Insônia (dificuldade de dormir): causas e tratamento

Insônia: o que fazer e quando devo procurar um tratamento

Insônia (dificuldade de dormir): causas e tratamento

9 de março de 2018

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

Ainda que muitas pessoas pensem que dormir é uma perda de tempo. Uma boa noite de sono é determinante para amenizar grande parte dos problemas relacionados à saúde.

Durante o sono, o organismo sofre um tipo de reset, voltando à condição em que iniciou o dia.

Isso inclui o relaxamento muscular, redução da pressão arterial, dos batimentos cardíacos e da produção de urina, a consolidação da memória e o controle da temperatura corporal. Mas como dormir bem se você tem distúrbios do sono como a insônia?

Diversos hormônios são fortemente influenciados pelo sono, como a insulina, que controla a glicose no sangue, a leptina, responsável pela saciedade, a grelina, que estimula o apetite, e a somatotrofina, que age no crescimento.

Dormir mal ou pouco causa irritação, dores de cabeça, dores no corpo, dificuldades cognitivas, sonolência e diversas mudanças no metabolismo que deixam seu organismo suscetível à outras doenças, como hipertensão, doenças cardiovasculares, depressão e diabete, por exemplo.

O que são distúrbios do sono?

São conhecidos por distúrbios do sono todas as irregularidades de comportamento que causam dificuldades na hora de dormir. Existe mais de uma centena de distúrbios do sono diferentes.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 40% da população apresenta algum tipo de distúrbio do sono.

Insônia, apneia, terror noturno, sonambulismo, paralisia do sono, ronco, síndrome das pernas inquietas, transtorno alimentar noturno e bruxismo estão entre os distúrbios mais comuns.

Apresentar dificuldades para dormir em qualquer fase do sono pode trazer prejuízos à curto e longo prazo.

Durante as três primeiras fases do sono, o corpo economiza energias, promove a restauração de tecidos, o aumento da massa muscular e libera o hormônio de crescimento. Já na fase REM, há a consolidação da memória e do aprendizado.

Quando a pessoa está dormindo e é acordada por alguma irregularidade, ela volta imediatamente à fase 1 do sono, comprometendo esse processo.

Os distúrbios do sono podem ser agrupados em quatro categorias principais:

  • Dificuldades para adormecer ou permanecer dormindo;
  • Problemas para permanecer acordado;
  • Problemas para conseguir manter uma rotina regular de sono;
  • Comportamentos incomuns durante o sono.

Essas dificuldades podem ser um alerta para problemas crônicos, nem sempre associados a doenças. As primeiras manifestações dos distúrbios do sono se dão através de alterações de humor, de memória e de capacidades mentais (cognitivas), como aprendizado, raciocínio e pensamento, variando de um distúrbio para o outro.

O que é a insônia?

A insônia é caracterizada pela incapacidade de iniciar ou manter o sono. Geralmente causada por hábitos inadequados, ela pode estar relacionada a distúrbios do humor, como ansiedade e depressão, sendo difícil saber qual vem primeiro. Se os sintomas ocorrerem pelo menos três vezes por semana e por mais de três meses, a pessoa tem um quadro crônico.

Em 2017, a insônia foi alvo de debate no maior congresso de cardiologia do Brasil, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Isso porque boas noites de sono tem grande impacto na saúde mental, fator que afeta diretamente o coração. Tratar a insônia pode evitar o infarto e até mesmo AVC, o popular derrame.

A insônia pode ser classificada em três tipos de acordo com sua duração ou frequência, sendo eles:

  • Transiente: dura apenas alguns dias e pode chegar até 3 semanas;
  • Crônica: também chamada de longa duração, a insônia crônica é aquela que dura mais de 3 semanas;
  • Intermitente: insônia de curta duração que ocorre de tempos em tempos. Entre esses tempos, há períodos de sono regular.

