Diarreia Paradoxal: o que é, sintomas e tratamento

Abdome Agudo Obstrutivo

Diarreia Paradoxal: o que é, sintomas e tratamento
 

Existência de uma barreira física (anatômica) ou metabólica que dificulta ou impede a passagem e progressão do conteúdo do intestino. Representa uma das afecções abdominais agudas mais frequentes, associando-se a taxas elevadas de morbidade e de mortalidade.

 

Classificação

  1. Parcial (suboclusão) e total (obstrução)
  2. Mecânica (obliteração da luz) e metábolica (distúrbio funcional da contratilidade e peristalse dos intestinos)
  3. Simples (sem comprometimento de alça) e estrangulada (isquemia e necrose de alça intestinal)
Classificação da Obstrução Intestinal Segundo Raio e Simonsen
Obstrução mecânicaEstenoses (congênitas e adquiridas, vascular, pós radioterapia e neoplásicas)
Preenchimento da luz (parasitaria, fecaloma, corpo estranho, calculo biliar)
Compressão extrínseca (aderências ou bridas e hérnias)
Obstrução com sofrimento de alçaCausa vascular primária (isquemia mesentérica, trombose mesentérica)
Causa vascular secundária (torção dos vasos por hernias, bridas, volvo)
Obstrução metabólica ou funcionalCausa local (peritonite, pós-operatorio de cirurgias abdominais, Síndrome de Ogilvie)
Causa sistêmica (sepse, diabetes descompensado, distúrbios hidro-eletrolíticos, acamado crônico)

 

Sinais e Sintomas

Dor abdominal em cólica, distensão e vômitos.

Os vômitos tendem a ser precoces quanto mais alta for a obstrução e de aspecto esverdeado (bilioso), acomete o intesitno proximal (jejuno e íleo proximal) e tardios, de aspecto fecalóide (amarronzado e fétido) na obstruções baixas (íleo terminal e cólons). Aumento dos ruídos hidroaéreos (ruídos do intestino) no início do quadro, pode significar peristalse de luta, ou a tentativa de vencer o obstáculo.

Obstruções completas geralmente cursam com obstipação e parada de eliminação de flatus e fezes.

Obstruções parciais podem ocorrer com diarreia paradoxal (intermitente), que se justifica por hiperproliferação bacteriana ocasionada por estase de bolo alimentar no intestino e descarga intestinal.

Em casos de estrangulamento da alça intestinal sinais sistêmicos de infecção como febre, taquicardia, hipotensão e sangramento intestinal podem estar presentes e denotam gravidade com provável necessidade de cirurgia de emergência.

 

Diagnóstico

Associado aos sintomas de dor, distenção abdominal e dor a palpação. O primeiro exame complementar de imagem deve ser a radiografia simples de abdome deitado e em pé e de tórax.

Obstruções de intestino delgado a distensão tende a ocupar uma posição mais central. Presença de níveis hidroáereos, bem como ausência de ar no colon. Haustrações completas conferem imagem de “empilhamento de moedas”.

Obstrução de intestino grosso (cólon) geralmente a distensão ocupa a periferia da radiografia, as haustrações ocupam apenas parte do diâmetro da parede. Ausência de gás na ampola retal pode ocorrer na obstrução completa.

A tomografia de abdome deve ser realizada nos pacientes estáveis, para auxiliar na determinação da causa da obstrução e estimar a localização, particularmente em casos que a história clínica, sugerem neoplasia, como emagrecimento e antecedente de cirurgia por cancêr.

