Estomatite Aftosa: o que é, sintomas, causas e tratamento

Autor: Jéssica Peres; Rita Fernandes Ferreira; Tânia Caseiro; Beatriz Frias Lopes

Última atualização: 2020/11/16

Palavras-chave: Aftas, estomatite aftosa, mucosa oral

O que é a estomatite aftosa recorrente?

A estomatite aftosa recorrente é um problema muito comum e caracteriza-se pela presença de pequenas “feridas” arredondadas (designadas aftas ou úlceras aftosas) muito dolorosas na boca, que aparecem de forma repetida.

Normalmente surge na infância e pode afetar mais de 20% dos adultos, tendo maior incidência nas mulheres. Ao longo da vida, há tendência para uma diminuição da frequência e da gravidade das lesões.

Não é uma doença contagiosa!

Porque surge?

As causas são ainda desconhecidas, no entanto os principais fatores predisponentes incluem:

  • Trauma local, causado por certo tipo de alimentos mais rijos, por mordedura acidental ou apenas por uma escovagem mais agressiva;
  • Ansiedade e stress;
  • Alguns alimentos, especialmente chocolate, café, amendoim, ovos, cereais, frutos secos, queijo, e frutos ácidos, como laranja, limão, abacaxi, tomate e morango;
  • História familiar / Genética;
  • Alterações hormonais (por exemplo associadas a determinada fase do ciclo menstrual).

Quais são os sinais e sintomas?

Geralmente as aftas surgem na infância ou adolescência e vão aparecendo repetidamente ao longo da vida. Algumas pessoas têm apenas uma ou duas aftas algumas vezes por ano, mas outras podem apresentar aftas de forma quase contínua, com aparecimento de novas lesões à medida que as antigas cicatrizam.

Habitualmente os sintomas começam com ardor ou dor local durante 1 a 2 dias e depois surge a afta, tipicamente arredondada ou oval, superficial, com o centro amarelo-acinzentado, margens vermelhas ligeiramente proeminentes e um halo vermelho.

A dor associada é intensa, desproporcional em relação ao tamanho da lesão, e pode durar até uma semana, causando dificuldades em comer, beber ou falar. Pode ser agravada por alimentos quentes, salgados, picantes ou ácidos.

Na grande maioria dos casos as aftas têm menos de 1 centímetro de diâmetro (tipicamente 2 a 3 mm), aparecem em grupos de duas ou três e desaparecem espontaneamente em cerca de 10 dias, sem deixar cicatriz. Surgem mais frequentemente na superfície interna das bochechas, lábios e língua, mas podem surgir em toda a boca, incluindo no “céu-da-boca” e na garganta.

Aftas maiores, com diâmetro entre 1 a 3 centímetros, são menos comuns, podem ser mais profundas e levar várias semanas a desaparecer, deixando frequentemente uma cicatriz. Em casos graves pode surgir uma sensação de mal-estar geral, febre e inflamação dos gânglios do pescoço.

Na maioria das vezes, as aftas não estão associadas a outras doenças. No entanto, em alguns casos, podem ser uma manifestação de outras doenças mais complexas, pelo que a avaliação médica é fundamental.

Como se trata?

Normalmente, as aftas desaparecem em cerca de uma a duas semanas, de forma espontânea, mesmo sem qualquer tratamento. No entanto, devido à dor e ao desconforto, pode ser necessário recorrer a algumas medidas para alívio dos sintomas.

Os medicamentos utilizados são de aplicação tópica, existindo diversas formulações: solução bucal, gel, pastilhas ou spray.

Podem ser utilizados anestésicos (ex: lidocaína, benzocaína, benzocaína+benzidamina, benzocaína+cloreto de cetilpiridínio), antisséticos (ex: cloro-hexidina), anti-inflamatórios (ex: diclofenac), antibacterianos e corticosteróides tópicos. Os casos mais graves podem exigir uma intervenção médica com tratamentos mais complexos.

Como se previne?

Uma vez que a causa é desconhecida, pode não ser fácil prevenir o aparecimento das aftas. A melhor forma de prevenção é identificar e remover os fatores desencadeantes:

  • Medidas de gestão de stress e ansiedade;
  • Evitar alimentos demasiado rijos;
  • Evitar alimentos muito ácidos, picantes ou muito condimentados e aqueles que habitualmente causam aftas (que variam de pessoa para pessoa);
  • Usar uma escova de dentes macia;
  • Manter uma boa higiene oral e um acompanhamento regular no dentista.

