Fatores de Risco para o Câncer de Pulmão

Câncer de pulmão

Fatores de Risco para o Câncer de Pulmão

Como todos os outros tecidos e órgãos do corpo, o pulmão é composto por células. Normalmente, estas células se dividem e se reproduzem de forma ordenada e controlada. Quando ocorre uma disfunção celular que altera esse processo, o organismo produz excesso de tecido, dando origem ao tumor

Se o tumor for maligno, o seu crescimento não só comprime, mas também invade e destrói tecidos sadios à sua volta. Além disso, as células tumorais podem se desprender do tumor de origem e se espalhar por meio da corrente sanguínea ou dos vasos linfáticos para outras partes do corpo, dando origem a novos tumores (metástases).

 

Mesmo quando outros órgãos são afetados, as células cancerosas desses novos tumores têm as mesmas características das células do câncer de pulmão. O tratamento das metástases leva em conta a localização e o tipo de câncer que as originou, além de outros fatores que serão considerados pelo médico.

Tipos de câncer de pulmão

O câncer de pulmão, geralmente, é classificado pela aparência que tem quando observado no microscópio. São dois tipos principais:
 

  • Câncer de pulmão de células pequenas – representam de 10 a 15% dos casos. Crescem rapidamente e costumam migrar para órgãos distantes do pulmão.
  • Câncer de pulmão de células não pequenas – representam 80 a 85% dos casos. Está dividido em três subtipos, sendo o mais comum o adenocarcinoma, que tende a crescer mais lentamente.

 
Cada tipo de câncer de pulmão cresce e se espalha de forma diferente e, portanto, é tratado de acordo com suas características.

Causas e fatores de risco do câncer de pulmão

O tabagismo é apontado como o principal causador de câncer de pulmão. Cerca de 85% dos casos estão associados ao hábito de fumar. O fumo passivo, isso é, a exposição à fumaça do cigarro, também contribui para o desenvolvimento desse tipo de tumor. Mas existem outros fatores de risco, tais como: 

Doenças pulmonares – pessoas que já tiveram doenças como a tuberculose, por exemplo, têm maiores chances de desenvolver câncer de pulmão.

 

História familiar de câncer de pulmão – o risco de câncer de pulmão é maior para quem tem um parente próximo (como pais ou irmãos) com câncer de pulmão.

 

Idade – o câncer de pulmão surge com mais frequência a partir dos 45 anos de idade. E as maiores taxas da doença estão entre pessoas idosas.

 

Poluição – diversas pesquisas apontam que há uma relação direta entre exposição ao ar poluído e incidência de câncer de pulmão. O risco depende dos níveis de poluição do ar a que você está regularmente exposto.

 

Exposição ao gás radônio – esse gás radioativo é produzido pela quebra natural do urânio no solo, na rocha e na água. Eventualmente, se torna parte do ar que você respira. Níveis inseguros de radônio podem se acumular em qualquer prédio, incluindo os residenciais.

 

Exposição ao amianto – a inalação da fibra de amianto no local de trabalho – por exemplo, em atividades de mineração – também pode aumentar o risco de desenvolver câncer de pulmão.

 

Não é possível determinar a causa exata do câncer de pulmão. Mas o melhor que você pode fazer para se prevenir é não fumar. Parar em qualquer idade pode reduzir significativamente o seu risco.

Quais os sintomas do câncer de pulmão?

Geralmente os sintomas do câncer de pulmão aparecem nos estágios avançados da doença. Eles podem incluir:

  • Tosse persiste ou com sangue;
  • Falta de ar;
  • Dor no peito;
  • Rouquidão;
  • Fadiga;
  • Perda de peso;
  • Perda de apetite.

Como é feito o diagnóstico do câncer de pulmão?

Se há suspeita da doença, seu médico pode solicitar alguns exames, tais como:

  • Exames de imagem – o raio-X de tórax, em complemento com a tomografia computadorizada, são testes iniciais para investigar o câncer de pulmão.
  • Biópsia – é a retirada de uma pequena amostra do tecido suspeito para ser analisada em laboratório. Só esse procedimento garante o diagnóstico definitivo.

 
Como é o tratamento do câncer de pulmão?