 

Causas mais comuns segundo perfil do paciente e local da obstrução

Causas mais comuns de obstrução intestinal
Paciente Idoso
  1. Neoplasia colorretal
  2. Íleo biliar
  3. Estenose por doença diverticular
  4. Estenose por colite isquêmica
Paciente com cirurgia abdominal prévia
  1. Brida / aderência
  2. Hérnia interna
  3. Hérnias de parede abdominal (incisional)
Obstrução alta
  1. Brida / aderência
  2. Hérnia interna
  3. Tumor de delgado
  4. Bolo de verminose / benzoar
Obstrução baixa
  1. Neoplasia colorretal
  2. Volvo de sigmóide / megacolon
  3. Estenose de íleo terminal – Doença Inflamátoria Intestinal (Crohn)
  4. Intussuscepção

 

Tratamento

Requer habitualmente cirurgia, a preferência nesses casos é a laparotomia exploradora, embora a videolaparoscopia venha adquirindo cada vez mais espaço no diagnóstico e, por vezes no tratamento das patologias obstrutivas.

Existe situações que podem ser resolvidas com o tratamento clínico com descompressão do trato gastrointestinal como sonda nasogastrica e estímulo via retal com clister, enema ou retossigmoidoscopia; como nos quadros de verminoses, aderências, fecalomas, intussuscepção e volvo. Em todo tratamento clínico, o paciente deve permanecer sob vigilância rigorosa, mediante avaliação clínica e radiológica periódica, podendo ser necessário cirurgia em evoluções desfavoráveis.

A cirurgia depende da causa e da presença ou não de sofrimento de alça, podendo ser necessário ressecção de segmento de alças intestinais com reconstrução do trânsito intestinal (anastomose) ou colostomias dependendo da situação clínica do paciente.

 Dra Cecilia Mendes,
Prof. Dr. Bruno M Pereira

Fonte:

  1. SALLUM, E.A. Abdome Agudo Obstrutivo. In: Clínica Cirúrgica. São Paulo.Ed. Manole. 2008. P: 1071 – 1078

Источник: https://gruposurgical.com.br/especialidades/cirurgia-de-emergencia/abdome-agudo-obstrutivo/

Incontinência intestinal: tratamentos e causas

Diarreia Paradoxal: o que é, sintomas e tratamento

Incontinência intestinal ou incontinência anal é a perda involuntária de gases ou fezes pelo ânus, que ocorre em pessoas com desenvolvimento neuropsicomotor igual ou superior a quatro anos de idade.

Importante ressaltar que a perda esporádica e involuntária de gases e fezes em crianças de até quatro anos pode ocorrer de modo fisiológico.

O termo incontinência fecal significa perda involuntária de fezes e tem sido utilizado como sinônimo de incontinência anal.

A perda involuntária de fezes é uma condição frequente e representa um grande impacto negativo na qualidade de vida de seus portadores, comprometendo sua autoestima e levando ao isolamento social, além de, obviamente produzir importante limitação profissional.

Os problemas psicossociais e econômicos ocorrem em todas as faixas etárias.

Nas crianças, levam a dificuldade no relacionamento escolar; em adultos jovens, a problemas na manutenção do emprego e no relacionamento matrimonial; e, na terceira idade, o aparecimento da incontinência fecal é geralmente o motivo que leva os familiares a procurarem internação hospitalar ou em casa de repouso.

O sintoma varia desde perda apenas de gases, um vazamento ocasional de fezes líquidas, até uma falta de controle completa sobre o ânus, com perda de fezes sólidas, ou seja, quando a perda independe da consistência da matéria fecal. A incontinência anal é sete a oito vezes mais frequente no sexo feminino, principalmente em pessoas com mais de três partos vaginais, e também na população geriátrica (acima de 70 anos de idade).

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Apesar de ser uma condição que causa embaraços, é importante procurar o médico e expor os sintomas, pois existem inúmeros tratamentos disponíveis para incontinência intestinal que podem melhorar os sintomas e, por consequência, a qualidade de vida.

Causas

Com relação a sua etiopatogenia (Causa), é geralmente complexa uma vez que vários são os mecanismos e estruturas que participam e são responsáveis pela contenção adequada das fezes, que vão desde: volume e consistência das fezes, motilidade intestinal, fatores cognitivos (Cerebral) normais, componente neurogênico íntegro (nervos pélvicos), sensibilidade anorretal normal, esfíncteres anais normais entre outros.

