O que é a circulação extracorpórea e como funciona

Conheça a ECMO, aparelho que funciona como coração e pulmão artificiais

O que é a circulação extracorpórea e como funciona

Capaz de funcionar como um pulmão e um coração artificiais para pacientes que estão com os órgãos comprometidos a ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) é um equipamento de alta complexidade que, infelizmente, vem crescendo em popularidade em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).

A máquina pode ser usada em pessoas de todas as idades, desde recém-nascidos até idosos, e possibilita substituir a atividade só do coração ou do pulmão, o que vem sendo feito com frequência por causa dos graves problemas respiratórios que a covid-19 traz.

Embora a descrição possa ser semelhante a do ventilador mecânico, a ECMO tem ação mais complexa.

“O respirador não substitui a função do pulmão do paciente, apenas fornece um fluxo de ar para o interior deles. Já a ECMO funciona como um pulmão adicional para pacientes com covid-19 cuja função pulmonar foi muito reduzida, e possibilita que o paciente tenha tempo e condição clínica para se recuperar”, explica Celso Freitas, diretor médico da LivaNova, empresa global de tecnologia médica.

A técnica faz a circulação e a oxigenação artificiais do sangue por meio de uma máquina ligada ao paciente através de cateteres.

O procedimento de alta complexidade é realizado em casos graves nos quais o paciente sofre comprometimento severo pulmonar ou circulatório, que poderiam levar a morte, aumentando as chances de sobrevida.

Quais os principais benefícios que a ECMO oferece?

  • Equilibrar a circulação de maneira rápida e eficaz
  • Dar tempo para o pulmão ou coração se recuperarem
  • Manter o coração e/ou o pulmão funcionando enquanto o paciente trata a causa que o levou ao uso da ECMO
  • Possibilidade de receber hemodiálise ou fazer procedimentos cirúrgicos paralelamente ao uso da máquina

Riscos do uso da ECMO

Hemorragia
“Pode ocorrer por que o sangue deve ser mantido anticoagulado para evitar que coagule na tubulação. Usamos um remédio chamado heparina para prevenir”, explica Carlos Sousa, médico intensivista e líder do time ECMO do Hospital São Domingos, em São Luís (MA).

Sabendo do risco, a equipe treinada acompanha o paciente de perto. Se o sangramento aumenta, a ECMO pode precisar ser interrompida.

Infecção
O risco é comum para todos os procedimentos que requerem tubos no corpo, especialmente dentro de um vaso sanguíneo.

Embolia
Pequenos coágulos ou bolhas de ar podem entrar no sangue dos tubos. Às vezes, podem causar lesão para outras partes do corpo e até mesmo ser fatal.

AVC
A artéria carótida é usada na ECMO que utiliza o vaso sanguíneo veno-arterial. Esta artéria é um dos vasos que levam o sangue para o cérebro. Durante ou após a ECMO, há possibilidade de obstrução dela.

Os riscos a longo prazo não são conhecidos e um aumento da chance de acidente vascular cerebral pode ocorrer quando a pessoa envelhece. Além disso, tanto os sangramentos como as embolias descritas acima podem provocar AVC.

Para quais casos o equipamento é recomendado ou contraindicado?

“Para que o paciente tenha a indicação da ECMO, é necessário que seu quadro seja reversível, já que não é possível deixá-lo na máquina para sempre”, aponta Rafaella Calmon, cardiologista pediátrica e especialista em ECMO do Sabará Hospital Infantil (SP).

As indicações são diversas e devem ser bem avaliadas por uma equipe com treinamento especializado para usar a tecnologia. Entre as mais comuns, estão:

  • Insuficiência respiratória aguda (pela incapacidade de oxigenação do sangue ou do pulmão eliminar o gás carbônico).
  • Recém-nascidos que apresentem problemas no coração ou no pulmão, como a síndrome de aspiração de mecônio, caracterizada pela dificuldade em respirar do bebê que aspirou a matéria fecal estéril denominada mecônio para dentro dos pulmões antes ou perto da ocasião do parto.
  • Pneumonia ou bronquiolite graves.
  • Pós-operatório de cirurgias quando o órgão ainda não voltou a funcionar normalmente.
  • Inflamação ou falha do coração (miocardites).

Entre as contraindicações, os médicos apontam:

  • Crianças com idade gestacional menor do que 34 semanas e peso de nascimento menor do que 200 gramas, já que o equipamento é grande demais para elas.
  • Pacientes que passaram muito tempo em ventilação e já têm danos pulmonares.
  • Coagulopatia grave e/ou hemorragia.
  • Outras anomalias congênitas.
  • Falência múltipla de órgãos.
  • Doenças pulmonares ou cardiovasculares irreversíveis.

Tecnologia ainda não é encontrada na maioria dos hospitais brasileiros

Uma análise feita pelo NATS (Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) aponta que o custo do suporte por meio de ECMO ainda é alto.

