Dieta da USP: como funciona e porque não deve ser usada

Dieta da USP: 14 Quilos em duas semanas

Dieta da USP: como funciona e porque não deve ser usada

Se você decidiu que quer fazer uma dieta para emagrecer de uma forma rápida em 14 dias está no lugar certo. A dieta da USP, promete uma perda de 14 quilos em 14 dias. A dieta USP não tem nada com a Universidade de São Paulo! Apesar de este número ser muito exagerado é possível perder cerca de 7 a 10 kg em duas semanas com esta dieta.

Ela é uma dieta restritiva, com poucos hidratos de carbono e calorias. Prepare-se, se gosta de comer, vai passar sem os seus alimentos favoritos e sofrer um pouco. Esta dieta não é das mais fáceis de seguir pois são 2 semanas de esforço super intensivo!

É importante perceber que esta dieta vai fazer perder peso e emagrecer. Esta perda de peso vai ser uma perda de gordura, perda de músculo e perda de água. Nem tudo é queima de gordura e depois de acabar esta dieta vai volta a ganhar peso em água, músculo e gordura.

O que esperar dessa dieta?

Esta é considerada uma dieta de emergência, se quiser perder 5 quilos em 1 semana para ir a uma festa, ou se quiser perder 10 quilos em duas semanas para ir a um casamento.

Muitas pessoas tem curiosidade em começar uma dieta restritiva com poucos carboidratos e pensam se existem efeitos secundários sobre os quais devem ter conhecimento.

Uma dieta restritiva deste gênero pode dar problemas para pessoas com certas doenças, especialmente se estiver tomando medicação.

Os efeitos secundários não são graves mas deve sempre falar com o seu médico antes de fazer uma dieta radical como esta.

O médico tem de ver o seu progresso e potenciais mudanças nas dosagens da medicação. Um efeito muito comum da dieta da USP é a diminuição dos níveis de açúcar e glicemia no sangue.

Isto é importante para pessoas diabéticas, especialmente as que necessitam de insulina ou medicação.

Como as dietas de poucos carboidratos causam mudanças no açúcar no sangue é importante falar com o médico antes de fazer uma dieta para emagrecer. O efeito principal da dieta da USP é o emagrecimento.

Tecnicamente isto não é um efeito secundário, mas os efeitos relacionados com a perda de peso incluem a regulação da pressão sanguínea, melhoramento ou desaparecimento de problemas digestivos e melhoramento de problemas respiratórios.

Veja também

Se estiver tomando medicação para a hipertensão ou pressão alta, um dos efeitos da dieta da USP é a mudança na pressão arterial. Assim deve consultar o seu médico para rever a quantidade ou a necessidade de medicação. O mesmo se aplica a problemas digestivos e intestinais, se sentir diferença no melhoramento e desaparecimento dos sintomas o seu médico deve fazer um diagnostico novo.

Outros efeitos da dieta da USP inclui a diminuição do apetite para açúcares e doces, mais sentir-se mais energia, menos inchada e com menos gases, o seu estômago vai estar melhor, níveis de açúcar no sangue mais saudáveis, menos pressão sanguínea, menos retenção de líquidos e claro menos gordura corporal. Existem alguns efeitos secundários que não são perigosos mas podem ser inconvenientes. Estas dietas restritivas como a dieta da USP, na primeira semana pode sentir dores de cabeça, náuseas, tonturas, falta de força e cansaço, fácil irritabilidade e azia.

Há também um conjunto de efeitos que são específicos para as mulheres. Na primeira semana da dieta da USP pode ter mudanças no ciclo menstrual.

Este efeito é causado pelo ajustamento do organismo a um novo estilo de alimentação.

Os efeitos positivos da dieta da USP vem depois, a menstruação é menos e vai ter menos dores e diminuição de outros problemas enquanto está a fazer uma dieta com poucos hidratos de carbono.

Estes efeitos secundários são fáceis de reduzir se beber água suficiente e estiver bem hidratada, dormir bem e ter a certeza de não estar sempre com fome.

Em casos raros estes efeitos secundários iniciais podem durar até 10 dias mas normalmente duram entre 5 a 7 dias. Aqui está a receita e cardápio para a dieta da USP.

Esta dieta tem um ciclo semanal que deve ser feito duas vezes, no 15º dia pode voltar aos seus hábitos regulares, mas não abuse na gordura senão vai voltar à estaca zero.

Dieta da USP: Cardápio

Dia 1

Manhã:Café preto sem açúcar , com adoçante

Almoço: 2ovos cozidos e ervas a desejar
Jantar: salada de alface com pepino e salsão à vontade

Dia 2

Manhã: Café com bolacha cream-crakers (máx.3)
Almoço: 1 bife grande com salada de frutas à gosto
Jantar : Presunto à vontade

Dia 3

Manhã: Café com biscoito cream-crakers(máx.3)
Almoço: 2 ovos cozidos , salada de vagem e 2 torradas
Jantar: presunto e salada

Dia 4

Manhã : Café com biscoito(máx.3)
Almoço: 1 ovo cozido , 1 cenoura e queijo minas à vontade
Jantar : Salada de frutas e iogurte natural

Dia 5

Manhã: Cenoura crua espremida com limão e café preto
Almoço: Frango grelhado à vontade
Jantar: 2 ovos cozidos com cenoura

Dia 6

Manhã: Café com biscoito(máx.3)
Almoço: Filé de peixe com tomate à vontade
Jantar: 2 ovos cozidos com cenoura

Dia 7

Manhã: Café com limão
Almoço: Bife grelhado e frutas à vontade
Jantar: Comer o que quiser , menos doces e bebidas alcoólicas

Instruções importantes

Depois de completar esta série deve recomeçar do primeiro dia. Quando chegar ao 15º dia pode voltar a comer o que quiser, mas com medidas porque vai engordar outra vez.

