Muco nas Fezes (e outras alterações na aparência)

Fezes claras, secas, escuras, verdes… especialista diz oque elas indicam | Saúde | iG

Muco nas Fezes (e outras alterações na aparência)

Shutterstock Fezes refletem a qualidade da nossa alimentação e estão relacionadas com o tipo de alimento ingerido no dia a dia

Fezes de coloração acastanhada, com formato de salsicha e superfície lisa ou com fendas são consideradas normais por especialistas. Mas e quando isso não acontece? E pior ainda, quando o cocô parece estranho por vários dias seguidos, o que isso quer dizer?

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O iGentrou em contato com o Dr. Roberto Gomes, gastroenterologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, para saber o que as fezespodem dizer sobre a nossa saúde. De acordo com o especialista, o cocô reflete a qualidade da nossa alimentação e, portanto, está relacionado com o tipo de alimento ingerido no dia a dia.

“Além disso, alterações na cor, forma e consistência das fezes podem indicar problemas de saúde como infecções intestinais, hepatite, úlcera gástrica, insuficiência pancreática, dentre outros. O uso de alguns medicamentos também pode interferir no processo de digestão e alterar o aspecto das fezes”, completou o médico. Confira o que ele disse sobre essas alterações:

Fezes esbranquiçadas

“Indicam dificuldade do intestino para digestão de gorduras. Por isso, podem ser indício de alguma doença como infecções intestinais, hepatites, cálculos na via biliar, pancreatite, doença celíaca, dentre outras. Alguns medicamentos utilizados para emagrecer, que atuam diminuindo a absorção de gordura no intestino, também causam esta alteração.”

Fezes verdes

“Indicam que o intestino está funcionando muito rápido e não tem tempo suficiente para digerir corretamente a bile, e, por isso, é normal o surgimento de fezes verdes em situações de estresse, quando se ingere muitos vegetais verdes – como espinafre – ou quando se faz suplementação de ferro (neste caso, coloração verde escura). Também podem ocorrer após consumo recente de antibióticos que reduzem a flora bacteriana normal do intestino.”

Fezes escuras

“Podem indicar sangramento em algum lugar do sistema digestório superior, geralmente no início do tubo digestivo como no esôfago ou estômago, devido a úlceras ou varizes, por exemplo. Neste caso, são geralmente acompanhadas por um odor mais fétido do que o normal. Outro motivo é uso de suplementos de ferro.”

Fezes duras e secas

“ Geralmente, na forma de bolinhas rígidas e difíceis de eliminar, indicam constipação. Podem ser causadas pelo baixo consumo de água e fibras, alterações hormonais, dentre outras causas.”

Fezes moles e aquosas

“Diarreia. Esta consistência pode sinalizar problemas no estômago, intestino, fígado, dentre outros. Má alimentação, com o consumo excessivo de doces e alimentos gordurosos, além do estresse emocional, também são causas comuns.”

Presença de muco

Shutterstock Não pode ter nojo: criar o hábito de olhar para as fezes antes de apertar a descarga pode ser importante para a saúde

“A ocorrência em uma pessoa saudável e com as fezes aparentemente normais não costuma ser sinal de nenhum problema relevante.

Este muco nas fezes é apenas um resquício do muco presente na parede do intestino, cuja função é lubrificá-la para facilitar a passagem do trânsito intestinal.

Portanto, pequenas quantidades de muco podem surgir de forma intermitente nas fezes sem que isso signifique qualquer problema de saúde.

No entanto, se a eliminação de muco for muito frequente e em grande quantidade, pode ser sinal de inflamação intestinal. Neste caso, as possíveis causas incluem gastroenterites infecciosas, doença de Crohn ou retocolite ulcerativa.”

Presença de espuma

“Indica gordura nas fezes, geralmente o cocô flutua na água e tem odor mais fétido. Alterações digestivas e absortivas podem causar o sintoma.

As desordens digestivas se devem a alterações na produção e liberação de enzimas pelo pâncreas ou de bile pelo fígado/vesícula biliar. Já as absortivas são causadas por distúrbios na superfície do intestino delgado.