O tratamento do câncer de pulmão depende de vários fatores, por exemplo:

  • Saúde geral do paciente;
  • Tipo do tumor;
  • Estágio do tumor.

 
Cirurgia, radioterapia e quimioterapia são as principais formas de tratamento do câncer de pulmão, e podem ser feitas em combinação.

Tratamento de câncer de pulmão de células pequenas

O câncer de pulmão de células pequenas espalha-se rapidamente para partes distantes do organismo. O tratamento para este tipo de câncer, geralmente, envolve quimioterapia e radioterapia.

Tratamento de câncer de pulmão de células não pequenas

O tratamento, nesse caso, depende principalmente do estágio do câncer.

Estágio 1 – significa que o câncer é pequeno e está restrito ao pulmão. Nesse caso, a cirurgia é o principal tratamento. O cirurgião pode remover:

  • Uma pequena parte do pulmão (segmentectomia);
  • Um lobo inteiro (lobectomia);
  • Todo o órgão (pneumonectomia).

Os pacientes desse grupo que não podem ser submetidos à cirurgia por motivos clínicos são, geralmente, tratados por radioterapia, acompanhada ou não de quimioterapia. 

Estágio 2 – significa que o tumor se espalhou para tecidos próximos ou comprometeu os gânglios linfáticos (fazem parte do sistema imunológico e estão espalhados em regiões estratégicas do corpo para defendê-lo dos agentes agressores). O tratamento para o estágio 2 é radioterapia combinada com outras formas de tratamento, principalmente cirurgia.

 

Estágio 3 – significa que o câncer está em mais de um lobo do pulmão ou se espalhou para os gânglios linfáticos ou estruturas próximas. O tratamento envolve cirurgia, radio ou quimioterapia.

 

Estágio 4 – nesse estágio, o câncer já se espalhou para partes distantes do corpo e é difícil curá-lo. As opções de tratamento para estes casos são radioterapia, quimioterapia e imunoterapia, com o objetivo de diminuir o tumor e aliviar sintomas.

Quais são os possíveis efeitos colaterais do tratamento do câncer de pulmão?

As técnicas utilizadas no tratamento do câncer de pulmão podem provocar efeitos colaterais. É possível que sejam mais leves ou mais acentuados, isso varia muito de pessoa para pessoa.

No entanto, com os cuidados indicados pelo médico, esses sintomas podem ser diminuídos ou evitados. Além disso, a maioria deles é de curto prazo e tendem a desaparecer após o término do tratamento.

A químio e a radioterapia podem causar efeitos colaterais similares, tais como:

  • Cansaço;
  • Perda de cabelo;
  • Náusea;
  • Diarreia;
  • Perda de peso;
  • Anemia;
  • Infecção;
  • Alterações na pele;
  • Dores no corpo.

 
Atenção – pergunte ao seu médico como você pode gerenciar esses efeitos colaterais e comunique imediatamente caso surja qualquer sintoma incomum durante o tratamento.
 

Referências

PP-PFE-BRA-1640

Источник: https://www.pfizer.com.br/sua-saude/oncologia/cancer-de-pulmao

Câncer de Pulmão

Fatores de Risco para o Câncer de Pulmão

O câncer de pulmão é um dos mais comuns de todos os tumores malignos, afetando desde a traqueia até a periferia do pulmão. É considerada uma das principais causas de mortes evitáveis, pois 90% das pessoas que o desenvolvem fumam ou fumaram no passado. Todos os anos, há um aumento de cerca de 2% nos casos de câncer de pulmão no mundo.

A classificação para o câncer de pulmão é feita de acordo com o tipo de células afetadas, como os bronquíolos ou os alvéolos. Existem diversos tipos desta neoplasia, e eles são divididos em dois grupos:

Câncer de células não-pequenas:  mais comuns, têm três subtipos: carcinomas de células escamosas, adenocarcinomas e carcinomas de células grandes.

Câncer de células pequenas: são mais raros e têm comportamento mais agressivo.

Ele se espalha pelo sistema linfático, onde as células cancerígenas entram nos vasos linfáticos e começam a se desenvolver nos gânglios linfáticos ao redor dos brônquios e no mediastino (parte central da caixa torácica). Ao atingirem os nódulos linfáticos, provavelmente essas células já se disseminaram para outros órgãos do corpo.

