O que é Ataque Isquêmico Transitório (mini-AVC)

AVC Transitório, Ataque Isquêmico Transitório (AIT) ou Mini-AVC

O que é Ataque Isquêmico Transitório (mini-AVC)

Segundo a Mayo Clinic, um AVC transitório, também conhecido como ataque isquêmico transitório ou AIT, é um breve episódio durante o qual partes do cérebro não recebem sangue suficiente.

Como o suprimento de sangue é restaurado rapidamente, o tecido cerebral não morre como em um AVC. Entretanto, esses ataques são frequentemente sinais de alerta precoce de um AVC.

AVCs transitórios podem ser considerados como “eventos de advertência” e tendem a acontecer várias vezes. Em muitos casos, pode acontecer um AVC completo dentro de um ano do primeiro ataque.

Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre o AVC transitório, suas causas, sintomas, além dos procedimentos diagnósticos e para tratamento.

Sintomas do AVC Transitório

Conforme a American Stroke Association, um AIT começa de repente, da mesma forma que um AVC isquêmico. A diferença é que dura apenas 2 a 30 minutos.

Nos estágios iniciais, no entanto, não é possível dizer se você está tendo um AIT ou um AVC completo, já que os sintomas podem incluir:

  • Dormência súbita ou fraqueza do rosto, braço ou perna, especialmente em um lado do corpo
  • Confusão súbita
  • Dificuldade repentina para falar, enxergar em um ou ambos os olhos e para caminhar
  • Tontura súbita, perda de equilíbrio ou coordenação
  • Dor de cabeça súbita e severa sem causa conhecida

Causas e Fatores de Risco

Informações do NHS indicam que, da mesma forma que em um AVC, o AIT é causado por um bloqueio na circulação sanguínea cerebral. Este bloqueio geralmente é causado por um coágulo sanguíneo, que se formou em outro lugar do seu corpo e viajou para os vasos sanguíneos que abastecem o cérebro.

Dessa forma, os fatores que aumentam as chances de um AIT são aqueles que favorecem o desenvolvimento de coágulos sanguíneos:

  • Tabagismo
  • Pressão alta (hipertensão arterial)
  • Obesidade
  • Altos níveis de colesterol
  • Ingerir regularmente quantidades excessivas de álcool
  • Apresentar fibrilação atrial (um tipo de batimento cardíaco irregular)
  • Ter diabetes.

Os AITs também podem ser causados pelo estreitamento das artérias, devido a aterosclerose (quando o material gorduroso se acumula e endurece em uma parede da artéria). Este material pode quebrar e ficar alojado em vasos sanguíneos menores no cérebro.

Fatia De Ágata Azul – visão semelhante ao estreitamento das artérias, devido a aterosclerose

Em alguns casos, o AIT pode ser causado por:

  • Bolhas de ar
  • Espasmos nas paredes das artérias cerebrais
  • Falta de oxigênio no sangue que flui para o cérebro, devido a:
  • Anemia grave
  • Envenenamento por monóxido de carbono
  • Doenças do sangue, como leucemia ou policitemia vera.

Diagnóstico do AVC Transitório

Conforme a Stroke Foundation, muitas condições podem provocar sintomas semelhantes aos de um AVC transitório:

  • Convulsões
  • Tumores
  • Enxaqueca
  • Níveis anormais de açúcar no sangue, a TIA.

A rapidez dos sintomas sugere pistas sobre qual área do cérebro é afetada. No entanto, uma avaliação mais cuidadosa é necessária.

Exames de imagem, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM), são úteis no diagnóstico de AVC e na visão de quais partes do cérebro são danificadas. No entanto, eles não são úteis para diagnosticar AIT, porque este evento normalmente não causa danos permanentes que podem ser vistos quando o ataque acaba.

Várias técnicas podem ser usadas para confirmar um AVC transitório:

  • Duplex Scan de artéria carótida, para avaliar a saúde das principais artérias que transportam sangue do coração para o cérebro
  • Ultrassom transcraniano com Doppler, que pode medir o fluxo sanguíneo e fornecer informações sobre o tamanho do bloqueio
  • Ressonância magnética ou angiografia cerebral podem mostrar se um estreitamento severo da artéria está presente.
  • Angiografia por tomografia computadorizada, para investigar alterações na estrutura e no funcionamento dos vasos sanguíneos.

