Estrongiloidíase: o que é, sintomas e tratamento

Estrongiloidíase: transmissão, sintomas e tratamento

Estrongiloidíase: o que é, sintomas e tratamento

A estrongiloidíase é uma verminose causada pelo nematoide (helminto) Strongyloides stercoralis, muito comum nas regiões tropicais e subtropicais, incluindo o Brasil.

O Strongyloides stercoralis costuma habitar o intestino delgado dos indivíduos infectados e, na maioria dos pacientes com sistema imunológico sadio, não provoca sintomas relevantes.

Transmissão e ciclo de vida do Strongyloides stercoralis

A infecção humana ocorre quando há penetração da pele por larvas filarioides de Strongyloides stercoralis, geralmente por contacto direto com o solo contaminado por fezes humanas. Andar descalço é um dos fatores de risco mais importantes para se contaminar.

Além da invasão da pele, a estrongiloidíase também pode ser adquirida pela via oral, através da ingestão de água contaminada ou quando o paciente ingere alimentos preparados por mãos infectadas, não adequadamente lavadas após uma evacuação.

Após a penetração na pele, as larvas migram para os pulmões. Uma vez nos pulmões, elas migram em direção à parte superior das vias aéreas, sendo inconscientemente engolidas ao chegarem próximos à faringe, caindo no sistema gastrointestinal.

Quando chegam ao intestino delgado, as larvas amadurecem e evoluem exclusivamente para a forma de fêmeas adultas, que medem cerca 2 mm de comprimento. Cada fêmea adulta pode viver até 5 anos, produzindo ovos e liberando novas larvas ainda dentro dos intestinos. As novas larvas são excretadas juntos com as fezes, reiniciando o ciclo de transmissão o verme.

As larvas lançadas ao ambiente junto com as fezes podem contaminar outras pessoas ou evoluir para vida adulta no meio ambiente, desta vez, tornando-se macho ou fêmeas (quando dentro do intestino, a larva torna-se sempre uma fêmea na fase adulta).

Do momento da contaminação até a liberação de novas larvas pelas fezes costuma haver um intervalo de 3 a 4 semanas. Portanto, uma vez infectado, o paciente passa a ser um potencial transmissor em cerca de 1 mês.

Auto-infecção

O Strongyloides stercoralis é o único helminto capaz de completar seu ciclo de vida dentro do seu hospedeiro. Nem todas as larvas nascidas no intestino serão excretadas nas fezes.

Algumas delas conseguem penetrar a mucosa do cólon ou a pele da região perianal e retornar à circulação sanguínea, indo em direção aos pulmões.

Deste modo, o paciente fica se auto-infectando, tornando possível a perpetuação da parasitose.

Em pacientes com sistema imunológico intacto, esse ciclo de auto-infecção é limitado. Todavia, se o paciente for imunodeprimido, pode haver processo de auto-infecções maciças, provocando um quadro de hiperinfecção pelo Strongyloides stercoralis e estrongiloidíase disseminada.

A estrongiloidíase disseminada é aquela que o verme consegue acometer órgãos extra-intestinais, como o sistema nervoso central, coração, trato urinário, glândulas, etc. Todos os órgãos e tecidos podem ser invadidos.

Sintomas

A maioria do pacientes infectado pelo Strongyloides stercoralis não apresenta sintomas relevantes. Em alguns casos, a única pista para a verminose é um aumento do número de eosinófilos (eosinofilia) no hemograma (leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados.).

Quando há sintomas de estrongiloidíase, o quadro mais comum é de dor abdominal, geralmente ao redor do estômago, semelhante a uma dor de gastrite (leia: SINTOMAS DE GASTRITE), que pode ou não vir acompanhada de vômitos, enjoos, diarreia ou perda de apetite.

Lesões na pele no local da penetração das larvas também são um achado comum. O local mais habitual são os pés. Estas lesões são pequenas inflamações que podem coçar bastante. Em alguns casos, as lesões têm forma de serpente, evidenciando o caminho de migração da larva sob a pele.

Sintomas respiratórios ocorrem em cerca de 10% dos pacientes durante a fase de migração das larvas pelos pulmões. Tosse, garganta irritada, falta de ar, febre e até expectoração sanguinolenta são alguns dos sintomas possíveis. Quadros semelhantes à asma ou pneumonia também podem ocorrer.

Os quadros graves costumam ocorrer em pacientes com sistema imunológico debilitado. O paciente com síndrome de hiperinfecção apresenta vários dos sintomas descrito acima e de forma mais severa. A mortalidade nestes casos é bem alta. Apesar de ser um parasita, a estrongiloidíase, nestes casos, pode favorecer a ocorrência de infecções generalizada por bactérias naturais dos intestinos.

Fatores de risco

Como já explicado, pacientes saudáveis costumam apresentar quadros brandos da estrongiloidíase com nenhum ou poucos sintomas. Porém, nos pacientes imunossuprimidos, a infecção por Strongyloides stercoralis pode se tornar um quadro dramaticamente grave. Entre as pessoas sob maior risco estão:

Diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico da estrongiloidíase é feito através do exame parasitológico de fezes à procura de larvas nas fezes. Porém, este teste apresenta elevada taxa de falso negativo.  Exames de sangue podem ser uma alternativa, com taxas de diagnóstico mais elevadas.