Podem ser indícios de doenças como: pancreatite crônica, doença celíaca, doença de Crohn, fibrose cística, dentre outras.”

Presença de sangue

“Pode ser provocada por lesões no reto ou ânus, geralmente hemorroidas ou fissura anal. Também pode ser sinal de doença no cólon, como tumores e divertículos. Disenterias causadas por gastroenterites bacterianas também podem provocar fezes sanguinolentas.

Importante não confundir a presença de sangue nas fezes com fezes apenas de coloração avermelhada, que pode ocorrer por consumo de alimentos ou bebidas com corantes de cor vermelha, consumo grande de beterraba, tomate, dentre outros alimentos.”

Outros problemas

Dr. Roberto Gomes explica que restos de comida também podem aparecer no cocô, já que nem tudo que consumimos é facilmente digerido. Exemplo disso é o milho. Entretanto, se é acompanhado de diarreia persistente, perda de peso ou outras alterações no hábito intestinal, é melhor procurar um médico.

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Pessoa infectadas por parasitas também podem notar a presença de pequenas vermes nas fezes. Segundo o especialista, exames fecais podem identificar exatamente o agente.

Frequência

Além dos problemas que podem ser notados pelas fezes, o gastroenterologista explicou também que não há uma regra exata para a frequência de evacuações. “O ideal pode variar de três vezes ao dia a três vezes por semana. Se esse ritmo intestinal mudar ou estiver associado a algum incomodo como dor, aí, sim, vale a pena investigar.”

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Tipos de fezes: O que o cocô pode dizer sobre sua saúde?

Muco nas Fezes (e outras alterações na aparência)

Dar descarga após evacuar é um gesto automático para a maioria das pessoas, mas ter o hábito de observar diariamente as fezes pode auxiliar a identificar alterações no sistema digestivo e até mesmo doenças.

Nesta observação é que começam a surgir as dúvidas: o que pode ser sangue nas fezes, fezes amareladas, fezes em pedaços esfarrapados, fezes em fita, fezes esverdeadas, fezes com catarro (muco)? Qual tipo de fezes é normal? A seguir, vamos falar dos principais pontos a serem observados e as possíveis explicações. 

Dr. Eduardo Usuy Jr, médico gastroenterologista CRM-SC 9514

EVACUAR COM QUAL FREQUÊNCIA É NORMAL?

A frequência das evacuações varia de acordo com a idade e os hábitos de cada pessoa.

O ideal é defecar diariamente, e que haja uma constância, ou seja, se você sempre evacua duas ou três vezes por dia, esse é o seu padrão.

Alterações do tipo de fezes, especialmente na frequência, devem ser investigadas, assim como longos períodos ou repetições de constipação, o famoso “intestino preso”.

Algumas medidas podem melhorar o funcionamento do intestino:

– Aumente a quantidade de fibras na alimentação;

– Ingira mais água, mantenha a urina sempre de cor clara;

– Faça trinta minutos de exercícios físicos diariamente;

– Reduza o estresse, ansiedade e outras alterações emocionais;

– Não adie a ida ao banheiro, evacue sempre que sentir vontade.

QUAIS TIPOS DE FEZES SÃO NORMAIS?

A imagem a seguir nos dá alguns parâmetros para entender melhor o que pode ser considerado normal. Acompanhe. 

Tipos de fezes e seus significados:

– Fezes tipos 1 e 2 indicam trânsito intestinal lento, tendência à constipação e alimentação pobre em fibras.

– Fezes tipos 3, 4 são aceitáveis, sendo o tipo 4 o mais saudável e ideal.

– Fezes tipo 5 pode ser sinal de trânsito intestinal acelerado, alimentação rica em carboidratos e gorduras, merecem atenção principalmente se não apresentarem bordas definidas e boiarem.

– Fezes tipo 6 e 7 são consideradas diarreia, sinais de trânsito intestinal acelerado, prejudicando a absorção de água e nutrientes. Pessoas que apresentam fezes desses tipos devem procurar um médico.

FEZES EM FITA E FEZES FINAS

Fezes em forma de fita ou de segmento fino e longo podem indicar estreitamento ou mal funcionamento da parte final do intestino. As causas podem se várias, de síndrome do intestino irritável até tumores (principalmente se houver sangramento nas fezes). Marque uma consulta médica para investigar, principalmente se esta mudança é recente e persistente.