A incontinência anal pode ser congênita (Malformação anorretal e ou da coluna lombo-sacral) ou pode ter causa adquirida. As principais causas da incontinência intestinal são:

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Lesão no esfíncter anal, pode fazer com que seja difícil segurar adequadamente as fezes no interior do reto, ocasionando perdas. Esse dano normalmente acontece durante o parto vaginal, principalmente nos casos de partos “difíceis” e prolongados.

E também quando se realiza uma episiotomia mediana ou se utiliza fórceps.

Nestas situações, além de lesão dos esfíncteres anais (lesão muscular), podemos ter lesões neurológicas (do nervo pudendo que inerva a pelve), e também infecção no local da episiotomia acarretando incontinência anal.

A lesão dos nervos pélvicos (Nervo pudendo e seus ramos) que detectam a presença das fezes no interior do reto, e controlam o funcionamento adequado do esfíncter anal, também podem causar o sintoma. Normalmente, este dano é devido a algumas doenças, como diabetes e esclerose múltipla, e por circunstâncias como múltiplos partos vaginais, lesão medular ou acidente vascular cerebral.

A constipação intestinal crônica, com fezes sempre “massudas” e rígidas, que geralmente são difíceis de serem eliminadas é outra causa de incontinência fecal.

Nestes casos, para realizar evacuação adequada é necessário muito esforço por tempo prolongado, fazendo com que, após vários anos, os músculos e nervos fiquem fracos (estiramento crônico), e não consigam conter as fezes, ocasionando perdas involuntárias.

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O reto normalmente se dilata para acomodar as fezes e gases, mas se ele está com cicatrizes (fibrose) ou acabou endurecido em decorrência de inflamação, cirurgia prévia, radioterapia (para câncer de próstata, reto ou útero) ou outros fatores, ele pode não conseguir se “esticar” o suficiente para acomodar as fezes, fazendo com que gases ou o excesso de fezes acabe escapando.

Lesões iatrogênicas dos esfíncteres durante cirurgias anais e retais também podem causar incontinência anal. Cirurgias para tratar doença hemorroidária, as fissuras anais e fístulas anais, quando realizadas com técnica inadequada, podem causar secção parcial ou total dos músculos anais e nervos, levando a incontinência.

Algumas operações sobre o reto, principalmente as que envolvem sua retirada (protectomia) podem causar graus variáveis de incontinência fecal, que podem ser temporárias ou permanentes.

Nesta situação, os principais mecanismos são: a perda do reservatório retal, lesão muscular e a alteração da sensibilidade retal (lesão neurogênica).

Nos idosos há a fraqueza dos músculos anorretais e pélvicos associados a lesão do nervo pudendo (neuropatia), fazendo com que a sensibilidade retal (percepção das fezes no reto) esteja alterada, ocasionando perdas fecais sem que se perceba e também dificuldade na contração do esfíncter anal. Além disso, outros fatores tais como o uso crônico de medicamentos laxantes que tornam as fezes liquidas e a formação de fecaloma no reto (bolo fecal volumoso e endurecido) que leva a grande distensão da ampola retal com perdas involuntárias, são também responsáveis por este sintoma.

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A diarreia é uma das causas mais comuns de incontinência fecal, isso porque quando o bolo fecal está líquido é mais difícil de contê-lo do que quando apresenta a textura habitual (semi-sólida). A diarreia, portanto, pode originar o sintoma, mas também pode piorá-lo caso a pessoa já tenha uma condição pré-existente de fraqueza dos músculos pélvicos e anais.

Incontinência fecal psicogênica ou encoprese é a perda fecal involuntária que ocorre em crianças com mais de quatro anos de idade, sem lesões esfincterianas. É até quatro vezes mais frequente no sexo masculino.

