Doenças Autoimunes: causas, sintomas e tratamento

Doenças Autoimunes: causas, sintomas e tratamento

Doenças Autoimunes: causas, sintomas e tratamento

Reumatologia

As doenças autoimunes são um grupo de doenças distintas que têm como origem o fato do sistema imunológico passar a produzir anticorpos contra componentes do nosso próprio organismo. Por motivos variados e nem sempre esclarecidos, o nosso corpo começa a confundir suas próprias proteínas com agentes invasores, passando a atacá-las.

Portanto, uma doença autoimune é uma doença causada pelo nosso sistema imunológico, que passa a funcionar de forma inapropriada.

O que é o sistema imunológico?

Para entender o que é uma reação autoimune é preciso antes conhecer um pouco do nosso sistema imunológico. Tentarei ser breve e sucinto nesta explicação, até porque este assunto é extremamente complexo e extenso, o que o torna de muito difícil entendimento para a população leiga.

Nosso organismo possui um complexo sistema de defesa contra invasões de agentes externos, sejam estes bactérias, vírus, fungos, parasitas, proteínas, ou qualquer outro ser ou substância que não seja natural do corpo. Este sistema de defesa é chamado de sistema imunológico.

O processo evolutivo criou um mecanismo de defesa capaz de reconhecer praticamente qualquer invasão ou agressão ao nosso corpo. A complexidade do sistema está exatamente em conseguir distinguir entre:

1. O que é danoso ao organismo, como vírus e bactérias;2. O que faz parte do nosso próprio corpo, como células, tecidos e órgãos;

3. O que não é naturalmente nosso, mas não causa danos, como, por exemplo, alimentos que entram no corpo pela boca.

Toda vez que o sistema imunológico se depara com alguma substância estranha, que ele interprete como potencialmente danosa, ele passa a produzir células de defesa e anticorpos para combatê-la. Toda substância estranha capaz de desencadear uma resposta imunológica é chamada de antígeno.

Durante a nossa formação enquanto feto, nosso organismo começa a criar o sistema imunológico. O primeiro trabalho é reconhecer tudo o que é próprio, para mais tarde poder reconhecer o que é estranho. O útero materno é um ambiente estéril, ou seja, livre de agentes infecciosos.

Assim que nascemos somos imediatamente expostos a um “mundo hostil” com uma enormidade de antígenos. Desde o parto, o corpo começa a reconhecer, catalogar e atacar tudo que não é “original de fábrica”. Esse contato com antígenos nos primeiros anos de vida é importante para a formação de uma “biblioteca de anticorpos”.

O corpo consegue montar uma resposta imune muito mais rápida se já houver dados sobre o invasor. Se o antígeno for completamente novo, é necessário algum tempo até que o organismo descubra quais os anticorpos são mais indicados para combater aquela partícula.

Essa é a lógica por trás das vacinas. Expomos o paciente a um antígeno, seja ele um vírus ou bactéria, mortos ou fracos, de forma a estimular o sistema imunológico a criar anticorpos contra esses germes. Quando a bactéria de verdade nos invadir, já temos pronto um arsenal imunológico para eliminá-la rapidamente, antes que a mesma consiga provocar qualquer doença.

O que é uma doença autoimune?

A doença autoimune ocorre quando o sistema de defesa perde a capacidade de reconhecer o que é “original de fábrica”, levando à produção de anticorpos contra células, tecidos ou órgãos do próprio corpo.

→ Exemplo 1: no diabetes tipo 1 ocorre uma produção inapropriada de anticorpos contra as células do pâncreas que produzem insulina, levando a sua destruição e ao aparecimento do diabetes.

→ Exemplo 2:  na esclerose múltipla, o sistema imunológico começa a produzir anticorpos contra componentes dos neurônios, causando destruição dos mesmos e graves problemas neurológicos.

→ Exemplo 3: na tireoidite de Hashimoto, o corpo passa a produzir anticorpos contra a nossa própria glândula tireoide, destruindo-a, levando o paciente a desenvolver hipotireoidismo.

A gravidade de uma doença autoimune depende dos órgãos afetados. Por exemplo, a tireoidite de Hashimoto é uma doença praticamente restrita à glândula tireoide, que é um órgão importante, mas não é vital. Os pacientes com essa doença autoimune conseguem levar uma vida normal apenas tomando um comprimido por dia de hormônio tireoidiano.

Outras doenças autoimunes, porém, são mais graves, principalmente aquelas que atacam órgãos e estruturas nobres do corpo, como o sistema nervoso central, coração, pulmões e/ou os vasos sanguíneos.

No final deste texto fornecemos uma lista com mais de 100 exemplos de doenças autoimunes.

Sintomas

Apesar de os pacientes com doenças autoimunes poderem apresentar alguns sinais e sintomas inespecíficos, como cansaço, febre baixa, desânimo, emagrecimento e mal-estar geral, a verdade é que o quadro clínico de cada doença autoimune é muito diferente.

Doenças como, por exemplo, lúpus, diabetes tipo 1 e psoríase atacam órgãos diferentes, de formas distintas, e por isso, apresentam sinais e sintomas próprios. Elas são doenças tão diferentes que são tratadas por especialistas distintos, como endocrinologista, reumatologista e dermatologista, respectivamente. A única semelhança entre elas é o fato de terem origem autoimune.

Não existe, portanto, um sintoma que seja específico das doenças autoimunes. Cada doença tem seu próprio quadro clínico.

