Creatinina e Ureia [Exame para avaliação dos rins]

O que é creatinina? Tire todas as suas dúvidas sobre o exame| Hilab

Creatinina e Ureia [Exame para avaliação dos rins]

Os rins exercem importante papel nas funções de excreção e regulação endócrina do organismo. Alterações renais podem acarretar distúrbios em diferentes órgãos e sistemas.

A avaliação da função renal é de grande relevância tanto para o diagnóstico quanto para o prognóstico e acompanhamento das doenças renais. 

Segundo estudo publicado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) a participação do laboratório nesta avaliação é de extrema importância, visto que a maior parte das doenças renais só se manifesta clinicamente quando mais de 50% a 75% da função renal está comprometida.

Se você fez o exame de creatinina mas não sabe o que pode significar seu resultado, acompanhe o artigo a seguir e tire todas as suas dúvidas. 

Para que serve a creatinina?

Os músculos necessitam de uma grande quantidade de energia para exercer suas funções. 

A principal fonte que gera essa energia é uma proteína chamada fosfocreatina, a qual é obtida pela alimentação e também sintetizada no fígado, rins e pâncreas, sendo posteriormente armazenada nas fibras musculares. Desta forma, a síntese e liberação de creatinina pelo músculo são praticamente constantes.

O principal produto residual da creatina e da fosfocreatina é a creatinina, proveniente do metabolismo muscular e do consumo de carne. 

Visto que a creatinina não possui valor para o organismo, ela é rapidamente filtrada pelos rins e excretada na urina. Quando a função renal está comprometida, essa excreção é reduzida e os níveis no sangue tendem a se elevar.

Para que serve o exame de creatinina?

Creatinina é um resíduo gerado em decorrência da degradação da creatina, utilizada como energia nos músculos. 

A dosagem dos níveis de creatinina no sangue é um dos métodos mais usados para avaliação da função renal, ou seja, o exame de creatinina é importante para avaliar se os seus rins estão funcionando adequadamente.

O que pode causar a elevação da creatinina no sangue? 

Os valores de creatinina podem estar alterados não apenas como um produto da massa muscular, mas influenciados também pela composição muscular, atividade física, alimentação e estado de saúde.

Quando os rins apresentam um comprometimento, a sua capacidade de filtrar o sangue é reduzida, levando ao um aumento nas concentrações de creatinina. Quanto mais alta estiver a creatinina, mais grave é o caso de insuficiência renal.

Por que é importante fazer o exame? 

Como vimos, por meio da avaliação da creatinina sérica é possível detectar se o rim está com seu funcionamento correto ou em fases precoces de insuficiência renal, evitando, assim, as complicações da patologia.

Valores aumentados podem indicar condições como:

  • Quadros de insuficiência renal;
  • Necrose tubular (lesão renal );
  • Glomerulonefrite (inflamação do glomérulo); 
  • Doença renal crônica;
  • Desidratação;
  • Hipertireoidismo.

Para quem o exame é indicado?

O exame de sangue para avaliar os níveis de creatinina é indicado a qualquer indivíduo com risco de desenvolver doença renal. 

Isto inclui pessoas com:

  • Hipertensão arterial (pressão alta);
  • Uso crônico de anti-inflamatórios;
  • Diabetes mellitus;
  • Infecção urinária;
  • Glomerulonefrite (inflamação do glomérulo);
  • Cálculos renais (pedras nos rins);
  • Insuficiência cardíaca;
  • Infecção renal. 

De acordo com a SBAC, a doença renal crônica (DRC) atinge milhões de pessoas, sendo que a grande maioria dessas pessoas não sabe do quadro. A DRC é uma doença silenciosa, manifestando seus sinais e sintomas apenas quando o rim está com mais de 40% de suas funções comprometidas.

Isto torna avaliação das funções renais, como a dosagem da creatinina de extrema importância para a prevenção.

Quais valores de creatinina são considerados normais?

Para a creatinina sérica são adotados os seguintes intervalos:

Valores normais: 

  • Homens: 0,6~1,30 mg/dL;
  • Mulheres: 0,50~1,1 mg/dL.

Valores alterados:

  • Mulheres: ≥ 1,1 mg/dL, ou seja, acima de 1,1 mg/dL;
  • Homens: ≥ 1,3 mg/dL. 