Além disso, a insônia pode ser primária (quando não há nenhuma doença causando a insônia), ou secundária (quando a insônia é sintoma de alguma condição médica). Em todos os casos, pessoas com insônia possuem sua qualidade de vida e bem-estar prejudicados pela falta de sono.

Quais as causas da insônia?

Existem inúmeros fatores para um paciente ser diagnosticado com insônia. Entre eles, estão: estresse, hábitos inadequados, estilo de vida irregular, transtornos mentais, neurológicos ou hormonais, problemas respiratórios, dores crônicas, problemas gastrointestinais, ingestão de medicamentos ou substâncias, entre outros.

Na maioria dos casos, a insônia é do tipo psicofisiológica.

Nessas situações, estão envolvidos fatores predisponentes como um nível alto de alerta e vigilância durante a noite, fatores desencadeantes como mudança de trabalho, perda de ente querido, situações familiares e pessoais de conflito, e fatores como a manutenção de hábitos inadequados em relação ao sono (horário irregular para deitar, assistir TV, usar o computador ou celular antes de dormir, hábitos alimentares prejudiciais, entre muitos outros).

Existem fatores de risco?

Qualquer pessoa pode apresentar quadros de insônia irregulares ou frequentes, mas os principais fatores de risco são:

  • Pessoas do sexo feminino, pois sofrem mudanças hormonais durante o ciclo menstrual e na menopausa. A insônia também é comum com a gravidez.
  • Pessoas acima dos 60 anos de idade, devido às alterações nos padrões de sono e a problemas de saúde.
  • Pessoas com algum distúrbio de saúde mental, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, transtorno de estresse pós-traumático, entre outros.
  • Pessoas sob estresse constante.
  • Pessoas que realizam trocas frequentes de horário para dormir.

Quais os sintomas da insônia?

Geralmente, quem tem insônia sente sua mente e corpo inquietos durante horas antes de conseguir pegar no sono. Despertam frequentemente enquanto estão dormindo ou, mesmo dormindo por várias horas, não sentem que o sono é reparador.

O resultado disso é já começar o dia sentindo-se cansada, com problemas de humor e falta de energia, pior desempenho no trabalho, nos estudos ou qualquer outro círculo que exige esforços cognitivos, sentir fadiga e sonolência durante todo o dia, ansiedade, dores de cabeça ou prejuízos na coordenação motora. Além desses sintomas, diversos outros podem se apresentar de acordo com cada pessoa.

Qual o tratamento para insônia?

Como em grande parte das vezes a insônia não está relacionada a doenças graves, é possível tentar tratá-la por conta própria a partir da mudança de comportamentos. Algumas ações que podem ser tomadas nesses casos são:

  • Ter horários fixos para se deitar e acordar;
  • Fazer atividades relaxantes antes de dormir, como tomar um banho morno, tomar um chá ou ouvir música calma;
  • Usar cortinas, blackouts, máscara para os olhos e protetores de ouvido para evitar que estímulos externos como luzes e sons atrapalham seu sono;
  • Evitar cafeína, nicotina, álcool, certos medicamentos e fazer exercícios durante o dia;
  • Evitar é o uso de telas de aparelhos eletrônicos logo antes de dormir;
  • Evitar tirar sonecas durante o dia;
  • Comer alimentos leves durante a noite;
  • Acalmar a mente a partir de técnicas como a meditação.

Quando devo procurar um profissional?

Quando o problema se torna muito frequente e nenhuma das atividades acima parece solucioná-lo, a melhor forma de tratamento da insônia é a partir do acompanhamento de profissionais. Atualmente, especialidades como neurologia, pneumologia, otorrinolaringologia e psiquiatria são as que mais atendem a população com problemas ligados ao sono.

Como é feito o diagnóstico e tratamento nesses casos?

O primeiro diagnóstico é feito a partir de uma série de perguntas para analisar comportamentos e histórico. Depois disso, é feito um exame físico para procurar sintomas de outros problemas que podem desencadear a insônia.

