Diabetes Tipo 1: causas, sintomas e tratamento

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Diabetes Tipo 1: causas, sintomas e tratamento

A diabetes mellitus (DM) é uma doença metabólica crónica, que pode ter várias causas e que resulta de várias alterações fisiopatológicas que conduzem à elevação permanente da glicemia (concentração de açúcar no sangue).

Esta subida deve-se essencialmente a defeitos na ação normal da insulina e/ou à carência desta. A incidência está a crescer e atinge cerca de 13% da população adulta portuguesa. Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 400 milhões de pessoas com diabetes, sendo que os números não param de aumentar.

O açúcar é necessário para o metabolismo das células. Para que ele seja para aí transportado o pâncreas produz insulina, hormona que vai captar a glicose da corrente sanguínea e levá-la para as células de todo o corpo onde será utilizada como energia. Qualquer pessoa pode sofrer desta doença, no entanto a exposição a fatores de risco pode aumentar a probabilidade do seu aparecimento.

Cerca de 90% dos casos de diabetes são classificados como diabetes tipo 2. Este tipo afeta sobretudo pessoas adultas e idosas, com excesso de peso ou obesidade, sedentárias e com estilos de vida pouco saudáveis, e há frequentemente historial familiar.

A diabetes tipo 1 é muito menos frequente e resulta essencialmente da destruição súbita e irreversível das células pancreáticas, geralmente por inflamação autoimune.

Estes doentes são geralmente adolescentes ou adultos jovens. 

Nas mulheres grávidas, o novo ambiente hormonal, associado a excesso de peso, sedentarismo e alimentação pouco equilibrada, podem produzir um tipo de diabetes próprio da gestação, chamada diabetes gestacional.

Geralmente é controlada apenas com dieta e atividade física, mas pode necessitar de tratamento com insulina. Os principais problemas deste tipo de diabetes, quando não controlada, são complicações fetais e do parto.

Os sintomas são causados pela quantidade de açúcar no sangue, quer associados ao aumento do seu nível (hiperglicemia) quer à sua diminuição (hipoglicemia).

Sintomas de hiperglicemia

A hiperglicemia pode acontecer nos diabéticos mal controlados ou quando existe ingestão de uma grande quantidade de açúcar. Esta condição pode causar visão turva, sensação de boca seca, transpiração excessiva e cansaço.

Sintomas de hipoglicemia

A hipoglicemia geralmente ocorre em diabéticos que utilizam fármacos para controlar doença, sejam eles insulina ou antidiabéticos orais. Esta condição pode resultar da toma excessiva ou incorreta da medicação, jejum prolongado ou exercício físico inadequado.

Os níveis de açúcar no sangue não devem ser inferiores a 70mg/dl. Quando se tomam medicamentos para controlar a doença é necessário ter muita atenção com a alimentação para que os níveis de açúcar não desçam demasiado.

O cansaço inexplicável, as tonturas, a visão turva e a dificuldade em raciocinar são os principais sintomas da hipoglicemia.

O pâncreas liberta insulina, a hormona que controla o armazenamento e a utilização do açúcar no sangue. A diabetes ocorre quando:

  • O pâncreas produz insulina em quantidade insuficiente ou não é capaz de produzir nenhuma quantidade de insulina
  • Quando o organismo não responde adequadamente à insulina- condição de “resistência à insulina”

É um problema de saúde pública que resulta, muitas vezes, da forma como as pessoas vivem e dos hábitos que têm. A sua incidência tem vindo a aumentar. Em 2010, cerca de 34,9% da população portuguesa entre os 20 e os 79 anos apresentava diabetes ou pré-diabetes e cerca de 43,6% dos casos não estavam diagnosticados.

Esta doença é responsável por várias complicações que diminuem a qualidade de vida, podendo provocar a morte precoce. É uma enfermidade que não tem cura.

No entanto, o avanço nos tratamentos e a compreensão da enfermidade permitem aos diabéticos levar uma vida praticamente normal.

Muitas vezes, o cuidado com a alimentação e a prática regular de exercício são suficientes para evitar a doença ou para a manter controlada.

Alguns fatores de risco são possíveis de controlar (modificáveis); outros não (não modificáveis).

Fatores de risco modificáveis:

  • Hipertensão arterial
  • Obesidade
  • Privação de sono
  • Sedentarismo
  • Tabagismo

Fatores de risco não modificáveis: 

  • Doenças do pâncreas ou doenças endócrinas
  • História familiar
  • Recém-nascido com peso superior a quatro quilos
  • Género e idade: As mulheres acima dos 45 anos são mais afetadas

Um dos principais problemas resulta dos sintomas passarem muitas vezes despercebidos, levando a um diagnóstico tardio. Para o fazer é necessária uma análise dos sintomas e dos fatores de risco.

Geralmente é utilizado apenas um parâmetro para fazer o seu diagnóstico.

Se forem utilizados dois, deverão ser concordantes e, caso não sejam, dever-se-á repetir a análise duas semanas após a primeira.

Os diabéticos tipo 1 fazem tratamento com insulina (insulinoterapia), que é administrada várias vezes por dia por via subcutânea desde o início da doença. Esta deve ser feita a par de uma vigilância correta da glicemia e de uma alimentação saudável e prática de exercício regular. 

Os diabéticos tipo 2 vigiam a glicemia com antidiabéticos orais.

Por vezes não é necessária qualquer medicação já que, neste tipo, é possível controlá-la com a adoção de um estilo de vida saudável, restrição de alimentos hipercalóricos, fracionamento alimentar, prática de exercício físico medicamentos que facilitam a ação da insulina, e em determinados casos ou fases mais adiantadas da doença, por administração de insulina (se o tratamento com antidiabéticos orais não for capaz de atingir os objetivos esperados). A perda de peso é fundamental para estes doentes.

