Delírio: o que é, principais tipos, causas e tratamento

Esquizofrenia: causas, sintomas e tratamento

Delírio: o que é, principais tipos, causas e tratamento

É uma doença mental complexa e heterogénea, que reflete alterações a nível do funcionamento cerebral, implicando mudanças a nível do pensamento, cognição, perceção, afeto e comportamento, que se estima que afete cerca de 1% da população mundial, sendo mais prevalente no sexo masculino.

A Esquizofrenia pode aparecer em qualquer idade. Contudo, na maioria dos casos, o início ocorre no final da adolescência, entre os 18 e os 25 anos nos homens e no fim da segunda década nas mulheres. Estima-se que até 10% das mulheres pode haver um início mais tardio, após 40 anos de idade, com sintomas mais negativos e menor hipótese de recuperação completa.

Causas

A Esquizofrenia é uma patologia multifatorial, embora se desconheça a causa exata.

É consensual que os fatores genéticos são importantes, uma vez que há alterações no desenvolvimento de esquizofrenia e história familiar positiva, alterações no neurodesenvolvimento que de alguma forma modifiquem o desequilíbrio da neurotransmissão no cérebro e um papel importante do meio ambiente a que estamos expostos nomeadamente: parto traumático, complicações durante a gravidez e infeções virais.

Outros fatores ambientais como o stress e o abuso de substâncias químicas (em particular alucinogénios e canabinóides), parecem desempenhar igualmente um papel importante.

Sintomas

Como síndrome heterogénea, a esquizofrenia, tem uma apresentação clínica que envolve várias dimensões, por um lado sintomatologia dita “positiva” (ideias delirantes, alucinações, …) e por outro lado, sintomatologia “negativa” (embotamento afetivo, isolamento social, …). Podem igualmente estar presentes sintomas cognitivos, agressividade e impulsividade.

Os sintomas de esquizofrenia variam assim de pessoa para pessoa e ao longo da evolução da doença, ou seja, nem todas as pessoas com este diagnóstico apresentam os mesmos sintomas.

Os diferentes tipos de esquizofrenia

A Classificação Internacional de Doenças 10 (CID10) descreve diferentes tipos de esquizofrenia ー paranóide, hebefrénica ou desorganizada, catatónica, indiferenciada, residual e simples.

A esquizofrenia paranóide é a mais frequente. Habitualmente cursa com ideação delirante bem sistematizada e de conteúdo persecutório. Comparativamente a outros subtipos o prognóstico é relativamente favorável com preservação da personalidade.

A esquizofrenia desorganizada ou hebefrénica tem normalmente um início mais precoce e pior prognóstico. O pensamento é desorganizado com afrouxamento associativo e os sintomas negativos como o embotamento afetivo e isolamento social, surgem mais precocemente.

A esquizofrenia catatónica é atualmente pouco frequente na Europa e América do Norte e carateriza-se por uma alternância entre a excitação e agitação psicomotora, agressividade e violência, estupor e mutismo.

A esquizofrenia simples tem um início insidioso e prognóstico pobre. Os sintomas negativos desenvolvem-se sem manifestações de sintomatologia “produtiva” evidente e há um marcado comportamento estranho, isolamento social e declínio do funcionamento laboral ou académico. No entanto, neste subtipo de esquizofrenia, os delírios e alucinações são pouco marcados.

Considera-se que existe um quadro de esquizofrenia residual quando a clínica progrediu de 1 ou mais episódios psicóticos para um quadro em que predominam os sintomas negativos. O diagnóstico requer um ano de sintomas negativos sem recorrência de sintomas positivos proeminentes.

Por fim, na esquizofrenia indiferenciada enquadram-se os doentes que não cumprem critérios para os referidos subtipos de esquizofrenia.

Tratamento

A Esquizofrenia é uma doença crónica. Não é curável mas tem tratamento.

O tratamento farmacológico passa pela utilização de psicofármacos, incluindo antipsicóticos – que atuam essencialmente num neurotransmissor (mensageiro químico chamado dopamina), cujo excesso provoca os sintomas positivos como o delírio, alucinações e comportamento desorganizado – levando consequentemente a uma remissão destes sintomas.

A abordagem terapêutica deverá ser multidisciplinar incluindo, por exemplo, para além do tratamento psicofarmacológico, estimulação social, psicoterapêutica e ocupacional

Autores:
Dra. Margarida Albuquerque
Dra. Margarida Fraga
Dr. Pedro Cintra
Dr. Pedro Espada dos Santos
Departamento de Saúde Mental do Hospital de Cascais

Источник: https://www.atlasdasaude.pt/artigos/esquizofrenia-causas-sintomas-e-tratamento

Delírio: sintomas, tratamentos e causas

Delírio: o que é, principais tipos, causas e tratamento

Delírio, ou delirium, é uma alteração multifatorial e constantemente não diagnosticada, fazendo com que os pacientes não recebam o tratamento adequado. Ele é caracterizado como uma perturbação grave na capacidade mental de uma pessoa, o que resulta em uma diminuição da consciência (inclusive do ambiente em que ela está) e pensamento confuso. Normalmente o seu aparecimento é repentino.

