Mania de limpeza pode ser doença

Sou muito organizada e gosto das coisas do meu jeitinho. Esses dias, estava em um churrasco na casa de uma amiga e vi aquela bagunça de pratos, copos e garrafas. Resolvi arrumar tudo, para me sentir mais aliviada.

Enquanto recolhia o lixo, alguém brincou: “Nossa, você tem TOC?!”.

 Aquilo me fez ficar na dúvida: será que a doença é algo tão simples assim, como querer jogar fora uns ossinhos de frango e pedaços de carne largados na mesa?

Não, não é. O fato de se importar com organização, limpeza ou de sempre notar quando alguém está com a etiqueta da camiseta aparecendo não caracteriza Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). O problema é bem mais complicado e sofrido do que isso.

A Organização Mundial da Saúde classifica o TOC entre as 20 doenças mais incapacitantes, é muito complexo”, diz Daniel Costa, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, participante do grupo Pró-TOC.

Como funciona a cabeça de quem tem TOC?

Imagem: iStock Quem é diagnosticado com o transtorno normalmente tem obsessões e compulsões. As obsessões aparecem como pensamentos, ideias ou imagens que brotam na cabeça e causam um incomodo enorme, como uma forte ansiedade.

“O paciente não consegue escapar, são pensamentos involuntários, espontâneos, repetitivos e que trazem sentimentos negativos”, afirma Diego Tavares, do Grupo de Doenças Afetivas do Hospital das Clínicas.

A mente é inundada com ansiedade, medo, mal-estar, e busca uma saída para conseguir um alívio. É aí que as compulsões aparecem: são comportamentos repetitivos que o paciente faz para se acalmar.

Um exemplo: alguém com TOC corta o dedo e tem pensamentos obsessivos de como bactérias vão entrar no machucado, causar uma doença grave e acabar em morte. Para desviar o pessimismo, o paciente lava as mãos, o que logicamente afasta as bactérias e traz alívio momentâneo. E assim cria uma compulsão, associa que quando se cortar terá que lavar as mãos para ter alívio e não adoecer.

“Quando falamos em doença trata-se de algo que extrapola o limite da normalidade. Todo mundo lava as mãos se acha que se contaminou, mas quem tem TOC faz isso diversas vezes, passa a lavar a mão 10 vezes sempre que se corta para evitar riscos”, explica Costa.

O congestionamento psicológico que o TOC causa também pode trazer compulsões de checagem. Por exemplo, a pessoa sai de casa e começa a ter obsessões de que não fechou a porta, então ela volta para verificar. Mexe a maçaneta e nota que está tudo fechado, mas ao ir embora acredita que talvez não tenha trancado a porta direito. Aí, fica preocupada e vai checar novamente.

“O paciente tem o senso crítico, ele sabe que é um exagero, que acabou de confirmar que realmente fechou a porta, mas tem os pensamentos de que talvez esteja enganado, cria a necessidade de fazer um rito, conferir diversas vezes até que aquilo se concretize na cabeça de alguma forma”, diz Ricardo Ouchi, psiquiatra do hospital São Luiz.

Não é só sobre limpeza e organização

Imagem: iStock A necessidade de simetria e receio de germes são os tipos mais conhecidos da doença, mas os pensamentos também podem estar ligados a medo de eventos violentos, catástrofes, nojos específicos, preocupações constantes e até ideias obscenas.

Comumente, o paciente tem problemas com apenas um tema, mas com a evolução da doença pode ser que outros incômodos sejam somados ao quadro.

Pessoas diagnosticadas com TOC têm prejuízos sérios na vida com os rituais. A sequência de pensamentos e ações interfere na rotina e causa incapacitação. Há casos graves em que pacientes perdem dez horas do dia focados nas obsessões e compulsões.

O sofrimento é tamanho que pode inviabilizar a vida social e profissional. A pessoa costuma se atrasar para compromissos por ter que lidar com os sintomas. Além da dificuldade de completar tarefas, se concentrar é uma missão difícil.

Ainda há receio de praticar as compulsões em público e, em casos crônicos, os pacientes deixam de sair de casa para não ser ridicularizado e evitar os riscos de suas obsessões.