Embora não tenha cura, um bom controlo da glicemia pode prolongar a vida e evitar complicações. A prevenção envolve três pontos importantes:

  1. Conhecer a diabetes: é importante que o paciente conheça bem o seu tipo de diabetes, só dessa forma poderá cumprir e melhorar o tratamento. A forma como lida com a doença é o principal fator de sucesso.
  2. Controlar a glicemia: se estiver dentro dos valores normais há menores probabilidades de sofrer complicações.
  3. Alimentação: Uma das prioridades no diabético tipo 2 é melhorar hábitos alimentares e perder peso. Sendo este um dos fatores de risco que mais contribui para o desenvolvimento da doença e para o aparecimento de complicações, é também um dos mais importantes a controlar. A medicação não é eficaz se os hábitos alimentares não melhorarem.

Источник: https://www.cuf.pt/saude-a-z/diabetes

Diabetes tipo 1 — causas, sintomas e tratamento da doença

Diabetes Tipo 1: causas, sintomas e tratamento

Embora seja menos frequente, o diabetes tipo 1 atinge um grande número de brasileiros. Seus sintomas aparecem ainda na infância e adolescência e, nesses casos, trazem uma série de implicações à vida de pacientes que ainda não entendem bem o problema, mas se veem cercados de restrições alimentares.

E você, tem diabetes tipo 1 ou convive com pessoas que receberam esse diagnóstico? Quer entender melhor quais são as causas da doença, os cuidados que o paciente deve tomar e o tratamento mais adequado? Então, continue a leitura do artigo e tire suas dúvidas!

Há dois tipos diferentes de diabetes. Porém, nessas duas condições clínicas, o organismo tem uma mesma dificuldade: realizar os processos que envolvem o hormônio responsável por transformar a glicose que ingerimos em energia — a insulina. Assim, o açúcar permanece no sangue e não consegue entrar nas células.

Vamos explicar essa doença de uma forma mais simples. Pense nas células do seu corpo como minúsculos carros. Para elas funcionarem, precisam de um combustível que proporcione energia. Esse combustível é a glicose (açúcar) que ingerimos por meio da alimentação.

Porém, para que cada um desses minúsculos carros receba esse combustível, é necessário abrir a “porta do tanque”. A chave que a destrava é justamente a insulina.

No caso do diabético, podem acontecer dois problemas diferentes. Em alguns casos, simplesmente não há insulina. É como se a bomba de combustível estivesse com seu bico quebrado. Em outros pacientes, o problema é diferente. Existe insulina, mas a “porta do tanque” está emperrada.

Em qualquer uma dessas situações, o resultado é o mesmo: a glicose não consegue entrar, deixando o corpo sem energia para trabalhar.

Atualmente, há mais de 13 milhões de diabéticos no Brasil, ou seja, quase 7% da nossa população. Mais de 50% das pessoas têm um diagnóstico acidental. Isso significa que elas não tinham sintomas evidentes da doença, que foi descoberta em exames de rotina ou realizados para outros propósitos. Enquanto isso, o organismo era prejudicado silenciosamente.

Qual é a diferença entre o diabetes tipo 1 e o diabetes tipo 2?

O diabetes tipo 1 acontece quando o sistema imunológico tem uma reação inadequada. As células de defesa, que deveriam proteger o organismo, atacam e destroem as células beta do pâncreas. Assim, esse órgão não consegue produzir a insulina necessária para que a glicose dos alimentos seja transformada em energia e utilizada pelo corpo.

Portanto, quando a pessoa tem diabetes tipo 1, seu organismo fica sem combustível para oferecer às outras células. A glicose que não foi utilizada da maneira correta se concentra no sangue e causa degenerações crônicas. Olhos, rins, coração, nervos e vasos sanguíneos estão entre os principais órgãos afetados.

Muitas vezes, o diagnóstico acontece meses ou mesmo anos após o início desse processo de destruição das células beta. Assim, quando o paciente descobre a doença, 70 a 90% delas já foram danificadas. Portanto, é importante que as pessoas conheçam os primeiros sinais do diabetes para identificá-los e procurar ajuda médica imediatamente.

Embora alguns adultos recebam o diagnóstico de diabetes tipo 1, a doença geralmente aparece ainda na infância ou adolescência. Por isso, por muito tempo ela também foi chamada de diabetes juvenil e traz uma série de complicações e restrições à vida de pessoas jovens.

Já no diabetes tipo 2, existe um outro processo que não deixa a glicose chegar à célula e ser usada como fonte de energia. Trata-se da resistência a insulina, que é um tema que trataremos em outro artigo. É como se aquela porta do tanque ficasse emperrada e a insulina não conseguisse abri-la, deixando o organismo sem combustível e causando todos os efeitos do excesso de açúcar no sangue.

Quais são as causas do diabetes tipo 1?

O diabetes tipo 1 é uma doença crônica não transmissível genética. O fato de os primeiros sinais dela aparecerem ainda na infância e adolescência indicam que se trata de uma patologia hereditária. Ela é mais comum também em pessoas que têm parentes próximos diagnosticados. Por isso, quem tem a doença na família deve fazer exames com uma certa frequência.

Quais são os sintomas de diabetes tipo 1?

É muito importante que as pessoas conheçam os sintomas do diabetes tipo 1. Dessa forma, elas conseguirão identificar os primeiros sinais e buscar tratamento nos estágios iniciais da doença, evitando uma destruição ainda maior das células beta do pâncreas.

