Hipotireoidismo Subclínico: sintomas e tratamento

Hipotireoidismo e o ciclo menstrual

Hipotireoidismo Subclínico: sintomas e tratamento

Este artigo está disponível também em: English

*Tradução: Sarah Luisa Santos

O que você precisa saber

  • A glândula tireoide está envolvida no regulamento de muitas funções do corpo, como metabolismo, crescimento e temperatura corporal
  • Pessoas com hipotireoidismo não produzem hormônios da tireoide o suficiente
  • Alguns sintomas comuns de hipotireoidismo são: cansaço, aumento de peso, pele seca e ciclos menstruais irregulares
  • Hipotireoidismo é geralmente tratado com uma medicação que é a versão sintética do hormônio da tireoide.

O que é hipotireoidismo?

A glândula tiroide é um órgão pequeno e produz hormônios, localizado na frente do pescoço. A glândula tireoide regula muitas das funções corporais, incluindo o metabolismo, crescimento, batimento cardíaco e temperatura corporal.

Para alguém com hipotireoidismo, a glândula tiroide não produz hormônios da tiroide suficientes. Isso causa uma desaceleração de diversas funções do corpo, e pode levar a mudanças no ciclo menstrual (1). Hipotireoidismo afeta 2 em cada 100 pessoas, sendo mulheres mais afetadas que homens (2-4).

Sintomas: o que você vai notar se tiver hipotireoidismo

Por um tempo, algumas pessoas sentem que apenas têm algo estranho com o corpo delas. Depois, os sintomas se tornam mais claros. Os sintomas comuns de hipotireoidismo são:

  • Sentimento de cansaço
  • Aumento de peso
  • Ciclo menstrual irregular: ciclos longos ou ausentes
  • Fluxo menstrual intenso
  • Sensibilidade ao frio
  • Inchaço e edema
  • Pele e cabelos secos
  • Cabelos ralos na cabeça
  • Constipação
  • Dificuldade em engravidar ou se manter grávida
  • Bócio (crescimento anormal/crescimento da tiroide) (1,5-8)

Causas: porque acontece o hipotireoidismo

A glândula tireoide produz dois hormônios principais: tiroxina (T4) e triiodotironina (T3). Quando alguém tem hipotireoidismo, sua glândula tireoide não produz o suficiente destes hormônios. Isso pode acontecer por diversas razões:

Deficiência de Iodo

Em alguns lugares onde existe má nutrição ou deficiência de iodo no solo, as pessoas não consomem iodo suficiente (um mineral natural) em suas dietas. Sem iodo suficiente na dieta, as pessoas podem desenvolver uma deficiência de iodo. Isso pode causar hipotireoidismo e desenvolver bócio (aumento e inchaço da glândula tireoide)(3,9).

Doenças autoimunes

Em lugares onde as pessoas consomem iodo suficiente em suas dietas, hipotireoidismo é mais frequentemente causado por uma doença autoimune chamada Doença de Hashimoto (10). Essa doença faz com que a glândula tireoide dessa pessoa ataque o seu sistema imunológico, o que impede que ele funcione corretamente (10). Não é claro o porquê disso acontecer.

Dano físico ou médico da tireoide

Hipotireoidismo pode também se desenvolver quando a tireoide está danificada fisicamente. Isso pode acontecer quando alguém recebe tratamento para hipertireoidismo ou teve alguma cirurgia ou radiação na área da tireoide (7). Medicamentos como lítio podem também causar hipotireoidismo como efeito colateral. (11).

Gravidez

Gravidez pode causar uma disfunção chamada tireoidite pós-parto. Tireoidite pós-parto geralmente começa de dois a seis meses depois do parto, e geralmente dura até 1 ano (12).

Os sintomas de tireoidite pós-parto são geralmente suaves e podem incluir hipertireoidismo (uma tireoide hiperativa) e/ou sintomas de hipotireoidismo. Tireoidite pós-parto afeta em torno de 7 em cada 100 gravidezes, e deve ser cuidada com a ajuda de assistência médica (12).

Cerca de 1 em cada 5 pessoas com tireoidite pós-parto desenvolvem hipotireoidismo permanente (4,13).

Como o hipotireoidismo é diagnosticado

Hipotireoidismo pode ser diagnosticado de duas formas: hipotireoidismo subclínico e hipotireoidismo.

Pessoas com hipotireoidismo subclínico geralmente não tem nenhum dos sintomas típicos. Nos exames de sangue seus hormônios da tireoide (T4) aparecem com uma variação normal (20).

Hipotireoidismo subclínico é diagnosticado através de testes de laboratório, que indicam que o hormônio estimulante da tireoide (THS – o hormônio que conecta o cérebro a tireoide) está acima do normal (20).