Com que frequência devo realizar o exame? 

A dosagem da creatinina sérica   pode estar inclusa em seus exames de rotina como glicemia, perfil lipídico entre outros, sendo recomendado realizá-los anualmente.

Pacientes portadores de Doenças Renais Crônicas devem realizar o exame de creatinina constantemente, principalmente antes e após as sessões de hemodiálise a fim de avaliar o sucesso do tratamento.

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Источник: https://fazumhilab.com.br/o-que-e-creatinina/

Doença renal

Creatinina e Ureia [Exame para avaliação dos rins]

A insuficiência renal consiste na deterioração da função renal. A doença pode ser crónica ou aguda. Trata-se de uma doença crónica se a perda de função renal se instala lentamente e evolui há mais de três meses, podendo ser aguda se a sua instalação é inferior a esse período. 

A creatinina sérica é um marcador simples da função dos rins. Valores elevados de creatinina, acima de 1.2 mg/dl nos adultos ou de 0.8 mg/dl nas crianças com mais de 5 anos, indicam insuficiência renal. Tal como a creatinina, existem outras substâncias (por exemplo, a ureia, o potássio e o fósforo) que por deficiência de filtração “renal” (glomerular) aumentam no sangue.

Frequentemente os doentes renais questionam se têm só um rim com deficiência (unilateral) ou se são os dois (bilateral). As situações de insuficiência renal aguda ou crónica implicam deficiência dos dois rins.

Se um dos rins estiver a funcionar normalmente compensa a deficiência do outro, aumentando mesmo a sua dimensão (rim vicariante).

Um bom exemplo disso mesmo é o transplante renal em que se insere apenas um rim em cada receptor, alcançando uma função renal “normal” nas situações em que o procedimento decorre dentro da normalidade.

A fase mais avançada da insuficiência renal, quando o “rim pára de funcionar” (insuficiência renal terminal ou final), implica a substituição da função renal por diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou, eventualmente, por transplante renal. Veja mais informação em tratamento da insuficiência renal.

A insuficiência renal é uma doença frequente, sendo responsável por gastos consideráveis e crescentes nos orçamentos de saúde. Apresenta um amplo leque de alterações clínicas e analíticas que exigem a implementação de estratégias para a sua prevenção, deteção precoce e tratamento. Neste sentido, as sociedades de nefrologia, nacionais e internacionais, têm sido proativas.

Insuficiência renal aguda

Dizemos que estamos perante uma insuficiência renal aguda quando a sua instalação é relativamente precoce, inferior a três meses. Pode ser reversível, se for tratada de forma adequada e atempada.

A insuficiência renal crónica agudizada consiste na instalação de uma insuficiência renal aguda num doente com insuficiência renal crónica.

Insuficiência renal crónica

Dizemos que estamos perante uma insuficiência renal crónica (IRC) quando é possível determinar que já existia insuficiência renal há mais de três meses.

A denominação desta entidade foi alterada para doença renal crónica já que existem situações de doença/lesão renal sem insuficiência. São exemplos dessas situações: a albuminúria/ proteinúria, alterações do sedimento urinário, alterações ecográficas renais, lesões anátomo-patológicas renais em biópsia renal ou até um transplante renal.

Estádios de insuficiência renal crónica

A doença renal crónica apresenta vários estádios ou fases, causas e graus de albuminúria. Os estádios de insuficiência renal crónica são os seguintes:

Estádio 1 – Filtrado glomerular >= 90 – função renal normal ou elevada;

Estádio 2 – Filtrado glomerular de 60 a 89 – função renal com diminuição ligeira ou leve;

Estádio 3a – Filtrado glomerular de 45 a 59 – função renal com diminuição ligeira a moderada;

Estádio 3b – Filtrado glomerular de 30 a 44 – função renal com diminuição moderada a severa;

Estádio 4 – Filtrado glomerular de 15 a 29 – função renal com diminuição severa;

Estádio 5 – Filtrado glomerular 90 ml/minuto; mulheres > 80 ml/minuto).