Então, confira que sintomas são esses:

  • fome frequente;
  • sede constante;
  • perda de peso;
  • vontade de urinar muitas vezes ao dia;
  • fadiga e fraqueza;
  • mudanças de humor;
  • náusea e vômito.

Como falamos, o diabetes tipo 1 é mais frequente em crianças e adolescentes até os 14 anos. Portanto, é importante ficar atento à ocorrência frequente desses sinais e, caso eles sejam constatados, procurar o médico para um possível diagnóstico e início do tratamento.

Como é o tratamento do diabetes tipo 1?

O diagnóstico tardio do diabetes tipo 1, ou seja, o fato de muitos pacientes só descobrirem a doença depois que uma grande parte das células beta foram destruídas, faz com que o pâncreas perca a capacidade de produzir a quantidade adequada de insulina.

Por isso, vários pacientes se tornam dependentes da aplicação de insulina. Ao ser injetado no sangue, esse hormônio consegue fazer com que a glicose entre nas células e seja utilizada para fornecer energia. Assim, os níveis de açúcar na corrente sanguínea diminuem.

É importante destacar que o médico é o único profissional capaz de avaliar se o paciente realmente precisa de insulina e qual é a dosagem adequada para ele. Caso prescrito, o medicamento deve ser utilizado rigorosamente, de acordo com as instruções oferecidas.

Porém, o paciente diabético precisa tomar outros cuidados com a saúde. Ele também deve seguir um planejamento alimentar adequado que preveja o controle do uso de carboidratos para diminuir a ingestão de glicose, reduzindo os níveis dessa substância no sangue. A prática de exercícios físicos também é altamente recomendada.

Parar de fumar é outra medida muito importante para os pacientes diabéticos, independentemente do tipo da doença. O cigarro já diminui o fluxo sanguíneo e a oxigenação das células, o que acelera o surgimento e agravamento de todos os problemas associados a essa patologia.

A verdade é que o corpo humano é um sistema complexo. O controle dos níveis de açúcar no sangue vai muito além de medicamentos e envolve uma mudança de hábitos capaz de restaurar plenamente a saúde. Por isso, falaremos dos recursos para o tratamento do diabetes em um artigo completo sobre esse tema.

Entendeu o que acontece no corpo dos pacientes com diabetes tipo 1 e por que eles têm níveis altos de açúcar no sangue? Quer saber mais sobre os métodos de tratamento? Então, não perca tempo! Assine a nossa newsletter e receba essas informações diretamente em seu e-mail ou WhatsApp!

Источник: https://www.vidanatural.org.br/diabetes-tipo-1-causas-sintomas-tratamento/

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Diabetes Tipo 1: causas, sintomas e tratamento

A diabetes tipo 1 é uma doença crónica de natureza autoimune. Isto é,  o próprio organismo ataca as células que produzem insulina no pâncreas, deixando de produzir esta hormona. Para que o açúcar, as gorduras e as proteínas possam ser utilizados como fonte de energia é precisa a insulina. Sem esta hormona, a consequência é a hiperglicemia, ou níveis elevados de açúcar no sangue.

Embora a diabetes tipo 1 possa manifestar-se em pessoas de qualquer idade, é nas crianças e jovens que o desenvolvimento da doença é mais frequente. Por isso, este tipo de diabetes é também muitas vezes chamado diabetes infantil ou juvenil. Neste tipo de diabetes é então necessário compensar a falta de produção de insulina, sendo iniciado o tratamento com a hormona desde o diagnóstico.

Prevalência da diabetes tipo 1

A diabetes tipo 1 é uma das doenças crónicas com maior prevalência em idade escolar. Em 2015, 3 327 crianças e jovens até aos 19 anos tinham diabetes, o que corresponde a 0,16% da população portuguesa. Por outro lado, a taxa de aparecimento de novos casos é maior entre os 12-14 anos, em qualquer um dos sexos.

Sabe-se que a prevalência de diabetes tipo 1 a nível global tem vindo a aumentar. Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), este aumento é na ordem dos 3-4% por ano e acontece sobretudo nas crianças mais jovens.

As razões para este aumento não são totalmente conhecidas, sabe-se apenas que há uma predisposição genética para o desenvolvimento da diabetes tipo 1, que há fatores ambientais que parecem desencadeá-la e que o leite materno parece exercer um fator protetor.

Como a doença se desenvolve

O aparecimento de anticorpos que atacam as células beta do pâncreas (onde a insulina é produzida) é responsável por 70-90% dos casos de diabetes tipo 1, segundo a DGS.

O que leva à reação do organismo contra as próprias células pancreáticas é ainda um mistério por resolver.

Além dos casos em que a reação autoimune é identificada, há ainda um pequeno número de pessoas com diabetes tipo 1 que não apresenta anticorpos, sendo que, nestes, a causa é também ainda desconhecida.

Infelizmente, não parece haver nada que se possa fazer para evitar o aparecimento deste tipo de diabetes que, ao contrário da diabetes tipo 2, não está relacionado com hábitos de vida pouco saudáveis.

Os sintomas da diabetes tipo 1

O aparecimento dos sintomas é súbito, com manifestações muito claras, como as seguintes:

  • Urinar muito (poliúria);
  • Muita sede e fome (polidipsia e polifagia);
  • Emagrecimento rápido;
  • Sensação de fadiga e dores musculares;
  • Dores de cabeça, náuseas e vómitos.

Qual a estratégia de tratamento?

O tratamento mais adequado, bem como as medidas complementares são as recomendadas pelo médico especialista.

Tal como noutros tipos de diabetes, o principal objetivo é manter os níveis de açúcar no sangue dentro dos parâmetros aconselhados. No entanto, a diabetes tipo 1 determina desde o diagnóstico a insulinodependência.