Hipotireoidismo subclínico é mais comum do que o hipotireoidismo típico (14,21). Algumas pessoas com hipotireoidismo subclínico podem desenvolver hipotireoidismo.

Em comparação, pessoas diagnosticadas com hipotireoidismo têm o mal funcionamento da glândula tireoide e geralmente têm os típicos sintomas. Os resultados dos exames de sangue de alguém com hipotireoidismo tem níveis baixos de hormônios da tireoide (T4) e altos níveis do hormônio estimulante da tireoide (THS) (22).

A assistência médica provavelmente vai perguntar sobre os sintomas e o histórico familiar médico e menstrual. Em especial, o que se quer saber é sobre possíveis abortos espontâneos e dificuldades em engravidar. Eles provavelmente vão fazer um exame físico.

Se a assistência médica pensar que existe a possibilidade de você ter uma disfunção da tireoide, eles vão fazer alguns exames de sangue para medir os níveis dos hormônios da tireoide. Em alguns casos, um ultrassom da glândula da tireoide também será realizado.

Por que verificar se você tem hipotireoidismo?

Disfunções da tiroide são curáveis uma vez que você recebeu o diagnóstico, mas pode ser difícil identificar seus sintomas. Nos EUA, é estimado que 1 em cada 20 pessoas têm alguma forma de hipotireoidismo (14). Hipotireoidismo é mais comum entre as mulheres do que nos homens, e sua predominância aumenta com a idade (14).

Se deixada sem tratamento, os sintomas de hipotireoidismo (como aumento de peso e cansaço, por exemplo) podem impactar na qualidade de vida de uma pessoa.

Eles também pode levar a complicações como baixa função cardíaca, abortos espontâneos frequentes, infertilidade, e deficiência no nascimento durante a gravidez (7,8,15,16).

Hipotireoidismo sem tratamento pode causar uma queda no processamento mental, bócio (aumento da tireoide) e em casos raros, perda da consciência ou coma (17,18).

A gravidez pode alterar necessidades de medicação para pessoas com disfunções da tireoide. É importante conversar com profissionais de saúde se você tem uma disfunção da tireoide e se você está gravida ou planeja uma gravidez (4,19).

Tratamento do hipotireoidismo

Disfunções da tireoide são geralmente curáveis ou tratáveis com medicação para equilibrar os níveis dos hormônios da tireoide no corpo. Na maioria dos casos, o tratamento para disfunções na tireoide é para a o resto da vida.

Medicação: hipotireodismo é tratado com uma medicação que substitui hormônios. Uma versão sintética do hormônio tiroxina (T4) é geralmente prescrita (10).

Estilo de vida/tratamentos alternativos: aumentar o consumo de iodo através de sal iodado é fácil e acessível além de uma forma barata de prevenir a deficiência de iodo (23).

Ainda não é claro se existe uma conexão entre alguns alimentos, ervas ou vitaminas e seu impacto na função da tireoide (10,24). É necessário mais pesquisa sobre isso.

Se você acha que tem alguma disfunção na tireoide, observar os seus ciclos e os sintomas com o app Clue pode fornecer informações que vão ajudar a sua assistência médica a diagnosticar a doença e desenvolver um tratamento.

O tratamento quando feito cedo pode reduzir o risco de complicações sérias como problemas no coração, abortos espontâneos frequentes, infertilidade, e deficiência do feto na gravidez (15,7,8,16).

O que monitorar

Se você suspeita que tem hipotireoidismo, repare nos seus sintomas.

Veja baixo o que recomendamos que você observe, acompanhe e registrem em seu Clue app.

Acompanhamento complementar

  • Peso
  • Volume de sangue
  • Emoções
  • Energia
  • Mente
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  • Cabelo
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Источник: https://helloclue.com/pt/artigos/ciclo-a-z/hipotireoidismo-e-o-ciclo-menstrual

Hipotireoidismo subclínico: TSH alto e T4 livre normal

Hipotireoidismo Subclínico: sintomas e tratamento

Quem não se sente desconfortável diante de um exame anormal, seja médico ou paciente? Isso acontece com frequência nos casos de hipotireoidismo subclínico.

Quando o assunto é tireoide, é extremamente comum recebermos pacientes que trazem exames mostrando um aumento discreto do hormônio tireoestimulante (TSH) e hormônios tireoidianos normais (entenda-se aqui dosagem do T4 livre). Em outras palavras, o hipotireoidismo subclínico é caracterizado pelo TSH alto e T4 livre normal.

Daí nos perguntamos: tratar ou não tratar o paciente (não o exame)? Eis uma questão controversa.

