Insuficiência Cardíaca: sintomas e tratamento

Contents
  1. Novo tratamento para insuficiência cardíaca duplica benefícios
  2. Mexa-se contra o problema
  3. Detecção ágil é primordial
  4. Cinco fatores que correspondem a quase 90% dos casos de insuficiência cardíaca
  5. Insuficiência Cardíaca: sintomas e tratamento
  6. Como funciona o coração?
  7. O que causa insuficiência cardíaca?
  8. Infarto agudo do miocárdio
  9. Hipertensão arterial
  10. Doença das válvulas cardíacas
  11. Fatores de risco
  12. Sintomas
  13. Falta de ar (dispneia)
  14. Edema pulmonar
  15. Dispneia paroxística noturna
  16. Retenção de líquidos e edemas
  17. Síndrome cardio-renal
  18. Arritmias cardíacas
  19. Classificação NYHA
  20. Diagnóstico
  21. Tratamento
  22. Referências
  23. O que é insuficiência cardíaca?
  24. Causas
  25. MUDANÇAS NO ESTILO DE VIDA
  26. MEDICAMENTOS PARA O CORAÇÃO
  27. CIRURGIA CARDÍACA
  28. 8 sintomas de insuficiência cardíaca que você não deve ignorar
  29. Principais tipos de insuficiência cardíaca
  30. Por que acontece?
  31. Sintomas de insuficiência cardíaca
  32. Como tratar a insuficiência cardíaca
  33. Insuficiência cardíaca | SNS24
  34. Existem diferentes tipos de insuficiência cardíaca?
  35. Quais os fatores de risco para desenvolver insuficiência cardíaca?
  36. Como se manifesta a insuficiência cardíaca?
  37. Os sintomas da insuficiência cardíaca podem confundir-se com outras doenças?
  38. A idade pode influenciar o aparecimento de insuficiência cardíaca?
  39. Ter insuficiência cardíaca significa que o coração parou de bater?
  40. Quais as principais complicações da insuficiência cardíaca?
  41. Se sofrer de insuficiência cardíaca posso praticar exercício físico?
  42. Como se diagnostica a insuficiência cardíaca?
  43. Uma pessoa com insuficiência cardíaca consegue ter uma vida normal?
  44. É possível prevenir a insuficiência cardíaca?
  45. Qual o tratamento da insuficiência cardíaca?
  46. Quando é que o transplante é solução para a insuficiência cardíaca?
  47. Todas as pessoas com insuficiência cardíaca grave são selecionáveis para transplante?
  48. Qual o procedimento do transplante cardíaco?

Novo tratamento para insuficiência cardíaca duplica benefícios

Insuficiência Cardíaca: sintomas e tratamento

Imagine ficar extremamente cansado ao saborear um prato de sopa ou perder o ar só de permanecer em pé durante o banho. Pois essas são algumas das duras limitações provocadas pela insuficiência cardíaca, uma doença grave e incapacitante. Nela, o coração vai pedindo arrego e não bombeia mais sangue com eficiência para todos os cantos do corpo.

“Trata-se do saldo final de uma sequência de agressões, como pressão arterial descontrolada, infarto ou certas infecções, sofridas ao longo de vários anos”, explica o médico Victor Issa, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Como é de esperar, o quadro tem um impacto enorme na qualidade de vida do indivíduo, nas suas atividades profissionais e de lazer, bem como na situação da família. Segundo levantamento realizado pela empresa de pesquisa Deloitte, há mais de 2 milhões de vítimas da insuficiência cardíaca no Brasil, o que gera gastos de 22 milhões de reais por ano e uma perda produtiva superior a 3 milhões.

“E o problema é que sua incidência está aumentando numa proporção absurda, com um crescimento de 15 a 20% a cada 12 meses”, afirma Issa. Para piorar, metade dos casos morre nos primeiros cinco anos após o diagnóstico.

Apesar de dados tão assustadores, temos uma boa notícia no front: depois de mais de uma década sem grandes novidades na batalha contra a doença, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar um medicamento que promete modificar a forma como a enfermidade é tratada e encarada.

O comprimido tem dois princípios ativos combinados, sacubitril e valsartana, e é tomado duas vezes ao dia. Ele surpreendeu nos testes que serviram de base para o aval dos órgãos regulatórios: derrubou em 20% o risco de morte súbita – uma das maiores preocupações dos especialistas – e em 21% a taxa de hospitalização.

Normalmente, em estudos do tipo, os voluntários que recebem o remédio são comparados com um grupo que faz uso de uma pílula placebo. Porém, o sacubitril/valsartana, desenvolvido pela farmacêutica Novartis, foi confrontado com a classe dos inibidores da enzima de conversão da angiotensina (conhecidos pela sigla IECA), considerados um dos melhores fármacos para ajudar o coração cansado.

“Em resumo, nós conseguimos duplicar o benefício que já tínhamos com o enalapril, um representante dos IECA”, declara à SAÚDE o cardiologista John McMurray, professor da Universidade de Glasgow, na Escócia, e principal autor do experimento, que envolveu 8 400 pacientes do mundo inteiro.

A nova medicação tem um efeito duplo e bloqueia a ação da angiotensina e da neprilisina, duas enzimas produzidas pelo corpo que estão relacionadas ao estabelecimento da pressão alta e ao acúmulo de líquidos. “Ela ajuda o coração a funcionar direito, estimula os rins a filtrarem o sangue e relaxa os vasos sanguíneos”, resume McMurray.