O diagnóstico das patologias autoimunes é habitualmente feito com base no quadro clínico e na pesquisa de auto-anticorpos no sangue. O auto-anticorpo mais comum é o FAN (ANA) (leia: EXAME FAN – FATOR ANTINUCLEAR), que pode estar positivo em várias, mas não todas, doenças autoimunes.

Causas

Não sabemos exatamente por que as doenças autoimunes surgem. A teoria mais aceita atualmente é de que o sistema imunológico, após ser exposto a um antígeno, escolhe como alvo para a produção de anticorpos uma proteína semelhante a outra já existente em nosso organismo.

Por exemplo, sabemos que pacientes com a síndrome de Guillain-Barré frequentemente apresentam um quadro de diarreia infecciosa causada pela bactéria Campylobacter jejuni semanas antes da doença se manifestar.

Imagina-se que o sistema imunológico possa criar anticorpos contra algumas das proteínas das bactérias que sejam parecidas com proteínas existentes nos nossos neurônios.

Esta semelhança pode confundir os anticorpos, fazendo com que os mesmos ataquem estruturas do sistema nervoso julgando que estão atacando a bactéria Campylobacter jejuni.

Qual é o médico que trata as doenças autoimunes?

Quando a doença autoimune atinge apenas um órgão, ela costuma ser tratada pelo médico especialista da área. Por exemplo, a nefropatia membranosa ou a nefrite lúpica isolada são tratadas pelo nefrologista; a hepatite auto-imune pelo hepatologista ou pelo gastroenterologista; a psoríase é tratada pelo dermatologista, a esclerose múltipla pelo neurologista e assim por diante.

Quando a doença autoimune atinge vários tecidos, o seguimento do paciente costuma ser realizado por reumatologista ou por clínico geral especializado em autoimunidade. Exemplos: lúpus eritematoso sistêmico, doença de Behçet, artrite reumatoide e granulomatose de Wegener.

Tratamento

O tratamento da maioria das doenças autoimunes consiste na inibição do sistema imunológico através de drogas imunossupressoras, como corticoides (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICOIDES), ciclofosfamida, ciclosporina, micofenolato mofetil, rituximab, azatioprina, etc.

O problema do tratamento das doenças autoimunes com drogas imunossupressoras é o fato de não conseguimos realizar uma imunossupressão seletiva aos anticorpos indesejáveis. Ou seja, não conseguimos inibir o funcionamento apenas dos anticorpos danosos e acabamos por criar um estado de imunossupressão geral que predispõe esses pacientes a infecções por bactérias, vírus e fungos.

Geralmente cada doença autoimune tem seu esquema próprio de tratamento. Algumas delas, inclusive, como diabetes tipo 1 e tireoidite de Hashimoto, não são nem tratadas com drogas imunossupressoras. Não existe um tratamento único que sirva para qualquer doença autoimune.

Lista das principais doenças autoimunes

Abaixo fornecemos uma lista com mais de 120 exemplos de doenças de origem autoimune confirmada ou suspeita:

A

  • Adipose dolorosa
  • Artrite reumatoide
  • Alopecia areata
  • Artrite reativa
  • Artrite juvenil
  • Anemia perniciosa
  • Anemia aplástica
  • Angioedema autoimune
  • Anemia hemolítica autoimune
  • Arterite celular gigante
  • Artrite psoriásica
  • Aplasia pura de células vermelhas

C

  • Crioglobulinemia mista essencial
  • Conjuntivite Lignea
  • Colangite esclerosante primária
  • Cirrose biliar primária
  • Colite microscópica
  • Coreia de Sydenham

D

  • Doença de Addison
  • Dermatite herpetiforme
  • Dermatose por IgA linear
  • Dermatomiosite
  • Diabetes mellitus tipo 1
  • Doença autoimune do ouvido interno
  • Doença celíaca
  • Doença de Crohn
  • Doença de Graves
  • Doença de Goodpasture
  • Doença de Still
  • Doença mista do tecido conjuntivo
  • Dermatite autoimune por progesterona
  • Degeneração cerebelar paraneoplásica
  • Doença de Lyme crônica
  • Doença de Mucha-Habermann
  • Doença de Behçet
  • Doença de Ménière
  • Doença de Kawasaki
  • Doenças desmielinizantes inflamatórias idiopáticas
  • Doença sistêmica relacionada com IgG4

E

  • Entesite
  • Esclerodermia sistêmica
  • Esclerose múltipla
  • Esofagite eosinofílica
  • Epidermólise bolhosa
  • Eritema nodoso
  • Encefalomielite disseminada aguda
  • Esclerose concêntrica de Balo
  • Encefalite de Bickerstaff
  • Espondilite anquilosante
  • Enteropatia auto-imune

F

  • Fasciite eosinofílica
  • Fenômeno de Raynaud
  • Fibrose retroperitoneal
  • Febre reumática.