É necessária a administração de insulina para compensar o facto de o organismo ter deixado de a produzir.

Na diabetes tipo 1, a autovigilância da glicemia é fundamental para uma boa gestão do tratamento, pelo que a criança ou jovem deve ser ensinado desde cedo sobre a sua condição, num espírito de autonomia, apoio e abertura para o diálogo.

Ainda que este tipo de diabetes não esteja relacionado com o estilo de vida, é importante promover uma alimentação equilibrada.

O principal objetivo nutricional para as crianças e jovens com a doença é, assim, garantir que crescem saudáveis e desfrutam do dia-a-dia, independentemente da diabetes. Poderá igualmente ser aconselhado o acompanhamento profissional que avalia as necessidades nutricionais caso a caso.

No entanto, toda a sensibilização é fundamental, devendo-se aprender a ler os rótulos dos alimentos e a fazer a contagem dos hidratos de carbono desde cedo.

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A pessoa que vive com diabetes tipo 1 deve ainda praticar exercício físico, com o devido cuidado: analisar situações em que o exercício físico não é aconselhado (hipoglicemia grave nas últimas 24 horas ou ausência do kit de correção de hipoglicemia, por exemplo) ou quando os níveis de glicemia estão demasiado baixos. De acordo com a DGS, «uma vez que a maior parte do exercício físico praticado na escola é do tipo aeróbio ou intermitente, idealmente, o valor da glicémia prévia deve estar entre os 126 e 180 mg/dl».

Источник: https://www.diabetes365.pt/cuidar/diabetes-tipo-1-tudo-o-que-precisa-de-saber/

Diabetes mellitus: causas, sintomas, tratamento e tipos

Diabetes Tipo 1: causas, sintomas e tratamento

Adiabetes mellitus é uma doença crônica que a cada dia afeta mais pessoas no nosso país e em todo o mundo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a doença atinge cerca de 6,9% da população brasileira, o que corresponde a, aproximadamente, 13 milhões de casos.

E o que mais assusta é que esse número tende a aumentar.

Essa doença é decorrente da produção insuficiente do hormônio insulina ou da incapacidade de seu uso. A insulina, que é produzida pelas células beta do pâncreas, controla os níveis de glicose no sangue, que, quando há diabetes, ficam elevados e ocasionam um quadro conhecido como hiperglicemia.

Causas da diabetes mellitus

A diabetes mellitus é causada por problemas na secreção da insulina ou na ação desse hormônio. A diabetes mellitustipo 1 é desencadeada pela destruição das células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.

Nesse caso, percebemos a ocorrência de um problema autoimune, ou seja, as células do pâncreas são atacadas pelo sistema imune do próprio paciente. Já na diabetes mellitus tipo 2, o que se verifica é um problema na secreção ou ação da insulina. A diabetes tipo 2 geralmente acontece em pessoas com sobrepeso ou obesidade.

Adiabetesgestacional, por sua vez, não possui causa bem esclarecida.

Alimentação saudável e exercícios físicos podem prevenir a diabetes.

Vale salientar que ainda existem outros tipos específicos de diabetes, que são formas menos comuns e desencadeadas por problemas genéticos, doenças do pâncreas exócrino, problemas no sistema endócrino, infecções, medicamentos e outros agentes químicos, entre outras causas.

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Leia também: Riscos do consumo exagerado de açúcar

Sintomas da diabetes mellitus

A diabetes mellitus desencadeia a chamada hiperglicemia, que causa o aumento dos níveis de glicose no sangue. A hiperglicemia manifesta como sintomas:

  • Produção de urina em excesso (poliúria);
  • Volume de eliminação de urina maior no período noturno que no diurno (nictúria);
  • Perda de peso;
  • Fome excessiva (polifagia);
  • Sede excessiva (polidipsia);
  • Boca seca;
  • Fraqueza;
  • Visão turva.

Vale destacar que a hiperglicemia crônica pode desencadear complicação, levando à disfunção e falência de vários órgãos, tais como olhos, rins, coração e nervos.

Classificação dos tipos de diabetes

As formas mais frequentes de diabetes são o tipo 1 e o tipo 2, entretanto, outros tipos são conhecidos. Costuma-se dividir a diabetes mellitus em quatro grupos:

  • Diabetes tipo 1;
  • Diabetes tipo 2;
  • Outros tipos específicos (são formas menos comuns dessa doença);
  • Diabetes gestacional.

Existe ainda a chamada pré-diabetes, que se refere a um estado intermediário entre a diabetes melittus e um paciente normal.

A diabetes mellitus gestacional é um tipo de diabetes que afeta as mulheres grávidas.

Diabetes mellitus tipo 1

A diabetestipo 1 é aquela em que as células beta são destruídas, ocasionando a deficiência de insulina. Em razão dessa deficiência, o sangue fica com glicose em excesso.

Sua causa pode ser autoimune (quando o próprio sistema imunológico ataca e destrói o tecido saudável)ou então idiopática, ou seja, desconhecida.

No caso da diabetes autoimune, pode haver associações com doenças como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Addison, que também são problemas autoimunes. Essa doença é mais comum na infância ou na adolescência, mas também pode acometer adultos.

Diabetes mellitus tipo 2

Diferentemente da diabetestipo 1, no tipo 2, o organismo não consegue utilizar a insulina de maneira adequada ou ela é produzida em pouca quantidade.

Esse tipo é o mais comum de diabetes e manifesta-se com frequência maior em adultos. Estima-se que 90% dos casos de diabetes sejam do tipo 2 e que estejam relacionados, principalmente, com a idade e o sedentarismo.

Nesse caso, não há destruição das células do pâncreas.