Com a liberação em terras brasileiras, as autoridades definiram o preço da novidade. A caixa com 28 unidades chegará às farmácias pelo valor de 147 reais. Ela será vendida pelo menor valor do mundo aqui no Brasil – ainda assim, existe um receio de especialistas sobre a dificuldade de acesso das camadas mais pobres à inovação.

Na União Europeia e nos Estados Unidos, o sacubitril/valsartana já integra as diretrizes oficiais de tratamento da insuficiência cardíaca. De acordo com os documentos, o médico deve prescrevê-lo quando os outros remédios não deram uma resposta satisfatória após um mês de tentativas.

Por aqui, a SBC e outras entidades do setor já se programaram para alterar as recomendações nacionais e, por enquanto, seguirão a iniciativa estrangeira: o medicamento mostra serviço nos quadros leves, moderados e graves, mas deverá entrar em cena se as drogas convencionais não surtirem o resultado desejado.

O fármaco da Novartis se soma a uma série de outras medicações prescritas contra a insuficiência cardíaca. Além dos já citados IECAs, fazem parte do arsenal os bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), os betabloqueadores e os diuréticos.

“Eles são a pedra angular do tratamento: auxiliam no desempenho do coração e eliminam o excesso de líquido do organismo”, ensina o cardiologista Denilson Albuquerque, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Cabe ressaltar que o uso delas é contínuo, e o abandono leva a um monte de efeitos adversos.

Quando a situação está muito avançada e não dá nem pra sair da cama, ainda persistem algumas alternativas, como cirurgias que desobstruem as artérias, a instalação de marca-passos para acertar o ritmo das batidas ou até mesmo o coração artificial, um aparelho que substitui o órgão original. Em casos finais, a única saída que resta é o transplante cardíaco. Aliás, no ano passado, 357 procedimentos desse tipo foram feitos no Brasil, um recorde histórico.

– Studio Nebulosa/SAÚDE é Vital

Mexa-se contra o problema

Não basta tomar cartelas e cartelas de comprimidos se não forem empreendidas também mudanças no estilo de vida. A primeira delas envolve a alimentação.

“É necessário perder peso, reduzir drasticamente o álcool, restringir o consumo de gordura e colocar o mínimo de sal na preparação da comida”, resume o cardiologista Dirceu Rodrigues de Almeida, da Universidade Federal de São Paulo.

A ingestão de água e outras bebidas também é controlada, uma vez que existe a tendência de acumular líquidos e sofrer com inchaços, especialmente nos pés e nos tornozelos.

Durante muito tempo, a atividade física foi completamente proibida para quem portava um coração cansado. Mas as coisas se modificaram da década de 1990 para cá.

É que surgiram diversos trabalhos científicos apontando o impacto de uma ginástica supervisionada nos ganhos de qualidade de vida e saúde.

“Atualmente, eu diria que é até antiético não sugerir exercícios na insuficiência cardíaca”, declara o médico Almir Sérgio Ferraz, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, na capital paulista.

Ao melhorar sua capacidade física, o indivíduo se torna capaz de realizar alguns afazeres com muito mais tolerância e fôlego de sobra. Obviamente, isso mexe com a sua autoestima e disposição, permitindo que ele participe do dia a dia da família e do trabalho.

Os benefícios de movimentar o corpo estão relacionados com um alívio na inflamação e na circulação sanguínea. “Ocorre uma redução na constrição dos vasos e um estímulo à produção de substâncias como o óxido nítrico, que dilata as artérias”, explica o professor de educação física Carlos Eduardo Negrão, do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.

Só não dá pra ter a doença e correr ou malhar feito louco por aí. A prática só pode (e deve) ser feita com a liberação e o acompanhamento de profissionais de saúde.

Com três a cinco sessões de 60 minutos na semana, a ideia é sempre mesclar exercícios aeróbicos, como caminhada na esteira e bicicleta ergométrica, com treinamentos de resistência muscular e flexibilidade.

Essas rotinas são indicadas para pacientes com graus 1, 2 e 3. No estágio 4, o último e mais grave de todos, o repouso segue como palavra de ordem.

Mas até num momento extremo é possível encontrar maneiras de movimentar o corpo e colher benesses. O médico Almir Ferraz promoveu uma experiência pioneira com a insuficiência cardíaca descompensada: sujeitos no grau 4 eram internados e, logo no segundo dia de hospital, pedalavam num dispositivo adaptado para os acamados.

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Todos utilizaram máscaras de oxigênio para prevenir falta de ar e edemas pulmonares. “Após algum tempo, eles tiveram um acréscimo de 30% na capacidade física e funcional”, relata Ferraz. Isso abre a possibilidade de pensar, no futuro, em programas voltados especificamente para esse público.

O calcanhar-de-aquiles da insuficiência cardíaca é a sua evolução lenta. Ela demora várias décadas para alcançar o estágio avançado, o que permite agir com bastante antecedência. Isso envolve, inclusive, corrigir os fatores de risco que desgastam o músculo cardíaco e patrocinarão, lá na frente, as falhas gravíssimas. O primeiro ponto que precisa ser solucionado com rapidez é a hipertensão.

“A pressão alta exige um esforço dobrado do coração, pois é necessário distribuir o sangue por vasos mais estreitos”, esclarece Victor Issa, da SBC.

Agora, pense no que acontece com seus braços e suas pernas se você vai à academia. Eles aumentam de tamanho, correto? Pois o mesmo fenômeno ocorre nesse órgão – só que isso não é bom, muito menos saudável.

Musculoso, ele não bate com a desenvoltura de antes.

