O QUE É A SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO?

O QUE É A SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO?

O QUE É A SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO?

A síndrome do coração partido, também conhecida como miocardiopatia de takotsubo ou miocardiopatia de estresse, é uma doença do músculo cardíaco que pode surgir de forma súbita após uma situação de intenso estresse emocional ou físico.

A miocardiopatia de takotsubo pode surgir até em pessoas previamente saudáveis. Apesar de ser uma lesão transitória do músculo cardíaco, com duração média de 7 a 30 dias, ela pode ser grave o suficiente para levar o paciente ao óbito.

O que é uma miocardiopatia?

O coração é um órgão composto primordialmente por músculos e vasos sanguíneos. O que chamamos de batimento cardíaco é simplesmente a contração sincronizada do miocárdio, que é o nome que damos aos músculos que compõem os ventrículos e átrios do coração.

As doenças do miocárdio, ou seja, as doenças do músculo cardíaco, são chamadas de miocardiopatias. A síndrome do coração partido é uma das diversas formas formas existentes de miocardiopatia (existem miocardiopatias de origem inflamatória, alcoólica, isquêmica, hipertensiva, nutricional, etc).

Quando o coração encontra-se com a musculatura fraca, ele perde a capacidade de bombear o sangue adequadamente, levando a um quadro que é chamado de insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – Causas e Sintomas). Portanto, um paciente com uma miocardiopatia apresenta os sintomas típicos de um coração fraco e insuficiente.

A miocardiopatia de takotsubo foi descrita pela primeira vez em 1990, no Japão. Desde então, esta forma de miocardiopatia tem sido cada vez mais reconhecida em todo o mundo.

Takotsubo é o nome de um jarro utilizado no Japão como armadilha para capturar polvos.

 Essa forma de miocardiopatia recebeu o nome takotsubo porque o ventrículo esquerdo dos pacientes apresenta ao formato dilatado, semelhante ao do jarro japonês.

Já os nomes síndrome do coração partido ou miocardiopatia de estresse advêm do fato da doença surgir tipicamente após uma situação de grande impacto emocional ou físico. As principais causas serão explicadas mais à frente.

A síndrome do coração partido é uma doença que surge com muito mais frequência em mulheres e em pessoas idosas. Cerca de 90% dos casos ocorrem no sexo feminino e a média de idade dos pacientes é de 66 anos.

Indivíduos com histórico de doenças neurológicas ou psiquiátricas parecem ter maior risco de desenvolverem essa doença cardíaca, porém, a maior parte dos pacientes que apresentam a síndrome do coração partido é composta por pessoas que não tinham nenhuma doença grave prévia.

Causas

A causa exata da síndrome do coração partido ainda não está bem esclarecida.

Também não sabemos por que a doença acomete preferencialmente mulheres após a menopausa, nem por qual motivo a musculatura cardíaca do ápice e da parte central do ventrículo esquerdo são as regiões tipicamente acometidas.

Imagina-se que uma onda de hormônios do estresse, como a adrenalina, liberados em momentos de elevado estresse possa ser a causa desta miocardiopatia.

A teoria mais aceita é a de que o excesso de hormônios do estresse possam levar a uma difusa e temporária constrição das artérias do coração, provocando uma isquemia do músculo cardíaco e um quadro clínico semelhante ao infarto agudo do miocárdio.

A diferença é que na miocardiopatia de takotsubo as artérias do coração não estão entupidas por placas de aterosclerose. Quando o paciente é levado para o cateterismo cardíaco (cineangiocoronariografia), nenhuma lesão obstrutiva é encontrada nas artérias coronárias (leia: CATETERISMO CARDÍACO – Angioplastia com Stent).

A síndrome do coração partido é muitas vezes precedida por um intenso evento físico ou emocional. Esses eventos não precisam ser necessariamente ruins, uma idosa pode desenvolver miocardiopatia por estresse ao descobrir que ganhou milhões na loteria.

