Endometriose: o que é, sintomas e tratamento

Endometriose Profunda: Sintomas e tratamentos

Endometriose: o que é, sintomas e tratamento

Revisado pelo: Ginecologista e Obstetra Dr. Rodrigo da Rosa Filho (CRM 119789)

A endometriose profunda é uma doença inflamatória que ocorre quando o endométrio, camada que reveste o interior do útero, está presente fora da cavidade uterina e penetra profundamente nos órgãos da região, lesionando-os.

Trata-se de uma doença grave, já que na endometriose profunda o tecido endometrial atinge uma área maior do órgão, sendo ainda mais espesso do que na endometriose comum, provocando dores intensas, fluxo sanguíneo exagerado e infertilidade.

O que é endometriose profunda?

O endométrio, camada que reveste internamente o útero, pode estar presente fora da cavidade uterina. Quando isso ocorre, o sistema imunológico, por razões tanto genéticas quanto ambientais, tenta atacar essas células, promovendo reações inflamatórias progressivas a cada ciclo menstrual.

Caso a área atingida por esse endométrio seja grande e profunda (mais de 5 mm para dentro), ocorre a endometriose profunda, disfunção que lesiona a capacidade produtiva do órgão.

Apesar de a medicina não conseguir definir a causa para endometriose profunda, verifica-se que há uma predisposição genética, uma vez que aparece com mais frequência entre mulheres da mesma família.

Uma das teorias estudadas para a origem da doença é que a endometriose profunda decorra de um processo chamado menstruação retrógrada, no qual parte do fluxo menstrual percorre as tubas uterinas em direção à cavidade pélvica.

Isso faz com que algumas células do endométrio cheguem à região pélvica e se fixem próximo a ovários, tubas, ligamentos que sustentam o útero e os demais órgãos como intestino, trato urinário e até o diafragma, músculo que separa a cavidade abdominal do tórax.

No entanto, a menstruação retrógrada por si só não determina o aparecimento da endometriose profunda, precisando estar associada a alterações no sistema imunológico, o que altera a habilidade normal do organismo em reconhecer e combater as células endometriais.

Também é interessante destacar que substâncias presentes no meio ambiente podem favorecer a enfermidade. São os casos de alguns pesticidas, poluentes industriais e do bisfenol-A, produzido a partir do aquecimento do plástico BPA.

O problema compromete a fertilidade?

A presença da endometriose profunda dificulta a passagem do óvulo ou espermatozoide, podendo inclusive impedir a fecundação — seja por formar uma barreira ou por danificar o ovário a ponto de ele não conseguir liberar óvulos saudáveis. Ela também impossibilita que o endométrio fique adequado para receber o embrião, o que prejudica a sua fixação, impedindo a gravidez ou provocando um aborto.

Para que a gravidez aconteça, a endometriose profunda precisa ser tratada, por isso sempre que optar pela concepção, a paciente deve procurar por um especialista em reprodução humana ou em endometriose para fazer um tratamento que elimine os focos de inflamação.

Como é o tratamento?

Para diagnosticar a endometriose profunda, o médico pedirá exames de ressonância magnética e a ultrassonografia transvaginal, ambos com preparo intestinal prévio para melhor sensibilidade dos exames.

Por não existir cura, o médico vai controlar a doença a fim de que a paciente fique saudável. Para isso, geralmente são receitados medicamentos hormonais ou é recomendada a cirurgia para retirada dos pontos de endometriose profunda.

A abordagem cirúrgica deve ser realizada nas seguintes situações:

  • Falha da terapêutica hormonal para aliviar a dor;
  • Situações de intolerância e de contraindicações ao uso de determinados medicamentos;
  • Casos graves, muito sintomáticos, sem desejo de gravidez futura que querem uma alternativa ao uso de medicação por longo tempo;
  • Evidência de obstrução ou lesão grave de algum órgão.

É por meio da videolaparoscopia que os focos de endometriose profunda são retirados, um procedimento menos invasivo em que pequenas incisões são feitas no abdômen para inserir a câmera e instrumentos cirúrgicos. Após a extração dos focos, cauteriza-se o local. Nesse processo, pretende-se mexer o mínimo possível nos órgãos reprodutores a fim de não os danificar e impossibilitar uma maternidade futura.