Colesterol alto e diabetes também preocupam, uma vez que estão por trás da formação de placas de gordura nas artérias do coração. Elas progridem aos poucos, até fecharem a passagem do líquido vermelho e levarem a um infarto. Aqueles que sobrevivem à pane ficam com uma cicatriz no músculo cardíaco, o que dificulta pra valer a contração e o relaxamento.

Com o tempo, o órgão entra em fadiga e não se movimenta direito. Portanto, controlar os níveis de glicemia e colesterol com alimentação equilibrada, exercícios físicos e checkups periódicos é vital para que a nossa máquina não acenda o sinal de alerta.

Um terceiro destaque, tipicamente brasileiro, é a doença de Chagas, provocada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.

A transmissão se dá por meio de picadas do mosquito barbeiro ou pelo consumo de caldo de cana e açaí sem a mínima inspeção de higiene – o inseto acaba triturado junto com esses produtos durante a manufatura.

“A moléstia ainda é prevalente em algumas áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste”, avisa Denilson Albuquerque, da Uerj.

O parasita invade os cardiomiócitos, as células do coração e, após vários anos de moradia silenciosa, gera, em uma parcela dos afetados, uma inflamação que dilata as câmaras cardíacas. Além dessa condição, uma série de outros vírus, bactérias e fungos atacam o peito e são capazes de causar um furdunço ali.

Detecção ágil é primordial

Por fim, não tem como postergar o diagnóstico.

“Quanto antes identificarmos e tratarmos, mais células cardíacas serão recuperadas”, frisa o cardiologista Múcio Tavares de Oliveira Junior, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

Nas condições flagradas no início, é possível até pensar numa reversão total. Vale atentar aos sintomas clássicos, como falta de ar, cansaço, tosse, insônia, depressão e ansiedade.

E é pra ficar com um pé atrás se os seus sapatos estiverem apertados sem nenhuma justificativa – sinal de inchaço nas pernas – ou for necessário pegar travesseiros extras para facilitar a respiração noturna – indício de que há líquido acumulando nos pulmões.

Só de ouvir o relato do paciente e realizar uma análise clínica, o médico já tem uma suspeita sobre a enfermidade. “Confirmamos com exames de sangue, eletrocardiograma, raio X do tórax ou ecocardiograma”, diz o cardiologista Marcelo Sampaio, da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Quando a encrenca está instalada, não tem jeito: é hora de lançar mão dos medicamentos e ajustar o estilo de vida para seguir adiante. E olha que até o fato de ter um trabalho faz diferença.

De acordo com uma pesquisa do Hospital Universitário de Copenhague, na Dinamarca, a mortalidade se mostrou duas vezes maior entre aqueles sem emprego quando comparados aos que seguiam na ativa. Não dá pra negar: a insuficiência cardíaca é mesmo osso duro de roer.

Mas, agora você já sabe, a medicina está cheia de novidades para proporcionar aos seus portadores um futuro muito, muito melhor.

– Studio Nebulosa/SAÚDE é Vital

Cinco fatores que correspondem a quase 90% dos casos de insuficiência cardíaca

Hipertensão

Com os vasos sanguíneos contraídos, fica difícil ejetar o sangue. O coração bate com mais força para superar essa resistência. Com o tempo, fica estafado.

Infarto

O ataque, motivado por colesterol alto, pressão alta e diabetes, cria uma cicatriz no músculo cardíaco, o que limita o baticum.

Distúrbios nas válvulas

Elas regulam a entrada e a saída do sangue e podem apresentar defeitos. Se não forem consertados, desgastam o órgão.

Chagas

O protozoário Trypanosoma cruzi se instala nas células cardíacas e incita um inchaço no coração, que se torna insuficiente.

Miocardites

São inflamações desencadeadas no peito pela ofensiva de vírus, fungos e bactérias.

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Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/conheca-o-novo-tratamento-para-insuficiencia-cardiaca-beneficios/

Insuficiência Cardíaca: sintomas e tratamento

Insuficiência Cardíaca: sintomas e tratamento

A insuficiência cardíaca é uma condição que surge quando os músculos do coração não são capazes de bombear o sangue de forma efetiva. De forma simples, podemos dizer que o paciente com insuficiência cardíaca é um paciente com o coração fraco.

A insuficiência cardíaca pode surgir de forma rápida, como nos casos de infarto agudo do miocárdio com necrose extensa do músculo cardíaco, ou pode se instalar de forma lenta, como nos casos de hipertensão arterial por muitos anos, que provoca constante e prolongado estresse ao coração.

Como funciona o coração?

O coração é um órgão composto basicamente por músculos, que, ao se contraírem, são responsáveis pelo bombeamento de sangue para todos os tecidos. O coração funciona como o motor do nosso corpo.

O coração humano é composto por quatro câmaras:

  • Ventrículo esquerdo.
  • Ventrículo direito.
  • Átrio esquerdo.
  • Átrio direito.

Os ventrículos são as cavidades maiores e mais musculosas, sendo as mais importantes no bombeamento do sangue para o corpo.

Legenda: AD: átrio direito; AE: átrio esquerdo; VD: ventrículo direito; VE: ventrículo esquerdo; AO: artéria orta; VP: artéria pulmonar

O circulação do sangue pelo corpo se dá da seguinte forma:

  1. O coração recebe sangue cheio de oxigênio vindo dos pulmões e o envia para o resto do corpo através da contração do ventrículo esquerdo (sangue em vermelho na ilustração abaixo).
  2. Os tecidos recebem o sangue de onde trocam o oxigênio (O2) por dióxido de carbono (CO2).
  3. O sangue, agora pobre em O2 e rico em CO2, volta ao coração pelas veias, chega no lado direito do coração, entra no átrio direito, depois no ventrículo direito e é finalmente bombeado para o pulmão
    (sangue em azul na ilustração abaixo).
  4. No pulmão, o sangue volta a ficar rico em oxigênio e pobre em dióxido de carbono.
  5. Esse sangue re-oxigenado vai para o lado esquerdo do coração, cai no átrio e depois no ventrículo esquerdo, de onde será bombeado de volta para os tecidos, reiniciando o ciclo.