Diabetes mellitus gestacional

Como o próprio nome indica, esse tipo de diabetesocorre durante a gravidez e pode afetar diretamente o bebê. A doença está relacionada, por exemplo, com crescimento excessivo do feto, hipoglicemia neonatal e até desenvolvimento de doenças na vida adulta, tais como obesidade e diabetes.

A diabetes gestacional apresenta alguns fatores de risco, tais como: idade avançada da mãe, aumento de peso durante a gestação, ovários policísticos, histórico de diabetes gestacional na mãe da gestante, hipertensão e gravidez múltipla. Esse tipo de diabetespode ou não persistir após o parto.

Pré-diabetes

O termo pré-diabetesé utilizado para indivíduos que apresentam níveis de glicose no sangue acima do valor recomendado. Entretanto, esses níveis são menores que os necessários para que seja diagnosticado um caso de diabetes tipo 2. Estima-se que metade dos pacientes nesse estágio desenvolverá o problema.

Diagnóstico de diabetes mellitus

Verificar os níveis de glicose no sangue é fundamental para diagnosticar a diabetes mellitus.

Para realizar o diagnóstico correto de diabetes mellitus, é necessário analisar os sintomas e realizar alguns exames para confirmar as suspeitas. Os exames recomendados são: glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose (TTG-75) e glicemia casual. Veja, a seguir, os critérios que devem ser adotados para o diagnóstico desse problema de saúde:

Pré-diabetes
  • Glicemia de jejum entre 101 mg/dl e 125 mg/dl.
Diabetes tipo 1 e tipo 2
  • Glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dl em mais de uma ocasião.
  • Glicemia maior ou igual a 200 mg/dl após duas horas de uma carga de 75 g de glicose.
  • Glicemia casual maior ou igual a 200 com a presença de sintomas.
Diabetes gestacional
  • Glicemia de jejum maior ou igual a 110 mg/dl em mais de uma ocasião.
  • Glicemia maior ou igual a 140 mg/dl após duas horas de uma carga de 75 g de glicose.

Fatores de risco para a diabetes mellitus

Alguns fatores de risco estão relacionados com o surgimento de diabetes mellitus. Veja, a seguir, os principais fatores para o desenvolvimento de diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 e diabetes gestacional.

Diabetes mellitus tipo 1

  • Histórico da doença na família.

Diabetes mellitus tipo 2

  • Histórico da doença na família;
  • Pressão alta;
  • Níveis altos de colesterol;
  • Alterações na taxa de triglicérides no sangue;
  • Sobrepeso ou obesidade;
  • Síndrome dos ovários policísticos;
  • Teve bebê com mais de quatro quilos ou teve diabetes gestacional;
  • Possui diagnóstico de pré-diabetes.

Diabetes mellitus gestacional

  • Idade materna avançada;
  • Ganho exagerado de peso durante a gravidez;
  • Hipertensão arterial na gravidez;
  • Sobrepeso ou obesidade;
  • Histórico familiar;
  • Histórico de diabetes gestacional;
  • Histórico de filhos nascidos com mais de 4 kg;
  • Mãe da gestante já apresentou diabetes gestacional.

Tratamento de diabetes mellitus

Alguns pacientes necessitam da administração de insulina para tratar a diabetes.

A diabetes mellitus, em suas diferentes formas, apresenta tratamento voltado para o controle dos níveis de glicose no sangue e para evitar complicações.

Entre as principais recomendações médicas, está uma dieta saudável e com quantidade de carboidratos reduzida. Além da dieta, é importante a realização de exercícios físicos.

Alguns pacientes, além de controlar a alimentação, devem fazer uso da insulina. A frequência da aplicação do hormônio varia de pessoa para pessoa e deve ser avaliada pelo médico.

Desse modo, podemos concluir que a diabetes mellituspode ser extremamente grave se não tratada adequadamente. Entretanto, um acompanhamento correto pode fazer com que complicações sejam evitadas e o paciente tenha uma vida normal.

Leia também: Mito ou verdade: o quiabo ajuda no tratamento da diabetes?

Por Ma. Vanessa Sardinha dos Santos

Источник: https://brasilescola.uol.com.br/doencas/diabetes-mellitus.htm

Diabetes Tipo 1: causas, sintomas e tratamento

Diabetes Tipo 1: causas, sintomas e tratamento

A diabetes mellitus tipo 1 (DM1), também chamada de diabetes juvenil, é uma doença crônica que surge quando o pâncreas encontra-se doente e produz pouca ou nenhuma insulina.

A insulina é um hormônio que age permitindo a entrada de glicose (açúcar) para dentro das células, onde elas são utilizadas como combustível para gerar energia para o corpo. Sem insulina, a glicose não consegue entrar nas células e acaba ficando acumulada no sangue, levando a um quadro que é chamado de hiperglicemia.

A hiperglicemia é extremamente maléfica ao organismo, provocando, a longo prazo, lesão de vários tecidos e órgãos.

Apesar de ser mais comum em crianças e adolescentes, a diabetes tipo 1 também pode surgir em adultos.

Causas

Na maioria dos casos, a diabetes tipo 1 é uma doença de origem autoimune, na qual os anticorpos do próprio paciente atacam e destroem parte do pâncreas, especificamente as células produtoras de insulina, conhecidas como células beta das ilhotas de Langerhans.

Para entender o que é uma doença autoimune, leia: Doenças autoimunes.

O processo autoimune de destruição das células beta do pâncreas ocorre em indivíduos geneticamente suscetíveis e é provavelmente desencadeado por um ou mais agentes ambientais, como alguns tipos de vírus.