É muito importante perceber o padrão habitual de aparecimento das aftas, de forma a conseguir evitar o seu aparecimento.

Conclusão

A estomatite aftosa recorrente é muito comum e, embora a sua causa permaneça desconhecida, é possível gerir alguns fatores associados ao seu aparecimento, bem como aliviar o desconforto causado.

Referências recomendadas

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Источник: http://www.metis.med.up.pt/index.php/Estomatite_aftosa_recorrente

Estomatite (Aftosa e Viral): tratamento, sintomas e causas | MS

Estomatite Aftosa: o que é, sintomas, causas e tratamento

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A estomatite caracterizada  por qualquer processo inflamatório que afeta a mucosa bucal. A infecção pode ser causada pelo vírus da herpes simples, ou, então, pelo coxsackie, responsável pela doença conhecida como mão-pé e boca.

Esse tipo de infecção ocorre em toda a região bucal, e as aftas podem surgir nas bochechas, céu da boca, amígdalas, língua e no fundo da boca.

Apesar de estomatite ser uma palavra que faz lembrar o estômago, a doença nada tem a ver com esse órgão.

A estomatite é muito comum nas crianças, ela pode surgir a partir dos 6 meses de idade, época em que pode ocorrer o desmame, mas é mais comum surgir principalmente em idade perto dos 2 aos 5 anos de idade, pois é a época em que eles começam a frequentar as escolinhas.

Além disso, pessoas com o sistema imunológico comprometido por doenças, como a AIDS, também podem ter estomatite. As feridas costumam surgir de 15 em 15 dias, 1 vez ao mês ou anualmente, varia de pessoa para pessoa.

Índice — neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

Estomatite Aftosa

A estomatite aftosa é uma doença inflamatória que causa úlceras, aftas, feridas, vermelhidão e dor na boca. Na maioria das vezes, ela surge quando o sistema imunológico está enfraquecido.

Esse tipo de estomatite costuma aparecer quinzenalmente ou mensalmente e o tratamento pode ser feito com remédios naturais, homeopáticos e até mesmo caseiros.

Estomatite Herpética

A estomatite herpética é a mais comum em crianças entre 6 meses de idade e 5 anos de idade. A doença é conhecida como gengivoestomatite herpética e se manifesta ao primeiro contato com o vírus.

Um dos principais sintomas da doença é o aparecimento de manchas vermelhas na boca e na garganta. Amígdalas, língua, parte interna das bochechas e dos lábios, céu da boca e gengiva pode sangrar facilmente.

Muitas vezes essas manchas podem ser confundidas com aftas, pelas lesões serem vesículas esbranquiçadas na área central cercadas por um halo vermelho. Se o tamanho delas aumentar, elas podem ligar-se a outras formando úlceras muito doloridas.

O vírus da herpes simples é o maior causador da doença, mas os vírus coxsackie também pode ocasionar a estomatite. Quando o corpo se encontra com a imunidade baixa, os vírus aproveitam para causar esse tipo de infecção.

Existem ainda outras razões para a estomatite surgir, como por exemplo:

  • Gengivite;
  • Cáries;
  • Tabagismo;
  • Lesões bucais;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Doenças que afetam a imunidade (HIV, Lúpus, Doença de Crohn);
  • Passar por sessões de radioterapia e quimioterapia;
  • Úlceras orais;
  • Uso de aparelhos dentários.

Algumas outras causas de estomatite são existentes e estão listadas abaixo:

Infecção bacteriana

  • Sífilis;
  • Gonorreia;
  • Doença periodontal necrotizante;
  • Tuberculose;
  • Actinomicose.

Infecção por fungos

  • Candidíase oral;
  • Sapinho;
  • Criptococose;
  • Zigomicoses;
  • Blascomicose.

Infecção viral

  • Infecção por Epstein-Barr (mononucleose infecciosa);
  • Sarampo (manchas de Koplik);
  • Infecção por varicela ou herpes zoster;
  • Infecção por enterovírus pé e boca, ou herpangina;
  • Infecção por herpes simplex vírus.