Portanto, o lado direito do coração é responsável pelo bombeamento do sangue para os pulmões e o lado esquerdo pelo bombeamento do sangue para os tecidos.

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue mais desempenhar uma ou ambas funções eficientemente. A insuficiência cardíaca pode então ser do coração esquerdo, direito ou de ambos.

O que causa insuficiência cardíaca?

Como já dito, o coração é composto basicamente por músculos. Qualquer situação que provoque perda de força do músculo cardíaco irá resultar em insuficiência cardíaca.

Infarto agudo do miocárdio

A principal causa de insuficiência cardíaca é a isquemia cardíaca ou o infarto do miocárdio.

Infarto significa morte tecidual, que no caso do coração se refere ao músculo cardíaco. Logo, quanto mais extenso for o infarto, mais fibras musculares morrerão e, consequentemente, mais fraco ficará o coração. Se o infarto necrosar uma extensa área, o paciente pode até morrer por falência aguda da bomba cardíaca, que é chamada de insuficiência cardíaca aguda.

A insuficiência cardíaca também pode se desenvolver lentamente nos pacientes com doença isquêmica. O paciente pode sofrer vários pequenos infartos ao longo dos anos – com ou sem sintomas claros – provocando um progressivo acúmulo de tecido cardíaco necrosado e insuficiente.

Nesses casos, a insuficiência cardíaca se instala de forma mais lenta.

Hipertensão arterial

Outra causa comum de insuficiência cardíaca é a hipertensão arterial não controlada adequadamente.

Quando o paciente apresenta uma pressão arterial elevada, o coração precisa fazer mais força para vencer a resistência dos vasos sanguíneos e distribuir o sangue pelo corpo.

Assim como ocorre com qualquer músculo que é exposto a um estresse frequente, a parede dos ventrículos começa a crescer e ficar mais forte, um processo chamado hipertrofia cardíaca.

O que parece ser algo bom é na verdade a fase precoce de uma insuficiência cardíaca. O tipo de hipertrofia do coração que ocorre na hipertensão arterial é diferente daquela que ocorre nos atletas que possuem o coração mais forte.

Reparem na figura abaixo que o coração hipertrofiado pela hipertensão apresenta as paredes mais grossas e consequentemente menos espaço para o ventrículo se encher de sangue. Apesar de estar mais musculoso, o coração se enche menos e por isso bombeia menos sangue a cada contração.

Essa é a fase de insuficiência cardíaca diastólica, ou seja, o coração não consegue se encher na diástole, período de relaxamento do coração que ocorre entre as sístoles (contrações cardíacas).

Como quem manda o sangue para o corpo é o ventrículo esquerdo, ele é quem mais sofre com as pressões arteriais elevadas. Quando realizamos um ecocardiograma, o primeiro sinal de sofrimento cardíaco pela hipertensão é a hipertrofia do ventrículo esquerdo.

Essa fase precoce da insuficiência cardíaca é o momento ideal para que o tratamento médico seja instituído, pois ainda há possibilidade de reversão do quadro.

Se a hipertensão não for tratada e permanecer alta por anos a fio, o coração irá sofrer até o ponto em que não consegue mais se hipertrofiar.

Imaginem um elástico que você puxa o tempo todo. Uma hora ele acaba por perder sua elasticidade e fica frouxo. É mais ou menos isso que ocorre com o coração. Depois de muito tempo sofrendo estresse, o músculo cardíaco começa a se estirar e o coração fica dilatado e fraco.

Nessa fase dilatação cardíaca temos um músculo com pouca capacidade de contração e um coração que já não consegue bombear o sangue adequadamente, passando a apresentar o que chamamos de insuficiência cardíaca sistólica.

Doença das válvulas cardíacas

Outra causa comum de insuficiência cardíaca são as doenças das válvulas do coração.

Sempre que uma válvula cardíaca apresenta alguma alteração, seja congênita ou adquirida durante a vida, como nos casos de endocardite, febre reumática, calcificação das válvulas, etc., o coração começa a ter dificuldades em bombear o sangue, iniciando-se o processo de dilatação semelhante ao da hipertensão.

Fatores de risco

Existem várias outras doenças que causam insuficiência cardíaca, quase todas provocam de alguma maneira doença isquêmica cardíaca ou enfraquecimento direito do músculo cardíaco.

Os principais fatores de risco são:

Sintomas

Os sintomas da insuficiência cardíaca dependem da câmara mais afetada e da gravidade do quadro. A disfunção do coração é, na maioria das vezes, um quadro progressivo e lento.

Os principais sintomas da insuficiência cardíaca são:

  • Falta de ar e cansaço aos esforços.
  • Falta de ar ao deitar-se.
  • Inchaço (edema) nas pernas, tornozelos e pés.
  • Batimento cardíaco rápido ou irregular.
  • Reduzida tolerância ao exercício.
  • Maior necessidade de urinar durante a noite.
  • Inchaço do seu abdômen (ascite).
  • Falta de apetite e náusea.
  • Edema agudo do pulmão.

Falta de ar (dispneia)

A falta de ar, chamada dispneia, costuma ser um sintoma que vai se agravando ao longo do tempo. Inicialmente, o paciente sente cansaço e falta de ar apenas para esforços grandes. Depois, para esforços médios.

