DISFAGIA (dificuldade para engolir)

DISFAGIA (dificuldade para engolir)

DISFAGIA (dificuldade para engolir)

Disfagia é o termo médico utilizado quando o paciente refere dificuldade para engolir. A disfagia não está necessariamente associada à dor para engolir, mas sim a uma sensação subjetiva de dificuldade de fazer o alimento percorrer o caminho entre a boca e o estômago.

A dor para deglutir é chamada de odinofagia e está habitualmente relacionada a quadros de inflamação da garganta. Odinofagia e disfagia são sintomas diferentes, que costumam ocorrer em doenças distintas, daí a importância de saber distingui-las.

A disfagia pode ocorrer por um obstáculo físico à passagem dos alimentos pela orofaringe ou pelo esôfago, ou por doenças neurológicas ou musculares que façam com que o deslocamento do bolo alimentar pelo esôfago ou orofaringe fique prejudicado.

Em geral, a dificuldade para engolir é um sintoma que deve ser levado muito a sério, pois ela pode ser um sinal de doenças graves, como tumores do esôfago ou problemas neurológicos.

Neste artigo vamos explicar como é feito o processo normal de deglutição, quais são as principais causas de disfagia e os seus sintomas habituais.

Processo normal de deglutição

A disfagia é um dos principais distúrbios da deglutição. Portanto, para entender as suas possíveis origens, é importante saber como esse processo é normalmente feito.

Ao contrário do que nos diz o senso comum, o processo de deglutição é muito mais complexo do que uma simples ação da gravidade, que permite a descida do bolo alimentar por um tubo que liga a boca ao estômago. Na verdade, você pode até estar de cabeça para baixo, que, ainda assim, qualquer coisa que você engula será transportado através do esôfago até o estômago.

Vamos então à explicação de como esse processo funciona. Dê uma olhada com calma nas ilustrações que serão fornecidas sobre a anatomia básica da boca, faringe e esôfago. Se você não tiver interesse em aprender como o processo de deglutição se dá, pule diretamente para a próxima parte do texto, que aborda as causas da disfagia.

Fase oral da deglutição

A deglutição começa com o processo de mastigação, que umidifica a comida e a transforma em bolo alimentar maleável, com formato e tamanho apropriados para ser engolido.

Após uma mastigação rápida, nossa língua move-se de forma a empurrar a bolo alimentar em direção à faringe.

Essa parte inicial é chamada de fase oral da deglutição e é feita através da contração voluntária dos músculos da face e cavidade oral.

Fase faríngea da deglutição

Ao chegar na faringe, o processo de deglutição torna-se involuntário, ou seja, ele é feito de forma automatizada sem que precisemos ter ciência de cada passa que será dado.

Como a faringe é uma via comum para o ar que respiramos e o alimento que comemos, para que não haja risco do bolo alimentar ir em direção aos pulmões, a passagem para a laringe/traqueia precisa ser ocluída no momento em que estamos engolindo algo.

Nós, portanto, não conseguimos engolir e respirar ao mesmo tempo.

Essa proteção das vias aéreas ocorre graças à epiglote, uma estrutura em forma de lâmina, que fica por trás da língua e age como um portão, fechando a passagem para a traqueia toda vez que a língua faz o movimento de deglutição. Uma vez que a comida ou a bebida tenham passado em direção ao esôfago, a epiglote volta à sua posição original, permitindo o reinício da respiração.

Essa fase é chamada de fase faríngea da deglutição, e é feita através da contração involuntária dos músculos da faringe, que é comandada pelos nervos cranianos XI (nervo glossofaríngeo) e X (nervo vago). Essa informação sobre os nervos é importante para entender o porquê de algumas doenças neurológicas serem causas comuns de dificuldade para engolir.

Fase esofagiana da deglutição

A última fase da deglutição é a fase esofagiana, que consiste na passagem do alimento pelo esôfago. No início e no fim do esôfago existem dois músculos em formato de anel, chamados, respectivamente, de esfincter esofagiano superior e esfincter esofagiano inferior. A função de ambos os esfincteres é impedir que o conteúdo presente no estômago volte em direção à boca.

Assim que o bolo alimentar chega ao final na faringe, o esfincter esofagiano superior abre-se, permitindo a passagem da comida em direção ao esôfago. Imediatamente após a passagem do bolo alimentar, o esfíncter superior se fecha, para que a comida não consiga voltar para a orofaringe. Neste mesmo momento, o esfíncter inferior abre-se, permitindo a passagem da comida para o estômago.