Estatísticas

Todos os anos, mais pessoas morrem de câncer de pulmão do que se combinarmos os de mama, colorretal e próstata. Confira as estatísticas:

  • 2 em cada 3 pessoas que recebem este diagnóstico tem mais de 65 anos de idade.
  • A chance de um homem, fumante ou não, desenvolver o câncer de pulmão é de 1 em 13.
  • Homens de raça negra tem 30% mais de desenvolver a doença.

Sintomas

Os sintomas mais frequentes no câncer de pulmão são a tosse e o sangramento pelas vias respiratórias. No entanto, os sintomas podem ser diferentes de acordo com a localização do tumor no órgão. Confira outros sintomas:

  • Dor contínua no tórax.
  • Falta de ar, também chamada de dispneia, em atividades do dia a dia, como tomar banho, ou até em repouso.
  • Inchaço no pescoço ou na face.
  • Perda repentina de peso.
  • Pneumonias de repetição ou “mal curadas”.
  • Presença de sangue no escarro (hemoptise), juntamente com a tosse.
  • Rouquidão por mais de uma semana.
  • Tosse: geralmente seca e contínua por mais de três semanas. Nos fumantes, a tosse crônica muda, tornando-se mais intensa ou ocorrendo em horários diferentes dos habituais.

Vale lembrar que alguns sintomas do câncer de pulmão são comuns às infecções pulmonares. Além disso, muitos fumantes apresentam esses sintomas como consequência da bronquite crônica ou do enfisema pulmonar. Por isso, para um diagnóstico preciso, procure um médico.

Fatores de Risco

Os derivados do tabaco originam 90% dos casos de câncer de pulmão. Comparados aos não fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver a doença.

Os fumantes passivos também aumentam o risco de desenvolver esse tipo de câncer, sendo que têm três vezes mais chances de desenvolver a doença do que uma pessoa não exposta a cigarros, cachimbos, charutos ou narguilé.

Outros fatores podem estar ligados ao câncer de pulmão, como:

  • Exposição contínua à poluição do ar
  • Infecções pulmonares de repetição
  • Deficiência ou excesso de vitamina A
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica, como enfisema pulmonar e bronquite crônica
  • Fatores genéticos
  • Alimentação rica em gorduras e pobre em frutas e verduras.

Prevenção

Para prevenir o câncer de pulmão é preciso evitar os fatores de risco. Veja algumas atitudes importantes para diminuir os riscos de adquirir a doença:

  • Não fume: o tabagismo é o fator de risco mais importante para o câncer de pulmão. Os fumantes têm cerca de 20 vezes mais chances de adquirir o risco de câncer de pulmão. O risco aumenta com o número de cigarros consumidos durante o dia e o tempo de vício.
  • Evite o fumo passivo: expor-se a fumaça do tabaco sem ser fumante também é um fator de risco. As pessoas que inalam o fumo passivo estão expostas aos mesmos agentes causadores de câncer.
  • Consuma betacaroteno: alimentos de cor alaranjada como a cenoura são ricos em betacaroteno. A suplementação de betacaroteno em pessoas fumantes pode diminuir o risco de câncer no pulmão.
  • Reduza a exposição a alguns tipos de elementos químicos: substâncias como amianto são extremamente prejudiciais e não existem níveis seguros para o seu contato. Trabalhadores que precisam lidar com esse tipo de material precisam ficar atentos a medidas de segurança para evitar o contato.

Tratamento

O tratamento para o câncer de pulmão varia conforme o tipo da doença. Se o câncer estiver classificado como de células pequenas, em estágio inicial, indica-se a quimioterapia com combinação da radioterapia no tórax. Em casos avançados, a cura é muito difícil e há controle da doença e melhoria na qualidade de vida.

No caso de câncer de pulmão de células não pequenas, a intervenção cirúrgica juntamente com a quimioterapia é a principal forma de tratamento. O cirurgião retira um lobo do pulmão e remove os linfonodos. Na fase IV a principal finalidade do tratamento é controlar a doença e há duas opções de tratamento: terapia-alvo e quimioterapia.