Também se podem utilizar fórmulas para calcular a depuração de creatinina evitando a recolha de urina de 24 horas que frequentemente não é efetuada de forma correta ou não é exequível;

  • Os sinais e sintomas de doença renal crónica devem conduzir a uma avaliação da função renal (creatinina e ureia séricas, bem como a depuração de creatinina com recurso a fórmulas matemáticas ou com recolha da urina de 24 horas como já se descreveu);
  • Valores elevados de potássio sérico não são indispensáveis ao diagnóstico;
  • Outras alterações analíticas comuns da doença renal crónica em estádios avançados (3 a 5) são a anemia, acidose metabólica, baixa do cálcio sérico e elevação da paratormona;
  • A análise sumária de urina pode revelar albuminúria e o sedimento urinário pode apresentar alterações como hematúria e cilindros eritrocitários;
  • A ecografia renal é o exame indicado para avaliação imagiológica inicial na suspeita de doença renal crónica. Pode revelar diminuição de tamanho dos rins, embora na diabetes mellitus essa alteração possa não existir mesmo em estádios avançados de IRC. Outra alteração ecográfica típica da doença renal crónica é a diminuição de diferenciação entre o córtex e a medula renal. Surgindo múltiplos quistos renais bilaterais podemos estar em presença de uma doença poliquística.
  • A referenciação precoce do paciente com insuficiência renal crónica às consultas de nefrologia tem-se repercutido numa melhoria do seu seguimento, com implicações no atraso da sua progressão bem como na terapêutica adequada das diversas complicações da insuficiência renal crónica.

    Complicações da insuficiência renal

    As complicações da insuficiência renal são variadas, desde alterações hídricas e electrolíticas como a elevação do potássio sérico, acidose metabólica, hiper-hidratação (edemas, hipertensão arterial, congestão pulmonar), hipocalcemia e hiperfosfatemia.

    Outros sinais e sintomas da insuficiência renal já foram previamente descritos, como sejam: anorexia, náuseas, vómitos e astenia. Estas alterações têm como consequência a desnutrição do doente insuficiente renal, com frequência.

    A doença óssea metabólica associada a insuficiência renal crónica é frequente e manifesta-se por alterações do metabolismo do fósforo e do cálcio mas também por alterações estruturais dos ossos e das artérias, com destaque para a osteodistrofia e a calcificação das artérias coronárias, respetivamente.

    Insuficiência renal tem cura?

    A insuficiência renal crónica não tem “cura”. É muito importante e decisivo para o atraso da sua progressão e correto manuseamento, uma referenciação precoce às consultas de nefrologia.

    Já a insuficiência renal aguda pode ter “cura”. Nos casos de insuficiência renal aguda de origem tóxica (fármacos ou intoxicações), torna-se fundamental cessar a sua administração. Os anti- inflamatórios não esteróides, por exemplo, são uma causa frequente de insuficiência renal aguda.

    Tratamento da insuficiência renal

    O tratamento da insuficiência renal é diferenciado dependendo se a insuficiência é aguda ou crónica e do seu estádio ou evolução.

    Após a deteção de insuficiência renal crónica devem ser instituídas medidas para atrasar a sua progressão:

    • Controlo da hipertensão arterial;
    • Utilização de fármacos específicos para redução da proteinúria (inibidores da enzima de conversão da angiotensina ou bloqueadores da angiotensina II);
    • Evitar nefrotóxicos e de produtos de contraste intravenosos;
    • Alterações na dieta, através de restrição no consumo de proteínas (carne, o peixe, leite e derivados).
    • Deixar de fumar;
    • Tratamento de valores elevados do colesterol;
    • Tratamento da acidose metabólica com bicarbonato oral.

    A abordagem terapêutica (medicamentos ou remédio) da insuficiência renal crónica “pré-dialítica” (estádios 1 a 4) é múltipla porque se dirige a patologias e complicações diversas, já referidas. Deve ser orientada por nefrologistas, pelo menos dos estádios 3 ao 5.

    A insuficiência renal aguda é uma entidade que pode ser diagnosticada em ambulatório, mas em quase todas as situações relevantes os doentes encontram-se internados no hospital. A medicação efetuada nestes casos é, em muitos casos, idêntica à da IRC.

    O tratamento da insuficiência renal aguda grave e da insuficiência renal crónica estádio 5 pode implicar um tratamento de substituição da função renal, a diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal).

    No contexto da insuficiência renal aguda com implicação dialítica, a terapêutica mais habitual é a hemodiálise. Em ambiente de cuidados intensivos pode ser necessário utilizar outras formas de diálise, como por exemplo a hemofiltração.