Tratamento do AVC Transitório

Segundo o NHS, mesmo que os sintomas de um AVC transitório se resolvam em poucos minutos ou horas, você precisará de tratamento para ajudar a prevenir outro evento transitório ou mesmo um AVC completo no futuro.

Neste sentido, eliminar ou reduzir os fatores de risco é o primeiro passo na prevenção de AVCs.

Outras abordagens para prevenir um novo AIT podem ser usadas dependendo da causa do ataque. Se a causa for estenose da artéria carótida,o tratamento pode incluir um procedimento para abrir a artéria, conhecido como stent da artéria carótida.

Um procedimento neurocirúrgico conhecido como endarterectomia pode ser considerado, se mais de 70% do vaso sanguíneo estiver bloqueado e o paciente tiver apresentado sintomas semelhantes aos do AVC nos últimos seis meses.

Se o ataque foi causado por um coágulo sanguíneo, medicamentos podem ajudar a quebrar o coágulo e prevenir coágulos futuros. Isso pode ser tão simples quanto tomar uma aspirina por dia, mas em alguns casos, pode ser necessário tomar anticoagulantes, como heparina ou varfarina.

Os objetivos do tratamento são:

  • Prevenir complicações fatais que podem ocorrer logo após o desenvolvimento dos sintomas
  • Prevenir futuros acidentes vasculares cerebrais
  • Reduzir a incapacidade
  • Prevenir complicações a longo prazo
  • Ajudar o paciente a recuperar o máximo de funcionamento normal possível, através da reabilitação.

Prevenção

Informações do NHS alertam que um AIT é frequentemente um sinal de que você está em um alto risco de ter um AVC completo e com risco de vida em um futuro próximo.

No entanto, mesmo que tenha sofrido um AIT ou AVC no passado, existem várias maneiras de reduzir o risco de ter qualquer um deles no futuro:

  • Manter um peso saudável
  • Comer uma dieta saudável e equilibrada
  • Fazer exercícios físicos regularmente
  • Limitar a ingestão de álcool
  • Não fumar.

Além disso, mantenha seus exames e consultas médicas regulares, para identificar qualquer fator de risco precocemente.

Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista Reabilitação Após AVC

Dr Diego de Castro é Neurologista da USP e se dedica integralmente ao universo do diagnóstico e assistência. Cuida de pacientes vítimas de AVC hemorrágico e isquêmico, por meio de uma avaliação neurológica elaborada dos sintomas motores e cognitivos do paciente e da aplicação de toxina botulínica (Botox).

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Источник: https://drdiegodecastro.com/avc-transitorio/

Ataque isquêmico transitório: sintomas, tratamentos e causas

O que é Ataque Isquêmico Transitório (mini-AVC)

O AIT significa Ataque Isquêmico Transitório, ou seja, uma determinada artéria cerebral sofre um “entupimento” e ocorre um déficit neurológico. Como o AVC, uma pessoa que sofre de AIT tem um déficit neurológico (motor, sensitivo, cerebelar, visual, linguagem, etc.) decorrente de uma isquemia (“entupimento” de uma artéria cerebral) ou hemorragia (“rompimento” de uma artéria cerebral).

A diferença entre o AIT e o AVC é que o déficit neurológico no AIT, necessariamente, será reversível em até 24 horas – normalmente, é estabilizado em um tempo bem mais curto. A grande questão sobre o AIT é que, embora estes indivíduos não fiquem com sequelas, existe um risco enorme para que ocorra um AVC propriamente dito. Assim, o AIT é um dos principais fatores de risco para o AVC.

Causas

Coágulos de sangue que bloqueiam temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro são a causa mais comum de AIT.

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Um coágulo de sangue pode se formar numa artéria que fornece o sangue para o cérebro. As causas para esse acontecimento podem ser:

  • Artérias danificadas pelo acúmulo de placas de colesterol, que é um processo chamado de aterosclerose
  • Pressão arterial elevada ou diabetes pode danificar os vasos sanguíneos mais pequenos no cérebro, formando um coágulo dentro dos vasos sanguíneos e bloqueando o fluxo de sangue.

Um coágulo de sangue pode se formar em outra parte do corpo (geralmente o coração) e viajar através da corrente sanguínea para uma artéria que fornece o sangue para o cérebro. Nesse, os coágulos podem se formar:

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  • Depois de um infarto
  • Como um resultado de outras condições que alterem o fluxo de sangue para o coração. Estas condições incluem ritmos cardíacos anormais (especialmente fibrilação atrial), problemas nas válvulas cardíacas, defeitos do septo atrial e insuficiência cardíaca.

