Doença de Graves: o que é, principais sintomas e tratamento

Hipertireoidismo

Doença de Graves: o que é, principais sintomas e tratamento

Versão original publicada na obra Fochesatto Filho L, Barros E. Medicina Interna na Prática Clínica. Porto Alegre: Artmed; 2013.

Caso Clínico

Uma paciente do sexo feminino, 42 anos, branca e tabagista, procura o serviço de emergência por sentir palpitações. Também apresenta astenia, emagrecimento, tremores nas mãos, sudorese excessiva e aumento do número de evacuações há cerca de cinco meses. A paciente relata que sua irmã tem hipertireoidismo.

Ao realizar exame físico, constata-se exoftalmia, pele quente e úmida, bócio tireoidiano levemente lobulado e com sopro audível, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 150/80 mmHg, lesão de pele tipo placa de coloração violácea e aspecto semelhante ao de casca de laranja na região pré-tibial.

 Em vista do quadro clínico, solicitam-se dosagens séricas de hormônio tireoestimulante (TSH), tiroxina livre (T4L) e tri-iodotironina (T3).

Definição

O hipertireoidismo é o funcionamento excessivo da tireoide, resultando na produção excessiva de hormônio tireoidiano, seja por estímulo tireotrófico ou por função autônoma do tecido tireoidiano. O excesso circulante de hormônio tireoidiano causa a síndrome clínica denominada tireotoxicose.

A tireotoxicose é a síndrome clínica ocasionada devido ao excesso de hormônio tireoidiano circulante, que pode decorrer tanto do funcionamento excessivo da tireoide (hipertireoidismo) quanto da liberação de hormônios tireoidianos por destruição da glândula (tireoidites).

As principais etiologias de tireotoxicose são estados de hipertireoidismo, como os seguintes:

•Doença de Graves

•Bócio multinodular tóxico

•Adenoma tóxico

Epidemiologia

A incidência de hipertireoidismo é mais frequente em mulheres (cinco para cada homem) e em tabagistas. A prevalência geral, que é de aproximadamente 1%, aumenta para 4 a 5% em mulheres idosas. O hipertireoidismo subclínico ocorre em 0,3 a 1% da população e em 2% dos idosos.

Entre as diversas causas de hipertireoidismo, a doença de Graves representa a etiologia mais comum, correspondendo a 60 a 80% dos casos de tireotoxicose. Sua prevalência é incerta, mas estima-se que afete 0,4 a 1% da população. Essa doença é de 5 a 10 vezes mais frequente em pacientes do sexo feminino, sendo seu pico de incidência entre os 20 e os 40 anos.

A prevalência do bócio nodular tóxico é, em geral, maior em áreas com carência de iodo na alimentação, podendo corresponder a mais de 30% dos casos de hipertireoidismo, ao contrário das regiões suficientes em iodo, nas quais a doença de Graves é bem mais prevalente. Além disso, a prevalência de bócio nodular tóxico aumenta com a idade.

Etiologia

As duas causas mais comuns de hipertireoidismo, em ordem decrescente, são a doença de Graves e o bócio nodular tóxico. Nas duas situações, há produção autônoma de hormônios tireoidianos – tri-iodotironina(T3) e tiroxina (T4) –, ou seja, independente do estímulo do hormônio estimulador da tireoide (TSH).

As principais causas de tireotoxicose estão citadas no Quadro 22.1.

Na doença de Graves, imunoglobulinas estimuladoras da tireoide produzidas pelos linfócitos B ligam-se e ativam o receptor de TSH, promovendo secreção de hormônio tireoidiano e crescimento da glândula tireoide. Na Figura 22.1, tem-se um esquema da patogênese do hipertireoidismo na doença de Graves.

O fenômeno de Jod-Basedow é o hipertireoidismo induzido por iodo.

Ele remete especificamente à doença de Graves induzida pelo iodo, mas é utilizado com frequência para fazer referência a qualquer tipo de hipertireoidismo induzido por essa substância.