Para aquelas mulheres que não pretendem engravidar, tanto os tecidos afetados quanto os órgãos (útero e ovários) podem ser retirados para eliminar a doença. Lembrando que esse procedimento só é efetuado quando a pessoa realmente não pretende ter uma gestação.

Após o tratamento adequado, são avaliadas as condições dos órgãos reprodutores e, se não estiverem comprometidos, pode-se tentar a gravidez normalmente, desde que com o acompanhamento do profissional.

No caso dos ovários ou úteros estarem prejudicados pela endometriose profunda, o mais recomendado normalmente é a gravidez por meio da reprodução assistida e o tratamento indicado é a fertilização in vitro.

Fontes:

FEBRASGO;

Associação Brasileira de Endometriose.

Источник: https://materprime.com.br/endometriose-profunda-sintomas-e-tratamentos/

Cerca de 10% das pessoas com útero sofrem de endometriose

Endometriose: o que é, sintomas e tratamento

Este artigo está disponível também em: English

Tradução: Monique Oliveira

A endometriose é uma doença complicada que afeta cerca de 10% de pessoas com útero e em idade fértil. É daquelas doenças que muitas vezes há demora no diagnóstico, em que são feitos tratamentos ineficazes e a falta de informação complicam a vida de quem tem a condição.

Outro ponto importante é que a doença tem impacto socioeconômico e na qualidade de vida da mulher, sendo gastos no Brasil em torno de 10,4 milhões reais por ano com a doença (1).

Tendo você um útero ou não, é importante conhecer mais sobre a doença, que tem impacto sobre a fertilidade. Preparamos algumas perguntas-e-respostas que podem ajudar a esclarecer o tema.

A endometriose é simplesmente uma cólica menstrual forte?

Não.
A cólica é apenas um dos sintomas da endometriose, embora que algumas pessoas não tenham qualquer dor, muitas mulheres com endometriose tem cólicas intensas antes, durante e depois da menstruação.

A endometriose é uma condição em que um tecido parecido com o endométrio (camada de revestimento interno do útero), é encontrado fora do útero. Esse tecido “deslocado” induz uma resposta inflamatória que pode resultar em dores intensas e cicatrizes.

Além das cólicas, a endometriose pode causar dor para urinar, dor pélvica crônica, dor nas costas, nas pernas e nos ombros. Em alguns casos, a dor pode ser tão intensa que impede as atividades diárias como sentar e caminhar

A endometriose é rara?

Não. A endometriose é umas das doenças ginecológicas das mais comuns, afetando aproximadamente 176 milhões de pessoas no mundo (2). Como algumas pessoas não apresentam sintomas, o diagnóstico pode ser complexo, sendo necessário cirurgia para confirmação. Outras pessoas podem ter sintomas por anos e visitar vários médicos antes de serem diagnosticadas (3).

A endometriose afeta apenas pessoas entre 30 e 40 anos?

Não.
Em 2011, o estudo Global Study of Women’s Health, conduzido em 10 países, mostrou que dois terços das pessoas diagnosticadas com endometriose tinham procurado ajuda para alívio dos sintomas antes dos 30 anos, muitas dessas pessoas apresentaram sintomas desde os primeiros ciclos menstruais (4).

É possível pegar endometriose?

Não. A endometriose não é contagiosa, tampouco causada por algo que a pessoa tenha feito.

Embora não haja causa conhecida para esta condição, há suspeita de que a genética tenha um peso importante no desenvolvimento da doença (5). Importante lembrar, contudo, que endometriose é diferente de endometrite.

A endometrite é uma inflamação do endométrio que pode ser causada por micro-organismos sexualmente transmissíveis ou por outros tipos de bactérias.

Tratamentos hormonais curam a endometriose?

Não. Medicamentos hormonais sintéticos como pílula, progestagênios, Danazol e análogos de GnRH têm sido usados ​​por muitos anos para “tratar” a endometriose.

No entanto, esses tratamentos hormonais não têm efeito a longo prazo. Eles reduzem temporariamente os sintomas, mas apenas enquanto as drogas estão sendo tomadas.