G

  • Granulomatose de Wegener (granulomatose com poliageíte)

H

I

  • Imunodeficiência primária

L

  • Lichen planus
  • Liquen escleroso
  • Lúpus eritematoso sistêmico

M

  • Morphea
  • Miosite do corpo de inclusão
  • Miastenia gravis
  • Mielite transversa

N

O

  • Ooforite autoimune
  • Orquite autoimune
  • Oftalmia simpática
  • Oftalmopatia de Graves

P

  • PANDAS (transtornos neuropsiquiátricos associados ao estreptococo)
  • Polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica
  • Penfigóide cicatricial
  • Penfigóide bolhoso
  • Penfigóde gestacional
  • Purpura trombocitopênica idiopática
  • Pênfigo vulgar
  • Pancreatite autoimune
  • Pitiríase lichenoides et varioliformis acuta
  • Poliarterite nodosa
  • Polimialgia reumática
  • Polimiosite
  • Psoríase
  • Poliquondrite recidivante
  • Pioderma gangrenoso
  • Purpura de Henoch-Schonlein
  • Poliangeíte microscópica

R

  • Reumatismo palindrômico
  • Retinopatia autoimune
  • Retocolite ulcerativa

S

  • Sarcoidose
  • Síndrome de Felty
  • Síndrome de Schnitzler
  • Síndrome da fadiga crônica
  • Síndrome de Sjögren
  • Síndrome da pessoa rígida
  • Síndrome de Susac
  • Síndrome do mioclonia de Opsoclonus
  • Síndrome de Parry Romberg
  • Síndrome de Parsonage-Turner
  • Síndrome de Churg-Strauss
  • Síndrome de Tolosa-Hunt
  • Síndrome de Evans
  • Síndrome de Cogan
  • Síndrome de dor regional complexa
  • Síndrome do anticorpo antifosfolipídico
  • Síndrome de polimorfeno autoimune
  • Síndrome linfoproliferativa autoimune
  • Síndrome POEMS
  • Síndrome de Guillain-Barré
  • Síndrome miastênica Lambert-Eaton

T

  • Trombocitopenia
  • Tireoidite de Ord
  • Tireoidite autoimune
  • Tireoidite de Hashimoto

U

  • Urticária autoimune
  • Uveíte autoimune
  • Úlcera de Mooren

V

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/doencas-autoimunes/doenca-autoimune/

Doença autoimune: o que é, causa, tratamento e se tem cura

Doenças Autoimunes: causas, sintomas e tratamento

Doença autoimune é uma condição que ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano. Ou seja, as células acabam agindo contra o próprio organismo.

Tipos

Existem mais de 80 tipos diferentes de doenças autoimunes. As mais conhecidas são:

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Causas

Normalmente, os glóbulos brancos (leucócitos), produzidos na medula óssea e encontrados no sangue, ajudam a proteger o corpo contra agentes invasores e nocivos, conhecidos como antígenos. São exemplos de antígenos os vírus, bactérias, toxinas, células cancerígenas, entre outros.

Os leucócitos são parte fundamental do sistema imunológico, cuja principal função é produzir anticorpos que mantenham o corpo humano protegido da ação desses antígenos, destruindo-os.

No caso das doenças autoimunes, o sistema imunológico não consegue distinguir os antígenos dos tecidos saudáveis do corpo e acaba atacando e destruindo as células normais do organismo.

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As causas das doenças autoimunes ainda não são desconhecidas. A teoria mais aceita é que fatores externos estejam envolvidos na ocorrência dessa condição, principalmente quando há predisposição genética e o uso de alguns medicamentos.

Diagnóstico de Doença auto-imune

O médico iniciará o processo de diagnóstico por meio de um exame físico e de uma série de perguntas sobre histórico médico e familiar. Depois, solicitará a realização de alguns exames. Estes variam de doença para doença, dependendo da causa específica.

Possíveis testes para o diagnóstico de uma doença autoimune incluem exames de anticorpos e um hemograma completo.

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Tratamento de Doença auto-imune

O tratamento varia de acordo com o tipo de doença autoimune que o paciente tenha. O objetivo das terapias, no entanto, possuem três objetivos distintos:

  • Reduzir os sintomas
  • Controlar o processo autoimune
  • Retomar o funcionamento normal do sistema imunológico, mantendo a capacidade natural do corpo de combater os antígenos.

Medicamentos para Doença auto-imune

Os medicamentos mais usados para o tratamento de algumas doenças autoimunes são:

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Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Complicações possíveis

Uma doença autoimune pode causar complicações graves, como:

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  • Destruição de um ou mais tipos de tecidos do corpo
  • Crescimento anormal de um órgão
  • Alterações na função de um órgão

Uma doença autoimune pode, também, afetar um ou mais órgãos ou tipos de tecido, principalmente:

  • Vasos sanguíneos
  • Tecidos conjuntivos
  • Glândulas endócrinas, como a tireoide e o pâncreas
  • Articulações
  • Músculos
  • Glóbulos vermelhos
  • Pele

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Doença auto-imune tem cura?

O resultado do tratamento depende da doença. A maioria das doenças autoimunes são crônicas, mas muitas podem ser controladas com tratamento. Os sintomas das doenças autoimunes podem aparecer e desaparecer continuamente.

Referências

American Autoimmune Related Diseases Association

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Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/doenca-auto-imune

Doenças autoimunes: quais são as mais comuns?

Doenças Autoimunes: causas, sintomas e tratamento

Incidência: entre 30 e 100 ocorrências para cada grupo de 100 mil indivíduos
Total de casos: 5 milhões no mundo todo
Mortalidade: 5% nos primeiros 5 anos da doença, por causa de complicações decorrentes de processos infecciosos
Tratamento: medicamentos imunossupressores entre os surtos. Exames de sangue em intervalos de 3 a 10 semanas tentam antecipar problemas graves.

Ela se disfarça de outras doenças: quem é fã da série House já viu a equipe do médico, em mais de um episódio, apostar no diagnóstico de lúpus por não fazer a menor ideia de qual seria a explicação para o caso de um paciente. Na vida real, isso também acontece. E o motivo é simples: quase tudo pode ser atribuído a essa doença autoimune, uma das mais misteriosas de que se tem notícia.

O lúpus eritematoso sistêmico, como é chamado pelos cientistas, tem potencial para afetar qualquer parte do corpo. É por isso que os médicos acabam confundindo seus sintomas com os de outras doenças.