Exames podem ser exigidos para identificar essas doenças. Durante o período de diagnóstico, o médico analisará seu padrão de sono e sonolência diurna.

Para isso, manter um diário de sono por um determinado período de tempo é essencial.

Se a causa da insônia não estiver clara ou seja apresentado sinais de outro distúrbio do sono, como a apneia do sono ou síndrome das pernas inquietas, é possível que seja solicitada a polissonografia.

Esse exame consiste em permanecer uma noite em um centro especializado para o monitoramento dos parâmetros do sono, quantidade de horas dormidas, atividades corporais, ondas cerebrais, respiração, batimentos cardíacos, movimentos dos olhos e outros.

Uma vez estabelecido o diagnóstico, existem várias opções de tratamento, seja medicamentoso ou através de terapias cognitivo-comportamentais, sendo indispensável o acompanhamento do médico adequado.

Plataformas como a Vittude podem facilitar a busca por um psicólogo que atenda a requisitos específicos para atender a todos que precisem de acompanhamento. Acesse nosso site e confira você mesmo todas as oportunidades oferecidas!

A insônia tem cura?

A boa notícia é que dá sim para acabar com a insônia. A cura irá depender principalmente de suas causas e da forma com que o paciente lida com o tratamento. Por isso, é muito importante seguir as orientações do seu profissional de saúde. Adquirir comportamentos benéficos para melhorar sua qualidade de vida com ótimas noites de sono.

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Juliana Battistelli

Formada em Comunicação e Multimeios pela Universidade Estadual de Maringá, trabalha como redatora de conteúdos. O que mais encanta e move Juliana no mundo são as tentativas constantes e impossíveis de compreender o outro.

Источник: https://www.vittude.com/blog/insonia-quando-procurar-tratamento/

Sono nos idosos: problemas e tratamentos

Insônia (dificuldade de dormir): causas e tratamento

As perturbações do sono são comuns entre os adultos. Os estudos revelam que cerca de 5% da população mundial de adultos sofre de insónias e 20% de disfunções relacionadas com a apneia do sono. São números preocupantes, tendo em conta a importância do sono para a saúde do nosso organismo.

Leitura recomendada: sintomas de alzheimer – será alzheimer?

Mudanças do sono com a idade

Desde o nosso nascimento até à morte, os nossos padrões de sono sofrem alterações significativas, especialmente no que diz respeito à sua duração.

  • Bebés e crianças poderão dormir de 10 a 14 horas por dia
  • Jovens adultos poderão dormir de 6,5 horas a 8,5 horas por dia
  • Idosos poderão dormir de 5 a 7 horas por dia

É aos 60 anos, caso seja mantido um estilo de vida saudável e seja promovida a saúde que a duração do sono estabiliza. Os padrões de sono também sofrem alterações com a idade e, em todas as idades, a sua compreensão é fundamental para tratamento de patologias relacionadas com o sono.

Melhorias na qualidade do sono

Apesar de parecer contraditório, o declínio na duração do sono pode ser acompanhado por melhorias nos seus padrões e pode levar a um sono com mais “qualidade”. Os idosos têm menor tendência a queixar-se de problemas com o sono que populações mais jovens.

As principais perturbações do sono

Existem diversas perturbações do sono, transversais a todas as idades. São elas as insónias, a narcolepsia, a hipersonia, a parassonia, entre muitas outras. No entanto, a duas principais perturbações do sono que afetam a população mundial são as insónias e a apneia do sono.

O que são insónias?

A insónia é definida como uma dificuldade em iniciar o sono ou manter o sono por períodos alargados de tempo.

