O que é colesterol total e como baixar

O Poder dos Alimentos

O que é colesterol total e como baixar

Apesar da fama de vilão, o colesterol é uma substância que desempenha papel importante no funcionamento das células do corpo, sendo matéria-prima para alguns hormônios, como o cortisol, por exemplo.

O que o torna perigoso, porém, é quando os índices estão acima do normal, já que seu excesso provoca o risco de doenças cardiovasculares.

E, apesar da predisposição genética de cada pessoa, a alimentação também é responsável na hora de controlar o problema.

Dennys Esper Corrêa Cintra, professor das disciplinas de Nutrigenômica, Farmacologia e Avaliação Nutricional da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); Daniel Magnoni, cardiologista e nutrólogo do HCor (Hospital do Coração-SP) e Marcelo Assad, presidente do Departamento de Cardiologia Clínica da Socerj (Sociedade de Cardiologia da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro), listam os melhores e piores alimentos para cuidar do seu colesterol.

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Sardinha em lata
O ômega-3 presente no alimento é reconhecido por sua atividade cardioprotetora, contribuindo, assim, de forma significativa para a redução dos triglicérides, que são gorduras presentes no nosso corpo. O mais saudável é incluir, no mínimo, duas porções por semana na dieta. A sardinha em lata é uma boa opção, pois consumimos o peixe inteiro e não apenas o filé, tendo acesso a mais fontes desse ômega-3.

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Margarinas enriquecidas com fitoesteróis
Os fitoesteróis são substâncias que funcionam bloqueando, parcialmente, a absorção de colesterol no intestino, auxiliando assim em sua redução. O consumo de duas porções diárias (duas colheres de sopa) do produto, que não contém gordura trans, já garante a quantidade recomendada.

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Abacate
Possui gorduras monoinsaturadas, que são muito eficientes na diminuição de triglicérides, do colesterol ruim (LDL) e colesterol total.

Também é rico em fitosteróis e possui uma série de micronutrientes, como potássio e magnésio, que aumentam a capacidade anti-inflamatória do organismo.

Vale ressaltar que, apesar de todos os benefícios, é rico em calorias. Por isso, cuidado para não exagerar.

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Soja
O consumo diário de uma a duas porções (15 a 30 gramas) de alimentos à base da proteína de soja está associado à redução de 5% de LDL (colesterol ruim) e ao aumento de 3% de HDL (colesterol bom). Aqui, cabe qualquer item derivado da soja, como o próprio grão cozido, a carne de soja (PVT) ou o tofu –com exceção do óleo de soja. Seu benefício vem da presença de isoflavonas.

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Farelo de aveia
É rico em fibras solúveis (betaglucanas), que não são absorvidas pelo intestino e levam o colesterol da refeição para as fezes, contribuindo, assim, para diminuir a absorção deste tipo de gordura. Além disso, essas fibras também são fermentadas pelas bactérias do intestino, gerando ácidos graxos de cadeia curta que caem na corrente sanguínea e diminuem a absorção do colesterol ruim.

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Nozes
Um consumo pequeno, mas diário, tem um importante papel na redução do colesterol, causando ainda ligeiro aumento do colesterol bom.

Apesar de sutil, o efeito é interessante por conta do ácido oleico presente em sua composição, que também é encontrado no azeite de oliva, outra fonte excelente de gordura saudável.

Vale refogar os alimentos com o azeite e utilizar uma colher de sopa na salada de cada refeição.

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Morango
De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Nutritional Biochemistry, comer morangos pode reduzir significativamente o colesterol total, o colesterol LDL e os triglicérides.

Para conseguir tais benefícios, os voluntários ingeriram 500 gramas de morangos todos os dias durante um mês.

Após esse período, houve melhora na função plaquetária, nos níveis de antioxidantes e de lipídios plasmáticos.

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Vinho tinto seco
A casca da uva tem uma propriedade importantíssima, chamada resveratrol, e durante o processo de fermentação da fruta, o álcool consegue concentrar essa substância, que ajuda a regular a produção de colesterol ruim.