Nas fases avançadas da doença, o paciente pode se cansar com tarefas simples, como tomar banho e pentear o cabelo. Em estágios finais, o paciente tem intensa falta de ar e precisa de oxigênio mesmo estando em repouso.

Edema pulmonar

A incapacidade de bombear o sangue para os tecidos, causa acúmulo de líquidos nos pulmões. É como se fosse um congestionamento. O sangue que sai dos pulmões não consegue chegar eficientemente ao coração porque esse não consegue bombear o sangue que já se encontra dentro dele.

Essa lentidão no fluxo pulmonar causa extravasamento de líquidos, um quadro chamado de congestão pulmonar. Por conta disso, a doença é frequentemente chamada de insuficiência cardíaca congestiva.

Em casos graves, o paciente pode desenvolver edema pulmonar, que é uma urgência médica. Nesse quadro, o paciente tem tanta água no tecido pulmonar, que é como se ele estivesse se afogando.

Dispneia paroxística noturna

Outro sintoma típico da insuficiência cardíaca é a dispneia paroxística noturna, que é uma falta de ar que só surge quando o paciente se deita.

Quando deitamos, o sangue que está nas pernas deixa de sofrer interferência da gravidade e consegue retornar mais facilmente ao coração e aos pulmões.

Se temos um coração esquerdo fraco e aumentamos a quantidade de sangue que chega aos pulmões, acabamos por favorecer o surgimento de congestão pulmonar.

Por isso, muitos pacientes com insuficiência cardíaca não toleram ficar muito tempo deitado.

Alguns precisam dormir com mais de um travesseiro, de forma a manter sempre o tronco mais alto que o resto do corpo, diminuindo, assim, a quantidade de sangue que retorna aos pulmões pelo lado direito do coração.

Retenção de líquidos e edemas

Quando o coração esquerdo começa a não conseguir bombear o sangue eficientemente, os rins passam a receber menos sangue o necessário. Os rins interpretam isso como uma queda no volume de sangue do corpo e começam a reter água e sal para tentar encher as artérias.

O resultado final é um excesso de água no organismo, que se traduz com o aparecimento de edemas (inchaços), principalmente nas pernas.

Se também houver insuficiência do coração direito, esses edemas são ainda maiores, pois além do excesso de água, o ventrículo direito não consegue fazer com que o sangue das pernas chegue aos pulmões. Ocorre então um grande represamento de sangue nos membros inferiores e aparecimento de volumoso inchaço nas pernas.

Dependendo do grau de disfunção cardíaca, pode haver edemas até a barriga, chamado de ascite.

Síndrome cardio-renal

Em estágios avançados, a insuficiência cardíaca pode provocar prolongada redução do aporte de sangue para os rins, o que provoca insuficiência renal.

Inicialmente, com o aumento da retenção de água, o quadro é temporariamente corrigido. Com o passar do tempo, porém, o aumento do volume de líquidos no corpo tende a sobrecarregar ainda mais os pulmões e o coração.

O surgimento de insuficiência renal provocado pela insuficiência cardíaca é chamado de síndrome cardio-renal.

Arritmias cardíacas

Corações dilatados também apresentam distúrbios na condução elétrica e são mais susceptíveis a arritmias. Uma das consequências da insuficiência cardíaca grave pode ser a morte súbita por fibrilação ventricular, que é arritmia maligna equivalente a uma parada cardíaca.

Classificação NYHA

A Classificação da New York Heart Association (NYHA) fornece uma maneira simples de classificar o grau da insuficiência cardíaca. Ela classifica os pacientes em uma das quatro categorias com base em suas limitações durante a atividade física.

Classificação da NYHA – Os estágios da insuficiência cardíaca:

  • Classe I – Sem sintomas e sem limitação na atividade física habitual (andar, subir escadas ou realizar pequenos esforços)
  • Classe II – Sintomas de leve falta de ar durante atividades físicas habituais.
  • Classe III – Limitação marcada das atividades devido a falta de ar, mesmo durante uma atividade de pequena intensidade, como, por exemplo, andar distâncias curtas (20-100 m). Confortável apenas em repouso.
  • Classe IV – Limitações severas. O paciente apresenta falta de ar mesmo enquanto está em repouso. A maioria fica restrita à cama ao longo de todo o dia.

Diagnóstico

Quadros de insuficiência cardíaca avançada são facilmente perceptíveis através do exame físico do paciente, pois os sintomas são muito típicos.

Em geral, a confirmação do diagnóstico é feita através de exames de imagens, principalmente através do ecocardiograma, uma espécie de ultrassonografia do coração, que é capaz de fornecer várias informações sobre a estrutura cardíaca e o seu grau de funcionamento.

A radiografia de tórax é um exame simples, que pode mostrar a existência de um coração dilatado e água nos pulmões.

Nas radiografias acima, podemos ver um coração normal à esquerda e um coração insuficiente e dilatado à direita.

Tratamento

O tratamento é feito com medicamentos que ajudam a baixar a pressão arterial, reduzir a retenção de líquidos e facilitar o bombeamento do sangue.

Entre os fármacos mais utilizados estão:

  • Inibidores da ECA: enalapril, ramipril, lisinopril, perindopril, etc.
  • Diuréticos: furosemida, hidroclorotiazida, metolazona, espironolactona.
  • Beta-bloqueadores: atenolol, metoprolol, carvedilol, metoprolol, etc.
  • Digoxina.

Obesos devem emagrecer, fumantes têm que largar o cigarro, álcool deve ser evitado e exercícios supervisionados para reabilitação cardíaca são indicados. A pressão arterial deve ser controlada com rigor.