Sintomas das insónias

  • Dificuldade em adormecer na hora de dormir
  • Acordar a meio da noite com dificuldade em voltar a adormecer
  • Acordar muito cedo de manhã com dificuldade em voltar a adormecer

Consequências das insónias na saúde

  • Os adultos que sofrem de insónia e não a tratam têm uma probabilidade 23% superior à restante população de desenvolver depressões e sintomas depressivos
  • Aumento do risco de problemas cardíacos
  • Diminuição generalizada da qualidade de vida
  • Estudos recentes revelam que sintomas de insónia podem levar a um aumento do risco de cancro na próstata

É importante refletir sobre a dicotomia das insónias e depressão: um indivíduo com depressão tem uma maior tendência a ter insónias e um indivíduo com insónias tem uma maior tendência a ter depressões. Como tal, a determinação da causa-efeito é essencial para o tratamento correto de ambas as patologias.

Tratamento da insónia

O tratamento da insónia, especialmente em idosos, deve ser feita de uma forma não farmacológica, recorrendo a terapias como a estimulação cognitiva e educando o utente para a higiene do sono. Caso não tenha resultados evidentes no tratamento da patologia, o médico deve iniciar uma terapia farmacológica.

Idosos institucionalizados podem ser afetados por barulhos e luzes durante a noite, dependendo da natureza da instituição. A redução dos estímulos externos mostrou-se não ser suficiente para o tratamento do problema, devendo o médico intervir com outras terapias farmacológicas ou não.

O que é a apneia do sono?

A apneia do sono é uma perturbação do sono caracterizada pelo decréscimo considerável do volume respiratório durante o sono, até mesmo a “falta de ar”. Pode dever-se a obstruções das vias aéreas, disfunções neurológicas na função respiratória ou a uma combinação dos dois.

Sintomas da apneia do sono

  • Sonolência diária excessiva
  • Ressonar excessivo
  • Dores de cabeça matinais
  • Dificuldades cognitivas
  • Alterações de humor
  • Insónias
  • Histórico clínico de tensão arterial elevada

Fatores de risco para a apneia do sono

São variados, como: ser do sexo masculino, ter idade superior a 40 anos, a obesidade, perímetro do pescoço elevado, perímetro abdominal elevado, hábitos tabágicos (mais informações sobre parar de fumar), hipertensão, diabetes, entre outros. Para indivíduos com défices cognitivos, existe uma prevalência da apneia do sono superior a 63%, revelam estudos clínicos.

Tratamento da apneia do sono

O tratamento da apneia do sono pode ser feito através de duas intervenções (que devem ser simultâneas):

  • Mudanças comportamentais e de estilo de vida: a perda de peso, a eliminação do álcool e soníferos, melhorias na higiene do sono, deixar de fumar e evitar dormir sobre as costas.
  • CPAP: uma máscara que permite o fluxo de ar constante. Apesar de a sua utilização parecer desconfortável, a sua eficácia é incrível. A sua aquisição é cara, no entanto, com os devidos exames e diagnóstico poderá ser comparticipado pelo SNS.

Para mais informações sobre o idoso e as perturbações de sono pode consultar este artigo científico (escrito em Inglês) com conteúdo mais pormenorizado e mais técnico.

Источник: https://www.geridoc.pt/blog/problemas-sono-tratamentos/

Insônia (dificuldade de dormir): causas e tratamento

Insônia (dificuldade de dormir): causas e tratamento

A insônia é uma palavra que tem origem no latim e significa ausência de sono.

O insone, ou seja, o indivíduo que sofre de insônia, é aquele que apresenta imensa dificuldade em começar a dormir ou que não consegue manter-se dormindo por muito tempo.

Em ambos os casos, o paciente sofre cronicamente de um sono não restaurador e apresenta-se incapaz de ser plenamente produtivo durante o dia.

Neste artigo vamos explicar o que é a insônia, quais são as suas principais causas, quais são os seus sintomas e o que tipo de tratamento o paciente pode recorrer para conseguir livrar-se desse problema.

Se você procura informações sobre outros distúrbios relacionados com o sono, acesse os seguintes artigos:

  • APNEIA DO SONO – Causas, Sintomas e Tratamento.
  • COMO PARAR DE RONCAR.