Esse fenômeno ocorre a partir de dois padrões de disfunção tireoidiana subjacentes: pacientes com bócio nodular com áreas de autonomia e indivíduos com anticorpos antirreceptor do TSH do tipo estimulatório.

A gonadotrofina coriônica humana, uma glicoproteína com alta homologia com o TSH, pode causar hipertireoidismo gestacional transitório. Esse tipo de hipertireoidismo pode também ocorrer na presença de coriocarcinoma, gestação molar ou tumor de células germinativas.

Sinais e Sintomas

A sintomatologia depende da gravidade da tireotoxicose, da duração da doença, da suscetibilidade individual ao excesso de hormônio tireoidiano e da idade do paciente.

Os principais sintomas, sinais e achados de exames complementares, que não os de função tireoidiana, estão citados no Quadro 22.2.

hipertireoidismo apatético: quadro mascarado de tireotoxicose que ocorre em idosos. Caracteriza-se por astenia, emagrecimento, depressão e ausência de sinais simpaticomiméticos, como taquicardia e tremores.

Fonte: Adaptado de Goldman e Ausiello.¹

Crise tireotóxica: síndrome resultante de tireotoxicose grave e sustentada, que pode ser precipitada por doença aguda, cirurgia ou tratamento com iodo radioativo. Caracteriza-se por febre, taquiarritmias atriais, insuficiência cardíaca, náusea e vômito, diarreia e convulsões. Podem haver alterações do estado mental, como agitação, delirium, psicose e coma.

Os achados clínicos, como os que estão a seguir, também podem fornecem uma indicação da causa da tireotoxicose:

Doença de Graves: oftalmopatia e dermopatia são patognomônicos. No Quadro 22.3, constam os achados específicos dessa doença.

Bócio nodular tóxico: um ou mais nódulos discretos podem ser palpados.

Tireoidite subaguda: tireoide modestamente aumentada, muito sensível e firme. Uma gravidez recente sugere a possibilidade de tireoidite indolor. (Ver Capítulo Tireoidites.)

Adenomas hipofisários secretores de TSH: sinais e sintomas decorrentes da presença de uma massa selar expansiva, síndromes associadas a cossecreção de outros hormônios de hipófise anterior (hormônio de cresci mento, prolactina ou hormônio adrenocorticotrófico) ou hipopituitarismo.

Figura 22.1

Esquema da patogênese do hipertireoidismo na doença de Graves.

Diagnóstico

Quando há sintomas clássicos de tireotoxicose, incluindo perda de peso mesmo com muito apetite, intolerância ao calor, palpitações, tremores e hiperdefecação, o diagnóstico clínico é mais fácil. No entanto, ele pode ser dificultado por apresentação de sintomas comuns inespecíficos.

No adenoma hipofisário secretor de TSH, também são evidenciados níveis elevados de subunidade alfa do TSH (Tab. 22.1), bem como tumor hipofisário na tomografia computadorizada ou na ressonância magnética.

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Fonte: Adaptada de Paauw.²

Na Figura 22.2, tem-se um fluxograma para avaliação diagnóstica de pacientes com hipertireodismo.

Confirmado o diagnóstico de tireotoxicose, é importante definir sua causa de base para determinar o tratamento mais adequado.

A presença de anticorpo antirreceptor do TSH (TRAb) é específica para doença de Graves, indicando doença ativa.

A ultrassonografia de tireoide pode confirmar a presença de um nódulo solitário ou múltiplos nódulos tireoidianos. Radiografia e tomografia de tórax podem evidenciar um bócio subesternal.

Na cintilografia de tireoide, a captação de radiotraçador pode ajudar a definir o diagnóstico (Tab. 22.2).

Figura 22.2

Fluxograma para avaliação diagnóstica de pacientes com hipertireoidismo.

diminuído; aumentado; normal.

Fonte: Adaptada de Goldman e Ausiello.¹

Tratamento

Para a escolha do tratamento, deve-se considerar a etiologia de base da tireotoxicose.