FEZES AMARELAS, VERDE OU VERMELHAS

O organismo produz uma substância chamada bilirrubina que dá a coloração marrom nas fezes.

Em algumas situações, a passagem do bolo fecal no intestino pode estar acelerado e não há tempo para que as fezes humanas concentrem a cor marrom escura.

Nesses casos, a alimentação fica mais evidente, especialmente se houver grande consumo de vegetais verdes escuros ou vermelhos. Isso pode mudar o tipo de cocô e as fezes podem aparecer com a cor alterada.

FEZES COM SANGUE

Na maioria das vezes, o sangramento vem de veias dilatadas no ânus, chamadas de hemorroidas, mas existem várias outras causas. Esse é um sintoma que sempre deve motivar a marcação de uma consulta com seu médico.

FEZES COM CATARRO OU MUCO

A presença de muco nas fezes é um sintoma comum da síndrome do intestino irritável. Isso ocorre quando o órgão é mais sensível, no entanto, não há risco de doenças graves. Mas também pode significar que há uma inflamação ou infecção no organismo.

Alterações desse tipo nas fezes humanas podem significar uma maior quantidade de secreção normal e pode estar presente independentemente do formato das fezes. O médico poderá prescrever um tratamento específico ou solicitar exames para investigar melhor.

VERMES NAS FEZES

Na maioria das vezes que as pessoas percebem vermes nas fezes, na verdade são fibras e restos de alimentos mal digeridos. Entretanto, as verminoses ou parasitoses intestinais são doenças muito comuns, especialmente em lugares onde há más condições de saneamento básico ou higiene.

Os sintomas podem ser leves e vagos, como desconforto abdominal até intensos, como cansaço e falta de ar por causa de anemia em casos mais graves. O ideal é fazer um exame de fezes específico para identificar o parasita e usar o medicamento específico.

FEZES EM PEDAÇOS ESFARRAPADOS OU ESFARELANDO

Quando a quantidade de água está aumentada ou o ritmo do intestino está acelerado, as fezes podem não ter um formato definido e saírem pastosas ou em pedaços.

Nestes casos, as pessoas percebem as fezes esfareladas, cocô mole ou fezes com pedaços de alimentos.

Se essa alteração durar pouco tempo, a causa pode ter sido uma infeção ou intoxicação passageira ou os alimentos ingeridos podem influenciar na composição das fezes.

Entretanto, se houve uma mudança no tipo de fezes e você percebe um cocô fino, fezes granuladas, fezes porosas, fibrosas picotadas, achatadas, presença de alimentos nas fezes ou pedaços de folhas, e esta alteração persiste, isso ser sinal que precisa de um tratamento. Algumas situações podem se manifestar com esses sintomas: intolerâncias alimentares (comumente à lactose), doença celíaca, doenças inflamatórias intestinais e até câncer de intestino.

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Conheça as 4 doenças mais comuns do intestino – Blog IPEMED

Muco nas Fezes (e outras alterações na aparência)

Gastroenterologia é a especialidade médica que estuda a fisiologia e patologias não apenas do trato gastrintestinal, mas, também, do pâncreas, vesícula, ductos biliares e do fígado. E entre as principais queixas no consultório médico, estão as doenças do intestino.

Ter uma compreensão atualizada da fisiopatologia e tratamento, a fim de manter a digestão e absorção de nutrientes nos pacientes de forma saudável, é fundamental ao gastroenterologista.

Saiba, a seguir, quais sãos as formas mais comuns de apresentações das doenças intestinais e os tratamentos mais atuais preconizados para cada uma delas.

Principais doenças do intestino

Os principais motivos de consulta médica no gastroenterologista são cólicas, distensão, obstrução, dificuldade de evacuar e diarreia. Esses sintomas são comuns a muitas doenças intestinais e saber diferenciá-las e tratar corretamente de acordo com as recomendações e estudos atuais é fundamental ao gastroenterologista.