Diagnóstico

Muitas vezes, diagnosticar precocemente o câncer de pulmão é tarefa difícil, já que a doença somente começa apresentar sintomas quando já está em fase avançada. Por isso, somente 20% dos casos são diagnosticados precocemente.

Outra dificuldade do diagnóstico é que não existem sinais específicos do câncer de pulmão, já que os sintomas são os mesmos que de outras doenças respiratórias relacionadas ao fumo, como enfisema pulmonar, bronquite e pneumonia.

Por isso, o diagnóstico do câncer de pulmão busca avaliar o aspecto radiológico do tumor. Em geral, é feito por tomografia de tórax ou radiografia de tórax, por ser a maneira mais direta e prática.

A biópsia é necessária para confirmar o diagnóstico, uma vez que imagens suspeitas podem indicar algo benigno, como uma cicatriz ou infecção. Sendo assim, é realizada a broncoscopia (endoscopia respiratória). O exame consegue olhar no interior dos brônquios e realizar biópsias de áreas suspeitas. Em alguns casos, retira-se uma pequena amostra de tecidos das lesões para análise.

Há também a possibilidade da biópsia guiada por tomografia. Ela é utilizada em casos que o tumor está mais próximo da caixa torácica.

Outros exames que podem ser solicitados são: cintilografia óssea, na qual há injeção de um líquido na veia que possibilita o rastreamento do esqueleto por meio de imagens; tomografia computadorizada, para identificar a extensão do tumor; e ressonância magnética do cérebro, para averiguar a existência ou não de metástase.

Estadiamento

Uma vez confirmada a doença, é feito o estadiamento, que é medir a evolução do câncer de pulmão e verificar se ele está restrito ao órgão ou disseminado por outros lugares do corpo. Os mais comuns são cérebro, fígado e ossos. O estadiamento é feito por meio de vários exames de sangue e radiológicos, como a tomografia computadorizada.

Esses exames vão verificar qual é o estádio do câncer de pulmão, sendo que são sete: IA, IB, IIA, IIB, IIIA, IIIB e IV.

O primeiro caracteriza tumores muito pequenos, menores que 2 cm, e restritos ao órgão.

A escala vai aumentando progressivamente de acordo com a extensão da doença, até se chegar ao estádio IV, que caracteriza tumores avançados com comprometimento de outros órgãos (metástases).

Perguntas frequentes

Qual é a principal função dos pulmões?

Eles são responsáveis pelo processo da respiração. O ar entra nos pulmões pela traqueia, passando pelos brônquios e, depois, pelos alvéolos. Os pulmões levam oxigênio para o interior do corpo humano, e transportam gás carbônico para fora.

O câncer de pulmão tem cura?

Sim. Quanto mais cedo o câncer for diagnosticado, maiores são as chances de cura. Por isso, é importante ficar atento aos sinais e evitar o principal fator de risco: o tabagismo, que envolve o consumo de cigarros, charutos, cachimbos e narguilé.

Quais os tipos de câncer de pulmão?

O câncer de pulmão é um carcinoma e pode ser dividido em dois grandes grupos: carcinoma de células pequenas (que corresponde a cerca de 15% dos casos), pode evoluir de forma acelerada e geralmente é mais agressivo; e o câncer de pulmão de células não-pequenas, que é o tipo de tumor de pulmão mais comum (80% dos casos) e possui três subtipos principais:  adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas (carcinoma epidermóide) e carcinoma de grandes células.

Como são avaliadas as fases do câncer de pulmão?

 O câncer de pulmão é dividido em quatro estágios: sendo o I o mais precoce e o IV o mais avançado.

Os exames solicitados são:  cintilografia óssea, na qual há injeção de um líquido na veia que possibilita o rastreamento do esqueleto por meio de imagens; tomografia computadorizada, para identificar a extensão do tumor;    e ressonância magnética do cérebro, para verificar se não houve metástase.

Quais são as complicações desse tipo de câncer?

As complicações dependem do tamanho, local da lesão e se substâncias produzidas pelo tumor são liberadas na corrente sanguínea. O crescimento tumor pode invadir ou obstruir estruturas respiratórias, vasculares ou nervosas, além do potencial de hemorragia.

