EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE A SAÚDE

Conheça 8 dos principais efeitos do álcool no organismo

EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE A SAÚDE

As bebidas alcoólicas são fabricadas desde a pré-história e hoje estão inseridas na cultura de diferentes povos ao redor do mundo, sendo utilizadas tanto como meio de socialização quanto em festividades, cerimônias e rituais.

No Brasil, o consumo de bebidas alcoólicas cresceu 43,5% em dez anos, passando de 6,2 litros/ano por brasileiro com mais 15 anos, em 2006, para 8,9 litros, em 2016. Esse dado mais recente, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), supera a média mundial de 6,4 litros de álcool puro/ano por pessoa.

Apesar de ser uma droga lícita, amplamente vendida e aceita socialmente, o consumo excessivo e prolongado dessa substância pode trazer sérios riscos à saúde, inclusive dependência alcoólica, que deve ser tratada por profissionais especializados a fim de evitar a piora dos sintomas e o desenvolvimento de problemas físicos, psicológicos e sociais mais graves.

A bebida alcoólica age de maneiras diferentes em cada pessoa devido a vários fatores, tais como a quantidade consumida, a frequência de uso, a idade, o sexo, o histórico familiar e as condições de saúde física e psíquica do usuário.

Alguns efeitos do álcool no organismo são mais comuns e aparecem logo após os primeiros goles, outros são cumulativos e demoram a se manifestar. Neste post, apresentamos 8 consequências do uso do álcool. Confira!

1. Alterações cerebrais

O álcool é um depressor do sistema nervoso central, ou seja, uma substância que diminui a atividade do cérebro, alterando a ação de neurotransmissores, como o ácido gama-aminobutírico, o glutamato e a serotonina. Conforme a pessoa ingere a bebida, o organismo reage de uma determinada forma, seguindo alguns estágios.

Quando a concentração de álcool no sangue é baixa (entre 0,01 e 0,12 gramas/100 mililitros), o indivíduo tende a ficar desinibido, relaxado e eufórico.

À medida que essa quantidade aumenta, outras reações aparecem, como lentidão dos reflexos, problemas de atenção, perda de memória, alterações na capacidade de raciocínio e falta de equilíbrio.

Em níveis muito altos (a partir de 0,40 gramas/100 mililitros), pode haver intoxicação severa e parada cardiorrespiratória, com possibilidade de sequelas neurológicas e até mesmo morte.

Além desses efeitos visíveis e imediatos, o consumo exagerado de álcool, principalmente na infância e adolescência, pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, inibir o crescimento de novos neurônios e causar lesões permanentes, além de ser um fator de risco para a depressão ou outro transtorno mental.

2. Lesões hepáticas

Um órgão bastante afetado pela ingestão de bebidas alcoólicas é o fígado, responsável pelo metabolismo dessas substâncias. Há evidências de que o consumo imoderado de bebidas alcoólicas pode causar esteatose hepática, conhecida também como fígado gorduroso.

Essa doença é causada pelo acúmulo de gordura nas células do fígado, podendo regredir ou ficar estável conforme os anos passam, ou evoluir para a hepatite alcoólica, uma inflamação cujos sintomas são dor abdominal, inchaço da barriga, pele e olhos amarelados, náusea, vômito, perda de apetite, entre outros.

O abuso da ingestão de bebidas alcoólicas também pode ser responsável pela cirrose hepática, uma lesão crônica que se caracteriza pela formação de cicatrizes (fibrose) e formação de nódulos que bloqueiam a circulação do sangue. Em muitos casos, há a necessidade de transplante do órgão.

3. Irritação do estômago

Fora os conhecidos sintomas de enjoo, náusea e vômito, o álcool pode causar irritações, infecções ou erosões na mucosa gástrica, resultando em uma gastrite aguda. Isso acontece porque a bebida chega primeiro ao aparelho gastrointestinal, aumentando a secreção de ácido clorídrico. O resultado são dores abdominais, queimação, azia, perda de apetite e vômito recorrente.

4. Disfunção renal

Os rins são responsáveis pela filtragem do sangue, eliminação de resíduos nocivos ao organismo, regulação do equilíbrio ácido/básico, manutenção do volume de água no corpo, produção de hormônios, entre outras funções importantes.

A ingestão exagerada de álcool pode aumentar a diurese, que é a produção de urina, o que provoca desregulação da concentração de eletrólitos no sangue, elevação da pressão arterial e alteração no funcionamento do órgão.

5. Inflamação do pâncreas

Quem consome muita bebida alcoólica pode desenvolver pancreatite crônica, uma inflamação do pâncreas que provoca endurecimento e redução do tamanho do órgão.

As consequências são forte dor na região abdominal, diarreia com fezes gordurosas — devido à menor produção de lipase, enzima responsável pela digestão de gorduras —, perda de peso e diabetes.

Essa última decorre das alterações que o álcool pode causar no funcionamento do pâncreas, como a diminuição da produção de insulina ou a incapacidade do órgão de produzir esse hormônio.

6. Problemas cardíacos

Há estudos que mostram que a ingestão de álcool em doses moderadas pode trazer benefícios à saúde por melhorar a circulação sanguínea e proteger o sistema cardiovascular.

O vinho tinto, por exemplo, é rico em flavonoides e resveratrol, uma substância antioxidante encontrada na pele e nas semente das uvas que impede a formação de coágulos de sangue, tem ação anti-inflamatória, neutraliza os radicais livres e reduz o colesterol ruim.