As principais patologias que afetam o intestino (tanto delgado quanto grosso) e que frequentemente aparecem no consultório, são:

  • doença de Crohn;
  • síndrome do intestino irritável;
  • retocolite ulcerosa;
  • obstipação.

Vamos falar melhor sobre cada uma delas, tendo uma visão crítica do diagnóstico diferencial e tratamentos atualmente prescritos. Acompanhe a seguir!

Patologia

Trata-se de uma doença inflamatória que se manifesta ao longo de todo o trato gastrintestinal, sendo mais comum na porção distal do intestino delgado e do intestino grosso. Acomete desde a mucosa até as camadas musculares das alças.

Etiologia

É uma doença idiopática, ou seja, sua causa ainda não está bem estabelecida, mesmo nos estudos mais recentes. Pode se manifestar com surtos agudos recorrentes intercalados com períodos longos de remissão.

Quadro clínico

  • estomatite;
  • diarreia frequente (com ou sem muco nas fezes);
  • dor abdominal do tipo cólica;
  • emagrecimento;
  • febre.

É possível também a ocorrência de fístulas. Até 30% dos doentes com Crohn tem manifestações no ânus e região perianal. Outras manifestações extraintestinais podem surgir na pele, articulações, olhos e fígado.

Diagnóstico

A colonoscopia com biópsia e avaliação do íleo terminal é o melhor recurso para o diagnóstico da doença — o exame histopatológico do tecido biopsiado pode confirmar. A tomografia de abdome pode ser utilizada na avaliação das fístulas entre alças intestinais.

Tratamentos

O tratamento depende da forma de apresentação da doença e da gravidade. Ele é iniciado, em um primeiro momento, sempre com medicamentos e os corticosteroides são as medicações mais utilizadas atualmente.

Várias outras drogas podem ser associadas com o objetivo de fazer regredir a inflamação dos tecidos, como os aminossalicilatos, os fistulectomia, imunossupressores e a terapia biológica (anticorpos monoclonais). No entanto, alguns casos necessitam de intervenção cirúrgica para tratamento de complicações.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da constipação é essencialmente clínico, não necessitando de investigação complementar específica, podendo ser iniciado o tratamento clínico empírico com o aumento da ingestão oral de fibra vegetal e de água (pelo menos 2 litros ao dia). A melhora do quadro clínico com essas medidas e na ausência de outras alterações confirma o diagnóstico.

O paciente deve ainda ser estimulado a praticar atividade física e, em alguns casos selecionados, ter uma abordagem psicoterápica para complementar o tratamento clínico.

Como você pode perceber, é essencial que todo médico conheça e saiba tratar as doenças do intestino, sendo essas queixas frequentes em consultórios e pronto atendimentos. Se manter sempre atualizado é fundamental, sendo a pós-graduação em gastroenterologia uma excelente opção para adquirir conhecimentos na área e estar apto a diagnosticar e tratar os pacientes.

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Fezes com muco: 7 possíveis causas e quando é perigoso

Muco nas Fezes (e outras alterações na aparência)

O muco é uma substância que ajuda as fezes a se movimentarem pelo intestino, mas que normalmente é produzido em baixa quantidade, o suficiente apenas para lubrificar o intestino e ser misturado nas fezes, não sendo facilmente observável a olho nu no vaso.

Assim, quando se consegue observar um excesso de muco nas fezes, geralmente indica a presença de uma infecção ou outra alteração nos intestinos, como úlcera intestinal ou síndrome do intestino irritável, por exemplo, sendo importante consultar um gastroenterologista para fazer uma avaliação completa e identificar se existe algum problema que precise ser tratado.

1. Intolerância alimentar

As intolerâncias e alergias alimentares, como a sensibilidade à lactose, à frutose, à sacarose ou ao glúten, causam uma inflamação das paredes do intestino quando o alimento entra em contato com a mucosa, gerando um aumento na produção de muco, que pode ser observado nas fezes.

Nestes casos, podem também surgir outros sintomas como inchaço da barriga, diarreia, manchas vermelhas na pele, excesso de gases ou prisão de ventre, por exemplo.

2. Gastroenterite

A gastroenterite surge quando algum tipo de micro-organismo, como uma bactéria ou um vírus, consegue infectar o estômago e os intestinos, causando, além do excesso de muco nas fezes, náuseas intensas, diarreia, vômitos, perda de apetite e dor na barriga.

