O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?

Grupo Sanfil Medicina | Síndrome das pernas inquietas

O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?

A síndrome das pernas inquietas (SPI) é uma condição em que se sente bastante desconforto nas pernas que surge, por norma, no final do dia quando se está sentado ou deitado. Desencadeia uma vontade de  levantar e mexer. Quando o faz, a sensação de desconforto da síndrome das pernas inquietas desaparece temporariamente.

A síndrome das pernas inquietas pode ocorrer em qualquer idade, e por norma piora com o avançar da idade. A síndrome das pernas inquietas pode causar distúrbios do sono, que levam a sonolência diurna, e dificultam a locomoção.

Existem varias medidas que o próprio pode adoptar e conciliar com algumas  mudanças de estilo de vida que ajudam. Alguns medicamentos também ajudam  pessoas com a  síndrome das pernas inquietas.

Sintomas

Sintomas descritos mais comuns
Os sintomas da síndrome das pernas inquietas  são descritos como sensações  anormais e desconfortáveis nos gémeos, coxas e pés. Estas sensações poderão  ocorrer nos braços, frequentemente descritos como:

  • Formigueiro
  • Arrepio
  • Sensação de puxar
  • Guinadas
  • Comichão
  • Dor
  • Pontadas
  • Moideira
  • Ardor

Por vezes os sintomas, parecem não ter descrição possível. Por norma, as pessoas afectadas não descrevem o sintoma como uma caimbra ou entropecimento. No entanto, todos descrevem  a irresistível vontade de mexer as pernas.

É comum haver oscilações na gravidade dos sintomas, e ocasionalmente os sintomas desaparecem, por alguns períodos de tempo.

Padrões mais reportados
Características comuns da SPI, sinais e sintomas incluem:

  • É desencadeado em repouso. Os sintomas começam por norma, após longos períodos em que esta sentado ou deitado, tal como no carro, avião ou no cinema.
  • Alivio ao mexer-se. Os sintomas da SPI diminuem ao levantar e mover. Existem varias formas descritas para combater a sensação de pernas irrequietas  — esticar-se, sacudir as pernas, andar para trás e para a frente, exercícios ou andar. Este desejo irresistível de mexer as penas, é o que dá ao síndrome das pernas inquietas o seu nome.
  • Os sintomas pioram ao fim do dia. Os sintomas são por norma mas toleráveis durante o dia, e são sentidos principalmente á noite.
  • Espasmos nocturnos nas pernas. A SPI pode estar associado com outra condição, chamada desordem de movimento periódica do membro (PLMD). A PLMD causa causa movimentos involuntários de extensão e flexão das pernas durante o sono  — sem ter consciência do movimento.  Estes espasmos  ou movimento de pontapé, podem ocorrer centenas de vezes durante a noite.  Em caso de SPI grave, estes movimentos involuntários de pontapé, também podem ocorrer quando se esta acordado. A PLMD é comum em pessoas na idade adulta mais avançada, mesmo que não tenham SPI, e nem sempre causa distúrbios do sono. Mais de 4 em 5 pessoas com SPI também sofrem de  PLMD

Quando consultar o medico

Algumas pessoas com a síndrome das pernas inquietas não procuram ajuda médica, por acharem que os sintomas são demasiado difíceis de descrever, ou não serão levados a sério.

Alguns médicos atribuem de forma errada os sintomas a nervosismo, stress, insónias, ou caimbras musculares.

No entanto, a SPI tem vindo a receber, nestes últimos anos, mais atenção dos meios de comunicação social, e da comunidade medica, fazendo com que as pessoas estejam mais atentas e esta condição.

Se pensa que poderá ter SPI, consulte o seu médico.

Causas

Em muitos casos, não existem causas conhecidas para a síndrome das pernas inquietas.  Investigadores suspeitam que a origem desta  condição possa estar num desequilíbrio químico de dopamina no cérebro. Este químico envia mensagens que controlam o movimento muscular.

Hereditariedade
A SPI é hereditária em pelo menos metade das pessoas com SPI, especialmente se a condição começou numa idade ainda muito nova.  Investigadores identificaram sítios nos cromossomas onde podem estar presentes genes de SPI.