Trata-se de uma enfermidade inflamatória: o sistema imunológico do doente fica doido e produz anticorpos que atacam sem piedade células e tecidos de seus próprios órgãos, provocando a inflamação. Em situações mais graves e raras (menos de 1% dos casos), o mal pode levar a alucinações e comportamentos psicóticos.

A evolução da doença é imprevisível, com períodos de sofrimento e melhoria se alternando constantemente. Não há cura. Resta ao doente, portanto, remediar os sintomas e encontrar a melhor forma possível de conviver com eles.

Embora seja conhecido desde a Idade Média, o lúpus permanece cercado de enigmas. Sabe-se, por exemplo, que 90% das vítimas são mulheres, e que 80% delas desenvolvem a doença na fase mais produtiva da vida, entre os 15 e os 45 anos.

Por quê? A ciência ainda não encontrou a resposta. Outro mistério: nos EUA, onde as pesquisas sobre essa doença são as mais avançadas, a incidência é muito maior em populações com características étnicas específicas, como negros e descendentes de asiáticos.

Em outras partes do mundo, porém, não há dados que indiquem maior vulnerabilidade deste ou daquele grupo.

“Em quase 20 anos de acompanhamento de casos, não conseguimos comprovar, aqui, as mesmas estatísticas verificadas pelos americanos”, afirma Ricardo Machado Xavier, coordenador do Grupo de Estudos sobre Lúpus da UFRGS.

Os cientistas acreditam que a doença tenha um componente genético em sua origem, já que é comum o registro de múltiplos casos dentro de uma mesma família. O problema é que não se sabe ao certo quais genes seriam responsáveis.

Tudo leva a crer que o fator genético determina maior ou menor risco de uma pessoa desenvolver lúpus, mas que a doença só se manifestaria pela influência de “gatilhos” como a ingestão de certos medicamentos (antidepressivos, antibióticos e diuréticos), estresse e exposição ao sol.

Esclerose múltipla

Incidência: 5 a 130 ocorrências para cada grupo de 100 mil indivíduos
Total de casos: 2,5 milhões no mundo todo
Impacto: após 20 anos, 30% das vítimas estão em cadeira de rodas
Tratamento: fisioterapia e medicamentos imunossupressores

Nervosa, cruel e enigmática: o cérebro ordena que o corpo relaxe, mas ele não obedece, submetendo seu dono a tremores involuntários. Ou, quando obedece, o faz de maneira totalmente desordenada.

É mais ou menos assim que a esclerose múltipla começa a se manifestar. Na origem da doença também está uma reação autoimune: produção de anticorpos que atacam as chamadas bainhas de mielina, responsáveis por levar os impulsos nervosos de um neurônio para outro.

Por que o sistema imunológico faz isso? Ninguém sabe responder.

A esclerose múltipla costuma aparecer entre os 20 e os 40 anos de idade. Com a evolução da doença, o sistema nervoso central vai acumulando “cicatrizes”, que acabam afetando a audição, a visão, a memória e a coordenação motora.

Sabe-se que histórico na família eleva em 10 vezes o risco de desenvolver a patologia. Isso sugere que o mal, pelo menos em parte, pode ter uma explicação genética. Cerca de 70% das vítimas são mulheres – fato que os cientistas ainda não compreenderam também.

No início, os sintomas vão e voltam. Mas, 10 anos depois, eles passam a ser progressivos. Aproximadamente um terço dos pacientes acaba precisando de cadeira de rodas 20 anos após o diagnóstico inicial.

A doença, além de extremamente cruel, não tem cura, nem se conhece qualquer tipo de prevenção.

Para descrever suas causas, a medicina ainda recorre a teorias. Um estudo levado a cabo nos EUA sugere uma ligação da doença com a carência de vitamina D. A pesquisa constatou que mulheres que tomaram esse suplemento vitamínico ininterruptamente, ao longo de 10 anos, apresentaram risco 40% menor de desenvolver esclerose.

E um fato curioso parece corroborar essa tese: a ocorrência do mal é maior em regiões mais afastadas da linha do Equador – onde a incidência de luz solar é menor, o que dificulta a síntese de vitamina D pelo organismo.

Enquanto em boa parte dos países da África Central há 5 casos de esclerose múltipla para cada grupo de 100 mil habitantes, no Canadá esse índice é 26 vezes maior.

Outros trabalhos, no entanto, relacionam a doença a infecções que podem confundir o sistema imunológico, fazendo-o pensar que as bainhas de mielina são invasoras e desencadeando o ataque. “Existem vários estudos que explicam diferentes lados do problema”, afirma Maria Cristina Giacomo, coordenadora da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. “Mas nenhum deles explica tudo.“

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Diabetes tipo 1

Incidência: entre 5 e 50 ocorrências para cada grupo de 100 mil indivíduos
Total de casos: 480 mil conhecidos
Impacto: após 15 anos do diagóstico, 50% das vítimas apresentam alguma deficiência visual
Tratamento: injeções diárias de insulina e dieta

Um ataque fulminante contra o pâncreas: diabetes é uma doença comum. Segundo cálculos da Organização Mundial da Saúde (OMS), ela atinge mais de 250 milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas apenas uma pequena parte desse contingente – algo entre 5 e 10% – sofre de uma forma específica desse mal: a diabetes tipo 1.

A enfermidade funciona de um jeito, no mínimo, curioso. Os anticorpos do doente não reconhecem o pâncreas como parte do corpo.