Uma vez interrompidos os medicamentos, os sintomas voltam.

E a gravidez, cura endometriose?

Não. A gravidez – como os tratamentos hormonais – pode suspender temporariamente os sintomas da endometriose, mas não a elimina. Os sintomas geralmente retornam após o parto.

Às vezes, a amamentação também pode aliviar os sintomas, mas apenas enquanto a frequência das mamadas é suficiente para interromper o ciclo menstrual.

Um estudo com 345 mulheres com endometriose descobriu que os sintomas na verdade aumentaram após o parto em mães que tiveram filhos a primeira vez (6).

A histerectomia (retirada do útero) é a cura para a endometriose?

Não necessariamente. É possível ter endometriose sem útero desde que o tecido semelhante ao endométrio por ser encontrado em outros lugares da região pélvica, (dentro da cavidade abdominal ou no intestino, por exemplo).

A remoção do útero (e às vezes dos ovários) é geralmente vista como um último recurso, depois que outros tratamentos mais conservadores não tenham funcionado. A histerectomia tem mais riscos que uma cirurgia laparoscópica (com pequenos cortes e menos invasiva).

Podem ocorrer complicações como a perda da fertilidade ou menopausa precoce (se os ovários forem retirados também).

Um benefício da histerectomia (especialmente quando se retira os ovários) é a menor chance de novas cirurgias futuras (7, 8). Vale lembrar que a histerectomia pode oferecer alívio da dor, mas isso não é garantido para sempre.

Posso engravidar se tiver endometriose?

Talvez. Infertilidade ou subfertilidade é um sintoma comum da endometriose. A cada 10 pessoas com endometriose, de 2 a 5 têm algum tipo de problema para engravidar (9, 10, 11). Analisando a questão por outra perspectiva, até 2 em cada 5 mulheres com dificuldades para a gestação têm endometriose (12).

Por que a endometriose está relacionada à infertilidade?A inflamação, as alterações anatômicas e cicatrizes associadas à condição causam danos aos óvulos e espermatozoides (12). No entanto, isso não significa que engravidar seja impossível. Alguns tratamentos melhoram as chances de concepção (13, 14, 15).

Como saber se você tem endometriose?

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[Leia agora – Sintomas e diagnósticos de endometriose: o que observar e quais as melhores técnicas]

*O Clue preza pela neutralidade de gênero: falamos de menstruação a partir de um esforço inclusivo – leia e saiba mais.

Источник: https://helloclue.com/pt/artigos/ciclo-a-z/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-endometriose-mitos-e-verdades

Endometriose: o que é, sintomas e tratamento

Endometriose: o que é, sintomas e tratamento

A endometriose é uma doença caracterizada pelo aparecimento de pedaços de tecido da camada interna do útero, chamada de endométrio, fora do útero.

A endometriose pode acometer bexiga, intestinos, apêndice, vagina, ureter e, raramente, órgãos distantes da pelve, tais como pulmões e sistema nervoso central.

Também podem surgir tecidos de endométrio em cicatrizes cirúrgicas do abdômen e da pelve.

Apesar da endometriose ser uma doença benigna, ou seja, não ser um tipo de câncer, ela pode ser bastante dolorosa, debilitadora e pode causar infertilidade. Isso ocorre porque os pedaços de endométrio implantados em outros órgãos do corpo reagem às variações hormonais do ciclo menstrual da mesma forma que o endométrio do útero. Vamos explicar.

O endométrio é uma fina membrana que recobre a parede interna do útero. Durante o ciclo menstrual, o endométrio sofre transformações induzidas pelas variações hormonais, crescendo e se tornando um tecido rico em vasos sanguíneos.

O endométrio se prolifera para ficar apto a receber e nutrir o embrião em caso de gravidez. Ao final do ciclo, se o óvulo não tiver sido fecundado, essa parede espessa do endométrio desaba e é expelida para fora do útero. A esse processo damos o nome de menstruação (para maiores detalhes sobre o ciclo menstrual, leia: CICLO MENSTRUAL – PERÍODO FÉRTIL).