Só não exagere na dose, para não ter mais efeitos negativos do que positivos. A recomendação é uma taça por dia. Beba com moderação, porque o consumo exagerado de bebida alcoólica também está associado ao surgimento de outras doenças, como o câncer.

Melhor moderar

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Ovo
Naquela pessoa predisposta a ter um acúmulo de colesterol, comer um ovo por semana já é o limite.

Já outros possuem uma capacidade excelente de remoção do colesterol do corpo e podem comer vários por semana, sem problemas.

No entanto, os exames genéticos ainda não são capazes de dizer em qual desses grupos você está. Assim, o recomendado é regular o consumo. Vá de dois ou três ovos por semana, no máximo.

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Carne de porco
Qualquer fonte animal vai ter gordura saturada e colesterol. O truque está em escolher um corte magro do animal, como o lombo, que possui menos desses itens. A linguiça, por exemplo, tem muita gordura saturada, por isso tenha bastante cuidado e não exagere no consumo. Mas comer em um churrasco, bem de vez em quando, não tem problema.

Tire do cardápio

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Óleo de coco
Tem níveis de gordura saturada altíssimos (86%), ainda maiores do que os da manteiga (51%) ou da banha de porco (39%).

De acordo com o posicionamento da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), quando comparado a óleos vegetais menos ricos em ácido graxo saturado, ele aumenta o colesterol total (particularmente o LDL-colesterol), o que contribui para um maior risco cardiovascular. A Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) também é contra seu uso.

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Óleo de milho e girassol
São problemáticos por serem fontes de ômega-6 que, apesar de ser essencial, depois de uma certa dose ativa o sistema inflamatório do corpo, aumentando os índices do colesterol ruim.

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Gordura trans
Devem ser excluídos da dieta por aumentarem a concentração plasmática de LDL e induzirem intensa lesão aterosclerótica, condições que elevam o risco cardiovascular. São exemplos: biscoitos recheados e pipoca de micro-ondas.

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Fígado
Como é um alimento rico em ferro, o fígado pode ser um prato saudável para alguns. Para outros, no entanto, pode aumentar os níveis de colesterol ruim, já que este órgão é a principal fonte de colesterol do corpo, sendo onde a substância é produzida e armazenada. Se o seu colesterol está alto, melhor cortar do cardápio.

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Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2018/04/06/quer-abaixar-o-colesterol-ruim-aposte-na-sardinha-em-lata-e-na-aveia.htm

Dieta para baixar o colesterol (com cardápio de 3 dias)

O que é colesterol total e como baixar

A dieta para diminuir o colesterol deve ser pobre em gorduras, principalmente as saturadas e as gorduras trans, e açúcares, de forma a que se melhore a circulação sanguínea e se reduza o risco de acumular gordura no sangue, evitando doenças cardiovasculares, como infarto ou AVC.

Além disso, é importante aumentar o consumo de frutas, vegetais e alimentos integrais, que, devido ao seu rico conteúdo em fibras, ajudam a controlar os níveis de colesterol no sangue ao diminuir a sua absorção a nível intestinal.

É importante que a dieta seja acompanhada pela realização de algum tipo de atividade física, pelo menos 3 vezes por semana durante 1 hora. Isso porque o exercício favorece a perda de peso e aumento da massa muscular, o que tem como consequência a diminuição dos níveis de colesterol e a melhora da saúde do coração.