Gravidez               
A gravidez  ou mudanças hormonais poderão piorar temporariamente os sinais e sintomas da SPI. Algumas mulheres conhecem os efeitos de SPI pela primeira vez durante a gravidez, especialmente durante o último trimestre. No entanto e para a maior parte dos casos, por norma  os sinais e sintomas da SPI desaparecem  rapidamente após o parto.

Condições relacionadas
Por enquanto a síndrome das pernas inquietas não está relacionada a nenhuma condição médica grave subjacente. Porem, a SPI acompanha por vezes outras condições, tais como:

  • Neuropatia periférica.  Estes danos nos nervos das mãos e pés, é por vezes devido a doenças crónicas tais como a diabetes e o alcoolismo.
  • Deficiência de ferro. Mesmo sem anemia, a deficiência de ferro pode causar ou piorar a SPI. Se existe um historial de hemorragias no estômago ou intestinos, períodos menstruais graves ou perder sangue de forma repetida, poderá haver uma deficiência de ferro.
  • Insuficiência renal. No caso de insuficiência renal, também poderá haver uma deficiência de ferro, e muitas vezes anemia. Quando há uma insuficiência renal, as reservas de ferro no sangue diminuem. Isto, e outras mudanças da química corporal, podem causar ou piorar a SPI.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito ao ouvir a descrição dos sintomas e através de perguntas sobe o historial clínico. Para que o diagnóstico seja positivo para SPI, deverão ser encontrados pelo menos quarto critérios estabelecidos pelo Grupo de Estudo Internacional da Síndrome das Pernas Inquietas:

  • Uma vontade enorme e muitas vezes irresistível de mexer a pernas, normalmente acompanhado por sensações desconfortáveis.  Estas sensações são por norma descritas como formigueiro, arrepio, pontadas, sensação de puxar, guinadas ou comichão
  • Os sintomas começam e pioram quando se esta em repouso, tal como sentado ou deitado.
  • Os sintomas são parcialmente ou temporariamente aliviados com actividade física, tal como caminhar ou alongamentos, enquanto se mantiver activo.
  • Os sintomas são piores durante a noite.

Exames ao sangue ou estudos aos múscolos ou aos nervos, poderão se feitos, de forma a excluir outras causas possíveis para os sintomas.

Para além disso, o seu médico poderá referi-lo a um especialista do sono, para uma avaliação adicional.

Isto poderá requerer  pernoitar numa clínica, onde os médicos irão avaliar de perto os seus hábitos de sono e verificar se tem espasmos nas pernas (desordem de movimento periódica do membro)   — um possível indício de SPI. No entanto, por norma o diagnóstico da SPI não requer um estudo do sono.

Tratamento

Por vezes, ao tratar uma condição subjacente, tal como uma deficiência de ferro ou neuropatia periférica, alivia bastante os sintomas da síndrome das pernas inquietas. Corrigir a deficiência de ferro poderá requerer a toma de suplementos de ferro. Só tome suplementos de ferro com aconselhamento médico, e após fazer análises sanguíneas.

Se a SPI não tem nenhuma condição associada, o tratamento focará em mudanças no estilo de vida, e se isso não for eficaz, medicação.

Terapia medicamentosa
Existem vários medicamentos, sujeitos a prescrição medica, que reduzem o mau estar nas pernas, a maior parte dos quais foram desenvolvidos para tratar outras doenças. Estes incluem:These include:

  • Medicamentos para a doença de Parkinson’s . Estes medicamentos reduzem a quantidade de movimento nas pernas, ao afectar o nível do químico mensageiro dopamina no cérebro. Dos medicamentos estão aprovados pela Administração de Alimentos e Fármacos para o tratamento de SPI moderada a grave, estes são, ropinirole (Requip) e o pramipexole (Mirapex).

Também é comum médico utilizarem outro medicamentos para Parkinson’s, para tratar a síndrome das pernas inquietas, como por exemplo uma combinação de carbidopa e levodopa (Sinemet).

Quem sofre de SPI não corre risco acrescido de desenvolver a doença de Parkinson’s, comparativamente com quem não sofre de SPI.

Os efeitos secundários de curta duração dos medicamentos de Parkinson’s, são por norma ligeiros e incluem náusea, vertigens e fadiga.