As principais modalidades terapêuticas são as seguintes:

Betabloqueadores: ajudam a aliviar as manifestações simpaticomiméticas (p. ex., palpitações, tremores, ansiedade) da tireotoxicose, independente da etiologia de base.

Drogas antitireoidianas: o mecanismo de ação das tionamidas (metimazol e propiltiouracil) está esquematizado na Figura 22.3.

O propiltiouracil e o metimazol inibem a função da tireoperoxidase, reduzindo a oxidação e a organificação do iodo.

Em vista disso, ambos são utilizados para o tratamento de tireotoxicose causada por produção glandular excessiva de hormônio tireoidiano em casos em que há possibilidade de remissão do hipertireoidismo ou quando a tireotoxicose deve ser atenuada antes do tratamento com radioiodo ou cirurgia.

Iodo radioativo: causa destruição progressiva das células tireoidianas e pode ser usado como tratamento inicial ou em recaídas após terapia com drogas antitireoidianas.

Outras drogas: solução de Lugol (potássio iodado), contrastes radiológicos iodados e glicocorticoides são administrados em combinação com tionamidas para tratar pacientes com tireotoxicose grave.

Tratamento cirúrgico: indicado em casos de bócios muito volumosos, presença de sintomas compressivos locais, nódulos com suspeita de malignidade, preferência do paciente, contraindicação a outras terapias.

Os principais efeitos adversos dos tratamentos para tireotoxicose estão listados na Tabela 22.3.

O tratamento da oftalmopatia inclui lágrimas artificiais, óculos escuros, cabeceira da cama elevada e tam pões oculares para dormir, glicocorticoides, irradiação da órbita, cirurgia.

O tratamento da dermopatia da doença de Graves inclui curativos com glicocorticoides tópicos.

Figura 22.3

Mecanismo de ação das tionamidas.

Caso Clínico Comentado

O caso relatado neste capítulo é caracterizado por achados clássicos de hipertireoidismo e especificamente de doença de Graves. O sopro tireoidiano, a exoftalmia e a lesão pré-tibial (mixedema pré-tibial) são achados típicos dessa doença autoimune. O tabagismo e a história familiar são considerados fatores de risco para doença de Graves.

Níveis suprimidos de TSH e elevados de T4 livre e T3 confirmaram o diagnóstico de hipertireoidismo, e presença de anticorpos antirreceptor do TSH (TRAb) e captação difusamente aumentada e homogênea de radiotraçador na cintilografia de tireoide corroboraram para o diagnóstico clínico de doença de Graves.

Com relação ao tratamento da doença de Graves, de 10 a 20% dos pacientes apresentam remissão espontânea, e cerca de 50% tornam-se hipotireóideos após 20 a 30 anos sem qualquer tratamento (por destruição da tireoide pelo processo autoimune).

Referências

1.Goldman L, Ausiello D, editors. Cecil medicine. 23rd. ed. Philadelphia: Saunders; 2008.

2.Paauw D, editor. Basic boards 2: enhancement to MKSAP. Philadelphia: ACP; 2009.

Leituras Recomendadas

Bandeira F, Graf H, Griz L, Faria M, Lazaretti-Castro M, editores. Endocrinologia e diabetes. 2. ed. Rio de Janeiro: Medbook; 2009.

Gregory A. Clinical practice. Graves’ disease. N Engl J Med.2008;358(24):2594-605.

Kasper D, Fauci A, Longo DL, Braunwald E, Hauser SL, Jameson JL, editor. Harrison´s principles of internal medicine. 16th ed. New York:McGraw-Hill; 2005.

Kronenberg HM, Melmed S, Polonsky KS, Larsen PR, editors. Williams tratado de endocrinologia. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2010.

Pearce EN. Diagnosis and management of thyrotoxicosis. BMJ.2006;332(7554):1369-73.

Vilar L, editor. Endocrinologia clínica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.

Warrell DA, Cox TM, Firth JD, Benz EJ Jr, editors. Oxford textbook of medicine. 4th ed. Oxford: Oxford University; 2005.

Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/5607/hipertireoidismo.htm

HIPERTIROIDISMO (Doença de Graves)

Doença de Graves: o que é, principais sintomas e tratamento

O hipertireoidismo, cuja principal causa é a doença de Graves, é a condição na qual existe um funcionamento inapropriado da glândula tireoide (também chamada de tiroide), levando a uma produção excessiva de hormônios.

Os hormônios tireoidianos são os responsáveis pelo metabolismo do corpo, ou seja, pelo modo como as células utilizam os nutrientes para gerar energia.

Uma produção excessiva de hormônios pela tireoide provoca uma aceleração em todo metabolismo, provocando sintomas tais como coração acelerado, perda de peso, suores, tremores, calor, etc.

Como surge?

A tireoide produz dois hormônios chamados triiodotironina e tiroxina, mais conhecidos como T3 e T4. Esses hormônios controlam nosso metabolismo e são responsáveis, entre outros, pelo nosso gasto calórico, pela temperatura corporal, pelo nosso ganho de peso, etc.

Leia os próximos dois parágrafos com calma, acompanhando a figura abaixo.

Funcionamento da tireoide

A glândula pituitária ou hipófise é um órgão que se localiza na base do cérebro e controla o grau de funcionamento da tireoide através de um hormônio chamado TSH (em inglês, Hormônio Estimulador da Tireoide). A presença do TSH no sangue estimula o funcionamento da tireoide; a ausência de TSH a inibe.

Quando existe pouco hormônio tireoidiano circulante, a hipófise detecta essa queda e imediatamente aumenta a secreção de TSH, estimulando uma maior produção de T3 e T4 pela tireoide. Quando existe muito hormônio circulante, ela diminui a secreção de TSH, desestimulando a tireoide a produzir T3 e T4. Assim, o organismo consegue manter seu metabolismo sempre em um nível ideal.

O hipertireoidismo ocorre , portanto, quando há um excesso de T3 e T4 na circulação, que não consegue ser corrigido pelos mecanismos normais. Isto pode ocorrer de duas maneiras:

1- Um problema na hipófise fazendo com que esta se descontrole e produza muito TSH, que por sua vez, estimula a tireoide a produzir T3 e T4 indefinidamente.

Quando a causa do hipertireoidismo é central, ou seja, uma hipófise mal funcionante, teremos um TSH muito alto associado a um T4 também muito elevado.

2- A tireoide se torna um órgão independente, produzindo T3 e T4 ao seu bel prazer, ignorando os níveis de TSH sanguíneo.

Quando o problema está na própria tireoide, a primeira coisa que a hipófise faz quando detecta altos níveis de hormônios é suspender a produção de TSH. Portanto, teremos uma TSH muito baixo, porém, ainda assim, um T4 muito elevado.

Obs: na prática clínica dosamos o T4 livre (T4L) que é o fração do hormônio quimicamente ativa.

→ Para saber mais sobre o TSH, T3 e T4, leia: TSH E T4 LIVRE – Exames da tireoide.

Sintomas

Independentemente da causa, os sintomas do hipertireoidismo são sempre causados pelo excesso de T4L circulante, o que é uma consequência comum, seja por problema central ou na própria tireoide.

O excesso de hormônio tireoidiano pode causar:

  • Ansiedade e irritabilidade.
  • Insônia.
  • Perda de peso sem perda do apetite (às vezes há aumento do apetite).
  • Taquicardia = aumento da frequência cardíaca acima dos 100 batimentos por minuto.
  • Arritmias cardíacas.
  • Tremores nas mãos.
  • Retração das pálpebras.
  • Suores e calor excessivo.
  • Perda de força muscular.
  • Diarreia ou aumento do número de evacuações.
  • Diminuição ou cessação da menstruação.
  • Bócio.

O bócio, último sinal descrito acima, ocorre quando há aumento do tamanho da glândula tireoide. Este crescimento é comum quando há um estímulo permanente para produção de T3 e T4, podendo ser notado clinicamente como um abaulamento no pescoço.

