Hiperidrose (suor excessivo): causas e tratamento

Hiperidrose

Hiperidrose (suor excessivo): causas e tratamento

O indivíduo pode apresentar sudorese excessiva, principalmente nas regiões palmar, plantar e axilar, locais onde predominam as glândulas sudoríparas, mas também na região craniofacial, sem relação com as necessidades termorreguladoras orgânicas.

Não se conhecem exatamente suas causas, mas admite-se que nos portadores de hiperidrose primária haja estimulação do sistema nervoso simpático, em nível central, provocando o excesso de sudorese.

Tipos e causas

Como já falamos anteriormente, é importante diferenciar hiperidrose primária (isto é, sem uma doença que a provoque) da hiperidrose secundária (quando uma outra doença – por exemplo, um distúrbio hormonal – é responsável pela sudorese excessiva), situação em que é de suma importância que se trate a doença primária.

Para a hiperidrose primária, em geral classificamos em subtipos pela área corpórea que é afetada pelo suor excessivo. É importante frisar que mais de uma área pode ser acometida no mesmo paciente. Descrevemos abaixo as apresentações mais comuns, lembrando que outras áreas também podem ser, menos frequentemente, afetadas.

  • Hiperidrose axilar: situação em que o paciente tem transpiração excessiva na região das axilas, sendo comum formarem-se “halos” de suor na vestimenta.
  • Hiperidrose crânio-facial: situação em que paciente tem transpiração excessiva na região do rosto, em especial na testa.
  • Hiperidrose palmar: situação em que o paciente tem transpiração excessiva na região das palmas das mãos; tipicamente o paciente se sente retraído socialmente, por vergonha de apertar a mão de outras pessoas. Além disto, é comum molhar papéis que a pessoa está segurando, ou ter dificuldades para segurar objetos (que podem escorregar pelo suor das mãos), situações que pioram ainda mais as repercussões psicológicas.
  • Hiperidrose plantar: situação em que o paciente tem transpiração excessiva na região das plantas dos pés, muitas vezes dificultando ou impossibilitando o uso de determinados tipos de calçados.

Fatores de risco

Ainda que não tenha uma causa bem estabelecida, sabe-se que é frequente a história familiar de hiperidrose em quem sofre desta doença, ou seja, há um componente hereditário para a hiperidrose. Como já comentado anteriormente, o sobrepeso e a obesidade também podem ser fatores de risco.

Incidência

Estudos epidemiológicos chegam a estimar em 3% a incidência da hiperidrose, ou seja, até 3 em cada 100 pessoas apresentam sudorese excessiva.

É importante notar que isto pode variar de país para país, e, mesmo dentro de um mesmo país, as taxas podem ser diferentes (por exemplo, a depender do clima local).

Embora a doença seja mais comum em adultos jovens, os sintomas podem se iniciar na infância, ou até mesmo em pacientes mais velhos.

Sinais e sintomas

A sudorese excessiva pode afetar uma ou várias regiões do corpo ao mesmo tempo, sendo, frequentemente, bilateral – ou seja – acometendo os dois lados do corpo.

Classicamente, o suor excessivo torna-se mais intenso quando o paciente fica nervoso. Inicia então um ciclo vicioso: quanto mais nervoso fica por suar, mais sua. No entanto, é importante frisar que, mesmo quando o paciente não está nervoso ou ansioso, a sudorese excessiva pode acontecer.

Diagnóstico

O diagnóstico da hiperidrose primária é essencialmente clínico, sendo realizado após conversar com o paciente e se realizar o exame físico.

Quando houver suspeita de se tratar de hiperidrose secundária (isto é, quando a sudorese excessiva é um sintoma de outra doença), pode-se lançar mão de exames subsidiários (por exemplo, medição de hormônios, pesquisa de tuberculose, etc).