Porém, a ingestão excessiva de álcool pode desencadear problemas cardíacos significativos, entre eles:

  • a cardiomiopatia alcoólica — uma alteração na função contrátil do músculo do coração;
  • a arritmia — caracterizada pela desregulação do ritmo dos batimentos cardíacos;
  • o acidente vascular cerebral hemorrágico (AVC hemorrágico) — causado pelo sangramento de uma artéria;
  • a hipertensão arterial — conhecida popularmente como pressão alta.

7. Enfraquecimento do sistema imunológico

Por entrar facilmente na corrente sanguínea, o álcool percorre todo o organismo, reduz a produção de glóbulos vermelhos e compromete o sistema imunológico, deixando o corpo mais suscetível ao aparecimento de infecções e doenças. Uma pessoa que bebe uma grande quantidade de álcool, mesmo que em uma única ocasião, tem mais chances de desenvolver pneumonia, tuberculose e anemia, por exemplo.

8. Aumento do risco de câncer

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode aumentar o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, tais como de laringe, faringe, boca, esôfago, fígado, estômago, intestino e mama.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), a relação dose/resposta entre o consumo de bebidas alcoólicas e o risco de câncer é evidente, sendo que o álcool está associado a 4% dos óbitos por câncer.

Agora que você conhece mais sobre os efeitos do álcool no organismo, deixe um comentário em nosso post e compartilhe suas dúvidas, conhecimentos e sugestões sobre esse e outros temas relevantes para você e seus familiares!

Источник: https://hospitalsantamonica.com.br/conheca-8-dos-principais-efeitos-do-alcool-no-organismo/

Existe limite seguro para o consumo de álcool?

EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE A SAÚDE

Se depender de um dos maiores estudos globais já feitos para mensurar o impacto do álcool na saúde humana, até mensagens como “aprecie com moderação” estão com os dias contados.

Após analisar o consumo e suas repercussões em mais de 100 mil pessoas de 195 países entre 1990 e 2016, pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, concluem: não há limite seguro para a ingestão de bebidas alcoólicas.

E fazem outro alerta: mesmo eventuais vantagens, como aquela taça de vinho prescrita pelo bem do coração, não superam os malefícios, caso do aumento no risco de câncer e outros males.

“Sabe quem inventou essa história de que beber moderadamente faz bem? A indústria do álcool, baseada em estudos pouco controlados”, afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, diretor da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O mais saudável é não beber. Mas, se beber, o ideal é não passar de uma ou duas doses por semana”, diz. Perceba: tomar algo todo dia, ainda que só um pouco, está fora de cogitação — pelo menos se você quer ter saúde.

Para dar seu veredicto, os cientistas americanos dividiram o público em dois grupos: os que bebiam e os abstêmios. Notaram, então, que a propensão a problemas (câncer, infarto, AVC, cirrose, violência doméstica…) aumenta à medida que se elevam a quantidade e a frequência de consumo.

O risco de adoecer crescia 0,5% entre quem tomava uma única dose por dia (como uma lata de cerveja ou taça de vinho). Subia para 7% diante de duas doses. E decolava para 37% na ingestão de cinco.

“Ainda que haja pesquisas indicando potenciais benefícios com o consumo leve ou moderado, isso não pode ser generalizado porque os efeitos do álcool também dependem do histórico médico e de riscos individuais”, explica o psiquiatra Arthur Guerra, presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). “Por essa razão, pensando em minimizar riscos à população, a recomendação mais segura mesmo é não beber.”

O sono sofre com as bebidas alcoólicas

Se você é daqueles que, antes de dormir, gostam de tomar uma taça de vinho para relaxar, esqueça: seu método pode até soar eficaz, mas é prejudicial à qualidade do sono.

“À medida que o álcool é processado pelo corpo, o sono se torna superficial.

Aí o indivíduo acorda pela manhã com a sensação de que não dormiu o suficiente”, esclarece a neurologista Andrea Bacelar, presidente da Associação Brasileira do Sono.

Um estudo finlandês, realizado com mais de 4 mil pessoas com idade entre 18 e 65 anos, atestou que a recuperação fisiológica durante o repouso à noite sofre uma redução significativa na presença do álcool — quanto mais se bebe, pior.

Já de Londres, na Inglaterra, veio outra descoberta: a bebida desregula os ciclos naturais do sono e, mesmo com moderação, incentiva roncos e insônia. O ideal é que, se for tomar uma taça no jantar, isso aconteça de três a quatro horas antes de dormir. E olhe lá.

Álcool engorda?

Sim. A médica Marisa Helena César Coral, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, já perdeu as contas de quantos pacientes, ávidos por entrar em forma, reclamaram: “Doutora, não sei por que não emagreço. Eu não como praticamente nada”.

O problema, explica, é que o indivíduo pode até fazer dieta e praticar exercícios, mas, se não cortar ou moderar o álcool, vai ser difícil.

Uma pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto (MG) com 178 universitárias investigou a relação entre bebida alcoólica e gordura corporal. O valor médio da gordura concentrada ao redor da cintura foi maior entre as que relataram beber socialmente.

“O álcool é muito calórico. Cada grama tem 7 calorias. Para ter ideia, cada grama de carboidrato tem 4″, compara Marisa. Na ponta do lápis, uma latinha de cerveja (350 ml) corresponde a 150 calorias e uma tulipa de chope (300 ml), 180 calorias. E ainda tem os acompanhamentos, né?