Transtorno sistêmico

  • Doença de Behçet;
  • Doença de Kawakaki;
  • Doença inflamatória intestinal;
  • Desnutrição, incluindo deficiência de ferro e deficiência de vitamina C (escorbuto);
  • Eritema multiforme;
  • Síndrome de Stevens-Johnson / necrólise epidérmica tóxica.

Irritação física

  • Estomatite dentária;
  • Queimaduras térmicas de pé quente ou bebida.

Drogas

  • Toxicidade dos fármacos quimioterápicos;
  • Estomatite da nicotina;
  • Erupção de droga liquenóide;
  • Estomatite induzida por metotrexato.

Síndrome da Imobilidade

  • Pênfigo vulgar;
  • Pênfigo paraneoplásico;
  • Penfigóide bolhoso;
  • Penfigóide da membrana mucosa;
  • Penfigóide na gestação;
  • Perturbações imunobúlicas;
  • Dermatose bolhosa linear de lgA.

Estomatite de contato

A estomatite de contato pode ocorrer devido a alimentos irritantes e alergias.

Outras causas

  • Estomatite ulcerativa crônica;
  • Leucoplasia oral (estado pré-canceroso);
  • Líquen plano erosivo;
  • Lúpus eritematoso;
  • Ulceração aftosa recorrente;
  • Dermatite de progesterona auto-imune;
  • Língua geográfica/glossite migratória.

Em que época do ano a estomatite é mais comum?

A doença é mais propensa de acontecer durante o inverno e o outono, épocas mais geladas e em que há mais aglomeração de pessoas gripadas ou resfriadas em locais fechados, tornando o sistema imunológico mais vulnerável.

Sintomas da estomatite

As aftas, feridas causadas pela estomatite, costumam trazer muito desconforto e dor, principalmente aos pequenos.

Primeiro, a gengiva fica com aspecto avermelhado e pequenas erupções arredondadas podem surgir.

Essas feridas costumam ter entre 1 e 5 milímetros de diâmetro, possuem aspecto amarelado ou acinzentado por dentro e avermelhado por fora.  As gengivas podem inflamar e causar sangramento.

Como a ferida causa dor, pode ser que a criança se negue a comer, beber e, muitas vezes, pode até mesmo babar por receio de engolir a saliva. Nesses casos, é importante oferecer diversas vezes algum tipo de líquido até que ocorra a hidratação, pois em casos de desidratação pode ser necessário o internamento.

Se a criança não urinar por 6 horas consecutivas é indicado consultar o médico, pois é sinal de desidratação. O mau hálito, a dor de cabeça e a febre que pode chegar até 40 graus também são sintomas comuns.

É preciso manter a escovação dentária em dia, por mais que cause desconforto nos pequenos.

Os sintomas podem perdurar até duas semanas, sendo a primeira a mais difícil, pois a boca está muito sensível, causando muita dor.

Os especialistas recomendados para tratar da estomatite são: pediatra, dentista, gastroenterologista, imunologista, infectologista e clínico geral.

Ir para a consulta com algumas informações pode ser fundamental para que o diagnóstico seja dado mais rapidamente:

  • Há quanto tempo os sintomas são sentidos?
  • Quais são os principais sintomas?
  • Algum medicamento já foi usado para aliviar os sintomas?
  • A criança reclama de dor ao se alimentar?

Para que o diagnóstico seja dado, o médico fará um exame físico, em que a boca do paciente será analisada, fará perguntas e, após isso, o diagnóstico poderá ser dado.

Tratamento

Mesmo sem tratamento, feridas na boca não costumam durar mais de 2 semanas. Com a causa da estomatite identificada, o médico pode fazer o tratamento correto. Porém, se ela não for descoberta, é feito apenas o tratamento para aliviar os sintomas do paciente.

É preciso manter o paciente sempre hidratado. Procure oferecer bebidas que não contenham gás, não sejam ácidas e preferencialmente geladas, como água, milk-shake, iogurte e sorvete.

Fazer comidas sem muito tempero é indicado para que não cause dor aos pacientes. Macarrão na manteiga, purê de batata ou de mandioca podem ser boas opções para manter a pessoa alimentada.

Se houver queimadura na boca, fazer gargarejo com água gelada ou chupar gelo ajudam a aliviar os sintomas.