O que é a insônia?

A insônia é um distúrbio do sono que acomete até 10% das pessoas na sua forma crônica e até 40% na forma aguda.

Para ser caracterizado como insone, o paciente precisa apresentar as seguintes características:

  • Dificuldade de pegar no sono ou dificuldade de se manter dormindo por uma quantidade de horas suficiente para ter um sono restaurador.
  • Apresentar as dificuldades descritas acima, mesmo havendo tempo suficiente e condições ideais para se conseguir dormir.
  • A ausência de sono restaurador capaz de tornar o paciente improdutivo durante o dia.

Se o indivíduo não apresentar essas três características, ele provavelmente não tem insônia. Por exemplo, os indivíduos que dormem poucas horas por noite, mas mantém-se plenamente produtivos ao longo do dia não são insones.

Também é importante distinguir a insônia da privação do sono.

Pacientes com privação do sono são aqueles que querem dormir, mas não conseguem por motivos que variam desde um ambiente barulhento, desconfortável ou muito claro, até a impossibilidade de dormir por questões profissionais.

A principal diferença entre a insônia e a privação do sono é o fato de que, no segundo caso, o paciente consegue dormir caso lhe seja dada a oportunidade.

Outra situação que não é considerada insônia são os casos de algumas pessoas que têm o ritmo circadiano do (relógio natural) diferente do habitual, sendo produtivas durante a noite e sonolentas durante o dia. Estes indivíduos também não são insones, pois, durante a manhã e parte da tarde, eles conseguem dormir um sono restaurador a ponto de estarem novamente produtivos durante a noite.

Causas

Existem dezenas de causas para insônia. Em geral, elas costumam ser categorizadas em insônia aguda e insônia crônica.

Insônia de curta duração

A insônia aguda, também chamada de insônia transitória ou de curta duração, é uma dificuldade para dormir que dura menos de 3 semanas e costuma estar associada a fatores de estresse, tais como:

  • Mudanças súbitas no ambiente onde o indivíduo dorme. Questões como barulhos, temperatura, tipo de colchão, luminosidade, presença de outras pessoas no quarto, etc., podem causar insônia durante um curto período, até que o paciente se adapte ao novo ambiente.
  • Aumento ou redução repentina no consumo de determinadas substâncias, como cafeína, nicotina, álcool e drogas ilícitas.
  • Doenças agudas, principalmente aquelas que causam dor, desconforto ou impedem o paciente de dormir deitado.
  • Estresses psicológicos, como divórcio, perda do emprego, falecimento de um familiar, discussões, pressões profissionais, etc.
  • Uso de certos medicamentos, como beta-bloqueadores, teofilina, corticoides, fluoxetina, bupropiona, venlafaxina, levotiroxina, broncodilatadores e anfetaminas.
  • Suspensão, após longo uso, de medicamentos que agem no sistema nervoso central, como antidepressivos ou ansiolíticos.

A insônia de curta duração costuma se resolver sozinha após algumas semanas. Em algumas situações, porém, o paciente só consegue voltar a ter um sono normal depois que o fator de estresse é eliminado. Caso o fator que esteja gerando a insônia não consiga ser contornado, a insônia aguda pode tornar-se crônica.

Insônia crônica

A insônia crônica ocorre quando o paciente tem dificuldade para dormir em, pelo menos, 3 dias da semana por mais de 4 semanas seguidas. Muitas vezes, o paciente fica vários dias sem conseguir dormir bem e depois apresenta uma noite isolada de bom sono.

As causas mais comuns para insônia crônica são

Má higiene do sono

Ao contrário do que o nome sugere, o que chamamos de higiene do sono não tem nada a ver com os hábitos de limpeza do paciente. Higiene do sono é um conjunto de ações ao longo do dia que favorecem o início do sono à noite.

