: sintomas, tratamentos e causas

Como identificar e tratar a Inflamação do Intestino

A colite ocorre quando há inflamação do intestino grosso (cólon). A doença pode ser tanto aguda quanto crônica, dependendo de sua gravidade.

Tipos

Existem diversos tipos de colite, sendo que algumas levam outros nomes. Confira os principais:

Este tipo de colite afeta a parte mais superficial do cólon e é caracterizada pela diarreia constante, geralmente acompanhada de sangue.

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A colite isquêmica é mais comum do lado esquerdo do cólon. Sintomas comuns são diarreia, dor abdominal e sangramento intestinal.

A colite por citomegalovírus é uma forma da doença causada por infecção viral na região do cólon. Este tipo de colite também pode ser contraído via relação sexual desprotegida, além de transfusões de sangue, saliva, urina e gotículas respiratórias.

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória séria do trato gastrointestinal, que afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado e o intestino grosso (cólon). Este é um tipo crônico da doença e é provocado por uma desregulação do sistema imunológico.

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A Enterocolite é um tipo de colite que pode ser provocado tanto por infecção bacteriana ou viral quanto por medicamentos e intoxicação alimentar.

A colite pseudomembranosa é uma inflamação do cólon que acontece quando, em determinadas circunstâncias, uma bactéria chamada Clostridium difficile lesiona o intestino grosso por meio de sua toxina, levando à diarreia e ao surgimento de placas esbranquiçadas no interior do cólon.

Causas

Múltiplas razões podem levar uma pessoa a desenvolver um quadro de colite. Veja alguns exemplos:

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  • Infecções agudas e crônicas, incluindo intoxicação alimentar
  • Distúrbios inflamatórios (principalmente nos casos de colite ulcerativa, Doença de Crohn, colite linfocítica e colagenosa)
  • Síndrome do intestino irritável
  • Ausência de fluxo sanguíneo (no caso da colite isquêmica)
  • Radiação passada para o intestino grosso.

Sintomas de Colite

Os sintomas de colite também costumam variar de acordo com o tipo da doença. No geral, porém, eles podem apresentar sinais e sintomas em comum, como:

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Buscando ajuda médica

Entre em contato com um médico você apresentar sintomas relacionados a uma possível colite. Fique atento aos seguintes:

  • Dor abdominal que não desaparece
  • Fezes com sangue ou fezes escurecidas
  • Diarreia e vômito que não param
  • Abdômen dilatado (distendido).

Se apresentar os sintomas acima, consulte um gastroenterologista, que é especialista no trato gastrointestinal.

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Na consulta médica

No consultório médico, descreva detalhadamente todos os seus sintomas e procure tirar todas as suas dúvidas. O médico também deverá lhe fazer algumas perguntas. Veja alguns exemplos do que ele ou ela poderá lhe perguntar e esteja preparado para responder:

  • Quando os sintomas começaram?
  • Os sintomas são ocasionais, frequentes ou recorrentes?
  • Você comeu alguma coisa que pudesse estar estragada ou contaminada?
  • Você já foi diagnosticado com alguma inflamação no intestino grosso ou em qualquer outro órgão de seu trato gastrointestinal?
  • Você sente necessidade constante de evacuar?
  • Em que partes do corpo você sente as dores?
  • Qual a intensidade das dores?
  • Você fuma ou bebe com frequência?
  • Como é sua alimentação? Você fez algum tipo de dieta para emagrecer?

Diagnóstico de Colite

O diagnóstico de colite geralmente começa com um exame físico e o questionamento sobre o histórico médico do paciente.

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Em seguida, o médico poderá solicitar exames de sangue, de urina e de fezes para checar quaisquer anormalidades.

Depois, o paciente talvez também tenha de realizar exames de imagem, como colonoscopia e tomografia computadorizada, que ajudarão o especialista a identificar possíveis inflamações no cólon.

Tratamento de Colite

O tratamento de colite depende muito da causa subjacente.

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A terapia inicial, independentemente da causa, tem como objetivo estabilizar os sinais vitais do paciente e ajudar a controlar a dor, se necessário.