Tratamento

O tratamento da hiperidrose pode ser feito de várias maneiras, e caberá ao médico, junto ao paciente, discutir e definir o tratamento mais adequado. Em linhas gerais, podemos dividir em três formas de tratamento:

  • Tratamentos tópicos: são aqueles que agem sobre as glândulas de suor, de diversas maneiras.
    • Anti perspirantes: são produtos que em geral possuem cloridrato de alumínio, que levam ao fechamento dos ductos das glândulas de suor. Podem causar reações alérgicas que impeçam seu uso a longo prazo
    • Curetagem/Lipoaspiração das glândulas de suor: procedimento que pode ser realizado na região axilar, em que, cirurgicamente, se retiram as glândulas de suor. Trata-se de procedimento invasivo, que deve ser muito bem discutido entre paciente e médico.
    • Iontoforese: trata-se de técnica em que a região do corpo em que há suor excessivo é submetida a uma corrente elétrica, para “inativação” temporária das glândulas de suor. Em geral são necessárias várias sessões, sem as quais a sudorese excessiva tende a voltar.
    • Toxina botulínica: a aplicação de toxina botulínica “desativa” por um período de tempo as glândulas de suor em algumas regiões do corpo. São necessárias novas aplicações em intervalos de tempo, pois os sintomas usualmente voltam.
  • Tratamentos com remédios por via oral: são aqueles em que um remédio, por boca, tem objetivo de reduzir o suor excessivo
    • Anticolinérgicos (por ex: oxibutinina e glicopirrolato): são medicações que foram criadas para tratar outras doenças, mas que têm como “efeito colateral” reduzir o suor. Estudos clínicos têm demonstrado resposta bastante positiva com estes medicamentos para hiperidrose em diferentes sítios (axilar, craniofacial, palmar, plantar), e por longo prazo. Têm como principal efeito colateral a boca seca, e seu uso não é recomendado em gestantes, bem como não é recomendado em pacientes com alguns problemas oculares (por ex: glaucoma), intestinais ou urológicos.
  • Tratamento cirúrgico com simpatectomia: tratamento que consiste em desconectar parte do sistema nervoso responsável pela sudorese.
    • A cirurgia de simpatectomia tem por objetivo “desconectar” os nervos que estimulam as glândulas de suor, causando, assim, a ausência de suor na região de interesse. Para cada região de queixa de suor excessivo, há uma localização em que os nervos devem ser “desconectados”, podendo ser necessário realizar a cirurgia no tórax (em geral para hiperidrose axilar, craniofacial, ou palmar) ou no abdome (para hiperidrose plantar).
    • Atualmente, é realizada frequentemente através de técnicas minimamente invasivas, com o uso de vídeo cirurgia.
    • Embora seja muito eficaz (por volta de 97% de eficácia em “desligar” o suor na região da queixa do paciente), este tipo de cirurgia pode acarretar um quadro de hiperidrose compensatória, que é a “transferência” do suor para uma região em que antes ela não ocorria (por exemplo, após uma cirurgia para tratar o suor excessivo nas mãos, o paciente pode passar a suar excessivamente no abdome – local em que ele não suava antes).

Prevenção

Não há medidas específicas para prevenção da hiperidrose; em alguns subtipos, como na hiperidrose crânio-facial, manter-se dentro do peso ideal pode ajudar a diminuir os sintomas.

Источник: https://www.tjdft.jus.br/informacoes/programas-projetos-e-acoes/pro-vida/dicas-de-saude/pilulas-de-saude/hiperidrose

História Clínica

A HP pode surgir desde a infância, porém manifesta-se com maior intensidade na adolescência.

Caracteriza-se pelo aparecimento de suor exagerado, localizado e simétrico predominantemente nas mãos, nas axilas, nos pés e/ou na face (figuras 1 a 3). A HP ocorre em todas as estações do ano, inclusive no inverno. Em situações de estresse, ansiedade, medo e nervosismo, observa-se piora dos sintomas.

Não há nenhum estudo na literatura atual relacionando o aumento da intensidade do suor com o avanço da idade. Vários estudos demonstram que a severidade do suor parece reduzir após os 50 anos.

Figura 1: Hiperidrose plantar

Figura 2: Hiperidrose palmar   

Figura 3: Hiperidrose axilar

Exame Físico

Determina o diagnóstico da HP, sendo realizado no próprio consultório médico ou por vezes pelo paciente.

Critérios Diagnósticos

            A tabela 1 destaca os critérios diagnósticos da HP.