    O tipo de diálise regular na insuficiência renal crónica estádio 5D deve ser decidida pelo próprio doente em consultas de nefrologia específicas.

    As opções mais habituais são a hemodiálise em centro privado ou a diálise peritoneal domiciliária.

    Em Portugal, segundo o registo da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, existiam 11514 doentes em hemodiálise e 751 em diálise peritoneal em 31/12/2015.

    A transplantação renal é considerada, no entanto, a melhor terapêutica da insuficiência renal crónica estádio 5. Segundo o referido registo de 2015 existiam em Portugal 6663 doentes com transplante renal funcionante. Nesse mesmo ano receberam um transplante renal 485 doentes. 

    Transplante na insuficiência renal

    O transplante renal implica uma cirurgia (operação) para a colocação de um rim de cadáver ou de um dador-vivo numa das fossas ilíacas. Esse espaço é considerado o espaço “divino” para este procedimento, dado que permite a vascularização e drenagem urinária do transplante com proximidade adequada em relação aos vasos ilíacos e bexiga do receptor.

    Este procedimento implica necessariamente o consentimento informado do doente.

    O transplante renal possui diversas vantagens, que se traduzem fundamentalmente numa melhor qualidade e quantidade de vida em comparação com a diálise, para recetores com idade inferior a 70 anos. No entanto, implica a utilização crónica de imunossupressores, pelo que se associa a algumas complicações como o risco aumentado de infeções e de neoplasias.  

    Dieta para insuficiência renal

    A nutrição na doença renal crónica obedece a orientações gerais, mas fundamentalmente deve ser individualizada.

    Nos casos de insuficiência renal aguda ou crónica com elevação de potássio sérico (risco de toxicidade cardíaca) a dieta inclui restrição de alimentos ricos nesse elemento como o feijão e as frutas. A sopa deve ser fervida em duas águas. As outras terapêuticas que removem potássio do sangue são a resina troca iões e a diálise.

    Numa tentativa de atrasar a progressão da doença renal crónica existem estudos relevantes que valorizam a restrição dietética de proteínas (carne e peixe, por exemplo).

    Existem outras alterações metabólicas que exigem a dieta individualizada na doença renal, como a hiperfosfatemia e a hiperuricemia. Assim, não é possível definir um “menu à la carte” para todos os doentes renais, ou seja, o plano alimentar deve ser individualizado e estipulado pelo médico nefrologista e pelo nutricionista para cada doente.

    Como prevenir a insuficiência renal?

    A insuficiência renal pode ser prevenida, essencialmente através das seguintes medidas:

    • Alteração do estilo de vida para prevenção de causas frequentes da insuficiência renal crónica, como a diabetes do tipo 2 ou a doença cardiovascular incluindo a hipertensão arterial;
    • A obesidade (excesso de peso) também pode estar associada com a insuficiência renal crónica. Deve ser alterado o estilo de vida de modo a evitar a obesidade;
    • Evitar a exposição a fármacos nefrotóxicos, com destaque para os anti-inflamatórios não-esteróides.

    Especialista em insuficiência renal

    Se procura um médico especialista em insuficiência renal / Nefrologia, veja mais informações na clínica ou médico Nefrologista no seu concelho.

    Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/medicina/nefrologia/insuficiencia-renal/

    Nefrologia

    Creatinina e Ureia [Exame para avaliação dos rins]

    Os rins mantêm o nosso organismo “limpo”, filtrando do sangue os produtos tóxicos e a água que ingerimos com a alimentação, produzindo urina. Além do trabalho de “limpeza” os rins têm outras funções muito importantes.

    Provavelmente, há já algum tempo que faz uma série de analises periódicas ao sangue e à urina que servem para controlar o funcionamento dos seus rins.

    Estas análises ajudam a perceber se algumas das substâncias tóxicas que costumam ser filtradas nos rins, estão a aumentar no sangue e, sobretudo, quais os seus valores.

    No dia anterior às análises, pode comer e beber normalmente, a menos que o médico ou enfermeiro lhe tenha recomendado o contrário.

    Lembre-se que o exercício físico intenso antes da colheita de sangue pode interferir no resultado das análises.

    Análises ao sangue?