Exemplos de má higiene do sono são: consumir cafeína à noite, praticar atividades físicas logo antes de dormir, não dormir na mesma hora todo dia, tirar vários cochilos durante o dia, principalmente após as 15 horas, jantar muito tarde à noite, ficar estudando ou trabalhando até tarde, etc.

Insônia psicofisiológica

Também chamada de insônia primária, é aquela insônia que surge sem causa aparente.

Pacientes com insônia psicofisiológica não conseguem relaxar na cama e apresentam grande atividade mental quando tentam adormecer, pensando em várias coisas seguidamente.

Em dado momento da sua intensa atividade mental, o paciente se toca que já está há muito tempo na cama sem dormir e começa a ficar ansioso por conta disso, criando um ciclo vicioso que torna ainda mais difícil que ele relaxe e consiga cair no sono.

Com o tempo, o paciente pode começar a associar a própria cama ou quarto com períodos de ansiedade. Alguns deles só conseguem voltar a dormir se mudarem de ambiente.

Doenças neurológicas

Doenças degenerativas neurológicas, como a doença de Parkinson e o mal de Alzheimer podem também ser causas de insônia.

Insônia paradoxal

Também chamada de hipocondria do sono, a insônia paradoxal é uma falsa sensação de insônia.

O paciente acredita ser insone, mas quando estudado por polissonografia é possível descobrir que ele não só consegue dormir de forma relativamente rápida, como apresenta boas horas de sono de qualidade. Apesar disso, no dia seguinte, o paciente jura ter demorado a dormir e ter tido uma noite de pouco sono.

Desordens psiquiátricas

A insônia crônica é muito comum em pacientes que sofrem de problemas psiquiátricos, principalmente depressão, distúrbio de ansiedade, abuso de substâncias ou estresse pós-traumático.

Qualquer causa de insônia aguda pode levar à insônia crônica, caso o fator de estresse não consiga ser controlado.

Sintomas

O paciente insone costuma apresentar diversos sinais e sintomas ao longo do dia derivados da falta de um sono restaurador à noite. Entre os mais comuns podemos citar:

  • Cansaço.
  • Sonolência.
  • Falta de concentração.
  • Alterações da memória.
  • Irritabilidade.
  • Ansiedade.
  • Dificuldade de executar tarefas.
  • Aumento de acidentes.
  • Dor de cabeça.
  • Sintomas gastrointestinais.
  • Problemas de relacionamento.

Tratamento

Inicialmente, o tratamento da insônia é feito com terapia comportamental, incluindo educação sobre higiene do sono e técnicas de relaxamento.

Algumas dicas ajudam a melhorar a insônia:

  • Conheça os hábitos de higiene do sono.
  • Não vá para cama sem estar com sono.
  • Use a cama apenas para dormir. Evite comer, mexer no computador ou ver TV na cama.
  • Se após 20 minutos deitado, você não conseguir dormir, levante-se e vá fazer alguma atividade relaxante, como ler ou ouvir música calma.
  • Se não estiver tendo sono, evite ficar na claridade. O excesso de luz dificulta a chegada do sono.
  • Procure acordar todos os dias na mesma hora, mesmo nos finais de semana.
  • Ao acordar, se já tiver amanhecido, levante-se da cama, mesmo que ainda esteja com sono. Isso facilitará o sono à noite.
  • Não tire cochilos à tarde.
  • Pratique atividades físicas ao longo do dia, porém evite esforços durante a noite.
  • Encontre formas de relaxar à noite. Banho quente, massagens, leitura, meditação ou yoga podem ajudar. Alguns pacientes referem melhora com acupuntura.
  • Não deixe relógios por perto, para que você não fique olhando para a hora o tempo todo.
  • Entenda que a ansiedade por não conseguir dormir torna o ato de dormir ainda mais difícil.
  • Não leve problemas não resolvidos ao longo do dia para cama.

É necessário salientar que algumas dessas dicas precisam ser implementadas durante vários dias antes que possa ser possível notar alguma melhora.