Esta incontinência fecal é motivada por distúrbios emocionais, e alguns fatores contribuem para seu aparecimento: ansiedade, estresse pessoal ou familiar, preocupação excessiva com a evacuação, uso de laxativos, distúrbios de atenção, história de abuso sexual, entre outros.

Seus portadores geralmente são retencionistas crônicos de fezes, com grande dilatação do reto e apresentam escapes de fezes por transbordamento (incontinência fecal paradoxal).

A incontinência fecal também pode acontecer em casos de prolapso retal, uso de medicamentos que aceleram o trânsito intestinal, doença inflamatória intestinal (retocolite ulcerativa e doença de Crohn), tumores do canal anal, síndrome do intestino irritável (forma diarreica), fístula reto-vaginal entre outras.

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Buscando ajuda médica

Procure ajuda médica caso não esteja conseguindo conter as fezes ou perceba que, às vezes, elas escapam. O sintoma é comum e pode atrapalhar muito a qualidade de vida se não tratado, então, sendo criança, adulto ou idoso, é importante comunicar o médico sobre a existência do sintoma.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar incontinência intestinal são:

  • Clínico geral
  • Gastroenterologista
  • Coloproctologista

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Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que tenha e medicamentos, vitaminas ou suplementos que tome com regularidade

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

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  • Os seus sintomas são ocasionais ou contínuos?
  • Qual a severidade do sintoma?
  • Você evita algum tipo de atividade por causa da incontinência intestinal?
  • Há algo que melhore os sintomas? O quê? E que piore?
  • Você normalmente tem diarreias ou tinha o intestino preso (constipação) anteriormente?
  • Também tem incontinência urinária?
  • Quais as suas outras condições de saúde? Fez algum tratamento recentemente?

Levar as suas perguntas para o consultório ajuda a sair de lá com todas as dúvidas respondidas e a começar de forma correta o tratamento. Portanto, leve as suas dúvidas anotadas, começando pela mais importante, para à consulta. Algumas perguntas importantes para incontinência intestinal são:

  • Quais exames eu preciso fazer para diagnosticar a causa do meu sintoma?
  • Qual o tratamento mais indicado para o meu caso?
  • Preciso seguir alguma dieta diferenciada? Restringir alguns alimentos?

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Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Tratamento de Incontinência intestinal

O tratamento da incontinência fecal é bastante diversificado, e será baseado na causa do problema e no seu diagnóstico correto.

Para esclarecer com precisão o diagnóstico, será necessário exame da região anal e vaginal para visualizar a presença de resíduos fecais, cicatrizes e fraqueza dos músculos (ânus frouxo).

Outros exames podem ser necessários para avaliar a sensibilidade e contratilidade dos músculos do assoalho pélvico, tais como: eletromanometria, eletroneuromiografia e ultrassonografia anal.

Existem vários tipos de tratamento para incontinência anal, que vão depender da gravidade dos sintomas, da presença ou não de secção do esfíncter anal, presença de doenças associadas e da idade e condições clínicas do paciente.

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As opções de tratamento incluem:

  • Modificações da dieta
  • Suspensão de laxativos e/ou utilização de medicamentos constipantes
  • Exercícios pélvicos orientados (biofeedback)
  • Utilização de plugues anais ou de agentes de preenchimento
  • Eletroestimulação
  • Até cirurgias reparadoras dos músculos lesados.

O coloproctologista é o médico especialista para tratar as doenças localizadas nos intestinos e região anorretal.

É o profissional com expertise para esclarecer o diagnóstico e indicar o tratamento adequado e mais moderno para seu sintoma, que pode ser com medidas clínicas ou com operações.

No Brasil, temos a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) que agrega todos os médicos desta especialidade e que pode ser consultada.