Além disso, uma artéria que está parcialmente bloqueada com placa pode reduzir o fluxo sanguíneo para os sintomas cérebro e causar um AIT.

Causas raras de coágulos sanguíneos que podem causar um AIT incluem:

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  • Acúmulo de bactérias, células tumorais ou bolhas de ar que se movem através da corrente sanguínea
  • Doenças que aumentam a coagulação do sangue, como policitemia e doenças falciformes
  • Inflamação nos vasos sanguíneos, que podem se desenvolver a partir de condições como a sífilis, tuberculose ou outras doenças inflamatórias
  • Lesão na cabeça ou no pescoço que resulta em danos aos vasos sanguíneos na cabeça ou no pescoço
  • Um rasgo na parede de um vaso sanguíneo localizado no pescoço.

Fatores de risco

Alguns fatores de risco para AIT não podem ser alterados. Outros você pode controlar. Os fatores de risco que você não pode mudar são:

  • Histórico familiar de AVC e AIT
  • Idade, sendo que o risco aumenta especialmente depois dos 55 anos
  • Gênero, sendo que os homens têm uma probabilidade maior de sofrer um AIT e AVC
  • AIT anterior
  • Doença falciforme
  • Etnia, sendo que pessoas negras estão em maior risco.

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Os fatores de risco que você pode tomar medidas para controlar são:

  • Pressão arterial elevada
  • Colesterol alto
  • Doença cardiovascular
  • Doença arterial periférica
  • Diabetes
  • Altos níveis de homocisteína no sangue
  • Excesso de peso e obesidade
  • Tabagismo
  • Sedentarismo
  • Dieta rica em sal e gorduras
  • Abuso de álcool
  • Uso de drogas ilícitas
  • Uso de pílulas anticoncepcionais.

AVC: problema neurológico pode ser causado por hipertensão e diabetes

Sintomas de Ataque isquêmico transitório

Um AIT é de início súbito e geralmente dura entre dois e 30 minutos; raramente se prolonga para além de 1 ou 2 horas. Os sintomas são variáveis em função da parte do cérebro que tenha ficado desprovida de sangue e de oxigénio. Dessa forma, podem ocorrer muitos sintomas diferentes, tais como:

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  • Perda de sensibilidade no braço, perna ou outra parte do corpo
  • Debilidade ou paralisia no braço, perna ou outra parte do corpo
  • Enjoo
  • Fala enrolada e pouco compreensível
  • Dificuldade de se expressar
  • Perda parcial da visão ou da audição
  • Visão dupla
  • Movimentos abruptos
  • Incontinência urinária
  • Desequilíbrio e queda
  • Desmaio.

Embora os sintomas sejam semelhantes aos de um AVC, são transitórios e reversíveis. No entanto, os episódios de AIT podem acontecer mais de uma vez, inclusive no mesmo dia.

Buscando ajuda médica

E o que fazer afinal? Simples, na suspeita de um AVC procure imediatamente um pronto-socorro – evite esperar para “ver se a sensação passa”. Se possível, prefira hospitais que contam com um serviço dedicado ao tratamento agudo do AVC e AIT.

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Na consulta médica

O AIT muitas vezes é diagnosticado em uma situação de emergência, mas se você está preocupado com o risco de ter um AVC, pode se preparar para discutir o assunto com o seu médico na próxima consulta. Especialistas que podem diagnosticar AIT e acompanhar seu risco são:

  • Cardiologista
  • Neurologista

Estar preparado para uma futura consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

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  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

Diagnóstico de Ataque isquêmico transitório

A avaliação imediata é recomendada se você já teve ou está tendo um AIT. O objetivo da avaliação é:

  • Verificar se há outra causa de seus sintomas, como um AVC, hipoglicemia ou paralisia de Bell
  • Procurar por um coágulo de sangue
  • Descobrir se você precisa de cirurgia para reabrir a artéria obstruída
  • Descobrir se você precisa de medicamentos para prevenir coágulos sanguíneos.

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Se os seus sintomas AIT desapareceram completamente, os resultados de um exame físico será normal, e o diagnóstico de um AIT normalmente será baseado no seu histórico médico alguns testes:

  • Tomografia computadorizada da cabeça
  • Ressonância magnética
  • Ultrassom Doppler
  • Angiografia por ressonância magnética
  • Angiograma
  • Radiografia de tórax
  • Eletrocardiograma
  • Ecocardiograma
  • Exames de colesterol e triglicérides.