Na dieta da USP não pode trocar alimentos de dia e não pode trocar a ordem dos dias. A dieta está feita para aumentar o metabolismo e para não entrar em estado de falta de nutrição. Para a dieta funcionar deve seguir o plano com exatidão caso contrário não funciona. Existem muitas dietas para emagrecer por onde escolher.

A dieta USP não é uma dieta fácil, pois são duas semanas com um plano alimentar muito restrito e a maioria das pessoas com excesso de peso não conseguem fazer uma dieta tão radical assim de uma vez.

Se não sente confiança para fazer a dieta da USP comece com uma dieta mais fácil como a dieta da sopa, que também dá resultados rápidos, mas tem a duração de uma semana em vez das duas da dieta da USP.

Dicas

  • Agora, a partir do sétimo dia, repita o cardápio na outra semana, e passados as 14 dias da Dieta da Usp, você pode voltar a comer o que desejar.
  • No cardápio da Dieta da Usp, você não deve substituir nenhum alimento, e também deve ingeri-los nos horários certos.
  • Na questão das ervas, as ervas que podem ser ingeridas são a chicória, o alface e o agrião.
  • Outra coisa é que você pode beber normalmente café, chá e água o dia inteiro, sem problemas.. As ervas permitidas são o agrião, chicória e a alface.
  • Pode beber água, café e chá o sempre que quiser.
  • Depois de completar esta série deve recomeçar do primeiro dia.
  • Quando chegar ao 15º dia pode voltar a comer o que quiser, mas com medidas porque vai engordar outra vez.
  • Na dieta da USP não pode trocar alimentos de dia e não pode trocar a ordem dos dias.
  • A dieta da USP está feita para aumentar o metabolismo e para não entrar em estado de falta de nutrição.
  • Para a dieta funcionar deve seguir o plano com exatidão caso contrário não funciona.
  • Existem muitas dietas para emagrecer por onde escolher.
  • A dieta USP não é uma dieta fácil, pois são duas semanas com um plano alimentar muito restrito e a maioria das pessoas com excesso de peso não conseguem fazer uma dieta tão radical assim de uma vez.
  • Muita gente tem tido um pouco de dúvida em qual é a melhor maneira de preparar as refeições da dieta da USP já que o cardápio quase não especifica nada.
  • Bom para facilitar a vida de vocês eu testei algumas maneiras da dieta ser menos sofrida e mais saborosa. Lá vão os resultados e boa sorte a todos que estão seguindo a dieta.

Dicas Extras:

  • Para as saladas não ficarem sem sabor, faça um molho pouco calórico misturando: • suco de 1 limão • 1 colher de chá de vinagre • salsa desidratada a gosto • orégano desidratado a gosto • 1 colher de chá de alho desidratado em flocos 1.
  • Use pouco sal nas refeições.
  • No preparo das ervas que podem ser agrião, chicória, couve, alface lave-as muito bem e descontamine-as em uma solução de 1 colher de chá de vinagre para 1 litro de água. Pique-as bem fininho e quando for preparar o prato monte de maneira bonita sempre, o prato visualmente arrumado ajuda a suavizar os efeitos de privação que a dieta imprime no nosso cérebro.
  • Os ovos cozidos não devem ser cozidos por mais de 5 minutos contando a partir da alta fervura da água.
  • No almoço que requer 2 ovos cozidos, salada de vagem e 2 torradas proceda da seguinte maneira: Cozinhe as vagens inteiras e os ovos, faça torradas de pão de forma na torradeira ou use torradas prontas, o grande segredo esta em como comer esses três alimentos. Esprema um limão em uma tigelinha e junte ao suco do limão os ovos e orégano desidratado, com um garfo amasse bem até virar um pate de ovos com o suco do limão e passe o pate sobre as torradas. Escorra a vagem deixando-a bem sequinha e tempere com suco de meio limão.
  • Quando a dieta diz “Presunto á vontade”, frango grelhado á vontade” e” queijo minas á vontade” não significa meio kg de cada um… Nunca ultrapasse 200g de presunto e queijo e nem 300 de frango. 6. Os biscoitos cream crakers são no máximo. O ideal são 3. 7.
  • Vegetarianos podem substituir os presuntos, frangos, peixes e carnes por 1 porção de proteína vegetal a sua escolha contando que no preparo não utilizem manteiga, nem óleo, minha sugestão é uma carne de soja refogada com salsa, cabola e suco de limão. Acompanhem com salada de um tomate.
  • Quando for requerido uma salada de cenoura e ovo, rale a cenoura em ralador grosso e tempere com o molho que eu ensinei, pique o ovo cozido em cubinhos e misture a cenoura, fica muito mais saboroso.
  • Na salada de fruta opte por maça, mamão, abacaxi e pera, fuja de abacate, açaí e laranja.
  • O Iogurte ser light ajuda muito. 1
  • Tempere a salada de fruta com uma especiaria que vá bem com a fruta que você escolheu como canela para maçã e banana, hortelã para abacaxí, baunilha para a pêra e assim por diante.
  • Se quiser bater a salada de frutas no liquidificador com o iogurte, coloque algumas pedras de gelo e vá fundo, mas lembre-se de se demorar bem ao tomar o shake, tanto quanto estivesse mastigando.
  • Quando o café da manhã for cenoura espremida com limão e café, separe isso fazendo um suco de cenoura com limão da seguinte forma: Descasque o limão e corte em 4, descasque e pique a cenoura em cubos coloque no liquidificador e bata com 1 xícara de água e adoçante e gelo a gosto. Tome o café ao longo da manhã em pequenas xícaras.
  • Quando o café da manhã for café com limão use o mesmo truque anterior, faça uma limonada suíça com adoçante e tome o café ao longo da manhã.
  • No dia do bife grelhado com frutas á vontade opte por uma carne rica em ferro como fígado ou uma carne magra nada de picanha com gordurinha…e frutas como abacaxi e maçã.
  • Faça chás de ervas variadas e tome gelado ao longo do dia, dependendo da planta escolhida além de ajudar na eliminação de líquidos pode ser calmante e relaxante, chás de Erva Doce, Camomila, Morango, Melissa, Chá Verde e Branco são boas opções.
  • Beba muita água.