Seu sistema imunológico acaba produzindo anticorpos que atacam o órgão a ponto de ele perder sua função principal: a de produzir insulina. Esse hormônio é o responsável pela transformação de açúcares e amidos na energia da qual dependemos para viver.

O jeito, portanto, é recorrer a injeções diárias da substância, sem as quais o paciente certamente morreria em poucos dias.

A situação fica ainda mais dramática quando se leva em consideração que a maioria das vítimas é composta de crianças e adolescentes. E que a ciência não sabe explicar por que o sistema passa a acreditar, de uma hora para outra, que seu pâncreas é um inimigo.

Sjögren

Incidência: 2 ocorrências para cada grupo de 1 000 pessoas
Total de casos: desconhecido (cerca de 4 milhões só nos EUA)
Impacto: desconforto contínuo nos olhos e incapacidade de chorar
Tratamento: uso de colírios e suplementos vitamínicos

O mal que impede sua vítima até de chorar: engana-se quem pensa que lacrimejar é coisa de gente sensível. Todo dia, produzimos naturalmente cerca de 15 mil lágrimas, uma a cada piscada de olhos. Mas há exceções – entre elas, as vítimas de um mal conhecido como síndrome de Sjögren.

Ela provoca inflamações das glândulas exócrinas (órgãos geralmente minúsculos espalhados por várias partes do corpo e que produzem diferentes secreções). Ou seja: a redução da capacidade de lacrimejar é apenas um de seus sintomas, o mais perceptível.

A síndrome também leva sua vítima a produzir menos saliva, além de comprometer a produção de suco gástrico – que ajuda na digestão dos alimentos – no estômago.

Como acontece em todas as outras doenças autoimunes, são os anticorpos do próprio doente que atacam as glândulas. Mas as razões que levam a esse ataque ainda são desconhecidas. E esse não é o único enigma envolvendo a síndrome.

Estima-se que 9 entre 10 pacientes diagnosticados sejam mulheres – e, estranhamente, jamais foi constatada qualquer relação entre a desordem e questões hormonais.

Aproximadamente metade dos casos é considerada secundária – associada a outras doenças autoimunes, em que o sistema de defesa já surtou em outros departamentos, como artrite reumatoide e lúpus.

A maior parte dos pacientes procura o oftalmologista por volta dos 40 anos, com sensação de areia nos olhos resultante da má lubrificação.

Como se trata de um sintoma comum a muitas patologias oculares, a última coisa que passa pela cabeça do médico é a possibilidade de autoimunidade. Uma pesquisa feita pela Fundação da Síndrome de Sjögren, nos EUA, comprova a dificuldade na hora do diagnóstico.

Segundo o estudo, passam-se em média 6 anos entre a manifestação dos primeiros sintomas e a identificação da doença. “Enquanto isso, o sofrimento é grande”, afirma Milton Alvez, chefe do Serviço de Córnea e Doenças Externas do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“O ardor nos olhos pode incomodar o paciente mais de 200 dias por ano, a ponto de comprometer seu desempenho no trabalho e a vida pessoal.”

Vitiligo

Incidência: 1% da população mundial
Total de casos: 76 milhões no mundo todo
Impacto: a doença pode levar a hiper ou hipotireoidismo, anemia e inflamação dos olhos
Tratamento: corticoides, fototerapia e laser

Manchas na pele que ninguém sabe explicar: uma das doenças autoimunes mais comuns no mundo todo é também uma das mais incompreendidas pela medicina.

Estima-se que 1% da população mundial – ou 76 milhões de pessoas – sofra de vitiligo, que se caracteriza pela perda localizada de pigmentação da pele.

Os cientistas sabem o que provoca esse fenômeno: o sistema imunológico produz anticorpos que atacam e matam os melanócitos (células que fabricam melanina, a substância responsável pela cor da pele). O que ninguém descobriu ainda, só para variar, é o que desencadeia esse ataque.

Uma combinação de fatores genéticos e ambientais parece estar por trás da maior parte dos casos de vitiligo.

Ou seja: aparentemente, a maioria dos pacientes apresenta predisposição para o desenvolvimento da doença quando exposta a algum tipo de “gatilho” – queimaduras de sol muito intensas, estresse violento ou traumas emocionais provocados por um acidente grave ou pela morte de um familiar, por exemplo.

Como nenhuma teoria foi comprovada cientificamente, há quem aposte em outras explicações. Segundo Celso Lopes, médico do Ambulatório de Vitiligo da Escola Paulista de Medicina, o mal pode estar associado a uma incapacidade do organismo de eliminar radicais livres potencialmente nocivos aos melanócitos.

Nos casos mais severos de vitiligo, o paciente pode apresentar despigmentação de até 85% da superfície cutânea. É impossível prever, no início da doença, qual será a área total afetada por ela. Aproximadamente metade das vítimas começa a apresentar os primeiros sinais da desordem depois dos 20 anos de idade, e cerca de um terço relata não ser o primeiro caso da doença na família.

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  • Estudos e pesquisas

Источник: https://super.abril.com.br/saude/o-ataque-de-anticorpos-malucos/

8 principais doenças autoimunes e o que fazer

Doenças Autoimunes: causas, sintomas e tratamento

As doenças autoimunes são aquelas caracterizadas pela resposta do sistema imunológico contra o próprio organismo, em que há destruição de células saudáveis pelo sistema imune, podendo resultar em algumas doenças como o lúpus, artrite reumatoide, anemia hemolítica e doença de Crohn, por exemplo, que devem ser identificadas e tratadas de acordo com a orientação do médico.