Como já referido, o bolo alimentar não desce pelo esôfago por causa da gravidade. Ele é, na verdade, empurrado para baixo através de uma série de contrações musculares sincronizadas, que criam um onda de peristalse, meio que “ordenhando” a comida para baixo.

Esse processo leva de 8 a 20 segundos para levar a comida do esôfago ao estômago e é feito de forma totalmente involuntária e inconsciente, sendo controlado por nervos que saem da medula espinhal.

Esse é, portanto, de forma bem simplificada, o processo de deglutição. A disfagia pode surgir sempre que existir algum problema em qualquer uma das fases que acabamos de descrever.

Causas

Existem dezenas de causas para disfagia, que podem ser divididas em diversos grupos, tais como causas neurológicas, musculares, farmacológica, anatômicas, esofagianas, etc.

Vamos descrever sucintamente as principais causas da disfagia.

Não tente se autodiagnosticar a partir das explicações abaixo, pois as causas são diversas e o diagnostico da disfagia sem a realização de exames complementares pode ser difícil até para os médicos.

Se você tem dificuldade para engolir, não adianta querer ficar tentando adivinhar o que tem, o correto é procurar logo ajuda profissional, pois algumas causas de disfagia são graves, mas podem ter tratamento eficaz se diagnosticadas precocemente.

Obstruções físicas da faringe ou do esôfago

Uma causa comum de dificuldade para engolir é a presença de um obstáculo físico à passagem do alimento pela faringe ou esôfago.

Esse obstáculo pode ser desde um tumor maligno ou benigno na faringe ou dentro da luz do esôfago (chamamos de luz do esôfago a parte central e oca do órgão, que é por onde a comida passa) até reduções do calibre interno do esôfago provocadas por inflamações ou pelo desenvolvimento de cicatrizes no seu interior.

Algumas causas de disfagia por obstrução física da faringe ou do esôfago são:

  • Tumores do esôfago ou da faringe – câncer do esôfago é uma causa comum de dificuldade para engolir.
  • Tumores do pescoço – tumores ao redor da faringe ou do esôfago, como tumores da tireoide, podem, raramente, ser causa de disfagia.
  • Redução do calibre do esôfago – geralmente é causado por cicatrizes provocadas por quadros de esofagite (inflamação do esôfago) de longa data, secundária à doença do refluxo gastroesofágico.
  • Anel de Schatzki – é um estreitamento do esôfago de causa benigna, provocado pelo aparecimento de lesões em forma de anel dentro do órgão.
  • Divertículos do esôfago – divertículos são pequenos sacos que se formam dentro da luz do esôfago, que podem se encher de alimentos e provocar obstrução da passagem. O mais famosos é o chamado divertículo de Zenker, que surge geralmente no terço superior do esôfago.
  • Má formações do esôfago – deve se desconfiar quando a dificuldade para engolir surge logo nos primeiros anos de vida.
  • Radioterapia – pacientes submetidos à radioterapia para tumores do pescoço ou tórax podem desenvolver, como efeito colateral, lesões constrictivas do esôfago.
  • Esofagite infecciosa – inflamações do esôfago por infecções, como herpes, candidíase ou citomegalovírus, podem provocar inflamação da parede interna e dificultar a passagem dos alimentos.
  • Membrana esofágica – As membranas esofágicas (síndrome de Plummer-Vinson) são membranas finas que se desenvolvem no interior do esófago, habitualmente em pacientes com anemia por carência de ferro.
  • Esofagite eosinofílica – é uma doença que ocorre por infiltração da parede do esôfago por eosinófilos, um dos grupos de células de defesa do sistema imunológico. Esse ataque torna a parede do esôfago inflamada e rígida, impedindo a passagem de bolos alimentares mais volumosos.

A causa mais comum de disfagia súbita é a impactação de um alimento dentro do esôfago, geralmente um grande pedaço de carne. Isso costuma ocorrer quando o paciente já apresenta alguma pequena lesão dentro do esôfago, como anéis , estricturas ou membranas, que não causam problemas quando o bolo alimentar é pequeno, mas podem impedir a passagem de grandes pedaços de carne.

Causas de origem neurológica

Todo o processo de deglutição é controlado pelo sistema nervosos central, inicialmente de forma voluntária e consciente, e a partir da fase faríngea, de forma involuntária e inconsciente.