    • Creatinina: é uma substância produzida nos músculos e transportada no sangue. Normalmente, quando o sangue passa no rim, é filtrada e expelida com a urina. A creatinina é fácil de medir, basta fazer uma colheita de sangue e verificar o seu valor. A creatinina aumenta no sangue quando os rins já não filtram bem. Assim, é um indicador específico da função renal.

     Importância da creatinina no diagnóstico

    A taxa de filtração glomerular é calculada a partir da concentração da creatinina no sangue.  A clearance (depuração) da creatinina mede, a quantidade creatinina eliminada na urina.

    É normalmente medida na análise à urina das ultimas 24horas: confrontando a creatinina do sangue com a da urina conseguimos obter a percentagem de função renal definida pela “clearance da creatinina”, numa percentagem. Só se aconselha o início da diálise quando a clearance da creatinina se encontra entre os 10% e os 15%.

    Cada um tem as suas características particulares e será o seu médico (nefrologista) a avaliar o melhor momento para iniciar uma técnica dialítica. 

    Quando a clearance da creatinina diminui a creatinina aumenta no sangue. Isto significa que os rins não filtram do sangue toda a creatinina em excesso.

    • Hemograma: hemograma consiste na avaliação dos componentes celulares do sangue com a determinação dos valores de hemoglobina, hematócrito, glóbulos vermelhos, leucócitos, contagem diferencial dos leucócitos, plaquetas e observação de esfregaço.

    A diminuição da hemoglobina no sangue, pode também acompanhar uma disfunção renal.

    A anemia pode surgir no início do diagnóstico da doença renal e agravar à medida que os rins perdem a sua capacidade de filtração e de produção de uma hormona importante denominada por eritropoietina (EPO).

    A EPO é responsável pela produção de glóbulos vermelhos (transportam o oxigénio para todos os órgãos e tecidos do organismo).

    Quando existe Doença Renal os rins não conseguem produzir a EPO em quantidade suficiente e como consequência há uma redução de glóbulos vermelhos surgindo a anemia.

    O início da terapêutica dialítica muitas vezes melhora a anemia pela remoção de toxinas urémicas que inibem a eritropoietina endógena. Contudo, sem a administração de eritropoietina exógena, a maior parte dos doentes são incapazes de manter um nível adequado de hemoglobina. Refira-se, no entanto, que a anemia nos doentes em diálise é multifatorial.

    Alterações da função renal também se podem expressar por alteração de alguns iões como o potássio, o cálcio ou o fósforo, que não sendo tóxicos, podem, quando os seus níveis não estão regulados, ser prejudicais e desregulem o equilíbrio fisiológico do nosso corpo.

    • Potássio: uma das funções dos rins é regular a quantidade de potássio no sangue: estes são responsáveis por excretar 90% da carga ingerida de potássio, sendo o restante eliminado através das fezes. Os iões de potássio são filtrados no glomérulo: 65% da reabsorção ocorre no túbulo proximal. Quando os rins não são capazes de cumprir esta função de forma eficaz, o nível de potássio no sangue sobe.

    O potássio é o mais importante e abundante catião intracelular. É obtido através da alimentação, sendo preservado ou eliminado pelos rins consoante as necessidades celulares. Uma diminuição da taxa filtração glomerular, qualquer que seja a causa, predispõe ao desenvolvimento de retenção de potássio, hipercaliemia, corrigida pela diálise.

    • Fósforo: é um elemento inorgânico importante para a formação do tecido ósseo, no armazenamento e libertação de energia, com tampão ácidobásico urinário e no metabolismo dos hidratos de carbono; 85% armazenado no tecido ósseo e 15% no tecido muscular esquelético. É fornecido pela alimentação e eliminado pelo rim.

    Com o tempo, a doença renal pode afectar também os ossos. Entre as análises prescritas pelo seu médico, estarão também os valores do cálcio, fósforo e PTH (a paratormona, uma hormona (hormona paratiroideia) que regula a saúde dos ossos).

    • Cálcio: é fornecido pela alimentação e a sua importância advém não só pelo facto de ser o maior constituinte mineral do osso, mas também por ser o mensageiro irónico intracelular mais importante na ativação e regulação de uma variedade de processos bioquímicos e fisiológicos.

    A homeostasia do cálcio é mantida pela interação de três grandes sistemas orgânicos – o intestino (absorção), rins (eliminação) e osso (reservatório) e ainda por hormonal.