A reidratação costuma ser por via oral, mas pode ser intravenosa, se for preciso. Em geral, o tratamento costuma se dar por meio de medicamentos, mas alguns casos podem requerer procedimentos cirúrgicos também.

Consulte um especialista de confiança para saber qual a melhor opção de tratamento para você.

Medicamentos para Colite

Os medicamentos mais usados para o tratamento de colite são:

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Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo/ Prognóstico

Da mesma forma que acontece em relação aos fatores de risco, aos sintomas e às formas de tratamento, o prognóstico para colite também depende muito da causa e do tipo de colite. Quanto mais grave for a causa subjacente, mais tempo o paciente demorará para sarar completamente.

Algumas medidas caseiras, no entanto, podem ser adotadas para ajudar no tratamento e na recuperação. Essas medidas consistem, basicamente, na adoção de uma vida saudável, regida por uma boa alimentação e hidratação. Se você fuma, pare de fumar e evite bebidas alcóolicas em excesso. Procure manter um peso saudável também. Manter a saúde do restante do corpo é essencial para a recuperação.

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Complicações possíveis

Se não for tratada, colite pode evoluir para complicações de saúde mais graves, sempre dependendo, é claro, de sua causa subjacente. Algumas complicações decorrentes de colite incluem:

  • Sangramento
  • Perfuração no cólon
  • Megacólon tóxico
  • Lesão (ulceração)

Qual é a diferença entre a síndrome de intestino irritável e a doença de chron

Como identificar e tratar a Inflamação do Intestino

A síndrome do intestino irritável (SII) é um problema do trato digestivo que desencadeia diarreia ou constipação recorrentes, sendo a dor abdominal o sintoma mais evidente da doença. 

Já a Doença de Crohn é uma doença intestinal de caráter inflamatório crônico, onde a parte inferior do intestino delgado ou o intestino grosso podem ser afetadas, além de qualquer parte do trato digestivo.

São problemas que parecem ter muito em comum, não é mesmo?

No entanto, embora haja muitas semelhanças entre a síndrome do intestino irritável e a Doença de Crohn, é importante saber diferenciá-las e reconhecer os seus principais sintomas. Leia o artigo e conheça sobre cada uma delas:

Síndrome do Intestino Irritável (SII): o que é?

A SII prejudica o funcionamento das atividades normais do organismo, aumentando a sensibilidade dos nervos intestinais, limitando o movimento do intestino ou até mesmo alterando a forma como todas essas funções são controladas pelo cérebro. 

No entanto, é importante considerar que a SII não apresenta problemas na estrutura do órgão, o que pode ser comprovado pelos testes laboratoriais no momento do diagnóstico.

Embora a causa da doença seja ainda desconhecida, é sabido que o trato digestivo torna-se completamente sensível a diversos estímulos. Inclusive, essa hipersensibilidade pode se agravar com a ingestão de determinados alimentos. De forma geral, podemos dizer que a SII é um distúrbio multifatorial que se relaciona com alterações neurológicas, diretamente relacionadas ao intestino.

Assim sendo, podemos dizer que os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável estão relacionados com essa hipersensibilidade visceral.

Sintomas

É importante orientar que a SII, geralmente, se inicia na adolescência e as crises de sintomas aparecem e desaparecem em intervalos irregulares. No entanto, é possível que a doença se manifeste inicialmente na fase adulta, embora não seja algo comum.

Sobre os SII, podemos citar:

  • dor abdominal, que se intensifica ou alivia após a evacuação;
  • mudança da frequência de evacuação (constipação ou diarreia);
  • consistência das fezes alteradas;
  • muco nas fezes;
  • inchaço abdominal;
  • sensação de esvaziamento incompleto após a evacuação.
  • flatulência.

Diagnóstico e tratamento

Para diagnosticar a SII, são realizados exames clínicos, já que não há nenhum teste específico para comprovar a síndrome. No entanto, existem diversos testes laboratoriais que podem ser feitos para excluir outras doenças do trato gastrointestinal.

Quanto ao tratamento da Síndrome do Intestino Irritável, podemos considerar como fundamental a aplicação de uma dieta adequada, que amenizam os sintomas. Ou seja, com o paciente, o médico vai identificando os alimentos e bebidas que prejudicam os sintomas e, por isso, o tratamento também deve ser orientado por um nutricionista.