Doenças neurológicas, portanto, podem causar dificuldade para engolir, não só por atrapalhar o ato de mastigar quanto por impedir a movimentação adequada da língua e dos músculos da orofaringe na hora da deglutição.

Algumas doenças que podem provocar uma disfagia de origem neurológica são:

Doenças do músculo do esôfago

O esôfago é um órgão revestido por músculos que se contraem de forma sincronizada para empurrar os alimentos em direção ao estômago. Doenças que acometam essa musculatura costumam causar distúrbios no transporte do bolo alimentar através do esôfago.

Algumas doenças que provocam dificuldade para engolir por acometerem a musculatura do esôfago são:

Outras causas de dificuldade para engolir

As doenças descritas acima são apenas algumas das causas de disfagia. Existem muitas outras, inclusive medicamentos, como cloreto de potássio, anti-inflamatórios e alguns tipos de antibióticos (doxiciclina, clindamicina e tetraciclina).

Uma hipótese diagnóstica que deve ser lembrada, principalmente quando todos os exames se mostram normais, é a chamada disfagia funcional, que é uma dificuldade para engolir sem que haja qualquer doença que a justifique. Este diagnóstico é um diagnóstico de exclusão, o que significa que ele só pode ser dado após o médico ter descartado a existência de qualquer doença que justifique os sintomas.

Sintomas

Todos os pacientes com disfagia têm uma queixa em comum: sensação de dificuldade para engolir. Porém, a forma como cada paciente descreve a sua disfagia costuma variar de acordo com a origem do problema.

Pacientes com disfagia por transtornos na orofaringe geralmente queixam-se de dificuldade para iniciar a deglutição. Quando questionados em que ponto especificamente sentem dificuldade para deglutir, a região do pescoço costuma ser a apontada.

Este tipo de disfagia costuma vir acompanhada de outros sintomas, tais como salivação excessiva, derramamento do alimento, necessidade de engolir pequenos bolos de comida de forma repetida, rouquidão, engasgo frequente, tosse ao comer ou dificuldade para falar.

A aspiração de alimentos é uma das complicações possíveis da disfagia de origem orofaríngea, o que pode levar a quadros de infecção pulmonar.

Por outro lado, quando a disfagia tem origem no esôfago, os sintomas costumam ser bem diferentes. O paciente não tem dificuldade para engolir a comida, mas, segundos depois do alimento ter sido deglutido, ele sente uma sensação de que o bolo alimento empacou. Quando questionados em que ponto especificamente sentem dificuldade para deglutir, a região do peito é geralmente a mais apontada.

Quando os pacientes apresentam uma disfagia sugestiva de origem esofágica, alguns detalhes precisam ser elucidados. Por exemplo, se a disfagia ocorre de forma semelhante para líquidos e sólidos, o problema é provavelmente devido a uma desordem da motilidade do esôfago.

Em contraste, se a disfagia for predominantemente para sólidos, ou se for uma disfagia que iniciou com sólidos, mas com o tempo foi evoluindo também para líquidos, o mais provável é que haja uma obstrução mecânica em crescimento, como um tumor, por exemplo.

Sintomas associados à dificuldade de engolir, como azia, perda de peso, vômito sanguinolento, anemia ou regurgitação frequente de alimentos não digeridos também ajudam a definir as causas mais prováveis.

Diagnóstico

O médico indicado para investigar casos de disfagia é o gastroenterologista. Se a disfagia for claramente de origem orofaríngea, o médico otorrinolaringologista também pode ajudar na investigação.

Em geral, o primeiro exame a ser solicitado é a endoscopia digestiva, que é capaz de diagnosticar diversas causas de disfagia, tais como a presença de tumores, anéis, membranas, esofagite e divertículos. Se a endoscopia for normal, exames como a esofagografia com bário ou a manometria esofágica costumam ser o próximo passo.

Tratamento

Como a disfagia é um sintoma, e não uma doença, o seu tratamento depende, obviamente, da sua causa. Doenças completamente distintas, como tumores, AVC e refluxo gastroesofágico podem até apresentar sintomas semelhantes, mas o seu tratamento é completamente diferente.

Portanto, sem ter um diagnóstico estabelecido, não é possível indicar um tratamento adequado para a disfagia do paciente.

Источник: https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/disfagia-dificuldade-para-engolir/

Disfagia: causas sintomas e tratamentos

DISFAGIA (dificuldade para engolir)

Você já deve ter se engasgado ou ficado com a comida presa na garganta, em algum momento da sua vida, certo? Quem já passou por isso sabe como esses momentos são incômodos e, até mesmo, desesperadores. Agora, imagine passar por isso todos os dias. Estamos falando da disfagia, uma complicação que pode levar a uma série de problemas, se não for tratada adequadamente.