Medicamentos para Incontinência intestinal

A incontinência intestinal pode ter diversas causas, de modo que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico. Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Os medicamentos mais comuns no tratamento de incontinência intestinal são:

  • Brometo de Pinavério 100mg
  • Brometo de Pinavério 50mg
  • Muvinlax

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Referências

Revisado por: Carlos Walter Sobrado, proctologista do Hospital 9 de Julho – CRM 51146/SP

Manual de Fisiologia Anorretal e Assoalho Pélvico. Aspectos práticos. Editores: Sobrado CW, Nadal SR e Sousa Jr AHS. São Paulo: Office Editora, 2012. (Associação de Coloproctologia do Estado de São Paulo-ACESP).

Clínica Mayo – organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que reúne conteúdos sobre doenças, sintomas, exames médicos, medicamentos, entre outros.

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/incontinencia-intestinal

Colite pseudomembranosa

Diarreia Paradoxal: o que é, sintomas e tratamento

Colite pseudomembranosa é uma inflamação no intestino grosso que provoca diarreia e dor, causada pela bactéria C. difficile.

Colite pseudomembranosa é uma inflamação do cólon, região central do intestino grosso, situada entre o ceco e o reto, que provoca crises de diarreia. Entre suas múltiplas funções, destacam-se a absorção de água e nutrientes e o armazenamento e descarte dos resíduos da digestão, que formam as fezes.

O agente da infecção é o Clostridium difficile – atualmente conhecido por Clostridioides difficile (C. difficile), bactéria anaeróbia gram-positiva, que integra a microbiota natural dos intestinos dos mamíferos.

Entretanto, quando esse equilíbrio é rompido, em geral pelo uso de antibióticos, as toxinas produzidas pela bactéria se ligam a receptores existentes nas células do revestimento interno da parede intestinal, provocando lesões nos tecidos, dores abdominais, número maior de evacuações diárias e diarreia com sinais de sangue, pus ou muco.

Veja também: Como se alimentar em caso de diarreia

Outra característica da enfermidade é o aparecimento de pseudomembranas na mucosa do cólon.

Embora essas falsas membranas possuam estrutura e aparência semelhantes às das membranas propriamente ditas, ou seja, ficam parecidas com as finas películas formadas por lipídios e proteínas, que revestem as células e definem seus limites, a composição das pseudomembranas é diferente. Em outras palavras: pseudomembranas são placas esbranquiçadas formadas por secreção constituída especialmente por bactérias e leucócitos mortos.

Em 20% dos casos, a colite pseudomembranosa está associada à administração de antibióticos de largo espectro para tratamento de vários tipos diferentes de infecções bacterianas.

Essa estratégia terapêutica, embora muitas vezes necessária, pode trazer consigo o inconveniente de alterar o equilíbrio da flora intestinal própria dos intestinos. Tal descontrole favorece a colonização de bactérias oportunistas que agridem a mucosa intestinal. É o que acontece com o C.

difficile, bacilo formador de esporos resistentes e altamente infectantes, que sobrevivem fora dos intestinos sob a forma de esporos.

Causas da colite pseudomembranosa

A causa mais comum da doença, portanto, é a liberação de toxinas produzidas pela bactéria C. difficile, que agridem as células epiteliais do intestino grosso, provocando inflamação, dor e diarreia, quando a microbiota normal da região é alterada pelo uso de antibióticos.

Em grande parte dos casos, o distúrbio ocorre durante ou algum tempo depois de terminado o tratamento com qualquer classe de antibiótico.

No entanto, ao que parece, são os antibióticos de largo espectro que atuam sobre número mais expressivo de micro-organismos infectantes.

De igual modo, são esses que oferecem risco maior de complicações, entre elas, a colite pseudomembranosa, o megacólon tóxico e a sepse, também conhecida por infecção generalizada ou septicemia.

Observação importante: Tem sido reconhecida com mais frequência uma forma da infecção, chamada “C. difficile adquirido na comunidade”, cujos portadores não possuem registro de contato direto com a bactéria e seus esporos nem fizeram uso de antibióticos.