O diagnóstico das doenças autoimunes é normalmente feito através da observação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa, que varia de acordo com a doença, e por meio de exames imunológicos, moleculares e de imagem.

As principais doenças autoimunes são:

1. Lúpus Eritematoso Sistêmico

O lúpus eritematoso sistêmico, também conhecido por LES, é uma doença autoimune em que as células de defesa do organismo atacam as células saudáveis do organismo, resultando em inflamação nas articulações, olhos, rins e pele, por exemplo. Essa doença acontece devido a mutações genéticas que surgem durante o desenvolvimento fetal e, por isso, é normal que os sinais e sintomas do LES surjam em pacientes jovens.

Principais sintomas: Os sintomas de lúpus surgem em surtos, ou seja, a pessoa possui períodos sem sintomas e outros com sintomas, sendo esse período normalmente desencadeado por fatores que interfiram no funcionamento do sistema imunológico ou que favoreçam o aparecimento das manifestações clínicas, como o uso de alguns medicamentos ou exposição prolongada ao sol.

O principal sintoma de LES é o aparecimento de mancha vermelha no rosto em forma de borboleta, além de também poder haver dor nas articulações, cansaço excessivo e aparecimento de feridas na boca e no nariz.

Na presença desses sintomas, o clínico geral ou reumatologista indica a realização de exames de urina e de sangue que ajudam a concluir o diagnóstico, podendo ser verificada a presença de grandes quantidade de proteína na urina, alterações no hemograma e presença de autoanticorpos.

Como é o tratamento: O tratamento para o LES deve ser feito de acordo com a recomendação do reumatologista ou do clínico geral e tem como objetivo aliviar os sintomas e evitar que apareçam de forma frequente e extensa, já que essa doença não tem cura. Assim, o médico pode indicar o uso de medicamentos anti-inflamatórios, corticoides e imunossupressores.

Entenda como é feito o diagnóstico e tratamento do lúpus eritematoso sistêmico.

2. Artrite Reumatoide

A artrite reumatoide é caracterizada pela inflamação e inchado das articulações devido à ação do sistema imune contra o próprio organismo. A causa da artrite reumatoide ainda não é muito bem esclarecida, mas acredita-se que alguns fatores podem favorecer o desenvolvimento dessa doença, como infecção por vírus ou bactérias por exemplo.

Principais sintomas: Os sintomas de artrite reumatoide, assim como acontece no lúpus, podem aparecer e desaparecer sem qualquer explicação, sendo o principal a vermelhidão, o inchaço e a dor na articulação. Além disso, pode ser observada rigidez e dificuldade para movimentar a articulação, febre, cansaço e mal-estar. Saiba reconhecer os sintomas de artrite reumatoide.

Como é o tratamento: O tratamento deve ser recomendado pelo reumatologista ou clínico geral, sendo normalmente indicado o uso de medicamentos anti-inflamatórios para diminuir a inflamação e aliviar os sintomas. Além disso, é importante que seja feita fisioterapia para evitar que aconteça a limitação da amplitude do movimento da articulação.

3. Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é caracterizada pela destruição da bainha de mielina, que é a estrutura que recobre os neurônios e permite a transmissão do impulso nervoso, pelas próprias células do sistema imunológico, resultando no comprometimento do sistema nervoso.

Principais sintomas: Os sintomas da esclerose múltipla são progressivos, ou seja, pioram à medida que há comprometimento do sistema nervoso, resultando em fraqueza muscular, cansaço excessivo, formigamento nos braços ou pernas, dificuldade para andar, incontinência fecal ou urinária, alterações visuais e perda da memória, por exemplo. Dessa forma, à medida que a doença progride, a pessoa torna-se cada vez dependente, o que interfere diretamente na sua qualidade de vida.

Como é o tratamento: O tratamento para a esclerose múltipla normalmente envolve o uso de medicamentos para evitar a progressão da doença e para promover o alívio dos sintomas, como anti-inflamatórios, imunoglobulinas e corticoides.

Além disso, é importante que a pessoa realize sessões de fisioterapia regularmente para que os músculos sejam constantemente ativados e, assim, a atrofia completa possa ser evitada.

Confira no vídeo a seguir como deve ser o tratamento fisioterápico da esclerose múltipla:

4. Tireoidite de Hashimoto

A tireoidite de Hashimoto é caracterizada pela inflamação da tireoide devido ao ataque do sistema imune às células da tireoide, resultando em uma atividade aumentada ou normal da tireoide, que logo é seguido por uma baixa atividade, se desenvolvendo um hipotireoidismo.

Principais sintomas: Os sintomas relacionados com a tireoidite de Hashimoto são semelhantes aos do hipotireoidismo, havendo cansaço excessivo, queda de cabelo, pele fria e pálida, baixa intolerância ao frio, aumento fácil do peso e dores musculares ou na articulação.

Como os sintomas da tireoidite de Hashimoto são os mesmos do hipotireoidismo, o endocrinologista necessita que a pessoa realize alguns exames que avaliam o funcionamento da tireoide para que seja confirmada a doença auto-imune e, assim, possa ser iniciado o tratamento mais adequado.

Assim, pode ser recomendado a realização da dosagem de T3, T4 e TSH, além da dosagem da antiperoxidase tireoidiana, também chamada de anti-TPO, que é um anticorpo produzido pelo sistema imune que encontra-se aumentado na tireoidite de Hashimoto.

Saiba mais sobre o anti-TPO e o que significa quando está alto.