  • Medicamentos para a epilepsia. Alguns medicamentos  para a epilepsia, como por exemplo gabapentin (Neurontin), resultam com alguns pacientes com SPI.
  • Opióides. Medicamentos narcóticos, alivíam sintomas moderados a graves, mas podem ser viciantes se consumido em doses altas. Alguns exemplos deste medicamento incluem codeína, oxicodona (Oxycontin, Roxicodone), o medicamento combinado oxicodona e acetaminophen (Percocet, Roxicet), e o medicamento combinado hidrocodona e acetaminofeno (Lortab, Norco,Vicodin).
  • Relaxantes musculares e soníferos. Esta classe da medicação, conhecida como benzodiazepinas, ajuda a dormir melhor de noite. Mas no entanto, estes medicamentos não eliminam as sensações nas pernas, e causam tonturas diurnas. Dos sedativos comuns usados para a SPI, estão incluídos Clonazepan (Klonopin), ), triazolam (Halcion), eszopiclone (Lunesta), ramelteon (Rozerem), temazepam (Restoril), zaleplon (Sonata) and zolpidem (Ambien).

Poderão ser necessárias várias tentativas para encontrar, juntamente com o médico, a medicação certa, na dosagem adequada. O medicamento combinado será o que funciona melhor.

Precauções medicamentosas
Nunca esquecer em relação a medicamentos para tratar a SPI, é que por vezes um medicamento que já tenha funcionado durante uns tempos torna-se ineficaz.

Ou os sintomas começam a regressar cada vez mais cedo durante o dia. Por exemplo, se a medicação for tomada as 20h00, os sintomas poderão voltar às18h00. A isto é chamasse reforço.

O médico poderá fazer a substituição com outro medicamento de forma a combater o problema.

A maior parte dos medicamentos prescritos para tratar a SPI não são recomendados a gestantes. Em vez disso, o médico poderá recomendar técnicas de cuidados de saúde a ter, de forma a aliviar os sintomas. No entanto, se os sintomas forem particularmente incómodos durante o último trimestre, o médico poderá receitar analgésicos.

Alguns medicamentos poderão piorar os sintomas da SPI. Nestes estão incluídos a maior parte do antidepressívos e alguns medicamentos que aliviam a náusea.

O médico poderá recomendar que evite dentro do possível, esse tipo de medicamento.

Contudo, caso seja necessária a toma destes tipos de medicamentos, a sensação de pernas inquietas pode ser contolada ao adicionar medicamentos que tratam essa condição.

Источник: https://www.sanfil.pt/sindrome-das-pernas-inquietas/

Pernas inquietas podem ser sintoma de doença grave, mas tratável

O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?

O nome pode levar a que muitos a desvalorizem, mas quem tem síndrome das pernas inquietas convive de perto com uma doença que põe em causa a sua qualidade de vida. Se não for corretamente diagnosticada e tratada arrasta-se durante anos, levando consigo a saúde de quem dela sofre.

Imagine que todas as noites, quando se prepara para dormir, começa a sentir nas pernas uma forte dormência, um intenso ardor ou formigueiro, sendo que este incómodo só passa depois de as mexer.

Como é fácil de compreender, estes sintomas ao longo de uma noite – e de muitas noites durante uma vida – acabam por ter um efeito devastador em quem padece desta doença.

A 23 de setembro assinala-se o Dia da Síndrome das Pernas Inquietas e a data serve para sensibilizar a comunidade médica e a população em geral para uma patologia ainda pouco conhecida.

De acordo com Joaquim Ferreira, professor de Neurologia e Farmacologia Clínica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e investigador no Instituto de Medicina Molecular, em causa está “uma doença neurológica crónica” e sobre a qual ainda não se sabe muito.

Por exemplo, “desconhece-se porque é que algumas pessoas a desenvolvem e outras não”. Em relação aos sintomas, refere que se trata de “um quadro clínico caracterizado por um desconforto inespecífico nas pernas”.

Desde logo, “o desconforto pode ter várias características, podendo ser uma dormência, um ardor ou um formigueiro incómodo, que se faz sentir predominantemente à noite e quando as pessoas se deitam, ou seja, sobretudo quando as pernas estão em repouso e num ambiente contido”.

Além disso, “quando as pessoas se levantam e andam, esse desconforto tende a desaparecer”, explica o também diretor clínico do Campus Neurológico Sénior, em Torres Vedras e Lisboa.