Alguns sintomas podem ocorrer em decorrência de elementos secretados pelo tumor ou dos locais das metástases.  Se o câncer avançar, pode causar insuficiência respiratória causada pelo excesso de líquido na cavidade pleural. Se avançar pelo coração e fígado, pode comprometer o desempenho desses órgãos.

Pressionando o sistema nervoso central ou coluna, causa paralisia, lesões e deficiência de movimentos.

Fui fumante pode vários anos e nunca apresentei nenhum sintoma. Devo procurar um especialista?

É importante procurar um médico para fazer um check-up anual. O rastreamento do câncer ainda é questionável. Entretanto, ele pode detectar a doença no estágio inicial, quando é mais fácil de ser tratada.

Tenho câncer de pulmão. Por que deveria parar de fumar agora?

Pesquisas demonstram que abandonar o tabaco traz diversos benefícios à saúde, como melhora na circulação sanguínea e diminuição da pressão arterial. Além disso, parar de fumar pode ajudar o organismo a reagir melhor ao tratamento. Fumar pode acarretar em outros tipos de doenças como câncer na boca, laringe, estômago, doenças respiratórias e problemas circulatórios.

Por que o câncer de pulmão é mais comum em homens?

Não há dados científicos que comprovem essa estatística. Acredita-se que esse tipo de câncer seja mais comum no sexo masculino porque os homens tendem a iniciar o hábito de fumar antes das mulheres.

Источник: https://www.ladoaladopelavida.org.br/cancer-de-pulmao

Fatores de Risco para o Câncer de Pulmão

Fatores de Risco para o Câncer de Pulmão

O câncer de pulmão é o câncer mais comum e o que causa mais mortes em todo o mundo. Para se ter uma ideia da agressividade deste tumor, a mortalidade do câncer de pulmão é maior que as dos cânceres de mama, próstata e intestino juntos.

O câncer de pulmão é o segundo câncer mais comum nos homens, perdendo apenas para o câncer de próstata, e o segundo câncer mais comum nas mulheres, atrás apenas do câncer de mama. Entretanto, como o câncer de pulmão acomete tanto homens quanto mulheres, ao contrário dos cânceres de próstata e mama, que só surgem em um sexo, ele acaba sendo, no geral, o câncer mais comum de todos.

O gráfico abaixo mostra a evolução da mortalidade por câncer de pulmão nos EUA ao longo das últimas décadas. Nas próximas linhas explicarei o porquê deste salto na mortalidade a partir da década de 1940. Os dados são americanos, mas podem ser extrapolados para a maioria dos países.

A incidência do câncer de pulmão está diretamente relacionada ao consumo de cigarro pela população. Até a década de 20 do século passado, quando o cigarro ainda não era produzido e comercializado em larga escala, o câncer de pulmão era uma doença rara, correspondendo a menos de 1% de todos os cânceres.

No início do século XX, apenas 0,5% da população americana fumava mais de 100 cigarros (5 maços) por ano. Na década de 1960, auge do tabagismo, 50% da população masculina fumava pelo menos 100 cigarros (5 maços) por ano. Sabendo estas informações, volte ao gráfico e veja as curvas de mortalidade.

Desde a década de 1980, medidas anti-tabágicas cada vez mais restritivas têm sido implementadas em todo o mundo, conseguindo reduzir o número de fumantes. Graças a elas, pela primeira vez em décadas, notamos uma redução da mortalidade do câncer de pulmão.

Só como curiosidade, a campanha de marketing da indústria tabagista nas décadas de 1940 e 1950 era tão forte que chegaram ao absurdo de sugerir que médicos e dentistas recomendavam o uso de determinadas marcas de cigarro.

As principais estrelas de Hollywood e os mais famosos atletas esportivos recebiam milhares de dólares para promover marcas de cigarro. Naquela época o normal era ser fumante. Não fumantes eram uma minoria em vários círculos sociais.

O resultado de toda esta eficiente campanha de marketing foi uma vertiginosa subida na curva de mortalidade por câncer de pulmão nas décadas que se sucederam.

