Hidrocefalia tem cura?

Hidrocefalia

Hidrocefalia tem cura?

A hidrocefalia se caracteriza pelo acúmulo de líquidos na cabeça. O excesso retido faz com que os ventrículos cerebrais se dilatem, provocando danos nas estruturas encefálicas.

Hidrocefalia (hidro = água + céfalo = cabeça) é uma condição que se caracteriza pelo acúmulo do líquido cefalorraquidiano (LCR) nos ventrículos cerebrais (cavidades intercomunicantes localizadas em áreas do encéfalo) e no espaço subaracnoide entre as membranas aracnoide e pia-mater das meninges.

Esse acúmulo pode ser causado por um desequilíbrio entre a produção e a reabsorção do líquido cefalorraquidiano ou por algum tipo de obstrução que impeça sua circulação e drenagem.

O fato é que o excesso retido faz os ventrículos cerebrais dilatarem, o que pode provocar compressão e danos nas estruturas encefálicas.

A hidrocefalia pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais comum nas crianças e nos idosos.

Líquido cefalorraquidiano: o que é?

O sistema nervoso central (SNC) é constitído pelo encéfalo (cérebro, bulbo e cerebelo) e pela medula espinhal.

Essas estruturas são banhadas pelo líquido cefalorraquidiano (LCR), uma solução estéril produzida continuamente pelos vasos capilares do plexo coroide localizado nos ventrículos cerebrais (são quatro ao todo: dois laterais, o terceiro e o quarto ventrículo).

Ele age como elemento de proteção dos centros nervosos, uma vez que amortece o impacto de choques contra o encéfalo e a medula espinhal. Está também entre suas funções transportar nutrientes essenciais para o cérebro, remover os resíduos metabólicos e manter a pressão intracraniana em níveis ideais.

Também conhecido por líquor ou fluido cerebroespinhal, o LCR circula por uma rede de canais existentes no sistema nervoso central e é absorvido pela corrente sanguínea de tal modo que sua renovação completa ocorre de duas a três vezes por dia.

Causas

A hidrocefalia pode ser congênita ou adquirida.

A forma congênita está presente no nascimento, mas pode ser identificada dentro do útero materno ou manifestar-se apenas ao longo dos primeiros meses de vida.

Apesar de nem sempre ser possível determinar a causa exata do distúrbio, é certo que estão envolvidos fatores genéticos e hereditários, assim como a ocorrência de doenças infecciosas (toxoplasmosecitomegalovirusrubéolasífilismeningite etc.), e o uso de drogas (cocaína, por exemplo) durante a gestação.  A espinha bífida (mielomeningocele), má-formação da medula espinhal e das estruturas que a protegem, é causa frequente da hidrocefalia congênita. Bebês prematuros e de baixo peso ao nascer também correm risco maior de apresentar a enfermidade.

A forma adquirida pode manifestar-se em qualquer idade e ser causada por infecções e tumores cerebrais, traumatismos cranianos, hemorragias ou AVC, por exemplo.

Outra causa possível é a neurocistecercose, infecção provocada pela larva da Taenia solium, verme parasita do porco, que tem no homem o hospedeiro final.

Esse verme, conhecido popularmente por solitária, pode atacar o cérebro e espalhar-se pela medula espinhal, acarretando sequelas neurológicas potencialmente mortais.

Classificação

A hidrocefalia pode ser classificada de acordo com a causa do distúrbio:

  • Hidrocefalia obstrutiva ou não comunicativa – quando há um bloqueio no sistema ventricular que impede a circulação do líquido cefalorraquidiano pelo encéfalo e medula espinhal. O estreitamento do canal que liga o terceiro ao quarto ventrículo cerebral (estenose do aqueduto de Sylvius) é a causa mais comum da hidrocefalia congênita.
  • Hidrocefalia não obstrutiva ou comunicativa – o LCR circula livremente. No entanto, a reabsorção na corrente sanguínea pode não ocorrer na proporção adequada ou, num número menor de casos, a produção do fluido é excessiva. Sangramentos intracranianos no espaço subaracnoide são causa frequente desse tipo de hidrocefalia.
  • Hidrocefalia de pressão normal idiopática (HPNI) – sem causa definida, é mais comum nos idosos. O líquido cefalorradiquiano, que não é reabsorvido, fica retido nos ventrículos cerebrais que aumentam de tamanho e comprimem as estruturas encefálicas sem alterar os níveis da pressão intracraniana.