Normalmente, este tipo de problema surge devido ao consumo de água ou alimentos contaminados, mas também pode acontecer após o uso prolongado de antibióticos, já que as bactérias boas são eliminadas da mucosa intestinal, facilitando o desenvolvimento de outras mais nocivas.

  • O que fazer: em caso de suspeita é importante consultar um gastroenterologista ou um clínico geral, para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado, que pode incluir apenas a reposição de líquidos, mas também pode ser feito com antibióticos, caso se suspeite de uma infecção por bactérias.

3. Intestino irritável

O intestino irritável causa uma inflamação da mucosa intestinal que aumenta a quantidade de muco nas fezes. Embora possa acontecer em todos os casos de síndrome do intestino irritável, o muco é mais comum em pessoas que têm longos períodos de diarreia.

Outros sintomas comuns de quem sofre com intestino irritável incluem excesso de gases, barriga inchada e períodos de diarreia que alternam com prisão de ventre, principalmente durante períodos de muito estresse ou ansiedade.

  • O que fazer: se já existir diagnóstico de intestino irritável, deve-se tentar evitar o excesso de estresse participando em atividades de lazer, mas também fazer uma alimentação mais cuidada, evitando o consumo de café e alimentos com muita gordura ou picante, por exemplo. Se apenas existir suspeita de intestino irritável, deve-se ir ao gastroenterologista para avaliar se realmente é esse o problema, iniciando o tratamento orientado pelo médico.

Confira quais as possibilidades de tratamento para reduzir o desconforto do intestino irritável.

4. Doença de Crohn

A doença de Crohn é uma doença intestinal crônica que provoca a inflamação constante das paredes do intestino, resultando em sinais como muco nas fezes, mas também intensa dor abdominal, febre, diarreia com sangue e fraqueza.

Embora ainda não exista uma causa específica para a doença de Crohn, esta doença pode surgir em qualquer fase da vida, especialmente se existir uma diminuição do sistema imune. Veja quais os sintomas que podem ser sinal de doença de Crohn.

  • O que fazer: geralmente o tratamento para a doença de Crohn inclui alterações nos hábitos alimentares, como controlar a quantidade de fibras ingeridas e reduzir na quantidade de gorduras e produtos derivados do leite. Veja neste vídeo mais dicas sobre como aliviar os sintomas:

5. Obstrução intestinal

A obstrução intestinal acontece quando algo impede a passagem das fezes no intestino. Por isso, as causas mais comuns incluem hérnias, torção do intestino, ingestão de algum tipo de objeto ou até um tumor no intestino.

Nestes casos, o muco é produzido em excesso para tentar empurrar as fezes, que acabam não passando e gerando outros sintomas como inchaço da barriga, intensa dor abdominal, excesso de gases e diminuição da quantidade de fezes.

  • O que fazer: a obstrução intestinal é uma emergência que precisa ser tratada para evitar complicações graves como a dilatação ou rompimento do intestino. Assim, se existir suspeita deste problema, deve-se ir imediatamente ao hospital.

6. Fissura anal

A fissura anal é um problema relativamente comum que consiste na presença de uma pequena ferida na região do reto, que normalmente surge por excesso de movimentos intestinais, o que pode acontecer no caso de diarreia frequente, por exemplo. No entanto, a fissura também pode acontecer nos casos de prisão de ventre, já que o ato de defecar fezes muito duras pode acabar lesionando o esfíncter.

Quando surge, a fissura dá origem a sintomas como sangue vermelho vivo nas fezes, dor ao defecar, muco nas fezes e coceira na região.

  • O que fazer: o mais importante nestes casos consiste em manter uma higiene íntima adequada, mas também se podem fazer banhos de assento para aliviar a dor e passar pomadas para cicatrizar a fissura mais rapidamente. Além disso, deve-se evitar a ingestão bebidas alcoólicas e de comidas com picante e muitos condimentos, dando preferência para uma dieta rica em frutas, verduras e cereais.  Veja alguns exemplos de pomadas usadas no tratamento.