    A absorção intestinal do cálcio é controlada pelo metabolismo ativo da vitamina D, a qual é produzido no rim. Paralelamente com a progressão de uma insuficiência renal, a produção do metabolismo ativo da vitamina D diminui e implicitamente a absorção intestinal do cálcio que associada à hiperfosfatémia

    • PTH: a paratormona é segregada pelas glândulas paratiróides, é metalizada pelo fígado e rim. É diretamente responsável pela regulação da concentração séria do cálcio e fósforo.

    A principal lesão resultante do aumento de paratormona nos insuficientes renais crónicos terminais – hiperparatiroidismo secundário – é a doença óssea (osteodistrofia renal), cujos sintomas predominates são dores ósseas, articulares, por vezes incapacitastes, e prurido.

    • Ureia: é uma substância formada no fígado, resultante do metabolismo enzimático das proteínas. É filtrada pelo glomérulo renal e reabsorvida em pequena quantidade pelos túbulos, sendo a quantidade restante excretada na urina. Existem várias causas de elevação dos valores da ureia sérico-azotémica, entre as quais as renais, por diminuição da filtração e excreção da urina.

    Como a creatinina, também a ureia aumenta no sangue quando os rins estão doentes e diminui na urina. Esta é outra análise importante que ajuda a perceber o funcionamento dos rins e em que estado se encontram.

    Quando a ureia aumenta muito no sangue, provoca sintomas como náuseas e vómitos, mau hálito, falta de apetite.

    • Albumina: está análise é importante porque serve para saber se apresenta um bom estado de nutrição. Em algumas doenças renais existe perda de albumina para a urina o que constitui um fator de agravamento da função renal. Um valor normal de albumina pode indicar que o seu organismo utiliza bem os alimentos que ingere.

    • Ferro Sérico: é um elemento necessário em muitos processo biológicos, sendo principalmente um constituinte da hemoglobina.

      A segunda causa mais comum de anemia nos doentes em diálise é por deficiência em ferro, devido a perdas sanguíneas (hemodiálise – sangue residual no circuito extracorpóreo, frequentes colheitas de sangue, aumento de perdas gastrointestinais), não esquecendo as necessidades aumentadas de ferro na terapêutica com estimuladores da eritropoiese.

    • Ferritina: o seu nível é um indicador das reservas em ferro. É uma proteína de fase aguda cujos níveis aumentam inespecificamente durante a infeção, inflamação e na urémia. 

    O nível de ferritina abaixo do normal pode indicar que a pessoa tem deficiência de ferro. Outro quadro que afeta os níveis de ferro é a anemia, que é a quantidade insuficiente de glóbulos vermelhos no sangue aos quais o ferro se liga.

    Análise à urina para que serve?

    São muito importantes e ajudam a perceber como estão os seus rins. Se a urina não contém todas as impurezas produzidas pelo metabolismo, isso significa que os rins não purificam o suficiente. Por outro lado, é importante saber quanta urina produz o rim, para verificar se todo excesso de líquidos é expelido.

    Para ter esta importante informação, efetuam-se dois tipos de análises:

    • Urina das 24 horas: análise das últimas 24horas: colhe-se urina das últimas 24horas anteriores à análise e mede-se a quantidade, a presença de proteínas, eletrólitos, ureia, creatinina, etc. (É importante colher a urina das 24horas de forma correta.)

    • Sumária: é o exame das suas características gerais (cor, cheiro, densidade, volume…) e a pesquisa de elementos anormais da mesma, como glicose, acetona, albumina, ph, sangue entre outras, e análise de sedimentação.

    A presença de glicose na urina sem ser diabético costuma ser um sinal de doença nos túbulos renais. Isso significa que apesar de não haver excesso de glicose na urina, os rins não conseguem impedir sua perda.

    Proteínas que circulam no sangue são grandes demais para serem filtrados pelo rim, por isso, em situações normais, proteínas não costumam estar presentes na urina.

    Presença de sangue na urina (hematúria) pode ocorrer por diversas doenças, tais como infeções, pedras nos rins e doenças renais graves

    Pode controlar e acompanhar, em conjunto com o médico / enfermeiro, a evolução da função atual dos seus rins. Tudo isto o irá ajudar a sentir-se melhor nesta fase.

    Источник: https://www.portaldadialise.com/articles/avaliar-a-funcao-renal

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