Informações em vídeo sobre a tireoide

No vídeo abaixo explicamos de forma simples como surgem os sintomas das doenças da tireoide.

O que é a doença de Graves?

A causa mais comum de hipertireoidismo é a doença de Graves. Esta doença é um processo auto-imune no qual o corpo inapropriadamente passa a produzir anticorpos contra a própria tireoide.

Estes anticorpos atacam, na verdade, os receptores do TSH, fazendo com que a tireoide pense que há excesso de TSH na circulação sanguínea.

O resultado final é a liberação excessiva de hormônios tireoidianos.

A doença de graves é até 8 vezes mais comum em mulheres e costuma ocorrer entre os 20 e 40 anos de idade.

Oftalmopatia de Graves

Além de todos os sinais e sintomas descritos anteriormente, o hipertireoidismo provocado pela doença de Graves pode apresentar a chamada oftalmopatia de Graves, que é uma lesão ocular típica dessa doença.

Os anticorpos atacam não só a tireoide, mas também os músculos e o tecido gorduroso da região ao redor dos olhos. Essa agressão causa lesão e edema da musculatura extraocular, levando a uma protusão do olho, além de inchaço e inflamação ao seu redor (edema periorbital).

O paciente com oftalmopatia de Graves pode também apresentar visão dupla, irritação constante nos olhos, dor ocular, visão borrado e, em casos mais graves, cegueira.

Algumas pessoas têm olhos naturalmente mais protuberantes. Além disso, o próprio excesso de hormônios tiroidianos pode levar a uma retração da pálpebra. Porém, na oftalmopatia de Graves a protusão é tão importante que é possível ver o branco dos olhos (esclera), acima e abaixo da íris, como exemplificado abaixo.

Uma manifestação mais rara da doença de Graves é a dermopatia, chamada de mixedema, que ocorre por infiltração da pele pelos auto-anticorpos. A pele encontra-se inchada, dura, com nódulos em sua superfície e mais escurecida.

Outras causas de hipertireoidismo

Além da doença de Graves, existem outras causas para hipertireoidismo:

  • Doença de Plummer ou bócio multinodular tóxico: ocorre pela formação de adenomas, tumores benignos, na tireoide. Esses adenomas são quimicamente ativos e produzem T4 e T3 de modo independente da tireoide ou dos níveis de TSH circulantes.
  • Adenoma tóxico: Igual a situação acima, exceto pelo fato de haver apenas um adenoma solitário produzindo os hormônios em excesso.
  • Para saber mais sobre nódulos da tireoide: Nódulo de tireoide – Diagnóstico e como diferenciá-lo do câncer.
  • Tireoidite: ocorre pela inflamação da tireoide. Pode ser devido a infecções virais, causas auto-imunes outras que não doença de Graves, pós-parto, etc.
  • Excesso de hormônio tireoidiano: doentes com hipotireoidismo que fazem reposição excessiva de hormônios, podem apresentar um quadro de hipertireoidismo. Neste caso, basta a correção da dose para que os sintomas desapareçam.
  • Adenomas secretores de TSH: menos de 1% dos casos de hipertireoidismo ocorrem por secreção inapropriada de TSH. A principal causa são os adenomas na hipófise. Apesar de serem tumores benignos, o seu crescimento pode comprimir estruturas cerebrais e causar alterações neurológicas como perda da visão.

O que é hipertireoidismo: causas, sintomas, prevenção e tratamento

Doença de Graves: o que é, principais sintomas e tratamento

O hipertireoidismo é caracterizado por uma disparada na produção dos hormônios da tireoide — a tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4). Esse aumento acelera o metabolismo e causa diferentes sintomas, afetando até as batidas do coração e o funcionamento do sistema nervoso. O tratamento depende de suas causas.

O que é hipertireoidismo

A tireoide é uma glândula em formato de borboleta que fica na região do pescoço e mede cerca de 5 centímetros. Seu funcionamento repercute em todo o organismo e interfere no ritmo dos órgãos. A liberação dos hormônios ocorre a partir de um comando da hipófise, estrutura localizada no cérebro.