O comportamento pode facilitar casos de depressão, crise do pânico e ataques de ansiedade.

“Alguém com TOC tem urgência, precisa executar a ação, não consegue deixar de fazer e sofre com isso. Quem tem organização na personalidade arruma por prazer, não por não conseguir se controlar. É muito diferente.

Provavelmente, alguém com o transtorno nem teria ido ao churrasco que você foi, porque se atrasaria fazendo verificações em casa e saberia que o ambiente despertaria obsessões”, conta Jorge Gustavo Azpiroz, psiquiatra do hospital São Lucas da PUC-RS.

E não sou poucos, de 1% a 3% da população mundial tem TOC, sendo que cerca de 2% dos brasileiros sofrem com o problema, segundo Azpiroz.

Há tratamento?

Imagem: iStock A doença é muito complexa e ainda há dificuldade na ciência para explicar como ela se dá no cérebro.

O que se sabe é que há uma predisposição genética, ou seja, quem tem familiares com TOC possui risco maior de desenvolver o transtorno.

Os cientistas também acreditam que algumas estruturas específicas do cérebro estão relacionadas ao TOC, mas não há estudos que expliquem tal ligação.

Existem fatores que facilitam o transtorno, mas são coisas que causam qualquer doença psiquiátrica. Vivências difíceis na infância, situações de abuso físico e negligência podem facilitar o quadro”, explica Costa.

É importante deixar claro que ninguém desenvolve TOC do dia para a noite, e que é improvável que o prazer por organização ou limpeza evoluam para o quadro.

Em geral, é algo ativado na infância que cresce ao longo da vida até o comportamento virar mania patológica.

Os casos costumam aflorar aos 25 anos, e os pacientes demoram para buscar ajuda, pois acreditam ter controle do problema ou não reconhecem seus sintomas, além dos que se sentem envergonhados de dividir suas histórias.

Para controlar o TOC, os médicos recomendam medicação. Os remédios são os mesmos usados em alguns casos de depressão e costumam aliviar a ansiedade. Assim, quando as obsessões aparecem, elas não causam tantas consequências.

Mas é um tratamento conjunto, o paciente também deve fazer terapia. A mais indicada é a terapia comportamental. Ela ajuda a lidar com os pensamentos e usa a técnica de exposição, que consiste em expor gradualmente o paciente aos medos e mostrar que ele consegue encará-los.

Caso você acredite que tem TOC e está buscando ajuda, saiba que há um ambulatório especializado em tratamentos do transtorno com vagas em São Paulo. Entre em contato por e-mail com o Pró-TOC, do Hospital das Clínicas: protoc.projeto@gmail.com. 

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Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2018/03/23/nossa-voce-e-muito-organizadatem-toc-nao-a-doenca-nao-e-simples-assim.htm

TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – Sinais, sintomas e tratamentos

Mania de limpeza pode ser doença

8 de junho de 2017

  |  Tempo de leitura: 8 minutos

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno comum, crônico e duradouro. É caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é considerado uma doença mental grave. Ela está entre as dez maiores causas de incapacitação, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Estima-se que cerca de 4 milhões de brasileiros sofram com a doença.

Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados. Compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais em que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente.

TOC – Sinais e sintomas

Pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo podem ter sintomas de obsessões, compulsões ou ambos. Esses sintomas podem interferir em todos os aspectos da vida, como trabalho, escola e relacionamentos pessoais.

Os sintomas do TOC envolvem alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (preocupações excessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou “ruim”, obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão).

 Portadores da doença sofrem de muitos medos, como por exemplo o  de contrair doenças ou cometer alguma falha. Em virtude desses medos, evitam as situações que possam provocá-los – comportamento chamado de evitação.

As evitações, embora não específicas do TOC, são, em grande parte, as responsáveis pelas limitações que o transtorno acarreta.