Portanto, o tecido de endométrio em locais atípicos, ao ser estimulados pelos hormônios, também sofre proliferação e depois sangra. Se você tiver endometriose na bexiga ou nos intestinos, por exemplo, vai ter sangramento menstrual nesses órgãos todos os meses.

Esse sangramento dentro de outros órgãos provocam inflamação local, que se manifesta como intensa dor.

A longo prazo, esse repetido processo de inflamação leva à fibrose e formação de cicatrizes, aderências e alterações da anatomia do trato reprodutivo, o que também colabora para a dor e para a infertilidade.

Os locais mais comuns onde ocorrem a endometriose são, em ordem decrescente:

  • Ovários.
  • Regiões ao redor do útero incluindo o fundo de saco de Douglas e ligamentos uterinos.
  • Porção exterior do útero.
  • Trompas.
  • Porções finais do intestino.

A endometriose pode acometer mais de um local diferente ao mesmo tempo, podendo coexistir em até 3 ou 4 órgãos diferentes.

Quando a endometriose ocorre dentro da parede muscular do próprio útero, chamamos de adenomiose uterina. Explicamos essa doença separadamente no artigo: ADENOMIOSE UTERINA – Sintomas e Tratamento.

Fatores de risco

Estima-se que até 7% das mulheres tenham a doença, mas a verdadeira prevalência pode ser maior, uma vez que muitas pacientes são assintomática e desconhecem ter o problema. A faixa etária mais acometida é a de 25 a 35 anos.

Cerca de 80% dos casos de dor pélvica crônica e 50% dos casos de infertilidade são causados pela endometriose. A doença é, portanto, uma importante causa de dor pélvica e infertilidade na população feminina.

As causas da endometriose ainda não são plenamente conhecidas, mas alguns fatores de risco já foram identificados. São eles:

  • História familiar de endometriose.
  • Nuliparidade (nunca ter tido filhos).
  • Primeira menstruação antes dos 11 anos.
  • Ciclo menstrual curto, menor que 27 dias.
  • Ter tido o primeiro filho tarde.
  • Fluxo menstrual intenso.
  • Anomalias do aparelho reprodutor, como defeitos de Müller.
  • Baixo índice de massa corporal (IMC) (leia: CALCULE O SEU PESO IDEAL E IMC).
  • Abuso sexual na infância ou adolescência.
  • Alto consumo de gorduras trans.

Sintomas

Dependendo do local onde ocorre a endometriose, a paciente pode apresentar um quadro clínico que varia desde sintoma nenhum até dor constante e ininterrupta. Estima-se que até 50%dos casos sejam assintomáticos.

O sintoma mais comum da endometriose, acometendo cerca de 80% das pacientes, é a cólica menstrual de forte intensidade. A endometriose é uma causa comum de dismenorreia secundária (leia: CÓLICA MENSTRUAL – Sintomas e Tratamento para entender as dismenorreias).

A gravidade da dor não é necessariamente um indicador confiável da extensão da doença. Algumas mulheres com endometriose leve têm dor intensa, enquanto outras com endometriose avançada podem ter pouca ou mesmo nenhuma dor.

Em geral, os sinais e sintomas mais comum da endometriose são:

Endometriose na bexiga e trato urinário

Os locais mais comuns de endometriose no sistema urinário são:

  • Bexiga: 85 a 90% dos casos.
  • Ureter: 10% dos casos.
  • Rim: 4% dos casos.
  • Uretra: 2% dos casos.

Quando há tecido endometrial na bexiga, os sintomas mais comuns são: dor para urinar, micção frequente, urgência para urinar e sangue na urina. Quandros de infecção urinária são mais comuns em quem tem endometriose do trato urinário do que na população em geral.

Endometriose no intestino

Até 1 em cada 4 pacientes com endometriose apresenta implantes de endométrio nos intestinos. Os locais mais acometidos são:

  • Reto: 13 a 53% dos casos.
  • Cólon sigmoide: 18 a 47%.
  • Apêndice: 2 a 18%.
  • Intestino delgado: 2 a 5%.

Os sintomas mais comuns da endometriose intestinal são: dor abdominal, sangramento nas fezes, massa abdominal palpável, cólicas menstruais, diarreia, prisão de ventre, dor para evacuar, distensão abdominal e excesso de gases intestinais.

