Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

Doença do refluxo gastroesofágico: sintomas, causas e como tratar

Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) (CID 10 – K21) é uma doença digestiva em que os ácidos presentes dentro do estômago voltam pelo esôfago ao invés de seguir o fluxo normal da digestão. Esse movimento é conhecido como refluxo e irrita os tecidos que revestem o esôfago, causando os sintomas típicos como azia, tosse e dor no peito.

Causas

Quando uma pessoa come, a comida passa da garganta para o estômago através do esôfago. Uma vez que a comida está no estômago, um anel de fibras musculares impede que o alimento se mova para trás, em direção ao esôfago. Essas fibras musculares são chamadas de esfíncter esofágico inferior (EEI).

Se o esfíncter não fechar bem, tudo o que a pessoa comeu, bebeu e até mesmo o suco gástrico usado na digestão pode vazar de volta para o esôfago. Isso é chamado de refluxo gastroesofágico. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é definida pela presença do refluxo gastroesofágico associada a sintomas ou complicações.

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Entre as causas pode-se citar:

  • hérnia de hiato
  • Hipotonia do esfíncter esofagiano inferior
  • Perda da peristalse do esôfago (contrações musculares coordenadas para conduzir o alimento para o estômago)
  • Aumento da secreção gástrica
  • Aumento da pressão intra-abdominal
  • Estômago muito cheio por tempo prolongado.

Fatores de risco

Alguns fatores são considerados de risco, pois aumentam as chances de uma pessoa apresentar a doença do refluxo gastroesofágico:

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  • Obesidade
  • Gravidez
  • Hérnia de Hiato, em que parte do estômago se move acima do diafragma
  • Tabagismo
  • Asma
  • Diabetes
  • Atraso no esvaziamento do estômago
  • Esclerodermia e outros distúrbios do tecido conjuntivo
  • Uso de certas medicações como betabloqueadores, broncodilatadores, bloqueadores dos canais de cálcio para pressão arterial alta, agonistas dopaminérgicos, sedativos e antidepressivos tricíclicos
  • Alimentação: chocolate, pimenta, frituras, café e bebidas alcoólicas estão entre os itens que, se consumidos em excesso, podem contribuir para o refluxo.

Sintomas de Doença do refluxo gastroesofágico

Alguns sintomas são característicos da doença de refluxo gastroesofágico. Veja:

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Uma pessoa diagnosticada com DRGE pode ter a sensação de que o alimento pode ter ficado preso na garganta e pode sentir os sinais da doença aumentar ao se curvar, inclinar para a frente, ficar deitado ou comer. Os sintomas também costumam ser piores à noite e podem ser aliviados com antiácidos.

Na consulta médica

Procure um especialista assim que surgirem os primeiros sintomas. Muitos deles podem ser confundidos com sintomas de outras doenças, então é importante que um médico avalie o seu quadro para dar o diagnóstico preciso, visando não só a resolução das queixas, mas a prevenção ou acompanhamento de possíveis complicações como úlceras, estreitamentos do esôfago e adenocarcinoma.

Chegando à consulta, descreva todos os seus sintomas e aproveite para tirar todas as dúvidas. Veja exemplos do que você pode perguntar ao médico:

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  • Que tipos de exames serão necessários para realizar o diagnóstico?
  • A doença do refluxo gastroesofágico é temporária ou crônica?
  • Haverá restrições à minha dieta?
  • Será necessário realizar uma cirurgia?
  • Quanto tempo em média dura o tratamento?

O especialista também deverá lhe fazer algumas perguntas, como:

  • Quão intensos são os seus sintomas?
  • Os sintomas são ocasionais ou contínuos?
  • Os sintomas costumam piorar durante a noite?
  • Você sente-se mal após as refeições?
  • Quando que os sintomas começaram?

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Diagnóstico de Doença do refluxo gastroesofágico

Nem sempre é necessária a realização de endoscopia digestiva alta em todos pacientes com DRGE.

Em pessoa jovens, com sintomas sugestivos de refluxo e na ausência de sinais de alarme (dor ou dificuldade para engolir, anemia, emagrecimento, vômitos importantes e história de câncer na família), pode-se optar por realizar tratamento empírico, com medicamentos e dieta, por até oito semanas e observar se há remissão da doença.