O delírio é mais comum em pacientes idosos e é considerado uma emergência geriátrica. Normalmente ele está relacionado a um ou mais fatores que o ocasionaram, como uma doença crônica ou grave, certos medicamentos, infecções, cirurgias ou abuso de álcool ou drogas.

Os episódios de delírio podem durar de alguns minutos ou horas até semanas. Normalmente, quanto mais novo o paciente mais rápido ele se recupera. Pacientes mais velhos ou com condições de saúde mais graves podem demorar mais tempo para se recuperar e ter momentos de delírio recorrentes.

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É importante saber que durante os episódios de delírio, muitas vezes, a pessoa não está completamente ciente do local em que ela está e pode agir de forma inesperada.

Os sintomas podem ser similares aos de demência, por isso a presença de alguém que passe bastante tempo com o paciente pode ser essencial para o diagnóstico correto da doença.

Apesar das duas doenças, delírio e demência, poderem coexistir, elas não são a mesma coisa, uma vez que a demência aparece gradualmente e é uma condição permanente.

Causas

O delírio acontece quando os sinais enviados e recebidos pelo cérebro se tornam comprometidos, debilitados ou confusos. Apesar de não se saber a exata causa desse comprometimento, o mais provável é que seja ocasionado por uma combinação de fatores que tornam o cérebro vulnerável, implicando no mau funcionamento da atividade cerebral.

Qualquer condição que faça com que o paciente fique internado em um hospital aumenta o risco dele ter episódios de delírio. Além disso, a falta de sono, o uso de certos medicamentos ou drogas, infecções e febre alta podem estar relacionados ao sintoma.

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Dentre as principais condições de saúde ligadas ao delírio estão:

  • Desidratação
  • Infecções do trato urinário
  • Pneumonia
  • Infecções abdominais e de pele
  • Demência
  • Nutrição deficiente
  • Esquizofrenia
  • Tratamento com muitas medicações diferentes ou em doses altas
  • Doenças graves ou em fase terminal
  • Período de abstinência das drogas

Dentre as medicações que podem ocasionar o delírio estão:

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Os episódios de delírio também estão bastante relacionados ao tempo em que o paciente está acamado, com restrição de mobilidade, ao uso de cateter na bexiga e a uma combinação de vários dos fatores anteriores.

Fatores de risco

Pacientes com as seguintes condições de saúde ou características estão mais propensos a ter episódios de delírio:

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  • Pessoas com demência
  • Idosos
  • Crianças com infecções que causem febre alta
  • Ter problemas de visão ou audição
  • Estar desnutrido ou desidratado
  • Estar fazendo tratamento com múltiplas medicações
  • Fazer uso excessivo de álcool e/ou drogas, ou estar no período de abstinência
  • Ter realizado uma cirurgia recentemente

Sintomas de Delírio

Os sintomas de delírio aparecem em pouco tempo e normalmente desaparecem, retornando durante o dia (flutuam), então a pessoa pode passar algum tempo sem apresentar sintomas. Dentre os sinais que o paciente com delírio pode apresentar estão:

  • Incapacidade de ficar focado em um tópico ou situação, ou em mudar de tópico
  • Atenção vaga
  • Ficar preso a apenas uma ideia ou tópico e não conseguir responder questões normais de uma conversação
  • Ser “retirado” do ambiente em que se encontra com pouca ou nenhuma resposta às situações ao seu redor
  • Ser facilmente distraído por coisas não importantes

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  • Memória fraca, principalmente dos eventos recentes
  • Desorientação, incluindo não saber o local em que as coisas estão, quem é quem ou em qual período do dia, mês ou ano está
  • Dificuldade para falar ou para se lembrar do que falou
  • Dificuldade em compreender as falas das outras pessoas
  • Dificuldade em ler ou escrever
  • Linguagem estranha ou sem sentido
  • Ter alucinações
  • Não conseguir descansar e ficar agitado
  • Irritabilidade e comportamento agressivo
  • Problemas para conseguir dormir e acordar nos horários normais
  • Estar com as emoções – como medo, ansiedade, raiva ou depressão – muito afloradas, extremas

Buscando ajuda médica

Se algum parente, amigo, ou alguém próximo estiver apresentando os sintomas de delírio, procure ajuda médica.

Pessoas idosas que estão internadas em hospitais, ou com doenças que demandam tratamentos constantes, são particularmente mais propensas em apresentar episódios de delírio.

Por isso é ainda mais importante ficar atento a todos os sintomas que elas podem apresentar, inclusive aqueles mais quietos, como isolamento social e pouca interação com as pessoas ao seu redor.