Fonte:dietasparaemagrecer.net/mulheresperta.com.br

Источник: https://www.portaltudoaqui.com.br/dieta-da-usp-14-kilos-em-duas-semanas/

Dieta da USP

Dieta da USP: como funciona e porque não deve ser usada

A Dieta da USP circula há alguns anos na internet, com um cardápio bem definido e promessas de emagrecimento que variam de 4,5 a 14 quilos em 14 dias. Apesar de famoso, o plano não é indicado pelos especialistas e pode até ser perigoso para a saúde.

Imagem: Arte/UOL “A dieta nunca foi oficialmente recomendada por nenhum serviço da Universidade de São Paulo”, explica Guilherme Giorelli, nutrólogo e júri do Ranking das Dietas do VivaBem e diretor do SMEERJ (Sociedade de Medicina Esportiva e do Exercicio do Rio de Janeiro). Ele explica que essa dieta é de baixa caloria (cerca de mil por dia) e por isso acaba ajudando sim na perda de peso em curto prazo. “Não sabemos seu impacto na massa magra nem nos processos de adaptação metabólica do organismo”, completa.

“Basicamente, é uma dieta muito restritiva, difícil de manter e sem embasamento científico, que não é prescrita por nenhum médico ou nutricionista”, adianta a endocrinologista Roberta Frota, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.

O que é a dieta da USP

Imagem: iStock Como já dito, não existe nenhuma comprovação de que esta dieta tenha sido criada por um profissional da Universidade de São Paulo (USP). “Isso é um problema, pois vincula um plano sem fundamento a uma instituição séria, o que pode enganar as pessoas”, lamenta Silvia Pereira, nutricionista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

O plano propõe o emagrecimento por meio de um cardápio de uma semana com pouquíssimas calorias, que pode ser repetido por mais uma semana, totalizando no máximo 14 dias. O cardápio privilegia as proteínas e gorduras, e praticamente elimina carboidratos.

Alguns itens suspeitos, como o presunto, entram no cardápio, e outros saudáveis, como os carboidratos integrais, são praticamente banidos. “Nenhum alimento pode ser substituído, e eles devem ser consumidos na ordem proposta.

Ou seja, é uma dieta muito engessada”, aponta Tassiane Alvarenga.

Essa dieta é segura?

Há alguns riscos nela. O aporte energético é o que mais preocupa. No primeiro dia, por exemplo, o cardápio não chega a 300 calorias.

“Para se ter ideia, nas dietas de calorias muito baixas, um protocolo com comprovação científica, feito só com supervisão e quando outras abordagens já falharam, são feitos cardápios diários com entre 400 a 800 calorias por conta dos riscos”, destaca Pereira.

O organismo se ressente do corte. Como efeito imediato, fraqueza, dores de cabeça, queda de cabelo e alterações de humor. A longo prazo, os efeitos são desconhecidos, mas provavelmente semelhantes aos de outras dietas restritivas feitas sem orientação médica e sem considerar as individualidades de cada adepto.

“Esse tipo de dieta pode ter inúmeras consequências para a saúde, de perda de massa muscular à fadiga e formação de cálculos biliares. Para pessoas que têm insuficiência renal, cardíaca ou já fizeram a cirurgia metabólica, ela é ainda mais perigosa”, comenta Pereira.

O corte radical de alguns alimentos pode levar ainda à deficiência de nutrientes. Outra preocupação é agravar ou desencadear quadros de compulsão alimentar.

Fora o fato de estimular a ingestão de presunto, pertencente à malfadada categoria dos embutidos, cujo consumo deve ficar para ocasiões especiais por conta dos seus altos teores de sódio, gordura saturada e nitratos. Qualquer dieta saudável prega o consumo de alimento in natura, e não de processados como ele.