Tabela 1: Critérios diagnósticos da HP

suor visível, exagerado e localizado, com duração de pelo menos seis meses, sem causa aparente, com pelo menos duas das seguintes características abaixo:
  • suor bilateral e relativamente simétrico
  • Freqüência: pelo menos um episódio por semana
  • Prejuízo nas atividades diárias
  • Idade < 25 anos
  • História familiar presente
  • Ausência de suor durante sono
  • Outros sintomas associados
  • Intenso constrangimento pessoal associado a peças de roupas encharcadas e mãos molhadas.
  • Necessidade de trocar de roupa (peça) uma ou mais vezes por dia
  • Evitar quando possível cumprimentar as pessoas
  • Frustração na realização das atividades diárias
  • Prejuízo no desempenho e na produtividade
  • Depressão e falta de confiança
  • Dificuldade e insegurança em reuniões sociais e relações íntimas
  • DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

    A termorregulação corporal é dependente do mecanismo de sudorese fisiológica, que é realizado especialmente pelas glândulas sudoríparas. Em algumas situações, podemos observar uma hiperatividade dessas glândulas, como ocorre durante e após exercícios, em pessoas obesas, durante menopausa ou decorrente de alguma alteração clínica (tabela 2).

    O primeiro passo é diferenciar a Hiperidrose secundária (generalizada) da primária (focal). A Hiperidrose secundária normalmente faz parte de algumas outras condições clínicas subjacentes, por exemplo, processos infecciosos, neoplasias ou distúrbios hormonais. A HP, ao contrário da Hiperidrose generalizada, ocorre em indivíduos saudáveis.

    Tabela 2: Principais causas de Hiperidrose secundária (generalizada)

    Tipo de HiperidroseDoenças freqüentemente associadas
    Hiperidrose primária (focal)Hiperidrose idiopática (focal)Hiperidrose gustatória (síndrome de Frey’s)
    Hiperidrose secundária (generalizada)Endócrinas: hipertiroidismo, hiperpituitarismo, diabetes melito, menopausa, gravidez, feocromocitoma, síndrome carcinóide e acromegaliaNeurológico: doença de Parkinson, lesão na medula espinal e acidente cérebro-vascularNeoplasias: doença de Hodgkin’s e doenças mielo-proliferativasInfecção: septicemiaDrogas: fluoxetina, venlafaxina, doxepinToxicidade: alcoolismo e abuso de substâncias ilícitas

    EXAMES COMPLEMENTARES

                O diagnóstico da HP é clínico, no entanto, alguns exames complementares são importantes para excluir causas secundárias (tabela 3).

    Tabela 3: Exames complementares

    Exames laboratoriaisHormônios tiroidianos – Hipertiroidismo / tireotoxicoseGlicemia – Diabetes melitoDosagem de ácido vanil-mandélico, catecolaminas na urina de 24 horas – FeocromocitomaDosagem do ácido 5 hidroxiindolacético (urina) – Tumor carcinóide
    Exames de imagensRadiografia de tórax – Suspeita de doenças pleuropulmonares e/ou cardíacasEletrocardiograma – Suspeita de arritmias cardíacasTomografia de tórax e ecocardiograma em casos selecionados

    TRATAMENTO

          Já foram tentados inúmeros tratamentos tópicos, locais, clínicos e psicológicos para HP, porém todos são paliativos, com efeitos nulos ou temporários.

    Atualmente, a simpatectomia torácica bilateral por videotoracoscópica (cirurgia minimamente invasiva) é o tratamento de escolha que fornece resultados duradouros, podendo ser realizada mediante ressecção, termocauterização (destruição por ondas de calor) ou clipagem da cadeia simpática.

    Isso foi um progresso para o tratamento da HP, sendo este procedimento seguro e amplamente utilizado por vários cirurgiões.

    Entretanto, a presença do suor compensatório em outros locais é a complicação mais importante desse tipo de tratamento, podendo afetar de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes (tabela 4).

    Tabela 4: Tratamento clínico versus cirúrgico

    TratamentoclínicoSoluções adstringentes: cloretos de alumínio, em casos severos freqüentemente causa hiperemia e irritação cutânea.Iontoforese: são banhos elétricos de baixa voltagem na área afetada que provocam um bloqueio nas glândulas sudoríparas com remissão da sudorese por um período aproximado de 35 dias. Drogas anticolinérgicas: retemic, rubinol, daricon e probanthine reduzem a atividade do sistema nervoso central, mas os seus efeitos adversos (boca seca, dificuldade para deglutir, mastigar e engolir, retenção urinária e constipação) não são suportados pelo paciente nas doses necessárias para o controle da HP.Toxina botulínica (Botox): provoca bloqueio neuronal nos receptores da acetilcolina na junção neuromuscular, resultando na redução do impulso transmitido. Funciona por período curto (aproximadamente 4 a 6 meses), sendo imprescindíveis repetições regulares do tratamento. Em algumas regiões do corpo, as injeções são muito doloridas.Psicoterapia: diminui ansiedade, estresse e insegurança, reduzindo o estímulo neuronal sob o sistema nervoso autônomo.
    Tratamentocirúrgicosimpatectomia torácica bilateral por videotoracoscópica: o procedimento pode ser realizado por ressecção, termocaulterização ou clipagem da cadeia simpática.Lipossucção: lipocuretagem axilar.Ressecção cirúrgica das glândulas sudoríparas axilares.