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Mastigar e engolir alimentos parece um processo simples, mas é bastante complexo. O processo envolve vários nervos e músculos do nosso corpo. Quando colocamos a comida na boca, produzimos saliva para facilitar a mastigação. E, no momento em que chega ao ponto de um bolus macio, estamos prontos para engolir. 

Para que isso ocorra, a língua empurra o alimento para a parte de trás da boca, onde vai descer pela faringe. Após esse momento, a laringe se fecha, para que o alimento não desça pela traqueia e penetre nos pulmões. Em seguida, a comida vai para o esôfago, onde é empurrada até o estômago. Mas, na disfagia, não acontece nada disso. Entenda melhor!

O que é disfagia?

A disfagia é caracterizada pela alteração na deglutição, causando dificuldade para mastigar e engolir alimentos ou líquidos. Apesar de poder acometer pacientes de qualquer idade, o problema atinge, principalmente, pessoas idosas. 

Existem quatro tipos de disfagia:

  1. Disfagia orofaríngea: geralmente causada por doenças neurais, sobretudo o AVC, provoca alterações na fase oral e faríngea. Neste caso, o paciente apresenta maior dificuldade para engolir líquidos.
  2. Disfagia cardíaca: relacionada à doenças cardíacas, esta condição comprime o esôfago, criando dificuldades para engolir e para que o alimento chegue até o estômago.
  3. Disfagia esofágica: provoca alterações na mobilidade do esôfago, em decorrência de obstruções mecânicas, situações que dificultam ou bloqueiam a passagem de alimentos e líquidos pelo intestino.
  4. Disfagia botulínica: em tratamentos na região da cabeça e pescoço que exigem aplicações de toxina botulínica, pode haver penetração da substância nos músculos da faringe, ocasionando a disfagia.

Causas da disfagia

Geralmente, a disfagia é causada como consequência de alguma doença. Dentre as principais, podemos citar:

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC);
  • Câncer de cabeça e pescoço;
  • Traumas cranianos;
  • Doenças neuromusculares;
  • Paralisia cerebral;
  • Doença de Parkinson;
  • Dentre outras.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações mais graves da disfagia, como desidratação e problemas respiratórios. Quando há suspeita de disfagia, o médico responsável analisa o histórico de vida do paciente e pode solicitar uma endoscopia digestiva, para identificar as causas do problema.

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do quadro do paciente. Em casos mais simples, é possível tratar a disfagia com exercícios musculares, para melhorar a dinâmica da deglutição, devendo receber acompanhamento multidisciplinar de um otorrino e um fonoaudiólogo.

Já nos casos mais graves, é necessário o uso de um tubo para esticar o esôfago. Dependendo do paciente, pode ser recomendado um procedimento cirúrgico para realizar a desobstrução do caminho esofágico.

Como conviver com a disfagia?

Algumas mudanças nos hábitos diários, principalmente na hora de se alimentar ou ingerir líquidos, podem contribuir para amenizar o quadro de disfagia. Confira o que pode ser feito.

  • Mastigue os alimentos corretamente;
  • mantenha a postura ereta enquanto come;
  • evite comer com pressa;
  • evite se alimentar sem alguém por perto.

Restou alguma dúvida? Entre em contato conosco e mande sua pergunta. Aproveite, também, para ler nosso artigo sobre os principais exames para nariz, ouvido e garganta.

Источник: https://cdo.com.br/disfagia-causas-sintomas-e-tratamentos/

A Disfagia pode ser um sintoma da Miastenia Gravis

DISFAGIA (dificuldade para engolir)

Sintomas Postado em 11/07/2019

A dificuldade de engolir, que é a chamada Disfagia, é um dos sintomas frequentes entre as pessoas que sofrem de Miastenia Gravis. O que acontece nesses casos é que os alimentos e até líquidos não seguem de forma natural o percurso da garganta (faringe) passando pelo esôfago, que é como um duto até o estômago. 

A deglutição, como é chamado o ato de engolir alimentos e líquidos, é uma ação automática. Comandada pelo cérebro, a ação tem a função de levar o que colocamos na boca, mastigado ou não, até o estômago. Também serve para “limpar” as vias respiratórias.

Entretanto, não é simples o processo de engolir. Envolve diversos músculos pequenos na região, que funcionam de forma coordenada pelo cérebro.