Malefícios dos drinques para a pele

Digamos que o álcool tem um efeito tóxico para o tecido que reveste o corpo.

De acordo com a médica Sylvia Ypiranga, do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a ingestão frequente instiga um processo inflamatório que piora quadros de acne, dermatite e psoríase. Sem falar que anos de bebedeira abrem alas ao envelhecimento precoce, que se manifesta por manchas e rugas.

Se não bastasse, uma bomba foi noticiada por estudiosos do Instituto Karolinska, na Suécia, e da Universidade de Monza, na Itália. Mesmo o consumo moderado de bebida alcoólica foi associado a um aumento de 20% no risco de melanoma, o câncer de pele mais agressivo.

Os cientistas se aventuram em algumas hipóteses para elucidar o achado. Uma delas é que, além de mexer com o controle da inflamação no corpo, o álcool potencializa a sensibilidade da pele aos raios solares — vilões por trás do tumor.

O rival do esporte

Não importa se você é atleta ou malha de leve pensando no seu bem-estar, o consumo de álcool e a prática de exercícios definitivamente não combinam. Nem antes nem depois de suar a camisa. A bebida interfere na força, na velocidade e no equilíbrio, acarretando pior desempenho e mais lesões.

Quem toma umas antes de jogar ou malhar, então, fica mais sujeito à hipoglicemia, quando o açúcar no sangue despenca. Um perigo!

E sabe aquela rodada de cerveja que costuma fechar a pelada de futebol? Reconsidere. “O álcool é o inimigo número 1 da hidratação. Se o sujeito já está desidratado, vai ficar ainda mais depois de beber”, avisa o fisiologista Turíbio de Barros, da Unifesp. “Por ter efeito diurético, quanto maior o consumo, maior a perda de líquidos e eletrólitos como sódio e potássio.”

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Vai se exercitar? Então é melhor suspender a bebida alcoólica por 72 horas antes ou 24 horas depois da atividade.

Fertilidade em xeque

Ao que tudo indica, o álcool atrapalha o sonho de ser pai e mãe. Um estudo americano indica que mesmo meras três taças de vinho por semana já podem reduzir a capacidade de mulheres engravidarem.

Para os homens, o cenário não é tão diferente. E, quanto maior a ingestão, mais dificuldades à vista. Segundo a pesquisadora Tina Kold Jensen, da Universidade do Sul da Dinamarca, a bebida afeta a qualidade dos espermatozoides. “O consumo crônico pode impactar na forma e na função dessas células, diminuir a libido e até levar à atrofia dos testículos”, alerta.

Pensando em fazer tratamento para ter filhos? A recomendação do ginecologista e obstetra Isaac Yadid, da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, é não ingerir álcool pelo menos um mês antes. “Estudos demonstram tendência de pior resultado com a ingestão diária”, diz.

Quer ser produtivo?

Quem bebe com frequência vê ou verá o rendimento no emprego naufragar. Mas não para aí. O consumo de álcool já se tornou a principal causa de afastamento do trabalho por uso de substâncias psicoativas no Brasil. Entre 2010 e 2014, o número de brasileiros nessas condições que precisaram parar de trabalhar e pediram auxílio-doença registrou um aumento de 19%.

“O álcool provoca efeitos físicos e cognitivos que impactam no desempenho do trabalhador, o que traz riscos para si e para terceiros”, observa João Silvestre da Silva Júnior, diretor da Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Dados do último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas indicam que 4,9% da população (cerca de 4,6 milhões de cidadãos) admitiram já ter perdido o emprego por causa do álcool e 8% (7,4 milhões) relataram que o uso de bebidas alcoólicas teve repercussão em sua rotina de trabalho.

Dependência por álcool na família

Vinte e oito milhões. Eis o número de brasileiros que, segundo o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos, da Unifesp, têm algum dependente químico na família. “Para cada usuário de drogas, existem outras quatro pessoas afetadas”, estima Laranjeira.

As mulheres são as que mais padecem: 80% delas sofrem os impactos negativos, psicológicos ou financeiros, do vício dentro de casa (seja do filho, seja do marido).

Um dos desafios apontados na pesquisa é o tempo para busca de apoio: no caso dos dependentes de álcool, uma média de sete anos até procurar um serviço especializado — entre dependentes de cocaína, essa janela não passa de dois anos.

Nesse ínterim, o lar pode virar refém inclusive da violência. “O álcool é um veneno. Ao menor sinal de dependência, o indivíduo ou a família devem buscar ajuda”, ressalta o psiquiatra Jorge Jaber, presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas.

Os problemas do álcool em números e quem precisa ficar longe dele

“Cerveja? Só faz mal quando falta”, “Evite ressaca: mantenha-se de porre”… Frases do tipo, a estampar paredes de bar ou para-choques de caminhão, seriam cômicas se não fossem trágicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de álcool causa problemas a 10% da população do planeta — são 753 milhões de pessoas.

No ano de 2016, cerca de 2,8 milhões (100 mil delas só no Brasil) perderam a vida em decorrência dele. O motivo? De acidente de trânsito a falência do fígado. E não pense que o prejuízo se restringe a quem bebe demais.