Obsessões

São pensamentos repetidos, impulsos ou imagens mentais que causam ansiedade. Os sintomas comuns incluem:

  • Medo de germes ou contaminação, lavando as mãos excessivamente.
  • Preocupar-se excessivamente com limpeza.
  • Revisar diversas vezes portas, janelas, gás ou o ferro de passar roupas antes de sair de casa ou dormir.
  • Pensamentos proibidos ou indesejados envolvendo sexo, religião e danos
  • Pensamentos agressivos em relação aos outros ou a si próprio
  • Ter coisas simétricas ou em uma ordem perfeita

Compulsões 

São comportamentos repetitivos que uma pessoa com TOC sente o desejo de fazer em resposta a um pensamento obsessivo. As compulsões comuns incluem:

  • Limpeza excessiva e / ou lavagem das mãos
  • Ordenação e organização das coisas de uma maneira específica e precisa
  • Repetidamente verificar as coisas, tais como verificar repetidamente para ver se a porta está bloqueada ou que o forno está desligado
  • Contagem Compulsiva

Rituais e hábitos para ficar atento

Nem todos os rituais ou hábitos são compulsões. Todo mundo verifica as coisas às vezes. Mas uma pessoa com TOC geralmente:

  • Não pode controlar seus pensamentos ou comportamentos, mesmo quando esses pensamentos ou comportamentos são reconhecidos como excessivos
  • Gasta pelo menos 1 hora por dia nesses pensamentos ou comportamentos
  • Não obtém prazer ao realizar os comportamentos ou rituais, mas pode sentir breve alívio da ansiedade que os pensamentos causam
  • Experimenta problemas significativos em sua vida diária devido a esses pensamentos ou comportamentos
  • Alguns indivíduos com TOC também têm um distúrbio Tic. Os tiques motores são movimentos súbitos, breves e repetitivos, como piscar os olhos e outros movimentos dos olhos, encolhimento do ombro e empurrão da cabeça ou do ombro.
  • Os tiques vocais comuns incluem sons repetitivos de limpar a garganta, cheirar ou grunhir.

Os sintomas podem vir e ir, aliviar ao longo do tempo, ou piorar. As pessoas com TOC podem tentar ajudar a si mesmas, evitando situações que desencadeiam suas obsessões, ou podem usar álcool ou drogas para se acalmarem.

Embora a maioria dos adultos com TOC reconheça que o que eles estão fazendo não faz sentido, alguns adultos e a maioria das crianças não percebem que seu comportamento está fora do comum. Pais ou professores tipicamente reconhecem sintomas de TOC em crianças.

Se você acha que tem TOC, fale com seu médico sobre seus sintomas. Se não tratado, o TOC pode interferir em todos os aspectos da vida.

Fatores de risco

TOC é uma desordem comum que afeta adultos, adolescentes e crianças em todo o mundo. A maioria das pessoas é diagnosticada por cerca de 19 anos, geralmente com uma idade mais precoce de início em meninos do que em meninas, mas o início após os 35 anos pode  acontecer.

As causas do TOC são desconhecidas, mas os fatores de risco incluem:

Genética

Estudos relacionados a gêmeos e família têm mostrado que as pessoas com parentes de primeiro grau (como um pai, irmão ou criança) que têm o transtorno estão em maior risco de desenvolver TOC próprios.

O risco é maior se o familiar de primeiro grau desenvolveu TOC como uma criança ou adolescente.

Pesquisas em andamento continuam a explorar a conexão entre genética e TOC e podem ajudar a melhorar o diagnóstico e tratamento do TOC.

Estrutura e funcionamento do cérebro

Estudos de imagem têm mostrado diferenças no córtex frontal e estruturas subcorticais do cérebro em pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Parece haver uma conexão entre os sintomas de TOC e anormalidades em certas áreas do cérebro, mas essa conexão não é clara. A investigação está ainda em curso.

Compreender as causas ajudará a determinar tratamentos específicos e personalizados para tratar o TOC.

Meio ambiente

Pessoas que sofreram abuso (físico ou sexual) na infância ou outro trauma tem um risco maior de desenvolver TOC.

Em alguns casos, as crianças podem desenvolver sintomas de TOC ou o próprio Transtorno após uma infecção estreptocócica – isso é chamado Distúrbios Neuropsiquiátricos Auto-Imunes Pediátricos Associados a Infecções Estreptocócicas (PANDAS).

TOC – Tratamentos e Terapias

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é tipicamente tratado com medicação, psicoterapia ou uma combinação dos dois. Embora a maioria dos pacientes com TOC responda bem ao tratamento, alguns pacientes continuam sentindo os sintomas.