Cardápio da dieta da USP

Veja o cardápio proposto na internet:

Primeiro dia

  • Manhã: Café preto sem açúcar, com adoçante
  • Tarde: Dois ovos cozidos e ervas a desejar
  • Jantar: Salada de alface com pepino e salsão à vontade

Segundo dia

  • Manhã: Café com biscoito tipo cream-crackers
  • Tarde: Um bife grande com salada de frutas à gosto
  • Jantar: Presunto à vontade

Terceiro dia

  • Manhã: Café com biscoito tipo cream-crackers
  • Tarde: Dois ovos cozidos, salada de vagem e duas torradas
  • Jantar: Presunto e salada

Quarto dia

  • Manhã: Café com biscoito
  • Tarde: Um ovo cozido, uma cenoura e queijo minas à vontade
  • Jantar: Salada de frutas e iogurte natural

Quinto dia

  • Manhã: Cenoura crua espremida com limão e café preto
  • Tarde: Frango grelhado à vontade
  • Jantar: Dois ovos cozidos com cenoura

Sexto dia

  • Manhã: Café com biscoito
  • Tarde: Filé de peixe com tomate à vontade
  • Jantar: Dois ovos cozidos com cenoura

Sétimo dia

  • Manhã: Café com limão
  • Tarde: Bife grelhado e frutas à vontade
  • Jantar: Comer o que quiser, menos doce e bebidas alcoólicas

A dieta realmente emagrece?

Imagem: iStock De fato, seguir um plano do tipo pode mesmo fazer os ponteiros da balança caírem rápido. Mas há dois problemas nisso. O primeiro é que ele não significa que o corpo perdeu gordura. Na fase inicial de um regime do tipo, há uma perda intensa de água, que causa a falsa sensação de emagrecimento.

Esta água é perdida pois fica armazenada junto com o glicogênio nos músculos.

O glicogênio é um produto da glicose, que serve como fonte de energia alternativa mais acessível do que a gordura quando os carboidratos estão escassos.

Por isso, ele acaba sendo utilizado antes da gordura, daí o risco de perda de massa muscular. Essa redução prejudica inclusive o emagrecimento, já que reduz o metabolismo.

O segundo ponto é que um plano do tipo não pode ser mantido por um longo período, tanto pelo desconforto quanto pelos riscos à saúde. Então a tendência é que o peso volte com tudo quando a restrição acaba.

Vale ou não fazer?

Com tudo que colocamos aqui, você já deve imaginar que não. Para os especialistas, o ideal é fazer um plano que considere as suas preferências alimentares, objetivos e estado de saúde. “Procure sempre endocrinologistas e nutricionistas para uma reeducação alimentar. Uma equipe bem estruturada ajuda a encontrar a melhor dieta para você”, finaliza Tassiane.

Fontes: Silvia Pereira, nutricionista coordenadora do Departamento de Saúde Alimentar da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), doutora em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Tassiane Alvarenga, endocrinologista e metabologista pelo HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo); e Roberta Frota, mestre em Ciências pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e endocrinologista do Hospital 9 de Julho.

Reportagem: Chloé Pinheiro

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/alimentacao/dieta/dieta-da-usp.htm

Dieta da USP original: como funciona, cardápio e dicas

Dieta da USP: como funciona e porque não deve ser usada

Hipocalórica, promete resultados em duas semanas e restringe o consumo de carboidratos: conheça a dieta da USP original e como fazer!

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A Universidade de São Paulo não confirma a autoria da dieta da USP original e nem recomenda sua prática, mas o regime continua sendo utilizada por quem quer emagrecer rapidamente.

A dieta é hipocalórica, ou seja, recomenda uma baixa ingestão diária de calorias e praticamente elimina os carboidratos do cardápio, colocando em seu lugar muitas proteínas e gorduras.

Fala-se em uma perda de peso de até 14 quilos em duas semanas, mas o número obviamente varia de pessoa para pessoa.

Como a ingestão de alimentos é limitada, e o teor de carboidratos baixíssimo, há uma perda de massa magra (musculatura), levando à diminuição dos níveis de energia. Por essa razão, não é recomendável fazer atividades físicas intensas enquanto estiver seguindo a dieta da USP.

Cardápio da dieta da USP original: como fazer

O primeiro dia parece ser o mais difícil da dieta, pois a quantidade de alimentos é muito pequena. Vamos ao cardápio:

Dia 1

  • Manhã: Café preto sem açúcar (pode colocar adoçante);
  • Almoço: 2 ovos cozidos e ervas a desejar;
  • Jantar: Salada de alface com pepino e salsão à vontade.

Dia 2

  • Manhã: Café com bolacha tipo cream-cracker (água e sal);
  • Almoço: 1 bife grande com salada de frutas a gosto;
  • Jantar: Presunto à vontade.

Dia 3

  • Manhã: Café com bolachas cream-crackers;
  • Almoço: 2 ovos cozidos, salada de vagem e 2 torradas;
  • Jantar: Presunto e salada.

Dia 4

  • Manhã: Café com bolacha cream-craker;
  • Almoço: 1 ovo cozido, 1 cenoura e queijo minas à vontade;
  • Jantar: Salada de frutas e iogurte natural.

Dia 5

  • Manhã: Cenoura crua espremida com limão e café preto;
  • Almoço: Frango grelhado à vontade;
  • Jantar: 2 ovos cozidos com cenoura.