Embora seja produzido em menor quantidade, o hormônio T3 é que atua de fato no metabolismo. Já o T4, fabricado em maior volume, é menos potente — e, durante seu trajeto pelo corpo, acaba transformado em T3 para agir nas células.

Com o aumento da quantidade de T3 e T4 na corrente sanguínea, o hipertireoidismo provoca uma aceleração de todo o organismo. O coração, por exemplo, fica agitado e bate mais rápido, o que favorece episódios de taquicardia.

A sobrecarga hormonal também mexe com o cérebro e promove quadros de ansiedade, insônia e nervosismo. A doença ainda pode desregular a digestão e causar intolerância ao calor.

Outra manifestação comum da doença é a exoftalmia, uma alteração nos músculos da parte de trás dos olhos. Não se sabe ainda as causas do problema, mas água e proteínas começam a se acumular no local. Esse volume extra empurra o globo ocular para a frente – o que dá uma impressão de que ele está saltado.

Com o metabolismo acelerado, quem sofre com a disfunção tem um consumo de energia elevado. Para suprir essa constante demanda por combustível, o corpo começa a se desfazer dos estoques de gordura no tecido adiposo. O indivíduo emagrece bastante e de forma rápida.

Um dos gatilhos mais comuns do hipertireoidismo é a doença de Graves, um distúrbio autoimune em que o próprio sistema de defesa ataca a tireoide. Outro motivo da encrenca é a falta de iodo na dieta. Felizmente, esse mineral passou a ser obrigatório no sal de cozinha, o que reduziu o número de casos provocados pela deficiência da substância.

O bócio, um inchaço na altura da garganta, é uma das evidências da falha da tireoide e pode propiciar o hipertireoidismo. O inchaço evidente na região do pescoço é resultado de uma massa que comprime a traqueia e dificulta a respiração.

O quadro, que também está relacionado à falta de iodo, pode ter origem em doenças autoimunes, tumores ou no uso de alguns medicamentos.

Sinais e sintomas

– Olhos saltados

– Taquicardia

– Perda de peso rápida

– Unhas frágeis e quebradiças

– Queda de cabelo

– Agitação

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– Impaciência

– Depressão

Fatores de risco

– Doença de Graves

– Nódulos na tireoide

– Uso irregular de medicamentos contra o hipotireoidismo

– Bócio

A prevenção

O fator alimentar mais importante para a formação dos hormônios T3 e T4 é a ingestão adequada de iodo. Para resguardar a tireoide, são necessários 150 microgramas por dia.

O mineral aparece em boa quantidade no sal de cozinha, em frutos do mar e em peixes como a cavala, o salmão, a pescada e o bacalhau.

O diagnóstico

Além da avaliação clínica e do histórico do paciente, o médico pede exames de sangue para medir as taxas de T3 e T4 na circulação. Se a tireoide estiver acelerada, os hormônios estarão em quantidade elevada.

Geralmente, esses aumentos não são detectados nos primeiros estágios da doença. Para tirar a dúvida, é possível medir os níveis do TSH, hormônio produzido pela hipófise que incentiva o trabalho da tireoide. No hipertireoidismo, o TSH aparece abaixo do normal.

O tratamento

Após o diagnóstico, o endocrinologista leva em consideração as causas do distúrbio, a idade e o estado geral de saúde do paciente para prescrever medicamentos.

Remédios de uso oral bloqueiam a liberação exagerada de hormônios pela tireoide. O esquema de tratamento exige cuidados e um acompanhamento de perto, já que as drogas podem provocar efeitos colaterais na pele e no estômago.

Dependendo do estágio do hipertireoidismo, é possível recorrer à cirurgia para retirar a tireoide ou realizar uma terapia com iodo radioativo, que destrói parte da glândula. Só o especialista poderá definir a melhor estratégia.

Para controlar a exoftalmia, ou a projeção dos olhos, o ideal é procurar o endocrinologista e o oftalmologista. Enquanto o primeiro médico controlará os níveis hormonais, o segundo analisa as estruturas do olho e pode indicar a aplicação de colírios e pomadas lubrificantes que diminuem o desconforto ocular.