Além disso, é necessário incluir o consumo de fibras, quando há constipação e utilizar a via medicamentosa, quando julgado necessário pelo médico.

Agora que conhecemos sobre a Síndrome do Intestino Irritável, vamos ver em que se assemelha e difere a Doença de Crohn, que muitas vezes é confundida com a SII?

Doença de Crohn: como se difere da SII?

A Doença de Crohn é uma doença autoimune, pois afeta o sistema imunológico, que desencadeia uma inflamação no trato gastrointestinal. 

Embora possa afetar qualquer região do trato gastrointestinal, a Doença de Crohn tende a acometer, na maioria das vezes, a parte inferior do intestino delgado (íleo) ou o intestino grosso (cólon).

Sintomas

Embora a Doença de Crohn também provoque diarreia e cólica abdominal, existem alguns sintomas mais evidentes que devem ser observados, como:

  • febre;
  • sangramento retal;
  • perda de apetite;
  • perda de peso;
  • dor nas articulações;
  • lesões na região anal (hemorroidas, fístulas e abscessos).

Além disso, a diarreia pode começar de forma lenta ou de forma súbita, podendo também desencadear dores articulares e lesões na pele. A diarreia também costuma aparecer após as refeições.

Como identificar o diagnóstico preciso?

É muito importante procurar ajuda médica, após o surgimento de qualquer sintoma descrito acima. 

Relate ao especialista tudo o que sente e investigue a fundo a verdadeira causa de seu desconforto gastrointestinal, pois somente um profissional de confiança poderá te ajudar a emitir o diagnóstico correto. 

De qualquer forma, também é importante ir com frequência ao médico, o que pode prevenir o surgimento dessas doenças, antes mesmo de notar o primeiro sintoma.Quer conhecer mais sobre o tratamento da Doença de Crohn? Leia o artigo que preparamos para entender sobre a atuação dos medicamentos imunobiológicos nessa doença autoimune.

Источник: https://clinicasoma.com.br/qual-e-a-diferenca-entre-a-sindrome-de-intestino-irritavel-e-a-doenca-de-chron/

DOENÇA DE CROHN – Sintomas e tratamento

Como identificar e tratar a Inflamação do Intestino

A doença de Crohn (DC) e a retocolite ulcerativa (RU) são duas doenças distintas, apesar de clinicamente semelhantes, classificadas sob o nome de doenças inflamatórias intestinais (DII).

A doença de Crohn (DC), tema deste artigo, é uma doença que costuma provocar inflamação de toda a parede do trato gastrointestinal, podendo afetar desde a boca até o ânus.

Essa intensa inflamação do trato digestivo costuma provocar cólicas abdominais, diarreia, fadiga, perda de peso e desnutrição.

A doença de Crohn costuma ter os seguintes padrões (veja a ilustração abaixo para entender a anatomia do intestino):

  • Aproximadamente 80% dos pacientes têm envolvimento do intestino delgado, habitualmente da porção final, chamada íleo.
  • Um terço dos pacientes tem ileíte exclusiva, ou seja, acometimento apenas do íleo.
  • Cerca de 50% dos pacientes têm ileocolite, que é o envolvimento do íleo e do cólon.
  • Aproximadamente 20% têm doença limitada ao cólon. Destes, menos da metade tem envolvimento do reto.
  • Cerca de um terço dos pacientes tem doença perianal.
  • 5 a 15% têm envolvimento da boca, do estômago e/ou duodeno.
  • Envolvimento do esôfago ou do intestino delgado proximal pode ocorrer, mas é menos comum.

Diferenças entre a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa

A doença de Crohn se caracteriza por uma inflamação em todas as camadas da parede do intestino, com lesões difusas ao longo do trato digestivo. Uma característica típica do Crohn é apresentar áreas de intestino saudável intercaladas com áreas inflamadas.

A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal que pode acometer qualquer ponto do trato digestivo, desde a boca até o ânus. 80% dos pacientes apresentam lesão do íleo, que é a região de transição entre intestino delgado e cólon.