Como é o tratamento: O tratamento para a tireoidite de Hashimoto só é indicado pelo endocrinologista quando a pessoa apresenta sintomas, sendo nesses casos recomendada a realização de reposição hormonal com Levotiroxina por um período de 6 meses. É importante também ter atenção à alimentação, ingerindo alimentos ricos em iodo, zinco e selênio, por exemplo, que são nutrientes que favorecem o bom funcionamento da tireoide.

5. Anemia hemolítica

A anemia hemolítica acontece quando o sistema imune passa a produzir anticorpos que atuam destruindo as hemácias do sangue, causando a anemia.

Esse tipo de anemia é mais comum em adultos jovens e ainda não se sabe exatamente qual a razão pela qual há produção de anticorpos contra as hemácias, no entanto acredita-se que a desregulação do sistema imune por alguma infecção, o uso de alguns medicamentos ou a presença de doença autoimune podem favorecer a ocorrência da anemia hemolítica.

Principais sintomas: Os sintomas de anemia hemolítica estão relacionados com a diminuição da quantidade de hemácias, hemoglobina e, consequentemente, de oxigênio circulantes no sangue, havendo fraqueza, palidez, perda de apetite, dor de cabeça, unhas fracas, falha da memória, pele seca e indisposição.

Apesar de muitas vezes não ser possível identificar a causa da anemia hemolítica autoimune, é importante que sejam feitos exames diagnósticos para verificar se há doenças ou fatores desencadeantes, como por exemplo hemograma, contagem de reticulócitos, dosagem da bilirrubina e testes imunológicos, como o teste de coombs direto.

Como é o tratamento: O tratamento indicado pelo médico normalmente envolve o uso de medicamentos para regular a atividade do sistema imune, como corticoides e imunossupressores.

Além disso, em alguns casos o médico pode indicar a remoção do baço, chamada de esplenectomia, já que é nesse órgão que as hemácias são destruídas.

Entenda como é feito o tratamento para anemia hemolítica.

6. Vitiligo

O vitiligo é uma doença caracterizada pela destruição dos melanócitos, que são as células responsáveis pela produção da melanina, substância responsável pela cor da pele. A causa do vitiligo ainda não é muito bem esclarecida, no entanto está frequentemente associada à desregulação do sistema imune, levando à destruição dos melanócitos pelas próprias células do sistema imune.

Principais sintomas: Devido à destruição das células produtoras de melanina, surgem várias manchas brancas na pele, o que é característico do vitiligo. Essas manchas aparecem com mais frequente em locais que estão mais expostos ao sol, como mãos, braços, rosto e lábios.

Como é o tratamento: O tratamento do vitiligo deve ser orientado pelo dermatologista, pois a pessoa precisa ter vários cuidados com a pele, já que fica mais sensível, além de ser necessário passar cremes e pomadas com corticoides ou imunossupressores, além de poder haver a necessidade de realização de fototerapia.

7. Síndrome de Sjögren

Essa síndrome é caracterizada pela produção de autoanticorpos responsáveis pela inflamação crônica e progressivas das glândulas do corpo, como as salivares e as lacrimais, resultando no ressecamento das mucosas.

Principais sintomas: Como há o acometimento de glândulas responsáveis pela hidratação de olhos e boca, por exemplo, os principais sintomas observados são olhos e boca secos, dificuldade para engolir, dificuldade para falar por muito tempo, maior sensibilidade à luz, sensação de vermelhidão nos olhos e aumento do risco de infecções.

Essa doença pode acontecer apenas devido a alterações da imunidade ou associada a outras doenças autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus e esclerodermia. Por isso, é importante que o médico solicite a pesquisa de autoanticorpos para verificar se há outra doença associada e, dessa forma, indicar o melhor tratamento.

Como é o tratamento: O tratamento indicado pelo médico tem como objetivo aliviar os sintomas apresentados podendo ser indicado o uso de saliva artificial e colírios lubrificantes, além de medicamentos anti-inflamatórios e imunossupressores. Veja outras opções de tratamento para a síndrome de Sjogren.

8. Diabetes tipo 1

A diabetes do tipo 1 também é uma doença autoimune, isso porque acontece devido ao ataque das células imunológicas às células pancreáticas responsáveis pela produção de insulina, não havendo reconhecimento da quantidade de glicose circulante, o que faz com que cada vez mais glicose seja acumulada no sangue. É mais comum em crianças e adolescentes, mas também pode acontecer em adultos-jovens.

Principais sintomas: Os principais sintomas relacionados com a diabetes do tipo 1 é a vontade frequente para urinar, muita sede, fome excessiva e perda de peso sem causa aparente.

É importante que o médico realize outros exames além da glicose em jejum e da hemoglobina glicada para diagnosticar a diabetes tipo 1, já que os sintomas são semelhantes aos da diabetes tipo 2. Saiba qual a diferença entre a diabetes tipo 1 e tipo 2.

Como é o tratamento: Para esse tipo de diabetes o endocrinologista deve indicar o uso de insulina em várias doses durante o dia ou na forma de bomba, isso porque o pâncreas é incapaz de produzir insulina. Dessa forma, é possível manter os níveis de glicose circulante no sangue regulados.

Источник: https://www.tuasaude.com/doencas-autoimunes/

5 sinais de que você tem uma doença autoimune

Doenças Autoimunes: causas, sintomas e tratamento

Uma doença autoimune é caracterizada por uma desordem no sistema imunológico, onde o próprio corpo passa a atacar determinadas regiões do organismo, como uma resposta autoimune

Por isso, por se encontrar em desequilíbrio, o sistema imunológico passa a ser um agressor ao invés de realizar a sua função de proteção do indivíduo.