Medicamentos para estomatite

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico.

As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento.

Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Complicações

Como a imunidade do paciente fica muito baixa, infecções secundárias podem ocorrer, como a candidíase, por mais que não sejam comum.

A complicação mais conhecida da estomatite é a desidratação.

Em casos raros, a estomatite causada pelo vírus do herpes pode se espalhar para os olhos e infectar a córnea. Se isso ocorrer, os danos nos olhos podem ser para sempre. Por isso, se seu filho estiver com estomatite e com os olhos avermelhados, com sensibilidade à luz ou lacrimejando, leve ele ao pronto atendimento rapidamente para que seja feito o diagnóstico.

Prevenção

Manter a higiene em dia é a melhor forma de evitar a contaminação de vírus. Ficar de olho na boca das crianças também é importante para evitar mais sofrimento antes de que o diagnóstico seja dado.

Escovar corretamente os dentes dos pequenos é responsabilidade dos pais, pois manter a higiene bucal deles em dia é uma forma de prevenir a estomatite. Manter a higiene das mãos da criança também é uma forma de prevenção.

A estomatite é muito comum na infância. Ter informações sobre a doença é fundamental para saber como lidar quando ela afetar alguém conhecido. Para que seus colegas, familiares e amigos também fiquem informados sobre a estomatite, compartilhe esse texto com eles!

Источник: https://minutosaudavel.com.br/estomatite-aftosa-e-viral-tratamento-sintomas-e-causas/

Aftas na Boca e na Língua – Causas e tratamento

Estomatite Aftosa: o que é, sintomas, causas e tratamento

A afta, também chamada de úlcera aftosa ou estomatite aftoide, é uma pequena úlcera que pode surgir em praticamente qualquer ponto da cavidade oral: língua, lábios, gengiva, garganta, úvula, etc. São lesões ovais, esbranquiçadas (às vezes amareladas), rasas e limpas, ou seja, não apresentam pus, bactérias ou outros sinais de infecção. Podem ser únicas ou múltiplas, pequenas ou grandes.

As aftas são muito dolorosas e frequentemente atrapalham atividades simples, tais como falar, comer e beijar. Felizmente, as lesões são benignas e não costumam causar maiores problemas além desse desconforto.

Porém, algumas doenças mais graves da cavidade oral podem se manifestar com lesões ulceradas muito semelhantes, o que pode causar alguma confusão.

Um exemplo é o câncer da cavidade oral, que nas fases inicias pode se parecer com uma afta.

Todo mundo já teve pelo menos uma afta ao longo da vida e 20% da população sofre com aftas recorrentes. São mais comuns em pré-adolescentes, adolescentes e adultos jovens, tendendo a diminuir sua incidência com o passar do anos.

A maioria das aftas dura, em média, de uma a duas semanas e costuma curar sem deixar cicatriz. As aftas que demoram mais tempo para curar são aquelas que surgem em locais onde há contato constante com os dentes ou com alimentos, sofrendo traumatismos repetidos ao longo do dia.

Algumas pessoas apresentam aftas grandes, chamadas de aftas major, maiores que 1 cm e profundas. Estas demoram até seis semanas para desaparecer e podem deixar cicatriz.

Existe ainda a afta herpetiforme, formada por múltiplas úlceras pequenas que se juntam e transformam-se em uma lesão grande.

 Estas aftas podem vir acompanhadas de linfonodos no pescoço (ínguas) e, por vezes, de febre baixa e mal estar.

Por maior e mais numerosas que sejam, as aftas não costumam provocar mau hálito.

Se você não sabe diferenciar uma afta de uma lesão provocada pelo herpes labial, leia o seguinte artigo: DIFERENÇAS ENTRE AFTA E HERPES LABIAL

Causas

As aftas não são contagiosas, mas as suas causas não estão completamente esclarecidas. Parecem ser provocadas por desbalanços no sistema imune. Alguns dos gatilhos conhecidos são:

  • Traumas locais, como mordidas acidentais.
  • Estresse psicológico.
  • Poucas horas de sono.
  • Helicobacter pylori, a mesma bactéria que causa úlcera gástrica.
  • Algumas pastas de dentes que contenham sódio-lauril-sulfato.
  • Refluxo gastroesofágico.
  • Comidas, como chocolate, café, refrigerantes, tomate e abacaxi.
  • Cigarro.
  • Alterações hormonais durante o ciclo menstrual.
  • Deficiência de algumas vitaminas e minerais, tais como vitamina B12, vitamina C, zinco, ferro ou ácido fólico.
  • Medicamentos: anti-inflamatórios, rapamicina, captopril, metotrexato, aspirina e atenolol.