Diagnóstico do hipotireoidismo subclínico

O hipotireoidismo subclínico é um diagnóstico puramente laboratorial. De forma semelhante ao hipertireoidismo subclínico, assunto do último post, o hipotireoidismo subclínico trata-se também de uma disfunção tireoidiana leve e nem todos os pacientes se beneficiam do tratamento.

A maioria das diretrizes não recomenda a realização de exame de ultrassonografia de forma rotineira para a avaliação do hipotireoidismo subclínico. Na prática, a ultrassonografia é solicitada na investigação das doenças da tireoide.

Achados de alteração na textura e ecogenicidade (brilho) da glândula ao ultrassom pode indicar doença autoimune da tireoide, como tireoidite de Hashimoto.

O critério ultrassonográfico é utilizado em alguns textos para indicar a reposição com o hormônio tireoidiano (levotiroxina)

É importante salientar que a discussão que trazemos nesse post não contempla os casos de hipotireoidismo subclínico na gravidez e na infância.

Sintomas do hipotireoidismo subclínico

Os sintomas do hipotireoidismo subclínico estão presentes em uma minoria dos casos e são semelhantes, embora mais leves, aos relatados por pacientes com hipotireoidismo clínico. São eles:

  • depressão
  • redução da qualidade de vida
  • disfunção cognitiva
  • déficit de memória
  • fadiga
  • ganho de peso
  • fraqueza muscular
  • intolerância ao frio
  • constipação

São necessários mais exames antes de tratar o hipotireoidismo subclínico

Para descartar as alterações hormonais transitórias, é indicado repetir as dosagens de TSH e T4 livre juntamente com os anticorpos antitireoidianos em um intervalo de 2 a 3 meses.

Essa orientação muitas vezes é ignorada e o tratamento de reposição de hormonal é instituído imediatamente diante do primeiro exame anormal.

Os exames solicitados com maior intevalo de tempo permitem que outras situações que cursam com aumento do TSH sejam excluídas. Exemplos na tabela 1.

Tabela 1. Causas de aumento transitório e persistente do TSH

Causas de aumento transitório com TSH não relacionada à disfunção leve da tireoide
Causas de aumento transitório de TSH com T4 livre normal – recuperação de enfermidade não-tireoidiana– fase de recuperação de vários tipos de tireoidite– medicação, tais como amiodarona e lítio
Causas de aumento persistente de TSH com T4 livre normal– adaptação fisiológica ao envelhecimento– interferências na mensuração dos hormônios – obesidade – insuficiência adrenal (muito raro)– resistência ao hormônio tireoestimulante (TSH) ou liberador do hormônio tireoestimulante (TRH) (extremamente raro)

O que pode acontecer se o hipotireoidismo subclínico não for tratado?

O risco de progressão para o hipotireoidismo clínico (TSH alto associado a T4 livre baixo) é da ordem de 2 a 6% ao ano, sendo maior entre mulheres, pessoas com altos níveis de anticorpos antitireoidianos e os que têm níveis de T4 livre próximo ao limite inferior da referência laboratorial.

Ao longo das últimas décadas, estudos observacionais mostraram uma associação do hipotireoidismo subclínico com alguns desfechos, como por exemplo, a progressão para o hipotireoidismo clínico, sintomas de hipotireoidismo e aumento de marcadores em exames complementares que aumentam o risco de doença cardiovascular.

Os marcadores da doença cardiovascular modificados no hipotireoidismo subclínico podem ser: elevação do colesterol total e LDL, aumento da espessura da camada íntima-média da artéria carótida e redução da função cardíaca.

A doença coronariana, insuficiência cardíaca congestiva, o derrame e odeclínio cognitivo foram também associados ao hipotireoidismo subclínico em alguns estudos.

O tratamento com levotiroxina reduz de forma moderada o colesterol total e LDL, mas não está claro se essa intervenção resulta na redução dos eventos cardiovasculares.

De forma semelhante, ainda há poucos estudos de grau de evidência científica superior demonstrando que o tratamento do hipotireoidismo subclínico pode reduzir o risco destas complicações, principalmente para as doenças cardiovasculares e para o declínio cognitivo.

A associação desses desfechos é mais forte no hipotireoidismo subclínico mais grave, conforme descrito na tabela 2.

Tabela 2. Associação do hipotireoidismo subclínico e desfechos clínicos

Hipotireoidismo subclínico e obesidade

Dosagens de TSH elevadas são associadas ao aumento do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência abdominal. Entretanto, a perda de peso tipicamente provoca redução do TSH, o que sugere que o hipotireoidismo subclínico não é a causa do ganho de peso. As doenças tireoidianas podem causar variações no peso, mas a contribuição pode ser bastante variável e modesta.

Tratamento do hipotireoidismo subclínico

Há grandes controvérsias nesse ponto. Existem diferenças de recomendações entre as diretrizes de europeia e americana quanto à recomendação de tratamento de pessoas mais idosas.