Fatores de risco da colite pseudomembranosa

Além do uso impróprio de antibióticos, são considerados fatores de risco para desenvolver a colite pseudomembranosa:

  • Idade igual ou superior a 60 anos;
  • Ocorrência simultânea de outra enfermidade grave;
  • Períodos longos de internação hospitalar ou de permanência em casas de repouso;
  • Descuido com as medidas de higiene, especialmente com a lavagem das mãos;
  • Cirurgia abdominal e uso de sonda nasogástrica (tubo introduzido pelas narinas que alcança o estômago e é utilizado para drenagem do conteúdo estomacal ou alimentação do paciente);
  • Sistema imunológico debilitado;
  • Quimioterápicos para tratamento do câncer.

Transmissão

A transmissão se dá por via fecal-oral e é facilitada pelo contato direto com os esporos do micro-organismo. O fato é que os portadores do C.

difficile funcionam como reservatórios naturais da bactéria, que eliminam nas fezes.

Sob a forma de esporos, elas sobrevivem por muito tempo no ambiente e podem continuar espalhando a infecção pelo contato direto com objetos contaminados ou por simples apertos de mãos.

Especialmente os idosos com o sistema imune enfraquecido e as crianças pequenas são mais vulneráveis a essas formas de transmissão da doença.

Sintomas da colite pseudomembranosa

Nos quadros de colite pseudomembranosa, as manifestações clínicas podem variar muito de tipo e intensidade. Elas incluem a colonização assintomática da bactéria, o que transforma os portadores do C. difficile em transmissores naturais da doença.

Quando os sintomas aparecem, o mais comum é surgirem crises de diarreia aguda, leve e autolimitada, associadas ou não a cólicas abdominais, febre, náuseas e perda de apetite.

Nas formas mais graves, como a colite membranosa e a colite fulminante, febre alta, dor forte, distensão abdominal, desidratação, diarreia aquosa e abundante são sintomas que requerem atendimento médico imediato, porque podem evoluir para sepse e falência total dos órgãos.

Diagnóstico

O diagnóstico da colite pseudomembranosa baseia-se na avaliação clínica, nos resultados obtidos nos testes laboratoriais (sangue e fezes) e em exames de imagem, como a sigmoidoscopia, a colonoscopia e a tomografia computadorizada.

A visualização de pseudomembranas na mucosa intestinal e o resultado da biopsia realizada em material coletado, assim como a contagem elevada de leucócitos (glóbulos brancos) e o achado nos exames de cultura bacteriana são elementos fundamentais para concluir o diagnóstico.

Complicações da colite pseudomembranosa

Reinfecções por C. difficile costumam ocorrer com certa frequência.  Nesses casos, é preciso redobrar os cuidados para evitar a desidratação (perda de líquidos e eletrólitos) associada às crises frequentes de diarreia.

Por paradoxal que possa parecer, prisão de ventre é outra complicação possível, uma vez que o acúmulo de fezes endurecidas nos intestinos pode bloquear o trânsito intestinal.

Embora rara, a complicação mais grave correlacionada com a colite membranosa é o megacólon tóxico, que se caracteriza pela dilatação anormal do intestino grosso, fato que interfere na eliminação das fezes e de gases e provoca inchaço e desconforto abdominal.

Sintomas como distensão abdominal grave, dor e taquicardia indicam evolução grave da doença e exigem atendimento médico imediato.

Tratamento da colite pseudomembranosa

A escolha do tratamento para a colite pseudomembranosa está diretamente correlacionada com a gravidade dos sinais e sintomas da doença. A constatação de que, ao longo do tempo, foram identificadas cepas mais agressivas do bacilo e mais resistentes à ação dos antibióticos tornou a doença mais difícil de ser tratada.

De qualquer modo, a primeira medida terapêutica consiste em suspender prontamente o antibiótico utilizado para combater a infecção em curso e, quando necessário, substituí-lo por outro com mecanismo de ação específico contra a infecção pelo C. difficile, a fim de obter melhores condições para o desenvolvimento das bactérias saudáveis que irão recompor a microbiota intestinal.