O controle do consume de sal na dieta é importantíssimo. 6 gramas de sal por dia é limite recomendado.

Nos casos de insuficiência cardíaca na fase dilatada, o paciente pode apresentar episódios frequentes de arritmias cardíacas. Algumas delas perigosas. Por isso, alguns pacientes precisam implantar um aparelho conhecido como cardio desfibrilador interno (CDI) para reduzir o risco de morte súbita.

Outro tratamento utilizado nos casos mais graves é a terapia de ressincronização cardíaca (Cardiac Resynchronization Therapy – CRT), que consiste na implantação de eletrodos no coração para estimular ambos ventrículos de forma sincronizada, o que melhora a contratilidade do coração e os sintomas da insuficiência cardíaca.

Nos casos terminais a única solução é o transplante cardíaco. Por isso, o melhor tratamento ainda é a prevenção.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/cardiologia/insuficiencia-cardiaca/

O que é insuficiência cardíaca?

Insuficiência Cardíaca: sintomas e tratamento

Insuficiência cardíaca, também conhecida como insuficiência cardíaca congestiva, ocorre quando seu coração não está bombeando sangue suficiente para atender às necessidades do seu corpo. Como resultado, fluido pode se acumular nas pernas, pulmões e em outros tecidos por todo o corpo.

Causas

A insuficiência cardíaca pode ocorrer por várias razões. Causas comuns de insuficiência cardíaca incluem:

  • Doença arterial coronariana
  • Ataque cardíaco anterior (infarto do miocárdio)
  • Pressão alta (hipertensão)
  • Valvulopatias
  • Doença cardíaca congênita (condição desde o nascimento)
  • Cardiomiopatia (coração aumentado)
  • Endocardite
  • Miocardite (infecção do coração)
  • Diabetes

MUDANÇAS NO ESTILO DE VIDA

Seu médico pode recomendar mudanças de estilo de vida, tais como parar de fumar, limitar sua ingestão de sódio, perda de peso ou reduzir seu nível de estresse. Estas mudanças podem ajudar a aliviar alguns dos sintomas associados com insuficiência cardíaca e reduzir a pressão sobre seu coração.

MEDICAMENTOS PARA O CORAÇÃO

Muitos tipos de medicamentos são utilizados para tratar a insuficiência cardíaca. Seu médico pode prescrever inibidores ECA, betabloqueadores, anticoagulantes e diuréticos, entre outros. Em geral, uma combinação de medicamentos para o coração é normalmente usada.

CIRURGIA CARDÍACA

Se a sua insuficiência cardíaca é causada ou agravada por uma válvula fraca, seu médico pode considerar cirurgia cardíaca para reparar ou substituir a válvula. Se a sua insuficiência cardíaca for grave e irreversível, a cirurgia de transplante de coração pode ser considerada.

Converse com seu médico sobre quais opções de tratamento são ideais para você.

As informações contidas neste site não devem ser usadas no lugar de consultas médicas. Sempre converse com o seu médico para obter diagnósticos e informações de tratamento.

   Informações Importantes sobre a Segurança

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pdf Baixe o manual do portador!  (.pdf)

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Источник: https://www.medtronic.com/br-pt/your-health/conditions/heart-failure.html

8 sintomas de insuficiência cardíaca que você não deve ignorar

Insuficiência Cardíaca: sintomas e tratamento

A insuficiência cardíaca é caracterizada pela dificuldade do coração em bombear o sangue para o corpo, gerando sintomas como cansaço, tosse noturna e o inchaço nas pernas ao final do dia, já que o oxigênio presente no sangue não consegue chegar aos órgãos e tecidos.

A insuficiência cardíaca é mais comum de acontecer em pessoas que possuem pressão alta, já que nesses casos o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue, provocando a dilatação do coração ao longo do tempo. Além disso, a insuficiência pode acontecer devido ao estreitamento das artérias, dificultando a passagem do sangue e distribuição pelo corpo.

A insuficiência cardíaca não tem cura, mas pode ser controlada com o uso regular de remédios orais e cuidados com a alimentação, além de consultas regulares no cardiologista.

Principais tipos de insuficiência cardíaca

De acordo com a evolução dos sintomas, a insuficiência cardíaca pode ser classificada em:

  • Insuficiência cardíaca crônica, que é desenvolvida ao longo dos anos devido à pressão alta, por exemplo, sendo o tipo mais comum de insuficiência;
  • Insuficiência cardíaca aguda, que surge repentinamente devido a um problema grave, como infarto, arritmia grave ou hemorragia e deve ser tratada imediatamente e no hospital para evitar complicações;
  • Insuficiência cardíaca descompensada, que surge em pacientes com insuficiência cardíaca crônica que não fazem o tratamento de forma adequada, sendo necessário internamento;
  • Insuficiência cardíaca congestiva, também chamada de ICC, em que existe acúmulo de líquidos nos pulmões, pernas e barriga devido à dificuldade do coração em bombear o sangue. Entenda o que é e como identificar a ICC.

É importante que a insuficiência cardíaca seja identificada para que o tratamento seja iniciado logo em seguida para evitar o agravamento do problema e surgimento de complicações que possam colocar em risco a vida da pessoa.

Por que acontece?

A insuficiência cardíaca pode acontecer como consequência de qualquer condição que interfira no funcionamento do coração e no transporte de oxigênio para o corpo.

Na maioria das vezes a insuficiência cardíaca acontece devido à doença coronariana, que é caracterizada pelo estreitamento dos vasos sanguíneos, havendo dificuldade na passagem de sangue e diminuindo a quantidade de oxigênio de chega aos órgãos, colocando a vida da pessoa em risco.