Já a retocolite ulcerativa ataca somente o cólon e reto, poupando as outras regiões do trato digestivo. Na retocolite, a lesão costuma ser contínua e acomete apenas a camada mais superficial da mucosa do intestino, levando à inflamação e formação de úlceras.

Explicamos a retocolite ulcerativa em detalhes no artigo: Retocolite ulcerativa – Causas, sintomas e tratamento.

Causas

As causas ainda não estão totalmente esclarecidas, mas sabemos que, tanto a doença de Crohn quanto a retocolite ulcerativa apresentam influências de fatores genéticos e ambientais.

Suspeitava-se que a dieta, o estresse e o uso de anti-inflamatórios pudessem provocar as doenças inflamatórias intestinais, mas hoje já sabemos que esses fatores podem até agravar o quadro, mas não são capazes de desencadear a doença por si só.

Atualmente, a teoria mais aceita é de que as DII são doenças autoimunes, desencadeadas provavelmente por alguma infecção viral ou bacteriana. A partir dessa infecção, o sistema imunológico passaria equivocadamente a atacar as células e tecidos normais do trato digestivo, levando a um estado de inflamação crônica dos intestinos.

Fatores de risco

As doenças inflamatórias intestinais são mais comuns nos países do hemisfério norte e na população de origem judaica.

A doença de Crohn surge normalmente antes dos 30 anos de idade, apesar de alguns pacientes só desenvolveram a doença após os 60 anos. Homens e mulheres são igualmente acometidos.

A história familiar também é um fator importante. 25% dos pacientes com doença inflamatória intestinal apresentam pelo menos um parente de primeiro grau também portador da doença.

Não se conseguiu ainda comprovar nenhuma ligação da doença com algum tipo de dieta ou com estresse emocional. Também não há comprovação em relação à influência dos anticoncepcionais.

Curiosamente, o tabagismo apresenta influencia divergente entre as duas doenças, pois ele aumenta o risco do paciente desenvolver Crohn, mas reduz o risco de ter retocolite ulcerativa.

Complicações

Como a doença de Crohn acomete todas as camadas da parede do intestino, é comum a ocorrência de fístulas, obstruções, perfurações do trato digestivo e síndromes de má-absorção.

Fístulas

As fístulas são comunicações entre dois órgãos que surgem devido à processos inflamatórios. No Crohn, as fístulas podem ligar o intestino à vagina, bexiga, outras regiões do próprio intestino e ou até para a pele.

Os sintomas da fístula variam de acordo com os órgãos envolvidos. Exemplos:

  • As fístulas enteroentéricas (entre duas alças do intestino) costumam ser assintomáticas, mas podem se apresentar como uma massa palpável e dolorosa na região do abdômen.
  • As fístulas enterovesicais (entre intestino e bexiga) costumam provocar infecções urinárias de repetição. Outro sinal comum é a saída de gases intestinais ou fezes junto à urina, chamados respectivamente de pneumaturia e fecalúria.
  • As fístulas ao retroperitônio (porção posterior da cavidade abdominal) podem levar à formação de abscessos ou obstrução do ureter, canal que leva a urina dos rins à bexiga.
  • Fístulas enterovaginais (entre intestino e canal vaginal) podem provocar passagem de gás ou fezes pela vagina.
  • Fístulas enterocutâneas (entre intestino e pele) podem fazer com que o conteúdo intestinal seja drenado para a superfície da pele.

As fístulas peri-anais são uma forma de fístula enterocutânea. Elas surgem em até 40% dos pacientes e se manifestam por drenagem de fezes ou pus pelo orifício da fístula ao redor do ânus, dor local, inchaço e febre.

Obstrução

A inflamação crônica de toda a parede dos intestinos pode provocar a formação de cicatrizes e fibroses, o que leva à redução do calibre das alças intestinais.

Essa fibrose pode provocar obstruções à passagem das fezes e dor abdominal.

Perfuração intestinal

A perfuração intestinal é uma complicação grave, pois propicia o contato das fezes e suas bactérias com a cavidade abdominal, o que invariavelmente leva um quadro de peritonite e sepse grave.