Às vezes, as pessoas com TOC também têm outros distúrbios mentais, como ansiedade ou depressão. Podem acreditar equivocadamente que uma parte de seu corpo é anormal. É importante considerar esses outros distúrbios ao tomar decisões sobre o tratamento. Além disso, é muito importante saber como escolher um bom psicólogo.

TOC – Medicação

Os inibidores da reabsorção de serotonina (IRSs) e os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) são usados para ajudar a reduzir os sintomas do TOC.

Exemplos de medicamentos que têm sido comprovadamente eficazes tanto em adultos como em crianças com TOC incluem clomipramina, que é membro de uma classe mais antiga de antidepressivos “tricíclicos” e vários mais recentes “inibidores seletivos da recaptação da serotonina” (ISRS), incluindo:

  • Fluoxetina
  • Fluvoxamina
  • Sertralina

IRSs frequentemente requerem doses diárias mais elevadas no tratamento de TOC do que de depressão, e pode levar de 8 a 12 semanas para começar a trabalhar, mas alguns pacientes experimentam melhora mais rápida.

Se os sintomas não melhorarem com esses tipos de medicamentos, a pesquisa mostra que alguns pacientes podem responder bem a uma medicação antipsicótica (como a risperidona).

Embora a pesquisa mostre que uma medicação antipsicótica pode ser útil no gerenciamento de sintomas para pessoas que têm TOC e um transtorno tique, a pesquisa sobre a eficácia dos antipsicóticos para tratar o Transtorno Obsessivo Compulsivo é mista.

Antes de iniciar o tratamento com remédios para o TOC

  • Fale com o seu médico e certifique-se de que compreender os riscos e os benefícios dos medicamentos prescritos.
  • Não pare de tomar um medicamento antes de falar com o seu médico.
  • Parar um medicamento pode levar ao agravamento dos sintomas de TOC. Outros efeitos de retirada desconfortáveis ou potencialmente perigosos também são possíveis.
  • Informe quaisquer preocupações sobre efeitos colaterais ao seu psiquiatra imediatamente. Você pode precisar de uma alteração na dose ou em uma medicação diferente.

Psicoterapia ajudando a lidar com o TOC

A psicoterapia pode ser um tratamento eficaz para adultos e crianças com TOC. Pesquisas mostram que certos tipos de psicoterapia, incluindo a terapia cognitiva comportamental (TCC) podem ser tão eficazes quanto a medicação para muitos indivíduos. A terapia é eficaz na redução de comportamentos compulsivos no TOC, mesmo em pessoas que não respondem bem à medicação. 

Se você ou um ente querido apresentam sinais do Transtorno Obsessivo Compulsivo, procure um psicólogo. Um profissional experiente poderá ajudá-lo a controlar as obsessões e compulsões. É importante trabalhar as crenças e o medo presente neste quadro. Encontre um psicólogo na Vittude, e agende uma consulta!

Fontes:
National Institute of Mental Health
International OCD Foundation

*Artigo atualizado em 08/04/2018

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental.

Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.

Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

Источник: https://www.vittude.com/blog/transtorno-obsessivo-compulsivo-toc-sinais-sintomas-e-tratamentos/

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

Mania de limpeza pode ser doença

TOC é um transtorno psiquiátrico de ansiedade que tem como principal característica a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões. 

TOC, ou transtorno obsessivo-compulsivo, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito no “Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais – DSM V” da Associação de Psiquiatria Americana. A principal característica do TOC é a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.

Veja também: Leia entrevista sobre TOC

Entende-se por obsessão pensamentos, ideias e imagens que invadem a pessoa insistentemente, sem que ela queira.

Como um disco riscado que se põe a repetir sempre o mesmo ponto da gravação, eles ficam patinando dentro da cabeça e o único jeito para livrar-se deles por algum tempo é realizar o ritual próprio da compulsão, seguindo regras e etapas rígidas e pré-estabelecidas, que ajudam a aliviar a ansiedade.