Duas aftas no lábio inferior provocadas por traumatismo (mordida acidental)

Algumas pessoas que tenham o costume de deitar pouco tempo depois da última refeição, podem apresentar aftas recorrentes. Este fato provavelmente está relacionado a algum grau de refluxo gastroesofágico, que leva ao aumento da acidez da cavidade oral. As aftas costumam aparecer um ou dois dias depois, fazendo com que os pacientes, muitas vezes, não relacionem um fato ao outro.

Uma predisposição genética para o desenvolvimento das aftas recorrentes é fortemente sugerida pelo fato de 40% dos pacientes terem histórico familiar positivo, com aftas frequentes desde a infância.

Remédios para afta

Os dois medicamentos mais usados para acelerar a cicatrização das aftas são:

  • Amlexanox (Aphthasol® ou Aftaid®).
  • Acetonido de triancinolona (OMCILON- A ®).

O Amlexanox é o que tem apresentado os melhores resultados nos trabalhos científicos. Infelizmente, até a última atualização deste artigo, eu não encontrei nenhuma farmácia que vendesse o Amlexanox no Brasil. Aparentemente, o medicamento ainda não está disponível no país. Em Portugal, o medicamento já está à disposição e é vendido sob o nome comercial Aftaid.

A cauterização da afta com nitrato de prata é uma outra opção capaz de reduzir a dor que a lesão provoca.

Todos os outros remédios vendidos nas farmácias contra aftas são basicamente uma variação de anestésicos tópicos com bicarbonato e antibióticos.

Os fármacos que têm anestésicos, como lidocaína, benzocaína ou procaína, podem ajudar, pois eles conseguem eliminar a dor temporariamente, o que pode ser útil para os pacientes cujas aftas causam dificuldade para comer.

Tratamento caseiro

Na Internet é muito fácil achar inúmeras receitas caseiras para tratar as aftas. Deve-se ter cuidado com o que se aplica na lesão para não aumentar a inflamação e piorar o quadro.

O problema dos tratamentos caseiros é que boa parte deles nunca foi estudada em trabalhos científicos, não tendo, portanto, nenhuma comprovação científica da sua eficácia ou segurança.

Algumas opções aceitáveis são:

  • Bochechar solução feita com uma colher de leite de magnésia ou bicarbonato de sódio diluído em um copo de água.
  • Diluir água oxigenada em água comum e aplicar com cotonete diretamente na afta.
  • Misturar Difenidramina (Benadryl®) com leite de magnésia e bochechar.

Evite contato direto de substâncias abrasivas puras, como álcool, sal ou bicarbonato em pó.

Enxaguantes bucais com álcool também podem irritar a afta e piorar o quadro. Quando usar diluições para bochechos, sempre cuspa o líquido no final, nunca o engula.

Pasta de dente não servem para tratar as aftas e ainda podem piorá-las, pois várias marcas contém sódio-lauril-sulfato.

Quando se preocupar com uma afta?

Apesar de benigna na imensa maioria dos casos, a afta pode ser uma manifestação de doenças sistêmicas ou pode ser confundida com lesões graves, como neoplasias da cavidade oral.

Uma consulta com o dentista ou médico estomatologista deve ser avaliada quando:

  • A afta for excepcionalmente grande.
  • As aftas forem recorrentes, com surgimentos de novas lesões logo após a cicatrização das primeiras.
  • A afta demorar mais de três semanas para cicatrizar.
  • Houver sinais de infecção na área da afta.
  • Houver sintomas sistêmicos, ou seja: febre, cansaço, mal-estar, perda de peso, perda do apetite ou qualquer outro sintoma que sugira a presença de alguma doença por trás das aftas.
  • Houver úlceras também nos órgãos genitais.

Quais são as doenças que cursam com aftas ou lesões semelhantes?