O departamento de tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) considera ainda diferentes condutas médicas conforme cada faixa etária. Um ponto em comum para todas as idades é a recomendação de tratamento em todos os pacientes com TSH ≥ 10 mU/L, conforme tabela abaixo.

Tabela 3. Recomendações para o tratamento do hipotireoidismo subclínico de acordo com a SBEM

ParâmetroTSH >4,5 e 65 anosnãosim

Quando o TSH está acima do valor de referência e

Источник: https://drasuzanavieira.med.br/2019/04/10/hipotireoidismo-subclinico-tsh-alto-t4-livre-normal/

Hipotireoidismo – Causas, sintomas e tratamento

Hipotireoidismo Subclínico: sintomas e tratamento

Hipotireoidismo (ou hipotiroidismo) é o nome que se dá quando a glândula tireoide funciona deficientemente, produzindo menos hormônios do que o necessário para o controle do nosso metabolismo.

O hipotiroidismo é a doença mais comum da tiroide e está presente em cerca de 5% da população.

Como funciona a tireoide?

A tiroide (ou tireoide) é uma glândula em forma de borboleta que se localiza na base do pescoço, abaixo da laringe. A tireoide produz dois hormônios: triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), que agem regulando o nosso metabolismo, ou seja, o modo como o corpo usa e armazena energia.

Hipotireoidismo é o nome que se dá quando a glândula tiroide produz uma quantidade insuficiente destes hormônios. Para entender como surge o hipotireoidismo é preciso saber como funciona a tireoide.

O mecanismo explicado abaixo parece complicado, mas não é.

1. Como acabei de explicar, a tireoide produz dois hormônios que controlam nosso metabolismo, chamados de T3 e T4.
2. A glândula hipófise, localizada na base do cérebro, controla o grau de produção de T3 e T4 pela tiroide através de um hormônio chamado TSH (em inglês, Hormônio Estimulador da Tireoide).

Funcionamento da tireóide

Quando existe pouco hormônio tireoidiano circulante, a hipófise aumenta a secreção de TSH, dando ordem para que haja uma maior produção de T3 e T4 pela tireoide.

Quando existe muito hormônio circulante, a hipófise diminui a secreção de TSH, desestimulando a tireoide a produzir T3 e T4.

Assim, o organismo consegue manter níveis sempre estáveis de T3 e T4, mantendo o nosso metabolismo controlado.

Antes de seguirmos em frente assista a esse curto vídeo que explica de forma simples quais são os principais sintomas de uma tireoide doente.

Vídeo

Antes de seguirmos em frente, assista a esse curto vídeo sobre os principais sintomas das doenças da glândula tireoide.

Hipotireoidismo primário e secundário

O Hipotiroidismo pode ser causado por um problema na tireoide que impeça a secreção de seus hormônios (hipotireoidismo primário) ou por um problema na hipófise que iniba a secreção de TSH, inibindo consequentemente a produção de T3 e T4 (hipotireoidismo secundário).

Portanto, hipotireoidismo primário ocorre por defeito na tireoide e hipotireoidismo secundário por defeito na hipófise.

A distinção entre hipotireoidismo primário e secundário é muito fácil, sendo feita através do doseamento do TSH e do T4 no sangue:

  • Quando a tiroide tem um problema e começa a produzir pouco hormônio, a hipófise aumenta progressivamente sua produção de TSH para tentar contornar esse déficit. Portanto, no hipotireoidismo primário encontramos o TSH elevado e o T4 baixo.
  • Se o problema for central, na hipófise, encontraremos um TSH baixo por falta de secreção e um T4 também baixo por falta de estímulo para sua produção.

95% dos casos de hipotiroidismo são de origem primária. As principais causas são a tireoidite de Hashimoto, a remoção cirúrgica da tireoide (tireoidectomia) e a destruição da glândula por irradiação.

Tireoidite de Hashimoto

A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune (leia: DOENÇA AUTOIMUNE), que ocorre por destruição da glândula pelos nossos próprios anticorpos. O Hashimoto é a principal causa de hipotiroidismo, sendo sete vezes mais comum nas mulheres que nos homens.

A tireoidite de Hashimoto ocorre da seguinte maneira:

Por motivos ainda desconhecidos, o nosso organismo passa a produzir anticorpos contra a própria glândula tireoide. O processo de destruição é lento e dura vários anos.

Conforme as células da tiroide vão sendo destruídas, a capacidade da glândula produzir  T4 e T3 vai caindo. Notando que há uma queda nos níveis de hormônios tireoidianos, a hipófise aumenta a secreção de TSH, estimulando as células da tireoide que ainda existem a aumentar sua produção de hormônios.