Dia 6

  • Manhã: Café com cream-crackers;
  • Almoço: Filé de peixe com tomate à vontade;
  • Jantar: 2 ovos cozidos com cenoura.

Dia 7

  • Manhã: Café com limão;
  • Almoço: Bife grelhado e frutas à vontade;
  • Jantar: comer o que quiser, menos doces e bebidas alcoólicas.

Após o sétimo dia, reinicie novamente a dieta com o dia 1.

Faça a dieta da USP original por no máximo 14 dias, e depois mantenha uma alimentação balanceada para evitar que todo o peso perdido nos dias anteriores seja recuperado novamente.

Perigos e contraindicações da dieta USP original

A dieta da USP original é muito reduzida em calorias e uma diminuição tão drástica assim não é indicada para a maioria das pessoas, a menos que exista uma razão médica por trás da dieta – como a necessidade de emagrecer rápido para reduzir os riscos de uma cirurgia que precisa ser feita em um futuro próximo.

Como toda dieta radical, a dieta da USP original não leva a uma mudança de hábitos e à reeducação alimentar, fundamentais para emagrecer com saúde. Sendo a maior parte do peso perdido composta por líquidos e massa muscular e quase nada de gordura, é muito fácil recuperar o peso novamente.

Isso sem contar que toda a restrição alimentar e a pobreza nutricional que a dieta envolve podem levar a deficiências nutricionais e a doenças que decorrem dessas carências.

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Efeitos colaterais da dieta da USP

Abaixo seguem alguns efeitos colaterais que podem aparecer ao se optar por seguir a dieta da USP:

  • Cansaço, fraqueza muscular e dores de cabeça, devido à falta de carboidratos na dieta;
  • Prisão de ventre, devido ao baixo teor de fibras e ao teor elevado de proteínas na dieta;
  • Mau hálito;
  • Irritabilidade;
  • Alterações no sono;
  • Dificuldade para dormir;
  • Tonturas;
  • Complicações renais, devido ao alto teor proteico da dieta.

Para qualquer pessoa é fundamental consultar o médico antes de iniciar a dieta, especialmente quem tem menos de 18 anos, está grávida ou amamentando, é idoso ou tem alguma doença ou condição de saúde preexistente.

  • Site da Universidade de São Paulo – Dietas

Você já conhecia a dieta da USP? Acredita que seria possível para você segui-la, com todas as restrições? Comente abaixo!

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Источник: https://www.mundoboaforma.com.br/dieta-da-usp-original/

Dieta da USP: como funciona, benefícios e desvantagens

Dieta da USP: como funciona e porque não deve ser usada

Quantas vezes você viu por aí em revistas ou em sites matérias que recomendam as tais “dietas milagrosas”? O famoso “emagreça 10 quilos em 1 semana” e por aí vai.

Uma das que surgiram recentemente foi a Dieta da USP. Ela consiste em um plano de emagrecimento hipocalórico (ou seja, com baixa ingestão de calorias) à base de proteínas e gorduras.

A dieta tem duração de 7 dias e praticamente elimina os carboidratos do cardápio.

E ao contrário do que o nome possa sugerir, essa dieta não é realmente da Universidade de São Paulo, a USP. Inclusive, mais do que não assumir a autoria, a universidade aconselha as pessoas a não seguirem esse plano de emagrecimento, justamente por entender que ele não segue as boas práticas das dietas saudáveis.

Então por que leva o nome da USP? Uma das hipóteses mais prováveis é que provavelmente o autor da dieta se aproveitou do renome da universidade — que é instituição de ensino público do país e uma das mais prestigiadas da América Latina –, para dar mais autoridade ao método e conquistar adeptos.

Mas você pode se perguntar: “eu vi como a dieta funciona e ela realmente faz perder peso, então por que não devo fazê-la?”.

Bem, em primeiro lugar nenhuma dieta que promete emagrecer uma quantidade considerável de peso em apenas uma semana pode ser chamada de dieta saudável.

O emagrecimento é um processo contínuo e deve ser seguido da maneira correta justamente para que o peso não volte depois. Para isso, porém, é necessário fazer uma reeducação alimentar.

Milagres não existem — pelo menos não sem consequências futuras para a saúde.

Alguns grupos de pessoas em especial estão contraindicados para fazer a Dieta da USP. São eles:

  • Pessoas com diabetes, principalmente a diabetes tipo 2;
  • Pessoas que façam uso de algum tipo de medicação temporária, esporádica ou diária;
  • Pessoas com hipotireoidismo;
  • Pessoas que tenham problemas endócrinos ou no controle de glicemia.

Como a Dieta da USP é feita

Em linhas gerais, a Dieta da USP consiste em um programa agressivo de emagrecimento que dura somente 7 dias. Durante esse período, o adepto deve seguir à risca o cardápio, que traz baixa quantidade de carboidratos e altos índices de proteína e gordura.

Depois de completada a primeira semana de dieta, o guia da dieta permite que ela seja mantida por mais 7 dias. Porém, o recomendado é que ela não ultrapasse os 14 dias consecutivos. Segundo o autor, é necessário dar um descanso para o corpo antes de retomar a dieta.