Doença muito frequente

Segundo o especialista, esta “é uma doença muito frequente na população em geral, encontrando-se subdiagnosticada”. Isto significa que “muitas pessoas têm a doença sem saber, podendo andar durante anos com diagnósticos diferentes e a serem seguidas em especialidades que não a sabem diagnosticar”.

Embora não exista informação acerca da prevalência em Portugal, podemos recorrer aos dados disponíveis para países vizinhos, como Espanha ou França. De acordo com Joaquim Ferreira, os números sugerem que provavelmente cerca de 10%, ou mais, da população tenha síndrome das pernas inquietas.

Extrapolando para a população portuguesa, “significaria que um milhão, ou mais, de portugueses sofreria desta doença”, contabiliza. Ainda assim, o médico deixa claro que “não há um milhão de portugueses com síndrome das pernas inquietas grave a ponto de se justificar a ida ao médico e respetivo tratamento”. Antes acredita que tal situação ocorrerá em 1% a 1,5% da população portuguesa.

“Mas mesmo que seja 1%, tal corresponderia a 100 mil pessoas, o que já seria um número muito elevado”, acrescenta.

Mas, afinal, se estes doentes não se encontram diagnosticados, onde andam e em que especialidades estão a ser seguidos? Esta pergunta tem sido feita por diversos investigadores e as respostas revelam bem o desnorte e a falta de apoio que muitos sentem, alguns ao longo de anos.

Baseado em pesquisas feitas noutros países, Joaquim Ferreira revela que antes de a síndrome das pernas inquietas lhes ser diagnosticada é frequente que “sejam detetadas varizes nos membros inferiores e por isso sejam seguidos por cirurgiões vasculares; ou há uma dor que estará relacionada com uma hérnia discal e frequentemente são tratados por ortopedistas ou neurocirurgiões, e alguns são até operados à coluna de forma a melhorar esta queixa; há ainda um grupo de doentes com diagnóstico de fibromialgia, os quais são seguidos pelos médicos de família ou por reumatologistas”.

Qualidade de vida muito prejudicada

Escusado será dizer que, sem diagnóstico correto e tratamento adequado, a qualidade de vida destas pessoas é profundamente afetada. “Pode ser extremamente grave, ou seja, o desconforto pode ser tão grande que há pessoas que passam décadas com noites horríveis e sem terem um diagnóstico formal”.

O impacto dá-se sobretudo ao nível da qualidade do sono, já que este apresenta um padrão “muito fragmentado”, esclarece o especialista. “As pessoas não conseguem descansar e passam as noites acordadas, levantadas ou noutras posições”, sublinha, reforçando que “os sintomas surgem antes de adormecer”.

Por esta razão, as consequências da doença fazem-se sentir “durante a noite, porque não dormem, e também no dia seguinte, devido à grande sonolência, cansaço e exaustão”, reforça.

Entre as pessoas que sofrem desta patologia não são poucas as que “desenvolvem quadros de ansiedade e depressão como consequência do desconforto da doença”, esclarece o neurologista.

Isto mesmo foi corroborado recentemente num estudo levado a cabo por investigadores da Universidade da Pensilvânia, EUA, segundo o qual indivíduos com síndrome das pernas inquietas apresentam quase três vezes mais risco de suicídio ou de automutilação do que os que não têm aquela doença.

A piorar a situação está o facto de “os médicos tenderem a desvalorizar a situação, porque não sabem o que é, o que torna tudo mais angustiante”. “O próprio nome acaba por levar à desvalorização da doença”, constata, reforçando que “algumas pessoas chegam à consulta muito mal”.

Quem é mais afetado?

A síndrome das pernas inquietas afeta igualmente homens e mulheres, mas as formas moderadas a graves são mais frequentes no sexo feminino. A doença começa a manifestar-se na fase de adulto jovem, tendendo a aumentar ligeiramente o desconforto com a idade. Todavia, a evolução “é muito variável de pessoa para pessoa”.

Embora não haja nenhum gene associado a esta síndrome, verifica-se uma tendência familiar para o seu desenvolvimento. Isto significa que é comum que quem sofre desta patologia tenha alguém na família com o mesmo problema.

Por outro lado, há também quem desenvolva esta doença como consequência de outras situações, nomeadamente, gravidez, alterações neurológicas dos nervos periféricos (neuropatias), anemia, alterações renais e como efeito secundário de determinados medicamentos.

Como prevenir?