Este aumento do TSH é suficiente para normalizar os níveis de T3 e T4.

Por isso, nas fases inicias da tireoidite de Hashimoto o paciente não apresenta sintomas, já que seus níveis sanguíneos de T3 e T4 permanecem normais.

Entretanto,  nas análises de sangue já conseguimos detectar um TSH mais alto que o normal. Esta fase é chamada de hipotireoidismo subclínico (leia: HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO).

Conforme mais células vão morrendo, mais TSH vai sendo secretado pela hipófise, até o ponto que as células remanescentes são tão poucas que já não conseguem mais produzir o T3 e T4 necessários para manter um nível sanguíneo desejado. Quando os hormônios da tireoide ficam em níveis baixos, começam a surgir os sintomas do hipotireoidismo.

O nome tiroidite é dado porque a ação dos anticorpos na tiroide causa uma irritação da mesma. É possível que o paciente desenvolva hipertiroidismo nas fases inicias, já que a glândula irritada pode começar a liberar mais hormônios que o desejado. O paciente pode evoluir com hipertireoidismo inicialmente, e só em fases avançadas passar a ter hipotireoidismo.

Sintomas

Os principais sinais e sintomas de uma tireoide pouco funcionante são:

O hipotireoidismo leva a ganho de peso, mas não costuma provocar obesidade. É muito comum as pessoas justificarem sua obesidade pelo hipotireoidismo, quando na verdade essa condição leva ao ganho de apenas poucos quilos, no máximo 5 ou 6.

Além disso, o ganho de peso é em boa parte por retenção de líquidos e não por ganho de gordura. Ninguém ganha peso suficiente para ficar obeso só porque está com hipotireoidismo. A obesidade só ocorre naqueles pacientes que já se encontravam em situação de sobrepeso anteriormente, já próximo de serem obesos.

Em crianças o hipotireoidismo leva a um quadro de baixo crescimento e retardo mental chamado de cretinismo (daí a origem da palavra cretino). Os hormônios tireoidianos são essenciais para o desenvolvimento do cérebro. O teste do pezinho serve para diagnosticar hipotireoidismo nos recém-nascidos.

O hipotireoidismo causado pela remoção ou irradiação da tireoide apresenta os mesmos sintomas do hipotireoidismo causado pela tireoidite de Hashimoto. A diferença é que seu início é abrupto na remoção da tiroide, e lento e progressivo no Hashimoto.

Outra causa de hipotireoidismo é a carência de iodo, substância necessária para produção dos hormônios. Hoje existe suplementação de iodo no sal de cozinha, sendo esse tipo de hipotireoidismo raro nas áreas urbanas.

Alguns medicamentos, como a amiodarona, interferon e lítio também podem causar alterações no funcionamento da tireoide, causando hipotireoidismo.

Para saber mais detalhes sobre os sintomas do hipotireoidismo, leia: SINTOMAS DO HIPOTIREOIDISMO.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito com a dosagem de TSH, T4 livre e dos anticorpos contra tiroide (anti-TPO e anti-tireoglobulina).

Em geral, o diagnóstico de hipotireoidismo é dado aos pacientes com sintomas de hipotiroidismo que tenham TSH maior que 4 mU/L.

Existe ainda o grupo que cai na definição de hipotireoidismo subclínico, ou seja, TSH maior que 4 mU/L, mas sem sintomas da doença. Neste último caso, o tratamento só é necessário caso o paciente tenha colesterol elevado, TSH maior que 10 mU/L, caso a paciente esteja grávida, ou se tiver os anticorpos contra tireoide positivos (anti-TPO e anti-tireoglobulina).

A presença de anti-TPO ou anti-tireoglobulina em um paciente com hipotireoidismo indica que a causa é a doença de Hashimoto (leia: ANTICORPOS CONTRA TIREOIDE: anti-TPO, TRAb e anti-tireoglobulina).

Hoje, graças à identificação dos hipotireoidismos subclínicos, já somos capazes de diagnosticar a doença antes dela apresentar sinais clínicos. Uma das primeiras alterações é a elevação do colesterol, que pode preceder em anos o início do hipotireoidismo franco.

Atenção, não existe hipotiroidismo com análises normais. Se você acha que tem sintomas de hipotiroidismo, mas seu TSH e T4 são normais, as suas queixas têm outra causa.

Todos os pacientes acima de 50 anos devem ter seu TSH dosado, mesmo que não apresentem nenhum sintoma de hipotireoidismo. Se houver história familiar positiva, o rastreio pode começar aos 35 anos, principalmente nas mulheres.