Sintomas

Os sintomas da hidrocefalia variam de acordo com a faixa de idade que se manifestam:

Em recém-nascidos e bebês

  • Crescimento rápido da cabeça e alteração do formato do crânio como resultado do acúmulo de líquido nos ventrículos;
  • Fontanela (moleira) dilatada, quando os ossos do crânio ainda não se soldaram;
  • “Olhar de sol poente” (olhos voltados para baixo);
  • Couro cabeludo retesado;
  • Irritabilidade;
  • Sonolência;
  • Atraso no desenvolvimento psicomotor.

Crianças maiores, adolescentes e adultos jovens

  • Dor de cabeça;
  • Perda de coordenação, do equilíbrio e de outras habilidades já anteriormente adquiridas;
  • Náuseas e vômitos;
  • Inapetência;
  • Sonolência excessiva;
  • Desatenção, irritabilidade;
  • Queda no desempenho escolar;
  • Convulsões.

Idosos

  • Demência ou declínio mental, com perda progressiva da memória;
  • Instabilidade para caminhar e lentidão de movimentos;
  • Dificuldade para reter urina e urgência frequente para urinar.

Diagnóstico

A hidrocefalia congênita pode ser diagnosticada quando a gestante realiza os exames de ultrassom de rotina durante o acompanhamento pré-natal. O mais comum, porém, é o diagnóstico ocorrer depois do nascimento, na infância ou mais tarde na vida, quando alguns sintomas característicos da doença começam a chamar a atenção.

Além dos sinais físicos, o médico leva em consideração a história clínica do paciente e o resultado da avaliação neurológica. Exames de imagem, como o ultrassom convencional e o transfontanelar, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética são úteis para confirmar o diagnóstico, porque permitem visualizar os ventrículos cerebrais dilatados.

É fundamental destacar que, quanto antes o diagnóstico for feito, menor será o risco de ocorrerem danos cerebrais.

Tratamento

Quando possível, o tratamento da hidrocefalia deve voltar-se para a correção do distúrbio que está provocando o acúmulo de LCR, seja ele um tumor ou uma doença infecciosa, por exemplo.

Em casos leves e de progressão lenta, podem ser introduzidos medicamentos que ajudam a reduzir a produção do líquido e a manter a pressão intracraniana em níveis adequados, mas têm a incoveniência de provocar efeitos colaterais adversos.

Na maior parte dos quadros de hidrocefalia, porém, o tratamento é cirúrgico. A técnica mais utilizada é a derivação ventriculoperitoneal (DVP) que, basicamente, consiste em aliviar a pressão intracraniana desviando o excesso de líquor contido no ventrículo cerebral para a cavidade abdominal.

Para tanto, é intoduzida a extremidade de um cateter ao qual está conectada uma válvula que controla o fluxo do líquor nos ventrículos cerebrais. Passando por baixo da pele do pescoço e do tórax, a outra extremidade alcança a cavidade abdominal para onde o excedente de líquido é drenado.

Outras intervenções podem ser indicadas no tratamento da hidrocefalia. Um exemplo é a terceiro-ventriculostomia endoscópica, procedimento neurocirúrgico minimamente invasivo utilizado no tratamento da hidrocefalia obstrutiva.

Por via endoscópica, o cirurgião abre um espaço no assoalho do terceiro ventrículo, que facilita a saida do LCR represado.

Até o momento, a grande conquista no tratamento da hidrocefalia congênita,  sem causa genética ou provocada por doenças infecciosas, é a possibilidade de intervir durante a gestação, de duas maneiras: puncionando o excesso de líquido acumulado dentro do ventrículo do feto ou introduzindo um cateter que desvia o excesso para ser absorvido pelo líquido amniótico. Assim que o bebê nasce, o cateter é substituído  pelo sistema de derivação.

Existe, ainda, um exame chamado Tap test importante para encaminhar o tratamento. Ele é indicado para os casos de hidrocefalia com pressão normal e tem como objetivo avaliar a possibilidade de melhora dos sintomas neurológicos, se o implante do sistema de derivação ventriculoperitonial for realizado.