No Brasil, o último Relatório Global sobre Álcool e Saúde da OMS revela que, entre 2010 e 2016, a média de consumo per capita caiu 11% e passou de 8,8 litros para 7,8 litros ao ano por cidadão. “É um avanço. Apesar de estar acima da média mundial de 6,4 litros, o país alcançou valor inferior à média das Américas, de 8 litros”, analisa Guerra.

Se a ingestão per capita caiu, o consumo de grande quantidade de álcool em curto espaço de tempo aumentou de 12,7% para 19,4% entre mulheres e jovens, revela o estudo Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2019 do Cisa.

“A situação é preocupante porque, biologicamente, o organismo feminino é mais suscetível aos efeitos do álcool e o cérebro adolescente pode sofrer danos irreversíveis”, avalia Guerra.

Jovens e gestantes estão entre aqueles que em nenhuma hipótese deveriam tomar bebida alcoólica. O grupo do “álcool zero”, por orientação da OMS, inclui, ainda, quem vai dirigir ou trabalhar com máquinas, faz uso de remédios que interagem com a bebida ou tem histórico de dependência química.

Para especialistas, porém, não basta ficar nas recomendações. É preciso proibir e fiscalizar a venda para menores de 21 anos e elevar o preço do produto. “O mercado no Brasil é completamente desregulado. Quem domina a política de álcool é a própria indústria. O governo, federal, estadual ou municipal, pouco faz”, critica Laranjeira.

Que as novas evidências ajudem a rever e a mudar essa situação, para o nosso próprio bem e de toda a sociedade.

Problemas clássicos que o álcool causa ou amplifica

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  • Bebidas alcoólicas
  • Câncer
  • Coração
  • Vícios

Источник: https://saude.abril.com.br/bem-estar/existe-limite-seguro-para-o-consumo-de-alcool/

Alcoolismo

EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE A SAÚDE
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Alcoolismo é a dependência do indivíduo ao álcool, considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.

O uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o bom funcionamento do organismo, levando a consequências irreversíveis.

A pessoa dependente do álcool, além de prejudicar a sua própria vida, acaba afetando a sua família, amigos e colegas de trabalho.

O abuso de álcool é diferente do alcoolismo porque não inclui uma vontade incontrolável de beber, perda do controle ou dependência física. E ainda o abuso de álcool tem menos chances de incluir tolerância do que o alcoolismo (a necessidade de aumentar as quantias de álcool para sentir os mesmos efeitos de antes).

Sintomas de Alcoolismo

A palavra alcoolismo é conhecida de todos. Porém, são poucos os que sabem exatamente o seu significado. O alcoolismo, também conhecido como “síndrome da dependência do álcool”, é uma doença que se desenvolve após o uso repetido de álcool, tipicamente associado aos seguintes sintomas (que não necessariamente ocorrem juntos):

Compulsão: uma necessidade forte ou desejo incontrolável de beber;

Dificuldade de controlar o consumo: não conseguir parar de beber depois de ter começado;

Sintomas de abstinência física, como náusea, suor, tremores e ansiedade, quando se para de beber;

Tolerância: necessidade de doses maiores de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância.

Consequências em curto prazo

Quanto mais alta for a concentração de álcool no sangue, mais severas poderão ser as alterações da consciência e os sintomas de intoxicação alcoólica:

Comportamento desadequado;

Humor instável;

Falta de discernimento;

Fala arrastada;

Défice de atenção;

Problemas de memória, incluindo-se “apagões” de memória

Falta de coordenação;

Consequências a médio e longo prazo

O alcoolismo tem vários efeitos e muito negativos sobre a saúde física e psíquica, que na maioria das vezes causam prejuízos graves nos vários contextos em que a pessoa se move, sejam eles laboral, familiar ou social, e que estão relacionados com exclusão social, acidentes de trânsito, comportamentos agressivos, etc.

Problemas físicos:

Gastrointestinais: úlcera, varizes esofágicas, gastrite, gordura no fígado (esteatose hepática), hepatite, pancreatite, cirrose;

Neuromusculares: cãibras, perda de força muscular, dormência, distúrbios de coordenação;

Cardiovasculares: hipertensão, arritmias, aumento do risco de acidente vascular isquêmico;

Sexuais: redução da libido, ejaculação precoce, disfunção erétil, infertilidade.

Depressão

O álcool tem um efeito depressor sobre o sistema nervoso central e aumenta o risco de perturbações de humor e de depressão, que se revelam pelos sintomas habituais, desinteresse, perda ou aumento de peso, perturbações do sono, fadiga, perda de energia ou agitação, pensamentos negativos, diminuição da capacidade de pensamento ou concentração, e nos casos mais severos, pensamentos suicidas.

Abstinência

Ocorre quando, após um período de alcoolismo intensivo, há uma paragem no consumo ou uma redução abrupta e significativa das quantidades ingeridas.

Pode revelar-se algumas horas depois ou surgir até quatro a cinco dias após esse momento e os sintomas são: taquicardia, tremores nas mãos, insónia, náuseas e vómitos, alucinações, inquietação, agitação e ansiedade.

Nos casos mais graves, a situação de delirium tremens é acompanhada de febre, convulsões e confusão mental.

Demência

A memória é frequentemente afetada não só pela ação do álcool como pela má nutrição, que torna frequente nos alcoólicos a carência de vitamina B1, essencial para a manutenção da capacidade de armazenar novas memórias. “A degradação da memória, causada pelo consumo excessivo de álcool, pode perdurar e inclusive agravar-se ao longo dos anos”, alerta José Fernando Santos Almeida.