É como uma orquestra: o cérebro é o maestro e os músculos são os músicos, que tocam seus respectivos instrumentos (realizam seu trabalho no processo).

Alguns desses músculos precisam se contrair, e não de forma aleatória: cada um precisa de uma força diferente e entra em cena em uma ordem sequencial.

Assim, o alimento (ou líquido) segue um curso da boca para a garganta, que tem que descer para o esôfago; e a parte inferior deste último tem então que relaxar, permitindo a passagem do alimento para o estômago.

Qual a relação da disfagia com a Miastenia Gravis?

Como a Miastenia Gravis impede o pleno funcionamento do comando do cérebro para os nervos e os músculos realizarem uma determinada ação, se ela se manifestar na região da orofaringe – que vai da base da língua até o final da garganta, passando pelo palato mole, amígdalas e toda a lateral da garganta –, a pessoa não consegue ou tem dificuldades para engolir. Isso porque os músculos envolvidos ou perdem a força subitamente, ou não atuam como deveriam.

A fraqueza que dificulta o ato de engolir costuma também ser vinculada à disfunção bulbar, que reúnem os músculos da deglutição, da fala, do movimento da mandíbula, língua e lábios.

Na Miastenia Gravis, alguns pacientes podem sentir somente um desconforto ao engolir, enquanto outros sentem como se a garganta estivesse totalmente bloqueada, inclusive podendo causar dores na região. Outros ainda podem ter a sensação de que o que foi ingerido fica preso no meio do caminho, sem conseguir chegar ao estômago.

A fraqueza dos músculos, na MG, pode ser súbita, ocorrendo aparentemente sem uma explicação, ou intermitente, com episódios de durações variáveis, de minutos a semanas. 

Outros sintomas:

Geralmente, a dificuldade para engolir nos miastênicos não é um sintoma isolado. Na maioria das vezes, ele está acompanhado de um ou mais sintomas, tais como:

  • fraqueza no braço ou na perna quando o músculo é intensamente utilizado e que melhora com o descanso; 
  • pálpebra caída (ptose); 
  • visão dupla ou borrada; 
  • dificuldade para falar e/ou mastigar; 
  • fadiga extrema generalizada que impede a pessoa de fazer qualquer coisa; 
  • voz anasalada;
  • regurgitação de líquidos e sólidos pelo nariz;
  • dificuldade para respirar, entre outros.

Não há números oficiais, mas estima-se que a disfagia seja o primeiro sintoma de Miastenia Gravis em 27% dos pacientes. Outra estimativa aponta para o universo de cerca de 63% miastênicos diagnosticados que sofrem com a dificuldade de engolir, em algum momento do decorrer da doença, a qual não tem cura, mas conta com tratamento para os sintomas. 

Outras possíveis causas

Considerada uma doença rara, a Miastenia Gravis é um distúrbio neuromuscular. Entre os distúrbios musculares, a dificuldade de engolir pode estar ligada a doenças como a dermatomiosite (que além de fraqueza muscular, também provoca erupções vermelhas na pele) e a distrofia muscular (doenças genéticas que causam fraqueza progressiva e perda de massa muscular).

A Disfagia também pode ocorrer em pacientes com distúrbios cerebrais ou do sistema nervoso e nos distúrbios do esôfago. No primeiro deles, está o acidente vascular cerebral (AVC), a doença de Parkinson, a esclerose múltipla e esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Já os distúrbios do esôfago, caracterizados por um bloqueio físico, pode ser consequência de câncer nesse órgão ou cicatrizes causadas por refluxo, entre outras. Há ainda aqueles caracterizados por redução das contrações e relaxamento do esôfago, cuja causa costuma ser a esclerose sistêmica.

Algumas vezes, não há doenças associadas à dificuldade de engolir, apenas maus hábitos. Entre eles, engolir pedaços grandes de alimento, não mastigar suficientemente, falta de saliva (boca seca), comida ou bebida muito quente. 

Disfagia em idosos

O envelhecimento reduz, naturalmente, a capacidade de engolir e mastigar, mesmo nos idosos saudáveis. Então, é normal a perda da força e da coordenação da mastigação conforme a idade avança. Apesar disso, a maior incidência de Miastenia Gravis em homens ocorre após os 60 anos, com pico entre 70 e 75 anos de idade. 