Tratamento

Não existe cura para a doença de Hashimoto, mas felizmente já existem hormônios tireoidianos sintéticos. O tratamento do hipotiroidismo consiste na simples administração diária destes. A droga usada normalmente é a Levotiroxina (Puran®, Synthroid®, Letter®), que é um T4 sintético (leia: LEVOTIROXINA (Puran T4) – Indicações, Doses e Efeitos Colaterais).

A Levotiroxina é administrada uma vez por dia e deve ser tomada sempre com estômago vazio (1 hora antes de comer ou 2 horas depois) . O objetivo do tratamento é manter o TSH dentro da faixa de normalidade, que varia entre 0,4 e 4,0 mU/L. Para isso o seu médico pode ter que alterar as doses do medicamento de vez em quando.

As dosagens dos comprimidos de levotiroxina são em microgramas e não em miligramas, como a maioria dos remédios. Por isso, a levotiroxina não deve ser feita em farmácia de manipulação,para que não haja erros na dosagem.

Os sintomas costumam regredir já com duas semanas de tratamento. O objetivo é manter o paciente com TSH normal e livre de sintomas.

O tratamento é feito por toda vida e não pode ser interrompido.

Tratamento do hipotiroidismo subclínico

Não há dúvidas de que pacientes com TSH elevado e sintomas de hipotiroidismo devam ser tratados com reposição de hormônios. A dúvida surge nos casos de hipotiroidismo subclínico.

Neste grupo, o tratamento só é habitualmente necessário caso o paciente tenha colesterol elevado, TSH maior que 10 mU/L, caso a paciente esteja grávida, ou se tiver os anticorpos contra tireoide positivos (anti-TPO e anti-tireoglobulina).

Perguntas e respostas

O que é o bócio?

O bócio, também conhecido como papo, é um abaulamento da região do pescoço causado pelo aumento do volume da tireoide. O bócio pode surgir nos casos de hipotireoidismo, hipertireoidismo ou nódulos da tireoide.

Quais são os sintomas do bócio?

O bócio em si só provoca sintomas se estiver realmente muito grande e conseguir comprimir as estruturas anatômicas do pescoço. Mas para isso ocorrer, ele precisa ser realmente volumoso. Bócios, como o da foto acima, por exemplo, não são grandes o suficiente para causar sintomas compressivos, tais como rouquidão ou dificuldade para engolir ou respirar.

Quais são as principais causas de hipotireoidismo?

A causa mais comum de hipotireoidismo é a tireoidite de Hashimoto. Outras causas incluem deficiência de iodo, retirada cirúrgica da tireoide e destruição da tireoide por radiação, como nos casos de tratamento do hipertireoidismo.

Tenho engordado muito nos últimos anos e me sinto sem disposição. Isso pode ser hipotireoidismo?

Pode, mas muitas vezes é apenas reflexo de um estilo de vida sedentário. A má alimentação e a falta de exercícios físicos causam ganhos de peso e uma sensação de preguiça permanente.

O ganho de peso relacionado ao hipotireoidismo costuma estar mais relacionado à retenção de líquidos do que ao acúmulo de gordura. Como já explicado, é muito raro o hipotireoidismo causar obesidade e a maioria dos pacientes com sobrepeso e disfunção da tireoide não notam uma grande alteração no percentual de gordura após o controle do hipotireoidismo.

Quais são os valores normais de TSH?

O limites inferir e superior do TSH costumam variar entre laboratórios, mas são geralmente ao redor de 0,5 mU/L e 4,5 mU/L.Valores abaixo de 0,5 mU/L sugerem hipertireoidismo; valores acima de 4,0 ou 4,5 mU/L sugerem hipotireoidismo.

O que é hipotireoidismo subclínico?

Chamamos de hipotireoidismo subclínico quando o paciente apresenta um TSH elevado, T4 livre normal e ausência de sintomas de hipotireoidismo.

Mais da metade dos pacientes com hipotireoidismo subclínico costuma desenvolver hipotireoidismo de fato em um período de 10 a 20 anos.

O que são os anticorpos anti-tireoglobulina e anti-TPO?

A anti-tireoglobulina e anti-TPO são auto-anticorpos que o nosso organismo produz inapropriadamente contra a tireoide. Estão presentes em praticamente todos os casos de tireoidite de Hashimoto.

Pacientes com hipotireoidismo subclínico mas com altos títulos desses anticorpos apresentam um elevado risco de evoluírem para o hipotireoidismo clínico.

O hipotireoidismo pode causar dificuldade em engravidar?

Sim. o hipotireoidismo altera o ciclo menstrual podendo causar infertilidade. E mesmo que a paciente consiga engravidar, o hipotireoidismo aumenta o risco de aborto.

Nos homens, o hipotireoidismo pode causar infertilidade por alterar a morfologia dos espermatozoides.