Caso não seja obtida a cura, exames complementares como a endoscopia digestiva alta devem ser feitos a fim de avaliar a gravidade da doença e excluir alterações mais graves como úlceras, estenose, esôfago de Barrett e câncer.

O refluxo de ácido para o esôfago também é um critério bastante utilizado para fazer o diagnóstico. Para medi-lo, o especialista usará um medidor que será inserido no interior do esôfago do paciente. Este medidor verificará a quantidade de ácido presente no tubo, enviando as respostas para um computador. Este exame é conhecido como phmetria esofagiana.

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Podem ainda ser necessários outros exames como a esofagomanometria (para estudar a motilidade esofagiana e o tônus do esfíncter esofagiano inferior) e a impedanciometria esofágica (detecta inclusive o refluxo não ácido pela medida das variações na resistência elétrica dentro do esôfago).

Tratamento de Doença do refluxo gastroesofágico

O tratamento da doença do refluxo gastroesofágico pode ser feito de maneiras diversas:

  • Ajustes na dieta e medidas posturais são os principais pilares
  • Uso de antiácidos, antagonistas H2, inibidores de bomba de prótons, agentes procinéticos e relaxadores do fundo gástrico
  • Cirurgias antirrefluxo como a fundoplicatura de Nissen são usadas em casos selecionados, considerando idade do paciente, sintomas, características anatômicas e funcionais do esôfago, complicações do refluxo e preferências do paciente. Esta cirurgia consiste em envolver o esôfago com a parte do estômago que está mais próxima e costurar esse fundo gástrico ao redor do esôfago distal, formando uma válvula antirrefluxo. Geralmente a cirurgia é feita por via laparoscópica. Apesar da mortalidade associada à cirurgia ser inferior a 1%, até um quarto dos pacientes apresenta sintomas no pós-operatório como dificuldade de engolir e sensação de distensão no estômago, com dificuldade de arrotar. Além disso, após um período de 10 anos, a maioria dos pacientes volta a usar medicamentos para o tratamento da DRGE.

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Medicamentos para Doença do refluxo gastroesofágico

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes. Como possuem indicações precisas e efeitos colaterais que incluem diarreia, vômitos, pólipos gástricos, hipomagnesemia, aumento no risco de infecções gastrointestinais e pneumonias, o uso de medicamentos deve ser feito apenas com prescrição médica.

Os antiácidos agem tamponando diretamente o ácido presente no estômago e têm como efeito colateral mais comum a alteração do hábito intestinal. Tem rápido início de ação, mas o efeito apresenta curta duração. Usualmente são administrados após as refeições.

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Os antagonistas H2 (como a ranitidina) e os inibidores de bomba de prótons (omeprazol, por exemplo) inibem a produção de ácido, tendo um tempo de ação mais prolongado que o dos antiácidos. Seus efeitos adversos incluem cefaleia, diarreia, constipação, alteração de eletrólitos e risco aumentado de gastroenterite e pneumonia.

Os procinéticos aceleram a velocidade com que o alimento é transferido do estômago para o duodeno. Entre os efeitos adversos podemos citar alterações neurológicas, hormonais e arritmias cardíacas, de forma que se deve ter cuidado com interações medicamentosas e com certos grupos de pacientes mais susceptíveis a esses efeitos colaterais, como crianças e idosos.

Os medicamentos mais usados para o tratamento de alguns sintomas da doença do refluxo gastroesofágico são:

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  • Dexilant
  • Digedrat
  • Digesan
  • Digestil (comprimidos)
  • Digestil (gotas)
  • Domperidona
  • Esomeprazol Magnesio
  • Omeprazol
  • Bromoprida
  • Label
  • Lansoprazol
  • Motilium
  • Nexium
  • Pantoprazol
  • Digeplus
  • Rabeprazol
  • Trimebutina
  • Ondansetrona
  • Luftagastropro
  • Magnésia bisurada
  • Droxaíne
  • Simeco Plus.

Convivendo/ Prognóstico

Quando se encontram fatores causais para a DRGE e estes são resolvidos, pode-se “curar” a doença. No caso da obesidade, a perda de peso pode resolver o problema. Quando o refluxo é causado pela gestação, ao término desta é provável que os sintomas parem. No caso da hérnia de hiato e hipotonia do esfíncter esofagiano inferior, a cirurgia pode eventualmente curar o paciente.