“Felizmente, hoje já temos operadoras de saúde se atualizando e cobrindo boa partes dos custos da máquina. No passado, a família assinava uma autorização para o uso do equipamento, por necessidade, sem saber quanto ficaria a conta no final”, afirma Calmon.

De acordo com a médica, em 2009, houve um crescimento no uso dos aparelhos no Brasil pela pandemia da gripe suína. “Agora, com a covid-19, a discussão voltou à tona para incorporá-los cada vez mais.

Apesar de os centros que têm as máquinas já atenderem bem os pacientes, existem várias versões da máquina em outros países que não temos aqui, e queremos mais materiais de qualidade no Brasil”, explica.

Mas para incorporar o tratamento com ECMO aos hospitais, não bastam as máquinas. “A terapia toda é complexa e, por isso, os hospitais precisam de capacidade de intervenção bem avançada e equipes treinadas para operar o equipamento e acompanhar os pacientes”, esclarece Souza.

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/06/17/conheca-o-ecmo-aparelho-que-funciona-como-coracao-e-pulmao-artificial.htm

CEC ou Circulação Extracorpórea: o que é?

O que é a circulação extracorpórea e como funciona

Neste artigo, escrito pelo Cirurgião Cardiovascular Dr. Giani Osni Alves (CRM/SC 4861), da equipe Seu Cardio, você vai saber mais sobre a circulação extracorpórea (CEC) e porque algumas vezes é utilizada na cirurgia cardíaca. Boa leitura!

A circulação extracorpórea, aqui abreviada por CEC, passou e passa por um desenvolvimento multidisciplinar para que as cirurgias cardíacas hoje realizadas possam ser executadas com bastante segurança.

Antes deste recurso, as cirurgias cardíacas intra cavitárias eram realizadas com ajuda de diminutas aberturas no coração e dependiam da utilização do tato dos cirurgiões. Ainda em alguns casos, eram usadas hipotermias corporais totais e um tempo de aproximadamente 8 minutos para essas abordagens.

O uso das propriedades anticoagulantes da heparina e maior entendimento de exames de sangue, gasometrias, etc, propiciou um enorme avanço nesta área.  

Historicamente, em 1882, Von Shoroeder oxigenou sangue borbulhando ar em um reservatório de dispositivo para perfusão de órgãos. Depois, em 1884, após inúmeras tentativas, Von Frey e Grinber conseguiram construir o primeiro oxigenador de membrana. Em 1926, na Rússia, Brukhonenko, desenvolveu uma bomba para impulsionar sangue venoso.

Mas foi em 1951  o registro da primeira CEC para uma cirurgia de retirada de tumor de mediastino, feita por Dogliotti e Constantini. Dois anos após, Gibbom realizou, com sucesso, a correção de uma cardiopatia congênita com CEC.

O que é Circulação Extracorpórea?

Objetivamente, CEC é um dispositivo artificial pelo qual a circulação de sangue do paciente é total ou parcialmente transportada para fora do organismo. Passa por tubos e órgãos artificiais, sendo depois devolvido ao corpo do paciente.

Com isso, conseguimos três objetivos, a saber:

  1. Manter todos os órgãos em plena atividade;
  2. Propiciar um campo operatório imóvel e livre de sangue;
  3. Obter maior tempo para abordagem cirúrgica, com tratamento antes inimagináveis das cardiopatias.

No centro cirúrgico, o paciente que irá fazer uma cirurgia cardíaca com CEC, uma vez estando com o tórax aberto e já completamente anticoagulado, receberá uma ou duas cânulas ditas venosas no átrio  direito (que recebe todo o sangue do organismo) e outra cânula, dita arterial, que será posicionada em uma artéria (femoral ou aorta ascendente geralmente).

Uma vez em CEC, o sangue que chega no átrio direito é desviado do organismo pelas cânulas e chega então num reservatório venoso. Em seguida, ele passa por um dispositivo onde é retirado o gás carbônico, em troca por oxigênio. Esse dispositivo faz a parte correspondente ao pulmão.

A esse nível, existe um controle da temperatura. Através de uma bomba, o sangue retorna ao sistema arterial do paciente. Assim, faz a parte correspondente à bomba miocárdica ou coração, dando retorno ao sangue com a pressão arterial, temperatura e oxigenação necessária ao paciente.

Outras perdas sanguíneas que por acaso ocorram no campo cirúrgico, são captadas por aspiradores que devolvem o sangue ao dispositivo descrito. Assim, fazem com que a perda sanguínea (hemorragia) seja praticamente desprezível durante a CEC.

A CEC no Brasil

O controle da máquina de CEC é feito por um profissional chamado perfusionista, com formação especializada em perfusão. Esse profissional é um dos membros da equipe cirúrgica. Essa atividade profissional é regulamentada pelo Ministério da Saúde, através da portaria número 689, de 01 outubro de 2002.