Alguns gatilhos conhecidos da miocardiopatia de takotsubo são:

  • Notícias de uma morte inesperada de um ente querido.
  • Uma notícia muito triste, como diagnóstico de câncer avançado em uma familiar próximo.
  • Violência doméstica.
  • Perda súbita e inesperada de grande quantidade de dinheiro.
  • Ganhar na loteria.
  • Discussão intensa com alguém.
  • Festa surpresa.
  • Divórcio.
  • Perda do emprego.
  • Acidente de carro.
  • Cirurgias de grande porte.
  • Grave ataque de asma.
  • AVC.

É importante destacar que apesar de comum, nem todo o quadro de miocardiopatia de takotsubo está diretamente ligado ao evento estressante. Em cerca de 1/3 dos pacientes, não conseguimos identificar nenhum fator desencadeante.

Sintomas

O quadro clínico da síndrome do coração partido é muito parecido com o do infarto agudo do miocárdio (leia: SINTOMAS DO INFARTO E ANGINA). Dor no peito e falta de ar são os sintomas mais comuns. Outros sinais e sintomas frequentes são a hipotensão, síncope, sopro cardíaco e arritmias cardíacas.

Cerca de 10% dos pacientes desenvolvem choque cardiogênico, com hipotensão grave, redução do estado de consciência e edema pulmonar (leia: EDEMA PULMONAR AGUDO – Sintomas, Causas e Tratamento). São estes os pacientes com risco de evoluírem para o óbito.

Assim como ocorre nos pacientes com infarto agudo do miocárdio, a miocardiopatia por estresse também costuma provocar alterações no eletrocardiograma típicas de isquemia coronária e alterações no valor da troponina, que é atualmente o principal exame de sangue utilizado para o diagnóstico do infarto.

O ecocardiograma ajuda a mostrar áreas do ventrículo esquerdo com má capacidade de contração, um sinal que costuma estar presente também no infarto agudo.

Portanto, como os sintomas e os exames laboratoriais costumam corroborar com a hipótese de infarto, a maioria dos pacientes acaba sendo levada para o cateterismo cardíaco de urgência.

 Como já referido, porém, o exame mostra que esses pacientes não apresentam sinais de obstrução das artérias coronárias, descartando o infarto como causa dos sintomas.

É nesse momento que o médico começa a pensar na hipótese da miocardiopatia por estresse.

Tratamento

Não existe um tratamento específico para a miocardiopatia de takotsubo. Em geral, o tratamento é apenas de suporte, voltado para os sintomas, até que o músculo cardíaco tenha tempo suficiente para se recuperar, o que costuma levar de 1 a 4 semanas.

Em geral, os medicamentos usados são os mesmos da insuficiência cardíaca, com destaque para os diuréticos e os inibidores da ECA.

A taxa de mortalidade da síndrome do coração partido é baixa, sendo menor que 5%. A imensa maioria dos pacientes consegue ter uma recuperação total do funcionamento cardíaco após algumas semanas.

O fato de uma pessoa ter tido um episódio de miocardiopatia de takotsubo após um evento estressante não significa que ela terá outro quadro semelhante, caso seja exposta a um novo episódio de intensa emoção. Na maioria dos casos, a síndrome do coração partido é um evento único na vida do paciente.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/cardiologia/sindrome-do-coracao-partido/

Estudo vai criar registro nacional da síndrome do coração partido

O QUE É A SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO?

A SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) iniciou estudo inédito para a criação de um registro nacional sobre a síndrome de Takotsubo, também conhecida como síndrome do coração partido. Serão avaliados pacientes que tiveram essa doença antes e durante a pandemia do novo coronavírus.

O presidente do Departamento de Insuficiência Cardíaca e coordenador da Universidade do Coração da SBC, Evandro Tinoco Mesquita, disse à Agência Brasilque a síndrome é decorrente de uma agressão ao músculo do coração, que ocorre de forma direta ou indireta, por meio da inflamação do órgão.