Você pode fazer outros exames de sangue, como um hemograma completo, com base em sua idade e história médica.

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Tratamento de Ataque isquêmico transitório

Uma vez que seu médico ou médica determinou a causa do AIT, o objetivo do tratamento é corrigir a anomalia e evitar um AVC. Dependendo da causa do AIT, o médico pode prescrever medicamentos para reduzir a tendência de coagulação do sangue, pode recomendar a cirurgia ou um procedimento de balão.

O medicamento selecionado depende da localização, causa, gravidade e tipo de AIT. Dois tipos de medicamentos frequentemente prescritos são:

  • Antiplaquetários, que fazem suas plaquetas, um dos tipos de células do sangue circulante, menos propensas a se agruparem e formarem coágulos
  • Anticoagulantes, que afetam proteínas do sistema de coagulação em vez da função das plaquetas. Também reduzem o risco de coágulos.

Se você tem uma artéria carótida moderadamente ou severamente diminuída, o médico pode sugerir a endarterectomia de carótida. Esta cirurgia preventiva retira os depósitos de gordura (placas ateroscleróticas) das artérias. É feita uma incisão para abrir a artéria, as placas são removidas, e a artéria é fechada.

Em casos selecionados, um procedimento chamado angioplastia, ou implante de stent, é uma opção. Este procedimento envolve o uso de um dispositivo parecido com balão para abrir uma artéria entupida, com a colocação de um tubo pequeno arame (stent) na artéria para mantê-la aberta.

Convivendo/ Prognóstico

O objetivo do tratamento depois de um AIT envolve evitar possíveis eventos futuros. Por isso, mudanças no estilo de vida são uma parte importante do acompanhamento. Veja o que é preciso fazer para se recuperar do AIT e impedir um AVC ou outro mini-derrame:

  • Não fumar ou permitir que outros fumem perto de você
  • Limite de álcool a duas doses por dia para homens e uma dose por dia para as mulheres
  • Manter um peso saudável
  • Praticar pelo menos 30 minutos de exercícios na maioria dos dias da semana (caminhada é uma boa escolha)
  • Manter uma dieta equilibrada, pobre em colesterol, gorduras saturadas e sal, conforme orientação profissional
  • Fisioterapia
  • Terapia ocupacional
  • Fonoaudiologia.

Referências

Sociedade Brasileira de Neurologia

Mayo Clinic

American Academy of Neurology

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/ataque-isquemico-transitorio

O que é Ataque Isquêmico Transitório (mini-AVC)

O que é Ataque Isquêmico Transitório (mini-AVC)

Até há bem pouco tempo, o ataque isquêmico transitório (AIT) era definido como um quadro de comprometimento neurológico focal com duração inferior a 24 horas. Ou seja, era basicamente um quadro de acidente vascular cerebral (AVC), cujos sintomas desapareciam espontaneamente após alguns minutos ou horas.

A definição atual é um pouco diferente. Segundo a American Heart Association e a American Stroke Association (AHA/ASA), o ataque isquêmico transitório, chamado popularmente de mini-AVC, é um episódio transitório de disfunção neurológica causada por focos de isquemia no cérebro, na medula espinal ou na retina, sem que haja infarto cerebral agudo.

Explicando de forma mais simples, o AIT surge quando uma região do sistema nervoso, habitualmente o cérebro, sofre uma relevante, mas temporária, redução do fluxo sanguíneo, que é suficiente para causar isquemia (restrição do aporte de sangue e oxigênio), mas insuficiente para provocar infarto cerebral (morte do tecido cerebral). O paciente com AIT apresenta sintomas de AVC apenas por um curto período de tempo, geralmente não mais que uma hora. Quando o fluxo de sangue é restabelecido, os sintomas desaparecem espontaneamente.

A definição atual reforça o conceito de que não há infarto cerebral no AIT.

Consequentemente, chamar o AIT de mini-AVC acaba não sendo muito adequado, pois pode passar a equivocada ideia de que o ataque isquêmico transitório é igual a um AVC leve ou pequeno.

Por definição, AVC e AIT são doenças diferentes, apesar de partilharem mecanismos fisiopatológicos semelhantes, conforme veremos mais à frente.