No Brasil, as primeiras cirurgias cardíacas com CEC datam de 1955,  com Dr. Hugo Felipozzi dando o start com uso desta técnica. Posteriormente, os cirurgiões cardiovasculares Dr.  Zerbini e Dr. Adib Jatene deram início à padronização dos aparelhos e sistematização das técnicas no nosso meio.

Empresas médicas passaram a fabricar dispositivos e materiais totalmente descartáveis e de uso individual. Surgiram também máquinas cada vez mais sofisticadas, fazendo com que as cirurgias cardíacas, juntamente com novas técnicas de preservação miocárdica e técnicas operatórias, contem com muito mais segurança.

Dr. Zerbini definia seu trabalho da seguinte maneira: “… operar é divertido, é um arte, é ciência, e faz bem aos outros.”. Dr Adib Jatene, por sua vez, dizia que nada resistia ao trabalho. Graças à eles, homens de coragem e desbravadores, a cirurgia cardíaca em nosso País atingiu um patamar de excelência, com qualidade reconhecida mundialmente.

Sobre o autor: Dr. Giani Osni Alves (CRM/SC 4861) é cirurgião cardiovascular da equipe Seu Cardio. Possui ampla experiência em cirurgias de cardiopatias adquiridas, congênitas e marcapassos cardíacos.

Источник: https://seucardio.com.br/cec-ou-circulacao-extracorporea-o-que-e/

Nova Circulação Extracorpórea: SOS Cárdio é pioneiro no Brasil

O que é a circulação extracorpórea e como funciona

Publicado em 20 de fevereiro de 2019

A segurança do paciente é prioridade no Hospital SOS Cárdio. E, para proporcionar isso, a equipe de Cirurgia Cardiovascular conta agora com moderno recurso de Circulação Extracorpórea. Trata-se da máquina alemã S5 Heart Lung, utilizada nos grandes centros de cirurgia cardiovascular do mundo, e a primeira do tipo no Brasil.

Abaixo, o Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893), Cirurgião Cardiovascular e Chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital SOS Cárdio, explica o que é a circulação extracorpórea e por que esse recurso é tão importante para a segurança dos pacientes.

Monitorização Ampla

Para que a segurança seja a maior possível, a máquina de circulação extracorpórea não deve apenas oxigenar o sangue e bombeá-lo para o organismo do paciente.

Ela precisa informar a equipe médica – de forma precisa e imediata – sobre uma série de dados como a pressão arterial, a concentração de gases e eletrólitos, dados outros que indicam a perfusão dos tecidos, que traduzem o real estado de saúde do paciente.

Nesse ponto, a nova máquina de circulação extracorpórea do Hospital SOS Cárdio se destaca. O equipamento realiza uma monitorização ampla. Fornece informações muito precisas e faz uma monitorização de todas as variáveis que o paciente pode apresentar.

'Na cirurgia cardíaca, se a máquina de circulação extracorpórea não tiver uma boa monitorização, o tempo pode ser uma fator decisivo para complicações. Porém, quando a equipe conta com uma monitorização ampla, o tempo de circulação extracorpórea é menos decisivo.' – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).

Menor Efeito Inflamatório

Um dos fatores que fazem com que o tempo de circulação extracorpórea seja um problema são os efeitos inflamatórios provocados pelo contato do sangue com o material dos tubos e do oxigenador das máquinas. Aqui, a máquina de circulação extracorpórea adquirida pelo Hospital SOS Cárdio também traz grande benefício.

'Uma vez que o sangue do paciente entra em contato com os tubos e com o oxigenador, o organismo reconhece que aqueles materiais não fazem parte do próprio corpo e ativam respostas inflamatórias.

Estas respostas variam de intensidade de paciente para paciente, e podem ser mais ou menos nocivas, dependendo do caso. Com a nova máquina de circulação extracorpórea, estes efeitos inflamatórios podem ser  reduzidos.' – Dr.

Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).

Cirurgia Minimamente Invasiva

O conceito de cirurgia minimamente invasiva é bastante amplo e não diz respeito apenas ao tamanho da incisão feita durante o procedimento. Ele está sim relacionado com o grau de agressão que o organismo do paciente pode sofrer ao realizar o tratamento cirúrgico.

Por ter um efeito inflamatório reduzido e proporcionar uma ampla monitorização durante a cirurgia cardíaca, a nova máquina de circulação extracorpórea do Hospital SOS Cárdio encaixa-se perfeitamente no conceito de cirurgia minimamente invasiva. Com ela, o tratamento pode ser aplicado sem que haja um grande estresse para o organismo.

Saiba mais sobre a Cirurgia Cardiovascular e outras especialidades atendidas no Hospital SOS Cárdio. Conte conosco para cuidar da sua saúde!

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Источник: https://soscardio.com.br/circulacao-extracorporea/

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