Normalmente, as úlceras orais causadas por doenças sistêmicas são múltiplas e recorrentes. Elas costumam ter algumas características diferentes das aftas comuns e surgem acompanhados de outros sintomas. Alguns exemplos:

  • Nos pacientes com lúpus, as aftas costumam ser indolores e vêm acompanhadas de lesões de pele e dores nas articulações, além de alguns sintomas sistêmicos, tais como febre baixa e cansaço.
  • Na doença de Behcet, que também é uma doença autoimune, as aftas são múltiplas, recorrentes e costumam vir acompanhadas de úlceras nos órgãos genitais. Na doença de Behçet também é comum haver lesões nos olhos.
  • Na doença celíaca e na doença de Crohn, as aftas vêm em conjunto com sintomas intestinais, tais como diarreia e sangue nas fezes.
  • A neutropenia, que é a queda no número de neutrófilos (um tipo de glóbulo branco) no sangue, também é uma causa de úlceras orais. Normalmente, a neutropenia surge como efeito colateral da quimioterapia, mas ela pode ocorrer em algumas doenças que ataquem o sistema imunológico.
  • Alguns cânceres da cavidade oral podem se apresentar como ulcerações, sendo inicialmente confundidos com aftas comuns. Por isso, toda afta que demora a cicatrizar deve ser avaliada por um médico, principalmente se o paciente for fumante.

Várias infecções podem causar úlceras orais semelhantes às aftas, são alguns exemplos:

  • O vírus HIV pode causar úlceras orais em fases avançadas da doença, quando já há critérios para AIDS, mas também na fase aguda da infecção pelo vírus.
  • A infecção pelo Coxsackie virus (herpangina), muito comum em crianças, pode cursar com dores de garganta, febre, pequenas úlceras orais e lesões nas palmas das mãos e plantas dos pés.
  • A sífilis, tanto a fase primária como a secundária, pode cursar com úlceras orais. Normalmente, as aftas são múltiplas e demoram a cicatrizar.
  • O herpes labial apresenta-se como vesículas que podem virar pequenas úlceras após romperem-se. O aspecto não é muito parecido com afta, mas pode ser confundido por leigos. Apesar de ter lesões semelhantes, o herpes e a afta são duas doenças diferentes, com etiologias e tratamentos distintos.

Múltiplas aftas – pensar em causas secundárias

Dúvidas mais comuns

1. Tenho aftas recorrentes, isso significa que tenho alguma doença? 

Não. Até 20% da população sofre com aftas recorrentes sem que isso indique a presença de outra doença.

2. Todo mundo que costuma ter aftas apresenta problemas no estômago?

Não. Na verdade, apenas um pequena parte destas pessoas possui algum problema gástrico.

3. Estou com uma grande afta na boca e notei um gânglio aumentado no meu pescoço. Uma coisa está relacionada com a outra?

Pode estar. A presença de lesões na cavidade oral podem ser a causa de linfonodos aumentados no pescoço. O mesmo raciocínio vale para lesões na face e no couro cabeludo.

4. Toda vez que eu acidentalmente mordo meus lábios ou língua surge uma afta. Isto é normal?

Sim. Trauma na cavidade oral é uma das principais causas de aftas.

5. Ouvi falar que colocar bicarbonato na afta ajuda a cicatrizar a lesão. Isto procede?

Sim e não. Deve-se evitar colocar o bicarbonato em pó diretamente sobre a afta, pois isto pode causar irritação e aumentar a inflamação. Porém, bochechar com uma colher de chá de bicarbonato diluído em um copo de água é um dos tratamentos caseiros sugeridos.

6. Quais são os alimentos que devem ser evitados quando há um afta ativa?

Comidas ácidas, como sucos cítricos e refrigerantes, comidas com muito sal, condimento ou apimentadas. Procure também evitar alimentos muito duros que possam ferir e irritar ainda mais a afta enquanto se mastiga.

7. Passar pó Royal na afta ajuda a cicatrizá-la?

Não. Pelo contrário.

8. Passar pasta de dente na afta ajuda a cicatrizá-la?

Não. Na verdade, alguns tipos de pasta de dente podem até piorar as lesões.

9. Furar a afta com uma agulha ajuda na cicatrização

Não e pode piorar a situação.