Psicose

Induzida pelo álcool, consiste sobretudo em alucinações e ideias delirantes (ideias falsas que resistem a toda a argumentação lógica e ao teste da realidade). Afeta 3% dos dependentes do álcool.

“Há pessoas mais suscetíveis a sofrerem uma psicose do que outras e a durabilidade da psicose dependente de inúmeros fatores (manutenção do consumo, vulnerabilidade, história prévia de psicose, concomitância de consumos de outras substâncias, etc.).”

Tratamento de Alcoolismo

A decisão de pedir ajuda

Reconhecer que precisa de ajuda para um problema com álcool talvez não seja fácil. Porém, tenha em mente que, o quanto antes vier a ajuda, melhores serão as chances de uma recuperação bem sucedida.

Em nossa sociedade prevalece o mito de que um problema com álcool é sinal de fraqueza moral. Como resultado disto, você pode até achar que procurar ajuda é admitir algum tipo de defeito, que você deveria se envergonhar. Contudo, o alcoolismo é uma doença como outra qualquer. Identificar um possível problema com álcool tem uma compensação enorme, uma chance de viver com mais saúde.

Quando falar com seu médico sobre o uso de álcool, tente ser o mais completo e honesto possível. Isso é necessário para que ele possa avaliar se você está ou não tendo problemas com o álcool.

Você também pode passar por exames físicos.

Se o médico concluir que você é dependente de álcool, ele deve recomendar que você se dirija a um especialista para tratar o alcoolismo, que vai explicar e indicar o tratamento mais adequado.

Tratamento

A natureza do tratamento depende do grau de dependência do indivíduo e dos recursos disponíveis na comunidade.

O tratamento pode incluir a desintoxicação (processo de retirar o álcool de uma pessoa com segurança); o uso de medicamentos, para que o álcool se torne aversivo, ou para diminuir a compulsão pelo álcool; aconselhamento, para ajudar a pessoa a identificar situações e sentimentos que levam à necessidade de beber, além de construir novas maneiras de lidar com essas situações. Os tratamentos podem ser feitos em hospitais, em casa ou em consultas ambulatoriais.

O envolvimento e apoio da família são essenciais para a recuperação. Muitos programas oferecem aconselhamento conjugal e terapia familiar como parte do processo de tratamento.

Alcoólicos Anônimos

Quase todos os programas de tratamento do alcoolismo também incluem encontros de Alcóolicos Anônimos (AA), cuja descrição é “uma comunidade mundial de homens e mulheres que se ajudam a ficarem sóbrios”.

Enquanto o AA é geralmente reconhecido como um programa eficiente de ajuda mútua para recuperar dependentes de álcool, nem todas as pessoas respondem positivamente ao estilo e mensagens do AA, e outras abordagens podem estar disponíveis.

Até mesmo os que vêm conseguindo ajuda pelo AA geralmente descobrem que a recuperação funciona melhor com outros tratamentos juntos, inclusive aconselhamento e tratamento médico.

Alcoolismo tem cura?

Embora o alcoolismo seja uma doença tratável, ainda não há cura. Isto significa que, mesmo que um dependente de álcool esteja sóbrio por muito tempo, ele é suscetível a recaídas.

Por isso deve-se evitar qualquer bebida alcóolica, em qualquer quantidade.

“Reduzir” o consumo pode até diminuir ou retardar problemas, mas não é suficiente: a abstinência é necessária para que a recuperação seja bem-sucedida.

Recaídas são muito comuns. Mas isso não significa que a pessoa fracassou ou não irá se recuperar do alcoolismo. No caso de uma recaída, é muito importante retomar o foco no objetivo e manter o apoio necessário para não voltar a beber.

Ajuda ao abuso do álcool

Se o seu médico determinar que você não seja dependente de álcool, mas está envolvido em um padrão de abuso de álcool, ele pode ajudá-lo:

Examine os benefícios de parar de beber e o risco de continuar bebendo

Examine as situações que desencadeiam seus padrões não saudáveis de consumo de bebidas alcoólicas, e desenvolver novas formas de lidar com essas situações.

Algumas pessoas que pararam de beber depois de terem tido problemas relacionados ao álcool frequentam os AA para obter informação e apoio, mesmo não sendo dependentes.

Complicações possíveis

Efeitos do álcool

O consumo excessivo e continuado de álcool aumenta o risco para complicações de saúde. Os efeitos do álcool sobre cada indivíduo são diferentes e dependem de uma série de fatores, mesmo quando consumido em quantidades iguais.

Além disso, ainda que o consumo leve a moderado de álcool – até uma ou duas doses* por dia, respeitando ao menos dois dias de intervalo em uma semana e não ultrapassando este limite – possa contribuir na diminuição do risco de doenças cardiovasculares, maiores quantidades podem elevar esse risco.

Os perigos do álcool

Apesar de ser aceito pela sociedade, o álcool oferece uma série de perigos tanto para quem o consome quanto para as pessoas que estão próximas.

Por essa razão o consumo abusivo de álcool é uma questão de saúde pública.

Parte dos acidentes de trânsito, comportamentos antissociais, violência doméstica, ruptura de relacionamentos e problemas no trabalho são provenientes do uso nocivo de álcool.