Quer um resumo sobre o que é o hipertireoidismo? Nós temos um vídeo sobre isso:

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Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-e-hipertireoidismo-causas-sintomas-prevencao-e-tratamento/

Distúrbios da tireoide: sintomas e diagnósticos – Clínica CEU Diagnósticos

Doença de Graves: o que é, principais sintomas e tratamento

Os distúrbios da tireoide são condições que afetam o bom funcionamento da glândula e podem colocar em risco todo o organismo.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) estima que 60% da população brasileira venham desenvolver algum nódulo nódulos na tireoide, seja criança, adulto ou idoso.

Este dado traz atenção aos cuidados primários com a saúde, que infelizmente ainda são uma deficiência nacional. Por outro lado, nem sempre esses nódulos se tornam malignos –  a estimativa é que desses 5% sejam cancerígenos.

Dados a parte, o controle da tireoide deve estar sempre no acompanhamentomédico de prevenção. Afinal, ela interfere diretamente no funcionamento de diversos órgãos e está ligada ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Portanto, entenda a como funciona a tireoide, quais as principais doenças que a acometem, seus sintomas, tratamentos e exames que as identificam.

A importância da tireoide

A tireoide é o centro de comando do bom funcionamento do organismo. Ela fica localizada na região do pescoço e produz dois hormônios que atuam como mensageiros das funções metabólicas. 

Essas substâncias, conhecidas como triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), circulam na corrente sanguínea, regulando a função dos órgãos, controlando o metabolismo, a transformação de alimentos em energia e a temperatura.

Por outro lado, a função da tireoide é comandada por uma pequena glândula, chamada hipófise. Ela fica uma instalada na base do cérebro e produz um hormônio estimulante da  tireóide (TSH), que leva o órgão a produzir a T3 e a T4.

Além disso, a tireoide age diretamente nas funções de órgãos como o cérebro, coração, rins e fígado, influenciando na fertilidade, ciclo menstrual, emocional, capacidade de concentração, memória e peso.

Principais distúrbios da tireoide

Os distúrbios da tireoide podem se manifestar de diversas formas. Entenda quais são, seus sintomas, tratamentos e exames que as diagnosticam.

Hipertireoidismo e a Doença de Graves

O hipertireoidismo é a condição que leva a tireóide a produzir hormônios excessivamente. Esta é uma das doenças da tireoide mais graves e pode induzir a problemas no coração e nos ossos. 

Ele afeta, sobretudo, a mulheres de 20 a 40 anos, mas também pode se instalar em homens e idosos. Sem sintoma aparente na fase leve, em estágio avançado o hipertireoidismo pode acarretar:

  • Perda de peso sem motivo aparente acompanhada de fadiga;
  • Transpiração e sensação de calor excessivos;
  • Mãos trêmulas e fraqueza muscular;
  • Diarreias frequentes e menstruação irregular;
  • Ansiedade e irritabilidade excessiva.

O hipertireoidismo geralmente é causado pela doença de Graves (crônica, geralmente familiar), uma condição autoimune, que se dá quando o sistema imunológico não reconhece a tireoide, atacando-o. 

O hipertireoidismo pode ser detectado por meio de exame de sangue. Por outro lado, para ir mais a fundo na investigação do problema, um especialista pode solicitar o teste de iodo radioativo, que identifica padrões de absorção da substância pela tireoide. Além disso, um exame de imagem pode ser interessante para estudar a forma do órgão.

Além disso, o tratamento é relativo e depende de aspectos como a condição física da pessoa, sua idade, a causa e gravidade da doença. Podem ser administrados medicamentos antitireoidianos, beta-bloqueadores o iodo radioativo e, em alguns casos, cirurgia para a remoção da tireoide.