Endometriose no ovário

Cerca de 20% das pacientes com endometriose apresentam um tumor no ovário chamado endometrioma ovariano.

O endometrioma é um grande cisto que surge devido à presença de tecido endometrial dentro do ovário.

O endometrioma contém um fluido parecido com alcatrão, espesso e de cor acastanhada, que costuma ser chamado de “cisto de chocolate”, pois o seu conteúdo tem aspecto de calda de chocolate.

Os endometriomas costumam estar firmemente aderidos às estruturas circundantes, como o peritônio, as trompas de Falópio e o intestino.

Como existe um pequeno risco de transformação maligna, os endometriomas costumam ser sempre removidos cirurgicamente.

Endometriose na região torácica

A endometriose torácica é a forma mais comum de endometriose fora da região pélvica/abdominal. Pleura, tecido pulmonar, diafragma e brônquios são os locais mais frequentemente acometidos.

Pneumotórax, hemotórax e tosse com expectoração sanguinolenta são as principais manifestações clínicas dessa forma de endometriose.

Relação da endometriose com infertilidade

Cerca de 30 a 50% das mulheres com endometriose apresentam algum grau de infertilidade. Isso ocorre devido ao acometimento dos ovários, que frequentemente encontram-se inflamados e com adesões fibrosas às trompas. A endometriose acometendo a parte externa do útero também pode levar a deformidades anatômicas, tornando o aparelho ginecológico inapto para uma gravidez.

Diagnóstico

O quadro clínico de dor pélvica cíclica associado a infertilidade é bastante sugestivo, porém insuficiente para se estabelecer o diagnóstico.

Exames de imagem, como a ultrassonografia, podem ajudar a descartar outras causas para os sintomas, como tumores, mas também nem sempre conseguem fechar o diagnóstico da endometriose.

Para se ter certeza do diagnóstico é preciso olhar diretamente para dentro da pelve/abdômen, o que só é possível através da laparoscopia, um procedimento cirúrgico. Durante a laparoscopia é possível procurar pelos implantes e biopsiá-los quando necessário. O diagnóstico de certeza, portanto, só é feito após avaliação histológica de material biopsiado durante a cirurgia.

Nos casos menos graves, o diagnóstico presuntivo com achados clínicos e os exames de imagem costuma ser suficiente para indicar o inicio das terapias de baixo risco, como, por exemplo, o uso de anticoncepcionais. A cirurgia acaba ficando restrita aos casos mais graves, quando a paciente deseja engravidar ou quando é necessário iniciar algum tratamento com taxa de efeitos colaterais mais elevado, como o danazol.

Tratamento

O tratamento normalmente inicia-se com medicamentos para a dor. Os mais usados são os anti-inflamatórios. Estes remédios são apenas sintomáticos e não agem diretamente na doença.

Terapia com hormônios

1. Anticoncepcionais hormonais

A primeira linha de tratamento é feito com anticoncepcionais comuns.

 Os contraceptivos hormonais combinados (estrogênio e progesterona) podem ser usados a longo prazo, são bem tolerados, são relativamente baratos e fáceis de usar e fornecem benefícios adicionais, incluindo diminuição do risco de cânceres de ovário e endométrio. O uso de anticoncepcionais ajuda a controlar o ciclo hormonal, reduz os sangramentos e a dor em mais de 80% dos casos.

O DIU Mirena e a injeção de Depo-Provera também são opções válidas.

2. Agonistas e antagonistas do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH).

Esse grupo de fármacos bloqueia a produção de hormônios estimulantes do ovário, diminuindo os níveis de estrogênio e impedindo a menstruação. Isso cria uma menopausa artificial e faz com que o tecido endometrial encolha.

O tratamento reduz a dor em 80% dos pacientes e ajuda a diminuir o tamanho da endometriose. Esse tratamento pode ser usado por até 12 meses. A menstruação e a fertilidade retornam quando a medicação é interrompida.

3. Danazol

Embora o danazol seja extremamente eficaz no tratamento da dor da endometriose (90% de taxa de sucesso), ele não é tão utilizado por causa dos seus efeitos colaterais androgênicos, tais como acne, câimbras, ganho de peso, crescimento de pelos e voz mais grossa.