Má-absorção

Pacientes com envolvimento do intestino delgado pode apresentar dificuldade de absorver nutrientes, levando à perda de gordura nas fezes (esteatorreia), diarreia volumosa, desnutrição proteico-calórica, níveis baixos de cálcio no sangue (hipocalcemia) e deficiências de vitaminas.

Além dos sintomas causados pela inflamação do trato gastrointestinal, as doenças inflamatórias intestinais também cursam com sintomas em outros sistemas do organismo. Os mais descritos são:

  • Lesões de pele: pioderma gangrenoso e eritema nodoso ocorrem em até 10% dos pacientes.
  • Lesões oculares: uveítes, irites ou episclerites ocorrem em até 5% do pacientes.
  • Lesões músculo-esqueléticas: artrites e espondilite anquilosante surgem em até 20% dos casos.
  • Amiloidose é uma complicação possível, mas rara.
  • Cálculo renal por oxalato de cálcio ou ácido úrico.
  • Colangite esclerosante ocorre em até 5% dos pacientes.

Doença inflamatória intestinal e câncer

Tanto no Crohn, quanto na retocolite, o risco de câncer de cólon é duas a cinco vezes maior que na população geral.

Em média, 5% dos portadores de doença inflamatória intestinal apresentarão câncer cólon-retal. O risco é diretamente proporcional ao tempo de doença e à gravidade da inflamação.

Por isso, após mais ou menos 8 anos de diagnóstico de Crohn ou retocolite, indica-se a realização de colonoscopias anuais para detecção precoce dos tumores de cólon.

Diagnóstico

Como já referido, a doença de Crohn pode acometer qualquer ponto do trato digestivo, mas o local mais comum é a região do íleo.

A inflamação da região do reto é característica da retocolite ulcerativa e ocorre em menos da metade dos pacientes com Crohn. Sendo assim, um paciente com quadro sugestivo de doença inflamatória intestinal sem acometimento do reto praticamente sela o diagnóstico de doença de Crohn.

Atualmente o diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais é realizado através da colonoscopia com biópsia das lesões.

Doença de Crohn na colonoscopia

Os achados de ulcerações, pseudopólipos, granulomas associados a sinais de inflamação da mucosa intestinal ajudam a estabelecer o diagnóstico, que é confirmado posteriormente com o resultado das biópsias.

Tratamento

O tratamento da doença de Crohn visa suprimir a resposta inflamatória anormal do sistema imunológico. A supressão da inflamação não apenas oferece alívio de sintomas comuns, como febre, diarreia e dor, mas também reduz o risco de complicações e permite a recuperação dos tecidos intestinais.

Tratamento farmacológico

A escolha do medicamento ideal varia de acordo com a localização anatômica e da gravidade da doença. Os fármacos mais utilizados para o tratamento da doença de Crohn incluem:

  • 5-aminossalicilatos orais (por exemplo, sulfassalazina, mesalazina).
  • Glicocorticoides (por exemplo, prednisona, budesonida).
  • Imunomoduladores (por exemplo, azatioprina, 6-mercaptopurina, metotrexato).
  • Terapias biológicas (por exemplo, infliximabe, adalimumabe, certolizumabe pegol, natalizumabe, vedolizumab, ustekinumab).

Os dois primeiros grupos de fármacos são mais utilizados nas doenças leves principalmente a mesalazina (Asacol® ou Pentasa®).

Após o controle da fase aguda, o tratamento com mesalazina costuma ser prolongado por pelo menos 6 a 12 meses, até repetição da colonoscopia demonstrando recuperação das lesões intestinais.

Controle da diarreia

Suplementos à base de fibras e a loperamida são boas opções de tratamento para controle da diarreia. A loperamida não deve ser utilizada em pacientes com complicações, principalmente naqueles com obstrução intestinal.

Tratamento não farmacológico

Ainda não existe uma dieta que comprovadamente auxilie nas doenças inflamatórias intestinais. O que se indica é avaliar individualmente quais alimentos exacerbam os sintomas para evitá-los. Mas não há uma relação de alimentos que faça mal ou bem universalmente.

Muitos pacientes com Crohn acabam desenvolvendo intolerância à lactose. Nesses casos, uma dieta sem lactose ajuda a melhorar os sintomas.