Alimentos permitidos na dieta

Os alimentos que devem ser incluídos na alimentação para diminuir a quantidade de colesterol são:

  • Alimentos ricos em fibras, devendo dar preferência ao consumo de aveia, pão integral, arroz integral, macarrão integral e farinhas integrais como a farinha de alfarroba, de amêndoas e de trigo sarraceno, por exemplo;
  • Frutas e vegetais, de preferência crus e com casca para aumentar a quantidade de fibras, devendo ser consumida 3 a 5 porções desses alimentos por dia;
  • Aumentar o consumo de leguminosas, como feijão, grão de bico, lentilhas e soja, devendo consumir 2 vezes por semana;
  • Frutos secos como nozes, amêndoas, castanha do Pará e amendoim, já que além de fornecer fibras para o organismo, também são ricas em gordura monoinsaturadas e poliinsaturadas, que favorecem o aumento do colesterol bom, o HDL. É importante que sejam consumidas pequenas quantidades diariamente, já que o seu aporte calórico é alto;
  • Leite e derivados lácteos desnatados, devendo dar preferência a queijos brancos baixos em gordura e iogurte natural sem açúcar;
  • Carnes brancas como frango, peixe e peru.

Além disto, os alimentos devem ser preparados cozidos ou ao vapor, evitando-se frituras, guisados, temperos prontos e molhos. Para dar sabor às comidas é possível utilizar temperos naturais como alecrim, orégano, coentro ou salsa.

Também é importante tomar cerca de 2,5 L de água por dia e realizar 3 refeições principais e 2 lanches, pois assim é possível também controlar o peso. Veja qual o seu peso ideal.

Existem ainda alguns alimentos que podem ser incluídos na dieta para regular os níveis de colesterol no sangue devido às suas propriedades. Esses alimentos são:

AlimentosPropriedades Como consumir
Tomate, goiaba, melancia, toranja e cenouraEsses alimentos contém licopeno, que é uma substância com propriedades antioxidantes que ajuda a diminuir o colesterol mal, o LDL, no sangue e a aumentar o colesterol bom, o HDL.Podem ser usados para preparar saladas, molhos naturais, sucos ou vitaminas.
Vinho tintoEssa bebida contém resveratrol e outros compostos que atuam como antioxidantes e impedem que as moléculas de gordura fiquem depositadas na parede das artérias, favorecendo, assim, a circulação de sangue.Só deve ser consumida apenas 1 a 2 taças de vinho ao almoço ou ao jantar.
Salmão, pescada, atum, nozes e sementes de chiaSão ricos em ômega 3 com propriedades anti-inflamatórias, além de também ajudar a prevenir o surgimento de coágulos que podem entupir as artérias e levar ao infarto, além de evitar a formação de placas de gordura nas artérias.Esses alimentos devem ser incluídos na alimentação de forma variada, devendo ser consumidos 3 a 4 vezes por semana, pelo menos.
Uvas roxasEssa fruta é rica em resveratrol, taninos e flavonoides, que são compostos que exercem um poderoso efeito antioxidante, ajudando a relaxar os vasos sanguíneos e a diminuir o colesterol.Podem ser utilizadas em sucos ou consumidas como sobremesa.
Alho/ alho negroContem uma substância chamada alicina, que combate os níveis do mau colesterol (LDL), ajuda a reduzir a pressão sanguínea e evita a formação de trombos, diminuindo, assim, o risco de infartos.Pode ser usado para temperar os alimentos.
Azeite de olivaImpede a oxidação do colesterol, possui propriedades anti-inflamatórias e reduz a pressão arterial.Deve ser acrescentada pelo menos 1 colher de azeite de oliva por dia, podendo ser acrescentado em saladas ou na comida depois de pronta, já que quando aquecido, o azeite de oliva pode perder as suas propriedades.
LimãoContém antioxidantes que previnem a oxidação do colesterol bom, o HDL.Pode se adicionar o suco de limão em saladas ou misturar com outros sucos ou chás.
AveiaÉ rica em beta-glucanos, um tipo de fibra solúvel que ajuda a diminuir os níveis de colesterol.Pode ser acrescentado em sucos ou vitaminas ou ser utilizado no preparo de bolos e biscoitos. Também é possível consumir 1 xícara de aveia no café da manhã ou usar o leite de aveia em substituição do leite de vaca.
AlcachofraÉ uma planta rica em fibras e luteolina, um antioxidante que previne o aumento do colesterol e favorece o aumento do colesterol bom (HDL).Esta planta pode ser cozinhada e acompanhar as refeições, além de também poder ser consumido na forma de suplemento ou chá.
Canela e cúrcumaEsses condimentos são ricos em antioxidantes e fibras que ajudam a melhorar a circulação sanguínea e favorecem a diminuição do colesterol.Esses condimentos aromáticos podem ser utilizados na preparação dos alimentos.