Ao contrário do que acontece no AIT, para que haja um AVC, a redução do aporte sanguíneo tem que ser longa e grave o suficiente para causar morte de tecido cerebral. A área infartada ser grande ou pequena é irrelevante. Um AVC pequeno não deixa de ser um AVC.

O ataque isquêmico transitório é, na verdade, uma espécie de pré-AVC. O AIT deve ser encarado como um aviso de que há algum problema com circulação sanguínea cerebral. Alguns dados obtidos em estudos reforçam essa tese:

  • Até 10% dos pacientes que apresentaram um AIT irão sofrer um AVC dentro de 3 meses.
  • Metade dos casos de AVC que surgem após um AIT ocorrem nos dois primeiros dias.
  • No prazo de 10 anos, mais da metade dos pacientes que tiveram um episódio de AIT desenvolverão algum evento cardiovascular, geralmente um AVC ou infarto agudo do miocárdio.
  • Mesmo com tratamento adequado, cerca de 6% dos pacientes que tiveram AIT acabam desenvolvendo um AVC no prazo de um ano. 12% no prazo de dois anos.
  • 15% dos pacientes com AVC atendidos em serviços de urgência relatam um episódio recente de AIT.

Nesse artigo falamos exclusivamente sobre o ataque isquêmico transitório. Se você procura informações sobre o acidente vascular cerebral, acesse os seguintes links:

  • 7 SINTOMAS DO AVC.
  • AVC – Causas, Sintomas e Tratamento.

Como surge

O ataque isquêmico transitório surge quando uma determinada área do cérebro sofre isquemia temporária, ou seja, durante um curto período de tempo, parte do cérebro passa a receber menos sangue e oxigênio que o necessário. Com menos oxigênio disponível, os neurônios não conseguem desempenhar suas funções adequadamente, produzindo, assim, sintomas neurológicos.

A diminuição do aporte de sangue ao cérebro pode ser provocada por três mecanismos:

  • Embolia cerebral (AIT embólico): quando um coágulo de sangue, geralmente originado do coração ou da artéria carótida, viaja até o cérebro e fica temporamente ocluindo a passagem de sangue de uma artéria cerebral.
  • Aterosclerose de uma artéria cerebral (AIT lacunar): quando um artéria do cérebro fica parcialmente obstruída por placas de colestrol que se alojam-se na sua parede.
  • Estenose da artéria carótida (AIT por baixo fluxo): quando o fluxo de sangue pela carótida fica severamente reduzido, seja por aterosclerose ou dissecção da artéria.

Explicamos a estenose da artéria carótida com detalhes no artigo: Estenose da Artéria Carótida – O Que é Carótida Obstruída?

Os três principais mecanismos que levam ao AIT são os mesmos do AVC. A única diferença é que no AIT eles são temporários.

Fatores de risco

Como apresentam mecanismos fisiopatológicos semelhantes, não é de se estranhar que os fatores de risco do AIT e do AVC sejam praticamente os mesmos. Entre os mais importantes podemos citar:

Sintomas

Os sinais e sintomas do AIT dependem da artéria acometida, do tamanho do território por ela vascularizado e do mecanismo fisiopatológico por trás da isquemia. Algumas características ajudam a direcionar a investigação:

  • Os AIT de origem embólica são aqueles cujos sintomas demoram mais tempo para reverter. Mais de 80% dos AIT que duram mais de 1 hora são de origem embólica.
  • Os AIT que ocorrem por baixo fluxo da artéria carótica costumam durar poucos minutos, mas podem ocorrer de forma repetida (uma vez por semana ou até várias vezes por dia).
  • Os AIT lacunares costumam demorar menos de 1 hora e também podem surgir de forma repetida. Quadros de AVC lacunar costumam ser precedidos por episódios repetidos de AIT lacunar.

Os sintomas possiveis do AIT são:

  • Perda de força em toda uma metade do corpo (hemiplegia).
  • Dificuldade para falar ou articular as palavras (afasia).
  • Dificuldade para entender o que os outros dizem.
  • Incapacidade de reconhecer a própria doença (anosognosia).
  • Fraqueza ou dormência da mão, braço, perna, face, língua e ou face.
  • Tontura e desequilíbrio.
  • Movimentos abruptos.
  • Visão dupla (diplopia).
  • Perda total ou parcial da visão em um dos olhos.
  • Queda da pálpebra.
  • Incapacidade de olhar para cima.
  • Súbita e intensa dor de cabeça.
  • Dificuldade para andar normalmente.
  • Perda da audição.
  • Amnésia.