Источник: https://saude.to.gov.br/vigilancia-em-saude/doencas-transmissiveis-e-nao-transmissiveis/vigilancia-em-saude/doencas-transmissiveis-e-nao-transmissiveis/dant/fatores-de-risco/alcoolismo/

EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE A SAÚDE

EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE A SAÚDE

O álcool é uma substância que pode trazer grandes malefícios a vários órgãos do nosso corpo, principalmente ao fígado, pâncreas, coração e cérebro. Nos EUA, os gastos do sistema de saúde e as perdas de produtividades devido a doenças relacionadas ao álcool ultrapassam os 180 bilhões de dólares por ano.

Todavia, ao contrário do cigarro, que faz mal em qualquer quantidade, se as bebidas alcoólicas forem consumidas com parcimônia e de forma responsável, há evidências de que elas possam até trazer alguns benefícios para a saúde. Por outro lado, são cada vez mais comuns os estudos mostrando que mesmo o consumo de pequena quantidade de álcool, quando feito diariamente, pode aumentar o risco de surgimento de vários tipos de câncer.

Neste artigo nós vamos fazer uma rápida revisão sobre os benefícios e malefícios do consumo do álcool. Falaremos também sobre os critérios utilizados para definir alcoolismo.

Após a conclusão deste texto, não deixe de ler também os seguintes artigos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas:

Informações em vídeo

Antes de seguirmos em frente, assista a esse curto vídeo sobre os sinais e sintomas da intoxicação pelo álcool de acordo com a quantidade de bebida ingerida.

Benefícios do álcool

Esse texto é basicamente sobre efeitos nocivos do álcool e alcoolismo, porém, não podemos deixar de falar rapidamente nos benefícios do uso responsável do álcool.

Ao contrário da maconha e do cigarro (as outras duas drogas mais usadas socialmente), existem algumas evidências de que o consumo leve a moderado de álcool pode até ser benéfico para a saúde.

Mas antes que todo mundo saia por aí bebendo, algumas explicações são necessárias.

Não existem grandes trabalhos científicos sobre os efeitos benéficos do álcool, a maioria consiste em pequenos estudos a curto prazo e com número pequeno de pacientes.

Apesar desses defeitos, os estudos que existem realmente sugerem que o consumo moderado possa trazer benefícios como a redução das doenças cardíacas.

Deve-se encarar essas vantagens como algo possivelmente real, mas não como uma verdade absoluta já aceita por toda comunidade médica.

Os trabalhos mostram que os benefícios parecem vir do álcool e não de um tipo específico de bebida, como o vinho, por exemplo. A história dos flavonoides do vinho serem cardioprotetores nunca foi comprovada. Parece que qualquer bebida alcoólica tem o mesmo efeito. Nenhuma é superior a outra.

O grande problema é que não existe uma dose ideal de álcool para todo mundo. Em geral, mulheres são mais susceptíveis aos danos do álcool que os homens.

Aceita-se que a dose considerada benéfica seja 10 a 15 gramas de álcool, o que equivale a uma taça de vinho ou uma garrafa pequena de cerveja (355 ml) por dia para as mulheres.

Homens podem beber um pouco mais como duas garrafas de cerveja ou duas taças de vinho por dia. Há quem ache que o consumo não pode ser diário, sendo necessário 1 ou 2 dias de intervalo.

É importante salientar que em algumas pessoas os benefícios cardiovasculares de uma ingestão moderada de álcool acabam não sendo vantajosos, uma vez que causam um aumento dos riscos de outras doenças como câncer de mama, doenças do fígado e acidentes automobilísticos.

A ingestão de álcool, mesmo que moderadamente, é contraindicada nas seguintes situações:

  • Grávidas.
  • Pessoas com passado de alcoolismo.
  • Pessoas com histórico familiar de alcoolismo.
  • Antecedentes de AVC hemorrágico.
  • Pessoas com doenças do fígado.
  • Pessoas com doenças do pâncreas.

Também devem evitar o consumo regular de álcool pessoas com doenças do estômago e esôfago e aquelas com história familiar forte de câncer de mama (leia: CÂNCER DE MAMA | Fatores de risco).

Também não devem beber quantidade alguma de álcool pessoas que irão operar máquinas pesadas ou conduzir carros nas próximas horas.

Malefícios do consumo elevado de álcool

Definimos como alcoolismo pesado o consumo de mais de 7 drinks por semana ou a ingestão frequente de mais de 3 drinks por dia nas mulheres (1 drink equivale a uma taça de vinho ou 355 ml de cerveja ou 45 ml de uísque) e o dobro disso nos homens. Portanto, mulheres que bebem diariamente duas taças de vinho todos os dias, já estão enquadradas no grupo de alcoolismo pesado.

O consumo elevado de álcool elimina todos os possíveis benefícios do consumo leve e ainda pode trazer inúmeras complicações para saúde, como:

Além dos problemas acima, todos os benefícios cardiovasculares do consumo moderado se transformam em malefícios no caso de consumo pesado de álcool. Elevam-se os riscos de infartos, insuficiência cardíaca e arritmias.

Além dos problemas de saúde, quem já teve contato com uma pessoa alcoólatra, sabe o poder destrutivo desta droga. Mesmo sem nenhuma doença física, essas pessoas se tornam improdutivas. O alcoólatra não trabalha, não cuida da família, muitas vezes se tornam violentos e perdem os contatos sociais, além de colocar a vida de outros em risco quando encontram-se atrás do volante de um carro.