Caso esteja associado a medicamentos como betabloqueadores, broncodilatadores, bloqueadores dos canais de cálcio, agonistas dopaminérgicos, sedativos e antidepressivos tricíclicos, o plano terapêutico deve ser revisto por um médico. No caso de gastroparesias após infecções, o retorno da contratilidade normal do estômago tende a cessar a enfermidade.

Nos demais casos, a DRGE é uma enfermidade crônica, de forma que o objetivo do tratamento não visa a cura da doença, mas sim o controle dos sintomas e a prevenção de complicações como úlceras, estreitamentos do esôfago e câncer.

A maioria das pessoas responde a medidas não cirúrgicas, como mudanças no estilo de vida e medicamentos. No entanto, vários pacientes precisam continuar tomando remédios para controlar os sintomas.

Os médicos recomendam algumas práticas para ajudar na recuperação e no tratamento:

  • Manter uma dieta sempre saudável e balanceada
  • Evitar usar roupas muito apertadas
  • Evitar o consumo de alimentos e bebidas que possam contribuir para um quadro de azia, como álcool, cafeína, bebidas gasosas, chocolate, frutas e sucos cítricos, refrigerantes, tomates, molhos de tomate, alimentos picantes ou gordurosos, menta e hortelã
  • Alimentar-se a cada 3 horas com refeições menos volumosas
  • Comer devagar
  • Não deitar-se após as refeições
  • Dormir com a cabeceira da cama elevada em 15 a 18 cm, permitindo que o material refluído para o esôfago retorne prontamente ao estômago
  • Evitar o fumo e o consumo exacerbado de bebidas alcoólicas
  • Beber muita água no intervalo entre as refeições
  • Reduzir o estresse.

Complicações possíveis

Se não for tratada, a doença do refluxo gastroesofágico pode causar problemas mais graves para o paciente, como:

  • Esôfago de Barrett (uma alteração no revestimento do esôfago que pode aumentar o risco de câncer)
  • Broncoespasmo (irritação e espasmo das vias respiratórias devido ao suco gástrico) e asma
  • Fibrose pulmonar
  • Tosse ou rouquidão crônica
  • Problemas dentais
  • Úlcera esofágica
  • Inflamação do esôfago
  • Infecções de vias aéreas superiores como sinusite e otite
  • Estrangulamento (um estreitamento do esôfago devido à cicatrização da inflamação).

Referências

Ministério da Saúde

Federação Brasileira de Gastroenterologia

Leonardo Peixoto, gastroenterologista da Federação Brasileira de Gastroenterologia

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/doenca-do-refluxo-gastroesofagico

Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

A doença do refluxo gastroesofágico, conhecida também pela sigla DRGE, ocorre quando o conteúdo presente no estômago retorna inapropriadamente para o esôfago de forma crônica e repetida, levando à lesão deste órgão por exposição a substâncias ácidas.

A DRGE está muito associada à hérnia de hiato, que é a protusão de uma parte do estômago em direção ao tórax.

O esôfago é um órgão oco, uma espécie de tubo que liga a boca ao estômago; possui aproximadamente 40 cm, desce por todo o tórax e desemboca no estômago, já dentro da cavidade abdominal.

Na junção entre o esôfago e o estômago existe um esfíncter, chamado de esfíncter esofágico inferior, uma estrutura muscular em forma de anel que controla a entrada de alimentos no estômago e impede o retorno do mesmo para o esôfago.

O esfíncter é uma espécie de porta, isolando o esôfago do estômago. Ele abre-se para deixar a comida passar e fecha-se logo após para evitar que ela retorne.

O esfíncter esofágico inferior (EEI) localiza-se logo abaixo do diafragma, que é a estrutura que separa o tórax do abdômen. Quando o esfíncter funciona corretamente, ele impede que o conteúdo dentro do estômago retorne para o esôfago, mesmo quando deitamos ou ficamos de cabeça para baixo.

Apesar da presença do esfíncter, é normal que esporadicamente alimentos refluam para o esôfago, podendo chegar até à boca, principalmente após ingestão de grandes quantidades de comida.