Como o problema da disfagia pode ser decorrente de uma série de doenças ou até hábitos errados, somente um médico é capaz de traçar um diagnóstico correto. Então, se você ou um ente querido está tendo dificuldades para engolir, é bom compartilhar com um médico, preferencialmente um neurologista com experiência em doenças raras.

Источник: https://www.miastenia.com.br/sintomas/a-disfagia-pode-ser-um-sintoma-da-miastenia-gravis/

Dificuldade para engolir: tratamentos e causas

DISFAGIA (dificuldade para engolir)

Quem já passou pela situação nada agradável de ficar com um alimento preso na garganta sabe o quanto é aflitivo o momento. O paralisante mal-estar também se estende quando o que foi ingerido “não desce”, provocando o engasgamento, ou então com uma tosse que dispara bem na hora da primeira garfada de uma refeição.

A dificuldade de engolir os alimentos tem um nome: disfagia. O problema, que atinge principalmente os idosos, indica a alteração na deglutição e pode acarretar em sérios riscos se não for tratada. A disfagia não é uma doença, mas sim um sinal de algum mau funcionamento do esôfago.

Ela pode ser causada por distúrbios de ordem neurológicas, mecânicas, psicológicas e também pode decorrer do envelhecimento natural.

Causas

A dificuldade para engolir pode ser causada por inúmeras e diferentes razões. Veja alguns exemplos:

  • Doença da coluna cervical
  • Distúrbio emocional ou ansiedade
  • Comissuras esofágicas
  • Estreitamentos decorrentes de exposição à radiação, substâncias químicas, medicamentos, inflamação crônica ou úlceras
  • Anel esofágico interior (também conhecido como Anel de Schatzki)
  • Tumores
  • Divertículo de Zenker
  • Acalasia
  • Esclerose amiotrófica lateral
  • Espasmo esofágico
  • Sífilis
  • Miastenia grave
  • Distrofia muscular
  • Esclerose múltipla
  • Esôfago em quebra-nozes
  • Doença de Parkinson
  • Polimiosite
  • Esclerodermia
  • AVC.

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Referências

Ricardo Darriba, gastroenterologista

Ministério da Saúde

Federação Brasileira de Gastroenterologia

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Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar a dificuldade para engolir são:

  • Clínico geral
  • Otorrinolaringologista
  • Gastroenterologista

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

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  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando a dificuldade para engolir começou?
  • O problema foi piorando com o passar do tempo?
  • Você sente outros sintomas? Quais?
  • Você sente dor?
  • Você foi diagnosticado recentemente com algum problema de saúde? Qual?
  • Você faz uso de algum tipo de medicamento? Qual?
  • Você foi exposto à radiação ou à qualquer outra substância química?
  • Você tomou alguma medida para aliviar os sintomas? Funcionou?

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Buscando ajuda médica

A dificuldade de engolir substâncias líquidas ou sólidas não deve ser negligenciada, mesmo que o problema pareça algo banal. A disfagia pode ser um sintoma de doenças graves, como o câncer de esôfago e o megaesôfago. Quanto mais cedo o distúrbio for diagnosticado, menos chances ele tem de provocar danos irreversíveis.

Passar muito tempo subestimando os sinais do corpo pode ser crucial antes do agravamento de outras complicações. A disfagia denuncia que algo não vai bem no organismo. Para detectar o mal basta fazer uma endoscopia. Em casos de câncer de estômago, ao procurar o médico em estágio inicial, há grandes possibilidades de iniciar um tratamento bem sucedido.

O diagnóstico é fundamental para ampliar as possibilidades de resolução de complicações sérias. Em alguns casos é necessário fazer cirurgias para a retirada do esôfago.

No entanto, as intervenções cirúrgicas devem ser feitas em estágios iniciais. Daí a importância de consultar um médico antes de o mal se alastrar.

Quando a dificuldade para engolir não é tratada ela pode desencadear uma série de problemas, como desidratação, problemas respiratórios e até desnutrição.

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Cuidados

Tratar a dificuldade para engolir requer alguns cuidados, mas a tarefa está distante de ser considerada difícil. Para evitar a desnutrição e engasgamentos consecutivos especialistas recomendam a adaptação da alimentação.

Os alimentos sólidos devem ser triturados ou esmagados junto com líquido para que possam ser engolidos com facilidade. Já as refeições frias, como iogurte e vitaminas, podem aliviar a dor provocada pelo distúrbio. Variar o cardápio é importante.

A disfagia pode diminuir o apetite, portanto, garantir os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo é fundamental.

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/dificuldade-para-engolir

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