10. Sempre que eu como abacaxi, tenho aftas. Isto faz sentido?

Pode ser que sim. Algumas pessoas têm uma espécie de alergia a certos alimentos, fazendo com que desenvolvam aftas. Os mais citados são noz, avelã, canela, abacaxi e outras frutas cítricas.

11. Afta pode causar febre?

Pode, mas nesses casos é sempre indicada uma avaliação médica para descartar outras causas, uma vez que a imensa maioria das aftas não causa febre.

12. Sempre que eu durmo de barriga cheia apareço com uma afta nos dias seguintes. Isto faz sentido?

Sim. Pessoas que têm refluxo gastroesofágico apresentam piora do quadro se deitarem logo após a alimentação. Isto pode aumentar a acidez da boca e provocar aftas.

13. A bactéria H.pylori pode causar aftas?

Sim.

14. A afta é transmitida pelo beijo? 

Não. Afta não é uma doença transmissível. Porém, algumas doenças infecciosas, como a sífilis, podem provocar úlceras orais contagiosas.

15. Estresse pode causar aftas?

Sim. É uma causa comum.

16. Quantos dias costuma durar uma afta?

Em média, 7 dias.

17. A presença de afta na boca aumenta o risco de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis durante o sexo oral?

Teoricamente sim, porém, não há trabalhos que demonstrem efetivamente qual é o verdadeiro risco.

18. Uma afta pode ser confundida com herpes labial?

Não por médicos. As lesões costumam ser bem diferentes. Se você tem dúvidas em relação às diferenças da afta e do herpes labial, sugerimos a leitura do texto: Diferenças entre afta e herpes labial.

19. Fumar causa afta?

Sim, o cigarro favorece o aparecimento das aftas na boca e na língua. Algumas pessoas também têm aftas logo após parar de fumar, devido ao estresse que passam nos primeiros dias sem o cigarro.

20. Afta pode virar câncer?

Não. Porém, alguns cânceres de boca podem se manifestar como úlceras orais, semelhantes a aftas, que não cicatrizam.

Referências bibliográficas:

Источник: https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/aftas-na-boca/

Estomatite: sintomas, tratamentos e causas

Estomatite Aftosa: o que é, sintomas, causas e tratamento

Estomatite é um termo geral usado para designar doenças ou inflamações da cavidade bucal, que podem ter causas diversas.

“Estômato”, palavra de origem grega, significa “boca”. A estomatite diz respeito a inflamações provocadas por vírus que, no geral, acometem mais crianças e são caracterizadas pelo surgimento de lesões na boca, febre e dor.

Causas

Normalmente, o vírus responsável pela estomatite é o da herpes simples (HSV-1). Menos comumente, os vírus da família Coxsackie também podem causar o problema. Ambos se aproveitam de momentos de baixa imunidade, provocados por uma gripe, por exemplo, para entrar em ação.

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Além disso, outras infecções virais, bacterianas e fúngicas também podem causar estomatite. Veja outras possíveis causas para estomatite:

  • Lesões ou traumas na boca
  • Tabagismo
  • Consumo exacerbado de bebidas alcoólicas
  • Passar por sessões de quimioterapia e radioterapia, procedimentos comuns no tratamento da maioria dos tipos de câncer
  • Doenças que afetam a imunidade, como lúpus, doença de Crohn e Aids
  • Uso de aparelhos dentários
  • Cáries dentárias
  • Gengivite
  • Úlceras orais.

Fatores de risco

A estomatite é mais comum em crianças do que em adultos, além de ocorrer com mais facilidade durante as estações frias do ano (outono e inverno).

Isso acontece porque é durante o frio em que ocorre a maioria dos casos de gripes e resfriados, que tornam o sistema imunológico mais vulnerável.

Além disso, por causa das baixas temperaturas, as pessoas costumam circular mais por ambientes fechados e cheios de pessoas, a fim de se aquecer – o que acaba ajudando na disseminação dessas doenças.

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Estomatite é mais comum na primeira infância e pode ocorrer, principalmente, a partir do sexto mês de vida, quando o bebê costuma parar de receber anticorpos da mãe pelo leite materno. A maior incidência de estomatite se concentra entre os dois e os cinco anos, período em que as crianças normalmente já vão à escola e vivem em contato próximo com os colegas.