É um problema raro, que provoca sintomas semelhantes aos de um infarto, como dor no peito, falta de ar ou cansaço, que podem surgir em períodos de estresse emocional intenso.

A síndrome, definida ainda como cardiomiopatia por estresse, tem perfil desconhecido no país e foi descrita pela primeira vez no Japão, em 1990.

“As pessoas podem ter um dano temporário do coração e isso, particularmente, acomete as mulheres no período da menopausa. Acomete mais frequentemente, em quase 90% dos casos, pessoas ao redor de 65 a 70 anos de idade.

E, ocasionalmente, pode gerar uma repetição. Ou seja, a pessoa ter mais de uma vez”.

De uma forma muito grave, a doença pode levar a um quadro de falência do coração, um edema de pulmão, ou a um quadro de arritmia, e levar à morte súbita.

O cardiologista argumentou que o novo coronavírus promove uma inflamação sistêmica que afeta o coração. Também o estresse provocado pelo vírus pode tornar pacientes internados mais vulneráveis a isso.

Na avaliação do coordenador da Universidade do Coração da SBC, a radiografia, que será feita pela entidade, é importante porque revelará forma e fatores estressores variados que podem provocar a síndrome do coração partido nas diferentes regiões do país.

O registro vai apurar também o resultado da qualidade do atendimento, a mortalidade que pode ser diferente, bem como a taxa de recorrência. “A radiografia vai nos ajudar a identificar quais são os diferentes tipos de indivíduos mais acometidos, melhorar o grau de alerta e o cuidado, se for observada alguma discrepância de resultados na qualidade do atendimento inicial”, afirmou.

A partir disso, será possível identificar fatores de possível intervenção, “ou seja, como a gente pode estar protegendo ou desenvolvendo estratégias, com novas pesquisas, para amenizar esse impacto”.

Tinoco informou que a síndrome vem sendo descrita há poucas décadas. O registro nacional será o primeiro texto no Brasil e um dos pioneiros na América Latina.

Ele servirá para gerar dados que permitirão traçar estratégias comportamentais para ajudar na prevenção da doença.

Estados Unidos

Evandro Tinoco Mesquita citou pesquisa feita por médicos da Cleveland Clinic, em Ohio, nos Estados Unidos, que descobriram um aumento da incidência de Takotsubo durante a pandemia de covid-19.

“Eles perceberam um aumento de casos em pessoas sem covid”.

Mesquita estimou que no Brasil, em função do estresse emocional, os determinantes psicossocioeconômicos da saúde podem, de alguma maneira, explicar o aumento da doença em pessoas que não tiveram a covid.

De acordo com a SBC, em dois hospitais do sistema de saúde americano, os diagnósticos de cardiomiopatia por estresse aumentaram durante março e abril, e a doença foi diagnosticada em 7,8% dos pacientes que chegaram ao pronto-socorro da instituição com dor no peito e outros possíveis sintomas cardíacos. Isso foi quatro a cinco vezes maior do que as taxas observadas nos períodos pré-pandêmicos, que oscilavam entre 1,5% e 1,8%, segundo o estudo publicado este mês, na revista médica JAMA Network Open.

Foram analisados 1.914 pacientes, por cinco períodos, distintos ao longo dos dois meses, incluindo uma amostra de mais de 250 pacientes hospitalizados durante o pico inicial da pandemia.

A média de idade da incidência da síndrome foi de 67 anos, majoritariamente em homens, contrariando os dados estatísticos que dizem que o maior acometimento da doença é em mulheres no período pós-menopausa.

Embora a covid-19 possa levar a complicações cardíacas, nenhum dos pacientes diagnosticados com Takotsubo, descritos no artigo americano, apresentou resultado positivo para a infecção.