Alguns portadores dessa desordem acham que, se não agirem assim, algo terrível pode acontecer-lhes. No entanto, a ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a agravar-se à medida que são realizados os rituais e pode transformar-se num obstáculo não só para a rotina diária da pessoa como para a vida da família inteira.

Em geral, os rituais  se desenvolvem nas áreas da limpeza, checagem ou conferência, contagem, organização, simetria, colecionismo, e podem variar ao longo da evolução da doença.

Classificação

Existem dois tipos de TOC:

  • Transtorno obsessivo-compulsivo subclínico – as obsessões e rituais se repetem com frequência, mas não atrapalham a vida da pessoa;
  • Transtorno obsessivo-compulsivo propriamente dito: as obsessões persistem até o exercício da compulsão que alivia a ansiedade.

Causas

As causas do TOC não estão bem esclarecidas. Certamente, trata-se de um problema multifatorial. Estudos sugerem a existência de alterações na comunicação entre determinadas zonas cerebrais que utilizam a serotonina. Fatores psicológicos e histórico familiar também estão entre as possíveis causas desse distúrbio de ansiedade.

Veja também: Estresse e depressão

Sintomas

Em algumas situações, todas as pessoas podem manifestar rituais compulsivos que não caracterizam o TOC. O principal sintoma da doença é a presença de pensamentos obsessivos que levam à realização de um ritual compulsivo para aplacar a ansiedade que toma conta da pessoa.

Preocupação excessiva com limpeza e higiene pessoal, dificuldade para pronunciar certas palavras, indecisão diante de situações corriqueiras por medo que uma escolha errada possa desencadear alguma desgraça, pensamentos agressivos relacionados com morte, acidentes ou doenças são exemplos de sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo.

Frequência

Em geral, só nove anos depois de ter manifestado os primeiros sintomas, o portador do distúrbio recebe o diagnóstico de certeza e inicia do tratamento. Por isso, a maior parte dos casos é diagnosticada em adultos, embora o transtorno obsessivo-compulsivo possa acometer crianças a partir dos 3, 4 anos de idade.

Na infância, o distúrbio é mais frequente nos meninos. No final da adolescência, porém, pode-se dizer que o número de casos é igual nos dois sexos.

Tratamento

O tratamento de TOC pode ser medicamentoso e não medicamentoso. O medicamentoso utiliza antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina. São os únicos que funcionam.

A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem não medicamentosa com comprovada eficácia sobre a doença. Seu princípio básico é expor a pessoa à situação que gera ansiedade, começando pelos sintomas mais brandos. Os resultados costumam ser melhores quando se associam os dois tipos de abordagem terapêutica.

É sempre importante esclarecer o paciente e sua família sobre as características da doença. Quanto mais a par estiverem do problema, melhor funcionará o tratamento.

Recomendações

  • Não há quem não tenha experimentado alguma vez um comportamento compulsivo, mas se ele se repete a ponto de prejudicar a execução de tarefas rotineiras, a pessoa pode ser portadora de TOC e precisa de tratamento;
  • Crianças podem obedecer a certos rituais, o que é absolutamente normal. No entanto, deve chamar a atenção dos pais a intensidade e a frequência desses episódios. O limite entre normalidade e TOC é muito tênue;
  • Os pais não devem colaborar com a perpetuação das manias e rituais dos filhos. Devem ajudá-los a enfrentar os pensamentos obsessivos e a lidar com a compulsão que alivia a ansiedade;
  • O respeito a rituais do portador de TOC pode interferir na dinâmica da família inteira. Por isso, é importante estabelecer o diagnóstico de certeza e encaminhar a pessoa para tratamento;
  • Esconder os sintomas por vergonha ou insegurança é um péssimo caminho. Quanto mais se adia o tratamento, mais grave fica a doença.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/transtorno-obsessivo-compulsivo-toc/

Confira aqui 7 sinais de TOC: o Transtorno Obsessivo Compulsivo

Mania de limpeza pode ser doença

Com certeza você já deve ter ouvido falar sobre o TOC.  Por vezes já dissemos “fulano tem TOC de limpeza” ou, se alguém quer deixar tudo em ordem, também dizemos que ela tem TOC. Mas, simplesmente querer algo organizado, não é necessariamente a presença do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Conheça 7 sinais de TOC!