7. Colite ulcerativa

Este é uma alteração intestinal que provoca a presença de úlceras no intestino e a inflamação constante da mucosa. Assim, em pessoas com colite ulcerativa, é frequente que as fezes sejam acompanhadas de sangue, pus ou muco.

Outros sintomas que ajudam a identificar um caso de colite ulcerativa incluem diarreia, dor abdominal muito intensa, lesões na pele e perda de peso.

  • O que fazer: geralmente é recomendado aumentar a ingestão de fibras, através de alimentos como mamão, alface ou grão de bico, por exemplo, para tornar as fezes mais volumosas e menos duras. Além disso, podem ser necessários remédios para aliviar as cólicas abdominais ou até a diarreia. Saiba mais sobre como é feito o tratamento em casos de colite ulcerativa.

Quando o muco nas fezes pode ser perigoso

Na maioria dos casos, o muco nas fezes não é uma situação perigosa, representando quase sempre uma situação fácil de tratar. No entanto, se o excesso de muco surgir associado a outros sintomas como:

  • Fezes com sangue ou pus;
  • Dor abdominal muito intensa;
  • Inchaço abdominal exagerado;
  • Diarreia constante.

É aconselhado ir ao hospital ou marcar um consulta no gastroenterologista, pois pode ser sinal de uma causa mais graves como colite ulcerativa, doença de Crohn ou até câncer.

Источник: https://www.tuasaude.com/muco-nas-fezes/

Síndrome do intestino irritável

Muco nas Fezes (e outras alterações na aparência)

A síndrome do intestino irritável é um distúrbio funcional e um dos distúrbios gastrointestinais mais comuns, sendo uma das principais causas que levam a procurar a consulta de gastroenterologia.

Esta é caracterizada por manifestações e alterações digestivas crónicas como dor abdominal, gases, diarreia e/ou obstipação e inchaço abdominal, sem que haja uma causa identificada. Normalmente, os sintomas surgem na adolescência ou no inico da idade adulta, com uma maior incidência nas mulheres do que nos homens.

Os pacientes com síndrome do intestino irritável tendem a dar mais faltas ao trabalho ou às aulas e a ter uma diminuição na produtividade, apresentando um impacto significativo ao nível da qualidade de vida do doente.

A síndrome do intestino irritável é considerada um distúrbio funcional uma vez que os exames não demonstram nenhuma causa identificável e o diagnóstico depende dos sintomas.

Sintomas na síndrome do intestino irritável

Normalmente os sintomas mais comumente mencionados são alterações na evacuação (alteração na consistência e/ou aparência das fezes e no número de evacuações), como diarreia ou obstipação, comumente chamada “prisão de ventre”, dor abdominal e inchaço abdominal. Associado a estes sintomas podem também surgir manifestações como a digestão lenta, náusea, flatulência (“gases”), presença de muco nas fezes e até manifestações noutros órgãos, como no trato urinário e genital.

Nas mulheres os sintomas tendem a agravar-se durante o período pré-menstrual.

Estes sintomas manifestam-se durante longos períodos de tempo, acabando por ser debilitantes para o doente e tendo um papel debilitador ao nível da qualidade de vida.

Causas da síndrome do intestino irritável

As causas por detrás da síndrome do intestino irritável ainda não estão totalmente identificadas, mas supõe-se que não exista apenas uma causa, mas sim que seja uma condição multifatorial, ou seja, em que existam vários fatores que contribuem para o seu desenvolvimento e agravamento. Alguns dos possíveis fatores associados são fatores ambientais, herdados e psicossociais, como ao nível do sistema nervoso, hipersensibilidade visceral, alterações na mobilidade anormal do trato gastrointestinal, genética e problemas psicológicos, como ansiedade, stress, depressão.

Nos últimos anos tem-se vindo a considerar mais fatores que possam ter um papel influenciador como a “flora intestinal” alterada, como disbiose, gastroenterite bacteriana e a hipersensibilidade alimentar.

Por norma, a síndrome do intestino irritável tem sido considerada sem alterações patológicas demonstradas, no entanto, tem-se vindo a observar, num subconjunto de doentes com síndrome do intestino irritável, inflamação microscópica após gastroenterite.