Em relação às formas primárias da síndrome das pernas inquietas, isto é, as que não têm uma causa identificada, “não há nenhum tipo de prevenção possível”.

Já no que diz respeito às formas secundárias, ou seja, as que resultam de outras situações, Joaquim Ferreira realça a necessidade de “os médicos estarem atentos ao facto de alguns medicamentos poderem dar origem a este tipo de sintomas e, se isso acontecer, alterarem a medicação”.

Tratamento com enorme eficácia

A boa notícia é que esta doença tem tratamento e, quando são usados os medicamentos adequados, “a melhoria é enorme e o grau de satisfação dos doentes também”. O especialista destaca que “alguns destes fármacos são também usados no tratamento da doença de Parkinson, mas as patologias não estão relacionadas, é só mesmo a coincidência de o mesmo composto melhorar as duas doenças”.

Ainda que sejam extremamente eficazes, os fármacos disponíveis “apenas melhoram os sintomas, ou seja, não fazem a doença desaparecer, pois não há cura conhecida”. Todavia, “para os doentes é quase como se renascessem, porque de repente passam a dormir noites seguidas, o que para eles é algo indescritível”.

Para fazer o diagnóstico, Joaquim Ferreira refere que “basta o interrogatório do médico, saber reconhecer os sintomas e observar o doente, não sendo preciso nenhum exame clínico”.

Devido à necessidade de movimentar as pernas com frequência, algumas tarefas tornam-se quase impossíveis. Entre as pessoas com síndrome das pernas inquietas encontram-se as que:

  • Têm dificuldade em fazer longas viagens;
  • Nos aviões, passam o tempo todo a andar no corredor;
  • No cinema ou noutros espetáculos, ficam no corredor por forma a poderem ir cruzando as pernas sem incomodar quem está ao lado;
  • Assim que se deitam, sentem uma necessidade indescritível de mexer as pernas – desconforto que é descrito com frequência como “alfinetadas”, “comichão no interior das pernas” ou “pernas que se querem mexer sozinhas”. O incómodo só passa depois de se movimentar as pernas.

Dia 23 de setembro é a data escolhida para assinalar o Dia da Síndrome das Pernas Inquietas, porque foi neste dia que nasceu, em 1907, Karl-Axel Ekbom, o neurologista sueco a quem se deve a primeira descrição clínica detalhada desta doença, em 1945. Por esta razão, a patologia é também designada por doença de Willis-Ekbom.

Источник: https://www.advancecare.pt/pt-pt/para-si/blog/artigos/pernas-inquietas-podem-ser-sintoma-de-doenca-grave-mas-tratavel

O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?

O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?

  • O que é a síndrome das pernas inquietas: a síndrome das pernas inquietas é uma doença de origem neurológica na qual o paciente sente uma incontrolável necessidade de movimentar as pernas.
  • Principais causas: deficiência de ferro, insuficiência renal, diabetes mellitus de longa data e doenças neurológicas são as principais causas. Na metade dos pacientes, porém, a origem é genética e não há outras doenças associadas.
  • Sintomas: o principal sintoma é um desejo incontrolável de mexer as pernas, geralmente provocado por uma sensação de desconforto, que costuma ser descrito como agonia, inquietação, incômodo ou tensão nas pernas. Movimentos involuntários dos membros durante o sono também é muito comum.
  • Tratamento: apesar de não haver cura para os casos mais graves, é possível haver remissão espontânea nos casos leves e intermitentes. Na maioria dos casos crônicos, o tratamento com reposição de ferro, exercícios físicos e fármacos, como os agonistas dopaminérgicos, costuma apresentar boa resposta.

A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição de origem neurológica na qual o paciente sente um inexplicável desconforto e uma incontrolável necessidade de movimentar as pernas.

Esses episódios costumam ocorrer no final da tarde ou à noite, enquanto o paciente encontra-se sentado ou deitado. A mudança de posição e a movimentação das pernas alivia o desconforto temporariamente. Os sintomas são comuns durante o sono ou quando o paciente encontra-se inativo por muito tempo.

Durante o sono, o paciente com síndrome das pernas inquietas também pode apresentar uma condição chamada movimentos periódicos dos membros durante o sono, caracterizada por movimentos repetidos e estereotipados dos membros inferiores, que surgem, em média, a cada 40 segundos e duram apenas cerca de 2 a 4 segundos.