Recomendações

Infelizmente, a hidrocefalia ainda não tem cura. No entanto, se pouco ou nada se pode fazer contra as alterações cromossômicas responsáveis pelo aparecimento da doença congênita, nos outros casos, existem fatores de risco que podem ser evitados com alguns cuidados bastante simples. Veja algumas sugestões:

  • Use capacete de proteção apropriado para a prática de esportes que você curte, ou quando for andar de bicicleta, skate ou moto. Não invente desculpas para não utilizar o cinto de segurança mesmo que o percurso seja curto. Transporte bebês e crianças pequenas em equipamentos que respeitem as normas de segurança. Traumatismos cranianos e hemorragias cerebrais são fatores de risco que podem estar correlacionados com casos de hidrocefalia adquirida;
  • Procure o ginecologista, se está nos planos do casal engravidar. Talvez seja necessário atualizar o calendário de vacinas. Certifique-se de que tomou a vacina contra meningite meningocócica, inclusive as doses de reforço. Meningite é uma causa comum de hidrocefalia.  Além disso, tomar ácido fólico antes e durante a gestação é uma providência importante para evitar a espinha bífida na criança, um defeito no fechamento do tubo neural;
  • Cuide da alimentação. Não coma carne de porco crua, mal passada ou de procedência desconhecida para evitar que um parasita do porco danifique seu sistema nervoso central.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/hidrocefalia/

Hidrocefalia: sintomas, tratamentos e causas

Hidrocefalia tem cura?

A hidrocefalia é o acúmulo excessivo de líquido cefalorraquidiano dentro do crânio, que leva ao inchaço cerebral.

Tipos

Há três tipos de hidrocefalia. A classificação se dá de acordo com a causa. Veja:

Esse tipo da doença ocorre quando há um bloqueio no sistema ventricular do cérebro, impedindo que o líquido cefalorraquidiano flua normalmente pelo cérebro e pela medula espinhal.

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A hidrocefalia não-obstrutiva é resultante da baixa produção ou absorção do líquido cefalorraquidiano.

Este tipo de hidrocefalia afeta principalmente pessoas idosas. Ela é resultado de um trauma ou doença, mas as causas exatas ainda não estão totalmente claras.

Causas

No interior do cérebro existem espaços chamados de ventrículos, que são cavidades naturais que se comunicam entre si e são preenchidas pelo líquido cefalorraquidiano (LCR) ou liquor, como também é conhecido. A hidrocefalia acontece quando a quantidade desse líquido aumenta dentro do crânio.

Este aumento anormal do volume de liquor dilata os ventrículos e comprime o cérebro contra os ossos do crânio, provocando uma série de sintomas que necessitam de tratamento de emergência para prevenir danos mais sérios.

A hidrocefalia, muitas vezes, pode ser detectada antes mesmo do nascimento, por meio de ultrassonografias periódicas.

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Fatores de risco

Em muitos casos, não é possível identificar a causa exata da hidrocefalia. No entanto, uma série de problemas médicos e no desenvolvimento do indivíduo podem contribuir para a hidrocefalia.

Hidrocefalia congênita ou que ocorre logo após o nascimento pode ser motivada por:

  • Desenvolvimento anormal do sistema nervoso central, que pode obstruir o fluxo de fluido cerebrospinal
  • Sangramento dentro dos ventrículos – uma possível complicação de parto prematuro
  • Infecção no útero durante a gravidez, como rubéola ou sífilis, que pode causar inflamação nos tecidos cerebrais do feto

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Outros fatores que podem contribuir para a hidrocefalia incluem:

Sintomas de Hidrocefalia

Os sintomas de hidrocefalia variam geralmente de acordo com a idade.

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Em bebês, os sintomas mais comuns incluem:

  • Cabeça bem maior do que o normal
  • Aumento rápido do tamanho da cabeça
  • Moleira na parte superior da cabeça

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Em crianças mais velhas:

  • Dor de cabeça
  • Visão turva ou dupla
  • Aumento anormal da cabeça da criança
  • Sonolência
  • Dificuldade para permanecer acordado ou para acordar
  • Náuseas ou vômitos
  • Equilíbrio instável
  • Má coordenação
  • Falta de apetite
  • Convulsões

Em crianças:

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  • Irritabilidade
  • Mudança de personalidade
  • Déficit de atenção
  • Declínio no desempenho escolar
  • Atrasos ou problemas com habilidades anteriormente adquiridas, como andar ou falar

Em adultos:

  • Dor de cabeça
  • Dificuldade para manter-se acordado ou para acordar
  • Perda de coordenação ou equilíbrio
  • Perda de controle da bexiga ou uma necessidade frequente de urinar
  • Deficiência visual
  • Declínio da memória, concentração e outras habilidades de pensamento que podem afetar o desempenho no trabalho

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Em idosos:

  • Perda de controle da bexiga ou uma necessidade frequente de urinar
  • Perda de memória
  • Perda progressiva de outras habilidades de pensamento ou de raciocínio
  • Dificuldade para caminhar
  • Má coordenação ou equilíbrio
  • Movimentos mais lentos que o normal

Buscando ajuda médica

Procure atendimento médico de emergência para bebês e crianças que apresentem os seguintes sinais e sintomas:

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  • Grito estridente decorrente de dor
  • Problemas com amamentação e alimentação
  • Vômitos recorrentes e sem explicação
  • Dificuldades respiratórias
  • Convulsões

Busque ajuda médica imediata para outros sinais ou sintomas que apareçam em qualquer faixa etária.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar hidrocefalia são:

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  • Clínico geral
  • Pediatria
  • Geriatria
  • Neurologia

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando os sintomas começaram?
  • Qual a intensidade dos sintomas?
  • Quando os primeiros sinais surgiram?
  • Você ou seu filho já foram diagnosticados com alguma outra condição médica anteriormente?

Diagnóstico de Hidrocefalia

O diagnóstico de hidrocefalia geralmente é baseado em:

  • Questionário sobre sinais e sintomas
  • Exame físico
  • Exame neurológico, que inclui testes de força muscular, reflexo, sensibilidade ao tato, audição, coordenação, equilíbrio, humor, entre outros
  • Exames de imagem do cérebro, como ultrassons, ressonância magnética e tomografia computadorizada

Tratamento de Hidrocefalia

Os principais objetivos do tratamento para hidrocefalia são reduzir e prevenir danos cerebrais melhorando e corrigindo o fluxo de LCR.

Os principais objetivos do tratamento para hidrocefalia são reduzir e prevenir danos cerebrais melhorando e corrigindo o fluxo de LCR.

Se necessário, uma cirurgia pode ser uma opção para realizar essa correção.

Se não, um tubo flexível pode ser colocado no cérebro para redirecionar o fluxo de do liquor. Esse tubo, chamado de shunt, envia o LCR para outra parte do corpo, como para a área da barriga, onde ele pode ser absorvido.

Outros tratamentos podem incluir:

  • Antibióticos em caso infecção
  • Um procedimento chamado terceiro ventriculostomia endoscópica (TVE), que alivia a pressão sem substituir o shunt
  • Remoção ou cauterização das partes do cérebro que produzem LCR

Além disso, o paciente precisará de check-ups regulares para certificar-se de que não há problemas adicionais. Regularmente, serão feitos exames para verificar o desenvolvimento da criança, por exemplo, e para saber se há problemas intelectuais, neurológicos ou físicos.

Enfermeiros visitantes, serviços sociais, grupos de apoio e órgãos locais podem fornecer apoio emocional e assistência à criança com hidrocefalia que tiver dano cerebral significativo.

Convivendo/ Prognóstico

Com a ajuda de terapias de reabilitação e intervenções educativas, muitas pessoas com hidrocefalia são perfeitamente capazes de viver normalmente, com algumas poucas limitações, dependendo do caso.

Há muitos recursos disponíveis para dar apoio emocional e médico para uma criança portadora da doença, por exemplo. Verifique em sua cidade os locais em que você poderá encontrar esse apoio.

Complicações possíveis

As complicações de hidrocefalia no longo prazo podem variar muito e muitas vezes são difíceis de prever.

Se a hidrocefalia for congênita, ela pode resultar em deficiência intelectual e no retardo do desenvolvimento mental e físico.

Adultos que sofreram um declínio significativo na memória ou de outras habilidades de pensamento geralmente têm uma recuperação mais lenta e menos eficaz, bem como sintomas persistentes.

Hidrocefalia tem cura?

Seguindo o tratamento corretamente, pacientes que apresentem casos menos graves de hidrocefalia podem apresentar poucas complicações de saúde. Muitas vezes esses pacientes não apresentam nenhum tipo de complicação também.

Sobre a Medicina
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