Normalmente é um bolo alimentar que sobe com uma sensação de queimação e deixa a boca com gosto ácido.

O refluxo pode ocorrer quando comemos muito e dilatamos o estômago, aumentando a pressão em seu interior.

Nem todo refluxo chega à boca, muitas vezes se restringe ao esôfago e leva apenas à sensação de azia, quando muito. O refluxo pode permanecer uma doença silenciosa por muito tempo.

O estômago é recoberto por uma mucosa resistente a extrema acidez do suco gástrico, o que não ocorre com o esôfago. Toda vez que há um refluxo do conteúdo estomacal para o esôfago, este sofre pela acidez do mesmo.

Como a mucosa do esôfago não tem proteção para substâncias ácidas, pessoas que apresentam refluxo com frequência, ao longo do tempo, desenvolvem lesões tipo queimaduras, levando à esofagite (inflamação do esôfago).

Como surge

O refluxo gastroesofágico ocorre sempre que o esfíncter esofágico inferior (EEI) apresenta defeito no seu funcionamento. Isto acontece por vários motivos:

  • Quando comemos muito e dilatamos o estômago o anel esfincteriano têm maior dificuldade em fechar-se.
  • Algumas substâncias parecem colaborar para um maior relaxamento do esfíncter. Entre elas o cigarro, refrigerantes e bebidas alcoólicas (falarei com mais detalhes à frente).
  • Pessoas obesas também apresentam alteração no funcionamento do esfíncter.
  • Na gravidez, pelas alterações mecânicas e hormonais que que ocorrem durante a gestação, também ocorre um relaxamento do EEI, favorecendo o aparecimento do refluxo gastroesofágico.

Todavia, o principal fator relacionado à DRGE é a hérnia de hiato ou hérnia hiatal.

O que é a hérnia de hiato?

Chamamos de hérnia toda protusão de uma estrutura ou órgão através de um orifício. Traduzindo: toda vez que um órgão sai da posição normal e “escorrega” através de uma abertura para dentro de outro local chamamos de herniação.

A hérnia de hiato é a protusão de parte do estômago para o tórax, através do orifício do diafragma. Veja o gráfico abaixo.

A hérnia hiatal por deslizamento (imagem do meio) é a mais comum e corresponde a 95% dos casos. Reparem que quando ocorre a herniação de parte do estômago para o tórax, o esfíncter esofagiano que ficava logo abaixo do diafragma também é levado junto para cima. Deste modo ele não consegue funcionar corretamente.

Ainda não sabe corretamente o que causa a hérnia de hiato.

Sintomas

Agora que já sabemos o que é uma hérnia de hiato e o que é refluxo gastroesofágico, podemos entender os seus principais sintomas.

Pirose ou azia: é a sensação de queimação ou calor no peito, normalmente irradiada desde a parte superior do abdômen até a garganta. Costuma ocorrer após alimentação, quando o estômago cheio favorece o refluxo.

Regurgitação: é o retorno do conteúdo alimentar até a boca, com gosto ácido e azedo. Regurgitações frequentes podem levar a lesões erosivas dos dentes. Náuseas e vômitos são incomuns, mas podem ocorrer em alguns pacientes.

Dor no peito: alguns pacientes apresentam dor torácica que pode lembrar dor de angina.

Tosse, rouquidão e asma: o refluxo de material ácido para a parte inferior da garganta pode levar em alguns casos a tosse crônica e alterações na voz. Em pessoas susceptíveis, o refluxo gastroesofágico pode desencadear crises de asma.

Dor de garganta: dores de garganta crônicas, sem causa aparente e sem outros sinais de infecção, como febre, podem ser sinal de doença do refluxo gastroesofágico.

Excesso de saliva: alguns pacientes com refluxo queixam-se de salivação excessiva.

Gravidade da esofagite

Existem duas classificações que visam graduar a gravidade da lesões no esôfago a partir dos achados na endoscopia digestiva alta:

1) Classificação de Savary-Miller = Varia de 0 a 5. Quanto maior o grau mais grave é a lesão, sendo o grau 5 indicativo de esôfago de Barret.

2) Classificação de Los Angeles = Varia de A a D, sendo A a lesão mais simples e D a mais grave.