Além disso, no caso da cardiomegalia, popularmente conhecido como coração grande, é possível também haver insuficiência cardíaca, isso porque devido ao aumento do órgão, o sangue passa a ficar acumulado em seu interior, não havendo distribuição adequada de sangue e oxigênio para os órgãos e tecidos.

As alterações nos batimentos cardíacos ou no processo de contração e relaxamento do coração também podem levar à insuficiência cardíaca, principalmente em pessoas mais velhas e/ou que possuem hipertensão. 

Sintomas de insuficiência cardíaca

O principal sintoma de insuficiência cardíaca é o cansaço progressivo que se inicia após grandes esforços, como subir escada ou correr, mas que com o tempo pode aparecer até mesmo em repouso. Outros sinais e sintomas da insuficiência cardíaca são:

  • Tosse excessiva durante a noite;
  • Inchaço nas pernas, tornozelos e pés ao final do dia;
  • Falta de ar ao realizar esforços ou em repouso;
  • Palpitações e calafrios;
  • Inchaço abdominal;
  • Palidez;
  • Dificuldade para dormir com cabeceira baixa.

Caso surja qualquer sinal ou sintoma indicativo de insuficiência cardíaca, é importante ir ao hospital para que sejam feitos exames que possam avaliar o coração e, assim, ser feito o diagnóstico e iniciado o tratamento.

Saiba identificar os sinais e sintomas de insuficiência cardíaca.

Como tratar a insuficiência cardíaca

O tratamento para insuficiência cardíaca deve ser orientado por um cardiologista e, normalmente, inclui o uso de remédios para baixar a pressão, como Lisinopril ou Captopril, remédios para o coração, como Digoxina ou Amiodarona, ou remédios diuréticos, como Furosemida ou Espironolactona. Além disso, também é recomendado que o paciente diminua o consumo de sal e de líquidos e faça exercício físico regular, sob orientação do cardiologista.

Nos casos mais graves de insuficiência cardíaca, em que o paciente não faz o tratamento de forma adequada, pode ser necessário utilizar cirurgia para fazer transplante de coração. Veja mais sobre o tratamento da insuficiência cardíaca.

Confira no vídeo a seguir como a alimentação auxilia o trabalho cardíaco diminuindo os sintomas da insuficiência cardíaca:

Источник: https://www.tuasaude.com/insuficiencia-cardiaca/

Insuficiência cardíaca | SNS24

Insuficiência Cardíaca: sintomas e tratamento

A insuficiência cardíaca (IC) é uma doença grave e crónica, que ocorre quando o coração é incapaz de:

  • bombear o sangue para o corpo na quantidade necessária
  • relaxar e receber novamente o sangue de forma normal

Isto significa que o sangue pode não conseguir fornecer nutrientes e oxigénio suficientes ao organismo, para que este funcione normalmente.

Existem diferentes tipos de insuficiência cardíaca?

Sim. A insuficiência cardíaca pode-se classificar utilizando um parâmetro obtido através de exames de imagem cardíacos (por ex.: ecocardiograma) – a Fração de Ejeção Ventricular Esquerda (FEVE). A FEVE é um parâmetro que quantifica a capacidade de o coração bombear sangue para os diferentes órgãos do corpo.

Assim, existem três categorias de insuficiência cardíaca:

  • insuficiência cardíaca com FEVE reduzida: a capacidade de o coração bombear sangue está diminuída, quando o valor de FEVE é inferior a 40%. Este é o tipo de insuficiência cardíaca que mais preocupa e que está associada a mais riscos
  • insuficiência cardíaca com FEVE intermédia: a capacidade de bombear sangue está ligeiramente diminuída, o que acontece quando o valor de FEVE está entre 40 e 49%
  • insuficiência cardíaca com FEVE preservada/normal: quando o coração bombeia normalmente o sangue. Ou seja, a FEVE é normal, ou superior a 50%, mas o coração apresenta alterações estruturais, como paredes muito espessadas, ou alterações funcionais, como pressões elevadas, o que faz com que a capacidade de relaxar ou de receber o sangue esteja alterada

Quais os fatores de risco para desenvolver insuficiência cardíaca?

Normalmente, a insuficiência cardíaca desenvolve-se porque a pessoa tem (ou teve) um problema de saúde que afetou o coração, como:

  • doença das artérias coronárias
  • ataque cardíaco
  • pressão arterial elevada

e deixou lesões ou esforçou demasiado o coração.

No entanto, existem muitos outros fatores que causam a insuficiência cardíaca, como por exemplo:

  • colesterol elevado
  • tabagismo
  • diabetes
  • obesidade
  • sedentarismo
  • histórico familiar de doença cardíaca ou mutações genéticas

A insuficiência cardíaca é uma doença que afeta cerca de 400 mil portugueses, um número que tem tendência a aumentar. Estima-se que o número de pessoas com a doença (prevalência) venha a aumentar entre 50% a 70% até 2030.

Como se manifesta a insuficiência cardíaca?

Os principais sinais de alerta de insuficiência cardíaca são:

  • cansaço extremo
  • dificuldade em respirar, que limita a atividade física ou obriga a dormir com uma almofada extra
  • taquicardia constante
  • inchaço (edema) nas pernas ou no abdómen
  • aumento da frequência e necessidade de urinar à noite
  • tonturas
  • desmaios
  • aumento de peso

Quando os doentes têm este tipo de sintomas devem procurar ajuda de um médico, para tentar perceber se existe, de facto, insuficiência cardíaca.