Exemplos do que pode e do que não pode comer

  • Carboidratos: pães, massas, batatas, farinhas, arroz, aveia, milho, barra de cereal;
  • Proteínas: carnes, ovos, peixes, embutidos e leite integral e derivados do leite;
  • Gorduras: carnes, azeite, sorvete e oleaginosas

Água, café e chá são permitidos em todos os dia da dieta e agrião, chicória e alface são as únicas verduras com consumo permitido.

A dieta funciona ou não?

A dieta da USP, com seu método restrito e hipocalórico, realmente leva à perda de peso no curto prazo.

Apesar disso, ela não consiste em um plano de reeducação alimentar, ou seja, a pessoa que precisa perder peso não aprende a comer melhor e não consegue manter os bons resultados na balança para a vida toda.

Além disso, como a ingestão de alimentos é restrita, pode ocorrer também a perda de massa magra (que dá uma falsa ideia de emagrecimento) por causa dos níveis baixos ou nulos de carboidratos presentes no cardápio.

Da mesma forma, a Dieta da USP é inimiga dos praticantes de atividade física, que precisam ingerir carboidratos para ter energia no treino.

Benefícios da Dieta da USP

  • Emagrecimento rápido;
  • Redução e controle da pressão arterial;
  • Prolonga sensação de saciedade;
  • Evita retenção de líquidos;
  • Ajuda no funcionamento do sistema digestivo.

Desvantagens da Dieta da USP

  • Não faz a reeducação alimentar;
  • É uma dieta de curto prazo, portanto não surte o efeito desejado para toda a vida;
  • O excesso de proteínas pode ser prejudicial aos rins;
  • Pode provocar efeitos colaterais, como dores de cabeça, mau humor, estresse, tonturas e fraqueza muscular;
  • Queima de músculos, não de gorduras;
  • Pode dar falsa impressão de emagrecimento;
  • Aumenta o risco de problemas cardíacos;
  • Inviabiliza a prática de atividades físicas.

Источник: https://www.ativosaude.com/emagrecimento/dieta-da-usp/

Dieta cetogênica compensa? Veja como funciona e quais os riscos

Dieta da USP: como funciona e porque não deve ser usada

O que é a dieta cetogênica? Você até pode ter ouvido falar nela só mais recentemente, mas esse cardápio  — riquíssimo em gorduras e com doses ínfimas de carboidratos — é praticamente centenário.

Sua versão clássica foi proposta em 1921 pelo médico americano Russell Wilder (1885-1959), da Clínica Mayo. Mas, na época, o papo não tinha nada a ver com emagrecimento.

Buscava-se uma alternativa para auxiliar no controle da epilepsia, doença mais conhecida pelas crises convulsivas.

“Durante séculos, o jejum foi usado como terapia para esse quadro, inclusive por Hipócrates”, relata a nutricionista Terezinha da Rocha Ataide, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), fazendo referência ao pai da medicina.

Só que não dá para manter essa situação por tempo prolongado. “De olho nisso, veio a questão: como recriar o estado propiciado pelo jejum no organismo, mas sem deixar de se alimentar?”, conta a nutricionista Mariana Prudencio, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).

Foi aí que o doutor Wilder teve a sacada da cetogênica.

Para entender por que ela é útil, precisamos lembrar que o corpo usa preferencialmente a glicose originária da quebra de carboidratos como combustível para executar suas tarefas.

Quando há restrição severa desse nutriente, presente em pães, massas e arroz, a rota para a produção de energia muda.

Nessa nova configuração, as gorduras viram o substrato de maior importância — e, no processo, são formados os corpos cetônicos.

Segundo Mariana, essas substâncias, liberadas também no jejum, atuam em neurotransmissores lá no cérebro, amenizando, assim, as crises de epilepsia. Hoje, a dieta é recomendada para aqueles pacientes que não conseguem melhoras com os remédios — as drogas começaram a surgir a partir de 1930.

Mas não é por causa desse uso tradicional e validado pela ciência que a estratégia alimentar alçou fama. A cetogênica atraiu adeptos porque passou a ser encarada como um método eficaz de perda de peso. O raciocínio é simples: se as gorduras se tornam combustível de primeira escolha, tanto aquela que vem do prato como a que está estocada no corpo entram na mira.

“Sem falar que os tais corpos cetônicos agem em uma região do cérebro chamada hipotálamo, aumentando a sensação de saciedade”, aponta Felipe Almeida, nutricionista e criador da ScienceTV, em São Paulo.

A impressão de barriga cheia também é facilitada pela própria constituição do cardápio. “O carboidrato passa rápido do estômago para o intestino. Já a gordura atrasa o esvaziamento gástrico”, ensina o nutricionista e biólogo Geraldo Thedei Jr., professor da Universidade de Uberaba, em Minas Gerais.

Foto: Mars58/Getty Images / Ilustrações: Bananajazz/Getty Images

Como dieta cetogênica leva à produção dos corpos cetônicos

  1. Restrições no prato: o indivíduo exclui pães, massas, arroz, tubérculos, doces e várias frutas da rotina — ou seja, os alimentos fontes de carboidratos.
  2. Fim do estoque de energia: formado a partir de carboidratos, o glicogênio reservado nos músculos e no fígado para dar gás rápido se esgota em poucas horas.
  3. O corpo precisa de combustível: o glicogênio acaba, mas o organismo continua ávido por uma fonte de energia que permita a manutenção de todas as suas funções.
  4. Vem pra cá, gordura: Com o sumiço dos carboidratos, o corpo, sem escolha, passa a quebrar as gorduras da dieta e aquela armazenada em nosso tecido adiposo.
  5. Os tais corpos cetônicos: essa gordura, em forma agora de ácidos graxos, se manda para o fígado, onde ocorre a transformação em corpos cetônicos.
  6. Viagem pelo corpo: os corpos cetônicos são, então, levados para todos os cantos (cérebro, músculos, rins, coração…), onde servirão de fonte de energia às células.