O processo de destruição é lento e demora de vários meses a alguns anos até que ocorra dano celular suficiente para que a produção de insulina torne-se escassa.

Existem dois picos na incidência do diabetes, o primeiro ocorre entre os 4 e 7 anos e o segundo entre os 10 e 14 anos.

Em resumo, o paciente já nasce com as alterações genéticas que favorecem o surgimento da diabetes tipo 1, desenvolve os auto-anticorpos nos primeiros anos de vida e só vai apresentar a doença mesmo no meio para o final da infância.

O diabetes tipo 1 de origem autoimune é chamado tipo 1A. Existe ainda o diabetes tipo 1B, que é mais raro, também ocorre por destruição das células beta do pâncreas, mas a origem é desconhecida, não havendo auto-anticorpos envolvidos na gênese da doença.

Diabetes tipo 1 é hereditário?

A história familiar é relevante, mas não é estritamente necessária. O risco de uma criança desenvolver diabetes tipo 1 é de:

  • 0,4%, se não houver história familiar.
  • 1 a 4%, se a mãe for diabética tipo 1.
  • 3 a 8%, se o pai for diabético tipo 1.
  • 2 a 6%, se um dos irmãos tiver DM1.
  • 30%, se ambos os pais tiverem a doença.
  • 30% se um irmão gêmeo univitelino (idêntico) tiver a doença.

Nos casos de diabetes mellitus tipo 2 (DM2), hereditariedade é um fator de risco muito mais forte, com mais de 75% dos pacientes apresentando história familiar positiva.

Qual é a diferença entre a diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2?

Ao contrário do que ocorre na maioria dos casos de diabetes tipo 1, a diabetes mellitus tipo 2 não tem origem autoimune e ocorre principalmente em adultos que são obesos, sedentários e com histórico familiar positivo.

A DM2 é um tipo de diabetes que ocorre por uma insuficiente ação da insulina na circulação sanguínea. O pâncreas produz insulina, mas os tecidos não reconhecem sua presença, impedindo que a glicose possa entrar para dentro das células, um processo conhecido como resistência à insulina.

Para mais informações sobre o diabetes tipo 2, leia:

  • Quais são as causas do diabetes tipo 2?
  • O que é diabetes mellitus?

Sintomas

Os sintomas do diabetes tipo 1 costumam ser provocados pela hiperglicemia. São eles:

  • Sede excessiva.
  • Cansaço.
  • Micção frequente.
  • Perda do controle da bexiga durante o sono (voltar a fazer xixi na cama).
  • Perda de peso.
  • Visão turva.
  • Fome frequente.
  • Irritação.
  • Infecções frequentes
  • Lenta cicatrização de feridas.
  • Mau hálito.

Cetoacidose diabética

Em algumas crianças, o primeiro sinal da diabetes pode ser uma complicação conhecida como cetoacidose diabética.

Sem insulina, as células não recebem a quantidade adequada de glicose e precisam utilizar os estoques de gordura do corpo como fonte de energia. A quebra das gorduras gera substâncias ácidas, chamadas corpos cetônicos, como o β-hidroxibutirato e o acetoacetato.

O excesso de cetoácidos provoca queda do pH do sanguíneo, podendo acidificar o sangue até níveis fatais, motivo pelo qual a cetoacidose é considerada uma emergência médica. Cerca de 80% das mortes de crianças e adolescentes diabéticos são provocadas por quadros de cetoacidose.

A cetoacidose costuma surgir quando a glicemia encontra-se muito descontrolada, geralmente com valores acima de 500 mg/dl. Seus sinais e sintomas mais comuns são

  • Náuseas.
  • Vômitos.
  • Dor abdominal.
  • Confusão mental.
  • Prostração.
  • Dificuldade respiratória.
  • Coma.

Para mais informações sobre os sintomas da diabetes, leia: 10 primeiros sintomas da diabetes.

Complicações

Com o passar dos anos, a hiperglicemia crônica pode provocar lesões em vários tecidos do corpo. Entre os órgãos mais afetados estão o coração, vasos sanguíneos, nervos, olhos e rins.

A taxa e a gravidade das complicações está diretamente relacionada com os níveis de açúcar no sangue (glicemia). A longo prazo, quanto mais descontrolada for a glicemia e quanto mais antiga for a diabetes, maior é o risco de surgirem múltiplas doenças.

São várias as complicações do diabetes tipo 1, algumas diretamente ligadas à hiperglicemia crônica, outras relacionadas às restrições que a doença provoca. Entre as mais comuns, podemo citar:

  • Doença arterial coronariana (angina).
  • Infarto agudo do miocárdio.
  • AVC.
  • Hipertensão arterial.
  • Lesão das artérias dos membros inferiores: pode causar obstrução grave dos vasos sanguíneos das pernas e necessidade amputação do membro.
  • Neuropatia diabética: lesão dos nervos periféricos, habitualmente dos pés e pernas, provocando formigamento, dormência, queimação ou dor.
  • Danos aos nervos do trato gastrointestinal, levando a problemas como náuseas, vômitos, diarreia ou constipação.
  • Disfunção erétil.
  • Nefropatia diabética: lesão dos rins, provocando insuficiência renal crônica e perda de grandes quantidades de proteínas na urina.
  • Retinopatia diabética: lesão dos vasos sanguíneos da retina, podendo causar cegueira.
  • Complicações na gravidez: pré-eclâmpsia, aborto espontâneo, morte fetal e defeitos congênitos.
  • Depressão.
  • Transtornos alimentares, como bulimia e anorexia nervosa.
  • Infecções de repetição, como candidíase vaginal e infecção urnária.
  • Atraso no crescimento.
  • Surgimento de outras doenças autoimunes: tireoidite autoimune e doença celíaca são as mais comuns.