Hipotireoidismo causa impotência sexual em homens?

Sim, além de causar diminuição da libido e dificuldade em ejacular.

Quanto tempo dura o tratamento do hipotireoidismo?

Na imensa maioria dos casos, o tratamento é por tempo indefinido. São raros os pacientes com hipotireoidismo que se curam com o tempo.

Qual é o melhor horário pra se tomar a levotiroxina?

Em jejum, antes do café da manhã.

O tratamento do hipotireoidismo ajuda a controlar o colesterol alto?

Sim, mas geralmente os melhores resultados ocorrem naqueles que tem TSH maior 10 mU/L.

Tenho vários sintomas de hipotireoidismo, mas os valores de TSH e T4L estão normais. Posso ter hipotireoidismo mesmo assim?

Não. Se T4L e TSH estão normais, os seus sintomas têm outra causa. Nestes casos, não adianta usar levotiroxina, pois não há falta de T4 no sangue.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/endocrinologia/hipotireoidismo/

Hipotireoidismo: o que é, sintomas, causas e tratamento

Hipotireoidismo Subclínico: sintomas e tratamento

O hipotireoidismo é uma das doenças endócrinas mais comuns e é caracterizado pela baixa atividade da tireoide, que faz com que esta produza menos hormônios do que o que é necessário para o funcionamento ideal de todas as funções do corpo, levando ao aparecimento de alguns sintomas com cansaço excessivo, diminuição dos batimentos cardíacos, aumento do peso, queda de cabelo e pele seca.

Esta alteração é mais comum em mulheres a partir dos 40 anos de idade, que tenham familiares próximos com hipotireoidismo, que já tenha retirado uma parte ou toda a tireoide ou que tenha recebido algum tipo de radiação na cabeça ou no pescoço. O tratamento do hipotireoidismo tem como objetivo regular os níveis de hormônios tireoidianos e, assim, aliviar os sintomas, sendo normalmente indicado pelo endocrinologista o uso de hormônios sintéticos, como a Levotiroxina, por exemplo.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas que podem indicar o baixo funcionamento da tireoide podem surgir lentamente ao longo dos anos de acordo com a diminuição dos níveis dos hormônios tireoidianos, o T3 e o T4. Os principais sinais e sintomas de hipotireoidismo são:

  • Dor de cabeça, nos músculos e articulações;
  • Menstruação irregular, o que pode trazer dificuldade para engravidar;
  • Unhas frágeis, quebradiças e pele áspera e seca;
  • Olhos, na região das pálpebras, inchados;
  • Queda de cabelo sem causa aparente e cabelos mais finos, secos e sem brilho;
  • Batimentos cardíacos mais lentos que o normal;
  • Cansaço excessivo;
  • Dificuldade de concentração, memória fraca;
  • Diminuição da libido;
  • Aumento de peso sem causa aparente.

Além disso, em alguns casos a pessoa pode apresentar mudanças de personalidade, depressão e demência, no entanto esses sintomas acontecem em pessoas que possuem níveis muito baixos de T3 e T4.

No caso das crianças, o hipotireoidismo também pode interferir no desenvolvimento, de forma que na adolescência pode ter a puberdade atrasada e baixa estatura, por exemplo.

Além disso, no caso do hipotireoidismo congênito, caso não seja detectado logo na primeira semana após o nascimento, a criança pode ter alterações neurológica, havendo risco de desenvolver retardo mental.

Veja mais sobre o hipotireoidismo congênito.

Principais causas

A causa mais comum de hipotireoidismo é a Tireoidite de Hashimoto, que é uma doença autoimune, em que os anticorpos começam a atacar a glândula tireoide, como se ela fosse nociva ao próprio corpo.

Além disso, o hipotireoidismo pode acontecer devido à deficiência de iodo, que é uma condição conhecida como bócio, em que há aumento do tamanho da tireoide, porém menor quantidade de T3 e T4 devido à diminuição da concentração de iodo.

O tratamento contra o hipertireoidismo ou o uso de medicamentos como carbonato de lítio, amiodarona, propiltiouracil e metimazol também podem levar ao hipotireoidismo, sendo importante consultar o endocrinologista caso seja identificado qualquer um dos sintomas para que possa ser indicada a suspensão do medicamento ou a substituição.

Pessoas que tomaram medicamentos para tireoide com o intuito de emagrecer também podem desenvolver hipotireoidismo porque uma vez que estes hormônios já estão presentes na corrente sanguínea, a tireoide pode parar ou diminuir a sua produção natural.

Além dessas causas, o hipotireoidismo também pode surgir durante a gravidez ou no período pós-parto que tende a voltar ao normal logo a seguir. Além disso, é importante lembrar que essa doença diminui a fertilidade da mulher, causando problemas para engravidar. Veja mais sobre o hipotireoidismo e a gravidez.