Os sintomas da insuficiência cardíaca podem confundir-se com outras doenças?

Sim. Os sintomas da insuficiência cardíaca podem confundir-se com outras doenças, pelo que é sempre necessário fazer alguns testes para se confirmar o diagnóstico.

A idade pode influenciar o aparecimento de insuficiência cardíaca?

Sim. A insuficiência cardíaca pode desenvolver-se em qualquer idade, contudo, é uma doença muito associada ao envelhecimento da população, sendo inclusive a principal causa de internamento hospitalar nos indivíduos com mais de 65 anos.

Ter insuficiência cardíaca significa que o coração parou de bater?

Não. A insuficiência cardíaca ocorre quando existem lesões no músculo cardíaco ou nas válvulas, e o coração não consegue bombear sangue para o corpo como deveria.

Quais as principais complicações da insuficiência cardíaca?

A insuficiência cardíaca está associada a complicações inerentes à incapacidade de o coração bombear sangue para o corpo. Ou seja, pode:

  • afetar os diferentes órgãos devido à falta de oxigénio e nutrientes, causando sintomas de cansaço extremo, tonturas ou desmaios
  • acumular líquido nos pulmões ou nas pernas (edema), causando a falta de ar ou as pernas inchadas

Além disto, as lesões que existem no coração podem levar a que ocorram arritmias, que podem ser graves ao ponto de poder causar morte súbita.

Se esta doença não for tratada de forma precoce, pode ser necessário o internamento hospitalar para administrar medicação que permita auxiliar o coração e reduzir os líquidos acumulados.

Numa fase mais avançada da doença, quando a medicação, ou outras intervenções não são suficientes, pode ser necessário um transplante cardíaco.

Se sofrer de insuficiência cardíaca posso praticar exercício físico?

Sim. É muito importante que as pessoas com insuficiência cardíaca pratiquem exercício físico. No entanto, também é importante que não exagerem. A quantidade certa de exercício físico pode ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo e aliviar alguns dos sintomas.

Como se diagnostica a insuficiência cardíaca?

Nem sempre é fácil diagnosticar a insuficiência cardíaca, porque os sintomas são pouco específicos e podem ser confundidos com outras patologias. No entanto, o diagnóstico só pode ser feito através da história clínica e de exames como:

  • análises ao sangue
  • radiografia do tórax
  • eletrocardiograma (ECG)
  • ecocardiograma

Após o diagnóstico, o doente deve ser encaminhado para uma consulta de cardiologia especializada em insuficiência cardíaca.

Uma pessoa com insuficiência cardíaca consegue ter uma vida normal?

Sim. Apesar da insuficiência cardíaca ser uma doença muito grave, que pode reduzir o tempo de vida, o doente deve em conjunto com o seu médico e enfermeiro certificar-se que:

  • recebe tratamentos eficazes
  • implementa mudanças no seu estilo de vida

Estas atitudes permitem não só aliviar os sintomas, como também prolongar a sua vida.

É possível prevenir a insuficiência cardíaca?

Sim, na maior parte das situações é possível prevenir a insuficiência cardíaca. Para tal é necessário prevenir e evitar que surjam fatores de risco, como:

Assim, algumas das medidas para prevenir que venha a sofrer de insuficiência cardíaca são:

  • ter um estilo de vida saudável
  • prática de exercício físico regular
  • manter uma dieta equilibrada
  • não fumar
  • não beber bebidas alcoólicas

Adicionalmente, se sofrer de colesterol elevado, hipertensão arterial ou diabetes, deve ser acompanhado regularmente por um médico e cumprir rigorosamente a medicação.

Qual o tratamento da insuficiência cardíaca?

O tratamento para a insuficiência cardíaca deve ser individualizado para cada doente, uma vez que depende em muito do grau de insuficiência cardíaca e da sua evolução. No entanto, por norma o tratamento consiste em:

  • mudanças no estilo de vida (não fumar, alimentação saudável e prática de exercício físico)
  • medicamentos, que devem ser tomados sem interrupções
  • intervenções como cateterismo, cirurgia ou colocação de pacemaker

Quando a insuficiência cardíaca é muito grave e não responde favoravelmente ao tratamento, pode haver a indicação para transplante cardíaco.

Quando é que o transplante é solução para a insuficiência cardíaca?

Pode ser feito um transplante de coração quando a insuficiência cardíaca é muito grave ou terminal. Ou seja, quando o doente não responde ao tratamento médico, cirúrgico e convencional.

Todas as pessoas com insuficiência cardíaca grave são selecionáveis para transplante?

Não. Só são elegíveis para transplante os doentes que, após uma avaliação exaustiva, garantem o cumprimento absoluto das indicações médicas, como:

  • estar motivado, bem informado e emocionalmente estável
  • capaz de cumprir com o tratamento intensivo e complexo necessário no pós-operatório

Qual o procedimento do transplante cardíaco?

Quando surge um dador de coração compatível, a pessoa elegível para receber o transplante é chamada ao hospital. O transplante cardíaco é uma cirurgia que decorre no bloco operatório e é realizada pelos cirurgiões cardíacos.

Primeiro, o coração “são” do dador é colhido pelos cirurgiões e transportado até ao local do transplante cardíaco. Nesse local, inicia-se a cirurgia em que é removido o coração “doente” da pessoa que vai receber o transplante e lhe é colocado o coração “são”. Isto é possível com auxílio de máquinas que ajudam a manter a circulação sanguínea durante todo o procedimento.

Fonte: Sociedade Portuguesa de Cardiologia

Источник: https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-do-coracao/insuficiencia-cardiaca/

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