Diagnóstico

O diagnóstico do DM1 é realizado através da dosagem sanguínea da glicemia ou da hemoglobina glicosilada.

São necessários dois exames de sangue, colhidos em dias diferentes, com pelo menos um dos três critérios listados abaixo:

  • Glicemia em jejum acima de 126 mg/dl.
  • Glicemia em qualquer momento do dia acima de 200 mg/dl.
  • Hemoglobina glicoslada (HbA1c) maior que 6,5%.

Uma vez diagnosticada a diabetes, o endocrinologista pode também pesquisar a presença de auto-anticorpos no sangue.

Explicamos o diagnóstico da diabetes com mais detalhes nos artigos:

Tratamento

Não existe cura para a diabetes tipo 1. O tratamento visa o controle da glicemia a longo prazo, de forma a reduzir a incidência das complicações.

O controle da glicemia é feito através de várias abordagens, sendo as mais importantes:

  • Administração regular de insulina (até 6 vezes por dia).
  • Controle da dieta.
  • Monitoramento frequente da glicemia por parte do paciente.
  • Prática de exercícios físicos.

O objetivo do tratamento é manter o valor da hemoglobina glicosilada abaixo de 7%. Para tanto, o paciente deve procurar manter a glicemia antes das refeições entre 80 e 130 mg/dl e após as refeições abaixo de 180 mg/dl.

Se os valores estiverem descontrolados, a dieta e a dose da insulina devem ser reavaliadas.

Tratamento com insulina

Como na diabetes tipo 1 o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, os pacientes precisam substituir a insulina natural por insulina artificial, que pode ser administrada por meio de injeções regulares o longo do dia ou através de uma bomba de insulina.

O nível de insulina administrado deve ser cuidadosamente definido de acordo com a dieta e o hábitos de exercício do paciente. Quantidades insuficientes podem não controlar a glicemia e aumentar o risco de complicações, enquanto quantidades excessivas podem provocar hipoglicemia.

Os tipos de insulina mais utilizados são:

  • Insulina de ação rápida: tem início de ação com cerca de 15 minutos, atinge o pico em 1 hora e continua a funcionar por 2 a 4 horas.
    • Tipos: Insulina glulisina (Apidra), insulina lispro (Humalog) e insulina aspártico (NovoLog).
  • Insulina regular ou de ação curta: tem início de ação com cerca 30 minutos após a injeção, atinge um pico em torno de 2 a 3 horas e é eficaz por aproximadamente 3 a 6 horas.
    • Tipos: Humulin R, Novolin R.
  • Insulina de ação intermediária: tem início de ação com cerca de 2 a 4 horas, atinge o pico com 4 a 12 horas e é eficaz por cerca de 12 a 18 horas.
    • Tipos: NPH (Humulin N, Novolin N).
  • Insulina de ação prolongada: atinge a corrente sanguínea várias horas após a injeção e tende a diminuir os níveis de glicose de forma bastante uniforme ao longo de um período de 24 horas.
    • Tipos: insulina detemir (Levemir) e insulina glargina (Lantus).

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/endocrinologia/diabetes-tipo-1/

O que é diabetes tipo 1: sintomas, tratamento, exames e complicações

Diabetes Tipo 1: causas, sintomas e tratamento

O diabetes mellitus tipo 1, assim como o tipo 2, é caracterizado pelo excesso de glicose (açúcar) no sangue, o que desencadeia uma série de complicações no organismo.

Mas, nesse caso, a doença surge em geral na infância e na adolescência, traz sintomas como vontade urinar e perda de peso e tem origem autoimune.

Ou seja, as próprias unidades de defesa do corpo passam a destruir o pâncreas, responsável pela produção de insulina. O tratamento, portanto, sempre envolve a reposição desse hormônio.

A insulina tem a função de abrir as portas das células para a entrada da glicose, que será convertida em energia. Esse processo nos mantém vivos. A consequência do diabetes tipo 1 é um acúmulo permanente de glicose na corrente sanguínea, o que causa uma porção de danos.

Entre as complicações, destacam-se:

  • Lesões e placas nos vasos sanguíneos, que comprometem a oxigenação dos órgãos e elevam o risco de infartos e AVCs
  • Retinopatia diabética (danos à retina, o tecido no fundo do globo ocular, que levam à cegueira)
  • Falência renal
  • Neuropatia periférica (comprometimento dos nervos, que compromete a sensibilidade)
  • Amputações devido a feridas não perceptíveis na pele, que são capazes de evoluir para gangrena

O diabetes tipo 1 é menos comum que o tipo 2. Estima-se que cerca de 10% de todos os casos da doença correspondam a essa versão do problema.

Sintomas do diabetes tipo 1

  • Sede constante
  • Boca seca
  • Vontade de urinar a toda hora
  • Perda de peso
  • Formigamento em pernas e pés
  • Feridas que demoram a cicatrizar
  • Fungos nas unhas

Fatores de risco

  • Predisposição genética
  • Casos na família
  • Infecções na infância

A prevenção

Sendo uma doença causada por fatores genéticos e cujos gatilhos ainda não são totalmente conhecidos pela ciência (especula-se, por exemplo, a influência de infecções na infância), não há medidas de prevenção capazes de evitar o diabetes tipo 1.

O que dá para afastar são as complicações da doença. Para isso, é necessário acompanhamento e tratamento médico, além da adoção de um estilo de vida saudável.

O diagnóstico

O especialista pede um exame de sangue que mede a glicemia, o nível de açúcar no sangue. O teste é feito em jejum. Se o resultado dá igual ou acima de 126 mg/dl duas vezes seguidas, a pessoa é considerada diabética.