Medicamentos contra a insônia

Em alguns casos, o uso de medicamentos para induzir o sono faz-se necessário. Algumas opções para o tratamento da insônia incluem:

  • Ansiolíticos benzodiazepínicos: triazolam, estazolam, lorazepam, temazepam e flurazepam.
  • Ansiolíticos não benzodiazepínicos: zolpidem, zopiclone, zaleplon e eszopiclone.
  • Agonistas da melatonina: ramelteon (Rozerem®).
  • Antidepressivos: amitriptilina, trazodona, doxepina (indicados apenas se o paciente tiver depressão associada à insônia).

A valeriana é uma medicação que pode ser obtida sem prescrição médica e que é muito utilizada pelos pacientes para ajudar no sono. Porém, há pouca evidência científica que suporte o seu uso para o tratamento da insônia. Tudo indica que ela é apenas um placebo.

A melatonina é uma opção viável para alguns tipos de insônia. Explicamos com detalhes o uso da melatonina para o tratamento da insônia no seguinte artigo:  MELATONINA – O que é, Como Tomar, Indicações e Efeitos Colaterais.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/psiquiatria/insonia/

O que é insônia, quem sobre e quais as causas?

Insônia (dificuldade de dormir): causas e tratamento

A insônia é um distúrbio do sono que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que 30 a 40% dos Norte Americanos tenham insônia a cada ano. Resumidamente, pessoas com insônia sentem dificuldade em pegar no sono ou continuar dormindo. Como resultado, o sono não suficientemente reparador. Os efeitos dessa condição podem ser devastadores no dia a dia de alguém.

A insônia comumente leva a sonolência diurna, letargia e a um sentimento geral de mal estar mental e físico. Alteração de humor, irritabilidade e ansiedade são também sintomas comumente associados com a insônia, podendo ser consequência, ou em alguns casos a causa da insônia.

Existem muitas possíveis causas para a insônia, que frequentemente é uma condição secundária a uma doença ou mesmo ao estilo de vida. Outros fatores incluem causas psicológicas, medicações e alterações nos níveis hormonais.

Os tratamentos para a insônia são vários, desde mudança de hábitos, tratamento medicamentoso à terapia comportamental.

Mas, então, o que é insônia?

A insônia inclui uma variedade de distúrbios do sono, caracterizada por falta de qualidade ou quantidade do sono.

Ela pode ser classificada de várias formas. Pelo tempo de evolução é considerada episódica, intermitente, aguda ou crônica.

Segundo a Associação Brasileira do Sono, pode ser classificada assim:

  • Insônia aguda: ocorre quando os sintomas persistem por até um mês. Geralmente está associada à presença de algum fator que é identificado como desencadeante (e.g. estresse, luto, dor, etc).
  • Insônia associada a transtornos mentais: Quando é desencadeada ou associada a um transtorno psiquiátrico (ansiedade, depressão).
  • Insônia associada a doença médica: Quando o sintoma está fortemente relacionado ou justificado por uma doença médica diagnosticada. As causas mais comuns são hipertireoidismo, insuficiência cardíaca, dores crônicas, asma, menopausa, gravidez e doenças que acometem o sistema nervoso central.
  • Insônia associada a má higiene do sono: Quando o transtorno é provocado por hábitos inadequados para dormir. É um tipo de insônia muito comum. Dentre esse hábitos podemos destacar: cochilos (em pessoas que tem dificuldade para dormir à noite), utilizar a cama para outras atividades durante o dia (como ler, assistir TV, trabalhar ou alimentar-se), ou realizar atividades físicas ou intelectuais intensas próximas ao sono.
  • Insônia associada ao uso de medicamentos ou substâncias: Pode ser desencadeada pelo uso ou interrupção de um medicamento ou outra substância. As substâncias que frequentemente provocam este transtorno são corticóides, estimulantes do sistema nervoso (cafeína, teofilina, anfetaminas), depressores do sistema nervoso (benzodiazepínicos, álcool), antidepressivos, anticonvulsivantes.
  • Insônia paradoxal: É uma condição em que a despeito da queixa subjetiva, não há um comprometimento nas atividades diurnas e não é possível identificar com medidas objetivas (exames) as alterações relatadas pelo paciente.
  • Insônia idiopática: Geralmente inicia na infância, tem uma evolução crônica e impacta as atividades diurnas. A característica principal é que não é possível determinar um fator desencadeante ou que perpetue essa condição.