Participação

Até o momento, 32 centros que atendem a pacientes com problemas cardíacos em todo o Brasil estão cadastrados na plataforma de banco de dados organizado pela SBC, por meio do Departamento de Insuficiência Cardíaca e do Grupo de Estudos de Cardiomiopatias da entidade. A estimativa é ter, ao fim do registro, os dados analisados de mais de 400 pacientes, o que representará um dos maiores arquivos mundiais sobre a síndrome feito por um único país.

Os resultados preliminares desse registro nacional serão apresentados durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia, em novembro próximo. A radiografia completa da síndrome tem previsão de conclusão em 2021. Serão levantados dados dos pacientes não só na fase aguda, mas como eles se comportam depois, para ver se há recorrência.

Tinoco destacou a importância de a pesquisa abranger esse período de pandemia. Serão acompanhados pacientes que tiveram a síndrome antes, durante e depois da pandemia, e que foram ou não acometidos de covid-19. “Serão dados interessantes capturados nesse período”, estimou.

Socerj

Atualmente, o único levantamento disponível no Brasil sobre a doença é um estudo feito pela Socerj (Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro) com 169 pacientes internados com diagnóstico de Takotsubo, ou que desenvolveram essa condição durante a internação, entre outubro de 2010 e o mesmo mês de 2017, em 12 hospitais fluminenses. Esse levantamento será publicado em agosto nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia da SBC. Os resultados mostram que a média dos pacientes acometidos pela síndrome é de 71 anos, em sua maioria mulheres (90,5%), com prevalência de dor torácica (63,3%) e histórico de estresse emocional considerável, registrado em cerca de 40% dos casos.

Outro dado que reforça o objetivo do estudo iniciado pela SBC para conhecer o perfil da síndrome é o fato de haver no Brasil 14 milhões de pessoas com doenças cardiovasculares, que respondem por mais de 30% das mortes no país.

Segundo a SBC, são mais de 300 mil óbitos por ano, o que configura um problema de saúde pública, agravado agora pela pandemia do novo coronavírus.

Do total de doentes cardiovasculares que chegam aos hospitais com suspeita de infarto, entre 1% e 2% podem ter a síndrome do coração partido, admitiu Mesquita.

Óbitos em casa

O médico alertou ainda que os portadores de doenças cardiovasculares e de outras doenças agudas, que necessitam de acompanhamento médico, não devem interromper seus tratamentos por receio de contaminação pela covid-19. Os atendimentos cardiológicos de urgência caíram em todo o país durante a pandemia, gerando aumento de mortes em casa por causas cardíacas.

Em parceria com a Arpen-Brasil (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil), a SBC analisou, com o apoio de médicos e pesquisadores das universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ), os óbitos em domicílios por doenças cardiovasculares.

As informações, disponíveis no Portal da Transparência, mostram aumento de 31,82% no número de óbitos em domicílio, por doenças cardiovasculares, incluindo AVC (acidente vascular cerebral), infarto e doenças cardiovasculares inespecíficas, como a parada cardiorrespiratória e a morte súbita, que pode ser ocasionada pela síndrome do coração partido. Esse aumento ocorreu entre 16 de março, quando foi registrada a primeira morte por covid-19, até o fim de junho passado. Foram registradas 23.342 mortes nos meses de pandemia, enquanto no ano passado, no mesmo período, foram 17.707.

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/07/24/estudo-vai-criar-registro-nacional-sindrome-do-coracao-partido.htm

Síndrome do coração partido (cardiomiopatia de Takotsubo)

O QUE É A SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO?

Síndrome do coração partido é uma doença que afeta o músculo cardíaco cuja principal característica é a disfunção súbita do ventrículo esquerdo.