Como ainda não existem exames que detectem o câncer de pulmão suficientemente cedo para garantir a cura com o tratamento, a melhor estratégia continua sendo a prevenção. Para se prevenir contra qualquer doença, é essencial conhecer os seus fatores de risco. Portanto, é dos fatores de risco do câncer de pulmão que falaremos a seguir.

Cigarro

Como o início deste texto já deixou claro, o cigarro é o principal fator de risco para o câncer de pulmão. 90% dos pacientes que têm câncer de pulmão são ou foram fumantes.

Inacreditavelmente ainda hoje é possível encontrar pessoas que se deixam enganar por falsos relatos sobre uma suposta ausência de provas da relação entre cigarro e câncer de pulmão.

Desde a década de 1960 que já há evidencias científicas de que o cigarro causa câncer de pulmão.

Atualmente já sabemos até quais são as alterações genéticas provocadas pelas substâncias tóxicas do cigarro responsáveis pelo surgimento das células cancerígenas.

O que sabemos hoje sobre a relação do cigarro com o câncer de pulmão:

  •  Quem fuma pelo menos um maço de cigarro por dia tem até 25 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão quando comparados com não fumantes.
  • Já foram identificados mais de 4000 substâncias tóxicas no cigarro e pelo menos 50 que comprovadamente causam câncer.
  • Após 15 anos de abstinência o risco de câncer do pulmão cai em 90%. Todavia, ele nunca será tão baixo quanto o daqueles que nunca fumaram.
  • Não existe uma quantidade mínima de cigarros por dia que seja segura, nem tipos de cigarro que não causem câncer. Sabe-se que se você já fumou mais de 100 cigarros na sua vida, você está no grupo de alto risco para câncer de pulmão. Não importa se você fuma 1 cigarro por dia ou 1 por semana.
  • Quanto maior o consumo diário, maior o risco; quanto maior o tempo de tabagismo, maior o risco; quanto mais cedo se inicia o hábito de fumar, maior o risco.
  • Fumantes passivos apresentam 25% mais risco de desenvolverem câncer de pulmão do que pessoas não expostas cronicamente à fumaça do cigarro.

Para saber mais sobre os malefícios do cigarro, leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo

Charuto, cachimbo e maconha

Existe um mito que apenas o fumo de cigarro é um fator de risco para o câncer de pulmão. Esta suposta ausência de danos é ainda mais forte quando falamos da maconha, uma droga cuja discussão é pautada muito mais pela emoção do que por dados científicos e estatísticos.

O uso crônico de maconha causa alterações nas células da árvore respiratória idênticas àquelas vistas nas lesões pré-malignas de fumantes de cigarro.

Além disso, os indivíduos que fumam maconha e cigarro apresentam um risco de desenvolverem câncer de pulmão ainda maior do que os fumantes apenas de cigarro.

Fizemos uma grande revisão sobre os efeitos da maconha no organismo que pode ser encontrada neste texto: MACONHA | Efeitos no organismo.

O fumo de cachimbos ou charutos também aumenta o risco de câncer de pulmão. Entretanto, o risco não parece ser tão elevado quanto o do cigarro. Enquanto o fumo por vários anos de cigarro aumenta em até 25 vezes o risco de câncer de pulmão, o fumo de charutos ou cachimbos parece aumentar em torno de 5 vezes, o que não deixa de ser uma aumento considerável no risco.

Assim como acontece com o cigarro, o risco de câncer com o fumo da maconha, charutos ou cachimbos também cresce proporcionalmente à quantidade fumada e ao tempo de uso.

Exposição ocupacional

Algumas pessoas trabalham em áreas ou profissões onde há exposição frequente a substâncias nocivas à saúde. A exposição a algumas substâncias químicas estão relacionadas a um maior risco de câncer de pulmão; entre as mais estudadas está o asbesto (amianto).

O asbesto (amianto) é usado em várias áreas da indústria, como na mineração, construção civil, construção de navios, construção de ferroviária, indústria química, indústria automobilística, encanamentos, revestimentos à prova de fogo, isolamento acústico, fabricação de telhas de fibrocimento e mais de 2500 outros produtos. Proibido em muitos países, infelizmente o amianto ainda é legal em vários estados brasileiros devido a uma forte lobby no Congresso Nacional.