    Técnica Operatória

    A cadeia ganglionar simpática é acessada bilateralmente por meio da videotoracoscopia. Os locais de introdução da câmera variam conforme a preferência do cirugião, axila, sulco mamário ou inframamilar.

    Após a introdução da ótica, a cadeia é facilmente visualizada na goteira paravertebral (figura 4).

    A seleção do nível de secção da cadeia é dependente do tipo de Hiperidrose, conforme discriminado na tabela 5.

    Figura 4: Visão frontal do mediastino posterior Se observa em amarelo a cadeia simpática (A) na goteira paravertebral. Outras estruturas: veia ázigos (B), duto torácico (C), aorta descendente (D), diafragma (E).

    Tabela 5: Técnica operatória

    Localização da HiperidroseGânglio simpático
    CraniofacialT2
    PalmarT3
    Palmo-axilarT4
    AxilarT4

    TÓPICOS IMPORTANTES E RECOMENDAÇÕES

             O diagnóstico é eminentemente clínico, por vezes realizado pelo próprio paciente.

             A Hiperidrose secundária costuma ser generalizada, e causada por condições clínicas subjacentes como processos infecciosos, neoplasias ou distúrbios hormonais.

             A simpatectomia torácica bilateral por videotoracoscopia é o tratamento mais efetivo para HP e tem como principal efeito colateral o desenvolvimento de Hiperidrose reflexa em outros locais que não o primário.

    ALGORITMO

    Algoritimo 1: Avaliação e tratamento do paciente com HP

    BIBLIOGRAFIA

    1. Dumont P, Denoyer A, Robin P. Long-term results of thoracoscopic sympathectomy for hyperhidrosis. Ann Thorac Surg 2004;78:1801-7.

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    3. Hornberger J, Grimes K, Naumann M, Glaser DA, Lowe NJ, Naver H et al. Recognition, diagnosis, and treatment of primary focal hyperhidrosis. J Am Acad Dermatol 2004;51:274-86.

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    5. Kim DH, Paik HC, Lee DY. Video assisted thoracoscopic re-sympathetic surgery in the treatment of re-sweating hyperhidrosis. Eur J Cardiothorac Surg 2005;27:741-4.

    6. Leung, AKC, Chang, PYH, Choi, MCK. Hyperhidrosis [Review Article]. Int J Dermatol 1999;38(8):561-7.

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    9. Neumayer C, Zacherl J, Holok G, Függer R. Limited endoscopic thoracic sympathectomy for hyperhidrosis of the upper limb: reduction of compensatory sweating by clipping T4. Clin Auton Res 2003;13(2):159.

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    11. Yazbek G, Wolosker N, Milanez de Campos JR, Kauffman P, Ishy A, Puech-Leão P. Palmar hyperhidrosis – Which is the best level of devernation using video-assisted thoracoscopic sympathectomy: T2 or T3 ganglion? J Vasc Surg 2005;42(2):281-5.

    Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/831/hiperidrose.htm

    Hiperidrose (suor excessivo): causas e tratamento

    Hiperidrose (suor excessivo): causas e tratamento

    Hiperidrose é um estado no qual o corpo produz um volume de suor desproporcional às necessidades fisiológicas para a regulação da temperatura corporal, ou seja, o paciente transpira demais e sem motivo.

    A hiperidrose é normalmente uma condição primária, sem que haja uma causa aparente. Todavia, existem algumas doenças e alguns medicamentos que podem causar uma sudorese excessiva.

    Neste artigo vamos explicar o que é a hiperidrose, por que ela surge, quais são as suas principais causas e quais são as opções de tratamentos.

    O que é o suor?

    O suor é um substância composta por água (99%) e pequenas quantidades de sais minerais (1%), basicamente cloreto de sódio e ureia. Outras substâncias presentes no sangue podem estar presentes no suor, tais como cálcio, magnésio, potássio, zinco e ferro. Estas, porém, costumam estar em concentrações muito reduzidas.