Nos pacientes com acometimento do intestino delgado, alimentos ricos em gordura costumam piorar os sintomas e agravar a diarreia. Cafeína e alimentos picantes também não costumam ser bem tolerados.

O paciente também deve ser orientado a evitar o cigarro e os anti-inflamatórios comuns. Em caso de dor, o paracetamol é a melhor opção.

Por defeitos na absorção de alimentos, é comum o paciente com Crohn desenvolver algumas deficiências nutricionais e desnutrição. Esses pacientes muitas vezes desenvolvem osteoporose por deficiência de cálcio e vitamina D. Portanto, a reposição de cálcio e vitaminas costuma ser indicada.

Cirurgia

Como na doença de Crohn as fístulas, perfurações e obstruções são comuns, muitas vezes é necessário a cirurgia para retirada do segmento acometido. Após 10 anos de doença, cerca de 50% dos paciente terá tido algum complicação que precisa de remoção cirúrgica de parte do intestino.

Quanto mais agressiva for a doença, maior é o risco de complicações que precisam de correção cirúrgica.

Referências

  • ACG Clinical Guideline: Management of Crohn’s Disease in Adults – American Journal of Gastroenterology.
  • Crohn’s Disease – The National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases.
  • Clinical manifestations, diagnosis, and prognosis of Crohn’s disease in adults – UpToDate.
  • Definitions, epidemiology, and risk factors for inflammatory bowel disease in adults – UpToDate.
  • Crohn Disease – Medscape.
  • Overview of Crohn’s Disease – Crohn’s & Colitis Foundation.
  • Feldman M, et al. Ulcerative colitis. In: Sleisenger and Fordtran’s Gastrointestinal and Liver Disease: Pathophysiology, Diagnosis, Management. 10th ed. Philadelphia, Pa.: Saunders Elsevier; 2016.
  • Goldman L, et al., eds. Inflammatory bowel disease. In: Goldman-Cecil Medicine. 25th ed. Philadelphia, Pa.: Saunders Elsevier; 2016.

Источник: https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/doenca-de-crohn/

Conheça as 4 doenças mais comuns do intestino – Blog IPEMED

Como identificar e tratar a Inflamação do Intestino

Gastroenterologia é a especialidade médica que estuda a fisiologia e patologias não apenas do trato gastrintestinal, mas, também, do pâncreas, vesícula, ductos biliares e do fígado. E entre as principais queixas no consultório médico, estão as doenças do intestino.

Ter uma compreensão atualizada da fisiopatologia e tratamento, a fim de manter a digestão e absorção de nutrientes nos pacientes de forma saudável, é fundamental ao gastroenterologista.

Saiba, a seguir, quais sãos as formas mais comuns de apresentações das doenças intestinais e os tratamentos mais atuais preconizados para cada uma delas.

Principais doenças do intestino

Os principais motivos de consulta médica no gastroenterologista são cólicas, distensão, obstrução, dificuldade de evacuar e diarreia. Esses sintomas são comuns a muitas doenças intestinais e saber diferenciá-las e tratar corretamente de acordo com as recomendações e estudos atuais é fundamental ao gastroenterologista.

As principais patologias que afetam o intestino (tanto delgado quanto grosso) e que frequentemente aparecem no consultório, são:

  • doença de Crohn;
  • síndrome do intestino irritável;
  • retocolite ulcerosa;
  • obstipação.

Vamos falar melhor sobre cada uma delas, tendo uma visão crítica do diagnóstico diferencial e tratamentos atualmente prescritos. Acompanhe a seguir!

Patologia

Trata-se de uma doença inflamatória que se manifesta ao longo de todo o trato gastrintestinal, sendo mais comum na porção distal do intestino delgado e do intestino grosso. Acomete desde a mucosa até as camadas musculares das alças.

Etiologia

É uma doença idiopática, ou seja, sua causa ainda não está bem estabelecida, mesmo nos estudos mais recentes. Pode se manifestar com surtos agudos recorrentes intercalados com períodos longos de remissão.

Quadro clínico

  • estomatite;
  • diarreia frequente (com ou sem muco nas fezes);
  • dor abdominal do tipo cólica;
  • emagrecimento;
  • febre.