É uma condição que interfere nas atividades de vida diária, trabalho, atividades escolares, e pode contribuir para problemas como obesidade, ansiedade, depressão, irritabilidade, déficits de concentração, problemas de memória, redução da imunidade, entre outros.

Além disso, a insônia vem sendo relacionada com um maior risco para o desenvolvimento de doenças crônicas.

Quem sofre de insônia?

Algumas pessoas são mais propensas a desenvolver insônia, entre elas:

  • Pessoas que viajam muito, principalmente aquelas que atravessam diferentes fusos horários;
  • Trabalhadores em turnos (plantões), com frequentes mudanças do horário de trabalho, principalmente trocando o dia pela noite;
  • Idosos;
  • Usuários de drogas;
  • Adolescentes ou adultos jovens que estudam;
  • Grávidas;
  • Mulheres na menopausa;
  • Portadores de doenças mentais.

Causas da insônia

A insônia pode ser causada por fatores físicos ou psicológicos.

Em alguns casos, existe alguma condição médica por trás do surgimento da insônia crônica, enquanto a insônia transitória está realcionada à ocorrência de um evento recente.

Dentre as causas mais comuns de insônia, encontram-se:

  • Alterações abruptas do ciclo circadiano (relógio biológico): mudanças de fuso horário quando viajando de avião, mudanças de turno de trabalho, altitudes elevadas, mudanças drásticas na quantidade de barulho do ambiente, calor ou frio extremo, são condições que alteram o ciclo circadiano normal, controlado pelo chamado relógio biológico, e podem levar ao aparecimento da insônia;
  • Problemas psicológicos: tais como transtorno bipolar, depressão, ansiedade, podem predispor à insônia;
  • Condições médicas: alguns fatores como dor crônica, fadiga crônica, insuficiência cardíaca congestiva, refluxo gastroesofágico, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, apnéia do sono, doença de Parkinson, Alzheimer, hipertireoidismo, artrite, lesões cerebrais, tumores, AVC, entre outros.
  • Hormônios: alterações nos níveis de estrogênio, ou mesmo as flutuações hormonais que normalmente ocorrem durante o ciclo menstrual são capazes de levar à insônia.
  • Medicamentos: algumas medicações, como corticóides, estatinas, alfa-bloqueadores, beta-bloqueadores, alguns antidrepressivos, estimulantes, bloqueadores do receptor de angiotensina, inibidores da enzima conversora de angiotensina, glucosaminas, dentre outras, possuem correlação com distúrbios do sono, incluindo a insônia.
  • Presença de mídias tecnológicas no quarto: estudos vêm demonstrando que a presença de luz proveniente de televisões e aparelhos celulares antes de dormir pode afetar os níveis naturais de melatonina e aumentar o tempo para se conseguir dormir. Além disso, outros estudos sugerem que o uso de computadores e tablets pode alterar os padrões de sono, indicando que o uso de tecnologias antes de ir dormir pode piorar a insônia e levar a maiores complicações.
  • Outros fatores: dormir perto de alguém que ronca, algumas condições genéticas, presença de animais no ambiente, gravidez, estresse, mente hiperativa, são todos fatores que interferem na qualidade do sono e podem levar à insônia.

Muitas são as causas da insônia e é importante identificá-las para que o melhor tratamento seja definido, com o objetivo de regularizar o sono e melhorar a qualidade de vida.

Источник: https://brasilianeuroclinica.com.br/o-que-e-insonia-quais-causas/

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