    Ao contrário do que muitos pensam, o suor não é uma fonte de eliminação de toxinas e não serve para eliminar impurezas do seu organismo. Passar um tempo em uma sauna pode ser relaxante, mas não fará você eliminar nada em quantidades relevantes além de água e sal.

    O suor é produzido pelas glândulas sudoríparas, que são glândulas que se localizam nas camadas mais internas da pele (derme), comunicando-se com a camada mais superficial (epiderme) através de micro ductos que desembocam em poros na nossa pele, conforme pode-se ver na imagem ao lado.

    O suor tem como função básica ajudar na regulação da nossa temperatura corporal. A produção de suor pelas glândulas sudoríparas é controlada pelo sistema nervoso central, nomeadamente pelo hipotálamo, onde os neurônios termossensíveis se encontram. Para entender mais como o cérebro controla nossa temperatura corporal, leia: O QUE É A FEBRE? Por que ela surge?

    O sistema nervoso também pode estimular a sudorese em momentos de estresse emocional. Geralmente, a transpiração nestes casos se restringe a certas áreas do corpo, como mãos, pés, axilas e cabeça.

    O que é hiperidrose?

    Como já referido na abertura do texto, a hiperidrose é um estado no qual o corpo transpira mais do que seria necessário para arrefecer o organismo.

    Qualquer ponto do corpo pode ser afetado pela hiperidrose, porém, palmas das mãos, solas dos pés, face e axilas são os sítios mais comuns. Via de regra, a hiperidrose é uma sudorese focal, acometendo apenas uma área do corpo.

    Atualmente, para o diagnóstico da hiperidrose usamos os seguintes critérios:

    • Sudorese focal excessiva com mais de 6 meses de duração e sem causa aparente.

    Mais dois dos critérios listados abaixo:

    • Sudorese bilateral e simétrica (acomete ambas as mãos, pés e/ou axilas).
    • Sudorese que atrapalha as atividades diárias comuns.
    • Sudorese excessiva que ocorre pelo menos 1x por semana.
    • Início do quadro antes dos 25 anos de idade.
    • História familiar de hiperidrose.
    • Sudorese focal durante o sono.

    Cerca de 2% da população apresenta critérios para o diagnóstico da hiperidrose.

    Pessoas de origem asiática, principalmente japoneses, têm um risco maior de apresentar a doença. A hiperidrose focal é mais comum em adolescentes e jovens; menos de 5% dos casos iniciam-se após a puberdade, o que faz com que todo adulto com quadro de sudorese excessiva de inicio recente seja investigado para doenças metabólicas ou uso de medicamentos.

    A hiperidrose costuma piorar em períodos de calor ou durante estresse emocional, mas muitos destes pacientes transpiram a todo momento, sem que haja fator desencadeante aparente.

    Apesar de não ser uma doença grave, que traga maiores complicações, a hiperidrose pode ser incômoda e atrapalhar a vida social e profissional dos pacientes.

    O excesso de suor nas axilas pode manchar roupas e ser esteticamente indesejável, enquanto a transpiração nas mãos pode molhar papeis, tornar o manuseio de instrumentos uma tarefa difícil e causar constrangimento ao apertar as mãos de outras pessoas.

    Além do constrangimento social, a hiperidrose favorece o aparecimento de algumas outras doenças de pele, tais como eczemas, verrugas, dermatite atópica, infecção fúngica nas unhas, frieiras, foliculite e odores desagradáveis.

    Se você quiser saber mais sobre as doenças relacionadas com a hiperidrose, acesse os links abaixo:

    Causas

    A hiperidrose primária, ou seja, a hiperidrose sem causa aparente, costuma ser localizada, acometendo apenas mãos, pés ou axilas. Eventualmente, o excesso de suor na face e crânio pode fazer parte do quadro.

    Quando a hiperidrose é difusa e/ou inicia-se após a idade adulta, é preciso pensar em causas secundárias, entre elas podemos citar:

    Entre os medicamentos que podem causar hiperidrose estão:

    • Propranolol.
    • Nifedipina.
    • Fisiostigmina.
    • Pilocarpina.
    • Antidepressivos.
    • Insulina.
    • Hipoglicemiantes orais.
    • Tamoxifeno.
    • Sildenafil.
    • Omeprazol.
    • Ciclosporina.
    • Tramadol.