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Se a pessoa já tem demência, é necessário ficar atento a mudanças repentinas no geral e no seu envolvimento com o ambiente, pois esses fatores podem indicar que ela está tendo delírios e então deve ser procurada ajuda médica.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar delírio são:

  • Clínico geral
  • Geriatra
  • Pediatra
  • Psicólogo
  • Psiquiatra

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As pessoas que estão mais próximas ao paciente com delírio são muito importantes no momento da consulta. São elas quem devem fornecer a maior parte das informações ao médico.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar tempo. Dessa forma, você já pode chegar ao consultório com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e mudanças comportamentais, há quanto tempo eles apareceram e a frequência com que aparecem
  • Histórico médico, incluindo outras condições que tenha e medicamentos, vitaminas ou suplementos que tome com regularidade
  • Contato de todos os outros médicos e terapeutas que cuidem do paciente

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O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • O paciente teve algum quadro de febre, tosse ou sintomas urinários recentemente?Ele tem ou está sendo investigada a possibilidade dele ter desenvolvido demência?Como o paciente fazia as atividades diárias antes de apresentar os sintomas? Ele era independente?Quando foi a última vez que as doses dos remédios que ele toma regularmente foram ajustadas?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes de sair do consultório.

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Diagnóstico de Delírio

Para diagnosticar o delírio, o médico se baseará nas respostas que o acompanhante fornecer sobre o histórico médico do paciente, da verificação do estado mental e da identificação dos possíveis fatores que contribuíram com o quadro. Os testes incluem:

O médico avalia a consciência, atenção e capacidade de raciocínio do paciente através de uma conversa informal ou de testes mais formais, com o uso de listas e outros instrumentos de avaliação.

O médico verificará a possibilidade de desidratação, infecção, abstinência de álcool ou outros problemas de ordem física. Os exames físicos têm como objetivo encontrar condições de saúde que podem estar causando o problema, uma vez que o delírio pode ser o primeiro sinal (e, às vezes, o único) de uma condição mais séria como insuficiência respiratória ou insuficiência cardíaca.

Já o exame neurológico verificará a visão, equilíbrio, coordenação e reflexos do paciente, o que pode determinar a presença de alguma doença neurológica que está ocasionando o delírio.

Caso a causa do delírio não tenha sido descoberta com os exames anteriores, o médico pode solicitar:

  • Exames de sangue
  • Exame de urina
  • Outros testes laboratoriais
  • Exames de imagens do cérebro

Tratamento de Delírio

Como o delírio é causado por diversos fatores, e muitas vezes uma combinação deles, o objetivo é alcançar um tratamento que não torne os episódios de delírio ainda piores. Mas, sim, que encontre a causa do problema e trate-a, pensando-se sempre em criar as condições favoráveis para que o corpo reaja e que o cérebro se acalme.

Com isso, pode ser necessário usar de cuidados especiais para que o paciente se oriente, como:

  • Manter relógios e calendários por perto
  • Manter o ambiente em que ele está o mais calmo o possível, com a presença dos seus pertences e daquilo que é familiar para ele
  • Conversas regulares sobre lembranças do lugar e o tempo em que ele está
  • Manter os membros da família por perto e evitar a presença de estranhos
  • Não fazer barulhos nos momentos em que o paciente deve dormir e deixar o ambiente iluminado fracamente
  • Manter uma nutrição e hidratação adequada
  • Suprir a necessidade de equipamentos que se fizerem necessários, como óculos ou aparelhos auditivos
  • Fazê-lo sair da cama nos horários normais e realizar atividades leves, como caminhadas em casa, se possível

Sobre as medicações que podem estar ocasionando o delírio, converse com o médico sobre a possibilidade de diminuir as doses ou trocá-las, visando a melhor qualidade de vida do paciente.

Medicamentos para Delírio

Os medicamentos mais usados para o tratamento de delírio são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo/ Prognóstico

O delírio pode durar de alguns minutos até semanas, dependendo da condição de saúde que está ocasionando esses episódios. Descobrindo-se a causa, quando tratada, o paciente tende a voltar ao normal.

Em crianças, os episódios de delírios costumam a acontecer e se resolver rapidamente, condição que vai ficando cada vez mais lenta conforme a pessoa envelhece.

Apesar dos sintomas serem desafiadores para a família, a maior chance do paciente se recuperar rapidamente é com o apoio e compreensão deles. Se necessário, procure ajuda de um psicológico para lidar com essa situação.

Complicações possíveis

As principais complicações do delírio estão ligadas à demência e a possibilidade de perda de memória e agressividade. Por esta razão, é bom identificar os sintomas para se buscar a causa e trata-lo o quanto antes.

Delírio tem cura?

O grau de recuperação do paciente, depois de tratado o delírio, dependerá muito da condição dele antes do surgimento do problema.

Pacientes com demência normalmente apresentam uma piora acentuada nas habilidades de raciocínio e de memória depois dos episódios de delírio. Para pessoas com condições de saúde graves ou potencialmente fatais, também pode haver complicações, mesmo depois de tratados.

Já em pessoas com condições de saúde, tanto física quanto mental, melhores, são maiores as chances de uma recuperação completa.

Referências

Sociedade Americana do Delírio

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP)

Universidade Federal de Santa Catarina

Clínica Mayo

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/delirio

Sobre a Medicina
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