Também existem alguns chás que podem ser incluídos nas opções naturais para baixar o colesterol, como por exemplo o chá de alcachofra ou o chá de dente-de-leão. Confira como preparar estes e outros chás para o colesterol.

Veja mais detalhes sobre a dieta para baixar o colesterol no vídeo a seguir:

Alimentos que se deve evitar

Alguns alimentos que favorecem o aumento do colesterol mau (LDL) por serem ricos em gorduras saturadas, trans e/ ou açúcares são:

  • Vísceras dos animais, como fígado, rins e coração;
  • Embutidos como salsichas, chouriço, bacon, salame e presunto;
  • Carnes vermelhas ricas em gordura;
  • Leite integral, iogurte com açúcar, manteiga e margarina;
  • Queijos amarelos e cream cheese;
  • Molhos tipo ketchup, maionese, aioli, barbecue, entre outros.
  • Óleos e frituras em geral;
  • Comidas processadas ou congeladas e do tipo fast-food;
  • Bebidas alcoólicas.

Além disso, alimentos ricos em açúcar como os bolos, biscoitos e chocolates também não devem ser consumidos, isso porque o excesso de açúcar fica acumulado em forma de gordura e favorece a produção de colesterol no fígado.

Saiba mais no vídeo a seguir o que parar de comer por causa do colesterol:

Cardápio da dieta para baixar o colesterol

A tabela a seguir indica um exemplo de cardápio de 3 dias que mostra como os alimentos que ajudam a diminuir o colesterol podem ser usados:

RefeiçõesDia 1Dia 2Dia 3
Café da manhã1 copo de leite de aveia + 1 fatia de pão integral torrada com manteiga de amendoim1 xícara de café sem açúcar acompanhada de 1 fatia de pão integral com 2 colheres de queijo ricota + 2 xícaras de uvas roxas1 xícara de aveia em flocos com 1 colher de chá de canela + 1/2 xícara de frutas cortadas + 1 copo de suco de laranja sem açúcar
Lanche da manhã1 copo de suco de uva natural sem açúcar com 1 colher de sopa de aveia + 30 g de nozes1 banana média cortada em rodelas com 1 colher de sopa de aveia1 iogurte natural sem açúcar + 1/2 xícara de frutas cortadas + 1 colher de chá de sementes de chia
Almoço/ JantarPurê de batatas com salmão grelhado + 1/2 xícara de salada de brócolis e cenoura cozida temperada com 1 colher de chá de azeite de oliva + 1 maçãMacarrão integral com peito de peru cortado em cubos e preparado com molho de tomate natural e orégano + salada de espinafre ao vapor temperada com 1 colher de chá de azeite de oliva + 1 pêraAspargos salteados com frango grelhado + salada com alface, tomate de cenoura + 1 colher de chá de azeite de oliva + 1 xícara de uvas roxas.
Lanche da tarde1 iogurte natural sem açúcar com pedaços de frutas + 1 colher de sopa de sementes de chia1 xícara de melancia em cubos1 vitamina (200 mL) de abacate com iogurte natural + 1 colher de chá de linhaça, acompanhado de 30 g de amêndoas.
Lanche da noite1 xícara de chá de alcachofra sem açúcar1 xícara de chá de dente de leão sem açúcar1 xícara de chá de cúrcuma sem açúcar

As quantidades incluídas no cardápio variam de acordo com a idade, gênero, atividade física e se a pessoa possui alguma outra doença associada ou não. Por isso, o ideal é consultar um nutricionista para que seja realizada uma avaliação completa e seja elaborado um plano nutricional adequado às suas necessidades.