    Em geral, quando a hiperidrose está sendo provocada por alguma doença, o paciente já apresenta sinais e sintomas que nos ajudam a identificar a doença de base.

    Se o paciente apresenta febre, perda de peso, tosse, lesões na pele, etc., é fácil suspeitar que o surgimento de hiperidrose esteja relacionado a uma doença sistêmica e não seja um quadro primário.

    Uma hiperidrose que só surge durante o sono também sugere a presença de uma causa secundária.

    Antitranspirantes (antiperspirantes)

    Os desodorantes antitranspirantes são comercializados em farmácias e supermercados e vêm normalmente em apresentações roll-on, creme ou aerossol. São produtos que contêm sais de metais, normalmente sais de alumínio, que obstruem os poros das glândulas sudoríparas na pele. Esses produtos só funcionam em casos de hiperidrose branda.

    Se os antitranspirantes comuns falharem, existem soluções mais potentes, como o cloreto de alumínio hexaidratado em concentrações que variam de 10 a 30%, que podem ser usados nas mãos, pés e axilas. Os resultados costumam aparecer dentro de uma semana, mas é comum o tratamento precisar ser suspenso por irritação da pele.

    Remédios

    Os anticolinérgicos são um grupo de drogas que agem inibindo os neurotransmissores que estimulam a secreção de suor pelas glândulas sudoríparas. Atualmente, é um tratamento pouco usado devido ao elevado índice de efeitos colaterais e a baixa eficácia. O glicopirrolato (60% de eficácia) e a oxibutinina (50% de taxa de eficácia) são os mais utilizados.

    Nos pacientes que apresentam hiperidrose relacionada a estresse emocional, o uso do propranolol ou de ansiolíticos, como o diazepam, podem aliviar os sintomas.

    Iontoforese

    A iontoforese é usada para tratar a hiperidrose palmar (mãos) e a hiperidrose plantar (pés).

    O tratamento consiste no bloqueio temporário das glândulas sudoríparas através de uma leve descarga elétrica emitida dentro de um recipiente de água.

    Os tratamentos duram por volta de 30 minutos e são geralmente aplicados em dias alternados, apresentando uma taxa de sucesso acima 85%. Os resultados são temporários e o tratamento precisa ser repetido constantemente.

    Os efeitos adversos mais comuns são a irritação e a pele seca. O aparelho pode ser adquirido e, após o devido treinamento, o paciente pode utilizá-lo em casa.

    Aplicação de Botox

    A toxina botulínica, comercializada sob a marca Botox, quando aplicada nas regiões que transpiram em excesso, agem bloqueando os neurônios que estimulam o funcionamento das glândulas sudoríparas, causando uma redução temporária da produção de suor nestes locais.

    O Botox pode ser aplicado nas mãos, pés, axilas e face, apresentando uma elevada taxa de sucesso, com efeitos que duram várias semanas.

    As desvantagens das aplicações de Botox são as picadas de agulha e a necessidade de um médico com bastante treino para se evitar as complicações, como a fraqueza muscular.

    Para saber mais sobre o Botox, leia: BOTOX | Aplicações terapêuticas e cosméticas.

    Termólise por micro-ondas

    Este tratamento é feito através de um aparelho que emite micro-ondas capazes de destruir as glândulas sudoríparas. O tratamento é feito, habitualmente, com 2 ou 3 sessões de 30 minutos, com intervalos de 3 meses. A taxa de sucesso é de 80 a 90%.

    O efeito colateral mais comum da termólise é uma sensação estranha na pele no local da aplicação, que pode durar até cerca de 1 mês.

    O principal fator negativo da termólise é o seu atual alto custo.

    Cirurgia

    Se todos os tratamentos explicados acima falharem, a cirurgia torna-se uma opção.

    São dois os tipos de cirurgias usadas no tratamento da hiperidrose. Uma delas é a curetagem ou lipoaspiração da axila, que remove as glândulas sudoríparas.

    A outra opção é a simpatectomia torácica endoscópica (STE), que é uma cirurgia maior e envolve a remoção dos nervos da medula espinhal ao nível do tórax, responsáveis pela inervação das glândulas sudoríparas das axilas, mãos e face.

    A STE é a última opção, pois é um procedimento mais complexo e que apresenta maiores riscos, sendo realizado sob anestesia geral.

    Nessa forma de cirurgia, um endoscópio é inserido no tórax através da axila. Uns dos pulmões é desinflado para que o endoscópio possa chegar mais facilmente à coluna. O procedimento é realizado primeiro de uma lado e depois do outro.