É possível também a ocorrência de fístulas. Até 30% dos doentes com Crohn tem manifestações no ânus e região perianal. Outras manifestações extraintestinais podem surgir na pele, articulações, olhos e fígado.

Tratamentos

O tratamento depende da forma de apresentação da doença e da gravidade. Ele é iniciado, em um primeiro momento, sempre com medicamentos e os corticosteroides são as medicações mais utilizadas atualmente.

Várias outras drogas podem ser associadas com o objetivo de fazer regredir a inflamação dos tecidos, como os aminossalicilatos, os fistulectomia, imunossupressores e a terapia biológica (anticorpos monoclonais). No entanto, alguns casos necessitam de intervenção cirúrgica para tratamento de complicações.

Doenças inflamatórias intestinais: as novidades e os desafios

Como identificar e tratar a Inflamação do Intestino

De uma hora para outra, o sujeito, em geral jovem, começa a perder peso, sentir dores abdominais e ter diarreias constantes. Embora esses não sejam sintomas específicos, muitas vezes é assim que se manifestam as doenças inflamatórias intestinais (DII), conjunto de distúrbios cuja incidência vem crescendo mundo afora.

Segundo a gastroenterologista Didia Cury, diretora do Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Clínica Scope (MS), não há  um amplo estudo epidemiológico para o Brasil. O que se tem até o momento são dados isolados.

“Mas notamos na prática um aumento nos casos, em parte pela melhora no diagnóstico, em parte por razões ainda não totalmente esclarecidas”, contextualiza.

A médica, que realiza pesquisas em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, organizou um simpósio internacional na capital sul-matogrossense para discutir, com outros especialistas, novidades e aspectos pouco conhecidos da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, os tipos mais comuns do transtorno. “A retocolite ataca mais o intestino grosso, enquanto o Crohn pode afetar o sistema digestivo da boca ao ânus e também outros locais, como pele, olhos e articulações”, explica as diferenças o gastroenterologista Jaime Gil, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

A teoria mais aceita é que a inflamação crônica é resultado de uma reação exagerada do sistema imune à flora intestinal. Como nem sempre os sintomas são claros, não é raro ver gente levando dez anos para receber o diagnóstico, atraso que compromete a qualidade de vida. Com a meta de educar mais a população sobre o tema, elencamos agora os pontos quentes recém-debatidos no evento.

Novas armas com mais foco

Até pouco tempo atrás, havia poucos fármacos disponíveis para tratar os casos mais complicados de DII. Chegaram, então, medicamentos inovadores, os anticorpos monoclonais, com a missão de inibir moléculas específicas por trás da inflamação crônica – um dos principais é o anti-TNF.

Nem sempre, porém, eles atingiam o resultado esperado e ainda impunham efeitos colaterais. É aí que entra a nova geração dessas medicações (caso do vedolizumabe e do ustequinumabe), concebidas para agir apenas no local afetado pela doença, o que reduz riscos e melhora a eficiência da terapia.

Hoje, os anticorpos são indicados em quadros moderados e severos, mas se discute uma mudança de abordagem. “Estamos prescrevendo essas substâncias mais cedo porque elas parecem ser mais eficazes nos primeiros anos do que depois de uma década com o problema”, conta Alan Moss, gastroenterologista e pesquisador de Harvard.

De olho na tuberculose

Quem toma medicamentos imunossupressores, caso do próprio anti-TNF, está mais sujeito a desenvolver essa infecção. “Já é uma praxe procurar o micro-organismo nos portadores de doença inflamatória intestinal, mas nem sempre esse rastreamento é efetivo e refeito ao longo da vida”, diz o patologista Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz, um dos palestrantes do evento.

A demora no diagnóstico nesses casos traz complicações potencialmente fatais. “Sem contar que contribui para a transmissão da tuberculose, que hoje mata mais que a aids por aqui”, aponta Croda. O pesquisador estudou pacientes em tratamento de DII na clínica Scope e descobriu que 3,8% deles tinham o bacilo no sangue, incidência proporcionalmente maior que a da população em geral.