Cirurgia para endometriose

A cirurgia é indicada nos casos de dor severa, grande sangramento, infertilidade ou ausência de resposta ao tratamento clínico. A cirurgia visa a remoção dos tecidos endometriais e adesões que possam já existir. Atualmente, a cirurgia mais usada é a laparoscopia.

A laparoscopia é uma técnica cirúrgica menos invasiva usada para visualizar, diagnosticar e remover o tecido endometrial. O cirurgião pode remover ou cauterizar as lesões de endometriose.

Para as pacientes que querem engravidar, mas não conseguem, o tratamento cirúrgico é a melhor opção.

Em casos muitos graves, com múltiplos implantes de endometriose e ausência de resposta a outras formas de tratamento, pode ser necessária a remoção de todo útero e/ou ovários.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/ginecologia/menstruacao/endometriose/

Os principais sintomas e tratamentos de endometriose – Blog da maior rede de clínicas populares que mais cresce no Brasil

Endometriose: o que é, sintomas e tratamento

A endometriose afeta cerca de 6 a 10% das mulheres, sendo ainda mais comum entre aquelas com quadro de infertilidade. Trata-se de uma doença crônica e que pode provocar muita dor e desconforto, atingindo os tecidos dos órgãos do sistema reprodutor.

As causas para a endometriose ainda são desconhecidas, apesar de existirem fatores de risco. Um grande problema é a dificuldade de diagnóstico, uma vez que muitas mulheres podem conviver com a doença por confundi-la com os sintomas da menstruação.

De qualquer forma, ainda que não tenha cura, os sintomas da endometriose podem ser tratados. Neste artigo, mostraremos os tipos da doença, como é feito o tratamento e quais são os principais sintomas. Continue lendo e saiba quando procurar um médico!

No que consiste a endometriose?

O endométrio é uma camada de tecido que reveste a parede interna do útero. Assim, a endometriose consiste no crescimento anormal dessas células, que migram para outras regiões do organismo. O resultado é uma dor intensa, principalmente no período menstrual e nas relações sexuais, podendo causar também a infertilidade.

O desenvolvimento anormal desse tecido ocorre, na maioria das vezes, na região pélvica, como nos ovários, na bexiga, no intestino, no reto e em todo o peritônio, a membrana que cobre a pélvis. Em casos raros, o endométrio pode se multiplicar por outras partes do corpo, como o diafragma, a vulva, os pulmões e até na membrana que reveste o coração (pericárdio).

A tendência é que o crescimento do tecido aconteça gradualmente, conforme a progressão da doença. Mas isso pode variar muito de uma mulher para outra, sobretudo se houver um diagnóstico precoce, seguido do tratamento adequado.

Quais são os tipos de endometriose?

A endometriose pode se manifestar de diferentes formas no corpo da mulher. A seguir, listamos os principais tipos:

  • endometriose superficial: é uma forma mais branda, em que o peritônio, que reveste a cavidade abdominal e a pélvis, é a parte mais atingida;
  • endometriose no ovário: nesse caso, pode haver a formação de cistos nos ovários, provocando sangramentos intensos;
  • endometriose profunda: ocorre na parede de um órgão ou estrutura, com uma profundidade de mais de 0,5 centímetro. Um exemplo é a de septo retovaginal, que pode provocar sangramentos e dores intensas no período menstrual;
  • endometriose de parede: costuma surgir na parede abdominal após uma cirurgia, como a cesariana;
  • endometriose pulmonar: apesar de ser mais rara, pode acontecer quando as células do endométrio se desprendem e chegam aos pulmões pela circulação sanguínea. Nesse caso, podem ocorrer sangramentos pelas vias áreas durante a menstruação.

Quais são os fatores de risco?

Estima-se que uma mulher com casos próximos na família, como a mãe e a irmã, tenha cerca de seis vezes mais chances de desenvolver a endometriose. Além da genética, outros fatores de risco relevantes são:

  • menstruação precoce;
  • ciclos menstruais curtos;
  • períodos menstruais longos, superiores a sete dias;
  • não passar por uma gestação;
  • anomalias no útero e nos outros órgãos da região pélvica.