Casos de estrongiloidíase no mundo

Tratamento

O tratamento com de Ivermectina, 200 mcg/kg em dose única por via oral, é o tratamento de escolha para a estrongiloidíase, com taxa de sucesso próxima a 100%.

Cambendazol, Albendazol e Tiabendazol são alternativas também eficazes, que podem ser usadas quando a ivermectina não estiver disponível.

Após o fim do tratamento, recomenda-se a realização de um exame parasitológico de fezes após nos 7º, 14º e 21º dias.

Se os sintomas persistirem, mesmo se os 3 exames parasitológicos de fezes de controle forem negativos, deve-se pensar em falha do tratamento. Nestes casos, exames de sangue podem ser usados para ajudar a esclarecer a dúvida.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/parasitoses/estrongiloidiase/

Estrongiloidíase

Estrongiloidíase: o que é, sintomas e tratamento

Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

Estrongiloidíase

CID 10: B78

Descrição

Doença parasitária intestinal, frequentemente assintomática.

As formas sintomáticas apresentam inicialmente alterações cutâneas, secundárias a penetração das larvas na pele e caracterizadas por lesões urticariformes ou maculopapulares ou por lesão serpiginosa ou linear pruriginosa migratória (larva currens).

A migração da larva pode causar manifestações pulmonares, como tosse seca, dispneia ou broncoespasmo e edema pulmonar (síndrome de Loefler).

As manifestações intestinais podem ser de media ou grande intensidade, com diarreia, dor abdominal e flatulência, acompanhadas ou não de anorexia, náusea, vômitos e dor epigástrica, que pode simular quadro de úlcera péptica.

Os quadros de Estrongiloidíase grave (hiperinfecção) se caracterizam por febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarreias profusas, manifestações pulmonares (tosse, dispneia e broncoespasmos e, raramente, hemoptise e angústia respiratória). Na radiografia de tórax, pode-se observar até cavitação. Podem, ainda, ocorrer infecções secundárias, como meningite, endocardite, sepse e peritonite, mais frequentemente por enterobactérias e fungos. Esses quadros, quando não tratados conveniente e precocemente, podem atingir letalidade de 85%.

Reservatório

O homem. Gatos, cães e primatas tem sido encontrados infectados.

Modo de Transmissão

As larvas infectantes (filarioides), presentes no meio externo, penetram através da pele, no homem, chegando aos pulmões, traqueia e epiglote, atingindo o trato digestivo, via descendente, onde se desenvolve o verme adulto.

A fêmea parasita e ovovivípara e libera ovos larvados que eclodem ainda no intestino, liberando larvas rabditoides (não infectantes), que saem pelas fezes e podem evoluir, no meio externo, para a forma infectante ou para adultos de vida livre, que, ao se acasalarem, geram novas formas infectantes. Pode ocorrer, também, autoendoinfecção, quando as larvas passam a ser filarioides, no interior do próprio hospedeiro, sem passar por fase evolutiva no meio externo. Autoexoinfecção ocorre quando as larvas filarioides se localizam na região anal ou perianal, onde novamente penetram no organismo do hospedeiro.

Período de Incubação

Ocorre no prazo de 2 a 4 semanas entre a penetração através da pele e o aparecimento de larvas rabditoides nas fezes. O período para a manifestação dos primeiros sintomas e variado.

Complicações

Síndrome de hiperinfecção; síndrome de Loefler; edema pulmonar, no paciente imunocomprometido, em uso de corticoides ou desnutridos, podendo há ver superinfestação ou infecção oportunística; síndrome de má absorção. Nas formas sistêmicas, pode ocorrer sepse, com evolução letal.

Diagnóstico Diferencial

Ascaridíase, giardíase, ancilostomíase, pneumonia, urticaria, colecistite, pancreatite, eosinofilia pulmonar tropical. A larva currens deve ser diferenciada da larva migrans, causada pela larva do Ancylostoma brasiliensis e caninum.

Controle de Cura

Três exames parasitológicos de fezes, após 7, 14 e 21 dias do tratamento.

Características Epidemiológicas

A doença ocorre mais em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, há variação regional em função da idade, diferenças geográficas e socioeconômicas. Os estados que mais frequentemente diagnosticam são: Minas Gerais, Amapá, Goiás e Rondônia.

Objetivos

Diagnosticar e tratar precocemente todos os casos, para evitar as formas graves.

Observações: Cuidado especial deve ser dado aos indivíduos que tem algum tipo de imunodeficiência, para evitar a síndrome de hiperinfecção, na qual as larvas ultrapassam a serosa intestinal, infectando diversos órgãos.

A observação de Estrongiloidíase grave e de repetição requer avaliação de imunodeficiência associada.

Os indivíduos que, por qualquer motivo, requeiram tratamento com imunossupressores devem ser avaliados criteriosamente e, se necessário, tratados antes de instituída a quimioterapia imunossupressora.

MEDIDAS DE CONTROLE

Redução da fonte de infecção com tratamento sanitário adequado das fezes e uso de calcados. Quimioterapia em massa em comunidades com alta endemicidade – apesar de preconizada por alguns autores – ainda não e uma medida adotada por todos. Tratar os animais domésticos infectados.

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Источник: http://medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/1755/estrongiloidiase.htm

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