A síndrome das pernas inquietas acomete até 15% da população, mas muitos casos não são diagnosticados. É frequente encontramos pacientes que só foram devidamente diagnosticados mais de 10 ou 20 anos depois do surgimento dos sintomas.

A doença de Willis-Ekbom pode surgir em qualquer idade, mas ela é mais mais comum nos adultos após os 40 anos.

Fatores de risco

Nem todos os pacientes, porém, apresentam história familiar positiva. Nestes, a síndrome das pernas inquietas costuma ser provocada por outras doenças ou condições. As mais importantes são:

Existe também a doença de Willis-Ekbom de origem primária, que surge sem uma causa definida e sem que o paciente tenha história familiar.

Movimentos periódicos dos membros durante o sono

A síndrome das pernas inquietas e os movimentos periódicos durante o sono podem atrapalhar o sono do paciente, provocando insônia, privação do sono, sonolência intensa durante o dia, distúrbios de ansiedade e até depressão.

Os movimentos periódicos durante o sono se caracterizam por movimentos involuntários dos membros inferiores que surgem de forma regular e estereotipada, durando cerca de 1 a 10 segundos e em ciclos com intervalo máximo de até um minuto e meio (média de 20 a 40 segundos) entre cada movimento.

Medicamentos mais indicados

As drogas mais utilizadas são os agonistas da dopamina, havendo preferência por aqueles que têm uma meia-vida mais longa (quatro a seis horas), como pramipexol, ropinirol ou rotigotina. A levodopa é uma opção menos eficaz, pois sua meia-vida é mais curta (90 minutos). Este fármaco costuma ser usado apenas nos pacientes com sintomas mais brandos e pouco frequentes.

A gabapentina e a pregabalina também são medicamentos eficazes e podem ser usadas como primeira opção de tratamento farmacológico.

Nos pacientes com sintomas pouco frequentes, o clonazepam pode ser usado.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/neurologia/sindrome-das-pernas-inquietas/

Síndrome das pernas inquietas: sintomas, tratamentos e causas

O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?

Síndrome das pernas inquietas é uma condição em que a pessoa tem uma vontade incontrolável de mexer as pernas e as move involuntariamente. Normalmente esse movimento ocorre principalmente quando a pessoa está dormindo, atrapalhando a qualidade do seu sono.

Causas

Não se sabe ao certo qual é a causa da síndrome das pernas inquietas, alguns especialistas suspeitam que esteja relacionada com algum desequilíbrio da dopamina no cérebro, que manda as mensagens que controlam os movimentos musculares do corpo.

As causas da síndrome das pernas inquietas estão mais relacionadas, na verdade, aos fatores de risco.

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Fatores de risco

Entre os fatores de risco para a síndrome das pernas inquietas, temos:

  • Hereditariedade, no caso, ter alguém da família que desenvolveu a síndrome das pernas inquietas após os 40 anos de idade
  • Gravidez, já que mulheres grávidas costumam apresentar a síndrome, que em geral passa após o nascimento
  • Doenças crônicas, como diabetes, doenças renais, doença de Parkinson ou neuropatia periférica
  • Privação de sono
  • Uso de álcool ou cafeína
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Uso de algumas medicações para doenças psiquiátricas
  • Anemia
  • Processo de retirada de um sedativo

Sintomas de Síndrome das pernas inquietas

O principal sintoma da síndrome das pernas inquietas é a vontade de manter esses membros em movimento. Os sintomas em geral incluem:

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  • Começar a sentir a urgência em movimentar as pernas quando se está deitado ou sentado com as pernas endireitadas
  • Perder essa vontade quando se faz algum movimento intencional com as pernas, como alongá-las, sacudi-las, cruzá-las ou começar a andar
  • Sentir piora dos sintomas a noite
  • Ter crises de movimentos periódicos das pernas durante o sono, um outro quadro que faz com que a pessoa chute e movimente as pernas a noite toda, enquanto dorme

Além dessas características, pessoas com síndrome das pernas inquietas também costumam ter sensações estranhas nas pernas, pés ou mesmo nas laterais do corpo e até nos braços, em alguns casos. As sensações costumam ser diferentes de uma câimbra ou dormência e costumam se caracterizar como:

  • Formigamento
  • Arrepios
  • Fisgadas
  • Latejar
  • Dores
  • Queimações
  • Comichões