Sintomas de Estomatite

Os principais sinais e sintomas de estomatite incluem:

Vermelhidão na região da gengiva;Surgimento de pequenas erupções arredondadas;Surgimento de bolhas que mais tarde se rompem e dão origem a úlceras orais.

As úlceras são muito semelhantes a aftas e podem se espalhar por toda a boca, sobretudo na gengiva, na língua e no começo da faringe, próximo às amígdalas.

;Febre alta;Dor na boca;Irritabilidade (principalmente em crianças);Falta de apetite;Dificuldade para comer;Dor de cabeça

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A crise dos sintomas costuma durar por aproximadamente duas semanas, mas a primeira semana é sempre a mais difícil, que é quando a boca está mais sensível do que nunca e há presença de dor nas lesões.

Buscando ajuda médica

Se você tiver sofrido alguma lesão ou trauma na boca e, em seguida, notar o surgimento de erupções e úlceras em sua boca, além de dor, febre e dificuldade para comer, marque uma consulta com um médico – principalmente se os sintomas não passarem espontaneamente.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar uma estomatite são:

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  • Clínico geral
  • Odontologista
  • Dentista
  • Gastroenterologista
  • Infectologista
  • Imunologista.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

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O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quais são os principais sintomas?
  • Quando os sintomas surgiram?
  • Qual a intensidade dos sintomas?
  • Você ou seu filho já foram diagnosticados com alguma outra condição médica? Qual?
  • Você ou seu filho têm algum problema odontológico? Qual?
  • Você tomou alguma medida para aliviar os sintomas?
  • Seu filho tem dor ou dificuldade para se alimentar?
  • Quais outros sintomas estão presentes?
  • Seu filho sofreu alguma lesão ou trauma na boca recentemente?

Diagnóstico de Estomatite

Durante a consulta, o médico irá começar por um exame físico, no qual ele examinará a boca e fará uma série de perguntas sobre os sintomas, de modo geral, e sobre seu histórico clínico.

Isso já costuma ser suficiente para diagnosticar estomatite.

No entanto, o médico pode solicitar exames laboratoriais adicionais para verificar se um determinado vírus ou bactéria está por trás da causa, ou, ainda, para excluir outras possíveis condições.

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Tratamento de Estomatite

O tratamento para estomatite depende muito da causa. Em caso de infecções virais, o tratamento pode concentrar-se na prescrição de medicamentos antivirais, na adoção de uma dieta baseada em líquidos (para reduzir a irritação dentro da boca) e analgésicos tópicos que podem ser aplicados na boca e que ajudam a amenizar a dor.

Corticosteroides também podem ser indicados para reduzir a inflamação causada pela estomatite. Em caso de infecções bacterianas, o médico poderá prescrever antibióticos.

Medicamentos para Estomatite

Os medicamentos mais usados para o tratamento de estomatite são:

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  • Brometo de Pinavério 100mg
  • Brometo de Pinavério 50mg
  • Gingilone
  • Hexomedine

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo/ Prognóstico

Os cuidados dentro de casa também são essenciais para pacientes com estomatite. Em parceria com o tratamento ministrado por um especialista, lavar a boca com água salgada, por exemplo, e fazer uso de medicamentos analgésicos para diminuir a dor podem ser boas medidas a serem tomadas.

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Além disso, é sempre bom evitar o consumo de alimentos ou bebidas muito quentes ou muito frias, pois podem agravar os sintomas.

Permanecer em repouso e seguir uma dieta balanceada é o melhor que se pode fazer até o dia da consulta com o médico.

Complicações possíveis

Devido à baixa imunidade, pode acontecer de uma pessoa com estomatite desenvolver uma infecção secundária, embora isso não seja comum.

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Na maioria dos casos, a complicação mais grave tende a ser a desidratação, já que até mesmo tarefas simples como beber água são um problema para quem tem estomatite – especialmente para crianças, que costumam sentir os sintomas com mais intensidade.

Estomatite tem cura?

O tratamento, se for seguido corretamente, consegue resolver o problema da estomatite sem grandes complicações.

Tratar a causa subjacente e manter uma boa higiene oral são sempre o melhor caminho para evitar que a doença seja reincidente. O vírus causador da estomatite permanece no corpo mesmo após o desaparecimento dos sintomas.

Referências

Ministério da Saúde

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/estomatite

Sobre a Medicina
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