O alcoolismo é uma doença e apresenta elevada taxa de morbidade e mortalidade. Estima-se que até metade dos acidentes de trânsito fatais estejam de algum modo relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas.

Nos EUA, onde existem dados mais precisos, cerca de 80.

000 pessoas morreram entre 2001 e 2005 por doenças relacionados ao uso abusivo de álcool e 70% dos casos de suicídio em estudantes universitários ocorrem em pessoas com problemas com bebidas.

Ressaca e bebedeira

O que chamamos popularmente de bebedeira é a intoxicação aguda pelo álcool. Os sintomas da intoxicação variam de acordo com a concentração de álcool no sangue. Inicialmente sentimos tontura, incoordenação motora, desinibição e alterações no discurso. Concentrações muito alta de álcool podem levar a redução do nível de consciência e coma.

A ressaca é o nome que se dá ao grupo de sinais e sintomas que surgem após a intoxicação alcoólica, entre eles fraqueza, mal estar, dor de cabeça e intensa sede.

Temos um texto específico sobre bebedeira e ressaca: RESSACA E POR QUE FICAMOS BÊBADOS

Uso de álcool com outras drogas, remédios e energéticos

A associação de bebidas alcoólicas com medicamentos pode levar a efeitos colaterais graves, inclusive com risco de morte. O álcool pode tanto potencializar os efeitos de um medicamento quanto neutralizá-lo. Pode também ativar enzimas que metabolizam o medicamento em substâncias tóxicas para o organismo.

Atualmente tem sido muito comum entre jovens a associação de bebidas alcoólicas com energéticos, outras drogas e até com medicamentos para impotência como Viagra.

Falamos mais especificamente das interações do álcool no texto: INTERAÇÃO DO ÁLCOOL COM REMÉDIOS E ENERGÉTICOS

Abuso e dependência do álcool

Consideramos que há uso abusivo do álcool quando o paciente começa a apresentar pelo menos um dos problemas listados abaixo:

  • Dificuldades em desempenhar adequadamente suas tarefas profissionais ou estudantis.
  • Problemas legais relacionados ao uso de álcool com recorrência (por exemplo: agressões e acidentes de carro).
  • Uso continuado do álcool apesar dos problemas sociais e profissionais que o mesmo está causando.
  • Uso frequente do álcool em situações que ameaçam a sua integridade física (conduzir, operar máquinas pesadas, trabalhar na construção civil, etc.) ou uso frequente de álcool até perda da consciência.

O paciente com dependência do álcool, popularmente chamado de alcoólatra, é definido quando existem pelo menos 3 dos problemas listados abaixo:

  • Tolerância aos efeitos tóxicos do álcool (necessidade de beber cada vez mais para ficar bêbado).
  • Necessidade de beber álcool depois de algum tempo sem consumi-lo.
  • Consumo de grandes quantidades de álcool, sempre maior do que inicialmente planejado.
  • Percepção de que precisa diminuir ou controlar o consumo de álcool ou sentimento de culpa por beber.
  • Dificuldades profissionais e/ou sociais devido ao uso abusivo do álcool.
  • Perda de grande parte do dia bebendo, tentando obter álcool ou se recuperando da ressaca.
  • Uso persistente do álcool apesar da noção de que o mesmo o está prejudicando.

O abuso e a dependência do álcool têm estreita relação familiar. Parentes de primeiro grau de pessoas com problemas com álcool tem até 4 vezes mais chances de também tê-lo.

Tratamento do alcoolismo

O tratamento do alcoolismo visa a abstinência do álcool, ou pelo menos uma grande redução no seu consumo, e atualmente envolve psicoterapia e uso de drogas. O tratamento medicamentoso costuma ser usado por até 6 meses.

A naltrexona é atualmente a droga mais indicada. O dissulfiram, topiramato, acamprosato e baclofeno são outras opções.

Источник: https://www.mdsaude.com/dependencia/efeitos-alcool/

11 problemas que você pode ter se tomar bebida alcoólica todos os dias

EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE A SAÚDE

A maioria das pessoas sabe o quanto o álcool é prejudicial à saúde, mas não liga muito pois não exagera na bebida, só toma uma ou duas latinhas no fim do dia para relaxar, e um pouco mais no fim de semana para curtir a vida.

Pois saiba que mesmo bebendo só esse “pouquinho” você pode ter problemas de saúde.”Não existe uma quantidade comprovadamente segura para o consumo de álcool, só um limite indicado para reduzir o risco de doenças em quem escolhe fazer uso desses produtos”, explica a médica Carolina Hanna, psiquiatra do núcleo de álcool e drogas do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. 

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A recomendação varia, mas um bom limite é que as mulheres não tomem mais de uma dose por dia e os homens duas, além de não beber mais de cinco vezes por semana –alguns órgãos de saúde “liberam” 10 doses semanais para o sexo feminino e 15 para o masculino. Como uma dose, entenda uma lata (330 ml) de cerveja, uma taça (100 ml) de vinho ou um copo (30 ml) de destilado. 

Veja os problemas mais comuns que o organismo pode sofrer quando essa quantidade é ultrapassada regularmente.

Obesidade

Bar e perda de peso são duas coisas que definitivamente não combinam. Dados recentes da Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição (EPIC) mostram que o consumo de álcool regular estimula o acúmulo de gordura corporal e o aumento da circunferência da cintura.