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Buscando ajuda médica

Muitas pessoas convivem com a síndrome das pernas inquietas sem saber ou dar atenção ao problema, pois não as incomoda. O ideal é buscar ajuda médica quando os sintomas da síndrome das pernas inquietas não parecem passar e atrapalham a qualidade do seu sono e desempenho das tarefas diárias.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar uma síndrome das pernas inquietas são:

  • Clínico geral
  • Neurologista

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Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

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  • Você sente uma vontade irresistível de balançar as pernas?
  • Que palavras descrevem as sensações que você tem nas pernas?
  • Seus sintomas começam quando você está sentado ou deitado?
  • Seus sintomas pioram durante a noite?
  • Movimentar as pernas ajuda você a se sentir melhor?
  • Já lhe disseram que você movimenta as pernas, treme ou chuta durante a noite?
  • Você tem problemas em adormecer ou em permanecer dormindo?
  • Você se sente cansado ao longo do dia?
  • Alguém da sua família tem pernas inquietas?
  • Quanto de cafeína você consome ao dia?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para síndrome das pernas inquietas, algumas perguntas básicas incluem:

  • Qual é a causa mais provável dos meus sintomas?
  • Quais são as causas possíveis?
  • Que exames eu preciso fazer?
  • Quais os tratamentos disponíveis para essa condição?
  • Eu tenho outras condições de saúde, como posso manejar todas juntas?
  • Que cuidados posso ter para melhorar minha condição?

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Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Síndrome das pernas inquietas

O Grupo Internacional de Estudos da Síndrome das Pernas Inquietas estabeleceu os seguintes critérios de diagnóstico para o problema:

  • Ter desejo forte e por vezes irresistível de mover as pernas, normalmente acompanhado de uma sensação desconfortável nesses membros
  • Sintomas que começam ou pioram quando se está em descanso, como sentado ou deitado
  • Sintomas aliviados parcialmente ou temporariamente por atividades como alongamento ou caminhadas
  • Sintomas que pioram a noite
  • Sintomas que não podem ser explicados por nenhuma outra condição física ou mental

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O medico irá conduzir exames físicos e deve pedir por exames neurológicos, para confirmação do diagnóstico de síndrome das pernas inquietas. Entre eles há a eletromiografia, em que agulhas são colocadas no músculo problemático e ela funcionará como um eletrodo, verificando a atividade elétrica durante as contrações musculares.

Outro exame comum é de velocidade de condução do nervosa, em que uma corrente elétrica fraca é usada para estimular os nervos, e é medido quanto tempo eles levam para responderem a esse impulso.

Testes devem ser pedidos para verificar se há outras possíveis causas para o problema, como exames de sangue, principalmente para verificar os índices de ferro no sangue (que podem denunciar uma anemia).

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Algumas doenças podem ter sintomas que se assemelham à síndrome das pernas inquietas, entre elas:

Caso o paciente também apresente sintomas de movimentos periódicos das pernas durante o sono, poderá ser encaminhado a um especialista em medicina do sono, que poderá conduzir um exame de polisonografia. Nele, o paciente é monitorado durante a noite toda de sono por um aparelho que mede atividade cerebral, batimentos cardíacos, respiração, atividade muscular e movimentos dos olhos.

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Tratamento de Síndrome das pernas inquietas

Muitas vezes a síndrome das pernas inquietas é resolvida com o tratamento da doença subjacente que está causando o problema, como a anemia ou a neuropatia.

Caso não haja nenhuma condição associada ao quadro de síndrome das pernas inquietas, existem tratamentos focados em mudanças de hábitos ou medicamentos.

Entre as mudanças de hábitos que podem amenizar ou mesmo solucionar os sintomas da síndrome das pernas inquietas, encontramos:

  • Banhos mornos e massagens, que relaxam os músculos
  • Tratamento com quente e frio, para reduzir as sensações nas pernas
  • Técnicas relaxantes, como ioga ou meditação, para redução do estresse, que pode agravar os sintomas do problema
  • Higiene do sono, pois a fatiga pode piorar os sintomas da síndrome. Veja dicas para dormir melhor aqui
  • Exercícios regulares e moderados que envolvam também alongamentos, feitos sob orientação de um educador físico, podem melhorar os sintomas também
  • Redução no consumo de cafeína, como reduzindo o café, chás, refrigerantes e chocolates