Gordura por todos os lados

Além do ovo e das carnes de diversos tipos, há outros ingredientes reconhecidos por seu perfil gorduroso — inclusive no reino vegetal. São exemplos de alimentos que são permitidos no cardápio cetogênico:

  • Abacate
  • Coco
  • Castanhas
  • Manteiga
  • Leite e derivados

A adesão à dieta cetogênica

Embora ninguém conteste o poder emagrecedor desse padrão gorduroso, há muitos aspectos que preocupam quem entende do riscado. Para ter ideia, todo ano a publicação americana US News & World Report convida um time de renomados especialistas para analisar vários tipos de dieta e montar um ranking.

No de 2020, passaram pelo pente-fino 35 planos alimentares. A cetogênica, veja só, amargou a 34ª colocação, sendo considerada um dos piores cardápios para alguém seguir. O quesito que rendeu mais críticas diz respeito à dificuldade para aderir ao menu pra valer.

Para a nutricionista Helen Miranda Hermsdorff, professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, essa é uma das principais características das dietas da moda. “As pessoas ouvem falar sobre o assunto, colocam em prática e perdem peso rápido, mas não conseguem se manter fiéis por muito tempo”, descreve.

Ocorre que, de acordo com Helen, um emagrecimento realmente satisfatório é aquele baseado em um padrão alimentar possível de ser sustentado por longo prazo — caso contrário, a tendência é reencontrar os quilos perdidos.

Ainda que um indivíduo contrarie as expectativas e consiga permanecer focado nesse esquema por um período razoável, a queda do ponteiro da balança parece não seguir o ritmo observado no início.

Em uma extensa revisão publicada recentemente por pesquisadores ligados à Associação Nacional de Lipídios (NLA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, é informado que, em curto prazo, as dietas com baixo teor de carboidratos (incluindo a cetogênica) até apresentam uma ligeira vantagem em termos de perda de peso em relação a cardápios apoiados na menor ingestão de gorduras ou que permitem mais carboidratos.

“Mas, em aproximadamente 12 meses, não há mais diferenças entre as dietas em relação ao emagrecimento”, revela Carol F. Kirkpatrick, professora da Universidade Estadual de Idaho e uma das autoras do documento.

Ao que tudo indica, existem algumas pegadinhas por trás do começo empolgante. “Nessa fase, elimina-se mais água, e não gordura”, observa Almeida. Só que as pesquisas não diferenciam um emagrecimento real de uma desidratação.

Em um experimento com animais, cientistas da Universidade Yale, nos Estados Unidos, sugerem mais um motivo para o emagrecimento ter prazo de validade curto. Eles informam que, com a queda dos níveis de glicose, o organismo passa a agir como se estivesse em uma situação de fome.

Daí, ao consumir uma grande proporção de comida gordurenta, uma parte do nutriente é armazenada pelo corpo. “Você queima mais gordura, mas acumula mais também”, resume Almeida.

A cientista americana observa ainda que a dieta cetogênica verdadeira não deve ser abastecida de proteínas — afinal, esse nutriente acaba convertido em glicose, o que evita, por sua vez, a formação dos desejados corpos cetônicos. Só que um desajuste aí tem consequências.

“O estudo mostra que, se o conteúdo de proteínas não estiver adequado, cardápios pobres em carboidratos podem levar a uma maior perda de massa magra em comparação com uma dieta balanceada e de baixas calorias”, expõe Carol. Ver o peso cair a esse preço não vale a pena: os músculos auxiliam na própria queima de gorduras e na manutenção da capacidade funcional.

Para fazer as pazes com a balança, a realidade é que ninguém precisa fazer mudanças mirabolantes à mesa, que dependem praticamente da exclusão de grupos alimentares. Na cetogênica, permite-se que o carboidrato represente, no máximo, 10% de todas as calorias que ingerimos em um dia. A nutricionista Helen, da UFV, nota que isso é muito pouco. Afinal, a recomendação oficial vai de 45 a 60%.

Para ela, indivíduos obesos e com outros problemas metabólicos sairiam ganhando se maneirassem nos carboidratos, sim — mas respeitando essa faixa de valor definida como adequada. “Ela atende às necessidades do organismo”, justifica.

Sintomas do aumento de corpos cetônicos no organismo

Como ter a certeza de que a famosa cetose está realmente em marcha? Bem, os sinais costumam ser inconfundíveis. Tanto é que a manifestação deles ganhou o apelido de “keto flu” — o termo, em inglês, pode ser traduzido como gripe cetogênica. Veja o que ela causa:

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  • Dor de cabeça
  • Fraqueza
  • Náusea
  • Aumento da sede
  • Vômito

Os riscos da dieta cetogênica para a saúde

Dar um chá de sumiço nos carboidratos não parece vantajoso nem para quem tem diabetes e precisa controlar a glicose no sangue.