TOC: Significado

O TOC é uma doença e não uma simples mania. É  a mentalização de regras e obrigações que fazem com que seus portadores obedeçam atos compulsivos, sendo eles físicos ou até mesmo mentais.

O propósito dessa atividade repetitiva é aliviar aansiedade e o incômodo de pensamentos desagradáveis, mas que são constantes.

O TOC tem diferentes tipos, mas é muito importante identificá-lo para assim receber o tratamento adequado. 

Saiba tudo sobre o TOC clicando aqui!

Confira abaixo alguns sinais comuns do TOC:

1- Genética

predisposição genética com possíveis distúrbios nos genes é uma das principais causas do transtorno. Estudos mostram que o TOC é genético, mas não é o fator único ou central. O meio externo, como as infecções, situações estressantes e o estilo de vida do indivíduo também são possíveis vilões que causam o TOC.

2 – TOC e pensamentos obsessivos

O paciente com TOC, quando fixa uma ideia, não se sente completo enquanto não a realiza. Isso vale para qualquer pensamento, seja ele referente à limpeza, organização, ou algum outro que o torne incapaz de pensar em algo que não seja aquele tema que não sai da sua mente.

No TOC com limpeza, a pessoa está sempre preocupada com os germes e bactérias à solta pela casa. Ela se sente paralisada para fazer qualquer outra tarefa, sem antes limpar o que está sujo. 

3. Pensamentos indevidos

Pensamentos de cunho sexuais, violentos ou agressivos tendem a aparecer na mente da pessoa com TOC. Ao ter consciência desses pensamentos, a culpa toma conta, pois eles não são moralmente aceitos, o que inibe e proíbe a realização deles. 

Quando o paciente diagnosticado com o transtorno não consegue aliviar a ansiedade através da realização do pensamento obsessivo, a tensão toma conta e pode dar as caras em pesadelos, estresse e gera ainda mais ansiedade.

4. Organização 

Uma das características mais acentuadas nos sintomas de TOC é a meticulosidade extrema na organização.

Para algumas pessoas com o transtorno, as coisas precisam ser simétricas, paralelas, possuir o mesmo padrão, ter mesmo aspecto, estar ordenado em ordem alfabética ou por cor.

Esses são só alguns exemplos de como a ordem na vida de um indivíduo com TOC pode dar as caras.

É claro que as peculiaridades acerca da organização muda de indivíduo para indivíduo. Então, se você acha que os objetos e coisas em geral na sua vida precisam sempre seguir um padrão, preste atenção se a alteração deles gera algum estresse. As pessoas com TOC geralmente se sentem muito incomodadas quando o padrão é quebrado.

5. Evitar 

Quem tem TOC vive em análise do comportamento, e evitar é o verbo mais comuns no transtorno. Evitar pisar em linhas, evitar encostar as mãos nos objetos, entre outros. A própria atriz americana Cameron Diaz confessou evitar abrir as portas com as mãos com medo das bactérias. Ao invés das mãos, a atriz usa os cotovelos.

6. Aprendizado

Fatores psicológicos também podem corroborar para que o TOC dê as caras. Pessoas que aprenderam de forma errada como lidar com seus medos e ansiedades, podem encontrar nos rituais a segurança e confiança necessárias para conseguirem realizar uma atividade.

7. Estresse e ansiedade

O TOC e ansiedade estão intimamente ligados visto que o TOC não deixa de ser uma ação realizada a partir de um pensamento ansioso.

A obsessão em tudo o que pensa e faz acarreta sérias consequências para o indivíduo que não consegue realizar esses desejos. A ansiedade dobra e o estresse é gerado.

Muitas pessoas com TOC podem, inclusive, se tornar agressivas nesses casos.

Embora muitas vezes tratado como algo engraçado, o TOC é uma doença e precisa ser levado a sério.

O comportamento da pessoa com o transtorno atrasa a vida do paciente e paralisa atitudes que ele gostaria de ter, mas que por conta do problema, não o faz.

Tudo o que nos obriga a ficar estagnado não por vontade própria, e sim por conta de uma enfermidade, deve ter acompanhamento psicológico.

Источник: https://www.telavita.com.br/blog/7-sinais-de-toc/

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