    Apesar de ser um procedimento com altas taxas de sucesso, a STE apresenta um efeito adverso comum e inconveniente: a sudorese compensatória.

    Esse efeito colateral consiste em um suor intenso e excessivo que ocorre em outras áreas do corpo, principalmente nas costas, abdômen e pernas. É um efeito colateral importante, que traz grande insatisfação, pois o suor pode ser tão intenso ou até pior que a transpiração original que levou à cirurgia.

    Por esse motivo, atualmente, a simpatectomia torácica endoscópica é raramente indicada.

    Referências

    Источник: https://www.mdsaude.com/dermatologia/hiperidrose/

    Hiperidrose: sintomas, tratamentos e causas

    Hiperidrose (suor excessivo): causas e tratamento

    Hiperidrose é uma condição médica em que a pessoa sua excessivamente e de forma imprevisível. Pessoas com hiperidrose podem suar mesmo quando a temperatura está baixa ou quando estão descansando.

    Causas

    Suar ajuda a manter o corpo frio. Todas as pessoas suam, especialmente em dias em de temperaturas muito altas, após exercícios físicos ou durante uma situação estressante, que deixe a pessoa muito nervosa, com raiva, envergonhada ou com medo.

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    No entanto, o suor excessivo também pode ocorrer em outras situações. Pessoas com hiperidrose parecem ter glândulas sudoríparas superativas. O suor incontrolável pode levar à sensação de desconforto significativo, tanto físico como emocional.

    Quando o suor em excesso afeta as mãos, pés e axilas, é chamado de hiperidrose primária ou focal. A hiperidrose primária afeta de 2% a 3% da população. Ainda assim, menos de 40% dos pacientes com essa condição busca auxílio médico. Na maioria dos casos de hiperidrose primária, nenhuma causa é encontrada, o que leva os médicos a acreditarem que trata-se de um problema hereditário.

    Se a sudorese ocorre como resultado de outra condição médica, é chamada hiperidrose secundária. O suor pode ocorrer em todo o corpo ou em apenas uma área. Entre as condições que podem causar hiperidrose secundária estão:

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    Buscando ajuda médica

    Consulte um médico se você apresentar:

    • Suor prolongado, excessivo e sem explicação
    • Sudorese com ou seguida de dor ou pressão no peito
    • Sudorese com perda de peso
    • Sudorese que ocorre mais frequentemente durante o sono
    • Suor com febre, perda de peso, dor no peito, falta de ar ou taquicardia – esses sintomas podem ser um sinal de uma doença subjacente, como o hipertireoidismo

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    Na consulta médica

    Especialistas que podem diagnosticar hiperidrose são:

    • Clínico geral
    • Dermatologia
    • Endocrinologia
    • Neurologia
    • Psiquiatria
    • Psicologia
    • Oncologia
    • Infectologia
    • Pneumologia
    • Urologia
    • Ginecologia

    Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

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    • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
    • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
    • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar

    O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

    • Você sua com muita frequência?
    • Você sua em grandes quantidades?
    • Quais situações costumam provocar maior quantidade de suor?
    • Você já foi diagnosticado com alguma outra condição de saúde? Qual?
    • Quanto os sintomas surgiram?
    • O suor começa subitamente?

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    Diagnóstico de Hiperidrose

    O diagnóstico é clínico e baseado nos sintomas e em uma série de questionamentos que são feitos aos pacientes. O médico avaliará a possibilidade da hiperidrose estar relacionada a doenças mais graves.

    Tratamento de Hiperidrose

    O tratamento para suor excessivo causado por hiperidrose costuma ser clínico ou cirúrgico. Nos casos mais leves, podem ser indicados medicamentos orais e de uso tópico. A aplicação de botox também ajuda a controlar a sudorese.

    Quadros mais graves, porém, podem exigir intervenção cirúrgica. Nelas, ocorre a retirada das glândulas sudoríparas das axilas, ou de gânglios da cadeia simpática (simpatectomia).

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    Referências

    Ministério da Saúde

    Sociedade Brasileira de Dermatologia

    Academia Americana de Dermatologia

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    Mayo Clinic

    Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/hiperidrose

    Sintomas

    O principal sintoma da hiperidrose é o suor excessivo, seja em todo o corpo, sejam em áreas localizadas, como axilas, mãos, pés ou rosto.

     

    Sobre a Medicina
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