Síndrome do coração partido, cardiomiopatia de Takotsubo ou, ainda, cardiomiopatia induzida por estresse são os nomes pelos quais é conhecida uma doença do músculo cardíaco cuja principal característica é a disfunção súbita, mas transitória, do ventrículo esquerdo. Essa alteração usualmente é desencadeada por situações de estresse agudo emocional ou físico, seja a morte de uma pessoa querida, a perda do emprego, o rompimento de um relacionamento afetivo, um acidente automobilístico com graves consequências, crises de asma. Até saber que acertou os seis números da Mega-Sena em dia de prêmio acumulado, assistir à vitória da seleção de futebol ou receber uma promoção inesperada pode também funcionar como fatores de risco para a manifestação da síndrome.

De maneira geral, situações que despertam forte emoção provocam aumento na produção de adrenalina e de outros hormônios do estresse pelas glândulas adrenais.

 Essa descarga de adrenalina na corrente sanguínea determina um estreitamento temporário nas artérias que irrigam o coração e interfere no funcionamento do músculo cardíaco.

Como resposta, o organismo pode produzir sintomas semelhantes aos do infarto agudo do miocárdio em pessoas predispostas, mas sem nenhum sinal de doenças obstrutivas nas coronárias.

Para mascarar ainda mais o quadro, o episódio vem acompanhado por alterações registradas no eletrocardiograma e pela elevação discreta dos níveis de troponina no sangue, uma enzima indicativa de lesão ou insuficiência do músculo cardíaco, que ocorre tanto na cardiomiopatia por estresse como nos ataques cardíacos.

Grosso modo, o que acontece na síndrome do coração partido é um descompasso temporário no funcionamento do músculo cardíaco.

Enquanto as outras partes do ventrículo funcionam normalmente, ou apresentam contrações mais rápidas e descontroladas, o ápice e o centro do ventrículo esquerdo sofrem uma espécie de paralisia transitória durante a sístole, distúrbio que o deixa sem força suficiente para impulsionar o sangue para o resto do corpo através da válvula da aorta. O acúmulo de sangue dentro do ventrículo esquerdo lhe confere o formato abaulado típico da enfermidade.

Veja também: Por que exercícios aeróbicos são bons para o coração?

Em 1990, pela primeira vez, médicos japoneses identificaram as características da cardiomiopatia induzida por estresse e estabeleceram uma analogia entre a imagem do coração partido e a de uma armadilha em forma de vaso de fundo arredondado e pescoço estreito, utilizada para capturar polvos no Japão. Daí vem o nome cardiomiopatia de takotsubo (tako = polvo + tsubo = vaso, pote) pelo qual a doença também é conhecida.

Em geral, a síndrome do coração partido dura de sete a 30 dias, tem evolução benigna e prognóstico favorável, já que não deixa marcas permanentes no coração. Raros são os casos em que a doença pode levar o paciente a óbito.

Causas

Ainda não foi determinada a causa específica da síndrome do coração partido, mas já se sabe que, por volta de 80% dos casos, ela pode ser desencadeada por acontecimentos estressantes que promovem descarga de hormônios de estresse, especialmente da adrenalina, na corrente sanguínea.

No entanto, ainda não é possível determinar o mecanismo que induz o aparecimento dos sintomas em aproximadamente 1/3 dos episódios.

Estudos hemodinâmicos deixam claro, porém, que a causa do distúrbio não está no bloqueio das artérias coronárias por um coágulo de sangue ou ateroma, mas, sim, no mau funcionamento do ápice e da região central do ventrículo esquerdo, condição que pode levar à insuficiência cardíaca temporária e simular o infarto agudo do miocárdio.

Um grupo de pesquisadores italianos conseguiu identificar o mecanismo fisiopatológico da doença.

Eles partiram da hipótese de que a descarga de adrenalina produz espasmo dos pequenos vasos coronarianos, fenômeno que não é perceptível na coronariografia, mas compromete a microcirculação, impedindo que as células musculares do coração exerçam suas funções adequadamente.

Eles conseguiram também demonstrar que, na maior parte dos casos, passada a fase aguda, a disfunção microvascular regride, o coração retoma os batimentos normais e os sintomas desaparecem.