No que se refere à medicação, de maneira geral, é desaconselhado o uso de antiácidos estomacais e de antidiarreicos. Quando absolutamente necessários, porém, a prescrição deve ser bastante clara e obedecida com rigor.

A cirurgia para retirada parcial ou total do intestino grosso (colectomia total ou subtotal) pode ser indicada em algumas situações especiais. No caso específico da colite pseudomembranosa, o procedimento pode ser realizado por via aberta ou laparoscópica e visa à remoção da área infectada do intestino.

Por estranho que possa parecer, o transplante da microbiota fecal (FMT) de um doador saudável para uma pessoa que apresenta infecções recorrentes causadas pelo C. difficile, que prolifera no intestino e não responde ao tratamento convencional com antibióticos, pode ser o recurso terapêutico adequado para restaurar o equilíbrio da flora intestinal.

O procedimento consiste em transferir a flora intestinal que contém micro-organismos saudáveis para o paciente portador de flora danificada pela C. difficile.

Depois de passar por rígido preparo, as fezes doadas são transplantadas através de um tubo nasogástrico inserido diretamente no cólon ou ministradas por via oral sob a forma de cápsulas.

Sua função é recolonizar a região afetada pela bactéria invasora, a fim de impedir que a proliferação de bacilos patógenos prejudique o funcionamento do trato gastrointestinal.

Importante registrar que essa estratégia terapêutica tem obtido resultados satisfatórios no tratamento das recidivas da colite pseudomembranosa.

Algumas pesquisas apontam que os alimentos probióticos – leites fermentados, iogurtes naturais, queijos, chucrute – contêm micro-organismos vivos que contribuem para garantir o equilíbrio da flora intestinal normal e para prevenir a infecção pelo C.difficile. No entanto, para obter esses benefícios, tais produtos têm de ser consumidos regularmente, porque os efeitos que proporcionam são de curta duração.

Recomendações

  • Lave as mãos com frequência utilizando água e sabão, qualquer sabão. Sempre vale repetir que o cuidado com a higiene das mãos representa conduta mais eficaz contra os esporos eliminados pelo C.

    difficile do que a aplicação de álcool gel utilizada para a prevenção e tratamento das recorrências da colite pseudomembranosa;

  • Beba bastante líquido, especialmente água. Evite as bebidas alcoólicas e os refrigerantes.

    Pessoas com risco de desidratação podem valer-se dos isotônicos e das soluções para reidratação oral (Pedialyte, por exemplo) para recompor o líquido perdido nas crises de diarreia;

  • Evite o consumo de alimentos condimentados que irritam a mucosa do trato gastrointestinal;
  • Mantenha roupas e utensílios que entraram em contato com o doente, rigorosamente limpos e desinfetados;
  • Fuja da automedicação. Entre em contato com o médico sempre que apresentar problemas intestinais, mesmo que os sintomas sejam leves;
  • Procure assistência médica, antes de suspender a medicação por conta própria.

Perguntas frequentes sobre colite pseudomembranosa

É indicada alguma dieta específica para quem tem colite pseudomembranosa?

Durante as crises de diarreia, deve-se evitar alimentos condimentados e apimentados, cafeína, leite e derivados, bebidas alcoólicas, alimentos ricos em fibras, gordurosos ou industrializados e doces. Como a interferência da alimentação varia de pessoas para pessoa, consulte o médico para mais informações a respeito da dieta.

Antibiótico pode causar colite pseudomembranosa?

Sim. A causa mais comum da doença é a liberação de toxinas produzidas pela bactéria C. difficile, que agridem as células epiteliais do intestino grosso, quando a microbiota normal da região é alterada pelo uso de antibióticos.

Em grande parte dos casos, o distúrbio ocorre durante ou algum tempo depois de terminado o tratamento com qualquer classe de antibiótico.

No entanto, ao que parece, são os antibióticos de largo espectro que atuam sobre número mais expressivo de micro-organismos infectantes que podem causar a doença.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/colite-pseudomembranosa/

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