De acordo com Carol, esses indivíduos se beneficiam com uma diminuição na ingestão do nutriente, claro — mas não precisa chegar ao ponto de provocar a tal da cetose.

“Até porque a maioria dos participantes dos estudos não consegue manter esse padrão por período prolongado”, comenta.

Agora, tem quem fique com os olhos brilhando — ou melhor, a boca salivando — ao pensar na cetogênica pelo outro lado do cardápio. Ora, enquanto o carboidrato é sacrificado, abrem-se alas para os redutos de gorduras, a exemplo de picanha, frango com pele, ovo, manteiga, banha de porco e até bacon. Pelo menos é o apelo visto por aí.

“A liberação do consumo desses alimentos entre quem quer perder ou manter o peso é tentadora”, analisa Terezinha. Ocorre que eles são ricos em um tipo de gordura que a comunidade científica trata com bastante cautela: a saturada.

Na revisão da NLA, os cientistas avisam que, caso haja um consumo elevado dessa versão, pode ocorrer um aumento acentuado do colesterol ruim, o LDL. Se essa molécula aparece em excesso pela circulação, pode se depositar nos vasos. E, com o tempo, há grande probabilidade de entupir essas estruturas — o pano de fundo para um infarto ou acidente vascular cerebral.

Segundo o pesquisador Kevin C. Maki, professor da Universidade Indiana, nos Estados Unidos, e também autor do documento da NLA, alguns defensores da cetogênica afirmam que a elevação observada é de partículas grandes e flutuantes de LDL, que seriam menos perigosas do que as pequenas e densas. “No entanto, partículas de qualquer tamanho têm se mostrado prejudiciais”, avisa Maki.

A nutricionista Indiomara Baratto, mestre em ciências da saúde pela Universidade Federal de São Paulo, pontua, ainda, que o alto consumo de gorduras proposto pela cetogênica é capaz de sobrecarregar rins, fígado e vesícula biliar. Fora que o organismo corre o risco de padecer com a falta de vitaminas e minerais, já que o prato tende a ficar monótono.

“Se essa dieta for realizada sem os cuidados necessários, provavelmente o indivíduo sofrerá um déficit nutricional”, crava Indiomara. Outros efeitos indesejáveis elencados por Terezinha são: distúrbios gastrointestinais, náuseas, vômitos e elevação das taxas de triglicérides.

Por causa dos eventuais percalços, Mariana, da USP, insiste que uma pessoa instigada pela cetogênica deve, antes de tudo, ir atrás de médico e nutricionista. “O acompanhamento precisa ser muito próximo”, afirma.

Ela lembra que pessoas acima do peso, normalmente as mais atraídas por essas dietas, às vezes já convivem com quadros como hipertensão ou diabetes — e há a possibilidade de o menu bagunçar o controle das doenças.

“Quem tem diabetes tipo 2 pode ter hipoglicemia caso as medicações não sejam ajustadas em decorrência da severa restrição de carboidratos”, exemplifica Maki. A situação é marcada pela queda vertiginosa de açúcar no sangue, levando a sintomas como tontura, confusão mental, taquicardia e desmaio.

A supervisão profissional também assegura uma melhor composição de gorduras na rotina. “O ideal seria priorizar as mono e poli-insaturadas, deixando as saturadas dentro das recomendações”, esclarece Thedei Jr. As gorduras avaliadas como superiores estão em castanhas, abacate, coco, azeite — alimentos que não despertam tanto interesse como o bacon.

“De qualquer maneira, o correto mesmo seria não entrar nessa”, opina o nutricionista. Sua visão é compartilhada por todos os especialistas ouvidos nesta reportagem.

“Para o emagrecimento, defendo a reeducação alimentar. É uma abordagem de resultados mais duradouros e sem riscos de exposição a efeitos adversos”, argumenta Terezinha.

A questão é que as mudanças no corpo levam um tempo maior para aparecer, desapontando muita gente. Mais do que gorduras, talvez precisemos é de paciência.

Os prejuízos de uma dieta lotada de gordura (e sem orientação)

Risco cardíaco: se comer muita gordura saturada, o colesterol ruim e os triglicérides podem subir. Aí fica perigoso para o coração.

Mau hálito: não tem como a cetogênica ser ignorada pelo olfato alheio. Os corpos cetônicas deixam o maior bafo.

Perda de músculo: estudos apontam que essa dieta pode sacrificar a massa magra se não houver adequação na ingestão de proteínas.

Falta de nutrientes: os alimentos banidos reúnem mais do que carboidratos. Também são redutos de vitaminas e minerais.

Hipoglicemia: pode ocorrer entre quem tem diabetes tipo 2 se as medicações estiverem desajustadas. Causa desmaios, palpitação…

Reganho de peso: de tão restritiva, a dieta cetogênica é de difícil manutenção. Só que aí os padrões antigos voltam — e os quilos também.

Pobreza de fibras: elas estão em fontes de carboidratos, justo o que some. Só que têm várias funções, como melhorar o trânsito intestinal.

Fígado gordo: entupir-se de gordura favorece seu acúmulo no fígado, quadro silencioso que pode resultar em cirrose e até câncer.

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Источник: https://saude.abril.com.br/alimentacao/dieta-cetogenica/

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