Diagnóstico da síndrome do intestino irritável

Atualmente, não existe um teste especifico que permita diagnosticar a síndrome do intestino irritável. Estes sintomas podem ser vagos e transitórios, tornando a síndrome do intestino irritável um diagnóstico de exclusão.

O seu diagnóstico é feito com base história clinica, sintomas apresentados e exame do doente, poderão ser necessários exames adicionais, como forma de exclusão para outras patologias.

Posteriormente, o seu diagnóstico é realizado tendo em conta os critérios de Roma IV.

Critérios de Roma IV para a síndrome do intestino irritável são:

Dor abdominal recorrente, pelo menos 1 vez por semana, associada a 2 ou mais dos seguintes critérios:

  1. Relacionados com a defecação;
  2. Mudança na frequência das fezes;
  3. Alteração na forma (aparência) das fezes.

O início dos sintomas deve ocorrer 6 meses antes do diagnóstico, sendo que os critérios devem ser cumpridos nos últimos 3 meses anteriores ao diagnóstico.

Dependendo da forma e da consistência das fezes, a síndrome do intestino irritável é classificada em 4 subtipos.

  • Síndrome do intestino irritável com obstipação – menos de 3 evacuações por semana, fezes duras ou irregulares e esforço para evacuar;
  • Síndrome do intestino irritável com diarreia – mais de 3 evacuações por dia, sensação de evacuar com urgência e fezes aquosas;
  • Síndrome do intestino irritável misto – períodos intercalados de fezes duras com fezes moles e soltas – pode alternar entre horas ou dias
  • Síndrome do intestino irritável não classificado – o padrão de alteração das fezes e não permite classificar num dos subtipos anteriores.

Esta diferença de sintomas que existe, inclusive dentro dos subtipos, dificulta o desenvolvimento de tratamentos eficazes, promovendo uma abordagem direcionada à melhoria dos sintomas.

Tratamento da síndrome do intestino irritável

O tratamento deve ser personalizado ao doente, tendo em conta os sintomas apresentados e os fatores que promovem o seu aparecimento e/ou agravamento.

A nível farmacológico (medicamentos ou remédios), o tratamento é direcionado aos sintomas associados à motilidade intestinal, hipersensibilidade visceral ou problemas psicológicos.

Também o controlo do stress, quando identificado como fator influenciador, possui um papel essencial na melhoria dos sintomas.

Saiba, aqui, tudo sobre stress.

A nível alimentar, a grande maioria dos doentes reporta um aparecimento e/ou agravamento dos sintomas associado à ingestão de alimentos, tendo sido verificado que a ingestão de alimentos pode levar ao aparecimento de sintomas nestes doentes.

A intervenção nutricional deve garantir que haja uma adequação nutricional da deita, com uma adequada ingestão de nutrientes. É essencial adaptar a dieta ao padrão de sintomas dos doentes e explicar o possível papel dos alimentos nos sintomas experienciados.

Esta intervenção deve ocorrer de forma gradual, com revisão dos sintomas, estado nutricional e alimentos consumidos.

A dieta baixa em FODMAPs tem vindo a ser cada vez mais investigada e tem demonstrado resultados positivos na melhoria dos sintomas e qualidade de vida do doente.

Dieta baixa em FODMAPS

A dieta com um baixo teor de FODMAPs (oligossacarideos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis) tem vindo a ser cada vez mais estudada e tem vindo a demonstrar efeitos positivos na redução dos sintomas associados à síndrome do intestino irritável.

O termo FODMAP foi criado em 2005 por um grupo de investigadores da Monash University em Melbourne, Austrália, que propuseram que os alimentos que contêm estas formas de hidratos de carbono podem desencadear e/ou agravar os sintomas.

Os FODMAP são hidratos de carbono de cadeia curta que são mal absorvidos no intestino delgado e fermentados pelas bactérias no intestino grosso promovendo sintomas como gases, dor abdominal e diarreia.

A dieta FODMAP promove uma eliminação ou diminuição dos alimentos que contêm:

  • Excesso de frutose (1);
  • Lactose (2);
  • Frutanos (3);
  • Galactanos (4);
  • Polióis (5).