Complicações

A exposição contínua de material ácido no esôfago leva, a longo prazo, às complicações da DRGE

a) Ulcerações: a presença de esofagite grave pode levar a úlceras e erosões na parede do esôfago, causando grande desconforto

b) Estenose do esôfago: a inflamação do esôfago pode ser tão grande que o edema (inchaço) formado no local pode dificultar a passagem de alimentos. O doente queixa-se de sensação de bolo na garganta e de impactação dos alimentos ingeridos.

c) Dismotricidade esofágica: o esôfago é um órgão muscular que através de contrações sequenciais empurra o alimento ingerido em direção ao estômago. Ao contrário do que possa parecer, não é a gravidade que leva a comida para baixo. Ela com certeza ajuda, mas podemos engolir de cabeça para baixo que ainda assim, a comida chega ao estômago.

Com a inflamação crônica causada pela agressão ácida, a inervação e a musculatura do esôfago começam a ter dificuldades na sincronização dos movimentos, dificultando o transporte de alimentos da boca ao estômago, colaborando também para os sintomas de impactação e bolo na garganta.

d) Esôfago de Barrett: a agressão crônica às células do esôfago pelo ácido estomacal faz com que elas sofram transformações e passem a ter características de células intestinais.

A essa alteração estrutural do tecido esofagiano damos o nome de esôfago de Barrett. Essa células alteradas apresentam maior risco de transformação em câncer, podendo levar ao adenocarcinoma do esôfago (leia: CÂNCER  – SINTOMAS E DEFINIÇÕES).

Portanto, um refluxo contínuo, levando à esofagite, é um fator de risco para câncer do esôfago.

Na maioria das vezes o refluxo gastroesofágico e a esofagite são diagnosticados pela endoscopia digestiva alta. É importante salientar que até 25% dos pacientes com refluxo podem tê-lo de forma leve, não apresentando alterações à endoscopia digestiva. Uma endoscopia normal não descarta o diagnóstico de DRGE (leia: ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA).

Tratamento

O tratamento do refluxo depende do grau do mesmo. Casos leves podem ser tratados apenas com mudanças dos hábitos de vida, enquanto que casos mais graves podem necessitar de correção cirúrgica.

Alterações nos hábitos de vida

– Elevação da cabeceira da cama. Pode-se colocar algum livro ou bloco em baixo dos pés da cama para se elevar a cabeceira em uns 20 cm. Pessoas com EEI incompetente apresentam piora do refluxo ao deitar, quando a gravidade já não mais dificulta o conteúdo gástrico de alcançar o esôfago.

– Não se deitar por pelo menos 1,5 a 2 horas após as refeições. Evite comer grandes quantidades de uma só vez. Quanto mais cheio fica o estômago, maior o risco de refluxo.

– Alguns alimentos pioram os sintomas de quem tem DRGE, entre eles: álcool, refrigerantes, frituras, pimenta, chocolate, sucos cítricos e molho de tomate.

– Evitar cigarro

– Mastigar chicletes após as refeições reduz os sintomas em alguns pacientes.

Medicamentos para refluxo gastroesofágico

Aqueles com sintomas moderados ou nos quais as medidas educacionais não surtiram efeito devem ser tratados com medicamentos a fim de impedir uma esofagite mais grave e o aparecimento do esôfago de Barret.

Os inibidores da bomba de prótons são drogas que diminuem a secreção de ácido pelo estômago, diminuindo assim o risco de lesão do esôfago naqueles com refluxo. Os mais conhecidos são: Omeprazol, Lansoprazol e Pantoprazol (leia: REMÉDIOS PARA O ESTÔMAGO  e OMEPRAZOL – Para que Serve, Como Tomar e Efeitos Colaterais).

A Ranitidina pertence a outra classe de drogas, mas também reduz a acidez estomacal, porém, sua potência é inferior a dos inibidores de bomba. O tempo mínimo de tratamento é de 8 semanas.

Cirurgia para refluxo

A cirurgia para restabelecer a competência do EEI pode ser necessária nos pacientes que não respondam as medidas acima e mantenham sintomas intensos. Doentes com esofagite grave, estenose do esôfago ou com esôfago de Barrett também são candidatos à cirurgia.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/refluxo-gastroesofagico/

Refluxo gastroesofágico (DRGE)

Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

A azia caracteriza-se pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, provocando dor torácica intensa e tosse seca. Veja recomendações para evitar.