Risco de evolução para AVC

Não existe forma segura de dizer quais são os pacientes com AIT que irão evoluir para um AVC. Porém, existem algumas formas de estimar esse risco. A mais utilizada chama-se escore ABCD².

Esse escore, apesar de ter algumas falhas, foi projetado para identificar os pacientes com alto risco de acidente vascular cerebral isquêmico nos primeiros sete dias após o ataque isquêmico transitório. A pontuação do ABCD² é registrada da seguinte forma:

  • Idade maior ou igual a 60 anos = 1 ponto.
  • Hipertensão arterial no momento do atendimento do AIT  (sistólica ≥140 mmHg ou diastólica ≥90 mmHg) = 1 ponto.
  • Características clínicas: fraqueza unilateral = 2 pontos; distúrbio de fala isolado = 1 ponto; outros sintomas = 0 pontos.
  • Duração dos sintomas: mais de 60 minutos = 2 pontos; 10 a 59 minutos = 1 ponto;  menos de 10 minutos = 0 pontos.
  • Diabetes = 1 ponto.

A partir da soma dos pontos, podemos chegar aos seguintes resultados:

  • 6 a 7 pontos: alto risco de acidente vascular cerebral em dois dias (8%).
  • 4 a 5 pontos: risco moderado de acidente vascular cerebral em dois dias (4%).
  • 0 a 3 pontos: baixo risco de acidente vascular cerebral em dois dias (1%).

Paciente com o chamado “AIT em crescendo”, ou seja, dois ou mais episódios de AIT em uma semana, devem ser encrados como de alto risco para acidente vascular cerebral, mesmo que tenham  uma pontuação no ABCD² menor que 3.

Diagnóstico

Pacientes com suspeita de ataque isquêmico transitório necessitam de avaliação neurológica urgente. Muitas vezes, o paciente chega à emergência ainda com os sintomas, sendo muito difícil fazer a distinção imediata entre AVC e AIT.

O diagnóstico de AIT é clínico e baseia-se na avaliação dos sinais e sintoma neurológicos. Como os sintomas do AIT são transitórios e altamente variáveis, nem sempre é fácil estabelecer o diagnóstico.

A ressonância magnética ou tomografia computadorizada do crânio são importantes para descartar a presença de infarto cerebral. Se o paciente tiver remissão espontânea dos sintomas e os exames de imagem não apontarem infarto, o diagnóstico de AIT torna-se o mais provável que de AVC.

A avaliação rápida por parte do neurologista pode ajudar a prevenir AVC futuros. Existem alguns processos patológicos que originam a AIT e que podem produzir um AVC súbito se não forem reconhecidos e tratados. Exemplos:

  • Estenose da artéria carótida com mais de 50% de obstrução. – Pode ser identificada através da ultrassonografia com doppler das carótidas.
  • Dissecção da artéria carótida ou vertebral – Pode ser identificada através da angiorressonância magnética ou angiotomografia computadorizada.
  • Doença aterotrombótica intracraniana –  Pode ser identificada através da angiorressonância magnética ou angiotomografia computadorizada.
  • Fibrilação atrial com risco de embolização – Pode ser identificada pelo eletrocardiograma e pelo ecocardiograma.

Tratamento

Não existe um tratamento específico para o ataque isquêmico transitório, até porque os sintomas desaparecem espontaneamente após um tempo. O tratamento, na verdade, é voltado para a prevenção de um futuro AVC.

O tratamento preventivo deve ser iniciado, de preferência, dentro das primeiras 24 horas.

 Estratégias atuais incluem a utilização de medicamentos para controlar a pressão arterial, redução dos níveis de colesterol com estatinas, terapia antitrombótica com aspirina e modificação do estilo de vida (perder peso, parar de fumar e beber, praticar exercícios, dieta saudável, etc.). Nos pacientes com fibrilação atrial, medicamentos anticoagulantes costumam estar indicados, tais como varfarina, apixabana, dabigatrana ou rivaroxabana.

Os pacientes com estenose da carótida devem ser tratados com endarterectomia ou angioplastia ainda nas primeiras duas semanas após o AIT. Explicamos como esses tratamento são feitos no artigo sobre estenose da artéria carótida.

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