Estes hidratos de carbono podem ser encontrados nos seguintes alimentos:

1. Excesso de frutose:

  • Frutas: Maçã, pêra, manga, melancia, cerejas, figos, conservas de frutas, sumos de fruta naturais;
  • Legumes: espargos, alcachofra, ervilha torta;
  • Adoçantes: mel, xarope de milho com alto teor de frutose, frutose, agave

2. Lactose:

  • Leite (vaca, cabra e ovelha), iogurtes, gelado, queijos de pasta mole (por exemplo ricota, queijo cottage, queijo creme, mascarpone), leite condensado, alimentos preparados com leite

3. Frutanos:

  • Legumes: alho, cebola, espargos, alcachofra, brócolos, couve de bruxelas, repolho, alho-francês;
  • Cereais: trigo, centeio, cevada;
  • Frutos oleaginosos: pistacho, caju.

4. Galactanos:

  • Leguminosas: feijão, grão de bico, lentilhas, ervilhas e feijão de soja

5. Polióis:

  • Frutas: maçã, damasco, pera, nectarina, pêssego, ameixa, melancia, amora, abacate, cereja;
  • Legumes: couve-flor, cogumelos, ervilhas;
  • Adoçantes: sorbitol, manitol, xilitol, maltitol, isomalte (frequentemente encontrados em gomas, pastilhas e doces com adoçantes artificiais)

As recomendações atuais promovem uma eliminação / redução do consumo de alimentos ricos em FODMAP durante 6 a 8 semanas. Após este período deve-se fazer um reintrodução gradual dos alimentos, permitindo desta forma identificar aqueles que são toleráveis pelo doente.

O objetivo da dieta baixa em FODMPAS é reduzir ou eliminar os sintomas associados à síndrome do intestino irritável, sendo essencial promover uma alimentação com alimentos com FODMAPs mais toleráveis ou com alternativas aos mesmos.

No seguimento desta alimentação podem surgir carências de alguns nutrientes, como ácido fólico, tiamina (vitamina B1), vitamina B6 e cálcio, pelo que o acompanhamento alimentar por um médico ou nutricionista com experiência nesta dieta é essencial.

Esta abordagem não representa uma cura, mas sim uma forma de controlo e melhoria dos sintomas e da qualidade de vida do doente.

Dieta sem glúten – Intolerância ao glúten

Apesar de os efeitos ainda não serem totalmente claros, a intolerância ao glúten tem vindo a ser associada a esta síndrome.

Alguns estudos têm reportado uma melhoria dos sintomas, como a diarreia, dor e inchaço abdominal, após 6 semanas de uma dieta sem glúten. No entanto, alguns dos cereais que contêm glúten contêm também frutanos (um tipo de FODMAP), pelo que tem vindo a ser sugerido que o glúten pode induzir sintomas apenas quando o alimento apresenta um alto teor de FODMAP.

Por outro lado, alguns estudos verificaram que existe uma melhoria dos sintomas com a adoção de uma dieta sem glúten em doentes com os genes HLA-DQ2 ou HLA-DQ8, associados à intolerância ao glúten.

Como tal, doentes com síndrome do intestino irritável e com os genes HLA-DQ2 ou HLA-DQ8 parecem beneficiar da adoção de uma dieta sem glúten.

O acompanhamento alimentar é essencial para um controlo dos sintomas, identificação dos alimentos intolerantes e equilíbrio nutricional, em doentes com síndrome do intestino irritável.

Probióticos

As alterações na flora intestinal (microbiota intestinal) têm vindo a ser sugeridas como um possível fator envolvido na síndrome do intestino irritável, em especial em doentes que desenvolveram sintomas após uma gastroenterite.

Os probióticos (microorganismos vivos) têm vindo a demonstrar efeito no tratamento e melhoria dos sintomas, auxiliando no alívio da dor, inchaço e gases, em doentes com síndrome do intestino irritável.

Caso suspeite que possa sofrer de síndrome do intestino irritável deste distúrbio procure um gastroenterologista e nutricionista com experiência na área, para que possam decidir qual o melhor tratamento para si.

Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/blog/nutricao/intestino-irritavel/

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