O ovo aumenta o colesterol?

A gema do ovo é rica em colesterol, no entanto alguns estudos demonstraram que o colesterol encontrado naturalmente nos alimentos têm baixo risco de provocar danos, diferentemente do colesterol encontrado nos alimentos processados.

A Associação Americana do Coração recomenda que uma pessoa saudável pode consumir 1 a 2 unidades de ovo por dia, e no caso das pessoas com diabetes ou doenças do coração, o ideal é que o consumo seja de 1 unidade por dia. Por esse motivo, é possível incluir o ovo dentro da dieta para baixar o colesterol, desde que o seu consumo não seja em excesso. Confira os benefícios do ovo para a saúde.

Como saber se o colesterol está bom

Para saber se o colesterol está dentro dos níveis considerados adequados e não representa risco para a saúde, é importante fazer a dosagem no sangue do colesterol total e frações, como LDL, HDL e triglicerídeos, que devem ser indicados pelo médico. Caso tenha feito um exame de sangue recentemente, coloque o seu resultado na calculadora a seguir e veja se o seu colesterol está bom:

O exame do colesterol pode ser feito tanto em jejum de até 12 horas quanto sem jejum, no entanto é importante seguir a recomendação do médico, principalmente se outro exame tiver sido indicado. Veja mais sobre a calculadora do colesterol.

Источник: https://www.tuasaude.com/dieta-para-baixar-colesterol/

Como manter seu colesterol sob controle | Artigo

O que é colesterol total e como baixar

Manter o colesterol sob controle é uma das medidas para prevenir complicações cardiovasculares.

Quando você faz um exame de colesterol, os resultados dão o valor do colesterol total e os de três frações: HDL, LDL e VLDL. Muitos chamam o HDL de colesterol “bom” e o LDL de “ruim”.

O mecanismo central da arteriosclerose é a deposição de colesterol na parede das artérias. Nesse processo, estão envolvidas praticamente todas as lipoproteínas, entre as quais as citadas acima: HDL, LDL e VLDL.

Nas pessoas saudáveis, essas lipoproteínas distribuem e reciclam o colesterol. A deposição do colesterol na parede das artérias envolve as frações LDL e VLDL. Ao contrário, sua retirada da parede arterial é executada pela fração HDL.

Nosso objetivo, no momento, é ajudá-lo a controlar os níveis de colesterol como prevenção das doenças cardiovasculares, principal causa de morte nas sociedades industrializadas.

Para isso é fundamental caracterizar dois parâmetros: os fatores de risco e os limites para os valores do colesterol.

Fatores de risco

Como as heranças patrimoniais, a genética não prima pela imparcialidade.

Tive um doente de 64 anos que ingeria uma dúzia de ovos cozidos todos os dias, desde os 18 anos, e tinha colesterol total sempre abaixo de 150. Outros não podem sequer olhar para um vidro de maionese.

Os genes que herdamos de nossos antepassados trazem com eles fatores de risco variáveis para doença cardiovascular.

De acordo com o National Cholesterol Education Program, os principais fatores de risco são:

  • Idade – Homens: 45 anos – Mulheres: Depois da menopausa;
  • Fumo;
  • Hipertensão: Mesmo quando tratada;
  • Diabetes;
  • História de doença cardiovascular em paciente de 1º Grau: Doenças instaladas em parentes masculinos antes dos 55 anos de idade ou em parentes femininos com menos de 65 anos;
  • Níveis de HDL abaixo de 35 mg por dl: Pela tabela, um homem aos 50 anos, cujo pai teve infarto do miocárdio aos 53 anos, tem dois fatores de risco: idade e parentesco. Se ele for fumante e tiver HDL = 30, passa para quatro fatores e dobra o risco, embora possa considerar-se gozando de saúde perfeita.

Para manter adequados os níveis de colesterol e reduzir o risco de ataques cardíacos ou de outras enfermidades circulatórias, há duas medidas universais: controle do peso corpóreo e prática de atividade física. Quando estas falham, os médicos aconselham reduzir a quantidade de gordura na alimentação e, eventualmente, prescrevem medicamentos.