Não existem medicamentos feitos diretamente para o tratamento da síndrome das pernas inquietas. No entanto, alguns medicamentos desenvolvidos para o tratamento de outras doenças tem se mostrado eficazes para o problema. Entre eles:

  • Medicamentos que aumentam dopamina no cérebro
  • Drogas que mexem nos canais de cálcio
  • Opiódes, que no entanto podem causar vício se usados em grandes quantidades
  • Benzodiazepinas, categoria que engloba alguns relaxantes musculares e remédios para dormir

Porém, alguns medicamentos que fazem efeito no começo do tratamento podem se tornar ineficazes com o tempo.

Algumas drogas usadas para a síndrome das pernas inquietas também são contraindicadas na gravidez, nessa fase as mudanças de hábitos ajudam a controlar melhor o problema.

O uso de antidepressivos e antipsicóticos pode piorar os sintomas da síndrome das pernas inquietas, por isso, se você usa essas medicações, converse com seu médico.

Medicamentos para Síndrome das pernas inquietas

Os medicamentos mais usados para o tratamento da síndrome das pernas inquietas são:

  • Clonazepam
  • Clopam
  • Rivotril

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Complicações possíveis

Apesar de a síndrome das pernas inquietas ser um quadro simples e que muitas vezes não causa problemas, casos mais severos podem resultar em depressão e atrapalhar o cotidiano do paciente. Além disso, pessoas que desenvolvem o problema durante a noite ou tem movimentos periódicos das pernas durante o sono podem ter problemas como insônia ou noites mal dormidas.

Referências

International Restless Legs Syndrome Study Group

Clínica Mayo

Manual Merck

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/sindrome-das-pernas-inquietas

Síndrome das pernas inquietas « Ada

O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?

A síndrome das pernas inquietas é uma condição que envolve o sistema sensorial. As pessoas com essa síndrome sentem sensações estranhas, desconfortáveis ​​em suas pernas ou que lhes dão um forte desejo de se mover.

A síndrome das pernas inquietas torna-se mais comum com a idade, e tende a afetar mais mulheres do que homens. Embora a causa não seja bem compreendida, em alguns casos, a causa pode ser um medicamento ou uma condição médica. Em geral o diagnóstico se baseia nos sintomas.

O tratamento para a síndrome das pernas inquietas pode envolver medidas de curto prazo, mudanças de estilo de vida e medicação, os quais podem melhorar sintomas imediatos ou ajudar a reduzir a frequência dos sintomas.

O prognóstico após o diagnóstico da síndrome varia de sintomas leves, fáceis de controlar​, até sintomas graves que continuam a piorar com o tempo.

Riscos

Síndrome das pernas inquietas é uma condição que afeta o sistema sensorial. Sinais sensoriais são enviados das pernas para o cérebro, embora não haja nenhuma causa para eles.

A causa da síndrome das pernas inquietas não é conhecida, mas acredita-se que baixos níveis de uma substância química chamada dopamina no sistema de mensagens do cérebro possa ser responsável. Cerca de metade das pessoas com síndrome das pernas inquietas têm um membro da família com a condição, portanto, pode haver uma causa genética.

Medicamentos antidepressivos e anti-histamínicos podem causar a síndrome das pernas inquietas e piorar os sintomas em alguém que já tenha sido diagnosticado com essa condição.

Algumas outras condições também estão associadas com a síndrome das pernas inquietas, tais como deficiência de ferro, gravidez, esclerose múltipla, doença de Parkinson e insuficiência renal. A síndrome das pernas inquietas se torna mais comum com a idade, e tende a afetar mulheres mais frequentemente do que os homens.

Prognóstico

O prognóstico após um diagnóstico de síndrome das pernas inquietas pode variar de pessoa para pessoa. Algumas pessoas respondem bem ao tratamento e seus sintomas vão desaparecendo ao longo do tempo.

Pessoas que têm sintomas frequentemente ou severos, estes poderão ser difíceis de controlar e até piorar com o tempo. Os portadores da síndrome das pernas inquietas têm um maior risco de desenvolver pressão alta e doenças cardíacas ao longo da vida.

Por isso, é importante que essas condições médicas sejam tratadas juntamente com a síndrome das pernas inquietas.

Источник: https://ada.com/pt/conditions/restless-legs-syndrome/

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