Hipotireoidismo e Tireoidite de Hashimoto

Oposto ao hipertireoidismo, o hipotireoidismo é causado pela queda dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina)

Interessante que, na maioria dos casos, a condição é uma resposta a uma inflamação chamada Tireoidite de Hashimoto, doença autoimune. Nela o organismo produz anticorpos contra a tireoide, que por consequência diminui sua capacidade de produção.

Os sintomas são diversos, tais como:

  • Aumento de peso sem motivo aparente;
  • Fadiga e intolerância ao frio;
  • Aumento do fluxo menstrual e colesterol;
  • Queda de cabelos e ressecamento de pele.

O diagnóstico primário acontece pelo exame de sangue e, no caso dos recém-nascidos, pelo  “teste do pezinho”. Geralmente o médico também apalpa o local e recomenda um ultrassom da tireoide ou cervical.

Após a confirmação, o paciente deve dar início ao tratamento segundo orientações médicas, pois se não tratada, a doença pode levar a outros quadros clínicos graves.

Tireoidite pós-parto

A tireoidite pós-parto é um distúrbio frequente, que se desenvolve geralmente no primeiro ano pós-parto. A condição pode se dar de três formas: hipotireoidismo ou hipertireoidismo transitório e hipertireoidismo transitório seguido de hipotireoidismo transitório. 

A doença pode acometer de 4% a 7,2% das gestações, sobretudo grávidas com diabetes mellitus. Seus principais sintomas são a depressão acompanhada de irritabilidade e ansiedade, taquicardia, queda dos cabelos.

A tireoidite pós-parto pode causar, tanto no hipertireoidismo quanto no hipotireoidismo, fadiga, sintomas de ansiedade, irritabilidade, queda de cabelo, perda de libido, depressão, taquicardia, entre outros sintomas.

Em especial as mulheres devem estar atentas e esse sintomas, pois a condição pode ser confundida com depressão pós-parto, por exemplo. 

Identifica-se a tireoidite pós-parto com a medição do hormônio tireo-estimulante (TSH), dos anticorpos anti-tireoperoxidase (anti-TPO), do hormônio da tireóide (T4L), e anti-tireoglobulina (anti-tg). Também pode ser feito ultrassom, que indicará a necessidade de retirada da tireoide.

Como toda doença, quando antes identificada a condição, melhor para o tratamento. Dependendo da fase de evolução, são receitados medicamentos, como beta-bloqueadores, antidepressivos ou ansiolíticos.

Bócio, nódulos e câncer na tireoide

O Bócio consiste no crescimento anormal dá tireoide ou da glândula localizada abaixo dela, o que forma um caroço na região. Muito visível, o bócio vir acompanhado por nódulos.

O principal sintoma é o surgimento de irregularidades no pescoço. A pessoa também passa a sentir desconforto na região, falta de ar e dificuldade para engolir, além de apresentar tosse e rouquidão. 

O diagnóstico do bócio é feito primeiramente com a avaliação de histórico familiar, seguido de exame de toque e de sangue. Para detalhes mais ricos, recomenda-se a cintilografia, ultrassom e mesmo uma biópsia

Esses exames são importantes, pois podem indicar uma condição mais avançada e que venha a configurar o câncer na tireoide.

Quando o bócio é causado por deficiências em iodo, o seu tratamento é feito através de remédios como Tapazol, Puran T4 ou com cápsulas de iodo radioativo. Caso seja identificado o câncer da tireoide, a possibilidade de remoção da glândula é grande.

Sobre o câncer local, vale ressaltar que ele geralmente vem desacompanhado de sintomas – com exceção dos nódulos – na maioria dos casos.

Ao chegar ao final dessa leitura você pode haver identificado alguns sintomas e suspeitar de algum desses distúrbios da tireoide. 

Não é preciso ficar ansioso, mas vale ficar atento a um detalhe: há quanto tempo você consultou um endocrinologista? Confira porque você deve fazer check-up anualmente e preserve sua saúde!

Distúrbios da tireoide: sintomas e diagnósticos

Источник: https://www.clinicaceu.com.br/blog/disturbios-da-tireoide-sintomas-e-diagnosticos/

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