A tabela abaixo estabelece a estratégia para indicar restrição de gordura na dieta e o momento em que o tratamento medicamentoso deve ser introduzido:

A combinação dos fatores com a tabela mostra que não há valores fixos para orientar o controle do colesterol. Um homem de 50 anos (ou mulher na menopausa), com colesterol total = 220 e LDL = 140, não precisa restringir gordura na dieta nem tomar medicamentos, desde que não tenha outro fator de risco.

Se for fumante, por exemplo, terá dois fatores de risco e cairá na faixa dos que necessitam de restrições dietéticas. Se for portador de doença cardiovascular, o mesmo homem de 50 anos (ou mulher na menopausa) irá para o grupo dos que devem tomar remédio.

Veja também: O colesterol não é tão ruim assim

Um exame de sangue para prevenir ataque cardíaco

A relação entre altos níveis de LDL, o “mau” colesterol, e de uma proteína chamada C-reativa no sangue fornecem as explicações mais convincentes sobre as principais causas para a instalação de placas nas artérias que irrigam o coração. Aprendi na faculdade que ataques cardíacos aconteciam quando as coronárias eram entupidas por placas de colesterol.

A arteriosclerose seria consequência mecânica da deposição de placas de gordura no interior das artérias, processo irreversível e contínuo que se iniciava a partir da adolescência.

Pela teoria, quanto mais gordura no sangue, mais rápida a velocidade de formação da placa, maior a probabilidade de obstrução.

Naquele final dos anos 1960, começava a adquirir popularidade a determinação das concentrações das frações HDL e LDL do colesterol no sangue e passava-se a atribuir a elas valor prognóstico: o HDL seria a fração protetora,ou o “bom” colesterol, e o LDL, o “mau”.

Quanto mais alto o LDL, maior o risco de infarto do miocárdio (ataque cardíaco), derrame cerebral e complicações vasculares. Esse conceito foi aceito pelos médicos apesar de evidentes contradições:

  • Há pessoas que nunca infartam apesar de apresentarem placas extensas, que lhes obstruem significativamente a luz das coronárias. Outras, portadoras de placas insignificantes, com pequeno grau de obstrução, podem sofrer infartos extensos;
  • Níveis altos de colesterol explicam apenas 50% dos episódios de infarto; a outra metade dos eventos ocorre em pessoas com colesterol normal;
  • As estatinas, drogas que reduzem as concentrações de colesterol no sangue, administradas a pessoas com LDL elevado, diminuem a probabilidade de ataques cardíacos e derrames cerebrais. Mesmo indivíduos com níveis normais de LDL, no entanto, podem beneficiar-se do uso desses medicamentos. No início dos anos 1990, surgiu uma linha de pesquisa nos laboratórios da Universidade de Harvard, que apresentaria explicação racional para as contradições acima e, em poucos anos, revolucionará o campo da prevenção e do tratamento da arteriosclerose. Das pesquisas iniciadas por esse grupo, emergiu o conceito de que a arteriosclerose é um processo inflamatório.

Entendê-la e tratá-la como resultado do acúmulo passivo de colesterol nas artérias é uma visão simplista, que deve ser abandonada. A formação da placa é um processo ativo, consequência de uma inflamação que se estabelece no local.

As partículas de LDL em excesso que se acumulam junto às paredes internas de uma artéria sofrem alterações químicas que induzem as células do revestimento interno do vaso a produzir certos mediadores, que atraem glóbulos brancos com a finalidade de digerir essas partículas alteradas.

Inicia-se, no local, uma cadeia de reações imunológicas que resultará na deposição de uma camada formada por gordura e glóbulos brancos.

Como defesa, na superfície dessa placa gordurosa, forma-se uma cápsula protetora, densa, de tecido fibroso, com o intuito de isolá-la e mantê-la íntegra, emparedada na superfície do vaso, sem interferir significativamente no fluxo sanguíneo (embora estreite a luz do vaso).