Se você quiser saber mais sobre o amianto e suas doenças, leia: MESOTELIOMA | ASBESTOSE | Doenças do AMIANTO (ASBESTO).

Outras substâncias de exposição ocupacional relacionadas a uma maior risco de câncer de pulmão incluem o radônio, arsênio, cromo, formaldeído, níquel, radiação ionizante, poeira metálica e fumaça de madeira queimada.

Trabalhadores expostos frequentemente a estes químicos, se forem fumantes, aumentam ainda mais o risco de desenvolverem câncer. Só como exemplo, o fumo mais a exposição ao amianto aumentam em 60 vezes o risco de câncer do pulmão.

História familiar

Há claramente uma predisposição genética para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Esta influencia genética é um dos fatores que explicam o porquê de nem todos os fumantes inveterados desenvolverem câncer.

Indivíduos com um parente de primeiro grau com câncer de pulmão apresentam maior risco de desenvolvê-lo, princialmente se também forem fumantes ou apresentarem alguma exposição ocupacional.

Quanto mais parentes tiverem tido câncer ou quanto mais jovem sejam os familiares com câncer, maiores os riscos.

Dieta

Vários alimentos têm sido estudados como potenciais protetores contra o desenvolvimento do câncer de pulmão.

Os mais estudados incluem antioxidantes, vegetais crucíferos (couve, repolho, couve-flor, brócolis e couve de Bruxelas) e vitamina B.

Embora pareça haver uma ligação entre a ingestão desses alimentos e a incidência de câncer, nenhum trabalho até hoje conseguiu demonstrar benefícios reais com nenhum tipo de dieta.

Источник: https://www.mdsaude.com/oncologia/cancer-pulmao-fatores-risco/

Fatores de risco para o cancro | SNS24

Fatores de Risco para o Câncer de Pulmão

Um fator de risco é algo que aumenta a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver uma doença. No entanto, apesar de poderem influenciar, não se sabe ao certo de que forma provocam a doença.

Quais os fatores de risco para o cancro?

O cancro, como qualquer outra doença, tem fatores de risco que tornam as pessoas mais suscetíveis ao seu desenvolvimento. Os fatores de risco para o cancro podem dividir-se em:

  • controláveis:
    • exposição ambiental
    • estilos de vida (por exemplo, alimentação e atividade física)
    • infeções por determinados vírus, bactérias ou parasitas
  • não controláveis:
    • idade
    • predisposição genética
    • etnia

A exposição ambiental é fator de risco?

Sim. Todos os dias estamos expostos a agentes nocivos e tóxicos. A exposição prolongada a muitos destes agentes, designados por carcinogénicos, pode aumentar o risco de cancro.

Quais os tipos de agentes carcinogénicos mais comuns?

Os agentes carcinogénicos podem ser divididos em dois tipos:

  • químicos – todos os poluentes atmosféricos a que estamos expostos diariamente, como gases (dos automóveis e das chaminés industriais) e produtos sintéticos (colas, tintas, entre outros), mas também alguns químicos presentes em alimentos processados
  • físicos – a radiação ultravioleta, transmitida pelo sol, a radiação X que é transmitida pelos equipamentos médicos de radiologia e material radioativo existente, por exemplo, nas minas de urânio

O estilo de vida pode ser um fator de risco?

Sim. Está comprovado que estilos de vida saudáveis diminuem a probabilidade de desenvolver cancro. Assim ter estilos de vida incorretos, como maus hábitos alimentares, fumar, ingerir bebidas alcoólicas em excesso e ser sedentário, são considerados fatores de risco elevados para o cancro.

A alimentação é um fator de risco?

Sim. Uma dieta pobre em frutas e legumes, pouco variada e abundante em gorduras e açúcares é um grande fator de risco para o desenvolvimento de várias doenças, incluindo o cancro do estômago e intestino. A obesidade está associada ao cancro devido à multiplicação desordenada e descontrolada das células alteradas.

Uma alimentação saudável é fundamental para a manutenção de um bom estado de saúde e qualidade de vida.

O tabagismo provoca que tipos de cancro?