Quais são os sintomas da doença?

O sintoma mais comum da endometriose, e que costuma acontecer primeiro, é a dor na região pélvica. Ela tende a ser mais intensa no período menstrual, podendo se estender por mais tempo, conforme a evolução da doença. Além disso, podem surgir problemas como:

  • cólicas menstruais (dismenorreia);
  • cólicas abdominais antes da menstruação;
  • dor nas relações sexuais, sobretudo na penetração profunda;
  • dor ao urinar e evacuar, principalmente durante a menstruação;
  • fadiga;
  • diarreia;
  • infertilidade.

No entanto, apesar de a dor ser o sintoma mais relevante, nem sempre ela corresponde à gravidade da doença. Em algumas mulheres, a dor pode ser bem menor que a extensão, prejudicando o diagnóstico. Sem contar que todos os sintomas podem ser relacionados a outros problemas de saúde, ou mesmo, com o período menstrual.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de endometriose é feito, primeiramente, pela verificação dos sintomas e o histórico da mulher. De qualquer forma, o médico pode solicitar alguns exames, não apenas para a confirmação, mas também, para entender a extensão do problema. 

Um desses exames é o de toque vaginal e retal. Ainda no consultório, o médico pode verificar a presença de anormalidades na região pélvica, como nódulos e cistos. Pode ser recomendado, ainda, um ultrassom no local, com a obtenção de imagens mais detalhadas.

No caso da endometriose profunda ou casos mais graves, o médico também pode pedir uma ressonância magnética, permitindo mapear todas as lesões relativas à endometriose.

Em último caso, quando os exames por imagem não forem suficientes para entender a extensão da doença, pode ser feita uma laparoscopia. Nesse procedimento, há a remoção de todos os cistos e tecidos lesionados, que devem ser enviados para uma confirmação do diagnóstico em laboratório.

Como é feito o tratamento para endometriose?

A cirurgia por laparoscopia pode ser considerada tanto um método diagnóstico quanto um tratamento, uma vez que remove os tecidos mais afetados. Como a endometriose é uma doença crônica, o procedimento é importante para a confirmação, que pode ser seguida por outros métodos de tratamento.

No entanto, só é indicada nas situações mais graves e dependendo da condição clínica da mulher. Em último caso, pode ser necessário remover completamente o útero e/ou os ovários. Isso só é feito se a mulher não responder bem aos demais tratamentos e caso ela não tenha o desejo de engravidar.

Quando descoberta ainda no início, a endometriose pode ser tratada com medicamentos. São muito usados, por exemplo, aqueles que inibem a produção de estrogênio. No entanto, como podem apresentar efeitos colaterais, costumam ser indicados por um curto período.

Assim, um dos tratamentos mais recomendados nos casos mais brandos e descobertos no início é o uso de anticoncepcionais de uso contínuo, em que o ciclo menstrual é suspenso. Ou seja, a mulher não menstrua e deixa de desenvolver a doença e ter os sintomas, como a dor intensa, durante o período.

No entanto, esses medicamentos não revertem os problemas já provocados pela endometriose e não devem ser usados por mulheres que queiram ter filhos. Naquelas que já passaram ou estão passando pela menopausa, a terapia de reposição hormonal pode ajudar a minimizar os sintomas e a evitar a progressão da doença.

Como prevenir a doença?

Infelizmente, não existem formas de prevenir a endometriose. Mas é recomendada a adoção de hábitos saudáveis, como dormir bem, ter uma dieta equilibrada e a praticar exercícios físicos regularmente.

O ideal é fazer um check-up médico com frequência, não procurando ajuda apenas quando os sintomas já se manifestaram. É necessário realizar os principais exames ginecológicos, para verificar a saúde do útero, dos ovários e de toda a região pélvica.

Portanto, procure um médico o quanto antes para monitorar a sua saúde e recomendar o melhor tratamento, se for necessário. Ainda que não tenha cura, a endometriose pode ser controlada, proporcionando mais qualidade de vida e bem-estar.