Existem mais de 100 tipos de doenças autoimunes e não há um fator específico desencadeante para esse tipo de doença, já que a causa para a desordem ainda é desconhecida. 

Ouça este conteúdo: 

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No entanto, para identificá-las, alguns sintomas podem ser bastante característicos no momento do diagnóstico.

Leia o texto e descubra 5 sinais que indicam uma suspeita de doença autoimune e fique atento para esses sintomas:

5 sinais para doença autoimune

Como vimos, existem muitas doenças autoimunes e, por isso, os sintomas se apresentam bastante específicos para cada uma delas. 

Por exemplo, as doenças autoimunes afetam diversos tecidos do corpo humano, como vasos sanguíneos, cartilagem e pele, além de atingir qualquer órgão, desde os pulmões, rins, coração e cérebro. Dessa forma, há sintomas particulares para cada uma dessas manifestações.

No entanto, embora alguns sintomas possam se assemelhar a diversas outras doenças, é importante ficar atento e procurar ajuda médica quando notá-los, buscando relatar todo o histórico do sintoma ao especialista.

1. Inflamações

De maneira geral, as inflamações são os sintomas que, primeiramente, sugerem uma doença autoimune. Inclusive, um quadro inflamatório é uma das situações mais comuns que podem sugerir a presença desse tipo de desordem no organismo. 

Geralmente, as inflamações decorrentes de doenças autoimunes são indicativos de outros sintomas secundários, como dor, deformações articulares, fraqueza e dificuldade respiratória.

Por exemplo, desde as inflamações nas articulações, que podem indicar artrite reumatoide, alguns processos inflamatórios aparecem na pele, nervos, rins, cérebro e em membranas que recobrem o pulmão e o coração, em um quadro de lúpus eritematoso.

Embora não seja identificado a olho nu, o bócio endêmico, resultante de um inchaço no pescoço em decorrência de alterações na tireoide, é outro tipo de inflamação que indica um sinal para doença autoimune Tireoidite de Hashimoto.

2. Dor abdominal

Apesar de ser um sintoma bastante amplo, a dor abdominal pode indicar a presença da Doença de Crohn, um outro distúrbio de ordem autoimune.

Consiste em uma doença intestinal inflamatória onde uma inflamação crônica acomete a região inferior do intestino delgado, o intestino grosso ou ambos simultaneamente. Além disso, a doença de Crohn pode atingir qualquer parte do trato digestivo.

O principal sintoma é a dor abdominal, acompanhada de cólicas fortes. Além disso, a diarreia crônica também sinaliza o problema, podendo vir acompanhada de sangue, fato que acontece quando o intestino grosso está sendo afetado de forma grave.

É importante lembrar que os sintomas podem durar dias ou até semanas, embora seja comum que reapareçam em intervalos irregulares ao longo da vida. Os sintomas podem ainda apresentar alta ou leve gravidade, quando surgem.

3. Dor nas articulações

Outro indicativo de doença autoimune é a presença de dor e inflamação nas articulações, que pode indicar artrite reumatoide.

Geralmente, as dores inflamatórias da artrite reumatoide começam afetando diferentes articulações de forma gradual e simétrica, já que atinge ambos os lados do corpo da mesma forma. 

Além da dor, o paciente sente certa rigidez nas articulações, principalmente após o despertar ou atividade prolongada.

A psoríase artropática também provoca intensas dores nas articulações, afetando desde as mãos, pés, quadris e coluna, podendo também levar à rigidez. Já a artrite psoriásica afeta as articulações mais próximas das pontas dos dedos dos pés e das mãos e tende a acometer apenas um lado do corpo.

  • IMPORTANTE: nos sinais de inflamação, dor abdominal e dor nas articulações, é importante ressaltar que estes devem ligar o sinal de alerta se persistirem por 3 meses. Senão pode ser confundido facilmente com qualquer dor comum.

 4. Dificuldade de equilíbrio e coordenação

Apresentar determinadas dificuldades de coordenação e equilíbrio podem indicar sinais de esclerose múltipla, uma doença crônica, neurológica e autoimune. 

O que acontece é que as células de defesa do organismo atacam o sistema nervoso central e, consequentemente, desencadeia lesões medulares e cerebrais.

Por isso, caso seja identificado um ou mais desses sintomas, é fundamental procurar ajuda médica imediata:

  • tremores;
  • falta de coordenação;
  • perda de equilíbrio;
  • instabilidade para caminhar;
  • vertigem;
  • debilidade.

Além disso, a sensação de fraqueza e a presença de náuseas constantes também pode ser um indicativo da doença.

5. Vermelhidão na pele

A vermelhidão na pele pode indicar a presença de lúpus eritematoso que, nesse caso, surge na face, sobre a ponta do nariz e as bochechas. 

A psoríase pustulosa, outra doença autoimune, também provoca vermelhidão na pele em qualquer região do corpo, que evolui para bolhas com pus.

Procure ajuda médica

Além dos sinais apresentados, existem incontáveis outros que indicam a presença de uma doença autoimune.

De qualquer maneira, é muito importante procurar ajuda médica ao notar a presença de qualquer um desses sintomas ou mesmo de outras manifestações anormais no organismo

Apenas um especialista poderá emitir um diagnóstico seguro sobre o que está acontecendo com o paciente.

Que tal conhecer mais sobre doenças autoimunes e o tratamento mais indicado para cuidar do problema?  Leia o blog Soma Imuno e mantenha-se atualizado.

Источник: https://clinicasoma.com.br/5-sinais-de-que-voce-tem-uma-doenca-autoimune/

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