O consumo de tabaco está associado ao aumento de risco de cancro da cavidade oral, faringe, laringe, traqueia, esófago, pâncreas, pulmão e bexiga.

O alcoolismo provoca que tipos de cancro?

O consumo exagerado e prolongado de bebidas alcoólicas aumenta o risco de cancro de cabeça e pescoço, esófago, fígado, mama e cólon.

As pessoas sedentárias têm maior risco de ter cancro?

Sim. As pessoas sedentárias têm maior risco de desenvolver cancro de mama, do cólon, esófago e do útero. A prática de exercício físico de forma regular e moderada é fator preventivo de várias doenças.

Quais as infeções que são fatores de risco para o cancro?

Alguns estudos na área da oncologia demonstram que as infeções por determinados vírus, bactérias ou parasitas aumentam o risco de determinados tipos de cancro. São exemplos:

  • vírus Epstein-Barr – este vírus provoca a mononucleose e está associado a alguns tipos de linfoma e cancro da cabeça e pescoço
  • vírus da hepatite B e hepatite C – as infeções crónicas por estes vírus causam hepatocarcinoma (cancro do fígado)
  • vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) – a infeção pelo VIH compromete o sistema imunitário, aumentando o risco para vários tipos cancros, nomeadamente, linfomas, sarcoma de Kaposi, entre outros
  • vírus do papiloma humano (HPV) – Alguns tipos deste vírus são classificados de alto risco e são responsáveis pelo desenvolvimento de quase todos os cancros de colo do útero. Este tipo de vírus está ainda implicando nos cancros da orofaringe, vagina, pénis e canal anal
  • helicobacter pylori – a infeção por esta bactéria está associada a um tipo cancro gástrico e ao linfoma de MALT
  • schistosoma hematobium – um parasita presente em África e que está associado ao cancro da bexiga

O envelhecimento é um fator de risco?

Sim. A idade é o principal fator de risco para muitos tipos de cancro, uma vez que o envelhecimento das células origina o desenvolvimento do cancro.
Cerca de um quarto dos novos casos de cancro são diagnosticados em pessoas com idade entre os 65 e 74 anos. Assim, recomenda-se uma vigilância reforçada a partir dos 50 anos.

O que significa ter predisposição genética?

As síndromes de cancro hereditário, são um fator de risco levado, representando cerca de 5 a 10 % de todos os cancros.

Indivíduos que possuem familiares próximos com cancro, especialmente numa idade jovem, podem ter um risco mais elevado de desenvolver a doença.

Por exemplo, uma mulher cuja mãe ou irmã tenha tido cancro da mama, tem duas vezes mais probabilidade de desenvolver este cancro do que outra mulher que não tenha a mesma história familiar.

Existem testes para diagnosticar a predisposição genética?

Sim. Os testes genéticos para pesquisa de mutações de cancro hereditário podem ser pedidos pelo médico assistente, em caso de suspeita de síndrome hereditário, e encaminhado para consulta de oncogenética.

Como se pode fazer prevenção do cancro?

Ao evitar fatores de risco como fumar, hábitos alimentares errados, exposição prolongada ao sol e adquirir hábitos de vida saudáveis (como exercício físico regular, alimentação equilibrada, beber água, etc.) pode reduzir-se fortemente o risco de desenvolver certos tipos de cancro. Infelizmente nem todos os cancros podem ser evitados.

No entanto, quanto mais cedo for diagnosticado, maior é a probabilidade de cura. Por esta razão, é tão importante vigiar alterações no seu corpo e realizar regularmente o autoexame da mama, testículos e pele. O seu médico pode, também, aconselhar a realização de exames regulares de rastreio, tais como:

  • mamografia
  • pesquisa de sangue oculto nas fezes
  • exame ginecológico com citologia (papanicolau)
  • toque rectal
  • análises ao sangue
  • entre outros

Para determinar quais os testes mais apropriados para cada pessoa, o médico terá em conta a idade, a história familiar de cancro, a etnia e outros possíveis fatores de risco existentes.

Fonte: Sociedade Portuguesa de Oncologia

Источник: https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-oncologicas/fatores-de-risco-para-o-cancro/

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