Fatores de risco

A cardiomiopatia induzida por estresse pode afetar pessoas de qualquer idade.

Em 90% dos casos, porém, a enfermidade atinge mais as mulheres, acima dos 50 anos, que estão atravessando o período da pós-menopausa.

Estudiosos no assunto acreditam que elas se tornam mais vulneráveis à medida que ocorre queda na produção de estrogênio, o hormônio feminino que, entre outras funções, protege o endotélio, a camada interna dos vasos.

Idosos e portadores de transtornos neurológicos (traumatismo craniano, epilepsia) ou psiquiátricos (crises de ansiedade e depressão) integram também o grupo de risco.

Sintomas

Os sintomas da síndrome do coração partido são praticamente os mesmos que ocorrem na vigência do infarto agudo do miocárdio:

  • Dor no peito;
  • Falta de ar;
  • Cansaço extremo;
  • Sudorese abundante;
  • Angina;
  • Arritmia;
  • Desmaios;
  • Hipotensão.

Vale registrar que, em grande parte dos casos, esses sintomas costumam desaparecer espontaneamente, isto é, sem tratamento.

No entanto, é preciso estar atento a possíveis complicações da doença, como a insuficiência cardíaca grave, o edema pulmonar e o choque cardiogênico (o coração perde a capacidade de bombear o sangue na quantidade necessária para nutrir os órgãos), que exigem atendimento imediato em ambiente hospitalar.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome do coração partido considera os dados obtidos no exame físico e no levantamento da história do paciente, assim como o resultado de exames laboratoriais de sangue, uma vez que a presença de certas enzimas na corrente sanguínea pode sugerir doença cardíaca.

Vencida essa primeira fase, exames não invasivos, como o eletrocardiograma e o ecocardiograma, raios X de tórax, ressonância magnética e o angiograma coronariano são úteis para fechar o diagnóstico, uma vez que ajudam a identificar a existência ou não de irregularidades na estrutura e funcionamento do coração.

Tratamento

Não existe tratamento específico para a síndrome do coração partido. Mesmo assim, ele pode ser útil para reduzir o esforço do coração durante o processo de recuperação e evitar novas crises.

Os medicamentos utilizados nessa fase permanecem praticamente os mesmos indicados nos casos de insuficiência cardíaca grave associada ao infarto do miocárdio.

São exemplos dessas drogas os inibidores ECA para controle da pressão arterial, os betabloqueadores para diminuir a frequência cardíaca, os diuréticos para reduzir a concentração de líquidos no organismo e os remédios para alívio do estresse.

Técnicas de relaxamento e meditação também podem trazer alguns benefícios, já que trata-se de uma cardiomiopatia induzida por estresse.

Recomendações

Não existe nenhuma fórmula eficaz para prevenir a síndrome do coração partido, mas é fundamental estar sempre alerta a fim de identificar os agentes estressores que podem provocar danos no organismo. Nesse sentido, a prática regular de exercícios físicos já demonstrou sua eficácia no controle do estresse que sobrecarrega o coração.

Segundo matéria publicada pelo HCor (Hospital do Coração), “exercícios físicos como a corrida ou uma simples caminhada têm efeito benéfico e muito positivo para combater o estresse emocional e físico”.

O HCor alerta também sobre importância dos esportes no combate à síndrome do coração partido, uma vez que representam a oportunidade de desenvolver a sociabilidade e reduzir o isolamento social como forma de controlar as emoções envolvidas nas doenças do coração.

Observação importante

Não atribua exclusivamente ao estresse ou às condições adversas que atravessa no momento, sintomas como dor no peito, falta de ar, cansaço extremo e batimentos cardíacos irregulares. Procure atendimento médico sem perda de tempo para avaliar as condições cardiovasculares e receber o tratamento indicado, se necessário.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-do-coracao-partido-cardiomiopatia-de-takotsubo/

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