Por que o divã é bem-vindo

Estresse e ansiedade fora de controle favorecem as crises nas doenças inflamatórias intestinais. Na via oposta, essas condições por si podem gerar angústia, irritação e medo, dificultando o convívio social e alimentando quadros depressivos. Para se blindar dessa situação, que atrapalha o próprio contra-ataque à DII, especialistas indicam um acompanhamento psicológico.

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“A doença impõe solidão, e o estresse emocional precisa ser administrado antes que impacte na manifestação dos sintomas”, explica a psicóloga Daisy Maldaun, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autora de um livro recém-lançado que traça o perfil psicológico das pessoas com DII. Além da terapia, meditação e ioga são técnicas recomendadas para ajudar na manutenção do equilíbrio mental, tão importante para o sucesso do tratamento.

Homeopatia ajuda?

A busca pela medicina alternativa costuma ganhar força quando os remédios tradicionais falham no socorro ao intestino, o que não é tão raro de acontecer. Daí a proposta da homeopatia de aliviar certas manifestações na DII.

“O método foca no indivíduo como um todo e traz um olhar cuidadoso que faz diferença na percepção e no trabalho com os sintomas da doença”, diz Gilson Roberto, psicólogo e homeopata de Porto Alegre e um dos participantes do simpósio.

O tema, no entanto, ainda gera controvérsia. “Não há evidência científica de que a homeopatia funcione na DII e práticas não comprovadas podem gerar frustração e prejudicar a adesão ao tratamento convencional”, contrapõe Jaime Gil. Na dúvida, o melhor a fazer é conversar com o especialista e jamais abandonar as medicações anteriormente prescritas.

E a fertilidade, como é que fica?

Esse assunto nem sempre é discutido no consultório ao longo do tratamento, mas deveria.

Isso porque a inflamação crônica – e até os fármacos que a combatem – pode comprometer a capacidade reprodutiva de homens e mulheres com DII.

Quando o problema atinge o cólon (no intestino grosso), por exemplo, chega a repercutir em regiões como o útero, onde o óvulo fecundado se aninha para dar origem ao embrião.

Já na ala masculina, o uso de alguns medicamentos está relacionado a uma baixa na velocidade dos espermatozoides.

“A DII afeta especialmente pessoas em idade reprodutiva que, com medo e sem informação, adiam os planos de ter filhos. Só que, quanto mais o tempo passa, maior é a queda na taxa de fertilização”, analisa Didia.

Felizmente, com acompanhamento médico, é possível, sim, garantir a continuidade da família.

Para flagrar mais cedo

Uma das ameaças que a turma com DII enfrenta é o maior risco de câncer colorretal. “Isso porque, com o tempo, a inflamação constante favorece alterações nas células que ficam nas paredes do intestino. E essas pequenas lesões podem evoluir para um tumor”, resume o coloproctologista Guilherme Cutait, da Universidade de São Paulo (USP).

A boa notícia é que, com a nova safra de aparelhos endoscópicos e outros métodos de imagem, dá para detectar mais precocemente essas feridinhas com potencial de virarem malignas no futuro.

E mais: na endoscopia, dá até para remover os pontos suspeitos durante o próprio exame.

“Só que estamos falando de tecnologias de ponta que ainda não estão disponíveis em todos os lugares do país”, pondera o gastroenterologista Alexandre Carlos, também da USP.

O que o futuro reserva

Existem três promessas à vista. Uma delas vem de estudos com comprimidos de uso diário para controlar a doença – baita vantagem se pensarmos que os anticorpos monoclonais atuais dependem de injeções periódicas.

Já a terapia com células-tronco tenta fazer uma correção no sistema imune para ele parar de agredir o aparelho digestivo.

“Só que esse método parece beneficiar um grupo pequeno de pacientes, além de o efeito ser temporário”, conta Alan Moss, que testou a técnica em Harvard.

Por fim, há o transplante fecal, a transposição de bactérias de uma flora saudável para o intestino doente. Moss está avaliando essa opção e adianta que ela esbarra, por ora, no mesmo problema de uma resposta de curta duração. A chave, diz o pesquisador, é investigar mais para entender melhor esses males. “Eles têm mecanismos diferentes e pedem uma abordagem individualizada.”

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Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/doencas-inflamatorias-intestinais-as-novidades-e-os-desafios/

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