Como saber se é hipotireoidismo

Para saber se é hipotireoidismo, o endocrinologista avalia os sinais e sintomas apresentados pela pessoa e indica a realização de exames de sangue para verificar a quantidade de hormônios relacionados com a tireoide circulantes.

Dessa forma, é indicada a dosagem de T3 e T4, que normalmente estão diminuídos no hipotireoidismo, e a dosagem de TSH, que está aumentado. No caso do hipotireoidismo subclínico, podem ser observados níveis normais de T4 e TSH aumentado. Veja mais sobre os exames que avaliam a tireoide.

Além disso, o médico pode indicar a realização de pesquisa de anticorpos, mapeamento da tireoide e ultrassonografia da tireoide quando são notados nódulos durante a palpação da tireoide. É possível também que a pessoa realize o autoexame da tireoide para identificar qualquer alteração, principalmente nódulos. Saiba como fazer o autoexame da tireoide.

Quem precisa fazer exames para tireoide

Além das pessoas que apresentam sinais e sintomas que podem indicar hipotireoidismo estes exames também devem ser realizados por:

Mulheres com mais de 50 anosQuem fez radioterapia na cabeça ou pescoçoPessoas com Diabetes tipo 1
Durante a gravidezQuem fez cirurgia na tireoidePessoas com doença autoimune
Se tiver bócioSe tiver casos de doenças da tireoide na famíliaEm caso de insuficiência cardíaca
Quem tem Síndrome de DownQuem tem Síndrome de TurnerProdução de leite fora da gravidez ou sem estar amamentando

Hipotireoidismo na gravidez

O hipotireoidismo, se não estiver bem controlado, pode dificultar a possibilidade de engravidar e ter repercussões tanto para mãe quanto para o bebê. Ele pode acontecer também no pós-parto, alguns meses após o nascimento do bebê, de forma transitória e que também necessita de cuidados com o tratamento.

Assim, é normal que durante o pré-natal o médico peça exames de T3, T4 e TSH para avaliar o funcionamento da tireoide e continuar a acompanhar no pós-parto como ficam os valores dos hormônios da tireoide e se há necessidade de uso de medicações para voltar ao normal. Saiba quais são os riscos do hipotireoidismo na gravidez.

Como tratar o Hipotireoidismo

O tratamento para o hipotireoidismo é relativamente simples e deve ser feito através da reposição hormonal com a toma de hormônios sintéticos, a Levotiroxina, que contém o hormônio T4, e que deve ser tomado em jejum, pelo menos 30 minutos antes de tomar o café da manhã, para que a digestão dos alimentos não diminua a sua eficácia. A dose do medicamento deve ser prescrita pelo endocrinologista e pode variar ao longo do tratamento de acordo com os níveis de T3 e T4 circulantes no sangue.

Após 6 semanas do início do uso dos medicamentos, o médico pode verificar os sintomas que a pessoa apresenta e solicitar um exame TSH para verificar se é preciso ajustar a dose do medicamento até que a quantidade de T4 livre esteja normalizada. Depois disso, os exames para avaliar a tireoide devem ser realizados 1 ou 2 vezes por ano, para verificar se é preciso ajustar a dose do medicamento.

Além do uso de medicamentos, é importante que a pessoa controle os níveis de colesterol no sangue, evitando o consumo de gorduras, fazer uma dieta que ajude no bom funcionamento do fígado e evitar o excesso de estresse, pois prejudica a secreção de hormônios pela tireoide. Em alguns casos pode ser também recomendada a consulta com o nutricionista para que o tratamento nutricional com suplemento de iodo possa ajudar a diminuir os sintomas de hipotireoidismo. 

No caso de hipotireoidismo subclínico, quando não há sintomas envolvidos, o médico pode indicar o uso de medicamentos porque estes podem ajudar a diminuir o risco de problemas cardiovasculares, o que pode ser importante para pessoas que estão acima do peso ou que tenham colesterol alto ou diabetes.

Veja como a alimentação pode melhorar o funcionamento da tireoide no vídeo a seguir.

Sinais de melhora e piora

Os sinais de melhora no hipotireoidismo surgem mais ou menos 2 semanas após o início do tratamento, podendo ser observada diminuição do cansaço e melhora do humor. Além disso, a longo prazo o tratamento do hipotireoidismo também ajuda a controlar o peso e a reduzir os níveis de colesterol no sangue.

Os sinais de piora aparecem quando o tratamento não é realizado corretamente ou quando a dose de Levotiroxina não está adequada, havendo insônia, aumento do apetite, palpitações e tremores, por exemplo.

Источник: https://www.tuasaude.com/hipotireoidismo/

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