A bebida alcoólica é pobre nutricionalmente (não alimenta) e possui alto valor calórico: 1 grama de carboidrato ou proteína tem, mais ou menos, 4 calorias, enquanto a mesma de álcool tem 7 calorias. Uma lata de cerveja, por exemplo, fornece aproximadamente 150 calorias, praticamente o mesmo que um pão francês. 

Além disso, o álcool eleva o nível de cortisol –o hormônio do estresse — no organismo, isso tende a aumentar o desejo por comidas cheias de açúcar e gordura.

Depressão

Embora gere uma alegria inicial durante o uso, o álcool é uma substância depressora do sistema nervoso central. Seu consumo exagerado afeta diretamente o humor e contribuir para a redução de células no cérebro, o que pode levar a quadro depressivos. 

“Além da toxicidade direta da bebida, a pessoa pode desenvolver depressão por ter constantes arrependimentos do que fez sob os efeitos do álcool”, comenta Paulo Camiz, clínico geral e professor da Universidade de São Paulo (USP).

Perda de memória

Quando o sistema nervoso central é afetado, não é somente o humor que fica alterado. “O álcool tem efeito deletério na arquitetura cerebral, causando danos em estruturas importantes ligadas à memória“, alerta Alessandra Diehl, psiquiatra e vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).

Um estudo francês publicado no periódico The Lancet analisou 1 milhão de pessoas e descobriu que entre os 57 mil casos de demência de início precoce, em torno de 60% tinham relação com o consumo exagerado de álcool. “A ingestão demasiada da substância causa deficiência de algumas vitaminas, como a B1 (tiamina), e isso pode contribuir para o risco de demência alcoólica, um quadro grave e irreversível”, alerta Diehl.

Fígado gorduroso e cirrose

O fígado é o responsável por metabolizar os nutrientes de tudo o que comemos e bebemos. Beber demais sobrecarrega o órgão, o que altera o metabolismo dos triglicerídeos, gerando um acumulo de gordura no fígado, doença chamada de esteatose hepática alcoólica.

“Esse fenômeno é identificado frequentemente em pacientes que consomem grandes quantidades de bebidas (mais de 6 doses por dia). Ela ocorre não apenas pela má nutrição associada ao alcoolismo, mas também pela hepatotoxicidade direta do álcool“, comenta o médico Alexandre de Araújo Pereira, professor da pós-graduação em psiquiatria da Faculdade Ipemed de Ciências Médicas.

Até 40% das pessoas diagnósticadas com figado gorduroso desenvolvem cirrose, inflamação crônica irreversível do órgão, que altera sua capacidade de funcionar adequadamente

Pâncreas doente 

O abuso de álcool é a principal causa de pancreatite, que é a inflamação do órgão. “Em geral, ocorre com o passar de cinco a dez anos de consumo pesado e regular. A taxa de mortalidade de pacientes com pancreatite alcoólica é cerca de 36% mais elevada do que para a população geral“, afirma Diehl.

Por conta da doença, o pâncreas para de desenvolver alguns hormônios essenciais ao organismo, como a insulina, levando a um quadro de diabetes tipo 2

AVC (derrame)

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública, da Finlândia, mostrou que pessoas que consomem bebidas alcoólicas acima da dose recomendada pela OMS têm um risco 40% maior de derrame em comparação com aqueles que nunca bebem demais.

“Um dos fatores de risco mais importantes para o AVC é a elevação constante da pressão arterial, e o álcool em excesso pode contribuir com esse aumento”, explica Pereira. 

Cardiomiopatia

O efeito tóxico da bebida atinge o coração e, com o passar do tempo, dificulta a atividade de algumas enzimas nas células cardíacas, o que deixa o músculo cardíaco fraco e flácido: a chamada cardiomiopatia alcoólica. A doença dificulta a distribuição de sangue para o organismo e pode desencadear outros problemas, como dificuldade para respirar, fadiga, inchaço nas pernas e nos pés e até uma parada cardíaca.

Pneumonia e tuberculose

A bebida alcoólica interfere na produção de glóbulos brancos –responsáveis por combater as infecções no organismo — e prejudica o sistema imunológico. Em curto prazo, é possível que isso faça com que as gripes e resfriados se tornem constantes. Mas, com o passar do tempo, doenças mais graves podem surgir, como pneumonia e tuberculose. 

“O álcool tem um efeito supressor (tóxico) em toda a medula óssea, que faz com que ela produza menos sangue e, por consequência, reduza a quantidade de glóbulos brancos no corpo.

Outro fator é quando o paciente apresenta problemas avançados de fígado.

Por consequência de doenças no órgão, o baço acaba crescendo e sequestra os glóbulos brancos, os vermelhos e as plaquetas do sangue, o que diminuir as quantidades dessas células no organismo”, explica Camiz.

Câncer

Segundo a OMS, vários tipos de tumores estão relacionados ao consumo de bebidas por um período prolongado, como o câncer de mama, boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, fígado e intestino.

Além de ter um efeito cancerígeno, quando chega ao intestino, o álcool pode funcionar como solvente, facilitando a entrada de outras substâncias carcinogênicas para dentro das células“, explica Pereira.

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Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2018/09/09/11-problemas-que-voce-pode-ter-se-tomar-bebidas-alcoolicas-todos-os-dias.htm

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