O infarto acontece não porque a placa necessariamente ocluiu a artéria afetada, mas quando substâncias resultantes das reações inflamatórias que ocorrem no interior da placa digerem a cápsula protetora e provocam a formação de coágulos, que se desprendem e são levados pela corrente sanguínea.

A caracterização da arteriosclerose como processo inflamatório tem implicações práticas da maior importância: as mesmas células e moléculas envolvidas nas inflamações, resposta a agentes infecciosos e ao trauma, estão intimamente ligadas à gênese do processo arteriosclerótico.

Uma dessas moléculas é a proteína C-reativa, substância presente em pequenas quantidades no sangue de pessoas normais, mas cuja concentração pode aumentar cem ou mil vezes na vigência de processos inflamatórios.

Como a molécula dessa proteína permanece estável por décadas no sangue estocado, nos últimos anos surgiu uma avalanche de estudos que estabeleceram relações bem definidas entre os níveis de proteína C-reativa e o risco de acidentes cardiovasculares.

Deles, emergiram explicações mais claras para as contradições ligadas ao colesterol:

  • Níveis elevados de proteína C-reativa estão associados a ataques cardíacos e a derrames cerebrais mesmo em indivíduos com LDL baixo;
  • Níveis elevados de proteína C-reativa guardam relação linear com o número de acidentes cardiovasculares, isto é, quanto mais altos os níveis, maior a probabilidade de acidentes;
  • Pessoas com níveis baixos de LDL e de proteína C-reativa são as que menor risco de doença cardiovascular apresentam. Ao contrário, as que possuem LDL e proteína C-reativa elevados apresentam risco de seis a nove vezes maior;
  • Indivíduos com LDL baixo, que mesmo assim se beneficiam com o uso de estatinas, são justamente aqueles portadores de níveis altos de proteína C-reativa, sugerindo uma ação antiinflamatória para essa classe de drogas. As concentrações de proteína C-reativa no sangue são coerentes com os demais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Seus níveis se elevam com o fumo, com o aumento de peso, com o diabetes, com a hipertensão arterial e com o passar dos anos.

O álcool exerce efeito aparentemente paradoxal: os abstêmios apresentam níveis mais altos da proteína, que caem nas pessoas que tomam um ou dois drinques por dia e sobem significativamente nos que exageram na bebida (distribuição que acompanha exatamente o risco de infarto). Além do colesterol, é claro, é preciso controlar os níveis de proteína C-reativa em seus exames de rotina.

A alimentação faz diferença

Os níveis de triglicérides, ou gorduras, existentes no sangue variam de acordo com o tipo de alimentação adotada. Está cada vez mais claro para os estudiosos do problema que uma dieta rica em gordura é um dos mais graves fatores de risco para o funcionamento das artérias que irrigam o coração.

Há mais de 40 anos, foi demonstrado que níveis altos de triglicérides estão associados à doença das coronárias. No entanto, essas gorduras presentes no sangue têm sido consideradas menos importantes do que certas frações do colesterol, como HDL (o colesterol “protetor”) ou LDL (o “mau” colesterol).

Em 1996, uma compilação de vários estudos demonstrou que, para cada aumento de 88,5 mg na dosagem de triglicérides sanguíneos, o risco de doença coronariana aumenta 37% em mulheres e 14% nos homens.

Os médicos têm considerado aconselhável manter os níveis de triglicérides abaixo de 200, mas não há unanimidade em relação a esse valor. Em 1984, o National Institute of Health, dos Estados Unidos, aceitava como desejáveis valores até 250.

Recentemente, o Baltimore Coronary Observation Program sugeriu que níveis acima de 100 devem ser considerados anormais. Já a American Heart Association aceita valores até 150. A dieta é fator crucial na relação entre triglicérides e doença coronariana.