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), popularmente conhecida como azia, caracteriza-se pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, cuja mucosa não está preparada para receber substâncias ácidas e  irritantes, e que também pode alcançar a boca, provocando alterações dentárias, ou atingir a laringe e os pulmões.

Crianças pequenas podem apresentar episódios de refluxo em virtude da fragilidade dos tecidos existentes na transição entre o estômago e o esôfago. Na maioria dos casos, o problema desaparece espontaneamente.

Causas

  • Alterações no esfíncter que separa o esôfago do estômago e que deveria funcionar como uma válvula para impedir o retorno dos alimentos;
  • Hérnia de hiato provocada pelo deslocamento da transição entre o esôfago e o estômago, que se projeta para dentro da cavidade torácica;
  • Fragilidade das estruturas musculares existentes na região.

Sintomas

  • Azia ou queimação que se origina na boca do estômago, mas pode atingir a garganta;
  • Dor torácica intensa, que pode ser confundida com a dor da angina e do infarto do miocárdio;
  • Tosse seca;
  • Doenças pulmonares de repetição como pneumonias, bronquites e asma.

Veja também: Azia: sintoma de mal crônico

Fatores de risco

  • Obesidade: os episódios de refluxo tendem a diminuir quando a pessoa emagrece;
  • Refeições volumosas antes de deitar;
  • Aumento da pressão intra-abdominal;
  • Ingestão de alimentos como café, chá preto, chá mate, chocolate, molho de tomate, comidas ácidas, bebidas alcoólicas e gasosas.

Diagnóstico

O diagnóstico leva em conta os sintomas clínicos. A endoscopia digestiva alta e a pHmetria são exames importantes para estabelecer o diagnóstico definitivo.

Tratamento

O tratamento da DRGE pode ser clínico ou cirúrgico.

O clínico inclui a administração de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e melhoram a motilidade do esôfago para favorecer o esvaziamento gástrico.

Paralelamente, o paciente recebe orientação para perder peso, evitar alimentos e bebidas que agravam o quadro (como gordura e cafeína), fracionar a dieta e praticar exercícios físicos.

O paciente também deve aguardar 3 horas após as refeições antes de se deitar, não consumir álcool e nem fumar antes de ir para a cama. Ao deitar, elevar a cabeça cerca de 15cm ao deitar

A cirurgia de fundoplicação pode ser realizada por laparoscopia e está indicada nos casos de hérnia de hiato, para os pacientes que não respondem bem ao tratamento clinico ou quando é necessário confeccionar uma válvula anti-refluxo. Ela é sempre um procedimento adequado quando a repetição do refluxo gastroesofágico provoca esofagite grave, uma vez que a acidez do suco gástrico pode alterar as células do revestimento esofágico e dar origem a tumores malignos.

Recomendações

  • Não se automedique se tiver episódios repetidos de azia ou queimação.

    Procure assistência médica para diagnóstico e tratamento adequados;

  • Evite alimentos e bebidas, especialmente as alcoólicas, que favorecem o retorno do conteúdo gástrico;
  • Fique longe do cigarro;
  • Procure perder peso;
  • Não use cintos ou roupas apertadas na região do abdômen;
  • Não se deite logo após as refeições;
  • Distribua os alimentos em pequenas quantidades por várias refeições (café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar);
  • Faça refeições mais leves. Sente-se e coma sem pressa, mastigando bem os alimentos;
  • Aumente a salivação com gomas de mascar ou balas duras. A saliva pode aliviar a dor;
  • Não ponha o bebê na cama assim que acabou de mamar. Mantenha-o em pé no colo até que elimine o ar que deglutiu durante a amamentação.

Advertência

A dor provocada pela azia pode confundir-se com a dor da angina. No entanto, difere-se desta por não estar relacionada a esforços físicos e normalmente piorar quando a pessoa se deita.

Se os sintomas vierem acompanhados de náusea, tontura ou falta de ar, ou ainda a dor no peito irradiar-se para o braço ou mandíbula, procure assistência médica imediatamente, pois esses sintomas podem indicar um ataque cardíaco.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/refluxo-gastroesofagico-drge/

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