Gostou de saber como tratar a endometriose? Então, compartilhe o post nas redes sociais para que mais mulheres entendam a importância de cuidar da saúde!

Источник: https://blog.amorsaude.com.br/os-principais-sintomas-e-tratamentos-de-endometriose/

Endometriose

Endometriose: o que é, sintomas e tratamento

Endometriose é uma afecção inflamatória provocada por células do endométrio que, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal.

O endométrio é uma mucosa que reveste a parede interna do útero, sensível às alterações do ciclo menstrual, e onde o óvulo depois de fertilizado se implanta. Se não houve fecundação, boa parte do endométrio é eliminada durante a menstruação. O que sobra volta a crescer e o processo todo se repete a cada ciclo.

Endometriose é uma afecção (uma modificação no funcionamento normal do organismo) inflamatória provocada por células do endométrio que, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar.

Endometriose profunda é a forma mais grave da doença. As causas ainda não estão bem estabelecidas. Uma das hipóteses é que parte do sangue reflua através das tubas uterinas durante a menstruação e se deposite em outros órgãos. Outra hipótese é que a causa seja genética e esteja relacionada com possíveis deficiências do sistema imunológico.

Veja também: Leia entrevista sobre saúde da mulher

Sintomas da endometriose

A endometriose pode ser assintomática. Quando os sintomas aparecem, merecem destaque:

  • Cólica menstrual (dismenorreia) que, com a evolução da doença, aumenta de intensidade e pode incapacitar as mulheres de exercerem suas atividades habituais;
  • Dispareunia: Dor durante as relações sexuais;
  • Dor e sangramento intestinais e urinários durante a menstruação;
  • Infertilidade.

Veja também: 6 fatos sobre endometriose

Diagnóstico de endometriose

Diante da suspeita, o exame ginecológico clínico é o primeiro passo para o diagnóstico, que pode ser confirmado pelos seguintes exames laboratoriais e de imagem: visualização das lesões por laparoscopia, ultrassom endovaginal, ressonância magnética e um exame de sangue chamado marcador tumoral CA-125, que se altera nos casos mais avançados da doença. O diagnóstico de certeza, porém, depende de uma biópsia.

Veja também: Ouça agora o podcast Por Que Dói? sobre endometriose

Tratamento da endometriose

A endometriose é uma doença crônica que regride espontaneamente com a menopausa, em razão da queda na produção dos hormônios femininos.

Mulheres mais jovens podem valer-se de medicamentos que suspendem a menstruação: a pílula anticoncepcional tomada sem intervalos e os análogos do GnRH. O inconveniente é que estes últimos podem provocar efeitos colaterais adversos.

Lesões maiores de endometriose, em geral, devem ser retiradas cirurgicamente. Quando a mulher já teve os filhos que desejava, a remoção dos ovários e do útero pode ser uma alternativa de tratamento.

Recomendações para lidar com a endometriose

  • Não imagine que a cólica menstrual é um sintoma natural na vida da mulher.

    Procure o ginecologista e descreva o que sente para ele orientar o tratamento;

  • Faça todos os exames necessários para o diagnóstico da endometriose, uma doença crônica que acomete mulheres na fase reprodutiva e interfere na qualidade de vida;
  • Inicie o tratamento adequado ao seu caso tão logo tenha sido feito o diagnóstico da doença;
  • Saiba que a endometriose está entre as causas possíveis da dificuldade para engravidar, mas a fertilidade pode ser restabelecida com tratamento adequado.

Perguntas frequentes sobre endometriose

Endometriose dói?

Sim. O endométrio, mesmo fora útero, continua sendo estimulado mensalmente pela ação dos hormônios do ciclo menstrual. E isso provoca uma reação inflamatória, o que causa dor quando a mulher menstrua.

Endometriose causa infertilidade?

Ela é a a principal causa de infertilidade feminina.

Quando o endométrio começa a crescer em locais como tubas e ovário, há inflamação e um processo espontâneo de cicatrização, o que acaba gerando mudanças anatômicas que impedem o pleno funcionamento das tubas, responsáveis pelos primeiros acontecimentos da fecundação. Além disso, as células inflamatórias podem afetar a qualidade do óvulo e do espermatozoide.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/endometriose/

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