Cada vez que ingerimos gordura, o nível de triglicérides no sangue aumenta. O grau de aumento depende dos níveis basais de triglicérides. Por exemplo, uma pessoa que em jejum tenha triglicérides igual a 80 e almoce cheeseburger com batata frita e milkshake, poderá experimentar uma elevação entre 15% e 20% em seus níveis.

Embora esses valores subam para 92 a 96, ainda estão dentro da normalidade. A mesma refeição, em outra pessoa com valores basais igual a 300, elevará os níveis para mais de 350 o que é absolutamente desaconselhável. Para obtermos resultados laboratoriais confiáveis dos níveis basais de triglicérides, é preciso estar pelo menos 12 horas em jejum quando o sangue for coletado.

Além disso, existe variabilidade de 5 a 10% nos resultados de um laboratório para outro, podendo haver até 15% de variação de acordo com a posição em pé ou deitada no momento da coleta. Esses índices pouco afetam os resultados daqueles que apresentam resultados dentro da faixa da normalidade, mas podem ser significantes para os demais.

Por isso, recomenda-se jejum de 12 horas, no mínimo, e colher o exame na mesma posição e no mesmo laboratório, sempre que possível. Independentemente dessas variações, triglicérides abaixo de 100 não requerem tratamento. No entanto, indivíduos com níveis superiores a 200 devem ser tratados.

Na faixa entre 100 e 200 existe controvérsia em relação à necessidade de tratamento.

Nesse caso, fatores como história de ataques cardíacos na família, concomitância de hipertensão, diabetes, vida sedentária, tabagismo e níveis de colesterol devem ser levados em consideração.

Modificações da dieta são muito eficazes no controle dos triglicérides, porque ela afeta seus níveis de forma muito mais evidente do que os do colesterol. Enquanto evitar alimentos ricos em gorduras saturadas (frituras e gordura animal) reduz o colesterol em apenas 5% a 10%, os triglicérides caem de 20% a 30%.

Para reduzir triglicérides é importante, também, diminuir a ingestão de açúcares, porque o glicerol neles presente forma o esqueleto químico das moléculas de triglicérides.

Embora o álcool pareça ter menor impacto nos níveis de triglicérides do que se imaginava, sua ingestão concomitante com gorduras e frituras pode aumentá-los substancialmente. O exercício físico aeróbico é fortemente recomendado para os que apresentam triglicérides elevados. Sua prática reduz os níveis de 10% a 20%.

Substâncias como os ácidos graxos ômega-3, presentes no óleo de peixes como o salmão, constituem fontes alimentares importantes para quem precisa reduzir triglicérides.

Para que sejam ingeridas nas quantidades adequadas, entretanto, é preciso comer cerca de 300 gramas de salmão por dia.

Por isso, estão sendo desenvolvidas cápsulas de ômega-3 que supram essa necessidade de forma menos enjoativa.

Para os sedentários em que os esforços dietéticos tenham fracassado, o tratamento farmacológico está indicado. Três tipos de drogas são utilizadas: niacina, estatinas e fibratos. A niacina reduz os níveis de triglicérides de 10% a 30%. Doses de um a dois gramas são eficazes também para aumentar os níveis de HDL (o colesterol “protetor”).

Redução do LDL, porém, requerem doses mais altas do medicamento. As estatinas são usadas para reduzir LDL e, concomitantemente, os triglicérides. São especialmente eficazes quando os níveis basais de triglicérides ultrapassam 250, pois induzem 20% a 40% de redução (contra 5% a 10% de redução quando os níveis basais são menores do que 150).

Os fibratos podem reduzir os níveis de triglicérides de 20% a 60% nos pacientes com colesterol total normal (abaixo de 200).

Recentemente, um grande estudo conduzido entre pessoas com colesterol normal (em média 175) e valores médios de triglicérides iguais a 161 demonstrou que os fibratos reduziram o número de eventos cardiovasculares em 22%, resultado expressivo, num grupo que os médicos raramente consideram necessário tratar.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/como-manter-seu-colesterol-sob-controle-artigo/

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