Para acabar com as dúvidas, o especialista pode solicitar o teste oral de tolerância à glicose, também conhecido como curva glicêmica. Ele é parecido com o anterior, mas, duas horas antes da retirada da amostra sanguínea, o paciente toma um copo de água com uma solução açucarada.

Depois, a cada trinta minutos, o método é refeito, sempre com a ingestão de glicose nos intervalos. Isso serve para ver como o organismo se comporta com doses extras de açúcar.

Se a análise indicar o valor de 200 mg/dl, a doença está comprovada.

Há ainda um método conhecido como hemoglobina glicada, que estima a concentração de açúcar nos vasos nos últimos três meses.

O tratamento

Tudo começa com um controle estrito dos níveis de açúcar na alimentação e a recomendação para o diabético manter estilo de vida saudável, com exercícios físicos incluídos.

Fumantes são estimulados a deixar o vício, que amplia o prejuízo às artérias. As bebidas alcoólicas devem ser ingeridas com moderação, porque desregulam as taxas de glicose e chegam a ocasionar episódios de hipoglicemia, que explicaremos mais adiante.

Na dieta, uma ótima medida é priorizar os alimentos integrais, ricos em fibra, em detrimento daqueles com carboidratos simples (pão e massa branca, por exemplo). Eles ajudam a diminuir a velocidade com que a glicose é liberada no sangue.

O ideal é fazer cinco ou seis refeições ao longo do dia e não ficar sem comer por muito tempo. A supervisão de um nutricionista auxilia a evitar equívocos.

Atenção: os doces não são proibidos, porém vale a máxima da moderação e do acompanhamento próximo das taxas de glicose no sangue após sua ingestão. Aliás, substituir o açúcar das receitas por adoçantes ajuda.

Só tenha cuidado ao comprar alimentos diet. É preciso ter certeza de que o nutriente retirado desses produtos foi mesmo o açúcar (e não a gordura, por exemplo).

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O acompanhamento médico e os exames laboratoriais mostrarão se as escolhas certas na hora de se alimentar, a prática de exercício e o tratamento indicado pelo especialista estão conseguindo conter a doença ou se não há complicações à vista.

A insulina injetável

Pessoas com diabetes tipo 1 necessitam de doses diárias de insulina. O médico orientará como guardar e transportar o medicamento (ele precisa ser mantido entre 2 e 8º C de temperatura) e quais os cuidados na hora de aplicar. As consultas servirão para fazer o ajuste das doses e montar um esquema para o uso combinado de diferentes tipos de insulina.

Pois é: há as versões do hormônio com ação rápida, ultrarrápida, intermediária ou basal. Cada uma tem suas vantagens e limitações.

Como medir a glicemia no dia a dia

Mensurar a concentração da glicose também faz parte da rotina do paciente com diabetes tipo 1. Esse controle pode ser por um aparelhinho chamado glicosímetro. Um furinho no dedo, uma gota de sangue numa fita e, cinco segundos depois, o resultado aparece no visor.

É ele que orienta a quantidade de insulina a ser injetada ou quanto de carboidrato se pode comer em determinado momento. Com isso, evitam-se os picos glicêmicos e também a hipoglicemia.

A frequência de uso do aparelho depende do grau de estabilidade do diabetes. Em geral, a checagem acontece antes e depois das refeições e ao dormir.

Os limites recomendados são: abaixo de 110 mg/dl em jejum e de 140 mg/dl duas horas depois das refeições, com tolerância de até 180 mg/dl. Entretanto, é fundamental discutir o seu caso com um médico.

Nos últimos anos, também surgiram aparelhos que conseguem medir a glicemia sem picadas. Exemplo: você instala um dispositivo pequeno no braço e, aí, passa um aparelho ou mesmo o seu celular na frente dele. Pronto! Já dá para ver sua glicemia.

Acompanhamento no longo prazo

Para saber se o tratamento está funcionando, um exame é repetido a cada três meses: a hemoglobina glicada, que mostra a variação da glicose no sangue nesse período.

Também é recomendável fazer anualmente um exame de fundo de olho para flagrar possíveis encrencas na retina antes de elas provocarem estragos graves na visão. Os rins são outro ponto de atenção: todo ano, vale checar se eles estão ok com exame de urina coletada ao longo de 24 horas.

No mais, busque saber a quantas andam colesterol, triglicérides e pressão arterial – níveis alterados, em conjunto com o diabetes tipo 1, são especialmente danosos para a saúde cardiovascular. E sempre investigue os pés em busca de feridas. Se elas não forem bem cuidadas, podem evoluir para gangrenas e mesmo amputação – a isso se dá o nome de pé diabético.

A hipoglicemia

Mesmo convivendo com uma doença que se caracteriza pelos níveis altos de glicose no sangue, o diabético precisa ficar atento a outro fenômeno típico de sua condição: a hipoglicemia, uma queda brusca nessas taxas. Ela acontece em geral quando a doença não está sob controle.

O quadro é marcado por tremores, suor frio e sensação de fraqueza. Transpiração excessiva, palpitações, náuseas, alterações de fala, visão turva e até desmaios são sintomas do seu agravamento.

Nessas horas, uma bala de goma, um sachê de mel, um suco de laranja ou mesmo um copo d’água com duas colheres de açúcar ajudam a restabelecer o equilíbrio no organismo. Se a situação está perdendo o controle, é prudente procurar um hospital ou orientação médica.

Quer uma explicação breve, em vídeo, sobre o diabetes tipo 1? Nós também temos:

Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes, American Diabetes Association

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Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-e-diabetes-tipo-1-sintomas-tratamento-exames-e-complicacoes/

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